
Por Roberto Godoy
A presidente Dilma Rousseff autorizou ontem um crédito suplementar, extra orçamentário, no valor de R$ 45 milhões, para dar início ao programa de desenvolvimento e aquisição do sistema Astros 2020, da Avibrás Aeroespacial, de São José dos Campos.
O equipamento é uma ampla e radical evolução do conjunto lançador de foguetes livres Astros II, o maior sucesso de vendas da empresa. Segundo o Palácio do Planalto, o ato presidencial ‘indica com clareza a disposição do governo de prestigiar a indústria nacional de material de Defesa’.
No novo conceito, a arma passa a incorporar um míssil de cruzeiro com alta precisão e alcance de 300 quilômetros, o AV-TM, e munições com maior poder de fogo, alcance e cabeças de guerra capazes de transportar dezenas de granadas, que são dispersadas sobre o alvo. Um míssil antiblindagem, o FOG, também passa a ser padrão do conjunto. O principal avanço, todavia, é na área eletrônica, toda digital.
Durante um ensaio realizado no dia 21 de julho, no Campo de Instrução de Formosa (GO), a 80 quilômetros de Brasília, foram empregados os blindados de comando e controle que serão parte da versão avançada, a 2020.
O investimento total no projeto está estimado em R$ 1,92 bilhão – valor distribuído ao longo de seis anos. Os recursos liberados pela presidente Dilma vão ajudar a resolver a situação financeira da Avibrás, atualmente sob regime de recuperação judicial. Isso será feito com a garantia da aquisição do sistema Astros 2020, pelo Exército. Outra medida em andamento é a capitalização por meio do refinanciamento de seus débitos, pelo governo, nos termos do Refis.
Sociedade. Outra providência faz da União sócia da empresa, na proporção de 15% a 25%. Não haverá aporte direto de dinheiro. Na forma prevista na Lei 11941/09, a presença dos recursos será efetivada pela conversão das dívidas da Avibrás. Segundo o presidente do grupo, engenheiro Sami Hassuani, ‘o processo de participação do governo tem tamanho – 1,2 mil páginas, a soma do texto principal e dos 12 documentos anexos.’
A Avibrás entrou em recuperação judicial em julho de 2008. O valor do processo, cerca de R$ 500 milhões, foi superado pelo cumprimento de um rico contrato firmado com a Malásia, para fornecimento de baterias, munições e equipamentos de apoio da última geração do lançador de foguetes Astros-II, carro-chefe do grupo.
O sistema brasileiro é o principal recurso dissuasório da força terrestre malaia na região de tensão permanente no sudeste asiático. A encomenda foi entregue em dezembro de 2009.
A configuração da arma que interessa ao Exército brasileiro é formada por 49 viaturas. São 18 veículos lançadores, 18 remuniciadores, 3 unidades de monitoramento de tiro, 3 estações meteorológicas, 3 de veículos oficina, 3 blindados de comando e controle para cada bateria e um, integrado, de comando e controle de grupo.
Fonte: estadao.com.br
Tecnologia não letal brasileira a serviço das forças de segurança
Na política de segurança pública do Brasil, é cada vez mais recomendada a adoção do uso proporcional da força nas ações de controle de distúrbios urbanos e na redução da espiral da violência, por meio das armas não letais. A brasileira Condor, que está entre os principais fabricantes dessa tecnologia, lança na Interseg – nos dias 22 e 23 de agosto, no Riocentro – a primeira arma elétrica incapacitante do País, a Spark – até então, só Estados Unidos e China tinham expertise para produzir esse tipo de equipamento.
Com a Spark, os agentes da lei passam a dispor de uma moderna tecnologia não letal fabricada no Brasil e que não fica nada a dever às similares americanas e chinesas. Desenvolvida para atender às necessidades das forças de defesa e segurança, a Spark traz novidades em seu design, desempenho e tecnologia.
A nova arma elétrica emite ondas com atuação direta sobre o sistema nervoso central, causando contrações musculares e desorientação mental. Possui dispositivo de dupla ação, que evita acionamento acidental, e dispara dois dardos – com carga elétrica de 50 mil volts/2,8 miliamperes – capazes de neutralizar sem causar lesão permanente ou morte. Possui munições disponíveis para alcance de 6, 8 e 10m, mira a laser, cartucho com trava de proteção, memória digital interna, com hora e data dos disparos efetuados e porta USB para captura de dados armazenados na arma relativos ao seu funcionamento.
Concebida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Rio de Janeiro (Faperj), que reconheceu no projeto da Condor iniciativa relevante, a arma elétrica brasileira chega ao mercado como uma vantajosa opção às forças de segurança no que se refere também à relação custo/benefício.
A Spark possui vasta aplicabilidade no controle da lei e da ordem. No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, as tecnologias não letais vêm tendo destacado papel na implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) nas favelas da cidade e no restabelecimento da ordem após catástrofes naturais.
Outras tecnologias
A Condor apresentará na Interseg outras novidades não letais, ideais para dispersar conflitos urbanos em locais fechados e situações em que há população civil envolvida, caso, por exemplo, das violentas manifestações que acontecem nas ruas do Reino Unido, especificamente em Londres. Tecnologias como a granada lacrimogênea Bailarina (faz movimentos aleatórios, que impedem sua devolução ao agente da lei), o projetil lacrimogêneo de longo alcance (chega a 120 metros), a granada lacrimogênea de emissão instantânea, a munição de borracha Precision (projetil não letal com maior precisão no mundo), a família de munições 40mm (são 13 tipos), primeiro rastreador de granada por rádio frequência, entre outras.
As armas não letais têm ampla utilização na manutenção da lei e da ordem, em situações como rebeliões no sistema carcerário, em operações especiais, no policiamento ostensivo e em episódios de calamidade pública.
A Condor, que exporta para mais de 35 países, fabrica seus produtos com base no preceito do uso proporcional da força preconizado pela Organização das Nações Unidas (ONU). Além disso, a empresa investe em pesquisa e tecnologia. Afinal, o armamento não letal têm se mostrado um aliado das polícias e das Forças Armadas no combate à violência e à criminalidade.
Conceito não letal
Em seu 8o Congresso, realizado em 1990, em Havana, a ONU produziu um documento em que recomendava a adoção de taecnologias não letais como forma de aplicar o conceito do uso progressivo da força pelas forças de segurança de todo o mundo. Segundo a ONU, a arma de fogo só deve ser utilizada em casos extremos. Sempre que possivel, o objetivo do agente da lei deve ser reduzir ao mínimo a utilização de meios que provocam lesões permanentes e vítimas fatais.
As tecnologias não letais são largamente usadas pelas Forças de Paz da ONU. No Haiti, sua utilização pelo Exército brasileiro tornou-se um case mundial. O perfeito entendimento do conceito não letal vem permitindo que as forças de segurança em todo o mundo disponham de equipamentos cada vez mais sofisticados, eficazes e precisos, que, juntamente com os armamentos convencionais, tornam as missões bem-sucedidas – o uso proporcional da força evita ferimentos graves e poupa vidas.
No Brasil, essas tecnologias eram, até 2007, restritas às Forças Armadas, PMs e Polícia Civil. Hoje, as empresas de segurança privada já são autorizadas a adquirir armamentos não letais.
Spark em detalhes
- Munições disponíveis para alcance de 6, 8 e 10m
- Baterias recarregáveis
- Travas Ambidestras
- Exclusiva chave de neutralização
- Tecla de ejeção do cartucho
- Número de série específicos na pistola e cartuchos
- Mira a laser
Novidades não letais que estarão no stand da Condor na Interseg
Granada lacrimogênea de emissão instantânea – Foi desenvolvida para ser utilizada em operações de controle de distúrbios e combate à criminalidade. Atua por saturação de ambientes através da geração instantânea de uma nuvem de CS. É dotada de um chip (I-REF) que possibilita a rastreabilidade da granada, mesmo após o seu acionamento.
Projetil lacrimogêneo de longo alcance – Cartucho cal. 40 mm, foi desenvolvido para emprego em operações de controle de distúrbios e combate à criminalidade.
O projetil é lançado a distâncias médias de 120 metros, por cima de obstáculos como muros e barricadas, com objetivo de desalojar pessoas e dissolver grupos de infratores da lei pelo efeito do agente lacrimogêneo.
Rastreador não letal I-REF – O sistema de rastreamento possibilita às forças de segurança fazer o controle logístico de seus estoques. O novo dispositivo é inviolável, e qualquer tentativa de adulteração torna o artefato inoperante. Por meio de um mecanismo eletrônico avançado, instalado no corpo do produto, é possível rastreá-lo mesmo após seu funcionamento. Trata-se do primeiro no mundo que rastreia granadas, inclusive as já detonadas, com base em sinais de radiofrequência.
Munição Soft Punch/AM-470 – Foi desenvolvida para ser usada a curta distância (a partir de 5 metros). Por ter um projetil que se expande ao atingir o alvo e não penetra na pele, a munição não oferece perigo à integridade física do infrator da lei. O cartucho calibre 37/40 mm com projetil de impacto expansível é indicado para operações de controle de distúrbios e combate à criminalidade – é utilizada pelas missões de paz da ONU.
Munição de borracha Precision – É a munição de borracha (calibre 12) com a maior precisão no mundo a uma distância de 20 a 30 metros. Desenvolver uma bala de borracha com maior eficácia vinha sendo um desafio para os fabricantes de vários países, e a Condor saiu na frente com a Precision. Assim, o agente da lei passa a contar com a precisão de uma munição não-letal a uma distância três vezes maior, permitindo às forças de segurança combater a violência com maior eficiência e menor letalidade. A Precision pode ser utilizada em qualquer arma calibre 12.
Granada lacrimogênea Bailarina – Foi assim apelidada porque, ao tocar o solo, salta e faz movimentos aleatórios, espalhando o gás em grandes áreas. A principal vantagem é o fato de o seu movimento impedir que o infrator a jogue de volta em direção ao agente da lei, como é comum em operações policiais.
Família de munições 40mm – Com sistema de propulsão especialmente desenvolvido, aliado ao uso de lançador de cano raiado (também fabricado pela Condor), a família de munições não letais 40 x 46 mm proporciona alta precisão nos disparos, possibilitando enfrentar diversas situações do dia a dia com eficiência, segurança e respeito aos direitos humanos. São 13 tipos diferentes de munições incapacitantes antipessoais de impacto controlado, que proporcionam ao agente da lei o controle de distúrbios de toda a ordem.
Spray de pimenta (espuma e gel) – O spray de pimenta – versões espuma e gel – foi desenvolvido para atender a operações onde se deseja incapacitar pessoas de forma direcionada, sem contaminar o ambiente e os demais presentes no local da ação. O espargimento do agente pimenta concentra seus efeitos na ardência sobre a pele e fechamento involuntário dos olhos, mas a irritação das vias respiratórias é consideravelmente menor, o que possibilita sua utilização em ambientes fechados.
Os russos estão apresentando sua “Caixa de Pandora” no MAKS 2011 Air Show. O sistema lançador de mísseis de cruzeiro Novator Klub-K 3M-54TE pode ser transportado em contêineres mercantes de 40 pés em navios, trens ou caminhões.
O sistema de mísseis Club K pode ser empregado contra alvos navais e terrestres, recebendo dados de satélites. Os mísseis voam até os alvos por navegação inercial, até a distância de 270km e na área alvo acionam seu próprio radar.
A OrbiSat, empresa controlada pela Embraer Defesa e Segurança, está se preparando para entregar ao Exército Brasileiro, até o fim do ano, nove radares
Virgínia Silveira
A OrbiSat, empresa controlada pela Embraer Defesa e Segurança, está se preparando para entregar ao Exército Brasileiro, até o fim do ano, nove radares do tipo M60 Saber, para vigilância aérea e terrestre de aviões a baixa altura. Os radares, que custaram R$ 26 milhões, foram desenvolvidos em parceria com o Centro Tecnológico do Exército para atender ao projeto Amazônia Protegida, que prevê o reaparelhamento das brigadas antiaéreas e postos de fronteira existentes na região.O M60, de acordo com o presidente da OrbiSat, Maurício Aveiro, é considerado o mais moderno e preciso radar de busca e vigilância de baixa altura do mundo, desenvolvido com tecnologia 100% nacional. Apenas cinco países no mundo dominam esse tipo de tecnologia, considerada estratégica.
O Comando da Aeronáutica também assinou uma carta de intenção de compra de quatro unidades do equipamento para ser utilizado nas bases aéreas de Canoas (RS) e de Manaus (AM), onde deverá compor os sistemas de artilharia antiaérea do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (Sisdabra). O valor dos quatro radares está estimado em cerca de R$ 18 milhões a R$ 20 milhões.
O radar da OrbiSat identifica o alvo em um raio de até 60 quilômetros e as informações podem ser transmitidas em tempo real a um Centro de Operações de Artilharia Antiaérea do Sisdabra. O Brasil, segundo a OrbiSat, não possui radares que operem a baixa altura (até 5 mil metros). Em termos de aplicação, o M-60 é ideal para ser utilizado na proteção de áreas sensíveis, como indústrias, usinas, instalações governamentais e em eventos de grande porte.
A área de radares para sensoriamento remoto representa atualmente cerca de 35% do faturamento da OrbiSat. Por ser portátil e de baixo peso, o radar pode ser transportado para qualquer lugar no território nacional ou empregado em missões de paz no exterior. A instalação dura menos de 15 minutos. O M60 pode ainda ser integrado a sistemas de mísseis ou canhões antiaéreos.
A OrbiSat, segundo o diretor técnico João Moreira Neto, já está em fase final de desenvolvimento de dois outros radares, de médio alcance, o Saber M200, para defesa área num raio de até 200 km e o Sentir M20, para defesa terrestre com um alcance de até 20 km. Os novos produtos também foram contratados pelo Exército Brasileiro, que mobilizou uma equipe de onze oficiais engenheiros para trabalhar junto com a OrbiSat. “O custo de desenvolvimento do M-200 é da ordem de R$ 24 milhões e o Sentir, R$ 4 milhões”, explicou o diretor.
No fim do próximo ano, a OrbiSat pretende concluir o projeto de um radar meteorológico de curto alcance, que está sendo desenvolvido em parte com recursos da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), através do seu programa de subvenção econômica. O valor total do projeto, de acordo com Moreira Neto, é de R$ 2,5 milhões e a Finep arcará com 50% dos custos.
“O Brasil opera radares de longo alcance, na faixa de 300 a 400 quilômetros, mas também precisa de um radar de menor alcance, com maior sensibilidade para detectar a evolução das nuvens causadoras de tempestades com algumas horas de antecedência”, explicou o direto. Segundo Moreira Neto, existe um grande mercado para esse tipo de radar no mundo, com aplicação em áreas industriais, na agricultura e em cidades, como São Paulo.”
A área de radares para sensoriamento remoto, segundo o executivo, representa hoje cerca de 35% do faturamento da OrbiSat. Os demais 65% estão vinculados à área de radares de defesa. Para este ano, segundo Moreira Neto, a OrbiSat prevê faturar R$ 57 milhões.
Desde março a OrbiSat integra a Embraer Defesa e Segurança, que adquiriu 64,7% do capital social da divisão de radares da companhia, pagando R$ 28,5 milhões. Na época as duas empresas informaram que o acordo estratégico foi firmado para garantir a continuidade das atividades da OrbiSat, que ganharia mais fôlego financeiro com a entrada da Embraer.
“A Embraer sempre importou radares para seus aviões. Com a OrbiSat a ideia é começar a desenvolver estes sistemas no Brasil para uso próprio”, disse. O objetivo das duas empresas é buscar uma sinergia entre o que a OrbiSat faz e o que a Embraer precisa, completou o diretor. A OrbiSat, segundo ele, já tinha uma participação no mercado de defesa nacional, mas precisava expandir seu leque de atuação e se capacitar para atender às necessidades das três Forças Armadas.
Um dos projetos em estudo, segundo o diretor, é o desenvolvimento de um radar secundário com módulo de comunicação militar e cobertura global. “No sistema atual, quando uma aeronave militar se identifica, todo mundo fica sabendo, pois o transponder de localização e identificação dos aviões só possuem código civil”. O novo radar terá um sistema de identificação que só poderá ser acessado pelos militares. O mesmo sistema também está sendo pensado para o Exército Brasileiro.
A OrbiSat possui 150 funcionários distribuídos em duas unidades: uma Campinas e a outra em São José dos Campos, ambas em São Paulo.
FONTE: Valor, 16/08/2011
Rio de Janeiro – No período de 17 a 20 de maio, o Centro de Avaliações do Exército (CAEx) acompanhou a realização de testes antiminas executados na avaliação da Viatura Blindada de Transporte de Pessoal – Média de Rodas (VBTP-MR) – Guarani.
Os testes foram realizados pela empresa IBD, acompanhada por especialistas da Divisão de Veículos de Defesa da IVECO do Brasil, no Campo de Provas da empresa TDW, localizado na cidade de Schrobenhausen, na República Federal da Alemanha.
Durante o teste, a viatura foi submetida à explosão de minas anticarro de seis quilogramas de explosivo do tipo trinitrotolueno (TNT), sendo a primeira sob a roda mais próxima do motorista, e a segunda, sob a roda mais próxima do banco da guarnição.
Os efeitos das explosões na tripulação e guarnição da viatura blindada foram medidos, por meio de manequins padronizados, de acordo com requisitos estabelecidos em normas internacionais, que simulam as dimensões, as proporções de peso e articulação do corpo humano (dummies). Os manequins foram devidamente fardados e equipados com capacete e colete à prova de balas, conforme situação de combate a ser enfrentado pelos ocupantes do Guarani.
O teste evidenciou que a viatura possui elevada capacidade de proteção à integridade física da guarnição embarcada contra ameaça antiminas. Cabe acrescentar que a viatura Guarani utilizada para testes é fabricada especificamente para este fim, apenas com a blindagem e rodas.
FONTE: Exército Brasileiro
João Fernando de Oliveira, Presidente do IPT
A ciência no Brasil caminha a passos largos. Em 2010, nossos pesquisadores publicaram 50 mil trabalhos em revistas científicas, colocando o País na 13a posição neste ranking. Apesar disso, quando o assunto é inovação estamos em uma discreta 47a colocação. Qual é o problema? “Falta, no Brasil, um ambiente propício à inovação”, diz João Fernando de Oliveira, presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Para ele, isso é fruto, em parte, de uma mentalidade equivocada que colocou em campos opostos pesquisadores e iniciativa privada. Em entrevista à DINHEIRO, Oliveira fala sobre os esforços do IPT para fazer essa ponte.
DINHEIRO – Por que a ciência no Brasil não consegue gerar inovação?
JOÃO FERNANDO DE OLIVEIRA – Se olharmos pela perspectiva histórica, nossa ciência ainda é jovem. Temos a idade dos Estados Unidos como nação, mas começamos a consolidar a estrutura de pesquisa quase dois séculos depois dos americanos. Na década de 1750, a Universidade da Pensilvânia tinha um grande pesquisador chamado Benjamin Franklin. Ele descobriu a energia elétrica, ajudou a escrever a Constituição do país e ainda publicou inúmeros livros. No mesmo período, nosso herói nacional, Tiradentes, estava sendo enforcado porque ousou lutar pela liberdade. Mas, apesar desse atraso, pode-se dizer que nossa ciência vai bem.
DINHEIRO – Como assim?
OLIVEIRA – Nos últimos dez anos, a pesquisa avançou quatro vezes mais no Brasil do que a média de crescimento de todo o mundo nessa área. Em 2006, estávamos em 21º lugar no ranking de publicações de trabalhos científicos e hoje ocupamos a 13ª posição, com cerca de 50 mil publicações.
DINHEIRO — Como é possível ser bom em ciência e não em inovação?
OLIVEIRA – A ciência brasileira cresce muito rápido e o número de citações em trabalho internacionais também avança, o que significa dizer que a nossa ciência não é de má qualidade. Mas esse não é o fator primordial para que a ciência se transforme em aplicações práticas. Isso só é possível com o que se convencionou chamar de inovação.
DINHEIRO — Por que ainda não conseguimos seguir esse caminho?
OLIVEIRA – Há inúmeros motivos. Um deles é que o ambiente empresarial brasileiro está sufocado por encargos altos e carga tributária pesada, o que limita a capacidade de investimentos. Além disso, os mecanismos financeiros de apoio à pesquisa para inovação estão sempre conectados à participação de uma instituição pública.
DINHEIRO — Mas no que isso é ruim?
OLIVEIRA – O setor acadêmico produz conhecimento, mas as empresas não conseguem se apropriar disso porque existe um descompasso entre oferta e demanda. Além disso, falta uma ligação entre o mundo acadêmico e o empresarial. O setor acadêmico tem de entender por que a ciência não se transforma em aplicação e tentar atuar no sentido de resolver esse problema. Transformar conhecimento em aplicação é o que chamamos de processo de inovação. Ele começa com o conhecimento básico sobre um tema, seguido pelo desenvolvimento de soluções, o teste para checar a viabilidade econômica e o escalamento da solução para definir um pré-piloto industrial até o desenvolvimento do negócio, em cima da solução. Somente a partir daí é que o negócio se transforma em renda, emprego e desenvolvimento.
DINHEIRO — Onde estaria o nó nessa equação?
OLIVEIRA – A parte do negócio as empresas sabem fazer bem, o mesmo vale para as universidades em relação à produção de conhecimento. A fração intermediária, que é desenvolver o produto, testar a tecnologia e demonstrar sua viabilidade econômica, é que se constitui em um elo perdido.
DINHEIRO — Isso decorre do fato de que essa parte do processo tem um custo elevado, sem garantia de resultados favoráveis?
OLIVEIRA – Sem dúvida. É mais custo do que benefício. No mundo acadêmico, os professores têm como principal valor o reconhecimento pelo trabalho realizado. E isso é obtido pela divulgação da pesquisa em publicações do setor. E essa atividade não possibilita isso. Pelo contrário, por uma questão de confiabilidade, não se pode divulgar informações sobre o processo. E, no caso dos agentes privados, esta etapa se constituti apenas em risco. Os empresários ficam ressabiados de investir em algo que vai ter como resultado somente conhecimento e não se transformará, necessariamente, em um produto para suas linhas de montagem. Ou seja, estamos falando de um trabalho que não gera prestígio acadêmico nem lucro financeiro.
DINHEIRO — O que podemos fazer para resolver essa situação?
OLIVEIRA – Nos países da Europa e nos Estados Unidos essa tarefa é assumida pelos centros de pesquisa e desenvolvimento das empresas privadas. Nesses locais, o ambiente sempre foi favorável para isso tanto no campo privado quanto no governamental. O Bell Labs (braço de pesquisa da empresa de telefonia americana AT&T) é um dos maiores exemplos. Entre um acadêmico descobrir que é possível fazer um tubo de cristal líquido com iluminação por trás e isso se tornar uma tevê de LCD, gasta-se muito dinheiro sem produzir nada. Na Europa e nos EUA as empresas têm um entendimento claro sobre esse processo e investem bastante em pesquisa.
DINHEIRO — Por que os inventores brasileiros, desde Santos Dumont, não conseguem reconhecimento e, muito menos, ganhar dinheiro com suas criações?
OLIVEIRA – Falta um ambiente propício para isso, desde a questão cultural e legal até organizacional. Santos Dumont criou o relógio de pulso, porém a ideia foi apropriada por Cartier. Os irmãos Wright, dos Estados Unidos, faziam os experimentos aeronáuticos escondidos, pois não queriam que ninguém copiasse seus projetos. Santos Dumont, ao contrário, realizava seus testes em locais públicos com o intuito de mostrar que os brasileiros eram capazes de alcançar grandes feitos. Em relação à questão legal, existem inúmeras amarras governamentais que engessam e atrasam a liberação dos recursos em convênios entre institutos de pesquisa e empresas. Sem falar na burocracia, que é uma grande inimiga da inovação. Na Califórnia, você abre uma empresa online em 15 minutos. E, em um mês, começa a vender ações para os fundos de capital de risco. Por isso este Estado se tornou o centro da revolução digital.
DINHEIRO — E qual tem sido a contribuição do IPT para ajudar a mudar esse quadro?
OLIVEIRA – Nos últimos três anos, o IPT passou por um forte processo de modernização de suas estruturas. Esse trabalho foi feito graças à injeção de R$ 100 milhões no período 2008-2010. Outros R$ 50 milhões estão sendo aplicados pelo governo estadual neste ano. Além disso, nós captamos cerca de R$ 150 milhões junto a organismos de fomento, como BNDES e Finep.
DINHEIRO — É com estes recursos que a entidade está montando novas estruturas, como o laboratório de estruturas leves e o centro de tecnologia canavieira?
OLIVEIRA – Sim. O primeiro já entrou em operação, e o trabalho é feito em parceria com indústrias do segmento de mobilidade: aeronáutica, automotiva, além do setor de petróleo e gás. A unidade funcionará como uma fábrica de protótipos para as empresas. Faremos ensaios que validarão o processo produtivo do início ao fim.
DINHEIRO — Já existem clientes?
OLIVEIRA – Temos projetos contratados com a Embraer e diversos fornecedores da Petrobras. O valor cobrado é adequado para empresas de grande porte e também para as pequenas, que recebem a subvenção de entidades como o Sebrae, parceiro do projeto. O principal indicador de sucesso não será o faturamento do IPT, mas a capacidade de induzir novas tecnologias nas empresas.
DINHEIRO — O sr. defende uma lei específica de licitações para a área de tecnologia?
OLIVEIRA – A lei 8.666 é um entrave para todo funcionário público honesto que deseja fazer algo de forma rápida. Isso vale para todos os setores da administração. Acredito que há outra maneira de gerir a coisa pública no Brasil: por meio da distribuição de responsabilidades na cadeia hierárquica e com uma auditoria forte. Os eventuais desvios devem ser julgados de forma rápida e as punições cabíveis, aplicadas.
DINHEIRO – O IPT já testou isso?
OLIVEIRA – Sim. Nosso processo de compra de equipamentos passava por repetidas autorizações de gerentes e diretores. Um total de 25 passos até a efetiva aquisição do produto. Hoje, são apenas oito etapas. Quem pisar fora da linha é punido. Uma lousa eletrônica que demorava 18 meses para ser comprada agora é adquirida em até 20 dias. Tudo feito dentro da lei.
DINHEIRO — O sr. arriscaria dizer quando o Brasil entrará em um novo patamar científico baseado na inovação?
OLIVEIRA – A ciência brasileira já ocupa a 13ª posição no mundo, o que mostra que estamos no caminho certo nessa área. O problema é que no ranking de inovação aparecemos apenas em 47º. É difícil imaginarmos em quanto tempo equalizaremos essa posição, em relação ao tamanho de nosso PIB, no cenário global. Estimo que levaremos, no mínimo, 20 anos, para atingir esse patamar. Isso, no entanto, pode ser apressado, caso tiremos as amarras que fazem com que nosso ambiente não seja propício à inovação. É preciso conseguir fazer antes e melhor que os competidores. A Apple é um modelo a ser seguido. Ela é capaz de lançar produtos inovadores de forma rápida, com altíssima qualidade e vendidos a preços baixos.
SAIBA MAIS:
Com isso, a companhia reforça sua posição como principal fornecedor de sistemas de comunicações por satélite para o Ministério da Defesa brasileiro
A Indra proverá sistemas de comunicações por satélite de desdobramento rápido para as Forças Armadas brasileiras. O contrato foi ganho por meio de concurso internacional no qual concorreram as principais companhias do setor. O valor de mercado aproximado destes sistemas encontra-se em torno de 5 M USD.
Este novo projeto consolida a Indra como o principal fornecedor de terminais de satélite do Ministério da Defesa brasileiro.
A companhia entregará concretamente sistemas de comunicações por satélite Fly Away. Estes equipamentos são caracterizados por serem rápidos, facilmente transportáveis, e muito fáceis de montar, apenas desdobrando-os. Esta tecnologia garante para qualquer unidade do Exército brasileiro a capacidade de estabelecer um link de comunicações por satélite seguro desde os locais mais remotos.
A Indra contribuiu de forma destacada com a consolidação da rede de comunicações por satélite do Ministério da Defesa do Brasil (rede SISCOMIS), tanto como fornecedor de diferentes tipos de terminais satcom terrestres e navais, quanto através do desenvolvimento do Sistema de Gestão da própria rede.
A companhia colabora de forma continuada, desde 2005, com as Forças Armadas deste país em projetos relacionados com comunicações militares via satélite. Também trabalhou na implantação de sistemas de vigilância por radar e sistemas de defesa eletrônica.
Indra no Brasil
A Indra está presente no Brasil desde 1996 com escritórios em São Paulo, Barueri, Belo Horizonte, Brasília e Rio de Janeiro. Conta com 1.500 profissionais e uma Fábrica de Software em Campinas, que atua como um laboratório avançado de P&D. A multinacional de TI tem no Brasil uma oferta diferenciada de soluções e serviços para os setores de Serviços Financeiros, Energia e Utilities, Segurança e Defesa, Transporte e Tráfego, AAPP e Saúde, Indústria e Consumo e Telecomunicações.
A Indra é uma das principais multinacionais de Tecnologia da Informação da Europa e da América Latina. É a segunda companhia européia de seu setor por investimentos em P&D, com cerca de 500 milhões de euros investidos nos últimos três anos. As vendas em 2010 atingiram 2.557 milhões de euros e sua atividade internacional representa atualmente 40%. Conta com mais de 31.000 profissionais e com clientes em mais de 110 países.
A Oshkosh Defese, uma divisão da Oshkosh Corporation, apresentou a versão ambulância tática do seu MRAP modelo ATV-M (All-Terrain Vehicle) durante o AUSA’s Army Medical Exposition, ocorrida em San Antonio (Texas) no mês passado. O M-ATV versão ambulância tática oferece um design avançado que conta com mobilidade fora de estrada excepcional para médicos militares.
“O M-ATV versão ambulância tática é a ambulância MRAP mais leve e móvel disponível atualmente”, disse Ken Juergens, vice-presidente e gerente geral de programas conjuntos de Oshkosh Defese. “Conforme demonstrado desde que começamos a trabalhar no programa M-ATV, a Oshkosh tem a capacidade de entregar o veículo e atender às necessidades urgentes do campo de batalha.”
O M-ATV ambulância tática pode acomodar duas macas e dois pacientes ambulatoriais, ou qualquer combinação dos mesmos, proporcionando maior capacidade e flexibilidade de configuração. Além disso, ele leva menos de dois minutos para carregar dois pacientes em macas dentro do veículo para exposição reduzida ao fogo inimigo, menos movimento do paciente, e mais rapidez na evacuação e tratamento de feridos. O veículo oferece proteção MRAP Nível II.
A Oshkosh recebeu encomendas de mais de 8.300 M-ATV até agora. A empresa fornece a base do M-ATV e do M-ATV SFV para as forças armadas dos EUA, e criou outras variantes, como a ambulância tática com base nas necessidades identificadas no teatro de operações. O M-ATV é cinco toneladas mais leve do que qualquer outra MRAP e oferece um desempenho off-road bem melhor graças aos istema de suspensão independente TAK-4.
FONTE: Oshkosh
Brasília – No dia 7 de julho, o Comando Militar do Planalto organizou uma visita ao Campo de Instrução de Formosa, em Goiás, onde o 6º Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes (6º GLMF) realizou um exercício de adestramento de lançamento de foguetes do Sistema de Artilharia de Foguetes para Saturação de Área (ASTROS II). Com um alcance entre nove e 90 km de distância, o Sistema tem como diferencial a capacidade de disparar foguetes de diferentes calibres sobre a mesma plataforma.
O Sistema, que continua em desenvolvimento, e todas as pesquisas vêm influenciando a área de foguetes do País e impulsionando novas tecnologias, conforme explicou o Presidente da AVIBRÁS, Sami Hassuane, empresa que desenvolveu o Sistema junto com o Exército Brasileiro.
O sucesso do ASTROS II deve-se ao fato de o equipamento possuir alta mobilidade e proteção blindada; concentração de grande volume de fogo sobre o alvo; capacidade de estar preparado para pronto emprego praticamente o tempo todo, com possibilidade de bater alvos a grande distância, com reduzido tempo de resposta, possuindo três calibres diferentes sobre o mesmo sistema; reduzida tripulação; e a possibilidade de cada veículo ser transportado por avião cargueiro do tipo C-130, conhecido como Hércules. A viatura de comando e controle é um grande diferencial do Sistema, pois tem a capacidade de coordenar todas as etapas de lançamento de um foguete de forma rápida, precisa e eficiente.
O exercício de tiro, que foi acompanhado também por um grupo de parlamentares, fez parte do treinamento anual do 6º Grupo de Lançadores Múltiplos de Foguetes. Durante o adestramento, os deputados e assessores puderam conhecer o trabalho desenvolvido pela Artilharia de Campanha e Defesa Antiaérea do Exército, demonstrando a importância da indústria nacional no desenvolvimento e na produção de material de defesa com tecnologia agregada e, com isso, as possibilidades de exportação e desenvolvimento de mão de obra especializada, além de verificar a preservação ambiental feita pelo Exército em sua área de atuação.
O evento contou com a presença do Comandante Militar do Planalto, General-de-Divisão Araken de Albuquerque, e dos Deputados Federais Ricardo Quirino, Cesar Colnago e Berinho Bantim, acompanhados de consultores e assessores do Congresso Nacional.
FONTE: Exército Brasileiro
VEJA TAMBÉM:


Facebook
LinkedIn
Twitter
Orkut
PDF






















Comentários recentes