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Ditador acusa ‘juventude drogada’ de desestabilização e promete retomar controle de cidades rebeladas

TRÍPOLI – O ditador Muamar Kadafi voltou à televisão na Líbia para confirmar que não vai deixar o poder e alertar que lutará contra os manifestantes que pedem sua renúncia. “Não deixarei a Líbia. Morrerei aqui como mártir. Sou um lutador”, disse o coronel em novo discurso nesta terça-feira, 22, quando seu país entrou no sétimo dia de protestos contra o governo.

Hoje, Kadafi falou em tom ameaçador. Disse que ainda não usou força para coibir os protestos, mas que a usará “se for necessário”. Ontem, Kadafi mandou jatos da Força Aérea bombardear manifestantes. Ele prometeu também tirar Benghazi, a segunda maior cidade do país, do controle dos manifestantes.

Kadafi culpou a juventude líbia, a imprensa internacional, o terrorismo islâmico e os EUA pelo caos no país e afirmou que a imagem da Líbia está sendo “distorcida” perante o mundo.

“Vocês conhecem alguém decente que participa disso? São todos bêbados e drogados”, disse, sobre os jovens que participam dos protestos. O ditador pediu ainda às mães dos manifestantes que os entreguem ao governo para uma “desintoxicação”.

O líder líbio vinculou também os protestos a radicais islâmicos que atuam no Afeganistão e na Somália e dizem que a mídia internacional está, ao mesmo tempo, a serviço da Al-Qaeda e dos EUA. “Os jornalistas seguem as ordem de Osama bin Laden e Ayman al-Zawahiri e converterão a Líbia em algo pior que o Afeganistão”.

Kadafi ainda usou uma argumentação peculiar para descartar a renúncia. “Não sou presidente, não posso renunciar. Mas se tivesse um cargo renunciaria e esfregaria isto na cara de vocês”, disse. Após o golpe de 1969, Kadafi criou uma ‘república das massas’ na Líbia, onde, em teoria, quem governa é o povo. Na prática, o país é uma ditadura.

A Líbia tem vivido dias de tensão por conta das manifestações contra o coronel. Nos últimos dias, houve escalada da violência e quase 300 pessoas morreram devido à repressão das forças armadas e do choque entre manifestantes e simpatizantes do governo. Testemunhas disseram que aviões e helicópteros militares bombardearam marchas na segunda-feira e que havia mercenários pagos pelo governo para disparar contra a população na capital, Trípoli.

As marchas em Trípoli, Benghazi e outras cidades líbias seguem-se às revoltas populares que derrubaram ditaduras que duravam décadas no Egito e na Tunísia. Kadafi está no poder na Líbia há 41 anos e mantém os militares e a mídia do país sob forte controle. O país tem o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da África, mas a riqueza obtida com o abundante petróleo não é bem distribuída entre a população. O índice de desemprego é de cerca de 30%.

FONTE: Estadão / Agências

Várias cidades na Líbia estão mergulhadas no caos, com relatos de edifícios públicos em chamas, incluindo o do Parlamento em Trípoli, e unidades militares e policiais em fuga face o avanço dos manifestantes pró-democracia

Bengasi e Sirte estarão já ambas sob o controlo das multidões que exigem o fim do regime de Muammar Khadafi – no poder desde o golpe militar de 1969 –, inspiradas pelas revoltas populares que conduziram à deposição dos chefes de Estado na Tunísia e Egipto e que se propagam actualmente por diversos países do Norte de África e do golfo.

A Federação Internacional de Direitos Humanos, segundo a qual se registam já entre 300 e 400 mortes desde a eclosão dos protestos da semana passada na Líbia, descreve que os manifestantes ganharam o controlo daquelas duas cidades após a retirada do terreno de algumas unidades do exército.

O jornal líbio “Quryna” reporta entretanto na sua edição online que protestos anti-Governo estão a decorrer em Ras Lanuf, cidade no Norte da Líbia onde se localiza uma das maiores refinarias petrolíferas do país, com capacidade para produzir 220 mil barris por dia. Segundo o “Quryna” os trabalhadores formaram comités especiais de segurança nas instalações para evitar que as mesmas sejam destruídas pelos manifestantes.

Nas últimas horas chegaram igualmente relatos de a polícia ter fugido da cidade de Zawiyah, a Oeste de Trípoli, depois de esta ter submergido no caos. Residentes naquela região estão em fuga para a vizinha Tunísia, reporta a AFP citando testemunhas locais.

A situação em todo o país está a tornar-se cada vez mais “confusa”, descreve o correspondente da BBC no Cairo, Jon Leyne, avançando que correm cada vez mais persistentemente rumores, não confirmados, de que Muammar Khadafi terá saído de Trípoli, possivelmente em direcção a Sirte, sua cidade natal, ou para a base que possui no deserto, em Sabha.

Desde as primeiras horas da manhã têm-se sucedido notícias de ataques a edifícios públicos, incluindo o do Parlamento em Trípoli e de uma esquadra em Souk Al-Jamma, nos arredores da capital, supostamente lançados em fogo por activistas pró-democracia.

“Consigo ver a Assembleia do Povo a arder. Estão lá bombeiros a tentar apagar o fogo”, descreveu o jornalista, quando o país entra hoje no oitavo dia consecutivo de contestação ao regime autoritário de Muammar Khadafi, de que resultaram já mais de 230 mortos (segundo a Human Rights Watch). A Assembleia do Povo é o edifício onde reúne o Congresso Popular, o Parlamento, quando está em sessão na capital Líbia.

O correspondente da BBC relatava que as ruas de Trípoli “para já” estão de novo sob o controlo das forças de segurança líbias, muito embora continue a ser reportado que são ouvidos disparos em zonas dos arredores da cidade. Ao mesmo tempo, organismos e associações pró-Khadafi estão a distribuir gratuitamente carne, peixe, e frutos secos a todos quantos se juntem às manifestações a favor do regime.

Moussa diz que reivindicações são “legítimas”

Cada vez mais vozes se juntam hoje às críticas à acção das autoridades na repressão dos protestos: mais recentemente a do secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, o qual descreveu as reivindicações dos manifestantes como “legítimas” e instou o regime de Khadafi a pôr termo à repressão violenta das manifestações.

A noite de ontem para hoje fora de novo muito turbulenta nas ruas de Trípoli, com relatos de tiros a serem disparados em várias zonas da cidade pouco após a transmissão nas televisões do discurso do filho do líder líbio. Nessas declarações, Saif al-Islam Khadafi avisou que o país está em risco de guerra civil, caso os protestos não cessem.

Segundo a Al-Jazira, ouviram-se constantes disparos, incluindo de armas pesadas, junto à Praça Verde, epicentro da contestação na capital líbia e onde os manifestantes anti-Governo foram brutalmente reprimidos.

Uma testemunha contou àquele canal, com sede no Qatar, que as forças de segurança que dispararam contra os manifestantes na praça eram da “milícia especial que protege Khadafi”, a chamada guarda pretoriana, maioritariamente formada por mulheres.

Testemunhas relataram ainda que, durante a noite, grupos de manifestantes entraram e saquearam o edifício da televisão estatal, já após o discurso de Saif al-Islam Khadafi, o que forçou a interrupção das transmissões temporariamente. Esta manhã a televisão estava já a operar normalmente.Ainda em Trípoli, os familiares dos funcionários da embaixada do Reino Unido, que pediu protecção às autoridades líbias para retirar os seus cidadãos do país, já saíram da Líbia através de voos comerciais. A Turquia, um dos países com mais cidadãos e negócios naquele país, terá visto hoje um dos seus aviões impedido de aterrar em Bengasi.

FONTE: publico.pt

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Novas manifestações pressionam pela saída de Kadafi, enquanto filho diz que líder lutará “até o último tiro”

Manifestantes antigoverno saíram às ruas de Trípoli, capital da Líbia, durante a madrugada desta segunda-feira, fazendo crescer a pressão sobre o presidente Muamar Kadafi, no poder desde 1969. Desde a semana passada, opositores realizam manifestações na segunda maior cidade do país, Benghazi, inspirados nos movimentos que levaram à queda de regimes autoritários no Egito e na Tunísia.

Os protestos em Trípoli começaram na noite de domingo. Segundo testemunhas, opositores tomaram a Praça Verde, no centro da cidade, e entraram em choque com forças de segurança e partidários de Kadafi. Manifestantes antigoverno também teriam tomado os prédios de duas emissoras estatais do país.

Na manhã desta segunda-feira, era possível ver fumaça em pelo menos dois locais de Trípoli, onde estão localizadas uma delegacia de polícia e uma base das forças de segurança. Escolas, prédios do governo e lojas estão fechadas.

Os opositores tomaram o controle de Benghazi, tendo inclusive invadido bases das forças de segurança e roubado armas. Para celebrar sua vitória, manifesfantes fizeram um buzinaço e marcharam gritando palavras de ordem como “longa vida à Líbia”.

No principal tribunal da cidade, a atual bandeira do país foi substituída pela antiga, da época da monarquia, encerrada em 1969 com o golpe militar que levou Kadafi ao poder.

Diplomatas renunciam

Vários diplomatas líbios no exterior renunciaram a seus cargos, insatisfeitos com a maneira como Kadafi reagiu à onda de protestos.

O embaixador líbio na Índia, Ali al-Issawi, disse que decidiu deixar o cargo em protesto contra o uso de violência por parte do governo e afirmou que mercenários estrangeiros foram mobilizados para atuar contra cidadãos líbios. O embaixador da Líbia junto à Liga Árabe, Abdel Moneim al-Honi, disse a jornalistas, no Cairo, que está se unindo à revolta popular, enquanto o embaixador líbio na China também renunciou.

Nesta segunda-feira, o governo britânico chamou o embaixador líbio em Londres para uma reunião com o objetivo de expressar “a absoluta condenação” do uso de força contra manifestantes.

O ministro do Exterior britânico, William Hague, também disse ter ligado para o filho do coronel Kadafi no domingo para demonstrar forte insatisfação com o rumo dos acontecimentos no país.”A Grã-Bretanha está pedindo hoje o fim da violência e que o regime se comporte com humanidade e moderação.”

Hague disse que a Líbia deve permitir a entrada de observadores internacionais no país para conduzir investigações sobre o uso de violência e pediu a abertura da internet no país, o fim da repressão a jornalistas e a proteção de cidadãos estrangeiros.

Um porta-voz do governo francês, François Baroin, disse a rádios francesas que a comunidade internacional precisa trabalhar para impedir que a situação na Líbia se torne ainda mais caótica.

“Estamos muito preocupados e chocados. Condenamos fortemente tudo o que está acontecendo, essa violência inacreditável. Isso pode levar a uma guerra civil extremamente violenta e longa”, disse Baroin. “Precisamos fazer o possível em nível diplomático e coordenar esforços com as posições dos Estados Unidos e da União Europeia para impedir uma crise.”

Brasileiros na Líbia

Desde o fim de semana, o embaixador do Brasil na Líbia, George Ney de Sousa Fernandes, negocia a autorização de um voo para retirar brasileiros que queiram deixar a cidade de Benghazi. A aeronave seria fretada pela construtora Queiroz Galvão, que possui 123 funcionários no local.

Segundo o Itamaraty, nem todos os brasileiros querem deixar a cidade, que é atípica em relação ao restante do país por ter um histórico de antagonismo com o regime de Kadafi.

O Itamaraty estima que entre 500 e 600 brasileiros vivam na Líbia.

Discurso e mortes

Enquanto os confrontos na Praça Verde aconteciam, o filho de Kadafi (foto), Saif el-Islam Kadafi, afirmou que seu pai e as forças de segurança combaterial a revolta popular “até o último tiro”.

Na tentativa de acalmar a população, o filho do líder líbio concedeu uma entrevista à TV estatal dizendo que o país está à beirra da guerra civil por causa de um “complô estrangeiro”. Ele também prometeu reformas constitucionais para frear os protestos.

De acordo com a organização americana Human Rights Watch, os protestos na Líbia deixaram pelo menos 233 mortos desde 17 de fevereiro. Entre as vítimas, 60 morreram no domingo em Bengazhi.

Mundo árabe

Manifestações pró-democracia vêm se espalhando por diversos países árabes e muçulmanos. Eles tiveram início na Tunísia em dezembro passado e provocaram a deposição do então presidente do país, Zine al-Abidine Ben Ali, no final de janeiro. Em fevereiro, uma série de manifestações provocou a renúncia do presidente do Egito, Hosni Mubarak.

Nos últimos dias, também ocorreram protestos em países como Bahrein, Argélia, Iêmen, Marrocos e Jordânia.

FONTE: iG, com BBC, AP e Reuters

PARIS (Reuters) – Uma coalizão de líderes muçulmanos líbios emitiu uma declaração dizendo que é obrigação de todo o muçulmano se rebelar contra o governo líbio.

“Eles demonstraram total impunidade arrogante e contínua, e até mesmo intensificaram seus crimes sangrentos contra a humanidade. Portanto, eles demonstraram total infidelidade à orientação de Deus e Seu amado Profeta (que a paz esteja com ele)”, disse o grupo, chamado de Rede dos Ulemas (sábios religiosos) Livres da Líbia.

“Isto os torna não merecedores de nenhum apoio ou obediência e faz com que a rebelião contra eles por todos os meios possíveis seja uma obrigação de origem divina”, diz o texto da declaração obtida pela Reuters nesta segunda-feira. (Reportagem de Tom Heneghan)

 

EUA escutaram de Colômbia, Paraguai e Chile pedidos para ‘conter’ o Brasil, revela WikiLeaks

Jamil Chade, correspondente

GENEBRA – Telegramas secretos da diplomacia americana revelam que, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, países sul-americanos se incomodaram com a liderança brasileira e chegaram a pedir a Washington que “contivesse” as ambições do Brasil na região. Os despachos foram divulgados pelo grupo WikiLeaks. Entre os que solicitaram à diplomacia americana que atuasse contra o aumento da influência do Brasil estão Colômbia, Chile e Paraguai.

Em 11 de fevereiro de 2004, numa conversa entre o então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e uma delegação do alto escalão da diplomacia dos EUA, o incômodo com as ambições de Lula ficou claro. “Uribe disse que sua relação com Lula é complicada”, relata o telegrama. O ex-líder de Bogotá e forte aliado de Washington alertou na ocasião para a agenda externa de seu colega brasileiro: “Lula se esforça para construir uma aliança antiamericana na América Latina”, teria dito Uribe.

“Lula é mais pragmático e mais inteligente do que (Hugo) Chávez, mas é conduzido por seu histórico de esquerda e pelo ‘espírito imperial’ do Brasil para se opor aos EUA”, acusou o ex-presidente colombiano. Em outro trecho, Uribe ainda acusa o presidente brasileiro de não ter cumprido sua promessa de lutar contra o narcotráfico.

Quatro anos mais tarde, as desconfianças em relação a Lula continuariam na Colômbia. Em um telegrama de 2008, o governo americano afirma que foi informado por militares de Bogotá sobre o projeto de criação de um Conselho de Defesa da América do Sul pelo Brasil. “A desconfiança é que seja um projeto, no fundo, de Chávez”, teriam alertado os militares.

Em telegrama de 19 de maio de 2005, a então chanceler do Paraguai, Leila Rachid, queixou-se ao embaixador americano em Assunção, Dan Johnson, sobre o comportamento de seu colega brasileiro, Celso Amorim, e sua ideia de convocar uma cúpula entre países árabes e sul-americanos. Johnson, por sua vez, disse que o evento promoveria “gratuitamente tensões entre a comunidade árabe e judaica no Brasil”. Ele pediu ainda que, na declaração final, elogios ao Sudão fossem evitados.

“Rachid afirmou que o Brasil teve uma ‘grande disputa’ com vários chanceleres (da América do Sul), incluindo a ministra colombiana (Carolina) Barco e o chileno (Ignacio) Walker, quando Amorim pediu que eles reduzissem as objeções que tinham sobre o Sudão e o processo de paz no Oriente Médio”, descreve o embaixador americano.

Rachid diz que gostaria de falar com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, sobre “preocupações em relação à política externa e comercial do Brasil”. “Ela (Rachid) estava preocupada com as ambições do Brasil de se tornar uma voz de liderança na região e pediu que os EUA se posicionassem para conter o Brasil.”

FONTE: Estadão

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O presidente americano, Barack Obama, quer fazer no Rio de Janeiro um “grande discurso” para o povo brasileiro, semelhante aos pronunciamentos históricos que fez em Berlim e no Cairo.

Segundo a Folha apurou, funcionários americanos estão buscando um local que possa abrigar alguns milhares de pessoas e que tenha uma logística adequada.

O tema do discurso ainda não está fechado, mas Obama deve abordar “a importância de Brasil e EUA atuarem juntos no cenário global”. Obama deve vir ao país em 19 e 20 de março e passar apenas por Brasília e Rio.

A ideia do governo americano é fazer um grande evento semelhante ao discurso do Cairo em junho de 2009 –em que Obama comunicou um recomeço das relações dos EUA com o mundo islâmico– e ao de Berlim.

Na capital alemã, Obama discursou para 200 mil pessoas em julho de 2008, antes de ser eleito, no Tiergarten, o principal parque da cidade.

No Brasil, o principal complicador para o evento é a língua. Uma das possibilidades em estudo é usar telões com legendas no palco onde Obama irá falar.

Também foi aventada a hipótese de distribuir fones de ouvido para os participantes, como foi feito no Egito. Mas, lá, o discurso foi na Universidade do Cairo, e era mais fácil controlar o fluxo de pessoas e fones de ouvido.

O governo americano gostaria de fazer o evento em algum lugar emblemático do Rio, e até uma praia está sendo cogitada.

Ainda durante sua estadia no Rio, Obama irá visitar uma favela pacificada –agentes americanos visitaram Cidade de Deus, Dona Marta, Babilônia, Cantagalo e Providência para verificar as condições.

Em Brasília, ele vai participar de um jantar oficial, e deve haver algum evento envolvendo empresários –muitos de São Paulo ficaram frustrados porque a comitiva não irá passar pela cidade.

SEM APOIO NO CS

No discurso, além da relação Brasil-EUA, Obama pode abordar o relacionamento entre seu país e a América Latina e a situação dos povos indígenas na região.

Ele poderia falar também sobre a questão racial, sublinhando a diversidade que une o Brasil e os EUA e o fato de ser o primeiro presidente americano negro.

Segundo fontes do governo americano, é bastante improvável que Obama declare apoio às ambições brasileiras a um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU.

A Casa Branca comemorou gestos da presidente Dilma Rousseff -entre eles, o repúdio às violações aos direitos humanos no Irã e as críticas ao tratamento dado a dissidentes cubanos.

Mas, para os americanos, o Brasil ainda não demonstrou de forma inequívoca liderança regional e global. E, com seu comportamento durante a negociação de sanções contra o Irã, ‘minou os fundamentos’ do CS.

Por esses motivos, ainda não é a hora de declarar apoio, dizem os americanos. A Índia recebeu apoio de Obama em sua visita a Nova Déli, em novembro.

Outro presente que Obama não deve trazer aos anfitriões é algum sinal de que a tarifa americana sobre o etanol brasileiro pode ser derrubada em breve. A tarifa foi renovada em dezembro.

“A tarifa é determinada pelo Congresso”, disse ontem José Fernandez, secretário de Estado assistente, em evento na Câmara Americana. “Não há planos de mudá-la.”

FONTE: Folha.com

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Depois de 587 dias na selva como prisioneiro das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Marcos Baquero está livre desde a tarde de ontem. O vereador colombiano é o primeiro refém da guerrilha a ser libertado na operação humanitária que deve durar até domingo e resgatar mais quatro pessoas em poder da guerrilha. Pouco antes de subir no helicóptero do Exército Brasileiro — que dá apoio logístico à missão —, ele disse por telefone à emissora de rádio e TV Caracol: “Minhas primeiras palavras são para minha mulher e meus filhos: amo muito vocês. Graças a Deus, já estou em liberdade”.

A operação de resgate é comanda pela ex-senadora Piedad Córdoba e mediada pelo Comitê Internacional da Cruz Vermelha(CICV). O Brasil emprestou dois helicópteros do Comando Militar da Amazônia para transportar a missão humanitária. Seis militares brasileiros se uniram à senadora e a três acompanhantes que buscaram Baquero no meio da selva, no departamento (estado) de Guaviare. Foi a terceira vez que o Exército Brasileiro participa da entrega de reféns pelas Farc. O processo deve continuar na sexta-feira, porque a guerrilha pediu um dia de intervalo entre cada libertação.

A missão humanitária, composta por 22 pessoas, deve partir hoje para a cidade de Florencia, no sul, para recolher na selva o fuzileiro naval Henry López e o vereador Armando Acuña. No domingo, a operação se repete a partir de Ibagué para receber o major da polícia Guillermo Solórzano e o cabo do Exército Salín Sanmiguel. Piedad Córdoba, que foi afastada do Congresso no ano passado, acusada de manter ligações com as Farc, garante que todos os chamados “reféns políticos” em poder do grupo devem ser libertados até meados do ano.

Depois de ter ficado prisioneiro por 19 meses, Baquero afirmou que deve trabalhar por um acordo de paz a partir de agora. “Temos de seguir trabalhando duro pela liberação de outros sequestrados”, declarou em sua primeira entrevista. O vereador, eleito pelo Partido Verde, é conhecido por sua luta em busca do desenvolvimento sustentável na agricultura. Baquero foi vítima de uma emboscada guerrilheira em 28 de junho do ano passado. Ele estava à caminho da cidade de Carpa, onde trabalhava em um projeto com produtores de leite, quando a comitiva foi atacada por bombas caseiras.

A mulher do político, Olga Lucía, 31 anos, e os filhos Hanssen Samir, 10, e Emanuel, 2, aguardavam ansiosos pelo reencontro com Baquero no aeroporto de Villavicencio. O filho mais novo tinha apenas cinco meses quando o pai foi sequestrado. Os familiares vestiam camisetas estampadas com a palavra liberdade e a foto de Baquero. Uma caravana com cerca de 30 amigos e correligionários chegou cedo ao local carregada de apitos, cartazes e uma bandeira da Colômbia.

Fonte: Correio Braziliense / Tatiana Sabadini

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Depois de dois dias de negociações, o encontro militar entre representantes da Coreia do Norte e Coreia do Sul terminou sem acordo. O objetivo era preparar um encontro entre os ministros da defesa dos dois países.

As duas comissões, chefiadas por coronéis, não conseguiram formar uma agenda conjunta a fim de diminuir as tensões entre as duas partes de península depois do bombardeio norte-coreano sobre a ilha sul-coreana de Yeonpyeong em novembro de 2010. O incidente causou uma parada na ajuda humanitária ao norte e nos projetos econômicos conjuntos.

Uma das principais divergências entre as nações era que a Coreia do Sul exigia um pedido de desculpas formais por esse incidente. A Coreia do Norte, por sua vez, afirma que o ataque foi motivado por movimentos navais do Sul.

FONTE: Diário do ABC

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Segundo diplomata americano, presidente é contra entrada do País como membro permanente e evitará falar sobre o tema em sua visita em março

O presidente dos EUA, Barack Obama, não deverá trazer seu apoio à entrada do Brasil no Conselho de Segurança da ONU como membro permanente durante sua visita ao País, em março. A Casa Branca e a diplomacia americana trabalham para contornar inevitáveis e constrangedoras perguntas da imprensa e para não prejudicar seu projeto de relançar as relações bilaterais.

Segundo uma fonte do Departamento de Estado, a mudança na posição de Washington é uma possibilidade remota. Seria um “milagre”. Para o governo americano, o Brasil cometeu um “pecado mortal” ao votar contra a resolução do Conselho de Segurança sobre novas sanções ao Irã, em junho.

Posição brasileira. A iniciativa brasileira teria sido mais grave que a insistente busca pelo acordo nuclear com o Irã porque “comprometeu a própria credibilidade do sistema” e deu mostras da contaminação das decisões mais sensíveis de política exterior do País pela personalidade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-chanceler Celso Amorim. “Foi uma burrada”, disse a fonte.

Para o Departamento de Estado, ainda não está claro se o governo de Dilma Rousseff, como continuidade da administração Lula, preservará a mesma linha de ação na área externa.

Essa dúvida começará a ser dirimida no dia 23, quando o chanceler Antônio Patriota fará sua primeira visita à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, em Washington.

Essa será a primeira oportunidade de diálogo entre EUA e Brasil sobre o passo anterior – a reforma do Conselho de Segurança, que permanece engavetada na ONU.

FONTE: Estadão

Excelente reportagem mostrando o Brasil de uma perspectiva econômica e cultural. No final, o texto diz: “Economistas da Goldman Sachs prevêem que juntamente com a China, Rússia e Índia, dominarão a economia do século 21. Se isso acontecer, o Brasil será uma superpotência diferente, aquela que preferirá o amor à guerra. Não possuidor de arsenal nuclear e contribuindo com forças aliadas em 1944, o Brasil é um país pacífico desde 1870.”

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