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Catherine Ashton quer convencer o governo a aderir ao esforço da comunidade internacional para frear o programa nuclear iraniano

 

GENEBRA – A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, desembarca no Brasil neste fim de semana para cobrar do governo da presidente Dilma Rousseff a adoção de uma posição mais firme contra a repressão na Síria e pressionar o País a aliar-se aos esforços da comunidade internacional para conter o programa nuclear do Irã. O governo brasileiro confirmou ao Estado que os temas estarão na agenda da visita. Ashton é uma das principais defensoras das sanções contra o Irã e insiste que a situação na Síria já não pode ser resolvida com Bashar Assad no poder. Nas últimas semanas, ela vem liderando uma ofensiva diplomática que, ao lado dos EUA, busca mobilizar os principais centros de poder no mundo para asfixiar financeiramente os dois regimes.

Em discurso ao Parlamento Europeu, Ashton reiterou que espera convencer o Brasil a caminhar ao lado das sanções promovidas pela comunidade internacional em ambos os casos. “Vou ao Brasil no fim de semana”, disse. “Um dos tópicos da agenda é explicar o que estamos fazendo (em relação ao Irã). Queremos uma ampla aliança nessa questão e um entendimento de que as sanções são vitais para forçar o governo de Teerã a voltar a negociar uma solução. Precisamos que a comunidade internacional atue de forma coordenada”, declarou, referindo-se a Brasília. “Vou concentrar minha agenda no Brasil no tema iraniano”, disse Ashton, que também destacou a necessidade de coordenar com o governo brasileiro posições em assuntos de direitos humanos. Ashton sabe que as sanções que se limitam a europeus e americanos terão pouco impacto e espera mais apoio internacional. Para isso, tenta conseguir a adesão de outros parceiros, como China, Coreia do Sul, Rússia e Japão.

O Itamaraty, porém, indicou ontem mesmo que rejeitará o apelo da diplomata europeia e manterá a linha atual de sua política externa – contrária à imposição de sanções econômicas fora do âmbito das Nações Unidas. Há menos de um mês, em Genebra, o chanceler Antonio Patriota reuniu-se com uma delegação iraniana e deu garantias de que o Brasil “nunca” apoiaria sanções unilaterais. Na avaliação do Brasil, só o diálogo poderá levar a um acordo sobre o programa nuclear do Irã.

Ashton indicou, no entanto, que não esperará indefinidamente por uma resposta iraniana. “O tempo está se esgotando e o Conselho de Segurança vai querer em algum momento avaliar se o Irã está cumprindo as determinações”, disse.

Apesar da pressão, Ashton insiste que fez chegar aos iranianos, por intermédio da Turquia, a mensagem de que está disposta a negociar. A mesma mensagem será passada ao Brasil, para que o País use os canais que Brasília dispõe em Teerã. “Nossa posição é a de apoiar o diálogo. Mas temos de fazer com que o Irã entenda suas responsabilidades”, disse.

A chefe da diplomacia europeia também disse que a situação da Síria é tratada como “prioridade”. “É alarmante o que ocorre na Síria”, afirmou. Segundo ela, a UE está pressionando “todos os dias e a cada hora” seus principais parceiros para que cheguem a uma posição conjunta. O principal desafio é convencer Rússia e China, países que têm poder de veto no Conselho de Segurança.
Bruxelas, porém, acredita que o apoio do Brasil, mesmo fora do âmbito da ONU, seria um sinal forte em razão da influência da diplomacia brasileira nos países emergentes. Segundo disseram diplomatas brasileiros ao Estado, o recado à UE será o de que o País rejeita qualquer ação, mesmo diplomática, que conduza a uma mudança forçada de regime.

FONTE: Estadão

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Um Caveirão, carro blindado usado pela PM do Rio, pegou fogo durante uma operação na favela do Jacarezinho, na zona norte da cidade, na tarde desta quarta-feira (1º).

Segundo o comandante do 3º BPM, tenente-coronel Ivanir Linhares, nenhum policial ficou ferido porque o incêndio foi controlado rapidamente.

- Ainda não sabemos as causas do incêndio. Pode ter sido uma pane elétrica, por exemplo, mas também pode ser que traficantes tenham atirado uma granada, uma bomba, que tenha provocado as chamas.

Durante a ação, PMs apreenderam um fuzil na comunidade. Moradores disseram que os PMs trocaram tiros com os traficantes durante a operação.

Na ação, os PMs também apreenderam um revólver calibre 38, uma bomba caseira, 500 sacolés de crack, três tabletes de maconha e material para endolação. A ocorrência foi registrada na Delegacia de Engenho Novo (25ª DP).

Outras operações

Mais cedo, policiais militares do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) apreenderam na manhã 15 máquinas caça-níqueis nas favelas Nova Holanda e Parque União, no complexo da Maré, na zona norte.

Em Madureira, também na zona norte, PMs do Batalhão de Rocha Miranda (9º BPM) fazem uma operação na comunidade da Serrinha. Houve troca de tiros na chegada dos policiais, que contam com a ajuda de um veículo blindado.

Em outra operação, policiais do Batalhão de Irajá (41º BPM) vasculham a favela de Acari em busca de armas e drogas.

FONTE/FOTO: R7/O Globo

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Ontem, dia 31 de janeiro de 2012, com a vitória do caça Rafale no Programa MMRCA da Índia, o site Poder Aéreo bateu recorde de acessos durante o dia. Para saber mais detalhes, clique aqui.

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Presidente evita tratar de direitos humanos na ilha, mas cita Guantánamo, onde americanos mantêm 171 presos Washington é alvo de crítica internacional por manter na base supostos terroristas em um limbo jurídico

 

FLÁVIA MARREIRO
ENVIADA ESPECIAL A HAVANA

Em sua primeira visita oficial a Cuba, a presidente Dilma Rousseff se recusou ontem em Havana a comentar problemas de direitos humanos no país comunista.
Mas, além de admitir violações no Brasil, mencionou um dos pontos em que os EUA são mais criticados nesse quesito: a prisão de Guantánamo, base naval localizada em território cubano. Lá, 171 supostos terroristas são mantidos num limbo jurídico.

“Nós vamos falar de direitos humanos em todo o mundo? Vamos ter de falar de direitos humanos no Brasil, nos EUA, a respeito de uma base aqui que se chama Guantánamo”, respondeu a presidente a jornalistas.
“Eu concordo em falar de direitos humanos dentro de uma perspectiva multilateral”, continuou, repetindo a linha da diplomacia brasileira de que não deve haver “seletividade” na crítica.

Dilma havia sido instada nos últimos dias por dissidentes do governo cubano a falar sobre repressão e falta de liberdade de expressão no país governado pelos irmãos Fidel e Raúl Castro há 53 anos.
“Quem atira a primeira pedra tem telhado de vidro. Nós no Brasil temos o nosso. Agora, de fato, [os direitos humanos são] algo que temos de melhorar no mundo de uma maneira geral”, ponderou.

A presidente também foi questionada sobre o caso da blogueira Yoani Sánchez, que espera do governo da ilha autorização para ir ao Brasil. “O Brasil deu seu visto para a blogueira. Agora, os demais passos não são da competência do governo brasileiro.”
Yoani quer participar do lançamento de um documentário na Bahia, mas Cuba precisa liberar a viagem.
Dilma chegou ao poder prometendo mais atenção aos direitos humanos. A mudança mais expressiva foi quanto ao Irã, com apoio à investigação de violações.

Sobre Cuba, em janeiro do ano passado ela prometeu apontar “falhas” na política de direitos humanos, mas isso não ocorreu. Na semana passada, o chanceler Antonio Patriota afirmou que o problema não é “emergencial” -apesar, por exemplo, da morte do dissidente Wilman Villar, que fazia greve de fome na prisão, em janeiro.
O mote da viagem da presidente foi econômico. Dilma levou a Cuba linha de crédito de US$ 523 milhões, que inclui o financiamento da obra-estrela da relação bilateral, o porto de Mariel.

O total de financiamentos brasileiros alcança agora US$ 1,3 bilhão, que inclui US$ 683 milhões via BNDES para o porto, US$ 350 milhões em linha de crédito para importação de alimentos e US$ 200 milhões para importação de máquinas agrícolas.

Após reunião de trabalho e almoço de uma hora e 15 minutos com o ditador Raúl Castro, Dilma visitou as obras de Mariel. Ela e o dirigente cubano discutiram o projeto de instalar fábricas de remédios brasileiras, com tecnologia cubana, na zona do porto.
O Brasil é o quarto parceiro de comércio de Cuba, bem atrás da Venezuela, que tem convênio para a troca de serviços médicos e educativos por petróleo e abarca nada menos que 40% de todo o intercâmbio comercial.

Dilma se encontrou também com o ex-ditador Fidel Castro, 85. “Vou, sim, com muito orgulho [encontrá-lo]“, disse, antes da visita. A presidente esteve acompanhada por Patriota, pelo assessor da Presidência Marco Aurélio Garcia e pelo governador da Bahia, Jaques Wagner (PT).

FONTE: Folha de São Paulo

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Havana, 31 jan (Prensa Latina) A presidenta do Brasil, Dilma Roussef, destacou hoje aqui a importância da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) para o desenvolvimento do continente e o compromisso de seu país com essa cooperação.

Segundo Roussef, a I Cúpula do organismo regional, celebrada em dezembro passado, foi uma reunião imprescindível, ao contar com a presença dos presidentes, premiês ou representantes de todas as 33 nações do México até a Patagônia.

A presidenta, que chegou a Cuba nesta segunda-feira em visita oficial, manifestou que o crescente poder econômico do Brasil, reconhecido internacionalmente, implica também a disposição de estabelecer diálogos e alianças construtivas e pacíficas.

Após render homenagem ao Herói Nacional cubano, José Martí, sublinhou à imprensa que a concepção do gigante sul-americano é manter uma política de paz com todos os vizinhos, no meio de um contexto internacional no qual se sucedem conflitos regionais sistematicamente.

A Celac, cuja II Cúpula ocorrerá em 2013 no Chile, constitui a primeira organização que inclui todos os países latino-americanos, sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.

O organismo, fortalecido por iniciativas integracionistas como a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) e a União de Nações Sul-americanas (Unasul), compreende a cooperação nas áreas econômica, política, social e cultural, segundo recolhe a declaração fundacional.

Nesse sentido, a presidenta ressaltou que a presença do Brasil na América Latina e no Caribe tem que ser cada vez mais forte, em virtude de seu compromisso e obrigação com o avanço da região.

Rousseff, cuja visita à ilha concluirá amanhã, destacou que a cooperação entre Cuba e Brasil constitui uma demonstração do empenho de seu país por auxiliar em todos os processos de aperfeiçoamento dos níveis de vida.

A agenda da presidenta no país caribenho inclui o encontro com o presidente cubano, Raúl Castro.

Havana e Brasília mantêm relações diplomáticas desde 1943 -interrompidas em 1964 e restabelecidas 22 anos depois-, com laços que se fortaleceram a partir da chegada à presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e da própria Rousseff, em 1 de janeiro de 2011.

FONTE: Prensa Latina

O governo do Brasil, que faz fronteira com nove países da América do Sul, afirmou nesta terça-feira em Assunção, no Paraguai, que suas redes de comunicação e infraestrutura poderiam ser usadas no anel continental de fibra ótica, projeto elaborado pelos doze membros da União Sul-Americana de Nações (Unasul).

A ideia foi apresentada pelo diretor do departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra, na 1ª Reunião do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan). De acordo com ele, o objetivo do projeto, aprovado em 30 de novembro de 2011 pelos ministros da área de infraestrutura e comunicações da Unasul, é conseguir a redução do preço da banda larga para o consumidor.

Atualmente, a informação entre os países da região é conduzida por meio de conexões internacionais que atravessam os oceanos Pacífico e Atlântico.

Coimbra acrescentou que as empresas estatais de telecomunicações de cada país na fronteira com o Brasil são “parte prioritária no projeto”, embora tenha dito que o setor privado será bem-vindo.
A reunião da Cosiplan foi aberta pelo ministro de Obras Públicas do Paraguai, Cecilio Pérez. No encontro, os representantes de cada membro da Unasul irão expor as condições de cada país para a elaboração do projeto do anel continental.

A secretária-geral da Unasul, a colombiana María Emma Mejía, afirmou que a região tem “um sério atraso” tecnológico na área de infraestrutura.

FONTE: Terra/EFE

O ministro da Defesa encontra-se nesta terça-feira na Amazônia, onde visita o Comando Militar da Amazônia. Às 11 horas, embarca com destino ao Haiti, onde realiza visita oficial.
Segue a agenda:

  • 08h00 - Visita ao Centro de Embarcações do Comando Militar da Amazônia (CECMA)
  • 10h00 - Deslocamento para aeroporto
  • 11h00 - Decola para Porto Príncipe
  • 13h40 - Previsão de chegada (Fuso horário -3h)
  • 14h50 - Boas vindas
  • 15h10 - Instalação na organização militar da Força de Paz do Contingente Brasileiro
  • 16h20 - Briefing Minustah
  • 16h35 - Briefing Componente Militar
  • 17h10 - Briefing Contingente Brasileiro
  • 17h40 - Visita às Bases das organizações militares da Força de Paz

Governo acredita que possa ajudar Cuba a transitar para uma economia mais aberta

 

Clóvis Rossi

Não se realizará a visita da presidente Dilma Rousseff a Cuba que está na cabeça de todas as entidades de direitos humanos. Gostariam que a presidente justificasse sua afirmação de que os direitos humanos estariam no centro de sua política externa e, portanto, fizesse pelo menos uma menção à situação na ilha caribenha.

Não fará. O chanceler Antonio Patriota, na sua passagem por Davos, na semana passada, afirmou que Dilma não falaria para os ouvidos dos jornalistas, no que é uma insinuação de que falará aos ouvidos dos dirigentes cubanos.

Duvido. Não combina com o estilo Dilma, ainda mais que Cuba faz parte do museu da memória sentimental da esquerda latino-americana, e Dilma cultiva essa memória, mesmo sendo uma democrata.

Até entendo a posição histórica do Itamaraty, neste como em governos anteriores, de respeitar sempre a soberania de cada país. Mas discordo: direitos humanos são (ou deveriam ser) patrimônio da humanidade e, portanto, devem ser defendidos acima de qualquer fronteira.
Passemos à segunda -e real- visita da presidente. Neste ponto, é preciso desbastar a linguagem diplomática do chanceler Patriota, para quem o objetivo prioritário da viagem é conversar “sobre a atualização do modelo econômico cubano, em busca de maior eficiência”.

Na verdade, o governo brasileiro acredita, desde a administração anterior, que está em condições de ensinar algo de capitalismo a Cuba, privada dele nos últimos 50 e poucos anos. Não é uma vã pretensão. Cuba está dando os primeiros -e tímidos- passos rumo a uma versão caribenha do modelo chinês. Ou seja, economia parcialmente de mercado com ditadura.

Essa transição para o capitalismo, parcial ou não, foi sempre acompanhada de alta da desigualdade, na Rússia pós-soviética, nos países da Europa Oriental e até na China, apesar do formidável crescimento.

O que o chanceler Patriota considera, com grande exagero, “modelo brasileiro” não precisou transitar para o capitalismo, que nunca abandonou, mas conseguiu, com sucesso, sair da ditadura para a democracia, estabilizar a economia e, ao menos, não aumentar a desigualdade, embora não a tenha reduzido (só reduziu a diferença entre salários, mas não entre a renda do capital e a do trabalho, a verdadeira obscenidade).

A mais relevante contribuição brasileira para a transição cubana não será, entretanto, uma eventual aula teórica, mas algo bem mais concreto: o financiamento para a modernização do porto de Mariel, a 40 quilômetros de Havana.
Marco Aurélio Garcia, o assessor diplomático tanto de Lula como de Dilma, acredita que ampliar Mariel só faz sentido se for para o comércio com os Estados Unidos. Hoje, não existe, pelo embargo imposto pelos norte-americanos à ilha.
Logo, ao financiar o porto, o governo brasileiro acredita estar contribuindo para uma aproximação com os EUA (não, como é óbvio, em um ano eleitoral como 2012). Essa hipótese só se tornará possível se Cuba abrir sua economia sem grande tumulto. Se o fizer, mas continuar uma ditadura, não é um problema insolúvel para Washington (vide as relações com a China).

FONTE: Folha de São Paulo

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Os canalhas nos ensinam mais

Arnaldo Jabor

Nunca vimos uma coisa assim. Ao menos, eu nunca vi. A herança maldita da política de sujas alianças que Lula nos deixou criou uma maré vermelha de horrores. Qualquer gaveta que se abra, qualquer tampa de lata de lixo levantada faz saltar um novo escândalo da pesada. Parece não haver mais inocentes em Brasília e nos currais do País todo. As roubalheiras não são mais segredos de gabinetes ou de cafezinhos. As chantagens são abertas, na cara, na marra, chegando ao insulto machista contra a presidente, desafiada em público. Um diz que é forte como uma pirâmide, outro que só sai a tiro, outro diz que ela não tem coragem de demiti-lo, outro que a ama, outro que a odeia. Canalhas se escandalizam se um técnico for indicado para um cargo técnico. Chego a ver nos corruptos um leve sorriso de prazer, a volúpia do mal assumido, uma ponta de orgulho por seus crimes seculares, como se zelassem por uma tradição brasileira.

Temos a impressão de que está em marcha uma clara “revolução dentro da corrupção”, um deslavado processo com o fito explícito de nos acostumar ao horror, como um fato inevitável. Parece que querem nos convencer de que nosso destino histórico é a maçaroca informe de um grande maranhão eterno. A mentira virou verdade? Diante dos vídeos e telefonemas gravados, os acusados batem no peito e berram: “É mentira!” Mas, o que é a mentira? A verdade são os crimes evidentes que a PF e a mídia descobrem ou os desmentidos dos que os cometeram? Não há mais respeito, não digo pela verdade; não há respeito nem mesmo pela mentira.

Mas, pensando bem, pode ser que esta grande onda de assaltos à Republica seja o primeiro sinal de saúde, pode ser que esta pletora de vícios seja o início de uma maior consciência critica. E isso é bom. Estamos descobrindo que temos de pensar a partir da insânia brasileira e não de um sonho de razão, de um desejo de harmonia que nunca chega.

Avante, racionalistas em pânico, honestos humilhados, esperançosos ofendidos! Esta depressão pode ser boa para nos despertar da letargia de 400 anos. O que há de bom nesta bosta toda?

Nunca nossos vícios ficaram tão explícitos! Aprendemos a dura verdade neste rio sem foz, onde as fezes se acumulam sem escoamento. Finalmente, nossa crise endêmica está em cima da mesa de dissecação, aberta ao meio como uma galinha. Vemos que o País progride de lado, como um caranguejo mole das praias nordestinas. Meu Deus, que prodigiosa fartura de novidades sórdidas estamos conhecendo, fecundas como um adubo sagrado, tão belas quanto nossas matas, cachoeiras e flores. É um esplendoroso universo de fatos, de gestos, de caras. Como mentem arrogantemente mal! Que ostentações de pureza, candor, para encobrir a impudicícia, o despudor, a mão grande nas cumbucas, os esgotos da alma.

Ai, Jesus, que emocionantes os súbitos aumentos de patrimônio, declarações de renda falsas, carrões, iates, piscinas em forma de vaginas, açougues fantasmas, cheques podres, recibos laranjas de analfabetos desdentados em fazendas imaginárias.

Que delícia, que doutorado sobre nós mesmos!… Assistimos em suspense ao dia a dia dos ladrões na caça. Como é emocionante a vida das quadrilhas políticas, seus altos e baixos – ou o triunfo da grana enfiada nas meias e cuecas ou o medo dos flagrantes que fazem o uísque cair mal no Piantella diante das evidências de crime, o medo que provoca barrigas murmurantes, diarreias secretas, flatulências fétidas no Senado, vômitos nos bigodes, galinhas mortas na encruzilhada, as brochadas em motéis, tudo compondo o panorama das obras públicas: pontes para o nada, viadutos banguelas, estradas leprosas, hospitais cancerosos, orgasmos entre empreiteiras e políticos.

Parece que existem dois Brasis: um Brasil roído por ratos políticos e um outro Brasil povoado de anjos e “puros”. E o fascinante é que são os mesmos homens. O povo está diante de um milenar problema fisiológico (ups!) – isto é, filosófico: o que é a verdade?

Se a verdade aparecesse em sua plenitude, nossas instituições cairiam ao chão. Mas, tudo está ficando tão claro, tão insuportável que temos de correr esse risco, temos de contemplar a mecânica da escrotidão, na esperança de mudar o País.

Já sabemos que a corrupção não é um “desvio” da norma, não é um pecado ou crime – é a norma mesmo, entranhada nos códigos, nas línguas, nas almas. Vivemos nossa diplomação na cultura da sacanagem.

Já sabemos muito, já nos entrou na cabeça que o Estado patrimonialista, inchado, burocrático é que nos devora a vida. Durante quatro séculos, fomos carcomidos por capitanias, labirintos, autarquias. Já sabemos que enquanto não desatracarmos os corpos públicos e privados, que enquanto não acabarem as emendas ao orçamento, as regras eleitorais vigentes, nada vai se resolver. Enquanto houver 25 mil cargos de confiança, haverá canalhas, enquanto houver Estatais com caixa-preta, haverá canalhas, enquanto houver subsídios a fundo perdido, haverá canalhas. Com esse Código Penal, com essa estrutura judiciária, nunca haverá progresso.

Já sabemos que mais de R$ 5 bilhões por ano são pilhados das escolas, hospitais, estradas. Não adianta punir meia dúzia. A cada punição, outros nascerão mais fortes, como bactérias resistentes a antigas penicilinas. Temos de desinfetar seus ninhos, suas chocadeiras.
Descobrimos que os canalhas são mais didáticos que os honestos. O canalha ensina mais. Os canalhas são a base da nacionalidade! Eles nos ensinam que a esperança tem de ser extirpada como um furúnculo maligno e que, pelo escracho, entenderemos a beleza do que poderíamos ser!
Temos tido uma psicanálise para o povo, um show de verdades pelo chorrilho de negaças, de “nuncas”, de “jamais”, de cínicos sorrisos e lágrimas de crocodilo. Nunca aprendemos tanto de cabeça para baixo. Céus, por isso é que sou otimista! Ânimo, meu povo! O Brasil está evoluindo em marcha à ré!

FONTE: O Estado de S.Paulo

 
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