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Santa Maria (RS) – A chegada de um novo lote de blindados da família Leopard, no mês de junho, possibilitou ao Centro de Instrução de Blindados desenvolver os Cursos de Operação da Família de Blindados Leopard. Nesse lote, desembarcaram a Viatura Blindada Especializada Lança-Pontes (VBE L Pnt), a Viatura Blindada de Combate de Engenharia (VBC Eng) e a Viatura Blindada de Combate – Carro de Combate (VBC – CC).

As VBC Eng, VBC L Pnt e VBC – CC LEOPARD 1 A5 BR foram utilizadas como meio de instrução, simulando as atividades desenvolvidas em operações militares. 57 Oficiais e Sargentos de Organizações Militares do País frequentaram os cursos.

O CIB é a Organização Militar (OM) que possui, como uma de suas missões, planejar e conduzir cursos e estágios, presenciais e a distância, destinados à especialização e extensão de oficiais e sargentos ocupantes de cargos e funções em OM blindadas/mecanizadas.

Assim, no dia 15 de julho, foi realizada a formatura de encerramento dos Cursos de Operação da Família de Blindados Leopard. O evento foi presidido pelo Comandante da 3ª Divisão de Exército, General-de-Divisão Sergio Westphalen Etchegoyen, e contou com a presença de autoridades civis, militares e familiares dos Estagiários.

FONTE: Exército Brasileiro

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João Fernando de Oliveira, Presidente do IPT

A ciência no Brasil caminha a passos largos. Em 2010, nossos pesquisadores publicaram 50 mil trabalhos em revistas científicas, colocando o País na 13a posição neste ranking. Apesar disso, quando o assunto é inovação estamos em uma discreta 47a colocação. Qual é o problema? “Falta, no Brasil, um ambiente propício à inovação”, diz João Fernando de Oliveira, presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Para ele, isso é fruto, em parte, de uma mentalidade equivocada que colocou em campos opostos pesquisadores e iniciativa privada. Em entrevista à DINHEIRO, Oliveira fala sobre os esforços do IPT para fazer essa ponte.

DINHEIRO – Por que a ciência no Brasil não consegue gerar inovação?

JOÃO FERNANDO DE OLIVEIRA – Se olharmos pela perspectiva histórica, nossa ciência ainda é jovem. Temos a idade dos Estados Unidos como nação, mas começamos a consolidar a estrutura de pesquisa quase dois séculos depois dos americanos. Na década de 1750, a Universidade da Pensilvânia tinha um grande pesquisador chamado Benjamin Franklin. Ele descobriu a energia elétrica, ajudou a escrever a Constituição do país e ainda publicou inúmeros livros. No mesmo período, nosso herói nacional, Tiradentes, estava sendo enforcado porque ousou lutar pela liberdade. Mas, apesar desse atraso, pode-se dizer que nossa ciência vai bem.

DINHEIRO – Como assim?
OLIVEIRA –  Nos últimos dez anos, a pesquisa avançou quatro vezes mais no Brasil do que a média de crescimento de todo o mundo nessa área. Em 2006, estávamos em 21º lugar no ranking de publicações de trabalhos científicos e hoje ocupamos a 13ª posição, com cerca de 50 mil publicações.

DINHEIRO — Como é possível ser bom em ciência e não em inovação?

OLIVEIRA –  A ciência brasileira cresce muito rápido e o número de citações em trabalho internacionais também avança, o que significa dizer que a nossa ciência não é de má qualidade. Mas esse não é o fator primordial para que a ciência se transforme em aplicações práticas. Isso só é possível com o que se convencionou chamar de inovação.

DINHEIRO — Por que ainda não conseguimos seguir esse caminho?

OLIVEIRA –  Há inúmeros motivos. Um deles é que o ambiente empresarial brasileiro está sufocado por encargos altos e carga tributária pesada, o que limita a capacidade de investimentos. Além disso, os mecanismos financeiros de apoio à pesquisa para inovação estão sempre conectados à participação de uma instituição pública.

DINHEIRO — Mas no que isso é ruim?

OLIVEIRA –  O setor acadêmico produz conhecimento, mas as empresas não conseguem se apropriar disso porque existe um descompasso entre oferta e demanda. Além disso, falta uma ligação entre o mundo acadêmico e o empresarial. O setor acadêmico tem de entender por que a ciência não se transforma em aplicação e tentar atuar no sentido de resolver esse problema. Transformar conhecimento em aplicação é o que chamamos de processo de inovação. Ele começa com o conhecimento básico sobre um tema, seguido pelo desenvolvimento de soluções, o teste para checar a viabilidade econômica e o escalamento da solução para definir um pré-piloto industrial até o desenvolvimento do negócio, em cima da solução. Somente a partir daí é que o negócio se transforma em renda, emprego e desenvolvimento.

DINHEIRO — Onde estaria o nó nessa equação?

OLIVEIRA –  A parte do negócio as empresas sabem fazer bem, o mesmo vale para as universidades em relação à produção de conhecimento. A fração intermediária, que é desenvolver o produto, testar a tecnologia e demonstrar sua viabilidade econômica, é que se constitui em um elo perdido.

DINHEIRO — Isso decorre do fato de que essa parte do processo tem um custo elevado, sem garantia de resultados favoráveis?

OLIVEIRA –  Sem dúvida. É mais custo do que benefício. No mundo acadêmico, os professores têm como principal valor o reconhecimento pelo trabalho realizado. E isso é obtido pela divulgação da pesquisa em publicações do setor. E essa atividade não possibilita isso. Pelo contrário, por uma questão de confiabilidade, não se pode divulgar informações sobre o processo. E, no caso dos agentes privados, esta etapa se constituti apenas em risco. Os empresários ficam ressabiados de investir em algo que vai ter como resultado somente conhecimento e não se transformará, necessariamente, em um produto para suas linhas de montagem. Ou seja, estamos falando de um trabalho que não gera prestígio acadêmico nem lucro financeiro.

DINHEIRO — O que podemos fazer para resolver essa situação? 

OLIVEIRA –  Nos países da Europa e nos Estados Unidos essa tarefa é assumida pelos centros de pesquisa e desenvolvimento das empresas privadas. Nesses locais, o ambiente sempre foi favorável para isso tanto no campo privado quanto no governamental. O Bell Labs (braço de pesquisa da empresa de telefonia americana AT&T) é um dos maiores exemplos. Entre um acadêmico descobrir que é possível fazer um tubo de cristal líquido com iluminação por trás e isso se tornar uma tevê de LCD, gasta-se muito dinheiro sem produzir nada. Na Europa e nos EUA as empresas têm um entendimento claro sobre esse processo e investem bastante em pesquisa.

DINHEIRO — Por que os inventores brasileiros, desde Santos Dumont, não conseguem reconhecimento e, muito menos, ganhar dinheiro com suas criações?

OLIVEIRA –  Falta um ambiente propício para isso, desde a questão cultural e legal até organizacional. Santos Dumont criou o relógio de pulso, porém a ideia foi apropriada por Cartier. Os irmãos Wright, dos Estados Unidos, faziam os experimentos aeronáuticos  escondidos, pois não queriam que ninguém copiasse seus projetos. Santos Dumont, ao contrário, realizava seus testes em locais públicos com o intuito de mostrar que os brasileiros eram capazes de alcançar grandes feitos. Em relação à questão legal, existem inúmeras amarras governamentais que engessam e atrasam a liberação dos recursos em convênios entre institutos de pesquisa e empresas. Sem falar na burocracia, que é uma grande inimiga da inovação. Na Califórnia, você abre uma empresa online em 15 minutos. E, em um mês, começa a vender ações para os fundos de capital de risco. Por isso este Estado se tornou o centro da revolução digital.

DINHEIRO — E qual tem sido a contribuição do IPT para ajudar a mudar esse quadro?

OLIVEIRA – Nos últimos três anos, o IPT passou por um forte processo de modernização de suas estruturas. Esse trabalho foi feito graças à injeção de R$ 100 milhões no período 2008-2010. Outros R$ 50 milhões estão sendo aplicados pelo governo estadual neste ano. Além disso, nós captamos cerca de R$ 150 milhões junto a organismos de fomento, como BNDES e Finep.

DINHEIRO — É com estes recursos que a entidade está montando novas estruturas, como o laboratório de estruturas leves e o centro de tecnologia canavieira?

OLIVEIRA –  Sim. O primeiro já entrou em operação, e o trabalho é feito em parceria com indústrias do segmento de mobilidade: aeronáutica, automotiva, além do setor de petróleo e gás. A unidade funcionará como uma fábrica de protótipos para as empresas. Faremos ensaios que validarão o processo produtivo do início ao fim.

DINHEIRO — Já existem clientes? 

OLIVEIRA –  Temos projetos contratados com a Embraer e diversos fornecedores da Petrobras. O valor cobrado é adequado para empresas de grande porte e também para as pequenas, que recebem a subvenção de entidades como o Sebrae, parceiro do projeto. O principal indicador de sucesso não será o faturamento do IPT, mas a capacidade de induzir novas tecnologias nas empresas.

DINHEIRO — O sr. defende uma lei específica de licitações para a área de tecnologia? 

OLIVEIRA – A lei 8.666 é um entrave para todo funcionário público honesto que deseja fazer algo de forma rápida. Isso vale para todos os setores da administração. Acredito que há outra maneira de gerir a coisa pública no Brasil: por meio da distribuição de responsabilidades na cadeia hierárquica e com uma auditoria forte. Os eventuais desvios devem ser julgados de forma rápida e as punições cabíveis, aplicadas.

DINHEIRO – O IPT já testou isso? 

OLIVEIRA –  Sim. Nosso processo de compra de equipamentos passava por repetidas autorizações de gerentes e diretores. Um total de 25 passos até a efetiva aquisição do produto. Hoje, são apenas oito etapas. Quem pisar fora da linha é punido. Uma lousa eletrônica que demorava 18 meses para ser comprada agora é adquirida em até 20 dias. Tudo feito dentro da lei.

DINHEIRO — O sr. arriscaria dizer quando o Brasil entrará em um novo patamar científico baseado na inovação?

OLIVEIRA – A ciência brasileira já ocupa a 13ª posição no mundo, o que mostra que estamos no caminho certo nessa área. O problema é que no ranking de inovação aparecemos apenas em 47º. É difícil imaginarmos em quanto tempo equalizaremos essa posição, em relação ao tamanho de nosso PIB, no cenário global. Estimo que levaremos, no mínimo, 20 anos, para atingir esse patamar. Isso, no entanto, pode ser apressado, caso tiremos as amarras que fazem com que nosso ambiente não seja propício à inovação. É preciso conseguir fazer antes e melhor que os competidores. A Apple é um modelo a ser seguido. Ela é capaz de lançar produtos inovadores de forma rápida, com altíssima qualidade e vendidos a preços baixos.

SAIBA MAIS:

O norueguês Anders Behring Breivik, que confessou ser o autor do massacre que deixou 76 mortos na sexta-feira (22), na Noruega, afirmou que trabalhava em conjunto com “duas outras células” para combater a “dominação muçulmana” no país.

“O acusado fez depoimentos hoje que exigem maiores investigações, inclusive afirmando que ‘há mais duas células em nossa organização’”, disse o juiz Kim Heger em coletiva de imprensa após a primeira audiência de Breivik.

A polícia já investigava a possibilidade de Breivik ter cúmplices. Em interrogatório neste fim de semana, contudo, ele afirmou ter agido sozinho.

Na corte, Breivik não quis se declarar culpado. Ele explicou ao juiz que não se considera culpado pois precisava ter cometido estes atos para enviar “um forte sinal” aos noruegueses e proteger o país contra a “invasão” dos muçulmanos.

O juiz Heger determinou que Breivik fique detido por oito semanas, até 22 de agosto, metade das quais deve ficar em solitária e isolamento –sem cartas, telefonemas ou contato com sua família ou a mídia.

Normalmente, o acusado é levado à corte a cada quatro semanas enquanto os promotores preparam o caso, para que o juiz possa aprovar sua contínua detenção. Em casos de crimes sérios ou quando o réu é confesso, é comum este período ser ampliado.

Breivik foi indiciado por atos de terrorismo. O juiz afirmou que sua confissão e outras evidências encontradas pela polícia permitem o indiciamento.

O norueguês de 32 anos disse ainda ao juiz que quis induzir a maior perda possível ao governista Partido Trabalhista, para que não consiga mais recrutar novos filiados.

Ele acredita que o partido falhou com o povo ao não protegê-lo de uma “tomada muçulmana” e o preço desta traição foram os ataques de sexta-feira –um carro-bomba detonado perto da sede do governo, em Oslo, e um tiroteio em um acampamento de jovens na ilha de Utoeya, que deixaram 76 mortos.

Breivik, definido como um fundamentalista cristão, islamófobo e ultradireitista, queria transformar a audiência desta segunda-feira em uma ampla declaração de suas crenças perante o juiz e a imprensa.

Ele afirmou em seu manifesto na internet, publicado antes dos ataques, que apareceria na corte de uniforme e faria uma longa defesa de sua tese.

A audiência, contudo, foi realizada a portas fechadas, um esforço para evitar que um palanque do extremismo. A sessão durou cerca de 35 minutos.

Segundo Geir Lippestad, advogado do acusado, Breivik acredita que seus crimes foram “atrocidades, mas necessários” e que não merece nenhum castigo por eles.

ATAQUES

Na primeira ação, um carro-bomba explodiu próximo à sede do governo, no centro de Oslo, matando oito pessoas. No segundo ataque, Breivik atirou contra os participantes de uma colônia de férias da juventude do Partido Trabalhista (no poder) na ilha de Utoya, 40 km a oeste da capital, provocando ao menos 68 mortes.

Os dois ataques foram cometidos com apenas duas horas de diferença. A hipótese mais sólida era de que o suspeito tinha ativado o carro-bomba que explodiu na capital para depois seguir em direção à ilha, situada a cerca de 40 quilômetros da capital.

Breivik disse à polícia de Oslo ter agido “sozinho” no massacre. Mas depoimentos de alguns sobreviventes deram a entender que poderia haver outro atirador.

Um documento de 1.500 páginas redigido aparentemente pelo norueguês revela que o ataque já era preparado desde o outono (boreal) de 2009.

O documento, publicado na internet diariamente, inclui um manual sobre como montar bombas e um discurso contra o Islã e o marxismo.

FONTE: Folha/Agências Internacionais

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Batalhões de Engenharia do Exército que tocam projetos em rodovias federais são o novo foco de desvio de dinheiro público. Justiça Militar e MP apuram denúncias

Procuradoria de Justiça Militar, Ministério Público Federal e Tribunal de Contas da União apuram o envolvimento de militares em fraudes nas obras do PAC

Investigações revelam um novo braço de fraudes e irregularidades nas obras do Programa de Aceleração de Crescimento, o PAC: os Batalhões de Engenharia do Exército. A Procuradoria de Justiça Militar, o Ministério Público Federal e o Tribunal de Contas da União apuram o envolvimento de militares no roubo de materiais de construção, favorecimento de empresas, direcionamento de licitações e atrasos. O Exército brasileiro tornou-se uma das grandes empreiteiras do PAC com participação em obras de relevância nacional, como rodovias, aeroportos e o Projeto da Transposição do Rio São Francisco. O orçamento verde-oliva é superior a R$ 2 bilhões e pelo menos 2,7 mil homens atuam nos canteiros.

Uma das principais obras do PAC, a duplicação da BR 101, no Nordeste do país, foi dividida em seis lotes. Cinco estão nas mãos de empreiteiras, com fortes indícios de fraude, má execução e pagamento de propina, como aponta a Polícia Federal. O último lote é executado pelo 2º Batalhão de Engenharia do Exército. A Procuradoria de Justiça Militar em Recife já denunciou militares envolvidos com o furto de material de construção em alguns trechos da obra. O delito torna-se mais grave em obras públicas e que se arrastam há anos. A previsão era de que a obra ficasse pronta no fim de 2011, mas os próprios órgãos do governo federal atestam que o cronograma está comprometido. Entre as justificativas, a devolução de um lote, antes sob responsabilidade do Exército, para a iniciativa privada.

A BR 163, na divisa do Mato Grosso e Santarém, no Pará, também é feita no modelo que mescla lotes militares e privados. O 8º Batalhão de Engenharia de Construção controla cerca de 1.000km, entre Santarém e Rurópolis, também no Pará. Cinco convênios foram firmados entre o Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit) e Exército para a construção da rodovia, somando mais de R$ 300 milhões. O último relatório do TCU aponta sobrepreço de serviços — num total de R$ 5,6 milhões — e deficiência por parte do Dnit na prestação de contas. O tribunal também já identificou irregularidades na atuação dos militares nas obras da Transposição do São Francisco.

Laranjas

A organização criminosa — denunciada pelo Ministério Público Militar no mês passado pelo desvio de R$ 11 milhões do Instituto Militar de Engenharia (IME), no Rio de Janeiro — manteve o “bem-sucedido” modus operandi para abocanhar também contratos do PAC. Relatórios do Ministério Público mostram que um coronel e um major do Exército, denunciados como cabeças do grupo, ficaram responsáveis por convênios entre o Departamento de Engenharia e Construção e o Dnit.

O grupo atuava em conluio com uma rede de empresários e laranjas. Segundo a denúncia da Procuradoria Militar, o coronel, que serviu ao IME de 1991 a 2005, tinha contato direto com dirigentes do Dnit e precisava de alguém de confiança e que tivesse conhecimento administrativo. Conseguiu, então, autorização para a liberação do capitão. Os dois aproveitaram a relação com dois empresários, que criaram seis empresas, para atender aos convênios.

“Isso obviamente não foi por acaso, eis que Marcelo e Edson (os empresários) eram sócios de empresas que forneciam bens e serviços no IME, principalmente no período em que o major Washington era chefe do setor de materiais (almoxarifado), considerando-se ainda que este oficial é concunhado de Edson”, aponta denúncia do Ministério Público, completando que o relacionamento deles não era estritamente pessoal. As empresas por eles constituídas eram formada por pessoas humildes, de baixo nível de escolaridade e com pequena renda familiar, inclusive moradores de áreas carentes e de risco. A denúncia foi recebida pela Justiça Militar, que autorizou o sequestro de bens de 10 dos 15 denunciados. A evolução patrimonial do grupo era incompatível com a renda.

Pelos ares

No Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte, as obras estão sendo realizadas pelo 1º Batalhão em convênio com a Infraero. Já foram investidos R$ 250 milhões em projetos de terraplanagem, pista de pouso, taxiway e pátio de aeronaves. O TCU apontou problemas nos preços dos materiais e nos contratos. A Infraero afirma que as readequações de preços já foram feitas. Desde o ano passado, inquéritos estão em andamento para apurar as irregularidades. No estado, o Ministério Público Federal abriu inquérito para apurar a formação de caixa 2, o uso pessoal das máquinas e até mesmo o aluguel do maquinário em outras operações do Exército.

Exército nega

De acordo com o Centro de Comunicação Social do Exército, não há indícios de prática de irregularidades por parte de militares nas obras do PAC a cargo do Exército. Entretanto, segundo a assessoria de imprensa militar, o Tribunal de Contas da União (TCU) e os órgãos de controle interno da Força identificaram problemas de execução em algumas obras. Entre elas, a BR 319, no Amazonas, em que há necessidade de revisão do projeto e de retrabalho de pavimentação de alguns trechos; e a BR 101, no Rio Grande do Norte e na Paraíba, onde foi constatado o atraso nas obras em razão de desapropriações, além da necessidade de revisão do projeto.

Inteligência

O Centro de Inteligência do Ministério Público Militar em Brasília prepara um reforço para a atuação de controle e prevenção de crimes militares. O grupo, sob o comando da procuradora Ione de Souza Cruz, fornece informações para as unidades da Procuradoria em todo o país, especialmente na análise de patrimônio e sociedades empresariais.
A partir de agosto, o centro terá programas de computador para facilitar cruzamento de dados e ampliar ações na área de inteligência.

FONTE: Correio Braziliense

As queixas de Lula

Rubem Azevedo Lima

Com cada vez mais rancor, o ex-presidente Lula reclama da imprensa, que o critica até hoje, passados quase sete meses do fim de seu mandato.

A rigor, Lula age como se ainda governasse o país. Segundo alguns áulicos, ele telefona, com frequência, para a presidente Dilma ou procura encontrar-se com ela, coisa que nunca um ex-presidente fez com o sucessor, como diria o próprio Lula, em seus autoelogios freudianos.

Para ajudar Dilma, Lula faria melhor se ficasse na obscuridade. Disso, porém, ele gosta até menos do que dos críticos que o azucrinam, pois estes, ao citarem-no, ainda lhe dão oportunidade de aparecer.

Dia a dia, Dilma, sua herdeira política, tropeça nos malfeitos de Lula, que a perturbam, ou nos não feitos por ele, ao bajular os movimentos sociais, em geral cooptados com favores abusivos.

Agravaram-se, por isso, nossas mazelas políticas, parlamentares, sindicais, ambientais, culturais, rodoviárias, aeroviárias, a segurança pública, a saúde e a educação. Destas duas desviaram-se 70% de seus recursos! Dilma gastará muito tempo, corrigindo o que Lula fez de errado. A sujeira que ele deixou no Dnit exige dela que mande fazer o mesmo em todas as outras áreas da administração pública para limpar o Brasil o mais completamente possível.

Tudo isso, mais a gastança do antecessor e a indicação de ministros corruptos para o ministério de Dilma — três já foram demitidos — constitui a pesada herança do ex-presidente. Ele, além do alto custo com que manteve suas alianças no parlamento, aplicou dinheiro em empréstimos favorecidos ou doações a países pobres, pensando em obter deles apoio para ganharmos uma cadeira cativa na cúpula da ONU.

Nesse particular, Lula não hesitou em fazer acordos até com ditadores, desmoralizando as melhores tradições de nossa política de relações internacionais e o espírito da Constituição cidadã de 1988, no tocante aos regimes de exceção.

Pesados o positivo e o negativo dos dois mandatos de Lula, Dilma sabe: hoje, logrado pela propaganda oficial de obras e conquistas não feitas, o Brasil está no vermelho moral frente ao seu povo. Essa é a sua dívida.

FONTE: Correio Braziliense

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DANIEL FAVERO
Direto do Rio de Janeiro

Com a ajuda de atletas profissionais militarizados pelas Forças Armadas, o Brasil encerrou seu papel de anfitrião dos Jogos Mundiais Militares, no Rio de Janeiro, em primeiro lugar no quadro geral de medalhas com 114 pódios. Os jogos foram marcados pelos problemas de logística, atrasos, arquibancadas vazias em um evento esportivo de 10 dias que custou R$ 1,5 bilhão aos cofres públicos.

De acordo com o presidente do Conselho Internacional de Esporte Militar (CISM na sigla em inglês), coronel Hamad Kalkaba Malboum essa foi a melhor entra as cinco edições já realizadas e a Coreia terá bastante trabalho para superar o Rio. “O evento foi um sucesso, agradeço ao comitê organizador e a todos que deram apoio para essa experiência nova”, disse aos jornalistas pouco antes do início da cerimônia de encerramento no estádio do Engenhão.

Mais de 4 mil atletas militares de 114 nacionalidades participaram das 20 modalidades esportivas disputadas no Rio de Janeiro. O desempenho brasileiro foi maior até do que o protagonizado por países como a China, com 99 medalhas, e Itália, com 51 medalhas. No Brasil, o recrutamento de atletas civis contou com apoio do Comitê Olímpico Brasileiro e dos ministérios da Defesa e do Esporte.

Os Estados Unidos uma das maiores potências em jogos olímpicos deixa os Jogos Militares com apenas cinco medalhas, um ouro, uma prata e um bronze no paraquedismo, e outros dois bronzes no basquete e na vela. Segundo militares brasileiros, os americanos ainda sofrem os efeitos da crise econômica mundial e só vieram para marcar presença.

Além de terminar a competição com o maior número de medalhas, o Brasil também obteve o maior número de medalhistas de ouro, 45, contra 37 da China e 14 da Itália. O brasileiro Gabriel Mangabeira, da natação, foi o maior vencedor da competição com cinco ouros e uma prata. Atrás dele aparece a nadadora chinesa Liuyang Jiao, com quatro ouros

A natação e o atletismo brasileiros foram os responsáveis pelo bom resultado com 18 medalhas de ouro. O grande número de medalhas pode ser atribuído ao investimento feito pelas Forças Armadas que lançou um edital em 2009 recrutando atletas profissionais. A prática é considerada comum entre os militares de diversos países.

Os jogos foram marcados pelos problemas no transporte, uma das maiores reclamações dos atletas e locais de competição vazios. Inicialmente os ingressos foram distribuídos pela internet, mas devido à baixa procura, passaram a ser distribuídas nos locais dos eventos, no entanto, muita gente reclamou que não conseguiu entrar apesar do grande número de lugares vagos.

De acordo com o presidente do comitê organizador dos Jogos Mundiais Militares no Rio de Janeiro, general Jamil Megid, os problemas em relação ao transporte ocorreram entre os atletas que queriam treinar nos locais fora dos horários pré-estabelecidos. “Tivemos uma boa estrutura de transporte, 98% das locomoções para as competições foram realizadas no tempo planejado”.

Para o presidente do CISM, a cidade do Rio de Janeiro possui tráfego pesado e não é possível prever o movimento dos automóveis. “Não tem como planejar o tráfego e sabemos que durante a Copa e Olímpiadas as ruas ficaram ainda mais cheias, então fica a experiência para o Rio de Janeiro”, disse.

Números

  • 4.230 – atletas
  • 1.188 – juízes
  • 1.706 – oficiais
  • 2.229 – observadores
  • 2.092 – jornalistas
  • 619 – medalhas
  • 27 – recordes mundiais militares batidos
  • 30 mil – refeições distribuídas diariamente
  • 17.952 – número de militares que trabalharam nos jogos
  • 1.742 – voluntários
FONTE: Terra

Paulo Virgilio

Com o término das provas de triatlo, na tarde de hoje (24), estão encerradas as competições dos Jogos Mundiais Militares, no Rio de Janeiro. O Brasil conseguiu mais duas medalhas de prata no triatlo e chegou ao final do evento com 114 (45 de ouro, 33 de prata e 36 de bronze). A China, segunda colocada, fechou sua participação com 99 medalhas (37 de ouro, 28 de prata e 34 de bronze).

Em terceiro ficou a Itália, com 51 medalhas (14 de ouro, 13 de prata e 24 de bronze) e em quarto, a Polônia, com 43 medalhas (13 de ouro, 19 de prata e 11 de bronze). Com as vitórias obtidas no triatlo, a França ultrapassou a Coreia do Sul no número de medalhas de ouro – 11 – e chegou ao final dos Jogos Mundiais Militares na quinta colocação.

A cerimonia de encerramento da quinta edição dos Jogos Mundiais Militares começa às 18h, no Estádio Olímpico João Havelange, o Engenhão, na zona norte do Rio.

FONTE: Jornal do Brasil/Agência Brasil

Segundo médico, projéteis especiais se desintegraram no corpo de vítimas, causando o máximo de danos internos

O atirador que matou mais de 85 jovens na Ilha de Utoya, Noruega, usou balas especiais projetadas para se desintegrar dentro do corpo e causar o máximo de danos internos, disse neste domingo o cirurgião-chefe do hospital que trata as vítimas. Segundo a polícia, o ataque durou 90 minutos até que o suspeito se rendesse tendo “uma quantidade considerável de munição” em uma pistola e um fuzil automático.

Colin Poole, chefe de cirurgia do Hospital de Ringriket Hospital em Honefoss, a noroeste de Oslo, disse à Associated Press que os profissionais que cuidam de 16 feridos por disparos recuperaram apenas fragmentos minúsculos de balas dentro de seus corpos, acrescentando que as feridas por onde os projéteis saíram eram, de forma incomum, pequenas e fracas.

“Essas balas mais ou menos explodiram dentro do corpo. Toda a energia dos projéteis foi depositada dentro do tecido”, disse. “Elas causaram danos internos que são absolutamente horríveis.”

O atirador norueguês de 32 anos, Anders Behring Breivik, abriu fogo contra participantes da ala juvenil do governista Partido Trabalhista na ilha horas depois da explosão de um carro-bomba na capital do país, Oslo, que deixou sete mortos. Segundo fontes policiais, Breivik, a quem foi atribuído um manifesto de 1,5 mil páginas, disse ter agido sozinho nos dois ataques.

Especialistas balísticos dizem que as chamadas balas “dum-dum” são mais leves e podem ser disparadas com mais precisão em distâncias diferentes. Elas normalmente são usadas por policiais à paisana em aviões e por caçadores de animais pequenos.

Poole, um cirurgião que trabalha há 26 anos no hospital, disse que as balas estavam “hiperfragmentadas” e produziram imagens de raio X confusas. “Isso nos causou uma série de problemas extras para lidar com as feridas, que tinham várias trajetórias estranhas”, afirmou. “O efeito que causam dentro do corpo é como de mil alfinetes.”

Policial sumido

O chefe da polícia Sveinung Sponheim disse que um oficial havia sido contratado para fazer a segurança da ilha. Não está claro quem o contratou ou se estava na ilha no momento dos ataques. Segundo Sponheim, os detetives não sabem de seu paradeiro. “Um policial teria de estar no local”, afirmou em coletiva neste domingo. Ele também disse que um especialista da polícia britânica está ajudando na investigação do massacre como parte de uma cooperação com forças estrangeiras.

De acordo com a polícia e Geir Lippestad, o advogado de Breivik, apesar de ter admitido culpa no ataque duplo, o suspeito rejeitou responsabilidade criminal pelo dia que chocou a pacífica Noruega e representou o mais mortal para o país desde a Segunda Guerra Mundial. Ele foi acusado de terrorismo e deve comparecer a um tribunal na segunda-feira.

Embora Breivik tenha confessado os dois ataques, a polícia realizou neste domingo uma operação em uma propriedade no leste de Oslo, detendo seis pessoas. Oficiais da força contraterrorismo conhecida como Delta vasculharam dois contâineres químicos no local, mas não encontraram nenhum explosivo. Os detidos foram soltos mais tarde, com a polícia afirmando que eles não tinham relação com as ações de sexta-feira.

Sobreviventes do massacre na ilha apontaram para a possibilidade de haver dois atiradores, e no sábado a polícia confirmou que investigava esses relatos, não descartando a existência de um segundo suspeito. “Ele diz ter agido sozinho, mas a polícia precisa verificar tudo. Alguns dos testemunhos coletados na ilha nos fez questionar se havia um ou mais atiradores”, disse Sponheim.

A polícia analisa agora o manifesto atribuído ao atirador, intitulado “2083 – Uma Declaração Europeia de Independência”, postado em inglês no dia do atentado duplo. Nele, o suspeito afirma que a elite europeia, “os multiculturalistas” e os “enaltecedores da islamização” seriam punidos por seus “atos de traição”. O texto também declara a “guerra” contra os imigrantes muçulmanos e os marxistas.

Homenagem às vítimas

Centenas compareceram neste domingo à Catedral de Oslo para uma missa em memória dos mais de 90 mortos no duplo atentado. Além da cerimônia em Oslo, houve funerais das vítimas em diversas partes do país. O rei norueguês Harald 5º e sua esposa, a rainha Sônia, estiveram na catedral juntamente com o primeiro-ministro, Jens Stoltenberg.

O premiê disse aos presentes que os dois dias desde o ataque parecem “uma eternidade e as noites são repletas de angústia e lágrimas”. “Cada um dos que nos deixaram é uma tragédia. Uma tragédia nacional”, disse.

Stoltenberg disse conhecer vários dos mortos de sexta-feira, anunciando que os nomes e as fotos das vítimas serão publicados em breve. “A magnitude do mal emergiu naquele momento”, disse o premiê trabalhista no discurso pronunciado com a voz embargada. O rei Harald 5º não pôde esconder as lágrimas.

FONTE: iG, com AP, BBC, EFE e AFP

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O ministro de Negócios, Inovação e Treinamento da Grã-Bretanha, Vince Cable, criticou neste domingo o impasse do Congresso americano para a elevação do teto de sua dívida, afirmando que alguns poucos “loucos de direita” ameaçam o sistema financeiro mundial.

Em entrevista à BBC, ele disse que a disputa no governo americano representa um risco maior aos mercados globais do que a crise na zona do euro.

“A ironia da situação no momento, olhando para a abertura dos mercados amanhã é que a maior ameaça para o sistema financeiro mundial vem de alguns poucos loucos de direita no Congresso americano e não da zona do euro.”
As negociações fracassaram na sexta à noite, quando o líder da Câmara dos Representantes (deputados federais) dos Estados Unidos, o republicano John Boehner, se retirou das negociações com a Casa Branca sobre um acordo.
Segundo o governo americano, caso o Congresso não autorize a elevação do teto da dívida – atualmente em US$ 14,3 trilhões (cerca de R$ 22,2 trilhões) – até 2 de agosto, os Estados Unidos terão de parar de cumprir seus compromissos financeiros.

Prazo final

Esta sexta-feira marcava o prazo final estabelecido por Obama anteriormente para que um acordo fosse fechado e pudesse tramitar no Congresso e ser aprovado a tempo de evitar o calote.
Outro encontro de emergência no sábado entre Obama e os líderes do Congresso também não chegou a um consenso.
Há divergências entre os dois partidos sobre a profundidade dos cortes e que programas devem ser afetados.
Um dos principais pontos de discórdia se refere ao pagamento de impostos. Obama quer que o pacote inclua o fim dos cortes de impostos concedidos à camada mais rica da população ainda durante o governo de seu antecessor, George W. Bush.
Os republicanos se recusam a aprovar qualquer medida que inclua aumento de impostos.

Calote ‘impensável’

No entanto, o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, disse nesse domingo que está confiante em um acordo.
“É impensável a ideia de que esse país não cumprirá com suas obrigações”, disse Geithner em entrevista à rede americana CNN. “Isso não vai acontecer.”
Ele afirmou ainda que a proposta republicana de primeiro elevar o limite da dívida e só então negociar os cortes era “irresponsável” e não seria aceita pelos democratas.

FONTE: BBC

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