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vinheta-clipping-forte1O governo do Afeganistão proibiu no último dia 24 os militares de elite dos Estados Unidos de continuarem suas operações na província estratégica de Maidan Wardak, vizinha à capital Cabul. A decisão foi tomada devido às reclamações de que afegãos a serviço das forças especiais americanas mataram e torturaram moradores de vilas na área. A proibição, no entanto, só entra em vigor em duas semanas.

Maidan Wardak é considerada crucial para a defesa da capital contra os talibãs, que usam a região a Sudoeste de Cabul para se reunirem antes dos ataques. Se de fato for colocado em prática, o veto à ação das forças especiais será ainda mais significativo diante da retirada programada das forças regulares dos EUA da área. Até o fim do primeiro semestre deste ano os americanos esperam que suas tropas convencionais passem a atuar apenas no aconselhamento das tropas afegãs no Leste do país, deixando as tropas de elite como únicas opções para ofensivas na região.

Ainda no dia 24, oficiais da coalizão ocidental criticaram a decisão do governo do Afeganistão. Eles também procuravam mais explicações sobre que episódios levaram os afegãos a decretarem a proibição das operações, assim como que tipo de acusações elas desencadearam. Já as autoridades afegãs descrevem a medida como último recurso. Aimal Faizi, porta-voz do presidente Hamid Karzai, contou que o Conselho de Segurança Nacional do Afeganistão decidiu impor a proibição depois de semanas tentando, e não conseguindo, explicações da coalizão ocidental sobre as reclamações de que moradores de Maidan Wardak estavam sendo mortos, torturados ou simplesmente desaparecendo.

Vídeos e fotos como prova

Embora as autoridades afegãs tenham reafirmado que preferem atuar em conjunto com as tropas estrangeiras, a medida está sendo vista como um sinal de que o governo do país deseja limitar as ações das forças ocidentais se considerar que elas não atendam aos melhores interesses dos afegãos. Os episódios de violência foram atribuídos a afegãos ou afegãos-americanos que trabalham com as forças especiais dos EUA, disse Faizi, acrescentando que fotos e vídeos dos acusados foram repassados ao comando da coalizão.

Após verem as imagens, relatou Faizi, os comandantes da coalizão mostraram-se dispostos a cooperar com as investigações, mas logo mudaram de posição, afirmando que os acusados desapareceram ou nunca trabalharam para as forças americanas. Segundo ele, alguns dos oficiais estrangeiros chegaram inclusive a questionar a veracidade dos episódios. Faizi, no entanto, afirmou não ter dúvidas de que alguém ou algum grupo está torturando e matando os moradores de Maidan Wardak.

FONTE: O Globo via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1A embaixada dos Estados Unidos na Turquia foi alvo de um atentado suicida na manhã desta sexta-feira (01). De acordo com as primeiras informações da polícia local, um homem-bomba detonou seus explosivos na parte externa do prédio, na capital Ancara, atingindo a guarita de segurança. Além do próprio terrorista, pelo menos um guarda da embaixada morreu e outro ficou ferido no ataque.

Emissoras de televisão locais relatam que várias ambulâncias foram enviadas para o local e a polícia formou um cordão de isolamento nas proximidades. Washington ainda não comentou o ataque contra sua representação. Nenhum grupo terrorista reivindicou a ação até o momento.

O atentado acontece no dia em que o senador John Kerry assumirá o cargo de secretário de Estado dos EUA. Hillary Clinton, que liderou o Departamento de Estado durante todo o primeiro mandato de Barack Obama, deixa o posto.

O ato contra a embaixada na Turquia é o segundo em menos de um ano contra uma representação diplomática dos EUA. Em setembro, um ataque matou o embaixador americano na Líbia, Christopher Stevens. O diplomata foi morto durante a invasão por extremistas do consulado dos EUA em Benghazi. Stevens visitava o local.

As informações são da Associated Press

FONTE: O Estado de S. Paulo

 

África nas mãos do terrorismo

Mali

vinheta-clipping-forte1O Deserto do Saara se estende como um imenso cinturão de areia por 11 países, acompanhado mais abaixo por uma faixa semiárida, conhecida como Sahel. O ambiente inóspito, aliado a uma governança débil e à falta de perspectivas econômicas para os mais jovens, tornou-se terreno fértil para a atuação de grupos extremistas islâmicos. Mali, Mauritânia e Líbia amargam um desemprego que atinge quase um terço da população. No norte da África, 274 milhões de pessoas vivem sob a ameaça do doutrinamento radical do islã. Um perigo que ganhou força depois da deposição e da morte do ditador líbio, Muamar Kadafi, em 20 de outubro de 2011, quando as armas e os guerrilheiros ficaram à mercê dos jihadistas — adeptos da guerra santa. Há 11 dias, militantes leais à organização Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM) surpreenderam os especialistas antiterrorismo, ao tomarem um campo de petróleo na Argélia e fazerem 792 reféns. Uma operação de resgate encampada pelo Exército argelino resultou na morte de 37 sequestrados e de 11 extremistas.

O libanês naturalizado norte-americano Rudolph Atallah, ex-diretor de Contraterrorismo na África pelo Pentágono (2003-2009) e especialista do Atlantic Council (Washington), afirmou ao Correio que a queda de Kadafi foi promovida pela insurgência dos mesmos mujahedine (guerrilhos islâmicos), que, depois de combaterem no Iraque e no Afeganistão, retornaram aos seus países de origem. “Os terroristas do norte do Mali são procedentes da Argélia e pertencem à AQIM. Eles mantêm contatos com extremistas da Líbia e da Tunísia e potencializam o recrutamento”, explicou, por telefone. “Os países do norte da África possuem altas taxas de desemprego entre pessoas de 15 a 25 anos — de 30% a 45%. Esses jovens estão sendo recrutados por elementos da Al-Qaeda, por já não terem mais nada a fazer.”

Antes da migração para seus países de origem, os extremistas deixaram seu rastro no Iraque. Atallah lembra que, em 2007, as forças norte-americanas realizaram uma megaoperação na cidade de Sinjar, na fronteira com a Síria. “Eles apreenderam vários documentos com nomes de guerrilheiros estrangeiros que combatiam em território iraquiano. Os papéis de Sinjar mostraram que muitos vieram da Arábia Saudita, da Líbia, da Argélia, da Tunísia e do Marrocos”, afirmou.

Colega de Atallah no Atlantic Council, o norte-americano J. Peter Pham admite que o norte da África (Magreb) e o Sahel se tornaram um abrigo seguro para a AQIM e para outras facções islâmicas pelos mesmos motivos percebidos em outras regiões. “Governos fracos são incapazes de exercer autoridade sobre o território, além de criarem um espaço geográfico para que os extremistas possam operar”, observa. Segundo ele, regimes antidemocráticos, incompetentes ou politicamente permitem que o espaço social seja ocupado por extremistas — os rebeldes “compram” o apoio da população, fornecendo serviços para a população ou oferecendo uma solução imediata às suas queixas. “Uma vez entrincheirados, territorial e socialmente, os grupos radicais têm a oportunidade de arrebanhar recrutas, ao explorar recursos econômicos que não estariam ao alcance da insurgência se o Estado funcionasse.

Pham cita como exemplo o Mali, cujo presidente, Amadou Toumani Touré, foi deposto em 22 de março de 2012 por uma junta militar, depois de perder dois terços do norte do país para os extremistas. “A marginalização dos tuaregs e de outros povos do norte por sucessivos governos instigou vários levantes, enquanto a corrupção de Touré custou o apoio de moradores do sul. Com os militares no papel de autoridade real, o regime perdeu credibilidade”, afirma.

Crimes

Nos últimos anos, a AQIM e seus aliados amealharam milhões de dólares, por meio de sequestros de ocidentais, da proteção a narcotraficantes e de contrabandos. “As relações entre os extremistas e os governos variam profundamente. Enquanto alguns Estados têm se oposto aos militantes, outros se mostram mais ambivantes. Na Argélia, por exemplo, os terroristas são combatidos em seu próprio solo, mas as autoridades toleram quando eles agem no território vizinho. Por meses, as autoridades argelinas permitiram que guerrilheiros levassem suprimentos e armas para o norte do Mali”, comenta.

Aaron Zelin, especialista do Washington Institute for Near East Policy, concorda que o golpe de Touré desestabilizou o Mali e permitiu aos jihadistas dominarem o norte. Na semana passada, forças francesas e malinesas recuperaram importantes cidades conquistadas pelos grupos aliados à AQIM. Ele vê a situação na Líbia como delicada, com um controle do governo bastante limitado sobre o leste e o sul, o que facilitou a instalação de campos de treinamento de terroristas. Zelin diz que muitas pessoas foram pegas de surpresa pelo ataque ao campo de gás na Argélia. “Muitos não imaginavam que a AQIM fosse tão forte. A avaliação anterior se baseava nas condições do grupo dois anos atrás. Mas, desde 2012, a facção teve a oportunidade de treinar militantes sem ser incomodada, no norte do Mali.”

Ao estilo da máfia

Como o senhor analisa a capacidade operacional da Al-Qaeda no norte da África?

“A organização Al-Qaeda no Magreb Islâmico (AQIM) tem uma reputação de ser um grupo similar a uma máfia, por engajar em atividades como contrabando e sequestro. Essas ações permitem que a organização se mantenha e receba fundos para outras operações. A AQIM é uma organização subestimada. Muitos especialistas creem que ela tenha 900 militantes, mas acredita-se que seja bem mais forte. O Mali tem dado espaço para muitas organizações, como a Ansar Dine.”

Domínio territorial

“A AQIM e seus aliados tiveram anos para conhecer o ambiente e o terreno desértico. Eles dominam partes do Magreb e do Sahel, bem como as três províncias do norte do Mali (Kidal, Gao e Timbuktu). São certamente capazes de tornar um inferno a vida de qualquer estrangeiro tolo o bastante para tentar levar uma guerra convencional na região. O único modo de batê-los é por meio de uma estratégia clássica de contrainsurgência, que levaria tempo, e de governos locais legítimos.”

FONTE: Correio Braziliense via Resenha do Exército

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O Estados Unidos poderão manter um contingente entre 6 mil e 15 mil combatentes no Afeganistão após a retirada das tropas da OTAN, prevista para 2014. A informação teria vindo de oficias a par dos planos encomendados pelo presidente Barak Obama e entregues ao Pentágono pelo comandante da missão americana no território afegão, general John Allen.

Foi pedido ao general que desenvolvesse uma estratégia para a retirar parte das tropas ao longo dos próximos dois anos, bem como manter alguma presença após a missão multinacional. Segundo oficiais superiores, Allen teria oferecido ao presidente Obama três planos possíveis, que no momento aguardam aprovação do secretário de Defesa, Leon Panetta.

A proposta mais modesta propõe um contingente de 6 mil a 6.500 combatentes apenas para procurar membros do Talebã, da Al Qaeda e demais células terroristas no país. O plano demandaria basicamente Forças Especiais, um número limitado de tropas de apoio, e poucos recursos para assistência e treinamento das forças afegãs.

Uma opção intermediária, envolvendo cerca de 10 mil militares, ainda teria ênfase no combate ao terrorismo, mas também realizaria um trabalho mais expressivo de treinamento e capacitação do contingente local, especialmente para as Forças Especiais, e em escala mais limitada para as tropas convencionais.

A estratégia mais dispendiosa exigiria em torno de 15 mil soldados, disponibilizaria mais tropas convencionais para treinar as Forças de Defesa afegãs, e garantiria mais apoio nas operações anti-terroristas.

No segundo semestre de 2012, a OTAN e o governo do Afeganistão concordaram em traçar planos para que as forças estrangeiras encerrem a missão no país e passem as atividades de segurança para as autoridades locais.

FONTE: Army Recognition (Tradução e adaptação do Forças Terrestres)

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O Conselho de Segurança da ONU autorizou nesta quinta-feira uma ação militar para tirar o norte do Mali do controle de extremistas vinculados à rede Al-Qaeda, mas reivindicou que primeiramente haja progresso na reconciliação política, nas eleições e no treinamento de soldados e policiais africanos.

Uma resolução adotada de forma unânime pelo órgão mais poderoso das Nações Unidas argumentou que é necessário existir um plano com duas abordagens, política e militar, para reunificar o país, que está em tumulto desde um golpe de Estado em março .

O Conselho de Segurança autorizou uma força liderada pelo continente africano para apoiar as autoridades do Mali em recuperar o norte – uma área do tamanho do Texas -, mas não estabeleceu nenhum prazo para a ação militar. Em vez disso, impôs tarefas que devem ser cumpridas antes do início das operações ofensivas, começando com o progresso em um cronograma político para restaurar a ordem constitucional.

A resolução também enfatiza que um planejamento militar adicional é necessário antes de a força liderada pelos africanos ser enviada para o norte e pede que o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, “confirme com antecedência a satisfação do conselho com a operação militar ofensiva planejada”.

O chefe das forças de paz da ONU, Herve Ladsous, disse recentemente não esperar que uma operação militar comece antes de setembro ou outubro do próximo ano.

O Mali mergulhou em confusão depois que o golpe de março criou um vácuo de segurança. Isso permitiu que os tuaregues seculares, que por muito tempo se sentiam marginalizados pelo governo do país, transformassem metade do norte como sua terra natal . Mas, meses depois, os rebeldes foram expulsos por grupos islâmicos alinhados à Al-Qaeda, que agora impuseram a rígida lei da sharia (código islâmico) no norte.

Enquanto o conselho passou meses negociando qual ação tomar, o Ansar Dine (Defensores da Fé), grupo islâmico por trás de execuções públicas e amputações no norte do Mali, expandiu seu alcance. Os militantes, cujo território inclui Timbuktu , apedrejaram até a morte um casal acusado de adultério , cortaram as mãos de ladrões e recrutaram crianças com idades de 12 anos. Homens fortemente armados também atacaram bares que vendem álcool e proibiram homens e mulheres de socializarem nas ruas.

Em 13 de novembro, a União Africana pediu que o Conselho de Segurança endossasse uma intervenção militar para libertar o norte do Mali. O plano, acordado pelos líderes da África Ocidental conhecido com Ecowas , pediu que 3,3 mil soldados fossem enviados ao Mali por um período inicial de um ano.

A resolução da ONU autoriza uma Missão de Apoio Internacional Liderada pela África, a ser conhecida como Afisma, por um período inicial de um ano, mas não menciona seu tamanho. Ela dá boas-vindas a contribuições de soldados prometidas pela Ecowas e pede que os Estados-membros, incluindo da região vizinha de Sahel, contribuam com tropas para a missão. Diplomatas do conselho dizem que os soldados africanos mais bem treinados para conflitos no deserto são do Chade, da Mauritânia e do Níger.

FONTE: Associated Press via Portal iG

 

Pelo menos dez soldados morreram em um ataque da milícia radical islâmica Al Shabab em Puntland, região da Somália autoproclamada autônoma em 1998, informou nesta ontem (05) o ministro do Interior local, Khalif Isse Mudan.

Mais de 14 soldados também ficaram feridos no ataque, cometido com uma bomba que explodiu durante a passagem de um comboio militar perto de Sugure, a cerca de 50 quilômetros da cidade portuária de Bossaso.

“A divisão da (rede terrorista) Al Qaeda na Somália, Al Shabab, atacou nosso comboio, no qual viajavam soldados de Puntland. Dez soldados morreram, outros ficaram feridos e nossas forças mataram sete milicianos da Al Shabab”, explicou o ministro aos jornalistas.

O porta-voz de operações militares da Al Shabab, Abdiasis Abu Musab, afirmou que mais de 30 soldados tinham morrido, segundo vários sites partidários da milícia.

Trata-se do pior atentado contra o Exército cometido nos últimos anos pelos fundamentalistas em Puntland, região que, até o momento, tinha ficado de fora das piores consequências do conflito da Somália.

Os islamitas estão tentando expandir sua influência nessa região, próxima ao Iêmen, onde operam membros da Al Qaeda que poderiam prestar ajuda a seus aliados somalis com o envio de armas através dos portos de Puntland.

Em outubro, uma embarcação procedente do Iêmen carregada de armas supostamente destinadas à Al Shabab foi capturada nas águas de Puntland, informaram então as autoridades locais.

A milícia, que em fevereiro anunciou sua adesão à Al Qaeda, combate desde 2006 as autoridades somalis e a força multinacional da Missão da União Africana na Somália (AMISOM) para instaurar um Estado muçulmano de linha wahhabista.

FONTE: EFE via UOL Notícias

 

Dois soldados que pertenciam a um batalhão do Exército britânico foram mortos nesta terça-feira atingidos por disparos de um homem vestido com o uniforme da polícia afegã, informou o Ministério da Defesa em Londres.

Os militares, pertencentes ao Primeiro Batalhão do regimento Royal Gurkha Rifles, morreram em um posto de controle no distrito de Nahr-e Saraj, na província de Helmand, onde a maior parte do contingente britânico no Afeganistão está mobilizada, indicou o ministério, sem indicar a nacionalidade das vítimas.

Este regimento é formado por oficiais britânicos e ‘ghurkas’, soldados nepaleses que servem desde o século XIX nas forças armadas britânicas, especialmente em operações no exterior.

Estas duas mortes elevam para 43 o número de baixas sofridas pelas Forças Armadas britânicas durante o ano no Afeganistão, e para um total de 437 desde o início da intervenção internacional liderada pelos Estados Unidos, em 2001.

Um porta-voz da Força Internacional de Assistência à Segurança (Isaf) da Otan havia anunciado estas mortes horas antes à AFP.

“Um homem com uniforme da polícia afegã voltou sua arma contra as forças da Isaf no sul do Afeganistão matando dois soldados da missão”, disse à AFP em Cabul.

O ataque foi reivindicado por um porta-voz dos insurgentes talibãs, que afirmou que as duas vítimas eram britânicas.

FONTE: Agência AFP via ISTOÉ

 

Crônica de Damasco

Quais fatos podem ser distorcidos e ocultados de milhões de pessoas quando a Fraternidade Islâmica empreende uma guerra contando com o apoio de toda a imprensa ocidental?

Os políticos ocidentais têm uma ideia errada acerca da “Primavera Árabe” síria. Há pouca ou nenhuma oposição liberal e progressiva; o próprio ELS resulta da união de diferentes grupos milicianos, incluindo marginais, mercenários e jihadistas.

De acordo com a comunicação social ocidental, a Síria encontra-se em plena “guerra civil”. Grupos como o Observatório dos Direitos Humanos da Síria, sedeado em Londres, disseminam afirmações extravagantes acerca de um número desmesurado de vítimas (afirmam já terem morrido cerca de 20 mil pessoas) às mãos das forças de segurança do Estado sírio. Aos jornalistas independentes, dizem, é vedada a entrada na Síria e o regime não permite o exercício de uma imprensa livre.

Com base em tais relatos os visitantes esperam deparar-se com um país em estado de choque, paralisado pela guerra, completamente destruído. Mas quando cheguei a Damasco a 12 de Julho com um visto de jornalista como repórter da ZUERST! não testemunhei nenhuma dessas cenas. Fui de Beirute para Damasco por via terrestre, embora muitas pessoas me tivessem avisado que tal não era seguro, pois os rebeldes do Exército Livre Sírio (ELS) afirmavam controlar cerca de 85% do território. Mas quando cruzei a fronteira do Líbano para a Síria, deparei-me com o habitual tráfego fronteiriço  – nenhuma fuga em massa de refugiados, nada de pânico, nenhum combate à vista. A estrada até Damasco tinha várias operações stop do exército sírio, mas encontrava-se calma e segura.

Encontrei Damasco plácida e serena, o dia-a-dia normal. Fiquei no centro da cidade, no quarteirão de al-Bahsa. As lojas estavam abertas e havia pessoas e carros nas ruas. Nas paredes, os rostos do presidente Bashar al-Assad e do seu pai, Hafez, observavam a vida na capital – umas vezes com ar afável, outras com ar sério, por vezes em roupa civil, noutras de uniforme e ainda noutras envergando óculos de sol.

Tinha lido acerca da operação de invasão da capital em curso pelo ELS, mas não havia quaisquer sinais de guerra nas ruas de Damasco. Passeei pela cidade, falando com comerciantes, taxistas, pessoas da rua, polícias, mulheres tanto com lenços quanto com roupa ocidental. A resposta foi sempre a mesma – a imprensa internacional está a distorcer completamente os acontecimentos. A Al-Jazeera, sediada no Qatar, foi particularmente criticada.

A 16 de Julho, desloquei-me à antiga aldeia cristã de Maalula, a cerca de uma hora de Damasco. Os habitantes de Maalula descendem das tribos semitas que habitaram o deserto sírio e parte da Mesopotâmia há catorze séculos. O mosteiro de Mar Sarkis foi construído sobre as ruínas de um templo pagão. Sua arquitetura bizantina contém um dos poucos altares cristãos originais. Contém também uma coleção única de ícones religiosos dos séculos XVII e XVIII. Trata-se de um dos poucos locais onde ainda podemos encontrar quem fale aramaico, a língua falada por Jesus.

Novamente, a estrada era segura. Havia muitos autocarros nas ruas, cujos destinos eram Hama, Homs e Aleppo. Entrevistei os habitantes do mosteiro ortodoxo grego de Mar Tekla, os peregrinos cristãos árabes e outros visitantes. Todos partilhavam a opinião de que o presidente Bashar tirará o país da crise e que os muçulmanos e os cristãos sírios poderão conviver pacificamente. Uma freira disse-me que “esta cidade e a sua igreja foram fundadas nos rochedos da Síria. Simbolizam a estabilidade e o poder da Síria. Vamos sair desta crise.”

A Síria é uma sociedade multiconfessional e os cristãos constituem 10% da população. A cidade de Aleppo é a maior no número de cristãos que alberga. Os cristãos estão presentes em todos os aspectos da vida síria –  economia, meio acadêmico, ciência, engenharia, artes, entretenimento e na arena política. Alguns são oficiais das Forças Armadas. Preferiram misturar-se com os muçulmanos em vez de criaram unidades e brigadas cristãs à parte, e como tal combateram lado a lado com os seus compatriotas muçulmanos contra as forças israelitas em vários conflitos.

Regressei a Damasco pela cidade de al Tel, ocupada brevemente pelo ELS até à  recuperação desta por parte do exército. Ainda se notam os vestígios das forças rebeldes e dos seus apoiantes – ou seja, os graffiti nas paredes a comemorar não a liberdade ou a democracia, mas os pregadores islâmicos mais extremistas. Também se viam ameaças pintadas nas lojas – “Façam greve ou ardam!” – num esforço para coagir os comerciantes a fazerem greve de modo a pressionar o governo. Os políticos ocidentais têm uma ideia errada acerca da “Primavera Árabe” síria. Há pouca ou nenhuma oposição liberal e progressiva; o próprio ELS resulta da união de diferentes grupos milicianos, incluindo marginais, mercenários e jihadistas.

A 15 de Julho os rebeldes lançaram aquilo a que chamaram “Vulcão de Damasco”, o seu assalto militar à capital, afirmando ser uma operação decisiva. Mas em al-Bahsa só dei conta de se encontrarem alguns helicópteros a sobrevoar alguns dos subúrbios, e a ocasional explosão, a cerca de cinco quilômetros de onde me encontrava. Continuava o dia-a-dia nas ruas, pese embora os relatos da imprensa ocidental acerca do inferno em que se encontrava a capital. Na maior parte da cidade a única coisa que estava a queimar eram os cachimbos dos clientes dos cafés. A guerra estava confinada a poucas zonas, como Al-Midan. As explosões duraram algumas horas, pararam e recomeçaram. O centro da cidade encheu-se com os residentes das zonas afetadas, e à noite os soldados dos pontos de controle pediram-me o passaporte. Fora isso, não havia qualquer sinal de conflito.

Tal alterou-se na quarta-feira de 18 de Julho, quando uma bomba vitimou vários membros do governo e chefes dos serviços de segurança durante uma reunião ministerial. Faleceram o ministro da Defesa, o general Dawoud Rajiha – Assef Shawkat, cunhado do presidente e secretário de Estado da Defesa – o general Hasan Turkmani, assistente do vice-presidente, e Hafez Makhlouf, chefe da seção de investigações dos serviços secretos. Encontrava-se na sede da televisão estatal quando ouvi as notícias. Estavam todos em choque, e algumas funcionárias não conseguiram conter as lágrimas. Entretanto, Bruxelas e Washington regozijaram-se com os assassinatos enquanto os islamistas dançavam nas ruas de Tripoli.

Entretanto, continuava a “batalha de Damasco”.

Passados quatro dias já toda a gente se tinha habituado ao som das bombas e dos helicópteros. Aproveitei e visitei o hospital militar de Damasco, no qual falecem uma média de quinze soldados por dia, vítimas dos seus ferimentos – cerca de 450 soldados por mês, isto só em Damasco. Entrevistei vários soldados feridos, falei com as suas famílias e os seus médicos.

Recordo particularmente a entrevista que fiz a um capitão de 34 anos do exército que teve a sorte de sobreviver a um ataque rebelde. A sua unidade tinha sido encurralada pelos rebeldes, que os alvejaram com granadas de rocket e metralhadoras de alto calibre. Um par dos seus camaradas morreu durante o ataque, foi ferido mas sobreviveu à primeira vaga. Mesmo ferido e prostrado manteve o fogo. Quando o vieram salvar ficaram também sob o fogo dos rebeldes. Acabaram por o levar para a segurança de um edifício, mas só passadas algumas horas é que conseguiram sair. Quando chegou ao hospital tinha perdido tanto sangue que se encontrava quase inconsciente.

“Pedi aos meus camaradas que me matassem antes de ser capturado pelo inimigo.”

Perguntei-lhe porquê, a sua resposta perturbou-me: “torturam-nos até à morte, cortam-nos as mãos e as gargantas caso nos apanhem vivos.”

Partia do pressuposto de que os rebeldes não eram sírios, mas oriundos de muitos países, principalmente da Líbia, dos Estados do Golfo, do Iraque, Afeganistão e Paquistão – jihadistas e mercenários que matam por petrodólares. Andes de sair do hospital mostrou-me uma foto das suas duas filhas e disse-me fervorosamente que estava a lutar pela liberdade delas.

O diretor do hospital mostrou-me onde tinha aterrado uma granada de morteiro disparada no dia anterior, que felizmente não explodira. Também havia buracos de balas nas paredes. Os rebeldes atacaram o hospital várias vezes, mas a ONU, a Anistia Internacional ou a Human Rights Watch pareceram não ter interesse nestas violações das convenções de guerra.

À medida que os combates continuaram, toda a cidade se tornou enervada. Os comerciantes começaram a fechar as lojas ao princípio da tarde; queriam certificar-se de que voltavam para as suas famílias. Alguns levavam o dinheiro e os objetos de valor consigo. Temiam que as lojas fossem pilhadas – pelos rebeldes, não pelo Exército – caso os combates chegassem ao centro da cidade.

Na sexta-feira de 20 de Julho, enquanto estações pró-rebeldes como a Al-Jazeera e a Al-Arabia emitiam histórias acerca da guerra sem quartel na capital, eu ouvia os pássaros a cantar nos lindos parques da cidade e observava enquanto os damascenos desfrutavam o seu fim-de-semana. Até as explosões nos subúrbios tinham parado. A emissora estatal noticiou que o ataque rebelde tinha sido repelido e que as forças de segurança se encontravam a limpar os subúrbios dos rebeldes que sobravam.

Desconfiei se seria verdade ou mera propaganda estatal. Decidi ir a Al-Midan, onde os combates tinham sido mais intensos. Havia muitos soldados e veículos militares no centro da zona. O oficial responsável da esquadra de polícia principal recebeu-me e mostrou-me os arredores. Ainda havia tiroteios a cerca de 500 metros, e ouvi o som de uma metralhadora de alto calibre. Levaram-me num veículo blindado à zona de combate, no limiar de Al-Midan. Havia traços da guerra em todo o lado. Os soldados disparavam protegidos contra um edifício onde se encontravam atiradores furtivos. Tivemos que nos movimentar rapidamente de casa para casa, algumas das quais ainda a fumegar. Os cadáveres dos rebeldes ainda estavam nas ruas. O rosto de pelo menos um deles era notoriamente não-arábico; parecia ter vindo do Afeganistão. Questionei-me sobre quem lhe teria pago a viagem, e porque razão estaria mesmo ele a combater.

Enquanto ainda estávamos a ver os cadáveres, chegou um veículo carregado com o equipamento e as armas dos rebeldes. O condutor mostrou-me o que tinham encontrado no centro de controle do ELS: enormes quantidades de munições, armas automáticas, metralhadoras e uniformes do Exército sírio, utilizados para desacreditar o Estado e confundir os civis. Duvidei se isto não seria uma encenação destinada aos jornalistas ocidentais: teria o Exército preparado um cenário para a minha visita? Contudo, quando cheguei, o combate ainda estava a decorrer, e ninguém teria tido tempo para “preparar” os cadáveres; a área estava “fresca”. Acredito que o que testemunhei era autêntico.

Encontrei-me com o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros, o Dr. Jihad Makdissi, no dia em que este teve que lidar com aquilo que a Al-Jazeera apodara de “Massacre de Trimseh”. Esta afirmava que o regime tinha chacinado mais de 200 civis nessa aldeia, mas mais tarde soube-se ter sido um combate entre o Exército e o ELS. O Dr. Makdissi, que estuou no Reino Unido e fala fluentemente o inglês, repetiu pacientemente, uma e outra vez, nas conferências de imprensa os fatos – as forças de segurança tinham abatido 37 rebeldes e dois civis num ataque à vila que os rebeldes estavam a utilizar como base para lançarem ataques a outras áreas. Sustentou que ao contrário do que a Al-Jazeera afirmava, as forças governamentais não tinham utilizado aviões, helicópteros, tanques ou artilharia e que as armas mais pesadas utilizadas tinham sido rockets atiradores de granadas

Abandonei Damasco a 21 de Julho, dirigindo-me para o Líbano. Planejei ir novamente de carro. Vários sírios alertaram-me de que seria uma viagem perigosa e de que a fronteira com o Líbano estaria repleta de refugiados. Mas quando perguntei onde tinham obtido tais “informações” mencionaram sempre a Al-Jazeera e a Al-Arabia. Então, embora me sentisse apreensivo, confesso-o, decidi ir ver por mim mesmo. Mas eis que a estrada para a fronteira estava calma, sem muito trânsito. O meu passaporte foi examinado em vários postos de controle, e foi só. No posto fronteiriço havia realmente muitas pessoas, mas não se tratava de um caos, nem de uma massa de refugiados. A saída do país não demorou mais de 20 minutos.

A última surpresa ocorreu no lado libanês da fronteira. Ali vi pela primeira vez a bandeira rebelde verde, branca e negra. Logo à saída do posto fronteiriço libanês estavam uma dúzia de equipes de televisão ocidentais, à  espera de “refugiados”. Algumas delas estavam a pagar aos entrevistados em dólares por entrevistas curtas; e quanto mais selvagem a história, mais pareciam gostar dela. Aparentemente a realidade não é  de grande importância quando a comunicação social ocidental menciona a Síria.

 

Mídia sem Máscara (15/09/2012)

Por Manuel Ochsenreiter, ex-redator do semanário Junge Freiheit, é o atual chefe de redação da revista Zuerst!, ambos da Alemanha.

 

 

Os esquerdistas, incluindo os que são judeus, os antissemitas de todos os matizes, como o grupo BDS (Boicote, Desinvestimento & Sanções) e os muçulmanos costumam alardear que o Estado de Israel cultiva o apartheid. Grande parte da população brasileira não tem informações reais sobre o sistema político israelense e acredita piamente nesta mentira. A historiadora Maria Luiza Tucci, Diretora do arquivo Virtual Arqshoah Holocausto e Antissemitismo, do Laboratório de Estudos sobre Etnicidade, Racismo e Discriminação da USP afirma que o antissemitismo ainda é muito forte na população brasileira. A meu ver isto não apenas é verdade como tem se intensificado devido à ininterrupta propaganda antissionista e pró-Palestina e o predomínio da total ignorância sobre a verdadeira situação no Oriente Médio, agravada pelo cego apoio dos governos brasileiros de esquerda desde 1994 a uma suposta ‘causa palestina’.

Bandeiras da ‘Palestina’ tremulam em todas as manifestações de esquerda; Lula visitou o Oriente Médio esnobando Israel; a diplomacia brasileira apoia o Irã e sua pretensão a armamentos nucleares e seu ódio aos judeus que promete um novo Holocausto. O Brasil vota sistematicamente contra Israel nos foros internacionais, inclusive apoiando a Declaração de Durban de que o ‘Sionismo é uma forma de racismo’; e o governo Dilma seguiu os passos de Lula se aliando a Ahmadinejad através de Chávez e Morales. A Venezuela é provavelmente a maior cabeça de ponte islâmica na América do Sul.

Isto já vem de longa data: no governo Figueiredo o Brasil fechou acordos bilionários com o então ditador do Iraque, Saddam Hussein. Cargueiros 747 da Iraqi Airways visitavam semanalmente o aeroporto de Viracopos, então exclusivamente cargueiro, permanecendo longe do terminal em missões obviamente secretas e pelo menos duas vezes decolaram do Centro Tecnológico da Aeronáutica em São José dos Campos, na época comandado pelo brigadeiro Sérgio Xavier Ferola, levando, segundo a Isto É Dinheiro, urânio das minas de Poços de Caldas. Um comércio, mediado pelo embaixador Paulo Tarso Flecha de Lima e comandado pelo brigadeiro Hugo de Oliveira Piva que chegou a 30 bilhões de dólares. Então era Saddam, e não o Irã, que exigia os votos sistemáticos contra Israel para fazer negócios.

Em 2007, o brigadeiro Ferola era presidente do Centro de Estudos Estratégicos Sul-americanos e, segundo Graça Salgueiro, ‘entre 27 e 29 de outubro do ano passado (2006) seu Ferola participou de um encontro fundacional do Bloco Regional de Poder Popular, na Bolívia do cocalero castro-comuno-chavista Evo Morales, cujo título era “Primeiro Encontro de Povos e Estados pela Libertação da Pátria Grande”. Observe-se que não se discutia a soberania dos Estados Nacionais mas de uma só pátria, indivisa, pois o objetivo deste Bloco é o fim dos Estados Nacionais e a criação da “Pátria Grande”. Faz todo sentido! É a Großdeutschland, a РОДИНА (Rodina), a Mãe Pátria de Todas as Rússias, o Grande Califado!

Não haja dúvida também que uma interpretação ‘caolha’ da Bíblia tem colocado muitos cristãos contra os judeus, e vice-versa. Enquanto os dois grupos não se entendem, os inimigos da civilização ocidental, indubitavelmente judaico-cristã, comunistas, fascistas e muçulmanos – estes os mais importantes no momento – vão ceifando vidas dos dois lados em seus selvagens ataques a Israel e aos países ocidentais. O status quo obtido com governos árabes pragmáticos vem sendo sistematicamente destruído por uma “primavera” que já se transformou num inferno americano, o que é bem feito por terem escolhido o atual presidente e ameaça se espalhar para Israel se o último, da Síria, cair, cercando o país de fronteiras inimigas.

Como é o apartheid judeu?
A situação política dentro do Estado de Israel é bem diferente de um apartheid. No Knesset (Parlamento) existem parlamentares árabes que pregam o ódio contra os judeus e defendem a destruição de Israel, pois o sistema jurídico israelense defende intransigentemente a liberdade de expressão num grau de causar inveja aos brasileiros tomados por proibições de toda sorte baseada numa linguagem corrompida pelo ‘politicamente correto’.

Aqui, o Judiciário vergonhosamente apoia esta Newspeak – e mais, utiliza-a sem pejo! Se estamos longe da liberdade que os judeus gozam em sua terra, imaginem os países islâmicos onde impera a intolerância e existe sim apartheid. Num dos países mais afetados pela invasão muçulmana, a Inglaterra, o British Museum exibia em fevereiro deste ano uma mostra a respeito do Hajj, a peregrinação a Meca, com um intenso sabor de propaganda. Na foto 1, na Arábia Saudita, a direção Arafat-Meca (Makkah) é proibida para não muçulmanos. A presença de não muçulmanos em Meca ou Medina é punida com a morte. Imagine-se Roma proibida a não cristãos ou Kyoto a não xintoístas ou o Ganges a não hinduístas!

muslimsonly

Para tentar desmistificar esta questão, se é que isto é possível, já que o sentimento antissionista impera na mídia chapa branca, única fonte de informações da maioria da população, citarei duas reportagens da última edição (#115 – 09/2012) do jornal Visão Judaica, com o qual tenho a honra de colaborar mensalmente. Antes chamo a atenção para o vídeo que publiquei em meu blog sobre a mensagem de Rosh Hashaná das Forças de Defesa de Israel (Tzahal): notem a diversidade de pessoas e sotaques.

Dois exemplos de como se dá a “discriminação” em Israel
1. O atual comandante do Batalhão de Reconhecimento no Deserto das Forças de Defesa (Tzahal), o tenente-coronel Wahid Al-Huzeil (foto 2), negro e muçulmano, é um herói condecorado que atuou decisivamente na frustração do ataque de terroristas no Sinai no último dia 5 de agosto. Anteriormente, em 2008, ainda como sub-comandante do batalhão, foi condecorado pelo Estado Maior por sua atuação bem sucedida na mesma área, no cruzamento do Kibbutz Kerem Shalom.

Al-Huzeil declarou: ‘Ficamos atentos aguardando e identificamos um veículo que acabou explodindo ao cruzar a fronteira. Tentamos capturar o segundo blindado e durante a operação trabalhamos em conjunto com as Forças Armadas e a Força Aérea. Finalmente conseguimos capturar o veículo, eliminando os terroristas e impedimos que atacassem e causassem baixas às nossas forças ou a civis inocentes’. (Leia também o comunicado oficial da Tzahal).

wahid

2. O novo embaixador de Israel em Oslo, Ishmael Khaldi (foto 3) é beduíno e muçulmano, e seu braço direito é um cristão árabe. Foi o primeiro beduíno vice-cônsul e agora como embaixador é o muçulmano mais graduado do Ministério das Relações Exteriores. Nasceu em 1971 em Khawaled, uma aldeia próxima a Haifa tendo vivido até aos 8 anos numa tenda, cuidando de ovelhas. Os laços de sua família com os vizinhos judeus datam da década de 20 quando chegaram os primeiros colonos sionistas. É através desta aliança com Israel que seu povo está transcendendo o isolamento criado por suas tradições nômades.

Hoje é bacharel em Ciências Políticas pela Universidade de Haifa e tem um mestrado em Ciências Políticas e Relações Internacionais pela Universidade de Tel Aviv. Foi policial, militar e analista político para a Tzahal.

khaldi

Khaldi lançou um projeto chamado ‘Caminhando e Aprendendo com os Beduínos da Galiléia’ que levou milhares de jovens judeus a Khawaled para conhecer a história e a cultura beduína.

Árabes cristãos e muçulmanos estão presentes em todos os escalões superiores da administração israelense, e há também nove drusos, incluindo duas mulheres, que exercem suas funções em níveis diplomáticos elevados.

É a isto que chamam de apartheid israelense?

Por Heitor De Paola – Mídia sem Máscara (21/09/2012)

 

Por Fiódor Lukianov

Há 11 anos, quando baixou a poeira sobre o local da explosão das Torres Gêmeas, destruídas por um ataque de árabes camicases, parecia estar surgindo uma nova linha de frente que colocaria todos em seus devidos lugares. Além do bem e do mal estavam os “terroristas internacionais”, inimigos do “mundo livre”. Contra eles, um recurso universal despontou: a democracia, que, em sua concepção, deve crescer por si só, mas, caso isso não aconteça, pode ser instituída à força.

Surgiram os neoconservadores a partir de duas premissas. Em primeiro lugar, uma vez que os EUA são uma superpotência global, as medidas para garantia de sua segurança devem ter um caráter mundial. Somado a isso, a garantia do progresso mundial profetizado são os dispositivos democráticos e, quanto maior o número de países que adotam esses dispositivos, menor o nível de ameaça à América. Os acontecimentos subsequentes – Afeganistão, Irã, eleições na Palestina e apoio às “revoluções coloridas” – personificaram essas concepções na prática.

A linha de Bush-Cheney-Ramsfeld foi considerada um erro e a essência da presidência de Barack Obama consistiu em se livrar da herança dos seus antecessores. Por ironia do destino, aquilo que os neoconservadores desejavam começou de fato a acontecer justamente na administração de Obama.

O Oriente Médio despertou e multidões passaram a exigir uma democratização de verdade, varrendo os regimes ditatoriais ora por conta própria, ora com ajuda externa. Inabaláveis aliados norte-americanos do passado na luta contra o terrorismo mudaram de rumo, enquanto surgiam como beneficiários das revoluções (totalmente populares)  aqueles que há pouco eram considerados senão terroristas, pelo menos seus cúmplices e, portanto, suspeitos.

Esse movimento relembra a experiência do Afeganistão nos anos 1980, quando os Estados Unidos apostaram nos mujahidin (“guerreiros santos”) para a luta contra a União Soviética e, depois, deles surgiu a Al Qaeda, que voltou suas armas contra o ex-padrinho.

Naquela época, a aposta foi feita de modo consciente. Afinal, a tarefa de infligir perdas ao comunismo e aos soviéticos era considerada tão prioritária que simplesmente não se mediam gastos. Além disso, ainda não era possível prever quanto o islã fortaleceria suas posições políticas nem supor o confronto ideológico ao modelo anterior.

Hoje em dia, é praticamente impossível ter ilusões em relação ao desenrolar dos acontecimentos. O antiamericanismo no mundo árabe e muçulmano como um todo é um fenômeno disseminado sobretudo entre as amplas massas populares que compõem o corpo do eleitorado. Ainda mais que as sementes da oposição religiosa e cultural, lançadas no início do século 21 durante o processo da campanha antiterrorista, germinaram.

O islã político, que, desde o início dos anos 2000, tem sido julgado no contexto da Al Qaeda e da coalisão antiterrorista global, adquire agora dimensões completamente diferentes. Nos países árabes, os islamistas têm chegado ao poder por vias legítimas. Os “irmãos muçulmanos” estão governando o Egito e, ao contrário de todas as expectativas, Mohamed Mursi não se transformou em um presidente de fachada no contexto da junta militar, mas tomou decisivamente as rédeas da situação.

Entre ele e os companheiros de armas extremistas al-Zawahiri há, é claro, grande diferença. Porém, não mais como aquela entre eles e Mubarak. E o abismo tende, mais provavelmente, a se estreitar. De um lado, com a socialização dos radicais, do outro, com o deslocamento dos moderados em sua direção.

O mais importante, contudo, é que o apoio às revoluções no mundo árabe não foi escolha consciente e premeditada de Washington, mas uma tentativa de acomodar-se à tormenta de acontecimentos, somada ao mencionado instinto ideológico.

Dez anos atrás, esperava-se que os atos terroristas em Nova Iorque e Washington deixassem clara a situação global, definindo com precisão os inimigos e os amigos. Mas a Primavera Árabe misturou todas as cartas. Na Líbia, Egito, Síria e Iêmen, os EUA transformaram-se, na realidade, em aliados daqueles com os quais haviam lutado no combate ao terrorismo.

O Oriente Médio está passando por um deslocamento tectônico, por mudanças fundamentais, cujos contornos apenas foram esboçados. Tanto Osama bin Laden quanto George Bush participaram da criação das precondições desses movimentos, mas o que foi iniciado possui sua lógica própria e os cenários praticamente não dependem de forças externas. Desse modo, as mudanças no Oriente Médio põem fim às ilusões de que o mundo do século 21 seria organizado de acordo com um esquema simples e compreensível.

Fiódor Lukianov é redator-chefe da revista Russia in Global Affairs

FONTE: Gazeta Russa

 

Washington – Os Estados Unidos indicaram em seu relatório, nesta terça-feira, que o Irã é o principal patrocinador da atividade terrorista mundial, fornecendo fundos para apoiar “grupos terroristas e militantes no Oriente Médio”, enquanto a Al-Qaeda está “em declínio” e Cuba continua protegendo terroristas.

Em seu relatório, o Departamento de Estado americano manteve Cuba em sua lista negra de países que patrocinam o terrorismo por abrigar membros de grupos subversivos e fugitivos americanos.

Cuba, que por estar na lista negra junto a Irã, Sudão e Síria, não pode receber ajuda econômica dos Estados Unidos nem gozar de benefícios comerciais ou acordos financeiros, é considerado patrocinador do terrorismo desde 1982.

Em seu relatório sobre terrorismo em 2011, o Departamento de Estado destaca o declínio da Al-Qaeda depois da morte de seus principais líderes, mas alerta que os grupos ligados à organização são uma ameaça crescente em algumas regiões vulneráveis.

O documento também afirma que membros do grupo separatista basco ETA “continuam residindo em Cuba” e que relatórios da imprensa indicam que “o governo cubano forneceu assistência política e cuidados médicos” a membros das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), mas não há indícios de que tenha fornecido armas ou treinamento a esses grupos.

Tanto o Irã como a Al-Qaeda difundem sua “ideologia e retórica extremistas e violentas” em algumas das regiões mais instáveis do mundo, disse o documento enviado ao Congresso.

Ao destacar a morte do líder da Al-Qaeda, Osama Bin Laden, em uma operação realizada em seu esconderijo no Paquistão em maio de 2011, o relatório ressalta que até então “permanecia profundamente envolvido na coordenação das operações (desses grupos) e na definição de suas estratégias”.

“A perda de bin Laden e de outros importantes líderes colocaram a rede em um caminho de declínio que será difícil reverter”, acrescenta.

Ainda que o núcleo principal da Al-Qaeda tenha sido enfraquecido no ano passado, “vimos crescer grupos relacionados no mundo”, adverte o documento.

A Al-Qaeda na Península Arábica “é uma ameaça particularmente séria”, que ganhou influência no sul do Iêmen, e “está explorando a instabilidade neste país para conspirar contra os interesses regionais e ocidentais”, afirma o texto.

O braço do grupo no norte da África, conhecido como Aqim, “historicamente o mais fraco de seus afiliados, viu seus cofres encherem em 2011, com o pagamento de resgates de sequestros — prática também usada por outros grupos terroristas”.

O relatório menciona ainda grupos afins da Al-Qaeda no Iraque, onde o grupo era “resistente” e buscava “estender seu alcance para a Síria e explorar a revolta popular contra a ditadura de Bashar al-Assad”, além de na Nigéria e no Egito.

A outra grande ameaça, segundo o texto, continua sendo o Irã, que os Estados Unidos acusaram em 1984 de ser o Estado patrocinador do terrorismo e que teria ampliado suas atividades nesse sentido.

A República Islâmica reúne “esforços para explorar condições políticas de incerteza, geradas pela Primavera Árabe, assim como em uma resposta à percepção do aumento da pressão externa sobre Teerã”.

Um plano revelado em setembro para matar o embaixador da Arábia Saudita nos Estados Unidos “ressaltou um novo interesse do Irã em usar o terrorismo internacional –inclusive nos Estados Unidos– para promover os seus objetivos de política externa”.

De acordo com o documento, Teerã fornece armas e treinamento para militantes de grupos como Hamas e Hezbollah e as Guardas Revolucionárias iranianas deram treinamento para talibãs no Afeganistão.

O relatório também acusa o Irã de permitir que membros da Al-Qaeda usem seu território como um duto para canalizar fundos e agentes para o sul da Ásia.

FONTE: Exame

 

PF vê elevado risco de terrorismo na Copa

Por Flávio Ferreira e Silvio Navarro, na Folha:

A Polícia Federal trabalha com o cenário de “risco elevado” para atos de terrorismo na abertura da Copa de 2014, quando os olhos do mundo estarão voltados para a capital paulista. Essa é a avaliação do superintendente da PF em São Paulo desde maio, o delegado Roberto Troncon Filho, 49, especializado no combate ao crime organizado desde 2004. Em entrevista à Folha, o chefe do órgão em São Paulo também critica alterações no projeto de lei sobre lavagem de dinheiro e defende o uso de algemas em operações. Leia trechos da entrevista.

Folha – O que o sr. achou do projeto de lei aprovado na Câmara que altera a legislação sobre lavagem de dinheiro?
Roberto Troncon - A principal mudança positiva é considerar lavagem de dinheiro a ocultação de bens obtidos por meio de qualquer crime.
A atual legislação se limita a uma lista: tráfico de drogas e crimes contra a administração pública e o sistema financeiro, entre outros. O segundo avanço é a ampliação da lista de pessoas obrigadas a prestar informações ao Coaf [órgão do governo que fiscaliza operações financeiras].

Há pontos negativos?
Houve um pequeno retrocesso na Câmara. O projeto previa a requisição pela polícia e pelo Ministério Público de dados cadastrais de bancos, companhias telefônicas, etc. O outro ponto retirado foi o do uso de bens apreendidos pelos órgãos de repressão à lavagem de dinheiro.

Como a PF está se preparando para a Copa de 2014?
Nossa atuação está relacionada ao controle migratório e para isso temos um plano de aperfeiçoamento. Mais de 70% de todo o tráfego de passageiros no Brasil ocorre em São Paulo. Além disso, temos a segurança de autoridades estrangeiras. Há uma grande preocupação com atentados terroristas. Estamos com uma atividade preventiva muito forte, interação permanente com organismos policiais.

A abertura da Copa será em SP. Qual é o nível de risco em relação a ataques?
No Brasil o nível é muito baixo. Mas um evento como a Copa pode ser, sim, palco de uma agressão, não contra o povo brasileiro, mas contra uma delegação estrangeira. Nesses períodos, a visão da PF é de um risco incomum e queremos nos preparar para um cenário em que o risco seria bastante elevado.

FONTE: Reinaldo Azevedo / VEJA

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Recentemente, na cidade russa de  Tambov, houve um encontro de forças antiterroristas daquele país. O evento foi composto de quatro fases. No primeiro, veículos penetraram os limites de uma unidade militar, e duas pessoas foram apreendidas, uma com documentos falsos e outra suspeita de atividades ilícitas. Na fase seguinte foram avaliados equipamentos militares, com o estágio seguinte ocorrendo numa arena esportiva, no qual foi executada a retomada do local em posse dos ”terroristas”. A fase final foi integrada por exibição de tais elementos.

FONTE: Ministério do Interior da Rússia (MVD)

 

Atentado contra academia militar mata 18 na Argélia

Pelo menos 18 pessoas morreram nesta sexta-feira e outras 35 ficaram feridas num atentado suicida contra uma academia militar na localidade de Cherchell, 90 quilómetros a oeste de Argel, informou à Agência Efe uma fonte próxima aos serviços de segurança.

As fontes explicaram que um terrorista suicida atravessou a porta do quartel e quando percebeu que estavam a suspeitar das suas actividades activou a carga explosiva.

As autoridades indicaram que o número de mortos pode aumentar devido à gravidade dos ferimentos de algumas das vítimas.

O jornal «Al Watan» na edição digital assegura que foram dois os terroristas suicidas e que um deles estava de mota.

Segundo o jornal, os agressores activaram as cargas explosivas com um breve intervalo de tempo entre ambas em frente à entrada do refeitório de oficiais, quando estava cheio.

FONTE/FOTO: TVI24/AFP

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O norueguês Anders Behring Breivik, que confessou ser o autor do massacre que deixou 76 mortos na sexta-feira (22), na Noruega, afirmou que trabalhava em conjunto com “duas outras células” para combater a “dominação muçulmana” no país.

“O acusado fez depoimentos hoje que exigem maiores investigações, inclusive afirmando que ‘há mais duas células em nossa organização’”, disse o juiz Kim Heger em coletiva de imprensa após a primeira audiência de Breivik.

A polícia já investigava a possibilidade de Breivik ter cúmplices. Em interrogatório neste fim de semana, contudo, ele afirmou ter agido sozinho.

Na corte, Breivik não quis se declarar culpado. Ele explicou ao juiz que não se considera culpado pois precisava ter cometido estes atos para enviar “um forte sinal” aos noruegueses e proteger o país contra a “invasão” dos muçulmanos.

O juiz Heger determinou que Breivik fique detido por oito semanas, até 22 de agosto, metade das quais deve ficar em solitária e isolamento –sem cartas, telefonemas ou contato com sua família ou a mídia.

Normalmente, o acusado é levado à corte a cada quatro semanas enquanto os promotores preparam o caso, para que o juiz possa aprovar sua contínua detenção. Em casos de crimes sérios ou quando o réu é confesso, é comum este período ser ampliado.

Breivik foi indiciado por atos de terrorismo. O juiz afirmou que sua confissão e outras evidências encontradas pela polícia permitem o indiciamento.

O norueguês de 32 anos disse ainda ao juiz que quis induzir a maior perda possível ao governista Partido Trabalhista, para que não consiga mais recrutar novos filiados.

Ele acredita que o partido falhou com o povo ao não protegê-lo de uma “tomada muçulmana” e o preço desta traição foram os ataques de sexta-feira –um carro-bomba detonado perto da sede do governo, em Oslo, e um tiroteio em um acampamento de jovens na ilha de Utoeya, que deixaram 76 mortos.

Breivik, definido como um fundamentalista cristão, islamófobo e ultradireitista, queria transformar a audiência desta segunda-feira em uma ampla declaração de suas crenças perante o juiz e a imprensa.

Ele afirmou em seu manifesto na internet, publicado antes dos ataques, que apareceria na corte de uniforme e faria uma longa defesa de sua tese.

A audiência, contudo, foi realizada a portas fechadas, um esforço para evitar que um palanque do extremismo. A sessão durou cerca de 35 minutos.

Segundo Geir Lippestad, advogado do acusado, Breivik acredita que seus crimes foram “atrocidades, mas necessários” e que não merece nenhum castigo por eles.

ATAQUES

Na primeira ação, um carro-bomba explodiu próximo à sede do governo, no centro de Oslo, matando oito pessoas. No segundo ataque, Breivik atirou contra os participantes de uma colônia de férias da juventude do Partido Trabalhista (no poder) na ilha de Utoya, 40 km a oeste da capital, provocando ao menos 68 mortes.

Os dois ataques foram cometidos com apenas duas horas de diferença. A hipótese mais sólida era de que o suspeito tinha ativado o carro-bomba que explodiu na capital para depois seguir em direção à ilha, situada a cerca de 40 quilômetros da capital.

Breivik disse à polícia de Oslo ter agido “sozinho” no massacre. Mas depoimentos de alguns sobreviventes deram a entender que poderia haver outro atirador.

Um documento de 1.500 páginas redigido aparentemente pelo norueguês revela que o ataque já era preparado desde o outono (boreal) de 2009.

O documento, publicado na internet diariamente, inclui um manual sobre como montar bombas e um discurso contra o Islã e o marxismo.

FONTE: Folha/Agências Internacionais

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OSLO, 22 Jul 2011 (AFP) -A explosão de uma ou duas bombas de grande potência próximo à sede do governo em Oslo e uma matança em uma colônia de férias trabalhista, que deveria receber a visita do primeiro-ministro, deixaram nesta sexta-feira vários mortos e feridos, em um ataque coordenado contra o coração da Noruega.

Segundo a polícia norueguesa, sete pessoas morreram e duas ficaram gravemente feridas em uma explosão ocorrida em pleno coração da capital do país, em um bairro onde está localizado o gabinete do primeiro-ministro Jens Stoltenberg, que não se encontrava no local nesse momento. De acordo com várias testemunhas, a polícia falou de “uma ou duas bombas”.

Quase no mesmo momento, um homem disfarçado de policial abriu fogo durante um encontro das juventudes trabalhistas em Utoeya, uma ilha na periferia de Oslo, informou a televisão pública NRK. A polícia confirmou o incidente na ilha, onde é realizada uma colônia de férias do Partido Trabalhista que receberia a visita do primeiro-ministro nesta sexta-feira. Além disso, as forças de segurança temem que haja explosivos depositados na área.

Um dos participantes declarou ao jornal Varden que tinha visto pelo menos quatro mortos. Segundo a imprensa local, que cita testemunhas, pelo menos dez pessoas foram assassinadas. O suspeito do ataque a tiros foi detido pela polícia, que acrescentou que ele está sem dúvida ligado ao ataque no centro da capital.

O primeiro-ministro norueguês concedeu declarações à imprensa para mostrar que estava são e salvo após o atentado e classificou a situação de “muito grave”. Ao que parece, este foi o primeiro atentado a bomba cometido na Noruega, país membro da Otan envolvido nas operações no Afeganistão e na Líbia.

O atentado foi praticado à tarde em pleno coração do bairro onde estão vários ministérios e a redação do jornal VG. Nas imagens das televisões norueguesas era possível ver a sede do gabinete do primeiro-ministro e outros edifícios completamente danificados e as calçadas cheias de estilhaços de vidro, assim como uma coluna de fumaça e várias ambulâncias amarelas.

“Vi que as janelas do edifício do VG (nome do jornal) e da sede do governo estavam estilhaçadas. Há pessoas ensanguentadas na rua”, declarou uma jornalista da rádio estatal NRK que estava no local. “Há vidro por todos os lados. É o caos total. As janelas de todos os edifícios nas imediações foram pelos ares”, acrescentou a jornalista da NRK Ingunn Andersen, que inicialmente pensou em um “terremoto”.

Um porta-voz da polícia instruiu os moradores de Oslo a “evitar as grandes concentrações” e permanecer em casa. “Várias dezenas” de pessoas foram hospitalizadas com ferimentos de vários níveis de gravidade, acrescentou.

O bairro foi cercado e cães da polícia farejavam o local em busca de outros explosivos, enquanto os bombeiros lutavam contra as chamas em meio a uma paisagem desoladora. Segundo uma fonte da polícia, um carro teria sido visto circulando a toda velocidade pouco antes da explosão, mas, por ora, não se fala de carro-bomba.

“Não temos uma teoria principal, nem sequer temos uma hipótese de trabalho”, declarou uma autoridade policial. O bairro em que ocorreu a explosão é central e muito movimentado, mas o suposto atentado aconteceu numa época em que muitos habitantes estão de férias fora da cidade.

O chefe de governo não estava em seu gabinete. “Tudo o que posso dizer a vocês é que o primeiro-ministro está em (lugar) seguro”, declarou Sindre Fosum Beyer, um de seus assessores. O governo norueguês realizará uma reunião de crise nesta sexta-feira à noite, anunciou o primeiro-ministro, entrevistado em um lugar secreto pela televisão estatal NRK.

Estados Unidos, União Europeia e Otan condenaram o atentado e apresentaram suas condolências e solidariedade à Noruega. O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, enviou condolências à Noruega e pediu aos países mais cooperação contra o terrorismo.

Obama afirmou que os ataques são “um lembrete de que toda a comunidade internacional tem o papel de prevenir este tipo de terror”. “Temos que trabalhar juntos de forma cooperativa na inteligência e em termos de prevenção deste tipo de ataques horríveis”, afirmou Obama. “Nossos corações estão com eles e forneceremos todo o suporte que pudermos”, disse Obama, que recebeu mais cedo um relatório sobre os ataques de seu principal assessor de contraterrorismo, John Brennan.

Já o presidente da União Europeia, Herman Van Rompuy, condenou a “covardia” do atentado e expressou solidariedade ao primeiro-ministro Jens Stoltenberg. O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, também manifestou a sua condenação a um ataque contra um país membro da Aliança Atlântica.

“Em nome da Otan, condeno nos termos mais enérgicos possíveis os atos de violência odiosos na Noruega”, declarou o secretário-geral da Otan. phy/dm

FONTE: Terra/AFP

Grupo islâmico assume autoria de atentado, diz o ‘New York Times’

New York Times

NOVA YORK – Um grupo terrorista chamado Ansar al-Jihad al-Alami (Auxiliares do Jihad Global) teria divulgado um comunicado assumindo a autoria do atentado a bomba na capital da Noruega. A informação foi dada ao jornal “New York Times” por Will McCants, especialista em terrorismo do instituto C.N.A.

Segundo o jornal, a mensagem diz que o ataque foi uma resposta à presença de forças norueguesas no Afeganistão e a insultos ao profeta Maomé. “Nós avisamos sobre mais ações desde o ataque em Estocolmo”, disse o comunicado do grupo, traduzido por McCants para o jornal, aparentemente se referindo a um atentado a bomba na capital sueca, em dezembro de 2010. “O que vocês viram foi apenas o começo, mais está por vir”.

O próprio “New York Times” lembra que a informação ainda não foi confirmada.

FONTE: O Globo

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A Al-Qaeda no Magrebe Islâmico (AQMI) informou neste domingo ter matado pelo menos 20 soldados da Mauritânia durante a ofensiva lançada há nove dias pelo Exército do país contra uma das bases do grupo terrorista na floresta de Wagadu, no norte do Mali.

Em comunicado divulgado pela agência de notícias de Nouakchott (ANI), a AQMI destacou que 12 dos 17 veículos militares mauritanos que participaram dos confrontos foram destruídos ou queimados, enquanto outros cinco fugiram. No domingo passado, um porta-voz do Exército mauritano informou em Nouakchott que 15 membros da AQMI e dois soldados mauritanos perderam a vida durante esta operação militar.

A fonte explicou que a base atacada estava protegida por trincheiras e minas e os terroristas se escondiam em abrigos subterrâneos. Durante esta ofensiva, realizada em coordenação com o exercito malinês, as forças mauritanas capturaram 14 supostos membros da AQMI. A Mauritânia mantém há anos uma disputa aberta com a AQMI, que ameaça regularmente atacar os funcionários do governo do país.

FONTE: Terra/AFP

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Sérgio Paulo Muniz Costa*

A publicação pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), sediado em Londres, da análise dos arquivos do computador do guerrilheiro Raul Reyes, morto no dia 1º de março de 2008 em território equatoriano, expôs como agendas políticas presidenciais condicionam ações de países sul-americanos em relação às FARC. Aponta-se ali desde cumplicidade de governos com a guerrilha colombiana até a carona midiática na libertação de reféns. Causadora de constrangimento em chancelarias da região, a divulgação noticiada não traz até aqui grandes novidades no front da segurança regional.

Mas fatos políticos (como esse) existem para provocar resultados e seria bom se o Brasil prestasse atenção ao recado embutido em relação “ao seu quintal”. O tal do quintal, para ficar apenas no doméstico, é um vasto território com enormes anecúmenos, pontilhado de cidades problemáticas, onde o estado tem dificuldades para impor a lei, e articulado com vizinhos assolados por guerrilhas e criminalidade que configuram ameaças à nossa segurança.

Para completar o horizonte carregado, aduza-se uma copa do mundo, uma olimpíada e um terrorismo internacional nada preocupado com o politicamente correto. Nesse quadro, as recentes decisões do estado brasileiro sobre extradição, fronteiras, defesa e segurança pública podem estar enviando sinais errados quanto à determinação do país em exercer soberanamente suas responsabilidades pela segurança nacional, e por que não dizer, regional.

Tudo indica que seja necessária uma corajosa revisão do processo decisório governamental imbricado nas áreas de defesa, segurança e relações internacionais. Um governo democrático se sustenta em partidos, claro, mas a política de estado que lhe cabe implementar desaconselha a ação de grupos de pressão numa área onde estados tomam decisões baseadas em elaborado cálculo. O fiasco brasileiro em Honduras deveria servir de lição.

A tradicional bonomia brasileira não irá conjurar os riscos que rondam o país.
Tampouco a militância ideológica que se espraia pelos poderes da República e os constrange na conveniência da imagem irá contribuir para as decisões substantivas que se avizinham. No cenário imediato, não é razoável imaginar que abrir mão de poder militar dissuasório, esterilizar fronteiras com terras indígenas ou tergiversar sobre terrorismo manterá o equilíbrio precário entre a política e a demanda social por segurança.

Quintal sem cerca e sem dono vira terreno baldio, algo que vale para as relações de bairro e internacionais. Mas o vazamento mais grave do guerrilhaleaks talvez não tenha sido o rol de inconfidências reveladas no computador capturado, e sim a água que vem fazendo a iniciativa brasileira de promover uma união de nações sul-americanas e sua correspondente estrutura de defesa e segurança, já tida por legítima e louvável. Ela não deveria chegar a um admirável lugar nenhum.

* Sérgio Paulo é Historiador, membro do CPE da UFJF, pesquisador de Segurança e Defesa do CEBRI e responsável pela Clio Consultoria Histórica. Foi Delegado do Brasil na Junta Interamericana de Defesa, órgão de assessoria da OEA para assuntos de segurança hemisférica.

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