Federalismo: realidades

por José Celso de Macedo Soares*

Aqueles que se preocupam com a boa organização política do país, os adeptos de que no Brasil esteja em funcionamento legitima Federação, dentre os quais me incluo, vêem com tristeza o centralismo imperante no Brasil de hoje. Esta tendência vem de longe. Um pouco de história. Por ocasião da Constituinte de 1823, os Andradas, figuras dominantes no plenário, propuseram que as bases da organização do país fossem os municípios, numa evidente tentativa de estabelecer a Federação. Foi o suficiente para que o absolutista. Pedro I fechasse a Assembléia e mais tarde promulgasse a Constituição de 1824, totalmente centralizadora do poder. Basta dizer que cabia ao Imperador nomear os Presidentes das Províncias e, fazendo uso de seu Poder Moderador, destituir ministérios que não se “comportassem” bem perante à Majestade. Mais tarde, depois da abdicação de Pedro I, a Regência tentou concertar as coisas editando o Ato Adicional de 1834 que era eminentemente descentralizador, aumentando o poder decisório das Províncias. Durou pouco. Em 1840 os Regentes de então,sob a influencia do Partido Conservador, promulgaram a Lei de Interpretação do Ato Adicional, anulando os efeitos do Ato e voltando à centralização do Poder. E, assim chegamos ao fim do Império.

Proclamada a Republica anunciamos nossa adesão ao Federalismo. “ Estados Unidos do Brasil”foi o novo nome do país.Tentativa de copia da federação dos Estados Unidos. Mas, só no papel. O sistema tributário concentra os poderes nas mãos do Presidente da República. Chegamos à 1930. Revolução.Constituição de 1934. A mesma coisa. As pobres comunas municipais sem recursos. 1937. Estado Novo. Getulio Vargas queima as bandeiras dos Estados. Quer demonstração mais eloqüente de centralismo? Constituições de 1946 e 1988 a mesma coisa. Dos tributos arrecadados, a União fica com 70%, os Estados com 25% e os pobres Municípios, onde moram os cidadãos , com 5%. É a centralização, Estados e Municípios dependendo dos favores do Presidente da Republica, neste orçamento federal autorizativo e não impositivo. Passam-se os anos e o Presidente da Republica nada mais é que o substituto do rei de Portugal, tal as benesses que pode fazer aos pobres Estados e Municípios pois, detêm a chave da bolsa. Daí a corrupção resultante, os “mensalões”, verbas a ONGs ligadas a partidos amigos, ao MST,etc.,etc. Todo governo centralizado tem propensão ao autoendeusamento e a se considerar acima da lei e da moral,como estamos vendo com o governo Lula, “o melhor governo que o Brasil já teve desde Pedro Álvares Cabral.” Sem comentários…

Brasileiros, entretanto, que não concordam com esta situação têm procurado através de instituições, como por exemplo, o “Instituto Federalista”, lutar contra este estado de coisas, procurando estabelecer legitima Federação no Brasil.Não será fácil lutar contra os interesses já estabelecidos. Assim proponho começar por partes,iniciando com a infraestrutura de transportes:

a) Rodovias federais. A conservação dos trechos dentre cada Estado deveria ser tarefa do respectivo Estado. Para isto, a CIDE, imposto criado para tal, deveria ser automaticamente recolhido pelo mesmo. Isto estimularia a competição entre Estados mostrando quais os mais eficientes no assunto. Alem do mais a privatização destes trechos deve ser meta.
b) Portos. A administração dos portos deve caber aos municípios em que estão situados. É o que acontece nos grandes portos do mundo como Rotterdam, Hamburgo, New York, para só citar alguns. Sempre que possível sua administração deve caber à iniciativa privada em regime de concessão;
c) Aeroportos: A administração também deve caber aos municípios onde estão localizados e sempre que possível devem ser privatizados;
d) Terminais ferroviários e rodoviários. A administração deve passar para os municípios e sempre que possível privatizados.

Estas são algumas pinceladas , bom inicio para reforçar a Federação. Mas, mesmo o que aqui proponho nestas linhas, não será fácil. Embora os Estados sejam a favor, a União não quer abrir mão destes poderes. Dão emprego…

Autonomia tributária dos Estados e Municípios, descentralização do Judiciário, são outras medidas importantes e urgentes a tomar. Precisamos de estadistas na vida pública para fazer a Federação funcionar. E estes são escassos no nosso atual meio político. Termino com o que dizia James Clarke: “Um político pensa na próxima eleição: um estadista, na próxima geração”.

José Celso Macedo de Soares é almirante, empresário, escritor. e-mail – 2/2/2009

NOTA DO FORTE: Publicamos esse artigo em homenagem ao almirante José Celso Macedo de Soares, que faleceu no dia 29.2.2012.

Policiais, Bombeiros e agentes penitenciários do Rio de Janeiro prometem antecipar a paralisação das categorias, inicialmente prevista para o próximo dia 10, caso “qualquer covardia” seja cometida contra os agentes que participam do movimento grevista na Bahia. O Exército foi convocado pelo governo estadual para desocupar a Assembleia Legislativa, onde os grevistas acampam desde terça-feira. Helicópteros e blindados apoiam a ação.

“O movimento em prol da DIGNIDADE dos Bombeiros e Policiais do Estado do Rio de Janeiro vem informar que qualquer covardia cometida contra os militares da Bahia, e seus familiares, que estão ocupando a Assembléia Legislativa de lá, ocasionará a deflagração da GREVE GERAL no Rio de Janeiro antes do previsto.”, diz a nota publicada em um blog do movimento SOS PMERJ.

Neste domingo, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, emitiu um comunicado no qual tenta convencer os policiais de que a paralisação não é a melhor forma para reivindicar melhores condições de trabalho, Segundo ele, que disse acreditar que a maioria dos policiais irá trabalhar normalmente no dia 10, a greve dificilmente “irá trazer benefícios” para os agentes.

Beltrame também lembrou que há uma série de aumentos programados para a área de segurança pública nos próximos anos e que a melhoria nas condições de trabalho das categorias deve ser gradual e racional. Entre os agentes, o parcelamento dos aumentos salariais é conhecido como “aumento Casas Bahia”.

Caso a greve se confirme, a tendência é que o Batalhão de Choque e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) sejam acionados emergencialmente, já que a greve não é unânime entre eles. Isso acontece porque os dois são os batalhões que recebem as melhores gratificações da corporação.

FONTE: JB Online / IMAGEMSOS PMERJ

Manaus (AM) – No dia 31 de janeiro, o Ministro da Defesa, Embaixador Celso Amorim, visitou o Centro de Embarcações do Comando Militar da Amazônia (CECMA), acompanhado das seguintes autoridades: Comandante do Exército, General de Exército Enzo Martins Peri; Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, General de Exército José Carlos de Nardi; Chefe de Assuntos Estratégicos do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Tenente Brigadeiro Marco Aurélio Gonçalves Mendes; Comandante Militar da Amazônia, General de Exército Eduardo Dias da Costa Villas Bôas e de Oficiais Generais da guarnição de Manaus.

Nesta oportunidade, foi realizada uma demonstração, empregando as Embarcações Táticas de Grupo (Guardian 25) recentemente adquiridas pelo Exército, em uma simulação de bloqueio fluvial. Ao final da demonstração, as embarcações empregadas no evento foram apresentadas à comitiva.

Tropas cercam prédio e tentam conter homens que querem se juntar a grevistas

 

SALVADOR – Homens do Exército cercaram por volta das 7h desta segunda-feira a Assembleia Legislativa da Bahia, onde estão concentrados desde quarta-feira policiais militares que fazem uma greve no estado. Para se juntar aos policiais que estão no interior no prédio, um grupo de grevistas tentou ultrapassar o bloqueio feito pelos militares e foi contido pela polícia do exército e pela tropa de paraquedistas com balas de borracha e gás de pimenta. Um dos homens foi atingido nos dois pés e o outro foi alvejado na barriga.

Sem conseguir entrar no prédio, os PMs se deslocaram para um outro ponto e foram seguidos de perto por homens do Exército, que usam escudos e capacetes protetores. Logo depois, os grevistas do lado de fora começaram a provocar as tropas das Forças Armadas, passaram a caminhar em círculo , fazendo com que os militares fizessem o mesmo movimento. Além dos homens em terra, dois helicópteros sobrevoam o local em círculos.

Por volta das 8h40m, os militares reagiram novamente com balas de borracha e gás de pimenta contra os manifestantes. O embate aconteceu na área que o próprio Exército havia separado para os profissionais da imprensa.

Polícia quer prender na ação 11 policiais líderes da paralisação

Foi possível avistar armas nas mãos de dois grevistas que estão dentro da Assembleia Legislativa. Em meio ao clima tenso, um rapaz conseguiu romper o cerco da polícia e chegou à rampa de acesso à Assembleia.
É possível que a desocupação do prédio comece a qualquer momento. Para isso, cerca de mil homens do Exército, além de homens da Polícia Militar, da Coordenadoria de Operações Especiais da Polícia Civil baiana e da Polícia Federal, fazem agora um cerco ao local. Veículos blindados das Forças Armadas, chamados Urutus, foram trazidos. O objetivo da operação, segundo o Coronel Márcio Cunha, porta-voz da 6ª Região Militar, é “isolar a Assembleia Legislativa com a finalidade de permitir o livre acesso de pessoas a essa área, a realização de negociação para a desocupação da Assembleia e a execução de mandados de prisão expedidos pela Justiça”.

Um dos objetivos da ação é prender 11 militares considerados líderes da paralisação e que estão com mandado de prisão expedido pela Justiça. A Justiça havia expedido 12 mandados, mas um deles foi cumprido na madrugada de domingo, com a prisão de Alvin dos Santos Silva, lotado na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (COPPA). Segundo nota do governo, ele foi detido pelo comandante da própria companhia, major Nilton Machado, por formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (viaturas). O policial também responderá a um processo administrativo na corporação. Alvin foi encaminhado para a Polícia do Exército. Com a prisão dele, a polícia cumpre o primeiro dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Um dos grevistas destes militares que estão com mandado de prisão expedido é o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e de seus familiares (Aspra), o soldado Marco Prisco. Advogado do Centro de Apoio Jurídico dos Policiais Militares Associados, David Esmeraldo defende os grevistas e deu uma lista com 11 nomes de policiais que tiveram o mandado de prisão expedido pela Justiça. São eles: Marco Prisco, Alessandro Reis, Fábio Brito, Alvin Silva (preso na madrugada de domingo), Edianário Santos, os sargentos Marcos Vinícius e Elias, os soldados Josafá, Augusto Júnior e Gilvan, além do cabo Orenfeld.
Esmeraldo disse ainda que já foi pedido um habeas corpus preventivo para estes militares, mas a Justiça negou.

Os grevistas, muitos deles armados e usando touca ninja, prometem resistir. Há mulheres e crianças entre os ocupantes do prédio. Em entrevista coletiva na noite de domingo, o presidente da Assembleia, deputado Marcelo Nilo (PSDB), pediu ao comando das forças de segurança que assumiram o policiamento da capital baiana e de outras cidades durante a greve que determinassem a desocupação do prédio até a meia-noite para que o expediente começasse normalmente na manhã desta segunda-feira.

No início da noite, a luz foi cortada no prédio, e Marco Prisco conclamou os grevistas a resistirem, recomendando que não usassem armas de fogo.

Desde o início da greve, foram registrados 89 homicídios

Quarenta homens do Comando de Operações Táticas, a “tropa de elite” da Polícia Federal chegaram à cidade por determinação do governo federal.

Marcelo Nilo pediu ao general Gonçalves Dias, comandante das forças de segurança na Bahia, na 6ª Região Militar do Exército, apoio para a retirada dos grevistas do prédio da Assembleia, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Nilo afirmou que não admite que o prédio seja usado para “abrigar fugitivos da Justiça com mandado de prisão em aberto”:

— A Assembleia está funcionando de forma precária, os funcionários estão faltando ao serviço, há homens armados pelos corredores, pelas rampas de acesso e utilizando os banheiros. Já perdi a paciência, desde sexta-feira tentamos uma maneira pacífica para desocupar o local.

Já o general Gonçalves Dias disse que está fazendo tudo para facilitar as negociações, mas que cabe ao governo do estado conduzir o diálogo com os grevistas:
- Não quero que haja morte aqui, não quero que haja confronto.

Por volta das 21h de domingo, Prisco desceu a rampa da Assembleia e disse aos manifestantes ter recebido uma contraproposta do “coronel Castro”. Segundo ele, a proposta contemplava anistia para todos os policiais, pagamento parcelado de dois tipos de gratificação e a revogação de 11 dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça, menos o dele. A proposta foi rejeitada pelos grevistas.

Desde que a greve começou, terça-feira passada, foram registrados 89 homicídios em Salvador e Região Metropolitana, de acordo com boletins da Superintendência de Telecomunicações das Polícias (Stelecom).
Nos seis primeiros dias de greve, o número de homicídios na capital e Região Metropolitana aumentou 129% em comparação ao mesmo período da semana anterior.

Escolas em férias forçadas

Cerca de 450 escolas da rede privada no estado devem continuar em férias forçadas. O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinep-BA), Natálio Dantas, confirmou ter emitido recomendação para que as escolas particulares da Bahia só retornem às aulas após o fim do motim de policiais militares. O grupo educacional que reúne os colégios São Paulo, Anchieta e as unidades Anchietinhas confirmou que acatará a orientação do sindicato, suspendendo as atividades nesta segunda-feira.

— Os pais devem usar o nosso site como canal de comunicação. Nossa preocupação é a segurança dos alunos durante o trânsito deles — afirmou Antônio Bamberg, diretor técnico e pedagógico das escolas que somam 4,5 mil estudantes na capital.

Na rede pública estadual, cerca de um milhão de estudantes e 40 mil professores voltam às aulas nesta segunda-feira, em meio ao cenário conturbado da segurança pública, devido à paralisação de parte de efetivo de 32 mil policiais militares. O secretário estadual da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa, garantiu que o retorno escolar ocorrerá normalmente, garantido pela presença de homens do Exército e de policiais militares não amotinados. Não informou, contudo, quantos homens atuarão na segurança dos colégios estaduais:

— Há um centro de operações à disposição das forças, e o gabinete emergencial já está funcionando. Temos uma parcela ínfima de grevistas, bem menor que o número do início.
Já o secretário municipal de Educação de Salvador, José Carlos Barcelar, afirmou que pediu a cada diretor para avaliar se sua escola tem ou não condições de dar início às aulas. O retorno das férias estava marcado para esta segunda-feira. A rede municipal de ensino da capital baiana tem 425 escolas e 160 mil alunos.

Um terço do efetivo policial da Bahia está em greve

A estimativa inicial do governo é que um terço (pouco mais de dez mil policiais) do total de PMs tenha parado. Sem dar detalhes da distribuição do efetivo pela capital e pelo interior, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Nardi, afirmou que mais de três mil homens estão na Bahia, “a maior massa” já empregada nessas operações.
O líder da greve e presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e dos seus Familiares do Estado Bahia (Aspra) passou mal na noite de sábado e precisou ser acompanhado por uma enfermeira. Ele sofre de problemas e recebeu medicação intravenosa.

O governador Jaques Wagner, por intermédio de sua assessoria de imprensa, negou que tenha ajudado, em 2001, a greve dos policiais militares, acusação feita sábado por Prisco.
— Essa informação é absurda. O governador tem uma carreira política amplamente conhecida pela sociedade. A responsabilidade e o compromisso com a democracia são alguns dos seus princípios de ação na vida pública — disse o porta-voz Ipojucã Cabral.
Sábado, a secretaria de Segurança recuperou as 16 viaturas que estavam em poder dos grevistas.

FONTE: O Globo / FOTO: Reuters

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Rússia e China deram ao governo sírio “licença para matar” com o veto à proposta de resolução da ONU, segundo ativistas da oposição.

 

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne diversos grupos contrários ao governo, pediu que Moscou e Pequim reconsiderem a decisão.
“O CNS considera ambos os países responsáveis pelo agravamento das mortes e genocídio, e considera este passo irresponsável uma licença para que o regime sírio mate sem ser responsabilizado”, disse uma declaração divulgada pelo grupo.
A ativista iemenita e vencedora do prêmio Nobel da Paz Tawakul Karman também afirmou que os dois países passaram a ter responsabilidade moral pelas mortes na Síria.
Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, rejeitaram a proposta de resolução que defendia “uma transição política, liderada pela Síria, para um sistema político democrático e plural”.

‘Indignados’

O veto já havia sido duramente criticado por diplomatas ocidentais, que se disseram “indignados” e “horrorizados” com a rejeição do texto.
A proposta de resolução – que contava com o apoio dos outros 13 integrantes do Conselho e da Liga Árabe, representante dos países da região – era considerada por analistas como o esforço mais importante feito até agora pela ONU para solucionar a crise na Síria.
A decisão aconteceu em um dos dias mais sangrentos desde o início do levante contra o governo de Bashar al-Assad, há 11 meses.
Grupos rebeldes e ativistas dizem que um ataque militar contra a cidade de Homs na madrugada de sábado teria deixado dezenas de civis mortos.
Um grupo de oposição disse ter conseguido confirmar 62 vítimas fatais na cidade, enquanto outras organizações falaram em mais de 200.
A mídia estatal síria negou que tenha havido uma ofensiva militar em Homs e acusou a oposição de ter inventado os ataques. A imprensa oficial também elogiou o veto de Rússia e China, alegando que ele será um incentivo para as reformas políticas prometidas pelo governo.

Aliados

A Rússia é o principal aliado da Síria no Conselho de Segurança da ONU e já tinha afirmado que iria vetar a resolução.
O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, criticou a proposta de resolução da ONU que, segundo ele, tinha medidas apenas contra o presidente Bashar al-Assad e não previa punições aos grupos de oposição armados.
Lavrov deve se reunir com Bashar al-Assad em Damasco na terça-feira, junto com o chefe do Serviço de Inteligência Internacional da Rússia, Mikhail Fradkov.
Mohammed Loulichki, embaixador do Marrocos na ONU e único membro árabe do atual conselho da ONU, afirmou que estava profundamente “decepcionado” com o veto de Rússia e China à resolução.
A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, afirmou que o veto foi “vergonhoso” e mostrou que os russos e chineses “protegem um tirano”.
“Qualquer derramamento de sangue estará nas mãos deles”, acrescentou Rice.
O enviado da Grã-Bretanha à ONU, Mark Lyall Grant, afirmou que os britânicos estão “chocados” com a rejeição da resolução.
“É um dia triste para o conselho, um dia triste para todos os sírios e um dia triste para a democracia”, disse o embaixador francês na ONU, Gerard Araud.
A ONU parou de estimar o total de mortos durante os confrontos na Síria quando o número chegou a 5,4 mil, em janeiro, alegando que era muito difícil confirmar os dados.
O governo sírio diz que pelo menos 2 mil integrantes das forças de segurança foram mortos “lutando contra gangues armadas e terroristas”.

FONTE: BBC Brasil / FOTO: AFP

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Robert Fisk escreve: “um ataque a Teerã seria loucura. Por isso mesmo, não exclua a possibilidade”

 

Tradução: Vila Vudu

Se Israel atacar o Irã esse ano, Israel – e os EUA – darão prova de serem ainda mais doidos do que seus inimigos acreditam que sejam. Sim, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente iraniano, é doido, mas Avigdor Lieberman, que parece ser ministro dos Negócios Exteriores de Israel, também é. Talvez queiram fazer favores um ao outro.

Mas por que Israel bombardearia o Irã, e atrairia sobre a própria cabeça a fúria simultânea do Hezbollah libanês e do Hamás — sem falar na Síria? E, isso, também sem lembrar que Israel atrairia para o fundo do mesmo buraco e para o mesmo tiroteio o ocidente – a Europa e os EUA.

Talvez seja porque vivo no Oriente Médio há 36 anos, mas pressinto alguma tramóia no ar. Até Leon Panetta, nada menos que secretário de Defesa dos EUA, anda dizendo que Israel talvez ataque o Irã. E também a CNN – e seria difícil achar mais antiga criadora de tramóias –, e até o velho David Ignatius[1], que não está no Oriente Médio há uma ou duas décadas, repete que Israel talvez ataque o Irã, “informação” colhida, como sempre, de suas “fontes” israelenses.

Já esperava esse tipo de conversa, quando passava os olhos pelo The New York Times Magazine da semana passada – e não é propaganda, porque não quero que os leitores de The Independent percam tempo e energia lendo aquelas bobagens – e encontrei um alerta, escrito por um “analista” (nunca consegui entender o quê, exatamente, é um “analista”) israelense, Ronen Bergman, do jornal israelense Yedioth Ahronoth.

Eis aqui a isca de Bergman, bem no estilo da velha toada da velha propaganda de guerra: “Depois de falar com muitos [sic] altos líderes israelenses e comandantes [outro sic] militares e da inteligência de Israel, estou convencido de que Israel realmente atacará o Irã em 2012. Talvez na pequena e cada vez menor janela de tempo que ainda resta, os EUA decidam, afinal, fazer alguma coisa, mas do ponto de vista de Israel, a esperança já é quase nenhuma. Em vez de esperança, o que se vê é a mesma combinação, tão típica dos israelenses, de medo e tenacidade, a feroz convicção, certa ou errada, de os israelenses sempre têm de se defender sozinhos.”

Ora essa! Primeiro, qualquer jornalista que preveja ataque de Israel contra o Irã põe o próprio pescoço na guilhotina. Segundo, jornalista que preste – e há muitos em Israel – perguntaria a si mesmo, antes de escrever: Para quem estou trabalhando? Para o meu jornal? Ou para o meu governo?

Panetta, que já mentiu aos soldados dos EUA no Iraque, quando lhes disse que estavam lá por causa do 11 de Setembro, deveria saber jogar o jogo com mais competência. A CNN também. E Ignatius é para ser esquecido. Mas… que conversa é essa, em geral? Nove anos depois de invadir o Iraque – aventura muitíssimo bem sucedida, como não se cansam de repetir até hoje –, porque Saddam Hussein tinha “armas de destruição em massa”, lá estamos nós, aplaudindo que Israel bombardeie o Irã, por causa de outras “armas de destruição em massa”, ainda mais improváveis.

Não duvido de que, segundos depois de ouvir o noticiário, os redatores grotescos que redigem os discursos de Obama já estarão metendo mãos à obra para encontrar as palavras certas de apoio a um ataque israelense. Se Obama pode trocar a defesa da liberdade e dos direitos dos palestinos ao próprio Estado pela própria reeleição, não há dúvidas de que poderá apoiar a agressão israelense, na esperança de que o mantenha na Casa Branca.

Mas, se os mísseis iranianos começarem a chover sobre os navios de guerra dos EUA no Golfo – para não falar das bases norte-americnas no Afeganistão –, os redatores de discursos de Obama terão, aí sim, muito mais trabalho. Que, pelo menos, não deixemos que britânicos e franceses entrem nessa.


[1] David Ignatius é colunista norte-americano, muito conhecido por suas ligações com a inteligência israelense; aparece lembrado aí, por causa de matéria intitulada “Is Israel preparing to attack Iran?”, 2/2/2012, publicada no Washington Post, que foi comentada ontem em vários jornais do mundo, precisamente pelo tom de desabrida propaganda de guerra [NTs].

FONTE: www.outraspalavras.net

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Caracas, 4 fev (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, considerou neste sábado ‘muito positivo’ o veto de Rússia e China no Conselho de Segurança (CS) da ONU que evita adotar uma resolução sobre a situação de violência vivida na Síria.

Chávez fez a declaração durante discurso na 11ª Cúpula da Aliança Bolivariana para os povos da América (Alba), ao se referir à decisão de Moscou e Pequim.

O presidente fez o comentário diante dos outros governantes do mecanismo, formado por Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua, São Vicente e Granadinas, Dominica, e Antígua e Barbuda.

Chávez voltou a condenar a intervenção da comunidade internacional na Líbia, e disse: ‘É a loucura, a esquizofrenia do imperialismo, e agora atacam a Síria, ameaçam o Irã, ameaçam a Alba’.

‘O que aconteceu na Líbia: como invadem, bombardeiam, destroem um país, assassinam seu presidente, como se nada tivesse acontecido neste mundo’, assinalou o presidente venezuelano.

O veto de Rússia e China no CS da ONU impediu o principal órgão de segurança internacional falar com voz única perante a violenta repressão que o regime sírio exerce contra sua população há 11 meses.

FONTE: EFE

ANKARA, Turquia, 5 Fev 2012 (AFP) -O vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinç, criticou o Irã abertamente neste domingo, por ter mantido silêncio sobre a repressão, pelo presidente sírio Bashar al-Assad, da revolta popular contra o regime.

“Dirijo-me a ti, República Islâmica do Irã: não sei se és digna de ostentar no nome a palavra Islã, mas disseste uma só frase sobre o que acontece na Síria?”, indagou Arinç, porta-voz do governo, durante uma reunião em Bursa (noroeste) do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, islâmico moderado), no poder, citado pela agência de notícias Anatolia.

O Irã é o principal aliado da Síria na região. Vários opositores acusaram Teerã de ajudar Damasco a reprimir com fogo e sangue o movimento de contestação que abala o país desde março de 2011, deixando mais 6.000 mortos, segundo organizações dos direitos humanos.
Arinç denunciou um “grande massacre” realizado na sexta-feira pelo regime de Al-Assad em Homs, centro da revolta onde morreram mais de 200 pessoas, e afirmou que, na região, “só a Turquia” se declarou abertamente contra a repressão.

“O Líbano, por acaso, pronunciou uma só palavra de compaixão por nossos irmãos muçulmanos mortos? Não, só a Turquia elevou a voz”, disse.
O governo de Ancara chegou a romper com seu antigo aliado sírio, devido à encarniçada repressão às manifestações.

FONTE: AFP

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Explosão atinge depósito de armas no Irã

Autoridades iranianas afirmaram que houve uma forte explosão, ontem, em um depósito de armamentos em uma base militar da Guarda Revolucionária do país.

Equipes de resgate foram enviadas ao local, Bidganeh, próximo à cidade de Karaj e a 20 quilômetros de Teerã.

Ramazan Sharif, porta-voz da Guarda Revolucionária, disse em pronunciamento na televisão estatal que “pessoas foram martirizadas e tantas outras, feridas”. Ele afirmou, também, que especialistas estão investigando as causas do evento.

Ao menos 27 foram mortos, segundo informação oficial.

O jornal israelense “Haaretz” diz que, no local, está estacionada a 5ª Brigada Raad, capaz de lançar mísseis Shahab de número 3 e 4.

A explosão destruiu vidros de bairros próximos, segundo testemunhos, e foi ouvida mesmo no centro da capital.

A princípio, havia sido noticiado que o incidente havia ocorrido em uma estação de distribuição de combustível. A informação foi desmentida pelo Ministério do Petróleo.

Os arredores de Teerã concentram diversas bases militares. Há dois anos, uma explosão em outra base, no oeste do país, causou 20 mortes.

Na ocasião, especulou-se que Israel tivesse tido participação no ataque. O Irã afirma que foi um acidente.

Nesta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica, vinculada à ONU, afirmou, em relatório, que o programa nuclear iraniano pode ter fins militares.

O Irã nega, mas a divulgação do relatório intensificou a pressão ao país para comprovar os fins pacíficos de seu programa nuclear, assim como suscitou rumores de um possível ataque militar israelense ou americano ao país.

Autoridades iranianas, incluindo o líder supremo, ameaçam com intensa retaliação. Nesta semana, o aitolá Ali Khamenei advertiu “os inimigos, sobretudo os Estados Unidos, seus vassalos e Israel” que seu país reagirá “com punho de ferro” a uma eventual agressão.

FONTE: Folha de São Paulo

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