Em encontro em Brasília, ministros da Defesa dos dois países concordaram em aprofundar cooperação nas áreas de capacitação profissional, material militar e de proteção de fronteiras

 

Brasília, 24/01/2012 — Os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e do Suriname, Lamure Latour, acertaram uma maior cooperação entre os dois países na área militar, no combate ao crime transnacional e na área de capacitação profissional. Durante o encontro, ambos manifestaram o desejo de ampliar os laços existentes, estabelecidos desde 1982.

Ao final do encontro, o ministro Celso Amorim ressaltou sua crença numa ordem multipolar e acrescentou que espera ter no Suriname um de seus amigos mais importantes. O ministro Lamure Latour, por sua vez, destacou a importância brasileira no processo de formação da Força de Defesa do Suriname e no desenvolvimento econômico do país vizinho.

Reequipamento

O Suriname passa por um momento de reestruturação de seu componente militar. O ministro manifestou interesse em aviões de ataque leve e navios-patrulha entre 200 e 500 toneladas. Ontem (23/01) a comitiva visitou as instalações da Embraer em São José dos Campos (SP).

“Ficamos muito impressionados com o Super-Tucano e a capacitação brasileira no setor aeroespacial, reconhecida internacionalmente”, disse o ministro Lamure Latour durante a reunião de trabalho das duas delegações.

Segundo o ministro surinamês, seu país está interessado em produtos da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron). Além de navios-patrulha, haveria interesse em lanchas leves. Também foi colocada a necessidade de renovação da frota de viaturas leves e de caminhões.

O ministro Celso Amorim solicitou ao secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Murilo Barboza, que avalie, junto às autoridades competentes, a possibilidade de abertura de linhas de crédito para suprir as demandas do Suriname.

Modernização

Durante a década de 1980, o Suriname adquiriu uma frota de veículos blindados de reconhecimento, Cascavel, e de transporte, Urutu, fabricados pela Engesa, empresa que teve sua falência decretada pela Justiça na década de 1990. “Esses veículos precisam ser modernizados de maneira a voltarem para a ativa”, afirmou o ministro Latour.

Em resposta, Celso Amorim afirmou que vai estudar a possibilidade de obter recursos financeiros, componentes e mão de obra para viabilizar o trabalho. O Brasil já desenvolve esforço semelhante para manter sua frota de blindados fabricada pela Engesa.

O ministro brasileiro também examinaria, junto à Agência Brasileira de Cooperação, organismo ligado ao Ministério das Relações Exteriores, a possibilidade de apoio para a construção da nova sede do Colégio Nacional de Defesa do Suriname em Paramaribo.

“Estamos dispostos a colaborar no que depende de nós: pessoal para treinamento e instrução”, ressaltou.

Por último, ficou acertada também a ampliação do intercâmbio existente entre os centros de preparação militar dos dois países com maior troca de experiência e participação de alunos. O ministro Amorim destacou a excelência do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e declarou-se satisfeito com a grande presença de militares surinameses nas escolas militares brasileiras.

Proteção da Amazônia

A delegação surinamesa solicitou acesso aos dados do satélite sino-brasileiro CBERS, de sensoriamento remoto. Também mostrou interesse em estabelecer um mecanismo de troca de informações obtidas pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Destacou que, por injunções econômicas, ainda não pode montar uma rede de radar de vigilância aérea, mas que considera o projeto indispensável para combater ilícitos transnacionais.

O ministro Latour colocou a possibilidade de realização de exercícios conjuntos dos dois países na área de fronteira e solicitou apoio brasileiro para a construção de uma pista de pouso no sul do Suriname de maneira a ampliar a presença do Estado na região.

Comitivas

A comitiva surinamesa chegou às 10h40 de hoje. Depois de receber as honras militares, o ministro Latour cumprimentou seu colega brasileiro. As delegações se reuniram durante uma hora no oitavo andar do Ministério da Defesa. O encontro reuniu a cúpula militar dos dois países.

Participaram do lado brasileiro o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general-de-exército José Carlos de Nardi; os comandantes da Marinha, almirante-de-esquadra Júlio de Moura Neto; do Exército, general-de-exército Enzo Martins Peri; e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Juniti Saito; e dos secretários de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Murilo Barboza; de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais, tenente-brigadeiro Marco Aurélio Gonçalves Mendes, e de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia, almirante de esquadra Gilberto Max Roffé Hirschfeld.

Integraram a delegação surinamesa, além do ministro, o diretor de Defesa, John Ashong; o chefe do Estado Maior da Força de Defesa, Ronni Benschop; o diretor do Departamento de Defesa, Planejamento Estratégico e Educação, tenente-coronel Johnny Antonius, e o chefe de Planejamento e Recursos Humanos, tenente-coronel Mitchel Labadie.

Fotos: Felipe Barra
Ministério da Defesa
Assessoria de Comunicação Social

Os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e da Colômbia, Juan Carlos Pinzón Bueno, criaram a Comissão Binacional de Defesa, em reunião realizada nesta terça-feira (17), em Brasília.

O objetivo da comissão é aumentar a troca de informações entre os órgãos de inteligência dos países, especialmente sobre a Amazônia e as perspectivas regionais em matéria de defesa.

Ainda não há informações sobre como a comissão deverá funcionar. As Forças Armadas de cada país deverão se reunir nos próximos dois meses para discutir os detalhes do projeto de cooperação.

“Devemos seguir trocando informação de inteligência entre os governos, discutir um centro integrado de informação para a Amazônia e analisar sob uma perspectiva mais regional o crime transnacional. Estamos centrados em proteger cidadão e negar a mobilidade nos espaços em zonas fronteiriças”, afirmou o ministro Pinzón.

Em maio do próximo ano, Amorim e Pizón se encontrarão em Cartagena, na Colômbia, devido à reunião do Conselho de Defesa da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), e aproveitarão a oportunidade para discutirem os desdobramentos da comissão.

“Nossa visão no continente é de cooperação. Dissuasão é uma visão para fora. Se temos de defender nossos recursos naturais, temos de ter essa visão”, disse Amorim.

INDÚSTRIA DE DEFESA

Na reunião, os ministros ainda discutiram a possibilidade de fortalecer a indústria de defesa no âmbito da América do Sul.

“Fala-se muito da integração das cadeias produtivas do continente. Que isso passe também para a área de defesa. Estamos trabalhando em projetos importantes, como a compra de aviões brasileiros pelas forças armadas da Colômbia e, possivelmente, de cargueiros KC-390. O Brasil também tem interesse em lanchas fluviais colombianas”, afirmou Amorim.

Em fevereiro, uma missão conjunta da Marinha e do Exército irá à Colômbia para examinar as lanchas e verificar se o equipamento preenche aos requisitos e às necessidades brasileiras.

Além das compras, ambos os países examinaram a elaboração de um projeto conjunto de construção de navio fluvial e de veículos aéreos não tripulados.

Pizón informou que pretende formar uma cúpula binacional de empresários para formar alianças estratégicas e apresentar alternativas de geração de emprego no setor. O ministro ainda se encontrará, nesta terça-feira, com o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

FONTE: Folha de São Paulo


  A “Guardia Nacional”, quarto componente das Forças Armadas Nacionais da Venezuela, está incorporando novo armamento individual. Assim, efetivos do Comando Nacional da Guarda do Povo (organismo de segurança cidadã), se exibiram  recientemente, em uma solenidade militar, portando carabinas Beretta Cx4 Storm, de fabricação italiana, substituindo os seus fuzis de assalto russos Kalashnikov AK-103, que é a arma longa padrão dos quatro componentes das Forças Armadas Nacionais.

Storm pesa 2,575 kg contra os 3,40 kg do AK-103, e mede 18 cm menos que o fuzil russo, sendo portanto uma arma mais apropiada a operações de segurança urbana. Outra vantagem é que utilizam o calibre 9×19 mm Parabellum, o mesmo das pistolas Imbel e FN/Browning, que também equipam os guardas nacionais.

 

Fonte:  Carlos E. Hernández, Caracas. (Infodefensa.com)

 

Apresentado oficialmente ontem, o avião poderá ser usado também em outras áreas, como o quadrilátero da maconha

Fabiula Wurmeister

FOZ DO IGUAÇU (PR). Três veículos aéreos não tripulados (Vants) serão empregados pelo governo federal para o monitoramento ininterrupto da tríplice fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina. O anúncio foi feito ontem em São Miguel do Iguaçu, a 30 quilômetros de Foz do Iguaçu (PR), pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, no início oficial das operações do primeiro avião espião, cuja missão será monitorar a região 24 horas por dia.
- É impossível se pensar em políticas de segurança pública sem integração. Esse imenso desafio que temos, de proteger as fronteiras, também dificilmente será vencido sem tecnologia, algo que o crime percebeu há muito tempo – declarou o ministro, acrescentando: – O Vant vem agora para ficar.

As aeronaves israelenses, promessa de campanha da presidente Dilma Rousseff para combater o tráfico na fronteira, vêm sendo testadas na fronteira desde 2009 e custam o equivalente a US$40 milhões cada uma. Elas são controladas, à distância, pelo piloto de uma base em solo.

De acordo com o delegado Alessandro Moretti, do Centro Integrado de Inteligência Policial e Análise Estratégica (Cintepol), os custos incluem o avião, a base operacional, peças de reposição, a capacitação dos agentes e os direitos de transferência da tecnologia.

- Apesar de, aparentemente, ser alto, é preciso ter em conta o custo-benefício desse tipo de ferramenta. Se comparado ao custo de voo de uma aeronave convencional, o do Vant chega a ser dez vezes menor, com eficiência e segurança nas ações muito maiores – disse Moretti.

Inicialmente, o projeto previa a instalação de bases fixas na região de Foz do Iguaçu, considerada um dos pontos mais vulneráveis dos mais de 16 mil quilômetros de fronteira que o país divide com dez países. Outras bases poderiam abranger Amazônia, Brasília, o chamado quadrilátero da maconha, em Pernambuco, além de São Paulo e Rio.
- Começaremos o trabalho nesta região. Assim que reforçarmos o efetivo da Polícia Federal, outros pontos críticos serão atendidos. Mas ainda não há prazo para isso – disse Cardozo.

Pioneiro no uso deste tipo de aeronave não tripulada em ações de segurança pública, o Brasil prevê a compra de 14 aviões espiões. Em outros países, os VANTs são empregados em operações exclusivamente militares. Com autonomia de 37 horas de voo ininterruptas, abrangendo um raio de até 1,5 mil quilômetros e podendo chegar a dez mil metros de altura, auxiliará a Polícia Federal e demais órgãos de fiscalização no combate de crimes transnacionais, como tráfico de drogas e de armas, contrabando e crimes ambientais.

As imagens registradas pelo Vant e informações geradas pelos centros de inteligência brasileiros poderão ser compartilhadas com órgãos de segurança dos países vizinhos para as ações integradas no combate à criminalidade.
- Isso já vêm sendo negociado em acordos bilaterais, por exemplo, com o Paraguai, Argentina e Bolívia – adiantou Moretti.

O aparelhamento das forças de segurança para a produção de provas qualificadas contra o crime também faz parte do plano de ação do Cintepol.

FONTE: O Globo

No início de setembro, a presidente Dilma Rousseff é esperada em Curitiba, no Paraná, para o início das operações dos Veículos Aéreos Não Tripulados (VANTs) da Polícia Federal. Fabricados em Israel, vão patrulhar as fronteiras.

FONTE: Isto É

O presidente da Funai, Marcio Meira, visitará hoje a base da Frente de Proteção Etnoambiental do Rio Envira na fronteira do Acre com o Peru, que foi atacada e tomada por narcotraficantes armados no fim de julho. A base, mantida pela Funai desde 1987, visa a proteger povos indígenas isolados e seus territórios.

Na sexta-feira, ação conjunta da Polícia Federal, do Exército e da Secretaria de Segurança Pública do Acre conseguiu retomar a base e prender o português Joaquim Antônio Custódio Fadista, condenado por tráfico de drogas no Brasil e em Luxemburgo.

Meira tenta articular com o Ministério da Defesa medidas de proteção para a faixa de fronteira com o Peru, que abriga grande número de índios isolados. A região forma um corredor de mais de 630 mil hectares de florestas na fronteira e é alvo de exploradores de madeira ilegal e narcotraficantes.

FONTE: O Estado de S. Paulo

Brasília, 26/07/2011 – Prestes a assinar um plano binacional com a Colômbia, o Brasil decidiu envolver o Peru nas conversações sobre ações conjuntas de proteção às fronteiras. Brasil, Colômbia e Peru dividem um limite amazônico comum, à margem do rio Solimões (AM). Selvas e rios dessa tríplice fronteira têm sido utilizados com frequência em atividades ilícitas, em especial aquelas ligadas ao narcotráfico e ao contrabando.

“O Brasil tem um excelente relacionamento internacional na área de Defesa com o Peru. Ambos os países estão empenhados em estabelecer um melhor controle na região fronteiriça”, afirma o chefe do Estado Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi.

Nesta terça-feira (26), De Nardi reúne-se em Lima com seu contraparte peruano, o general Luis Ricardo Howell Balena, para informar as bases do plano binacional de segurança fronteiriça com a Colômbia. As conversações se dão no âmbito do Plano Estratégico de Fronteiras (PEF), lançado pelo governo brasileiro no início de junho.

Capitaneado pelos ministérios da Defesa e da Justiça, o PEF prevê a atuação integrada entre órgãos de segurança pública e as Forças Armadas na repressão aos ilícitos, além de ações de cooperação com países vizinhos para intensificar a fiscalização nas fronteiras.

Os acordos bilaterais são importantes tendo em vista a especificidade dos delitos fronteiriços. Como esses ilícitos normalmente iniciam num país e são consumados em outro, é mais difícil articular as ações de combate ao crime – tanto em termos práticos, quanto do ponto de vista legal. Os acordos bilaterais dão viabilidade jurídica e operacional a essas ações.

O plano binacional com a Colômbia deve ser assinado na primeira semana de agosto. A intenção é criar uma espécie de blindagem, ao longo dos 1.645 km de fronteira entre os dois países, que iniba a atuação de criminosos e permita que as comunidades que vivem na região possam se integrar social e culturalmente.

Segundo o general De Nardi, o Brasil respeita a soberania dos países limítrofes. Por isso, não tomará nenhuma iniciativa que possa criar dificuldades para as nações vizinhas. “Estamos trabalhando no sentido de promover maior coesão com esses países”, diz. “Só com ações conjuntas teremos condições de superar esse enorme desafio que é transformar as fronteiras em espaços de maior integração”.

Nos últimos anos, Brasil e Peru têm intensificado a cooperação em matéria de vigilância na fronteira amazônica. Em 2009, os dois países assinaram o “Compromisso de Rio Branco”, declaração conjunta com uma série de medidas para a integração fronteiriça, como o incremento da cooperação na vigilância do espaço aéreo e as jornadas bilaterais cívico-militares nas bacias dos rios comuns.

O acordo com a Colômbia, por sua vez, será o primeiro a ser assinado pelo Brasil após o lançamento do Plano Estratégico de Fronteiras. A intenção do governo é usá-lo como modelo, estendendo esse tipo de negociação com os outros nove países com os quais o Brasil faz fronteira.

FONTE: Ministério da Defesa

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