No dia de hoje, com muita chuva, foi criada a Companhia Independente de Operações Especiais da Polícia Militar do Estado de Goiás.
O COE é composto por Policiais Militares voluntários e selecionados na Corporação que, após concluir o Curso de Comandos e Operações Especiais, ministrado pela própria unidade, passam a integrar os Pelotões de Operações Especiais.
O curso abrange as disciplinas de doutrinas de comandos e operações especiais, orientações e navegações, tiro tático, mergulho livre, contra terrorismo, sobrevivência em mata, higiene, profilaxia e pronto socorrismo, técnicas não letais de intervenção policial, técnicas policiais em altura; explosivos; natação utilitária, técnicas de contra guerrilha urbana e rural; equipamentos e materiais de comandos e operações especiais e técnicas e táticas de comandos e operações especiais.
Durante o curso os alunos são submetidos a situações de superação, próximas da realidade onde a tropa deverá operar, testando a sua rusticidade diante de obstáculos como o tempo, sono, fome, desgaste físico e mental, ferimentos, etc.
Também são adestrados para orientar e proteger a vida humana, a natureza, preservando a ecologia nas áreas de selva ou floresta, sempre superando as deficiências com denodo, criatividade, desprendimento, humildade e esforço no bem cumprir da sua missão, seguindo a premissa: “Com o Sacrifício da Própria Vida”, se assim, necessário for.
NOTA DO FORTE: Boa sorte aos novos “caveiras” de Goiás e ao Major Moura por mais essa missão.
Livro analisa trabalho do repórter em áreas de conflito
Acompanhar tiroteios entre policiais e traficantes nas favelas; livrar-se de enchentes para trazer relatos consistentes sobre o drama da cidade alagada; ver de perto a crise habitacional; acompanhar tumultos nas ruas da cidade; investigar crimes hediondos e chacinas de deserdados; descobrir e analisar falcatruas dos três Poderes; tomar depoimentos de pessoas emocionalmente vulneráveis e atuar em alguns casos como se fosse uma tropa de choque são tarefas banais para os repórteres e fotógrafos que trabalham na editoria de Cidade dos grandes veículos de comunicação do país.
Esse ambiente envolvente do trabalho dos repórteres pode ser encontrado agora no novo livro do jornalista Carlos Nobre, “Direto do Front: A cobertura jornalística de ações policiais em favelas do Rio de Janeiro” que será lançado na sexta-feira, dia 10, 19h, na Rua Mem de Sá, 126, Lapa.
Nobre é professor de Metodologias/Técnicas de Reportagem, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), e a obra é resultante da análise que fez do que chama de “jornalismo urbano”, em que os repórteres são atingidos diariamente pela imprevisibilidade da notícia nas metrópoles; vão para as ruas apurar fatos que tendem a fugir do controle da redação.
É uma das características mais marcantes da editoria de Cidade que Nobre neste livro apresenta para os leitores: ele analisa como trabalha uma editoria que tem muitas atribuições geográficas e políticas no cotidiano de uma metrópole e que em nenhum momento do ano para de funcionar.
Para dar mais sustentação à tese de um jornalismo urbano, o autor mergulha em diversos ambientes jornalísticos como se quisesse envolver as culturas jornalísticas na ação de reportagem. Por essa perspectiva, é possível encontrar no texto do prefaciador da obra, o renomado jornalista Telmo Wambier (ex-editor O Globo, Jornal do Brasil, Estado de São Paulo, e TV Globo), elementos interessantes a respeito das diversas linhas metodológicas adotadas pelo autor para escrever sua obra, da Editora Multifoco.
O que diz Wambier, em relação à obra de Nobre:
“Um mesmo livro pode ter significados diferentes para diferentes leitores. “Direto do front”, do professor Carlos Nobre, pode ser lido de várias perspectivas: como um relato histórico do fazer jornalístico dos anos 1980/1990, como uma análise crítica da forma como a grande imprensa traduz a metrópole partida, ou, até mesmo, como um ensaio sociológico sobre as relações da imprensa com o poder e com os excluídos. Em cada leitor uma mesma obra bate de diferentes formas, a depender das experiências vividas e do interesse pessoal pelo assunto tratado. Um autor, depois de lançado o livro, perde o controle sobre o seu significado, já que para cada um a obra é seu autor mais o que o leitor acrescenta como experiência e memória”.
Um dos momentos mais interessantes da obra é quando Nobre aborda conceitualmente a apuração como fundamento da reportagem. Neste caso, Nobre vê dois momentos antagônicos no trabalho de verificação e análise de dados pelos repórteres, ou seja, a apuração em condições ideais e a apuração em condições adversas. Em cada momento destes dois modelos de apuração, o repórter terá que se desdobrar de forma diferenciada, analisa o autor.
O autor, por conseguinte, diz que a cobertura adversa é característica implícita da Cidade, é seu alimento natural, vitaminado pela imprevisibilidade das ocorrências do cotidiano de uma metrópole que a editoria de Cidade tem o prazer de acomodar em seus braços como se fosse um grande presente. Se não for assim, inexiste jornalismo ou reportagem de Cidade, diz o autor de “Direto do front”.
Daí, então, em muitos casos, vemos o repórter cobrindo certos assuntos (crime, enchentes, tiroteios, tumultos etc.) “meio vendido” na história, isto é, sem saber exatamente como poderá se comportar no front da notícia imprevista que contraditoriamente tem grande significado para os leitores do jornal no dia seguinte à sua publicação.
Neste sentido, Nobre acrescenta outro dado que faz parte da psiquê dos repórteres que trabalham nesta editoria: a insubstituível sensação de insegurança quanto à capacidade de conseguir apurar a matéria com certa precisão em virtude do alto grau de mudanças de comportamentos e de atitudes das fontes em relação ao fato que está sendo apurado.
O autor também não deixa de abordar o chamado jornalismo investigativo que ele prefere, em muitos casos, chamar de “apuração ou reportagem investigativa”. Aqui, Nobre, ao invés de teorizar sobre este assunto, seleciona alguns métodos de trabalho do jornalismo investigativo e faz uma análise técnico-sociológica a respeito de cada uma deles, a fim de que os leitores possam ter uma noção da complexidade do trabalho jornalístico.
Aliás, lendo o livro de Nobre cai por terra certas visões segundo as quais o trabalho jornalístico é simplista. Nobre mostra que os antigos e novos instrumentos de apuração tendem se convergir, hoje, em função do alto desenvolvimento tecnológico via internet, produzindo, assim, imersões do repórter pelo mundo de diversos de tipos de visões sobre a “notícia” e a “verdade”.
Na verdade, segundo o autor, hoje existe uma proliferação de “verdades”, e eis um interessante desafio para o repórter : não estabelecer pontos de partidas ou verdades únicas nas pautas, pois, no atual momento, não existe mais isso em função de um novo tempo, de uma nova época, onde métodos de trabalho mudam com impressionante rapidez.
Uma das mais importantes avaliações do livro é o ultimo capítulo chamado “Direto do front”, que se tornou nome da obra, onde o autor se detém em revelar como começou às coberturas jornalísticas das ações policiais em favelas do Rio de Janeiro (envolvendo mais 100 homens super-armados, tendo que enfrentar número idêntico de traficantes/armas).
Nobre mostra, aqui, um certo heroísmo do repórter de Cidade dos anos 1980 quando este tipo de cobertura começou no Rio de Janeiro. O repórter daquela época cobria essas ações de forma improvisada. Hoje, não. A cobertura é mais planejada. Ou seja, o repórter que trabalha neste tipo de cobertura faz cursos em tropas especiais da América Latina, usa calote à prova de balas e sabe se deslocar como um integrante de uma tropa de elite pelo terreno acidentado das favelas cariocas durante os conflitos.
O autor
CARLOS NOBRE é formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e professor de Jornalismo da mesma universidade. Mestre em Ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes (Ucam). Como jornalista, conquistou seis prêmios, sendo dois Esso.
Trabalhou em todos os grandes jornais brasileiros. Suas especialidades acadêmicas são direitos humanos, criminalidade, relações raciais, instituições coercitivas e culturas populares urbanas.
Publicou cinco livros, entre eles, “Mães de Acari: uma história de luta contra a impunidade” (Relume-Dumará, RJ, 1994), “Mães de Acari: uma história de protagonismo social” (Pallas-PUC-Rio, RJ, 2005) e “ Que cidadania queremos? Ensaios sobre cidadania e exclusão”( Sempre Livre, RJ, 2003), em conjunto com outros autores, e “ O negro na Polícia Militar: cor, crime e carreira” (Multifoco, RJ, 2010).
Por Hudson Corrêa (Rio) e Maurício Simionato (Campinas)
Viúvas dos militares brasileiros mortos no terremoto do Haiti em janeiro exigem pagamento em dobro do seguro de vida porque os maridos estavam a serviço. Responsável pelas apólices, a Poupex diz que há “um equívoco de interpretação”.
A entidade, gerenciada pela Fundação Habitacional do Exército, quer pagar entre R$ 100 mil e R$ 250 mil, como publicou no domingo o colunista da Folha Elio Gaspari.
“O fato de os militares terem falecido no cumprimento de uma missão humanitária do Exército Brasileiro não altera o valor concedido, uma vez que a origem dos óbitos foi um terremoto”, diz em nota a entidade.
A Poupex afirma que a apólice não prevê pagamento em caso de terremoto. Alega que, mesmo assim, “em lugar de adotar postura mais confortável”, se propôs a pagar o seguro, porém não em dobro como querem familiares das vítimas.
O Exército confirma as informações da Poupex e diz que, em “caráter excepcional”, foi proposto o pagamento do seguro.
Dezoito militares brasileiros morreram no terremoto do Haiti. Eles participavam de missão da ONU no país.
O governo brasileiro prometeu indenizar com R$ 500 mil cada família de militar morto, além de dar auxílio de R$ 510 mensais por filho em idade escolar. Até hoje, a promessa não foi cumprida.
Ontem o Ministério da Defesa afirmou que, no dia 5 passado, o governo pediu ao Congresso autorização para liberar R$ 10,1 milhões e pagar as indenizações.
AÇÃO JUDICIAL
A professora e bancária Cely Zanin –viúva de um oficial morto no terremoto– disse ontem que entrará com ação judicial para receber o seguro por morte acidental do marido.
O coronel João Eliseu Souza Zanin, 46, morreu quando o quartel general da ONU desabou durante o terremoto.
Cely, 43, diz que ela e as outras 17 viúvas dos militares receberam das seguradoras metade do que ela diz acreditar ser de direito porque a morte deles foi considerada “natural” pelas seguradoras.
“Já estamos providenciando a ação porque não achamos justo. Nós não vamos recuar e vamos lutar até o final pelo direito dos nossos maridos. Provavelmente serão as 18 viúvas e será neste mês.”
Ela afirma também não ter recebido os R$ 500 mil prometidos pelo presidente Lula logo após o terremoto nem a ajuda de custo mensal para os filhos. Cely tem dois, um de 17 e outro de 18 anos.
“Foi noticiado, saiu na imprensa internacional, mas até hoje não recebemos nada. A ajuda de custo também prometida de R$ 510 aos filhos para o estudo também não recebemos e o ano está acabando”, disse.
“Essa ajuda prometida pelo Lula é muito importante também. Da Poupex [seguro pago por cerca de 30 anos, segundo ela] recebi por morte natural, em torno de R$ 280 mil.”
Se fosse por morte acidental o pagamento teria sido de pelo menos R$ 560 mil.
“O problema da Poupex e do Bradesco em nos pagarem a diferença é abrir precedentes para os 2.000 homens que estão lá no Haiti hoje. Porque eles estão descobertos pelo seguro. Aí vem o seguro e diz que foi morte natural”, disse ela, que contou ter recebido US$ 50 mil da ONU dois meses após a morte.
A Folha não conseguiu contato com a seguradora do Bradesco.
FONTE: Folha de São Paulo
NOTA do EDITOR: É esse o tipo de tratamento que as famílias dos nossos heróicos soldados merecem?
“A arma mais eficiente ainda é o Fuzileiro, que aprende, pensa e luta contra qualquer adversário”. Gen Michael W. Hagee Cmt USMC
Reportagem de Alexandre Galante, Guilherme Poggio e Luiz Padilha
O porta-helicópteros de assalto anfíbio HMS Ocean, da Royal Navy, chegou ao Rio de Janeiro no dia 9 de setembro de 2010, para participar de um exercício anfíbio com a Marinha do Brasil.
O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) participou dos exercícios com o 3º Batalhão de Infantaria, representado por duas companhias, que se juntou ao 539 Assault Squadron dos Royal Marines para realizar um treinamento anfíbio de quatro dias, período este em que houve a troca de experiências em operações recentes.
A Aviação Naval foi representada por uma aeronave UH-14 Super Puma (matrícula N-7070), do 2° Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-2), que permaneceu embarcada no HMS Ocean e fez o apoio aéreo durante o desembarque simulado.
A finalidade da “Passex Ocean 2010″
O objetivo principal do exercício “Passex Ocean 2010″ foi estimular a amizade e o relacionamento profissional entre os Fuzileiros Navais do Reino Unido e do Brasil, por meio da troca de informações e boas práticas entre as pequenas frações, em relação às experiências recentes de ambos os Corpos em combate real.
Os Royal Marines possuem uma longa tradição de excelente desempenho em combate. Seu recente emprego nos campos de batalha no Afeganistão e Iraque representa relevante repertório de práticas interessantes para a troca com países amigos.
Por outro lado, a experiência dos fuzileiros navais brasileiros, desde 2004 no Haiti, tem demonstrado uma especial capacidade de adaptação a diferentes tipos de ameaças e ambientes, ampliando a potencialidade do CFN no moderno conceito de “combate em três quarteirões”.
A finalidade de qualquer treinamento é o desenvolvimento de forças militares capazes de vencer o inimigo em combate. O adestramento representa a chave para a efetividade das tropas em operações reais, significando a principal preocupação das forças armadas em tempo de paz.
As habilidades básicas de um soldado são fundamentais para atingir a efetividade em combate e merecem a máxima atenção. Por outro lado, as habilidades coletivas são igualmente importantes, pois a excelência individual não necessariamente significará um satisfatório desempenho em equipe.
Conforme descrito por Yigal Allon, comandante israelense nas guerras de independência de Israel, entre 1948-1949:
O mais brilhante plano, desenvolvido pelo mais capaz general, depende dos líderes de pequenas frações para a sua execução no nível tático. Fracos comandantes de Grupos de Combate (GC) podem arruinar os melhores planos; no entanto, os melhores comandantes de GC frequentemente salvam planos ruins. Isso ocorre por um simples motivo: o comandante de GC representa o único nível de liderança que mantém constante e direto contato com os homens que efetivamente combatem o inimigo. De fato, todos os níveis de comando devem ser treinados para pensar e agir de forma independente, sempre que a situação assim ditar, e os líderes de pequenas frações não são exceção à regra. (Yigal Allon, A criação do Exército de Israel, p.127).
O treinamento coletivo consiste basicamente em procedimentos operativos padronizados (POP) e exercícios.
Os POP são especialmente úteis ao treinamento para pequenas frações, por permitir a busca de proficiência por meio do condicionamento e repetição progressiva de tarefas. Os POP constituem um método efetivo de assegurar a rapidez de reação e coordenação de ações padronizadas.
São exemplos de POP as técnicas de entrada em posição das armas de apoio, procedimentos pré-voo e as diversas técnicas de ação imediata (TAI).
Em relação aos exercícios, estes se destinam ao treinamento coletivo e individual no campo da tática, sob ambiente de combate simulado.
Os exercícios devem se aproximar ao máximo das condições reais do campo de batalha, introduzindo a fricção nos adestramentos sob a forma da incerteza, estresse, desordem e dupla-ação.
A busca da excelência em procedimentos básicos e a capacidade de julgamento dos líderes de pequenas frações permanecem como essenciais ao sucesso das forças em combate. Mas isso não constitui um desafio simples: os líderes de pequenas frações necessitarão de agilidade em seu processo decisório, precisarão de sabedoria para considerar as peculiaridades culturais e os eventuais impactos de cada decisão implementada, deverão liderar suas frações em diferentes ambientes operacionais e agir com iniciativa e sob estrita integridade moral.
Em resumo, ser rápido e efetivo na pronta resposta às diferentes situações vividas no campo de batalha será decisivo para que a pequena fração “gire” seu Ciclo de Boyd de forma mais eficiente que seus inimigos.
A opinião dos participantes
“Tomara que isto se repita”, disse o comandante do 3º BtlInfFuzNav (Batalhão Paissandu), Luiz Octavio Gavião, cuja Divisão Anfíbia participou dos exercícios de assalto, forças de paz e de combate. “Este tipo de exercício conjunto é mais comum acontecer com os americanos, mas para os meus fuzileiros, quanto mais experiência internacional, melhor”, complementa.
Gavião admitiu haver barreiras culturais e da língua, facilitadas pela presença de tradutores entre os fuzileiros, mas mesmo assim se mostrou muito satisfeito. “Isto é fantástico”, resumiu um dos fuzileiros brasileiros do Batalhão Paissandu, enquanto, ajudado por um dicionário Português-Inglês de bolso, se preparava para ser instrutor de um dos exercícios.
O Lieutenant Colonel Neil Wraith, dos Royal Marines e oficial de operações anfíbias do HMS Ocean, liderou o planejamento e execução dos assaltos à praia e o treinamento conduzido pelas tropas dos dois países. Ele disse: “É uma responsabilidade interessante fazer o que eu faço. Primeiro, na função de oficial de operações, lido com o posicionamento marítimo do HMS Ocean; depois, sou a ligação entre o navio e as embarcações de desembarque que inserem as forças na terra, vindas do mar. Nós somos uma parte de incrível flexibilidade no que o navio faz e somos treinados para trabalhar em muitas condições e ambientes”.
Wraith serviu no Iraque duas vezes, a primeira vez com o 4º Commando em Al Faw, durante a invasão de 2003 e em 2008, e como comandante de companhia no 4º Commando em Helmand, Afeganistão. Ele acrescentou:
“Aquela experiência mostrou como é grande o leque das habilidades que precisamos e porque estes exercícios com o Brasil são de grande utilidade. É questão de sermos completamente adaptáveis, sendo capazes de nos mover para qualquer lugar rapidamente e com precisão. As primeiras forças de Royal Marines que invadiram o Afeganistão em 2001 foram lançadas do HMS Ocean e aquela operação era uma tarefa completamente diferente”.
As etapas do exercício
Em função do tempo disponível ao exercício no Brasil, a Passex Ocean 2010 consistiu de um exercício de quatro dias de duração: o primeiro envolveu adestramentos e procedimentos de segurança a bordo do HMS Ocean, com os meios de desembarque dos Royal Marines; o segundo envolveu um movimento navio-terra (MNT) do HMS Ocean para a praia situada em frente ao Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM); os dois dias finais ocorreram em terra, nas instalações do CADIM, consistindo na prática de técnicas de ação imediata para Grupos de Combate (GC), em eventos simulados em ambiente urbano e anfíbio, sob condução do 3º BtlInfFuzNav (Batalhão Paissandu), do Comando da Divisão Anfíbia.
A fase terrestre do exercício “Passex Ocean 2010″ consistiu de seis eventos diários no CADIM, tipo “oficina”, simultâneos e limitados por tempo (1h30 por evento). Os eventos iniciaram com um rápido briefing orientado por um tradutor, seguindo-se das práticas do GC do CFN, seguido de fração correspondente dos Royal Marines (Section – 8 militares).
Antes de iniciarem a rotação para o próximo evento, o instrutor encarregado da oficina conduziu o debriefing das atividades, com a finalidade de disseminar conhecimentos e lições aprendidas dos destacamentos em situações semelhantes vivenciadas em operações reais.
A participação de todos os envolvidos no debriefing foi estimulada ao máximo, pois novas ideias de procedimentos e técnicas surgem para a ampliação do desempenho das pequenas frações em combate.
Operações Especiais entre as equipes, por meio de troca de experiências em tarefas de reconhecimento, ocorreram de maneira simultânea às demais e seguiram programação específica.
O início do exercício
Na parte da manhã do dia 10 de setembro os Royal Marines deram início ao transporte de seus homens e equipamentos para o CADIM. Foram empregadas três embarcações de desembarque tipo LCVP Mk 5 que fizeram diversas viagens entre o HMS Ocean e o cais do CADIM. Além dos equipamentos individuais, os LCVP também trouxeram os botes infláveis de borracha Mk 2 tipo “zodiac”.
Após o desembarque dos Royal Marines e seus equipamentos, os mesmos deram início ao processo de sondagem e reconhecimento da praia do CADIM, empregando tanto os LCVP como os botes de borracha. Este processo fez-se necessário, pois na parte da tarde seria feita uma demonstração de assalto anfíbio por parte dos britânicos. Foi durante o reconhecimento que os Royal Marines constataram a dificuldade de realizar operações de abicagem com os LCVP na praia do CADIM, devido ao baixo gradiente. Em uma das aproximações um LCVP encalhou a poucos metros da arrebentação.
Após o reconhecimento da praia, boa parte do período da manhã foi dedicado às demonstrações de aproximação da praia com o emprego de botes infláveis por parte dos britânicos.
O PRTB
A Marinha também montou um PRTB (Posto de Recebimento e Tratamento de Baixas) na praia do CADIM, composto por duas barracas para o caso de ocorrerem acidentes durante os exercícios (ver fotos acima). Por ser uma unidade muito mais simples que um hospital de campanha, o PRTB é altamente flexível e de rápida instalação. Cada barraca pode ser montada em menos de uma hora.
O PRTB estava equipado com os recursos necessários para tratar ferimentos leves e executar pronto-atendimento em casos mais complexos, sendo capaz de estabilizar um eventual paciente para que o mesmo fosse removido. A ecavuação poderia ser feita por meio das embarcações do CADIM, dos Royal Marines ou pelos helicópteros envolvidos no exercício. Dentre as opções para a transferência de baixas, existiam o próprio HMS Ocean, que conta com excelentes instalações médico-hospitalares, e unidades no Rio de Janeiro.
Instalações como essa montada no CADIM são semelhantes aos PRTB que a Marinha enviou para o Chile, em apoio às vítimas do terremoto ocorridas no início deste ano. Cada PRTB possui a capacidade de realizar cerca de 500 atendimentos por dia. Como a situação enfrentada no Chile era bastante grave, os PRTB executavam até 600 atendimentos por dia.
A demonstração de desembarque
Enquanto uma equipe menor (formada por 13 fuzileiros britânicos e nove brasileiros) fazia em terra o reconhecimento da ilha e realizava missões de inteligência para auxiliar a tomada da praia, fuzileiros brasileiros e britânicos ensaiavam o desembarque a bordo do HMS Ocean.
Quando a ordem de desembarque foi dada, duas embarcações rápidas artilhadas fizeram uma incursão em direção à praia, virando para direções opostas no último minuto, com as armas atirando constantemente para manter o inimigo na defensiva.
Helicópteros Lynx britânicos (armados com metralhadora e também com míssil antinavio Sea Skua) e o Super Puma brasileiro chegaram logo depois, abrindo caminho para a chegada das LCVP e dos Hovercraft. Depois do desembarque, helicópteros Lynx fizeram “fast rope” e trouxeram mais equipamentos para as tropas.
Fuzileiros brasileiros e ingleses foram capazes de trabalhar uns com os outros, mesmo falando línguas diferentes. Em menos de 24 horas juntos, efetuaram um assalto bem sucedido a partir do mar.
A0 final das demonstrações do dia 10/9, os Fuzileiros Navais foram reunidos na ponta leste da praia do CADIM e embarcaram na EDCG (Embarcação de Desembarque de Carga Geral) GED L 12 Guarapari . A L 12 levou os militares para um outro ponto da ilha, conhecido com “Bravo 10″, onde pernoitaram.
Na manhã do dia seguinte o acampamento foi desmontado e o Super Puma do HU-2 transportou os militares dos dois países desde a “Bravo 10″ até o heliponto do CADIM, em sucessivas viagens. O fuzileiros, juntamente com os Royal Marines, foram separados em grupos mistos (brasileiros e britânicos) e encaminhados para as diferentes oficinas montadas.
No sábado (11/9), seis eventos simultâneos aconteceram em vários pontos da ilha. Com uma duração média de uma hora e meia, estes se repetiram o dia todo com o revezamento de fuzileiros do Brasil e do Reino Unido. Foram utilizadas técnicas de reação imediata, passagens de veículos não-autorizados (barreiras) em área urbana e respostas a problemas da população local, identificação de campos minados e emboscadas com atiradores de elite e exercícios no simulador de tiro.
AGRADECIMENTO: a equipe do Poder Naval e do Forças Terrestres agradece ao Capitão-de-Mar-e-Guerra FN Ferreira Viana – Comandante do CADIM, à Tenente Viviane Queiroga Soares da Assessoria de Comunicação Social da Marinha e ao Capitão-Tenente FN Rômulo, pelo apoio prestado para a realização desta matéria.
O Jornal da BAND está levando ao ar durante esta semana uma série de reportagens mostrando os desafios do Exército Brasileiro para proteger a Amazônia, um território disputado por garimpeiros, cientistas, madeireiros e traficantes de drogas.
O governo brasileiro garante à França lucros importantes com o comércio de armamentos em 2009. Enquanto os gastos militares no planeta caíram no ano passado diante da crise, as vendas francesas ao mundo tiveram uma alta de 21%, atingindo 7,95 bilhões de euros. Quase metade desse volume se refere aos contratos fechados pelos franceses para as exportações de quatro submarinos ao Brasil. Para 2010, o contrato para a compra de caças com o Brasil é mais uma vez a esperança dos franceses, que nunca conseguiram exportar a nenhum mercado seu caça Rafale.
Os dados são da Direção Geral de Armamentos da França, entidade governamental ligada ao Ministério da Defesa. Em 2008, as vendas de Paris haviam atingido 6,58 bilhões de euros. No final de 2008, os dois países anunciaram que haviam fechado um acordo de 3,7 bilhões de euros para a compra de quatro submarinos de ataque Scorpène. O acordo acabou sendo assinado em 2009. O governo alemão havia oferecido uma proposta que teria um preço abaixo do que foi oferecido pela França.
Para 2010, o governo francês indica que a meta é de obter exportações ainda superiores às taxas de 2009. Mais uma vez, o Brasil promete ser a grande esperança, com a compra de 40 jatos Rafale da empresa Dassault Aviation. Hoje, em uma coletiva de imprensa em Paris, o diretor-geral do órgão governamental, Jacques de Lajugie, indicou que a França espera “com serenidade” a decisão do governo brasileiro sobre os caças.
Os franceses teriam oferecido o caça com um desconto. Dos US$ 8,2 bilhões (R$ 15,1 bilhões) iniciais, o contrato ficaria em US$ 6,2 bilhões (R$ 11,4 bilhões). Os Emirados Árabes Unidos também negociam a compra do avião com os franceses. Mas nos últimos anos, a tentativa de Paris de exportar seu caça fracassou em todas as ocasiões. Já o governo francês indicou hoje a compra de 60 caças de sua própria empresa, além de gastos em outros equipamentos. Em 2009, a França gastou 19,3 bilhões de euros para se rearmar.
A França é hoje o quarto maior exportador de armas do mundo, superado apenas por Estados Unidos, Reino Unido e Rússia. Mas o país vinha perdendo espaço. Com a retomada das vendas, a meta é a de atingir 10 bilhões de euros em vendas no médio prazo.
Além do Brasil, a França ainda comemora as vendas para a Rússia de um navio militar anfíbio. A encomenda russa tem alarmado as ex-repúblicas soviéticas.
No domingo (06.12) o Comando de Aviação do Exército, localizado na cidade de Taubaté/SP, pelo segundo ano consecutivo abriu suas portas para visitação.
Durante todo o dia, o público presente pode conhecer um pouco mais da Aviação do Exército, assistindo a diversas demonstrações, além de poder conferir de perto suas aeronaves.
Estiveram expostas estáticamente uma aeronave HA-1 Fennec (1º BAvEx) dotado de FLIR, conhecida na AvEx como Olhos da Águia, um HA-1 Fennec armado com lançador de foguetes 70mm e metralhadora axial .50, um HM-3 Cougar armado com metralhadoras laterais (ambos do 2º BAvEx) e um HM-1 Pantera (3º BAvEx), armado com metralhadora lateral.
Prestigiram também o evento uma aeronave AH-11A Super Lynx da Marinha do Brasil, um C-98 Caravan da FAB, o Águia 14 da PMSP e diversas aeronaves do Aeroclube Regional de Taubaté.
Durante o dia inteiro aconteceram diversos saltos de paraquedistas civis e o ForTe embarcou no Cougar 04 (HM-3 Cougar EB-4004) do 2º BAvEx, para acompanhar o salto da equipe de paraquedistas militares e também o salto do Gen. Peternelli (Comandante da Aviação do Exército) junto com um grupo civil.
Ainda durante o nosso voo, fomos realizar uma missao muito especial, buscar os tripulantes do EDA, que se encontravam em visita de cortesia ao quartel do 5º BPM/I (Batalhão de Polícia Militar do Interior).
Pela primeira vez, uma aeronave Cougar da AvEx transportou a “Esquadrilha da Fumaça”, além de ter sido o primeiro pouso realizado no referido quartel da PM em Taubaté, com cobertura exclusiva do ForTe.
Ao final do dia, após a demonstração em voo das aeronaves da AvEx, aconteceu a tão esperada apresentação do EDA, que emocionou a todos os presentes, encerrando o Portões Abertos e as comemorações pelos 20 anos da Base de Aviação de Taubaté (BAvT).
NOTA do EDITOR: Gostaríamos de parabenizar o Gen. Peternelli, que incluiu novamente o CAvEx no circuito de eventos aeronauticos brasileiros e esperamos que o seu exemplo seja seguido pelos futuros comandantes da AvEx.
Agradecemos também a todos que colaboram para a realização desta matéria: Cel. Robert (Chefe do Estado-Maior), a equipe da E5 que organizou o evento, em especial ao Maj. Navarrete que nos apoiou antes e durante o evento, ao Cel. Paulo Ricardo (Comte. do 2º BAvEx) e ao Cap. Dini e demais tripulantes do Cougar 04.
O evento, noticiado aqui no Blog das Forças Terrestres, ocorreu no fim de semana de 19 e 20 de setembro de 2009, no 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado, em Pirassununga / SP. A presença do público foi um pouco prejudicada no sábado, devido à chuva, porém isso permitiu um pouco mais de espaço para fotografias do que no domingo, quando a presença do público foi maior.
Além das viaturas, marcaram presença barracas de lojas especializadas em vendas de equipamentos para veículos militares antigos e de uniformes originais. E, falando em uniformes, muitos entusiastas e proprietários de viaturas leves circulavam uniformizados pelo evento, como se pode ver na foto acima.
Os veículos estavam organizados em três grupos principais: as viaturas operacionais do 13º RCMec, as viaturas leves de colecionadores e um pequeno conjunto que alinhava, próximos, blindados da II Guerra Mundial e carros de combate e protótipos mais recentes, como o M-41, o Osório e o Ogum.
Três viaturas blindadas da II Guerra Mundial chamavama a atenção: um M-5 Halftrack de transporte de pessoal, e dois veículos de reconhecimento, um M-8 Greyhound 6×6, equipado com torreta para canhão de 37mm, e um M-20, versão de comando do M-8, com um reparo simples antiaéreo (embora sem a metralhadora instalada). O padrão de camuflagem, porém, não era o original da II Guerra, e sim similar ao atualmente utilizado pelos blindados sobre rodas do Exército Brasileiro (deve-se lembrar, porém, que essas viaturas tiveram vida longa no EB).
Na área das viaturas leves antigas, muitas se destacavam pelo bom estado de conservação e restauro. Duas viaturas de 1942, porém, chamaram mais a atenção deste editor: um Dodge DWC pela sua conservação e beleza, e um Jeep pela grande quantidade instalada de equipamentos, o que incluía um reparo de metralhadora.
No setor onde estavam os blindados sobre lagartas, o Osório chamava bastante a atenção dos visitantes, dificultando um pouco a realização de fotos sem pessoas em volta, mesmo no sábado chuvoso. A presença de um veterano M-41 ao seu lado ajudava a perceber as grandes dimensões do protótipo da Engesa. Outro protótipo era o Ogum, cuja presença incentivou a realização de uma matéria especial do Blog.
Diversos modelos de viaturas operacionais do 13º RCMec estiveram expostos ao público. O trio de “cobras”, Cascavel, Urutu e o raro Jararaca formavam o conjunto exposto de blindados sobre rodas, e o Jeep Willys, JPX, e Land Rover Defender, o conjunto de viaturas leves, ao lado de uma moto e um quadriciclo.
Mas, entre todos, sobressaiam-se os dois caminhões russos Ural, empregados somente pelo 13º RCMec. Um deles estava configurado como Viatura de Transporte de Pessoal, e o outro como Viatura de Manutenção (trazendo na lateral o apropriado nome de “Brucutu”), com um interessante adereço sobre o capô, que este autor ainda não havia visto.
Vale lembrar que o 13º RCMec, cujas origens remontam ao 2º Batalhão de Carros de Combate criado em 1945, é uma unidade hoje voltada para operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), e tem o seu 4º Esquadrão de Fuzileiros Mecanizado operando no Haiti, na Missão de Paz da ONU.
Nas instalações que hoje ocupa, estavam baseados até 2005 o 2º Regimento de Carros de Combate, equipado com carros Leopard 1A1 e o 11º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado, com equipamento similar ao da unidade atual, no nível esquadrão. Da junção de ambos, nasceu o 13º Regimento de Cavalaria Mecanizado, tendo os Leopard 1A1 de sua dotação sido transferidos para unidades no sul do País.
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Primeiro os soldados foram a Rio Seco, um povoado na selva montanhosa do sul do Peru cujos moradores cultivam a coca. “Eles nos chamaram de subversivos e abriram fogo”, contou um plantador de coca, Benedicto Cóndor, 55. Segundo testemunhas, os soldados mataram quatro pessoas à queima-roupa, incluindo uma mulher grávida de cinco meses. Duas crianças, de seis e um ano, desapareceram; acredita-se que estejam mortas.
Quatro meses depois chegaram os guerrilheiros, acusando os moradores da vila de ajudar os militares. Eles sequestraram o chefe do povoado, que não foi mais visto. As histórias chocantes de violência que saem da selva, enquanto dezenas de famílias abandonam seus povoados, ressuscitaram um espectro assustador: a guerra brutal que aterrorizou o país por duas décadas pode estar renascendo.
A guerra contra os rebeldes do Sendero Luminoso, que deixou quase 70 mil mortos, supostamente terminou em 2000. Porém, num dos recantos mais isolados dos Andes, os militares estão novamente combatendo uma facção rebelde ressurgente. E o Sendero Luminoso, copiando táticas dos rebeldes colombianos, reinventou-se como organização ilícita de produção e tráfico de drogas. As linhas de frente estão na selva de Vizcatán, no vale dos rios Apurímac e Ene, maior região peruana produtora de coca. Enquanto militares e rebeldes se enfrentam na disputa pelo controle de povoados isolados produtores de coca, crescem os relatos sobre números de civis mortos no fogo cruzado.
“Os soldados pensam que somos todos terroristas”, reclamou Alfredo Pacheco, 45, plantador de coca que fugiu de seu povoado, Nueva Esperanza, em setembro, depois de soldados à procura de rebeldes terem ateado fogo às choupanas de barro locais. Autoridades militares afirmaram que as choupanas eram laboratórios de produção de cocaína.
Visões conflitantes como essas são praticamente embutidas no sistema. A folha de coca, estimulante leve que é mastigado cru na região desde antes da conquista espanhola, é em grande medida legal; a cocaína, não. Símbolo sagrado do orgulho indígena, a coca está por todo o país. Mulheres colhem coca em clareiras ao lado da estrada sinuosa de terra, e crianças secam as folhas ao sol. É quase impossível encontrar um plantador de coca que admita que suaprodução não é destinada ao uso tradicional, mas estudos constatam que até 90% da folha de coca colhida é aplicada na produção de cocaína.
Em 2007, o cultivo de coca no Peru aumentou 4%, nível mais alto em uma década, segundo a ONU. Ao mesmo tempo, a produção estimada de cocaína no país foi a mais alta em dez anos: cerca de 260 toneladas, perdendo apenas para a da Colômbia. Desde que o Sendero Luminoso recuou, após a captura em 1992 de seu líder Abimael Guzmán, o grupo seguiu o exemplo das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), fundindo uma insurgência de esquerda com o tráfico de drogas.
Embora antes o Sendero Luminoso já se envolvesse com a coca, agora esse é seu foco principal. “Os guerrilheiros hoje operam com a eficiência e letalidade de uma organização de elite do narcotráfico”, disse Jaime Antezana, analista de segurança em Lima. Ele estima que o Sendero empregue cerca de 500 pessoas que trabalham com a cocaína, além de uns 350 combatentes armados. Preocupado com o ressurgimento dos rebeldes e o aumento do tráfico de cocaína, em agosto passado o governo intensificou a contrainsurgência, e as mortes aumentaram. Os guerrilheiros mataram ao menos 26 pessoas em 2008, incluindo 22 soldados e policiais, segundo analistas. Foi o ano mais sangrento em quase uma década.
Enquanto isso, grupos de defesa dos direitos humanos pedem que sejam investigadas as acusações de que soldados peruanos teriam matado pelo menos cinco civis. As autoridades militares se irritam com os relatos de abusos. “O pessoal de direitos humanos diz ‘alguns civis foram mortos, que horror!’”, comentou o ministro da Defesa, Antero Flores Aráoz.
Quanto a Rosa Chávez Sihuincha, a grávida morta em Rio Seco, o ministro sugeriu que ela teve o que mereceu. “O que diabos ela fazia em Vizcatán?”, disse. “Estava rezando o terço? De jeito nenhum. Ou estava transportando folhas de coca para serem processadas, ou estava levando produtos químicos, ou fazia parte da logística do Sendero Luminoso.”
Autoridades peruanas admitem que demoraram a reconhecer o que enfrentavam quando o ex-professor de filosofia Abimael Guzmán lançou sua revolta camponesa, nos anos 1980. “Há quem diga ‘por que se preocupar com alguns de combatentes na selva?’”, disse Alberto Bolívar, especialista em contrainsurgência. “Mas as pessoas esquecem que o Sendero Luminoso começou sua luta armada com apenas algumas centenas de homens. Duas décadas mais tarde, 70 mil pessoas tinham morrido.”
Desenvolvimento de uma Mentalidade de Defesa no Brasil
A sociedade brasileira não demonstra ainda grande interesse pelos assuntos diretamente ligados à defesa nacional e o tema não é prioritário para as lideranças e os formadores de opinião do País.
A Estratégia Nacional de Defesa apresenta dentre suas metas o desenvolvimento de uma mentalidade de defesa na sociedade. Nesse sentido, A "trilogia" Forças de Defesa tem como objetivo tornar os assuntos de defesa parte da agenda nacional, a ponto de influenciar decisivamente as políticas governamentais no futuro.
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