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vinheta-clipping-forteBRASÍLIA (Reuters) – O Congresso aprovou nesta segunda-feira o envio de até 1.300 militares adicionais ao Haiti, país devastado por um forte terremoto no último dia 12.

A ideia do governo é enviar imediatamente 900 militares, dos quais 750 serão de infantaria e 150 do efetivo da Polícia do Exército. Os demais 400 militares seriam mobilizados se futuramente o governo achar necessário.

“Diante da crise e do estado de calamidade em que se encontra hoje o Haiti, da solicitação de apoio da ONU, de nossos compromissos internacionais e, sobretudo, o nosso dever de prestar a devida ajuda humanitária a um povo irmão, o Brasil não pode se furtar a cumprir seu papel de líder internacional frente à crise haitiana e a prestar o auxílio devido”, declarou em seu voto o relator da matéria, deputado Mauro Benevides (PMDB-CE).

A proposta aprovada dobra o contingente brasileiro no país caribenho, onde o Brasil lidera a missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), conhecida como Minustah, que tem um contingente de aproximadamente 9.000 pessoas, sendo 7.000 militares.

Na semana passada, o Conselho de Segurança da ONU aprovou, por unanimidade, o aumento temporário no número de tropas e policiais da entidade no Haiti em 1.500 policiais e 2.000 soldados para ajudar a manter a segurança e ajudar nos esforços humanitários.

Cerca de 3.000 presos fugiram da cadeia depois do tremor de magnitude 7 que abalou principalmente a capital Porto Príncipe e pode ter matado até 200 mil pessoas. Saques e tumultos também ocorreram na sequencia da tragédia.

Integrante da base aliada, o senador Epitácio Cafeteira (PTB-MA) criticou a iniciativa do governo. Para ele, o Executivo deveria primeiro dar atenção às vítimas de enchentes e desabamentos em todo o Brasil.

“O Brasil não está em condições de ajudar, mas de ser ajudado”, argumentou.

A oposição, entretanto, apoiou a medida do governo. Para o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Eduardo Azeredo (PSDB-MG), o Brasil tem capacidade para atuar nas duas frentes.

“Não devemos faltar neste momento (no Haiti). O Brasil tem condições financeiras de fazer esse apoio”, destacou Azeredo.

A matéria foi debatida e votada por uma comissão representativa de deputados e senadores, uma vez que o Congresso está em recesso.

(Reportagem de Fernando Exman)

FONTE: Reuters / Brasil Online, via O Globo

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Em ação conjunta, militares trocam farpas sobre comando de missão

Leandro Colon

vinheta-clipping-forteO primeiro encontro oficial entre tropas brasileiras e americanas no Haiti deu o tom do clima de divergência entre as duas partes. Sobraram trocas de recados. O general brasileiro Floriano Peixoto Vieira Neto, chefe militar da missão da ONU no país, reforçou que a ajuda aos haitianos – incluindo a segurança – é liderada pela Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah), cujo maior contingente é do Brasil. “Cada parte é muito bem definida, por meio de protocolo de entendimento, assinado pelas duas partes, o que nós faremos aqui”, afirmou.

Ao seu lado, o general Ken Keen, que lidera as forças dos EUA, deixou claro que não há subordinação à ONU e avisou que não há prazo para deixar o país. “O presidente Barack Obama nos mandou para cá para dar assistência ao governo do Haiti e estaremos aqui até quando eles precisarem”, afirmou. Questionado sobre as pretensões dos EUA em assumir a segurança, Keen foi enfático: “Isso é ridículo.” Segundo ele, há 3,7 mil soldados americanos em terra hoje no Haiti. Oficialmente, cabe aos EUA apenas a tarefa de ajuda humanitária.

Os militares dos dois países se juntaram ontem para distribuir 13 toneladas de comida e 15 mil litros de água em Cité Soleil, região mais pobre da capital. O cenário de entrega de comida era tipicamente haitiano: fumaça, casas de lona, lixo a céu aberto, porcos e seres humanos dividindo o mesmo espaço. Entre os soldados de cada país, poucas palavras. Os americanos não falavam português, e a maioria dos brasileiros apenas arriscava algumas palavras em inglês.

Enquanto isso, o general Floriano Peixoto percorreu a favela com o colega Ken Keen. Abordados pelos jornalistas, buscaram a cordialidade, mas não conseguiram disfarçar a divergência de conceito hierárquico na ação no Haiti. Uma jornalista questionou o general Floriano, na presença de Keen, sobre a polêmica em torno da segurança. Peixoto irritou-se, lembrou que há um acordo de tarefas e posicionou-se: “Eu sou o responsável pela parte militar da Minustah.” Em seguida, tentou amenizar a crise diplomática: “O relacionamento é extremamente positivo.” O discurso de Peixoto tem sido semelhante ao do ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim. Em visita ao Haiti no sábado, Amorim voltou a valorizar a posição majoritária do Brasil no país. Apesar de afirmar que se reporta apenas ao governo do Haiti, o general americano disse que os EUA são parceiros do Programa Mundial de Alimentos (WFP) da ONU. “Sem esta colaboração, não estaríamos aptos a fazer chegar a ajuda”, afirmou Ken Keen, que elogiou as tropas brasileiras. “O Brasil tem bons soldados, extremamente profissionais. Estão entre os melhores do mundo”, disse ele, que já morou no País.

FONTE: Estadão

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Convidado por França e EUA, Brasil aceitou em 2004 comando das tropas em busca de visibilidade internacional

Roberto Simon

vinheta-clipping-forteQuando, em fevereiro de 2004, o Conselho de Segurança (CS)da ONU aprovou o envio de 400 soldados americanos e franceses a Porto Príncipe, o Haiti ocupava um lugar discreto na agenda da diplomacia brasileira. Rebeldes estavam prestes a tomar a capital haitiana e o presidente Jean-Bertrand Aristide, acuado, renunciou. Reticente em se envolver na força, o Brasil, que ocupava um assento rotativo no CS e integrava o “Grupo de Amigos do Haiti”, limitou-se a reconhecer o novo presidente, Boniface Alexandre, e a votar a favor do envio de tropas. “Não era nosso estilo, o estilo brasileiro, de missão”, relembra o embaixador do Brasil na ONU na época, Ronaldo Sardenberg. Em dois meses, porém, o cenário se inverteria e o governo brasileiro assumiria o comando das tropas no Haiti.

A questão haitiana só se tornou prioritária para o Brasil porque a natureza da missão da ONU mudou entre a queda de Aristide e a chegada dos brasileiros, afirmaram ao Estado autoridades que participaram das negociações.

Logo após o colapso do governo haitiano, o contingente franco-americano foi incumbido de “impor a paz”. “Era, na verdade, uma força de ocupação”, diz o então ministro da Defesa, José Viegas, hoje embaixador em Roma. “Nós só participaríamos de uma missão que fosse chancelada pela ONU para manter a paz.” Nos bastidores, iniciou-se o vaivém de consultas.

Atolados no Iraque e Afeganistão, e com um histórico de ocupação do Haiti, os EUA queriam se distanciar da ilha. Mas, ao mesmo tempo, americanos temiam um influxo em massa de haitianos em sua costa, uma reedição dos “boat people”. “O governo George W. Bush não queria assumir a “paternidade” da coisa”, diz Roberto Abdenur, então embaixador brasileiro nos EUA. Antiga metrópole do Haiti, a França também desejava reduzir sua presença no país.

Segundo fontes, o primeiro contato foi um telefonema feito pelo general americano James Hill, que chefiava o Comando Sul, ao comandante do Exército brasileiro, general Francisco Roberto de Albuquerque. Em seguida, o diálogo subiu um degrau na hierarquia. Viegas recebeu uma ligação da embaixadora dos EUA no Brasil, Donna Hrinak, perguntando “se” e “sob quais condições” o Brasil lideraria a missão da ONU. “Era um sábado, liguei imediatamente ao presidente (Luiz Inácio Lula da Silva). Recebi sinal verde”, relata Viegas.

Finalmente, as negociações atingiram o nível presidencial. Lula recebeu um telefonema do presidente da França, Jacques Chirac, formalizando o convite. “É de suma importância que o Brasil assuma esse comando”, teria dito Chirac a Lula. “Essa também é a opinião do (secretário-geral da ONU) Kofi Annan.”

A entrada da França na negociação tinha duas motivações, afirma um militar que participou do diálogo. Era preciso evitar que o Brasil parecesse um “fantoche” dos EUA e o apoio francês “internacionalizava a questão”. “Mas também era uma “limpada de barra” de franceses com americanos, porque Paris foi, na ONU, visceralmente contra a invasão do Iraque, naquele mesmo ano.”

No Itamaraty, Ministério da Defesa e Planalto havia consenso de que o Haiti era uma “causa justa”. Mais: o comando brasileiro “fortaleceria as credenciais do Brasil para um assento permanente no CS”, diz Abdenur. “Seria um comando prestigioso”, completa Viegas.

O Brasil, porém, queria que a missão fosse de “estabilização” e não “imposição da paz”. Em outras palavras, exigia-se que fosse incluído no mandato da ONU um forte componente socioeconômico, para além da questão estritamente militar. “Uma missão desse tipo era muito mais nosso estilo”, afirma Sardenberg, relembrando a participação brasileira em operação como as em Angola e em Timor Leste.

França, EUA e Annan aceitaram as condições e, em abril de 2004, o CS criou a Missão das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah). O envio de tropas foi então ao Congresso brasileiro, que aprovou a medida.

OPERAÇÃO

“Fomos ao Haiti achando que os inimigos seriam os ex-militares. Mas eram, na verdade, as gangues. Havíamos nos preparado para uma missão militar, mas era uma questão policial”, analisa um oficial que atuou no país.

Olhando em retrospectiva, o comandante das forças da ONU no Haiti de 2007 a 2008, general Carlos Alberto dos Santos Cruz, divide a história da Minustah em dois momentos fundamentais. O primeiro, de 2004 a 2008, consistiu na luta contra gangues que controlavam as favelas de Bel Air, Cité Militaire e Cité Soleil.

O objetivo era conquistar pontos estratégicos nas regiões e manter uma presença ostensiva. Simultaneamente, houve uma investida para conquistar a confiança da população. “E, assim, as gangues foram quebradas”, explica Santos Cruz.

Reduzida a violência, veio, então, a última – e mais decisiva – etapa, intensificada a partir de 2008: o auxílio ao desenvolvimento e a reconstrução da infraestrutura do país caribenho. “Agora, com o terremoto, regressamos ao estágio “menos um”", conclui uma outra fonte militar que pediu anonimato.

FONTE: O Estado de São Paulo

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vinheta-clipping-forteOs Estados Unidos anunciaram nesta quarta-feira o envio de mais 2.000 fuzileiros navais para o Haiti, desviando tropas que estavam rumo à África. Os EUA estimam que terão um total de 16 mil militares no Haiti e na costa do país até o fim de semana, trabalhando no auxílio a vítimas do terremoto do dia 12. O número atual já suplanta os cerca de 9.000 militares da Força de Paz das Nações Unidas, a Minustah, responsável pela segurança, e os reforços deixarão os EUA com mais de 12 vezes o contingente brasileiro, o maior da missão, que era de 1.266 antes do terremoto.

O Conselho de Segurança da ONU também aprovou nesta terça-feira o envio de mais 3.500 homens para a missão de paz, e o Senado brasileiro marcou para a próxima segunda-feira (25) a votação de um pedido do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que prevê o envio de mais 1.300 militares brasileiros para a Minustah. Segundo o ministro, 900 militares seriam enviados imediatamente e 400 formariam uma reserva.

Oficiais da Marinha americana informaram que o grupo de três navios USS Nassau Amphibious Ready zarpou na segunda-feira rumo ao golfo Pérsico e à África, mas foi desviado para o Haiti, para ajudar no esforço humanitário após o terremoto.

O grupo é formado por fuzileiros do Estado da Carolina do Norte, e deve unir-se a um grupo de outros 2.000 em seu caminho para o Haiti, aonde pode chegar já nesta quinta-feira. O primeiro grupo de cerca de 2.000 fuzileiros navais já está na costa do Haiti e desembarcou pela primeira vez nesta terça-feira.

Um funcionário do Pentágono diz que há cerca de 11.500 militares americanos no Haiti ou em navios na costa do país, incluindo um porta-aviões nuclear, número que deve ficar próximo de 16 mil até o fim de semana.

Nesta quarta-feira, o navio-hospital americano Comfort, da Marinha americana, ancorou na costa de Porto Príncipe, com cerca de 550 profissionais de saúde, somando-se a equipes de cerca de 30 outros países que tentam tratar os feridos. Cerca de 250 mil pessoas ficaram feridas no terremoto e grupos de ajuda dizem que muitas pessoas têm morrido por falta de cuidados médicos ou equipamentos adequados.

O Comfort conta com 1.000 leitos e capacidade para atender desde feridas leves a operações complexas. Ele participou de missões humanitárias no Haiti em abril, quando promoveu serviços médicos gratuitos, e desde esta terça-feira já estava recebendo vítimas do terremoto, transferidas de helicóptero.

Oito hospitais, a metade deles de campanha, estão funcionando atualmente em Porto Príncipe. O terremoto de 12 de janeiro causou pelo menos 75 mil mortos e 250 mil feridos, segundo autoridades haitianas. Entre os brasileiros, foram confirmadas 21 mortes –incluindo 18 militares da Minustah.

“Não se sabe com precisão quantos pacientes estão aqui. Milhares, possivelmente muito mais. O número aumenta cada vez que se abre uma nova unidade médica”, disse nesta quarta-feira na capital haitiana o coronel americano Richard Ellison.

O secretário de Defesa americano, Robert Gates, ordenou também nesta quarta-feira o envio ao Haiti de uma embarcação especializada em limpeza de portos, informou a agência de notícias das Forças Armadas. A foi tomada depois que mais um tremor, de 6 graus na escala Richter, atingiu o país na manhã desta quarta-feira.

Nos últimos dias, cresceram os desentendimentos entre ONGs e as autoridades internacionais e as críticas ao papel de liderança assumido pelas forças americanas, que controlam o aeroporto de Porto Príncipe desde semana passada. As autoridades dos EUA e da ONU negam problemas e dizem que a divisão de tarefas é clara, com os americanos a cargo da ajuda humanitária e distribuição, podendo eventualmente atuar em autodefesa.

Mas o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, principal crítico de Washington na América Latina na atualidade, acusou os EUA de ocuparem o Haiti sob pretexto de prestarem ajuda. Em visita ao Haiti, nesta terça-feira, o vice-presidente da Bolívia, Álvaro García Linera, disse que os EUA pretendem estabelecer uma presença militar permanente no Haiti, dentro de uma estratégia para “controlar o continente”.

FONTE: Folha Online, com Associated Press, France Presse e Efe

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  1. Brasil perdoa 95% da dívida de Moçambique. Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e de Moçambique, Joaquim Alberto Chissano, assinaram na terça-feira (31) em Brasília um acordo em que o Brasil perdoa 95% da dívida do país africano – no valor de US$ 315 milhões.
  2. Brasil perdoa mais da metade de dívida da Nigéria. O Brasil vai receber apenas US$ 67,3 milhões da dívida de US$ 150,4 milhões que a Nigéria contraiu com o país, há mais de 20 anos, em financiamentos e seguros de exportações. Os outros R$ 83,1 milhões serão cancelados, conforme acordo assinado
  3. Brasil perdoa dívida de US$ 52 mi da Bolívia. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quinta-feira o perdão de uma dívida de US$ 52 milhões que a Bolívia tinha com Brasil.
  4. Brasil perdoa dívida de 4 milhões de dólares a Cabo Verde.
  5. Brasil perdoa dívida da Nicarágua. O presidente nicaraguense agradeceu a decisão do Brasil de perdoar 95% da dívida nicaraguense com esse país, estimada em 141 milhões de dólares.
  6. Brasil vai perdoar a dívida de Cuba. Brasil e Cuba devem assinar acordo para amortizar a dívida do governo cubano com o governo brasileiro, que já chega aos 40 milhões Euros.
  7. Brasil perdoa a dívida do Gabão. O presidente em exercício do Conselho Federal da OAB criticou a decisão do presidente Lula de perdoar a dívida do Gabão com o Brasil, calculada em US$ 36 milhões.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

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vinheta-clipping-forteRIO DE JANEIRO (Reuters) – O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou nesta quarta-feira que enviou à Comissão Representativa do Congresso Nacional um pedido de aprovação para envio de mais 1.300 militares para integrar a força de paz da ONU no Haiti, país devastado por um terremoto na semana passada.

“Conversei com o senador (José) Sarney pelo telefone e enviei um pedido ao Senado de 1.300 militares. Inicialmente, seriam 900 militares, sendo 750 de Infantaria e 150 policiais de Exército”, afirmou à Reuters por telefone o ministro.

FONTE: G1

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BRIC

Países ainda não estão prontos para liderar uma mudança, diz jornal. Publicação compara países a uma onça, um urso, um tigre e um panda.

vinheta-clipping-forteColoque uma onça, um urso, um tigre e um panda juntos e você poderá ter um bom espetáculo, mas não terá uma vida sossegada. Essa é a definição do jornal “Financial Times” para a situação dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China), na série especial preparada pelo jornal britânico sobre o grupo dos principais emergentes do mundo.

Na avaliação do FT, apesar do avanço econômico dos últimos anos, esses países ainda não estão prontos para liderar uma mudança do centro de poder global, principalmente em razão das fortes diferenças existentes entre eles.

“Uma década de crescimento rápido não é suficiente para os Brics pegarem o bastão da liderança econômica global dos Estados Unidos e da Europa Ocidental”, diz o FT. O grupo pode ter surpreendido o mundo com o seu progresso nos últimos dez anos, mas será preciso uma melhora qualitativa, assim como mais crescimento, para consolidar a mudança de poder, avalia a publicação.

Conforme o banco Goldman Sachs, que inventou o acrônimo Bric, a China deve se tornar a maior economia mundial antes de 2030. Atualmente, o grupo já tem a maior fatia do comércio.

Ascensão

O movimento é reconhecido pelos investidores: as ações dos Brics encerraram a década valendo mais que o dobro de 2005, diz o jornal. Há uma década, apenas um deles tinha grau de investimento, hoje todos têm. Há 12 anos, o calote da Rússia e a crise cambial brasileira balançavam o mundo, agora esses países acumulam vastas reservas.

O desempenho levanta questionamentos sobre uma mudança do centro de gravidade da economia e governança globais. “É este o centro de rotação como aconteceu na Segunda Guerra Mundial, quando os confiantes e inovadores Estados Unidos colocaram de lado as fracas e endividadas economias da Europa e refizeram a arquitetura financeira global?”, questiona o FT.

“A resposta mais provável é: ainda não.” Para o jornal, o grupo é tão desigual que qualquer generalização é problemática. Assim como uma boy band, os países podem ter sido escolhidos mais por suas diferenças do que similaridades, compara o FT.

Obstáculos

A China, membro dominante do grupo, ainda está baseada em um modelo econômico dependente da demanda externa. A Índia é conhecida pelo setor de software e serviços para negócios.

O Brasil, apesar de alguns fabricantes bem-sucedidos, permanece como um dos exportadores de produtos agrícolas mais eficientes. E a Rússia, após algumas tentativas de diversificação, continua essencialmente vendendo apenas petróleo e gás.

A falta de interesses comuns também impede uma política conjunta, apesar das reuniões dos Brics a partir de 2008, na tentativa de fechar posição sobre questões econômicas. Temas como política cambial, modelo econômico e comércio mostram divergências.

Um exemplo é o câmbio desvalorizado na China, que contraria os interesses do Brasil. “(Os Brics) devem reconhecer que, conforme ficam mais ricos e mais poderosos, se amontoar na bandeira de solidariedade de países em desenvolvimento não ajudará nem a eles nem à economia mundial”, afirma o editorial do FT, que também trata do tema.

FONTE: G1

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da BBC Brasil

vinheta-clipping-forteEnquanto os haitianos lutam por sobrevivência após o devastador terremoto da semana passada, os Estados Unidos, a França e o Brasil estão “brigando pela predominância” no país, diz um artigo publicado no site da revista alemã “Der Spiegel”.

O artigo, assinado pelo correspondente da revista em Londres, Carsten Volkery, diz que o governo haitiano acompanha esse desenrolar “desfalecido”.

Como exemplo da disputa pela predominância no país, a revista cita a decisão do presidente haitiano, René Préval, de passar o controle do aeroporto de Porto Príncipe para os americanos, o que causou uma “chiadeira internacional” e levou o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, a dizer que os Estados Unidos praticamente “anexaram” o aeroporto.

França e Brasil protestaram formalmente em Washington “porque aviões americanos receberam prioridade para pousar em Porto Príncipe enquanto aviões de organizações de ajuda eram desviados para a República Dominicana”, segundo a revista.

A “Spiegel” diz que o Brasil, que lidera as forças da missão de paz no Haiti, “não pensa em abrir mão do controle sobre a ilha” e que, se depender da vontade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto de reconstrução do Haiti “deve permanecer um projeto latino-americano”.

A disputa diplomática em andamento “lembra o passado político da ilha”, diz a revista, “quando constantemente os 8 milhões de haitianos se tornavam um joguete de interesses internacionais”.

Colônia

Por causa da situação precária no país e da fragilidade do governo, vários analistas ouvidos pelo artigo preveem que o país mais pobre das Américas pode voltar a se tornar uma “espécie de colônia”.

“Desde 2004, a ilha é um protetorado da ONU (Organização das Nações Unidas)”, diz a revista, lembrando que as tropas de paz zelam pela ordem e segurança no país, treinam a polícia local e até organizam as eleições.

Henry Carey, especialista em Haiti da Georgia State University, diz no artigo que o mandato da ONU deverá ser estendido e que o país voltará a ser uma colônia, “dessa vez da ONU”.

Para o analista, isso seria “positivo”, se for mantida a recente tendência de estabilização econômica e política verificada no país.

FONTE: Folha Online

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O presidente do Haiti, René Préval, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, assinaram um acordo para cooperação mútua diante da devastação causada pelo forte terremoto que atingiu o país, no último dia 12. O tremor deixou a capital Porto Príncipe virtualmente arrasada e matou milhares de pessoas.

Leia a íntegra do comunicado:

“Comunicado Conjunto dos governos do Haiti e dos Estados Unidos da América
divulgado em Porto Príncipe, Haiti
16 de janeiro de 2010

O presidente René Garcia Préval, do Haiti, e a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton, dos Estados Unidos da América, reuniram-se hoje em Porto Príncipe, após o catastrófico terremoto de 12 de janeiro de 2010 e suas trágicas consequências, e divulgaram o seguinte comunicado conjunto:

Reconhecendo:

  • a longa história de amizade entre os povos do Haiti e dos Estados Unidos e seu respeito mútuo pela respectiva soberania;
  • o terrível sofrimento do povo do Haiti, com a perda de vidas em grande escala, lesões físicas generalizadas e danos amplos à infraestrutura pública e propriedade privada;
  • a necessidade urgente de uma resposta imediata aos pedidos do governo do Haiti e a importância primordial de implementação de trabalhos de resgate, assistência, recuperação e reconstrução, além de outras iniciativas, com segurança, rapidez e eficácia;
  • os desafios correntes e sem precedentes que o governo do Haiti enfrenta; e
  • a conversa entre o presidente Obama e o presidente Préval, ocorrida em 15 de janeiro de 2010, que salientou as necessidades urgentes do Haiti e sua população, a promessa feita pelo presidente Obama, de dar o apoio total do povo norte-americano para o governo e povo do Haiti, tanto no trabalho imediato de recuperação como na iniciativa de reconstrução a longo prazo, e o compromisso assumido por ambos os presidentes, de maximizar a coordenação da assistência oferecidas pelas várias partes, inclusive o governo do Haiti, a Organização das Nações Unidas, os Estados Unidos e os vários parceiros e organizações internacionais presentes no terreno;

O presidente Préval, em nome do governo e povo do Haiti, acolhe as iniciativas essenciais empreendidas pelo governo e povo dos Estados Unidos no Haiti, em apoio à recuperação e estabilização imediata e à reconstrução do Haiti a longo prazo, e solicita dos Estados Unidos a assistência necessária para reforçar a segurança em apoio ao governo e povo do Haiti e à Organização das Nações Unidas e aos parceiros e organizações internacionais presentes no terreno;

A secretária Clinton, em nome do governo e povo dos Estados Unidos, reafirma a intenção dos Estados Unidos, por meio de sua assistência, de dar apoio ao povo do Haiti neste momento de grande tragédia; e

O presidente Préval e a secretária Clinton conjuntamente reafirmam que os governos do Haiti e dos Estados Unidos darão continuidade à cooperação nos termos deste entendimento mútuo, com o objetivo de promover os trabalhos de resgate, assistência, recuperação e reconstrução com o máximo de segurança e eficácia possível.”

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vinheta-clipping-forteUm convênio entre o Ministério da Defesa e a ABC (Agência Brasileira de Cooperação), ligada ao Itamaraty, deverá aumentar o número de militares de países pobres, em especial da África e da América Latina, que fazem treinamento prático ou teórico no Brasil.

Pelo convênio, os convites e a organização da estadia desses militares, hoje a cargo de cada uma das três Forças, serão centralizados na Defesa. Esta repassará a lista com antecedência à ABC, que paga as passagens e provê ajuda de custo aos convidados.

O diplomata Marco Farani, diretor da ABC, acredita que o convênio permitirá uma melhor programação orçamentária da chamada “cooperação técnica” no âmbito militar, abrindo caminho para a sua ampliação.

“Antes, o convite [aos militares estrangeiros] era feito de forma errática. Havia uma demanda fragmentada [para o apoio financeiro da ABC]. O convênio permitirá que isso seja feito de forma institucional. As próprias embaixadas poderão divulgar as informações sobre cursos e vagas disponíveis, fazer contato de Estado para Estado”, disse.

Trata-se de uma primeira iniciativa para institucionalizar uma prática que, em países desenvolvidos e com peso na indústria de armas, é política de Estado: a formação de militares estrangeiros.

No entanto o convênio cobrirá apenas uma pequena parte da cooperação nessa área entre as Forças Armadas brasileiras e as de “países amigos”. Hoje, a maioria dos acordos para treinamento no Brasil ou no exterior é feita de maneira descentralizada.

A Defesa não dispõe dos dados completos sobre participantes de cursos e intercâmbios em geral, que têm que ser solicitados a cada Força.

Pouca gente

A pedido da Folha, as assessorias de comunicação da Marinha e do Exército compilaram os números de estrangeiros que participaram de cursos nas respectivas escolas desde 2000, e de militares brasileiros que fizeram cursos no exterior.

A informação foi pedida também à Força Aérea, mas não havia sido fornecida até o fechamento desta edição.

Apesar do projeto brasileiro de ampliar a cooperação militar principalmente com os vizinhos da América do Sul, por meio do Conselho de Defesa Sul-Americano e da anunciada promoção de uma indústria bélica regional, os números permitem ver que, na área de formação, o Brasil ainda recebe pouca gente.

De 2000 a 2009, 2.789 estrangeiros passaram por cursos na Marinha (1.689) ou no Exército (1.100). Entre os que receberam treinamento da Marinha, 663 vieram da América Latina e 696, da África –graças à cooperação naval com a Namíbia, sacramentada por acordo em 1998.

Já o Exército recebeu 829 latino-americanos e 118 africanos no mesmo período. O número de sul-americanos que passam pelas escolas da Força cresceu desde 2005 de média de 53 por ano, entre 2000 e 2004, para média de 101.

Nos cursos de altos estudos da ESG (Escola Superior de Guerra), formaram-se 55 estrangeiros, dos quais 45 são latino-americanos.

EUA

Para efeito de comparação, os EUA, em apenas 1 de seus 20 programas para formação de militares estrangeiros, o Imet (International Military Education and Training), receberam 25.207 militares da América Latina e do Caribe entre 2000 e 2007, último ano para o qual há dados disponíveis.

Os outros programas mantidos pelos departamentos de Estado e da Defesa dos EUA recebem não apenas militares, mas também policiais, funcionários civis e acadêmicos. É o caso, por exemplo, do Centro para Estudos da Defesa Hemisférica, vinculado à Universidade Nacional da Defesa, que só em 2007 recebeu 5.484 estudantes latino-americanos.

FONTE: Folha online

 
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