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Soltanieh critica cúpula de Washington e diz que resultado do encontro já é conhecido

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vinheta-clipping-forteTEERÃ – O enviado do Irã na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Ali Asghar Soltanieh, criticou a conferência nuclear organizada pelos EUA nesta segunda-feira, 12, e disse que as decisões tomadas nesse encontro não têm força de lei para as nações ausentes. Soltanieh acusou Washington de ser uma “ameaça real à paz global” em razão do arsenal nuclear americano.

“O resultado da conferência em Washington já é conhecido. Qualquer decisão tomada nesse encontro não é vinculante para os países que não estão representados na conferência”, disse à agência Isna.

O presidente dos EUA, Barack Obama, deve abrir hoje a conferência nuclear de dois dias com representantes de 47 países. O Irã, que vive um momento tenso com os EUA por seu programa atômico, não está representado no evento. O Departamento de Estado norte-americano já informou que os esforços para pressionar o Irã serão um tema “significativo”.

Teerã sofre pressão internacional para abandonar seu programa nuclear. O país diz ter apenas fins pacíficos, mas potências ocidentais temem que ele busque uma bomba atômica. O país persa já sofreu três rodadas de sanções no Conselho de Segurança da ONU.

O Irã anunciou uma conferência de dois dias, em 17 e 18 de abril, sobre desarmamento nuclear. O país ainda não anunciou a lista de participantes, mas haverá delegações da AIEA e da ONU no encontro. A Rússia também já informou que deve estar presente. As informações são da Dow Jones.

FONTE: Agência Estado

Presidente não quer que resolução contra o Irã por seu programa nuclear se arraste ‘durante meses’

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vinheta-clipping-forteWASHINGTON- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pressionou nesta terça-feira, 13, os líderes mundiais para que aprovem de maneira ‘audaz e veloz’ sanções contra o Irã por seu programa nuclear.

“Meu interesse é não haver um processo que se arraste durante meses”, disse Obama, ao pedir que o tema “avance com audácia e rapidez”.

O presidente se disse preocupado que o Irã seja o maior exportador de petróleo e tenha relações econômicas com outros países, mas que Teerã ignorou avisos da comunidade internacional sobre seu programa nuclear e por isso, terá consequências. Segundo Obama, a China já está considerando sinceramente a possibilidade de aplicar novas sanções ao governo iraniano por seu programa atômico.

Sobre a China, país com poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, o qual os Estados Unidos tem tentado convencer a apoiar uma nova rodada de restrições ao Irã, Obama afirmou que ainda tem discordâncias com Pequim, mas que a relação entre os EUA e a China é muito produtiva.

Já a respeito da Coreia do Norte, que assim como o Irã, também não foi convidada para a cúpula, Obama disse acreditar que sanções contra Pyongyang poderiam eventualmente funcionar e que a Coreia pode retornar às conversações sobre seu programa nuclear.

“Eu acho que é justo dizer que a Coreia do Norte escolheu um caminho de severa isolação que foi extremamente prejudicial para seu povo”, considerou o governante.

Obama também declarou que quer ajudar a diminuir as tensões nucleares entre a Índia e o Paquistão, e que tem visto progressos nos últimos anos na segurança nuclear deste último país.

Compromisso

Os governantes de todo o mundo se comprometeram a entregar material nuclear aos Estados Unidos e a fechar alguns reatores nucleares, e os EUA, de acordo com Obama, fortalecerão a segurança em suas próprias zonas nucleares e permitirão inspeções internacionais.

Antes da cerimônia de encerramento, os Estados Unidos declararam que o governo Obama havia apresentado ao Congresso uma proposta de legislação para que as leis de seu país se adaptem às disposições de dois tratados: um para prevenir um possível ataque terrorista com armas nucleares e outro para proteger fisicamente os materiais nucleares.

Obama convocou a cúpula de segurança nuclear para focar a atenção mundial na missão de impedir que algum material atômico caia em mãos terroristas, uma possibilidade que, segundo o governantes representa a maior ameaça para todas as nações.

Ao falar durante a conferência, Obama considerou uma “ironia cruel da história” que o perigo nuclear esteja crescendo apesar do final da Guerra Fria e de décadas de corrida armamentista entre os Estados Unidos e a Rússia.

Os países representados na cúpula disseram que irão cooperar mais estreitamente com a ONU e seu órgão supervisor nuclear, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), e que também irão compartilhar informações sobre a detenção de elementos nucleares e as formas de prevenir o tráfico destes materiais.

O líder reconheceu, no entanto, que a aplicação das medidas de redução de materiais nucleares, assim como manter arsenais atômicos longe das mãos de terroristas, não será tarefa fácil.

Segundo Obama, os passos tomados na Cúpula Nuclear de Washington fazem com que os americanos e o resto do mundo fiquem mais seguros. Graças às medidas que tomamos”, disse em coletiva de imprensa, “o povo americano estará mais a salvo e o mundo será mais seguro”.

O discurso de Obama encerra a conferência de 47 países, a maior assembleia de líderes mundiais sediadas pelos Estados Unidos desde 1945.

FONTE: Estadão, Reuters, Efe e Associated Press.

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Colômbia reage à prisão de supostos espiões

Venezuela acusa grupo de espionar substações de energia

vinheta-clipping-forteO presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, acusou nesta quarta-feira a Venezuela de violar os direitos humanos de oito colombianos detidos no país vizinho acusados de espionagem do setor elétrico.

A Venezuela diz que oito detidos tinham fotos de subestações de energia, sistemas de transmissão e estradas, e que alguns deles carregavam identidades do Exército colombiano. Uma autoridade da Colômbia afirmou que sete prisões foram realizadas.

As detenções ocorrem após meses de tensão entre Uribe, maior aliado dos Estados Unidos na América do Sul, e o presidente venezuelano, Hugo Chávez, que enfrenta a pior crise energética dos últimos anos no país, o que pode dar impulso à oposição nas eleições legislativas em setembro.

Uribe disse que as prisões são injustificadas

“Isto se chama violação de direitos humanos. E o governo da Colômbia não pode permitir a violação dos direitos humanos contra seus cidadãos, vivam eles na Colômbia ou fora”, disse Uribe a jornalistas.

No mês passado, Chávez acusou “contrarrevolucionários” opositores de seu governo socialista de interromper cabos de energia para agravar a crise energética do país, que forçou sua administração a racionar energia na maior parte do país.

As detenções, que segundo autoridades venezuelanas foram realizadas por forças de segurança em dois Estados nas últimas duas semanas, podem piorar as relações entre Caracas e Bogotá na véspera de eleições presidenciais na Colômbia, em maio.

Os suspeitos estão sendo processados pelo sistema militar judiciário da Venezuela.

Nesta quarta-feira, a imprensa venezuelana disse que cinco dos suspeitos, incluindo Luis Carlos Cossio, de 52 anos, pertence a uma família colombiana que vive na pequena cidade venezuelana de Bairinitas há 17 anos e possui uma fábrica de sorvetes.

Durante uma reunião de governo transmitida pela TV na terça-feira à noite, Chávez disse que a fábrica era uma “fachada”, mas afirmou não estar acusando o governo colombiano ou o Exército de envolvimento no caso.

FONTE: Reuters

 

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Fernando Eichenberg

Opresidente dos Estados Unidos, Barack Obama, deu mais um passo, ontem, em seu projeto de tornar obsoleta a imagem da mala com o código secreto que permite acionar o botão detonador de um ataque nuclear a uma nação inimiga, propagada em romances e filmes de espionagem. Pelo menos, no papel. A nova política de estratégia nuclear anunciada por seus secretários de Estado, Hillary Clinton, e de Defesa, Robert Gates, no Pentágono, limita o arsenal americano e restringe as possibilidades de seu uso em conflitos. As medidas do pacote definido como Revisão da Postura Nuclear (Nuclear Posture Review), de 72 páginas, estabelecem novos critérios estratégicos desde a Guerra Fria e divergem da doutrina dos precedentes governos de George W. Bush, pós-atentados de 11 de Setembro. As últimas alterações nas regras haviam sido feitas em 1994 e 2001.

Pela primeira vez, os EUA se comprometem a não usar suas ogivas contra países não dotados de armamento nuclear e signatários do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP), mesmo em caso de ataques com armas químicas e biológicas. Washington, no entanto, abre uma exceção para eventuais ataques a países que violarem as regras internacionais do TNP. No caso, estão na linha de mira as potenciais ameaças representadas por Irã e Coreia do Norte, dois países que têm se recusado a acatar os princípios do tratado e a vigilância da comunidade internacional em seus programas nucleares.

Anúncio decepciona os dois extremos

A nova política nuclear americana indica a mudança de foco em sua lista de principais possíveis inimigos, definida desde os tempos da Guerra Fria pela dissuasão nuclear entre EUA e União Soviética. Saem as potências nucleares tradicionais, como Rússia e China, e entram os grupos terroristas e os chamados “Estados fora da lei”, suspeitos de patrocinar e acobertar o terrorismo.

O anúncio decepcionou os dois grupos extremos: os que defendem a manutenção e reforço da opção bélica nuclear e, do outro lado, os que esperavam uma atitude mais radical de renúncia ao seu uso e seu arsenal. Alguns analistas colocam a iniciativa de Obama mais no campo da retórica do que da prática. Outros acreditam que aponta para uma real mudança de rota.

Segundo o professor Matthew Bunn, especialista em armamento nuclear da Universidade de Harvard e ex-conselheiro do Departamento de Estado para Política de Ciência e Tecnologia, Obama poderia ter “ido mais longe”. Mas, ele vê como positiva a sua Revisão da Postura Nuclear.

- É um primeiro passo para que os mísseis nucleares sejam colocados em um plano secundário na política internacional. Eles estão se tornando cada vez menos importantes. Hoje, nas conversas entre EUA e China se ouve muito mais a palavra “moeda” do que “mísseis nucleares”, o que há 40 anos era impensável – disse ele ao GLOBO.

Medida precede reunião de cúpula

O pacote nuclear americano determina ainda a suspensão do desenvolvimento de novas armas nucleares – uma prioridade dos anos George W. Bush -, e prevê novos investimentos (cerca de US$5 bilhões) para a extensão da vida útil do arsenal existente.

Depois de passar pela prova de fogo da aprovação da reforma da saúde, um dos pilares de sua campanha eleitoral, Obama mostra estar disposto a dar um novo impulso ao seu governo em seu segundo ano de mandato. O anúncio da Revisão da Postura Nuclear antecede em dois dias a assinatura, em Praga, do novo Tratado Estratégico de Redução de Armas (Start, na sigla em inglês), entre Estados Unidos e Rússia, e em uma semana a cúpula sobre não proliferação de armas nucleares (nos dias 12 e 13) , que reunirá em Washington mais de 40 chefes de Estado – entre eles, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

FONTE: O Globo, via resenha CCOMEx

 

vinheta-clipping-forte O Uruguai não pretende abolir as Forças Armadas, mesmo que não haja ameaças externas à soberania nacional. Essa foi a resposta do presidente uruguaio José Mujica a uma carta enviada pelo presidente da Costa Rica, Oscar Arias, divulgada ontem (31). A Costa Rica não dispõe de Forças Armadas desde 1949.

De acordo com a Telam, agência oficial de notícias da Argentina, Mujica disse que o Exército uruguaio poderá ser utilizado para combater a pobreza no país, mas não detalhou de que maneira isso será feito. “Minha opinião pessoal [sobre o fim das Forças Armadas] não importa. Quando se é um presidente, não se faz o que se quer, mas apenas aquilo que se pode fazer.”

Na carta que enviou a Mujica, Arias diz que Forças Armadas são “a última utopia”. “Um país pequeno como o Uruguai não precisa de um Exército.” O presidente da Costa Rica sugere que a segurança interna uruguaia seja feita pela polícia. “A segurança nacional do Uruguai não ganha nada com um aparato militar. O país nunca será mais poderoso do que seus vizinhos que, por outro lado, são países democráticos”, acrescenta.

Arias, diz, ainda, que não importa o quanto seja investido para fortalecer as Forças Armadas do Uruguai, uma vez que o país “não ganhará uma corrida armamentista contra o Brasil, a Colômbia, Argentina, o Chile ou a Venezuela”.

O presidente da Costa Rica encerra a carta que enviou a José Mujica dizendo que não pretende desrespeitar a soberania de uma nação irmã ao apresentar sua sugestão. “Somente quero oferecer um conselho que vejo escrito no muro da história da humanidade: os exércitos são inimigos do desenvolvimento, da paz, da liberdade e da alegria”, completa.

FONTE: DCI, via Notimp

 

vinheta-clipping-forte Por sugestão da Polícia Federal, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva discutiu ontem com o comandante do Comando Sul dos EUA, tenente-brigadeiro Douglas Fraser, a proposta de criação de uma base “multinacional e multifuncional” que teria sede no Rio de Janeiro.

A base formaria, com duas já existentes, em Key West (EUA) e em Lisboa (Portugal), o tripé de monitoramento, controle e combate ao narcotráfico e contrabando, principalmente de armas, além de vigilância antiterrorista.

Douglas Fraser passou o dia de ontem em Brasília. Após reunião de trabalho e almoço com o ministro da Defesa, Nelson Jobim, o comandante americano encontrou-se com o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

A PF já tem um adido de inteligência trabalhando na base de Key West, na Flórida. O Planalto está para decidir se o adido junto à base de Lisboa será um delegado federal ou um oficial da Marinha.

A base no Rio, assim como as outras duas, não admite operações sob comando de estrangeiros. Os países que aceitam participar dos programas de cooperação de combate ao crime organizado enviam adidos que atuam sempre sob supervisão dos agentes do país soberano sobre a base. A ideia é que com a base da Flórida, que vigia de perto o tráfico no Caribe, e a de Lisboa, que exerce controle sobre o Atlântico Norte, a base brasileira sirva como posto avançado de monitoramento do Atlântico Sul.

Tragédia. Key West é uma base aérea e naval que atua em cooperação com os departamentos de Defesa e de Segurança Nacional, agências federais e forças aliadas. Desde 1989, possui força-tarefa de inteligência que conduz operações contra o narcotráfico no Caribe e na América do Sul. Foi de lá que partiu o primeiro avião de resgate no caso da tragédia do voo AF 447, da Air France, em junho passado, no litoral do Brasil, perto de Fernando de Noronha. Notificada do acidente, a base mobilizou o adido brasileiro, que providenciou o início do socorro.

O grupo de agentes da força-tarefa de Key West tem como objetivo combater o cultivo, a produção e o transporte de narcóticos. Os governos britânico, francês e holandês contribuem com o envio de navios, aeronaves e oficiais. O grupo reúne ainda representantes de Argentina, Brasil, Colômbia, Equador, Peru e outros países latino-americanos.

A presença dos Estados Unidos na região começou em 1823, com o objetivo de combater a pirataria local. Foi usada inicialmente como patrulha de operações submarinas e como estação de treinamento aéreo, utilizada por mais de 500 aviadores na época da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Em 1940, ganhou a designação de base aérea e naval.

Em Lisboa, a base naval fica à margem do Rio Tejo, no Perímetro Militar do Alfeite. Foi criada em dezembro de 1958.

Fraser também veio ao Brasil para organizar a viagem do secretário de Defesa dos EUA, prevista para meados de abril. A visita é retribuição da viagem de Jobim aos EUA, em fevereiro, em Nova York. Em pauta, a cooperação estratégica militar entre os dois países, a compra de caças pelo Brasil e o interesse dos EUA em adquirir aviões de treinamento – a Embraer produz o Supertucano. A americana Boeing produz o F-18, Super Hornet, que está entre os três classificados na concorrência da FAB.

FONTE: Estadao.com

 

No período de 22 a 26 de março, a 5ª Subchefia do Estado-Maior do Exército coordenou a realização da VI Conferência Bilateral de Estado-Maior Brasil-Equador. O evento teve a finalidade de estreitar o relacionamento entre as Forças Terrestres dos dois países amigos.

Durante a Conferência, foram intercambiadas experiências para estudo e planejamento de Estado-Maior de temas de interesse comum nas áreas de Pessoal, Inteligência, Operações e Doutrina, Logística, Engenharia, Ciência e Tecnologia, Assuntos Internacionais e, pela primeira vez, Estratégia e Excelência Gerencial.

A delegação do Exército Equatoriano, chefiada pelo General Cevallos, teve também a oportunidade de visitar as dependências do Estado-Maior do Exército, o Comando de Operações Terrestres, o Centro de Comunicação Social do Exército e o 1º Regimento de Cavalaria de Guardas.

FONTE: EB

 

vinheta-clipping-forteA estratégia do Brasil de poupar regimes autoritários e criar condições de diálogo com países que promovem graves violações de direitos humanos sofreu ontem um duro revés e mostrou todas as suas limitações. Pyongyang se recusou até mesmo a afirmar se aceitava ou não as propostas e só indicou que “tomava nota” das ideias. A confusão deve servir de lição para o Brasil, que já admite mudar de posição pelo menos em relação à Coreia do Norte. O Itamaraty, em 2009, absteve-se numa resolução apresentada na ONU que condenava as violações aos direitos humanos pelo regime da Coreia do Norte e estabelecia um relator especial para investigar o país.

FONTE
: O Estado de São Paulo

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Lula é recebido por israelenses e palestinos e defende pressa na negociação entre os povos

Viviane Vaz

vinheta-clipping-forteEm sua passagem pelo Oriente Médio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está vendo de perto como é difícil agradar a israelenses e palestinos. Ontem, em seu último dia de visita a Jerusalém, foi abertamente criticado pelo chanceler israelense, Avigdor Lieberman, por não ter visitado o túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl. Do lado palestino, Lula foi cobrado pelo grupo islâmico Hamas por não incluir a Faixa de Gaza na viagem presidencial, enquanto a ONG Stop the Wall (Detenha o Muro) pediu que o brasileiro rompa as relações comerciais com Israel. “O Brasil deverá decidir entre negociar com Israel e suas armas ou posicionar-se ao lado dos palestinos, dos direitos humanos e da democracia e cortar as relações militares com Israel”, afirmou o ativista Jamal Juma.

Lieberman — apesar da crítica e do boicote à reunião no Parlamento e ao jantar oferecido a Lula — elogiou a viagem do presidente a Israel. “A visita foi um sucesso, com encontros bem-sucedidos e frutíferos”, disse o chanceler, ressaltando “que existem regras do Ministério do Exterior que devem ser respeitadas”. “(As autoridades brasileiras) recusaram-se a visitar o túmulo de Herzl desde o começo. E um homem que se nega a visitar o túmulo de Herzl e vai depositar flores no túmulo do (líder palestino Yasser) Arafat é coisa que não posso aceitar”, completou.

Lula visitaria o túmulo de Herzl, mas o compromisso, segundo o Itamaraty, não foi incluído na agenda por falta de tempo. Durante o dia, o presidente foi ao Museu do Holocausto (Yad Vashem), criado para lembrar o genocídio de 6 milhões de judeus pelo regime nazista de Adolf Hitler na Segunda Guerra, entre 1939 e 1945. “A humanidade deve repetir todos os dias, quantas vezes for necessário, ‘nunca mais, nunca mais, nunca mais’”, destacou Lula, depois de depositar uma coroa de flores em memória das vítimas. “Eu acredito que a visita ao Museu do Holocausto deveria ser quase obrigatória a todo ser humano que quer governar uma nação”, completou, ao lado da mulher, Marisa Letícia, e do presidente de Israel, Shimon Peres.

O rabino Israel Lau, diretor do museu e sobrevivente dos campos de concentração, pediu a Lula para conseguir-lhe um encontro com o presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad. “Na condição de criança de Buchenwald, quero me reunir com ele para que ouça meu testemunho e para que eu possa provar que ele está errado em negar a existência da Shoah (Holocausto)”, afirmou Lau.

Depois de visitar o museu, Lula foi ao Bosque de Jerusalém plantar uma árvore, como fazem todos os chefes de Estado que passam por Israel. “Pode ficar certo que muito feijão que vocês comerão fui eu quem plantei”, brincou Lula com os jornalistas presentes. Em discurso oficial, após a cerimônia de plantio, Lula comparou os 360 milhões de hectares da Amazônia aos 27 milhões de hectares de Israel e defendeu o compromisso brasileiro acertado na Conferência do Clima, em dezembro, em Copenhague. “Até 2020, nós vamos diminuir o desmatamento na Amazônia em 80%, o que é um feito muito arrojado e é um compromisso do meu país”, disse.

No início da tarde, Lula foi recebido pelo presidente da Autoridade Palestina, Mahmoud Abbas, na cidade de Belém, território palestino da Cisjordânia. “É indispensável a necessidade de coexistência entre os estados de Israel e da Palestina. E o mundo tem pressa”, discursou Lula a empresários brasileiros e palestinos. “Eu converso com palestinos e eles dizem que as negociações estão boas. Eu converso com os israelenses e eles dizem a mesma coisa. Mas, claramente, há algo errado”, disse. O presidente foi aplaudido ao defender um acordo entre o Mercosul e a Autoridade Palestina. Hoje, Lula vai a Ramallah, violenta capital administrativa palestina. Ele inaugurará uma rua chamada Brasil e vai visitar o túmulo de Arafat —líder palestino criticado e elogiado por mais de quatro décadas ao defender um acordo com os israelenses.
É indispensável a necessidade de coexistência entre os estados de Israel e da Palestina. E o mundo tem pressa”

Garcia chama boicote de “descortesia”

Para o assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, o boicote do ministro das Relações Exteriores israelense, Avigdor Lieberman, a eventos dos quais o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou em Israel foi “uma descortesia”. A atitude do chanceler israelense foi uma reação ao fato de a comitiva brasileira ter recusado o convite para visitar o túmulo do húngaro Theodor Herzl, o fundador do movimento sionista.

Em Jerusalém, Garcia lembrou que quando o ministro israelense veio ao Brasil no ano passado, “o presidente Lula o recebeu com a maior cortesia, e chegou a abrir uma exceção, porque normalmente presidente recebe presidente e seria de praxe que o chanceler tivesse sido recebido pelo nosso chanceler”. “Portanto, podemos classificar a atitude de Lieberman como um ato de descortesia”, disse Garcia. No entanto, o assessor especial avaliou que a questão não comprometeu “o sucesso da visita a Israel” e a viagem oficial conseguiu, apesar da divergência, aproximar os dois países. O assessor também explicou que a visita não estava prevista na agenda previamente acordada.

Este ano, o governo israelense comemora o aniversário de 150 anos do nascimento de Herzl, que fundou o movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu e à existência de um Estado judaico. Em 1975, o Brasil votou a favor da Resolução 3.379 da Assembleia Geral da ONU, que aprovou considerar o sionismo uma forma de “racismo e discriminação racial”. A decisão foi anulada em 1991, com a aprovação da Resolução 4.686 da assembleia, que recebeu apoio do Brasil.

FONTE: Correio Braziliense

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vinheta-clipping-fortePara o embaixador dos EUA em Israel, Michael Oren, os novos assentamentos em Jerusalém Oriental desataram a pior crise nas relações bilaterais em 35 anos. A questão é se os EUA passarão da crítica à ação dessa vez.

Israel é o país que mais recebe ajuda dos EUA – são US$ 2,4 bilhões anuais, principalmente na área militar. O presidente George H. Bush foi o último a tentar impor condições para essa ajuda – em 1991 ele pressionou pelo congelamento da expansão dos assentamentos quando Israel pediu um crédito de US$ 10 bilhões.

Segundo Oren, que também é historiador, a última grande crise entre os dois países ocorreu em 1975, quando o então chanceler americano Henry Kissinger teve de convencer o primeiro-ministro israelense Yitzhak Rabin a desistir da ocupação do Sinai, no Egito. Na época, os Estados Unidos se recusaram a firmar novos acordos militares com Israel por seis meses. Com a pressão, o governo israelense cedeu, o que acabou abrindo o caminho para a iniciativa de Anwar Sadat, em 1977, que culminaria nos acordos de Camp David, impulsionados por Jimmy Carter, e no tratado de paz de 1979.

FONTE: O Estado de São Paulo

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