![convite virtual a3 - amazônia azul [15jun11]](http://www.naval.com.br/blog/wp-content/uploads/2011/06/convite-virtual-a3-amazônia-azul-15jun11.jpg)
O ministro russo de Situações de Emergência enviou dois aviões para o Iêmen no domingo para evacuar cidadãos de seu país que pretendem deixar aquela nação do Golfo envolvida em uma revolta popular.
O ministério disse que um Ilyushin Il-76 e um avião Yakovlev Yak-42 foram enviados para o Iêmen e que os mesmos retornariam a Moscou na segunda-feira.
Um certo número de diplomatas russos e suas famílias já foram evacuados do país quando as tropas do governo continuam a batalha contra militantes islâmicos.
O Ministério russo de Relações internacionais disse que cerca de 198 cidadãos russos vivem no Iêmen.
O presidente do Iêmen, Ali Abdullah Saleh, que estava gravemente ferido semana passada pós o ataque de forças da oposição, enfrenta protestos em todo o país contra seu governo de 33 anos. Saleh teve que ser levado para a Arábia Saudita para o tratamento médico de urgência após o ataque.
FONTE: Xinhua
Decisão da Justiça suspende portarias que permitiam o serviço doméstico
Rio – Militares subalternos das Forças Armadas não poderão mais fazer tarefas domésticas na casa de oficiais. A decisão é da 3ª Vara Federal de Santa Maria (RS) que vale para todo o País. A sentença da juíza Simone Barbisan Fortes deverá entrar em vigor em até 90 dias.
A decisão suspende duas portarias, do Exército e da Aeronáutica, que permitiam utilizar os chamados taifeiros, em atividades exclusivamente domésticas nas casas de oficiais. A iniciativa do processo partiu, no final do ano passado, dos ministérios públicos Militar e Federal. Mais de 600 subalternos nessas atividades. O custo chegaria a R$ 1 milhão por mês.
Podiam usar os serviços oficiais de quatro estrelas, como almirante de esquadra, general de Exército e tenente brigadeiro; de três estrelas: vice- almirante, general de divisão e major brigadeiro; e de duas estrelas: contra almirante, general de brigada e brigadeiro. O Ministério da Defesa informou que se manifestará quando for notificado da decisão judicial.
FONTE: Jornal O Dia
ROMA, 9 JUN (ANSA) – O subsecretário das Relações Exteriores da Itália, Alfredo Mantica, disse que o Brasil “ainda não está pronto” para ser uma potência mundial, devido à decisão de manter no país o ex-militante italiano Cesare Battisti.
“Esta libertação demonstra que o Brasil ainda não está pronto para entrar no círculo das grandes potências mundiais, e isto a Itália vai recordar em todas as oportunidades e fóruns internacionais”, afirmou o diplomata.
Segundo ele, a decisão sobre Battisti “é um grave erro político e estratégico, além de judiciário. Um erro que outras potências emergentes, como China, Rússia ou Índia, jamais cometeram”.
Battisti, condenado à prisão perpétua na Itália por quatro assassinatos cometidos na década de 1970, foi solto nesta madrugada, após o Supremo Tribunal Federal (STF) validar a decisão do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de não extraditar o ex-militante.
O italiano foi detido no Brasil em 2007 e, dois anos depois, recebeu o status do refugiado político do então ministro da Justiça, Tarso Genro, o que automaticamente impediu sua extradição.
O caso foi analisado em 2009 pelo STF, que autorizou a extradição, mas decidiu que a palavra final caberia ao presidente. A determinação para manter Battisti no Brasil foi anunciada no último dia de mandato de Lula.
“A libertação de Battisti demonstra como, no Brasil, a dependência entre o sistema judiciário e a política limita fortemente os padrões democráticos deste país emergente”, afirmou Mantica.
O subsecretário das Relações Exteriores da Itália também destacou que o gesto brasileiro é um “bruto sinal” para “as empresas italianas e europeias que olham o Brasil como um potencial parceiro para os investimentos”.
Ontem, o STF decidiu, por 6 votos a 3, validar a determinação de Lula e aprovou a libertação do italiano, que estava sob prisão preventiva na penitenciária de Papuda, em Brasília.
FONTE: ANSA
NOTA DO FORTE: Parabéns aos nossos Governantes por enlamear o nome do Brasil no exterior.
Povo Fluminense,
Os Bombeiros do Rio de Janeiro, profissionais trabalhadores, ordeiros e competentes, em respeito à população que sempre defenderam, por vezes com o sacrifício da própria vida, vem a público esclarecer o que tem ocorrido na Corporação e no Governo do Estado e o que levou companheiros e seus familiares a desafiarem os desmandos do Comandante Geral Cel Pedro Marco e do Governador Sérgio Cabral.
Como sabemos, o Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro é uma corporação voltada para a preservação de vidas e proteção de Bens da população do Estado do Rio de Janeiro.
Ao longo da sua existência, o CBMERJ sempre se pautou pela hierarquia e disciplina e também pela credibilidade de seus serviços, estando ao lado da população Fluminense em todas as suas aflições e enfrentando com bravura as calamidades naturais que atingem o Estado. São inúmeras as vidas salvas e os bens preservados pelos profissionais do Corpo de Bombeiros, que a população chama carinhosamente de Heróis. Ao nos formarmos, juramos defender a população com o Sacrifício da nossa própria vida e assim temos feito ao longo desses 155 anos de existência.
A Corporação recolhe cadáveres, combate os mosquitos da dengue, atua nas UPAS, guarnece o sambódromo no carnaval e atua no Rock in Rio (sem remuneração extra, embora o evento seja cobrado ao público), além de exercer as suas funções de salvamentos e combate à incêndio, recebendo um dos PIORES SALÁRIOS pagos pela categoria no Brasil (tabela ao Final).
O reequipamento da Corporação não é mérito do Governador, mas sim da população do Estado do Rio de Janeiro que paga a taxa de incêndio e que, ainda assim, não sabe que os recursos não são totalmente destinados à Corporação.
A Ira do Sr. Sérgio Cabral, com os Bombeiros, vem de 2009, quando foi vaiado pela Corporação durante o lançamento da Campanha “Cultura Antidengue” no ginásio do Maracanãzinho e desde então tem discriminado os Bombeiros militares, sejam nas gratificações (usando seu poder de discricionariedade) seja nas condições de trabalho (vocês viram alguma homenagem aos heróis que morreram na calamidade da Região Serrana?)
Agora, a população do Estado do Rio de Janeiro, assiste a sua Corporação de heróis ser aviltada e achincalhada pelas atitudes ditatoriais do Governador Sérgio Cabral que culminou com os manifestantes adentrando o Quartel Central da Corporação, no ultimo dia 03, para serem ouvidos pelo seu Comandante Geral, que omisso, serviu de “pau mandado” do governador Sérgio Cabral e ignorou os clamores de sua Tropa, nem comparecendo ao local.
O Governador Sérgio Cabral, adotando os melhores recursos da DITADURA, mandou o BOPE invadir com tiros e bombas o Quartel Central do Corpo de Bombeiros, ferindo militares honestos, mulheres e crianças indefesas. Atitude inadmissível em um Estado democrático de Direito!
Porque o Comandante Geral do CBMERJ, Cel Pedro Marco, não tomou as medidas necessárias para a retirada de seus militares do pátio do Quartel Central? Estavam todos desarmados e com seus familiares. Não era necessário o uso da força e sim do diálogo. Os Bombeiros são pacíficos por natureza.
O Governador nunca gostou da Corporação. Nomeou para Secretário o Ex médico do CBMERJ Sérgio Côrtes, um homem que deixou a Corporação por não concordar com os baixos salários e a carga de trabalho excessiva e agora nada faz para ajudar a Corporação, apenas integra os desmandos administrativos e superfaturados do Governo do Estado na área da saúde.
Assistimos perplexos ao Comandante Geral da PMERJ usurpar o Comando do CBMERJ e se dirigir, dentro do quartel dos Bombeiros, à tropa de profissionais honestos como se bandidos fossem.
Nossos militares foram presos e conduzidos aos quartéis da PMERJ como criminosos apenas por reivindicar dignidade profissional!
Se nossos companheiros erraram ao ADENTRAR a SUA SEGUNDA MORADA, o Governador foi CRIMINOSO e DITATORIAL ao ordenar a invasão do Quartel Central dos Bombeiros pelo BOPE com uso de FORÇA, TIROS E BOMBAS, como se ali fosse uma antro de criminosos e não de profissionais que arriscam a sua vida pela população, CAUSANDO FERIMENTO EM MULHERES E CRIANÇAS e obrigando a nossos companheiros ao confronto.
AJUDEM AQUELES QUE SEMPRE O SOCORRERAM!!!
NUNCA DEIXAMOS DE ATENDER E SOCORRER A POPULAÇÃO!
MOSTRE A SUA INDIGNAÇÃO POR ESSE ATO VIOLENTO E DITATORIAL DO GOVERNADOR SERGIO CABRAL!!!
MOSTRE O SEU APOIO AOS BOMBEIROS!
ENVIEM ESSA CARTA PARA TODOS OS SEUS AMIGOS.
ACOMPANHEM E APOIEM O NOSSO MOVIMENTO PELO SITE http://www.sosguardavidas.com
SALÁRIOS BRUTOS DOS BOMBEIROS NO BRASIL:
- 01º – Brasília – R$ 4.129.73
- 02º – Sergipe – R$ 3.012.00
- 03º – Goiás – R$ 2.722.00
- 04º – Mato Grosso do Sul – R$ 2.176.00
- 05º – São Paulo – R$ 2.170.00
- 06º – Paraná – R$ 2.128,00 1
- 07º – Amapá – R$ 2.070.00
- 08º – Minas Gerais – R$ 2.041.00
- 09º – Maranhão– R$ 2.037.39
- 10º – Bahia – inicial – R$ 1.927.00
- 11º – Alagoas – R$ 1.818.56
- 12º – Rio Grande do Norte – R$ 1.815.00
- 13º – Espírito Santo – R$ 1.801.14
- 14º – Mato Grosso – R$ 1.779.00
- 15º – Santa Catarina – R$ 1.600.00
- 16º – Tocantins – R$ 1.572.00
- 17º – Amazonas – R$ 1.546.00
- 18º – Ceará – R$ 1.529,00
- 19º – Roraima – R$ 1.526.91
- 20º – Piauí – R$ 1.372.00
- 21º – Pernambuco – R$ 1.331.00
- 22º – Acre – R$ 1.299.81
- 23º – Paraíba – R$ 1.297.88
- 24º – Rondônia – R$ 1.251.00
- 25º – Pará – R$ 1.215,00
- 26º – Rio Grande do Sul – R$ 1.172.00
- 27º – Rio de Janeiro – R$ 1.031,38 (SEM VALE TRANSPORTE)
O RIO DE JANEIRO é o Estado que mais recebe investimentos no Brasil, é o 2º que mais arrecada impostos. Pretende Sediar o Rock in Rio, as Olimpíadas militares, a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas em 2016.
Há algo de errado e Podre no Governo do Exmo Sr Governador Sérgio Cabral Filho!!!
FOTO: O Globo
Livro analisa trabalho do repórter em áreas de conflito
Acompanhar tiroteios entre policiais e traficantes nas favelas; livrar-se de enchentes para trazer relatos consistentes sobre o drama da cidade alagada; ver de perto a crise habitacional; acompanhar tumultos nas ruas da cidade; investigar crimes hediondos e chacinas de deserdados; descobrir e analisar falcatruas dos três Poderes; tomar depoimentos de pessoas emocionalmente vulneráveis e atuar em alguns casos como se fosse uma tropa de choque são tarefas banais para os repórteres e fotógrafos que trabalham na editoria de Cidade dos grandes veículos de comunicação do país.
Esse ambiente envolvente do trabalho dos repórteres pode ser encontrado agora no novo livro do jornalista Carlos Nobre, “Direto do Front: A cobertura jornalística de ações policiais em favelas do Rio de Janeiro” que será lançado na sexta-feira, dia 10, 19h, na Rua Mem de Sá, 126, Lapa.
Nobre é professor de Metodologias/Técnicas de Reportagem, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), e a obra é resultante da análise que fez do que chama de “jornalismo urbano”, em que os repórteres são atingidos diariamente pela imprevisibilidade da notícia nas metrópoles; vão para as ruas apurar fatos que tendem a fugir do controle da redação.
É uma das características mais marcantes da editoria de Cidade que Nobre neste livro apresenta para os leitores: ele analisa como trabalha uma editoria que tem muitas atribuições geográficas e políticas no cotidiano de uma metrópole e que em nenhum momento do ano para de funcionar.
Para dar mais sustentação à tese de um jornalismo urbano, o autor mergulha em diversos ambientes jornalísticos como se quisesse envolver as culturas jornalísticas na ação de reportagem. Por essa perspectiva, é possível encontrar no texto do prefaciador da obra, o renomado jornalista Telmo Wambier (ex-editor O Globo, Jornal do Brasil, Estado de São Paulo, e TV Globo), elementos interessantes a respeito das diversas linhas metodológicas adotadas pelo autor para escrever sua obra, da Editora Multifoco.
O que diz Wambier, em relação à obra de Nobre:
“Um mesmo livro pode ter significados diferentes para diferentes leitores. “Direto do front”, do professor Carlos Nobre, pode ser lido de várias perspectivas: como um relato histórico do fazer jornalístico dos anos 1980/1990, como uma análise crítica da forma como a grande imprensa traduz a metrópole partida, ou, até mesmo, como um ensaio sociológico sobre as relações da imprensa com o poder e com os excluídos. Em cada leitor uma mesma obra bate de diferentes formas, a depender das experiências vividas e do interesse pessoal pelo assunto tratado. Um autor, depois de lançado o livro, perde o controle sobre o seu significado, já que para cada um a obra é seu autor mais o que o leitor acrescenta como experiência e memória”.
Um dos momentos mais interessantes da obra é quando Nobre aborda conceitualmente a apuração como fundamento da reportagem. Neste caso, Nobre vê dois momentos antagônicos no trabalho de verificação e análise de dados pelos repórteres, ou seja, a apuração em condições ideais e a apuração em condições adversas. Em cada momento destes dois modelos de apuração, o repórter terá que se desdobrar de forma diferenciada, analisa o autor.
O autor, por conseguinte, diz que a cobertura adversa é característica implícita da Cidade, é seu alimento natural, vitaminado pela imprevisibilidade das ocorrências do cotidiano de uma metrópole que a editoria de Cidade tem o prazer de acomodar em seus braços como se fosse um grande presente. Se não for assim, inexiste jornalismo ou reportagem de Cidade, diz o autor de “Direto do front”.
Daí, então, em muitos casos, vemos o repórter cobrindo certos assuntos (crime, enchentes, tiroteios, tumultos etc.) “meio vendido” na história, isto é, sem saber exatamente como poderá se comportar no front da notícia imprevista que contraditoriamente tem grande significado para os leitores do jornal no dia seguinte à sua publicação.
Neste sentido, Nobre acrescenta outro dado que faz parte da psiquê dos repórteres que trabalham nesta editoria: a insubstituível sensação de insegurança quanto à capacidade de conseguir apurar a matéria com certa precisão em virtude do alto grau de mudanças de comportamentos e de atitudes das fontes em relação ao fato que está sendo apurado.
O autor também não deixa de abordar o chamado jornalismo investigativo que ele prefere, em muitos casos, chamar de “apuração ou reportagem investigativa”. Aqui, Nobre, ao invés de teorizar sobre este assunto, seleciona alguns métodos de trabalho do jornalismo investigativo e faz uma análise técnico-sociológica a respeito de cada uma deles, a fim de que os leitores possam ter uma noção da complexidade do trabalho jornalístico.
Aliás, lendo o livro de Nobre cai por terra certas visões segundo as quais o trabalho jornalístico é simplista. Nobre mostra que os antigos e novos instrumentos de apuração tendem se convergir, hoje, em função do alto desenvolvimento tecnológico via internet, produzindo, assim, imersões do repórter pelo mundo de diversos de tipos de visões sobre a “notícia” e a “verdade”.
Na verdade, segundo o autor, hoje existe uma proliferação de “verdades”, e eis um interessante desafio para o repórter : não estabelecer pontos de partidas ou verdades únicas nas pautas, pois, no atual momento, não existe mais isso em função de um novo tempo, de uma nova época, onde métodos de trabalho mudam com impressionante rapidez.
Uma das mais importantes avaliações do livro é o ultimo capítulo chamado “Direto do front”, que se tornou nome da obra, onde o autor se detém em revelar como começou às coberturas jornalísticas das ações policiais em favelas do Rio de Janeiro (envolvendo mais 100 homens super-armados, tendo que enfrentar número idêntico de traficantes/armas).
Nobre mostra, aqui, um certo heroísmo do repórter de Cidade dos anos 1980 quando este tipo de cobertura começou no Rio de Janeiro. O repórter daquela época cobria essas ações de forma improvisada. Hoje, não. A cobertura é mais planejada. Ou seja, o repórter que trabalha neste tipo de cobertura faz cursos em tropas especiais da América Latina, usa calote à prova de balas e sabe se deslocar como um integrante de uma tropa de elite pelo terreno acidentado das favelas cariocas durante os conflitos.
O autor
CARLOS NOBRE é formado em Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e professor de Jornalismo da mesma universidade. Mestre em Ciências Penais pela Universidade Cândido Mendes (Ucam). Como jornalista, conquistou seis prêmios, sendo dois Esso.
Trabalhou em todos os grandes jornais brasileiros. Suas especialidades acadêmicas são direitos humanos, criminalidade, relações raciais, instituições coercitivas e culturas populares urbanas.
Publicou cinco livros, entre eles, “Mães de Acari: uma história de luta contra a impunidade” (Relume-Dumará, RJ, 1994), “Mães de Acari: uma história de protagonismo social” (Pallas-PUC-Rio, RJ, 2005) e “ Que cidadania queremos? Ensaios sobre cidadania e exclusão”( Sempre Livre, RJ, 2003), em conjunto com outros autores, e “ O negro na Polícia Militar: cor, crime e carreira” (Multifoco, RJ, 2010).
Gen Ex Paulo Cesar de Castro
O que é o Exército?
Formulei esta pergunta ao receber a apresentação de oficiais nas organizações militares que visitei e inspecionei. Propus ─ e tenho insistido em propor ─ a mesma pergunta aos que me têm honrado com suas presenças em palestras casernas afora. Sem esperar por respostas, afirmei e asseguro enfaticamente: “O Exército é uma Força Armada!” Assim são nossas coirmãs: “a Marinha é uma Força Armada! A Aeronáutica é uma Força Armada!”
E o que significa ser Força Armada?
A resposta encontra-se, parcialmente, no texto constitucional. Ser Força Armada significa ser instituição nacional permanente e regular, organizada com base na hierarquia e na disciplina[1]. É, pois, cristalino que a Marinha, o Exército e a Aeronáutica, sendo nacionais, servem à Nação e integram o Estado brasileiro, permanente e vitalício. Em conseqüência, é indispensável sublinhar o óbvio: as Forças Armadas não são instituições governamentais, estas efêmeras, substituíveis, mutáveis e, até mesmo, aparelháveis, segundo o projeto político-ideológico dos governantes de turno, também tão efêmeros e com os dias contados nos cargos que, temporariamente, ocupam. As Forças Armadas perpetuam-se e dedicam-se de corpo e alma à Nação, diferentemente das organizações de governo e das particulares, assistenciais, político-partidárias, sindicais, desportivas e tantas outras que passam e são substituídas a exemplo de seus dirigentes, que, se bem preparados e escolhidos, também servem à Nação.
Ser Força Armada exige prontidão em tempo integral para atender à Nação, nos termos da Carta Magna: “… e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem”[2]. Em decorrência, ser Força Armada obriga a permanente e total preparo para defender a Pátria e para atender às demais destinações mencionadas, qualquer que seja a hipótese de emprego que caracterize ameaça ao Estado nacional, em sua integridade, soberania, honra e interesses vitais. É imperioso citar que, além de atender à destinação constitucional, ser Força Armada implica, ainda, plena preparação para cumprir a missão, conceito tão arraigado na cultura militar. A missão detalha e amplia a destinação constitucional por englobar, também, emergências, em geral conflitos decorrentes de tratados celebrados pelo Brasil e de compromissos por ele assumidos junto a organismos internacionais. Em suma, ser Força Armada significa preparar-se diuturnamente e estar sempre pronta para servir. Seus integrantes, os militares, serviram, servem e servirão!
Estar em condições de pronto emprego exige quadros e tropa selecionados, instruídos, motivados, adestrados e plenamente atualizados com o estado da arte e ciência da guerra. Exige ainda, é óbvio, doutrina, instrução, adestramento, logística, estrutura e equipamentos adequados aos desafios do Século XXI. A prontidão pressupõe que o Comandante Supremo atenda à demanda das Forças Armadas, dotando-as de todos os itens que lhe são imprescindíveis para atender e socorrer a Pátria, à qual tudo se dá e nada se pede, nem mesmo compreensão. “A Nação espera que cada um cumpra o seu dever!”, eis o farol que tem iluminado a marcha firme de nossos marinheiros, soldados e aviadores, abnegados e disciplinados, ciosos da hierarquia, coesos, comprometidos, cultores e identificados com a História, tradições, vultos, feitos, valores e lições de todos os tempos. São irmãos de armas que, neste exato momento, caro leitor, estão em silenciosa vigília no mar, na terra e no ar, malgrado décadas de esquecimento e menosprezo com que têm sido tratados por sucessivos comandantes supremos que lhes têm negado os meios indispensáveis à plena prontidão em prol da Pátria. A pertinácia, a fé na missão, o senso de cumprimento do dever e a firme liderança militar, em todos os escalões de comando, têm-nos impulsionado a superar obstáculos e desafios ante os quais tantos outros teriam capitulado.
Proliferam exemplos do esquecimento e do menosprezo a que me refiro. Pergunto-lhe leitor: há quanto tempo a Força Aérea Brasileira tem esperado pela decisão de aquisição de aeronaves de caça compatíveis com sua nobre e inalienável responsabilidade? Passaram-se já dezesseis anos de postergamento e, quando escrevo estas reflexões, vive-se o quinto mês do décimo sétimo ano de não-decisão. E há quanto tempo a Marinha tem clamado por aeronaves que possam operar a partir do Navio Aeródromo São Paulo? “O comandante é o responsável por tudo o que acontece e deixa de acontecer”, sábia máxima militar. O texto constitucional é esclarecedor em apontar o responsável pela penúria operacional imposta às Forças. Lá se lê que “As Forças Armadas… sob autoridade suprema do Presidente da República…”[3] e que “Compete privativamente ao Presidente da República:… XIII – exercer o Comando Supremo das Forças Armadas…”[4].
Em prolongadas situações como as que temos enfrentado, ser Força Armada obriga homens e mulheres de armas, por um lado, a “multiplicar pães e peixes, a partir das migalhas recolhidas pelos discípulos”. Sua liderança militar tem sido impecável e digna de encômios. Por outro lado, obriga-os a meditar sobre o pensamento[5] que me vem à memória:
“Se o general permanece em silêncio enquanto o governante leva a nação à guerra com meios insuficientes, assumirá a responsabilidade pelos riscos”
“O general que fala bem alto sobre o preparo para a guerra, enquanto a nação está em paz, coloca em risco sua posição e seu status. Entretanto, o general que fala muito baixo coloca em risco a segurança de sua nação”
Ser Força Armada é comprometer-se e ter convicção de que, para defesa da Pátria, faz-se mister empregar integral e energicamente seu poder de combate letal, derrotar o inimigo que atenta contra interesse vital da nacionalidade e, se for o caso, subjugar a força adversa desafiadora da lei e da ordem. A derrota e a rendição incondicional serão impostas àquele que afrontar a própria existência da Nação, sua soberania, sua integridade, sua honra e seu patrimônio, material e imaterial, seus interesses vitais no mar, na terra e no ar, onde e quando se fizer necessário. Trata-se de preservar tudo o que, na paz e na guerra, com suor, sangue, idealismo, trabalho e lágrimas, foi conquistado por sucessivas gerações da brava gente brasileira, nos últimos quinhentos e onze anos. Trata-se, em síntese, de nada ceder a quem não respire, transpire, ame e idolatre, apenas, o verde-amarelo-azul-e- branco.
Força Armada é instituição integrada por voluntários vocacionados, homens e mulheres de armas, que prometeram, solenemente, dedicar-se inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições defenderão com o sacrifício da própria vida. Não encontro segmento humano que se lhes equipare em dedicação, sacrifício, honradez, senso do cumprimento do dever, probidade e determinação. Marinheiros, soldados e aviadores estão prontos para morrer e, mais grave ainda, para matar pela Pátria, este pedaço de chão tão querido, a que chamamos Terra de Santa Cruz. Em razão de sua retidão, postura e comportamento, gozam dos mais elevados índices de credibilidade junto à gente brasileira. Orgulham-se do patamar conquistado e respondem com solidariedade, mão amiga e fraternidade àqueles que confiam nas Forças Armadas, malgrado as mentiras que se lhes lançam e o revanchismo que sofrem daqueles que, fantasiados de brasileiros, denotam ter perdido as noções básicas de Pátria, Nação e Brasil.
Ser Força Armada é não faltar a seus concidadãos, socorrendo-os sempre que outras instituições e agências governamentais mostram-se incapazes, insuficientes, omissas e/ou incompetentes para empreender o que delas se espera. Como exemplos, podem-se lembrar: contagem de veículos em rodovias; vacinação de animais de pequeno porte; aplicação de produtos para erradicar insetos transmissores de doenças diversas; distribuição anual de água a populações atingidas pela seca; ações cívico-sociais e atendimento médico-odontológico a populações ribeirinhas e indígenas; presença das asas do Correio Aéreo Nacional em regiões nas quais o Estado se mantém levianamente ausente; ações contra o tráfico internacional de drogas, o contrabando e o descaminho, em águas interiores, regiões remotas e rotas aéreas clandestinas. Até neste caso omitem-se aqueles a quem caberia exercer a autoridade do Estado e do Governo: quantas aeronaves são detectadas pela Força Aérea transportando criminosos, drogas e sabe Deus o que mais? Em quantas dessas ocasiões o mandatário eleito autorizou que aeronaves de criminosos fossem abatidas?
Ser Força Armada é garantir a lei e a ordem (GLO), destinação constitucional histórica de nossas instituições castrenses. Para atendê-la, são levadas a acompanhar ações, fracassos, incompetência e inação de governos estaduais que se omitem e/ou perdem a capacidade de cumprir com suas próprias responsabilidades, deixando de exercer a autoridade que lhes incumbe. Tal tem ocorrido quando militares de forças auxiliares cruzam os braços, negam-se a cumprir com suas obrigações, maculam a hierarquia e a disciplina, enlameiam a história de suas próprias corporações e abandonam cidades e estados inteiros à mercê da criminalidade. Em casos como estes, cometem, isto sim, crimes capitulados no Código Penal Militar.
Ser Força Armada é manifestar solidariedade, camaradagem, humanidade e identidade a seus compatriotas, quando chamadas ao exercício de atribuições subsidiárias. Cooperar com o desenvolvimento nacional e a defesa civil são ditas atribuições subsidiárias gerais às quais cada Força Armada tem emprestado sua parcela de contribuição, pelo que têm sido louvadas, desde os governos da Revolução Democrática de 1964. Despontaram o Projeto Rondon, as obras da Engenharia Militar e, à época, o País elevou-se ao patamar de oitava economia mundial. É hora de destacar que, a par do orgulho de cooperar, na forma da lei, as atribuições em apreço devem ser realmente entendidas como subsidiárias, de forma a não desfigurar a essência da Força Armada nem desviar seus guerreiros da destinação maior de sua profissão: o combate, a batalha, a guerra. Empregar, em defesa da Pátria, a belonave e o míssil, a baioneta e o fuzil, a granada e o canhão, o blindado e o combate corpo-a-corpo, o fogo e o golpe-de-mão, o bombardeiro e o interceptador, a tática e a estratégia, o torpedo e a faca de trincheira, eis o cerne da Força Armada. Em hipótese alguma, devem seus combatentes apaixonar-se pelas atribuições subsidiárias, mas tratarem-nas com eficácia, competência e em sua justa medida, nada mais.
Ser Força Armada significa adotar voluntariamente códigos de conduta ímpares, abraçar os valores militares e seguir as lições dos velhos comandantes: “Sustentar o fogo que a vitória é nossa”; “Sigam-me os que forem brasileiros”; “É fácil comandar homens livres, basta mostrar-lhes o caminho do dever!”; “Eles que venham, por aqui não passarão!”; “Se queres a paz, prepara-te para a guerra!”; ”Lembrai-vos da guerra!”; “Ad sumus!”; “O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever!”
Marinheiros, soldados e aviadores, da ativa e da reserva, avante! Marchemos coesos, unidos e com destemor sendo Força Armada. [6]
“Brasil, acima de tudo!”
Gen Ex Paulo Cesar de Castro
Professor emérito da ECEME
[1] – BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. Art. 142.
[2] – Idem.
[3] - Ibidem.
[4] – BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil, 1988. Art. 84,.
[5] – YINGLING, Tenente-Coronel Paul, in Armed Forces Journal.
[6] – Já havia concluído este artigo quando li nos jornais (final de maio de 2011) que tropa do Exército será empregada como se guarda florestal fosse.
A Força pretende comprar até US$ 4,5 bilhões em mísseis e canhões para proteger estádios de ataques terroristas durante os jogos
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PEDRO PAULO REZENDE. COM GERSON MORA E MARCO VERGOTTI (GRÁFICO) E DAVID MICHELSOHN (INFOGRAFIA ONLINE)
O rúgbi é o principal esporte da África do Sul. Em 1995, o país foi sede da Copa do Mundo de Rúgbi. O torneio foi cercado de grande simbolismo. Era o primeiro grande evento esportivo realizado no país, que pouco antes se libertara do regime do apartheid. O jogo final entre África do Sul e Nova Zelândia foi realizado no Ellis Park, em Johannesburgo, com a presença do então presidente, Nelson Mandela.
De repente, um jato Boeing 747 fez um voo rasante, não autorizado, sobre o estádio. O avião tinha a mensagem “Para frente, Springboks!” (um tipo de antílope, símbolo da seleção sul-africana) pintada nas asas. Quem assistiu ao filme Invictus, do diretor Clint Eastwood, conhece essa cena. Em 2014, o Brasil vai sediar uma Copa do Mundo de Futebol, o maior evento esportivo no país em décadas. Em sigilo, o Exército se prepara para tornar impossíveis surpresas como a da África do Sul.
O Exército iniciou uma licitação internacional para a compra de equipamentos de defesa antiaérea. A previsão é gastar de US$ 1,5 bilhão a US$ 4,5 bilhões em mísseis, canhões antiaéreos e radares para proteger contra atentados os estádios durante a Copa das Confederações, em 2013, os 64 jogos da Copa do Mundo de 2014 e as competições das Olimpíadas de 2016, no Rio de Janeiro.
ÉPOCA teve acesso a um documento de 15 páginas de 26 de janeiro, com o selo “confidencial”, no qual o Comando Logístico do Exército detalha a fornecedores internacionais o Projeto do Sistema Integrado de Artilharia Antiaérea do Exército Brasileiro (Projeto Siaaeb). “(O projeto é) destinado à atualização do sistema existente, já bastante defasado, com vistas a atender às exigências da Estratégia Nacional de Defesa e às do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro, particularmente em face das obrigações decorrentes da realização no Brasil da Copa das Confederações, em 2013, da Copa do Mundo de Futebol, em 2014, e dos Jogos Olímpicos de 2016”, diz o texto.
Desde que terroristas da al-Qaeda sequestraram e jogaram dois aviões contra as torres do World Trade Center, e outro contra o prédio do Pentágono, nos Estados Unidos, em 11 de setembro de 2001, os organizadores de grandes eventos esportivos internacionais adicionaram a exigência de proteção antiaérea ao planejamento s de segurança.
Nas Olimpíadas de Pequim, em 2008, o Exército chinês cercou os principais centros de competição, inclusive o Estádio Ninho de Pássaro, com seus mais avançados equipamentos. A intenção dos militares brasileiros é aproveitar a oportunidade aberta pela Copa para modernizar a obsoleta força antiaérea nacional. O Exército pretende comprar cinco baterias de mísseis de médio alcance, mísseis de curto alcance, que podem ser lançados do ombro por um soldado, novos radares de detecção e centros de comunicação.
O investimento inclui a modernização de cinco grupos de artilharia antiaérea, equipados com canhões de 35 mm e 40 mm, adquiridos ainda nas décadas de 1970 e 1980. O Exército também vai comprar canhões antiaéreos de calibre 30 mm e complexos de mísseis de curto raio de ação para os novos veículos blindados Guarani e os velhos blindados M-113, usados na ocupação do Morro do Alemão, no Rio de Janeiro. Os velhos canhões antiaéreos ganharão novos motores elétricos, geradores e sistemas de comunicação em rede de última geração.
É notório que os equipamentos das Forças Armadas brasileiras estão superados. Nas últimas duas décadas, os governos gastaram pouco em armamentos, o que obriga os militares a reciclar e consertar velharias. Hoje, quatro dos cinco grupos vinculados à 1ª Brigada de Artilharia Antiaérea, espalhados pelo país, estão equipados com canhões de 40 mm de calibre e centrais que comandam os sistemas de radar e tiro. Eles foram construídos pela Avibras na década de 1980.
O 1º Grupo de Artilharia Antiaérea, no Rio, usa canhões de 35 mm recebidos em 1977. Uma comparação serve também para mostrar a dimensão do despreparo do Brasil, tanto em qualidade quanto em quantidade. Enquanto o Exército e a Força Aérea Brasileira (FAB) são obrigados a compartilhar cerca de 160 mísseis russos Igla (que podem ser lançados dos ombros por um soldado), o Exército da antiga Iugoslávia disparou mais de 1.000 mísseis desses apenas no primeiro dia das operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em Kosovo, em 1999. Na América Latina, os especialistas avaliam que apenas a Venezuela possui uma defesa antiaérea adequada, comprada da Rússia.
O sistema que o Exército quer estabelecer na Copa e nas Olimpíadas empregará cerca de 4 mil homens. A cada jogo, o espaço aéreo perto do estádio será fechado pela Aeronáutica. Cerca de 200 homens estarão envolvidos diretamente na defesa aérea e outros 400 darão apoio. Canhões, baterias antiaéreas e homens armados com lançadores de mísseis serão colocados em posições estratégicas do lado de fora dos estádios.
Em um ponto mais alto, será instalado um radar para detectar qualquer movimento nos céus. Em caso de ataque, os primeiros a entrar em ação serão mísseis antiaéreos de médio alcance, que podem derrubar intrusos a até 12 quilômetros. Se um eventual invasor conseguir passar incólume, os canhões ficarão encarregados do alvo. A última linha de defesa será feita por soldados equipados com mísseis que podem ser lançados do ombro, capazes de atingir alvos a até 5 quilômetros de distância. O tempo de destruição de um alvo não poderá ultrapassar 12 segundos.
Há dois anos o Exército estuda o assunto. Trinta e sete fornecedores foram consultados e 27 empresas da China, da França, dos Estados Unidos, da Suécia e da Rússia responderam. Uma comissão analisa o material recebido das empresas. A assinatura dos contratos está marcada para 16 de novembro. O Exército exige que as empresas concorrentes se comprometam a nacionalizar a produção das armas em oito anos.
Para cumprir o cronograma imposto pela Fifa, todo o sistema precisa estar pronto para operar em janeiro de 2014. Por se tratar de uma despesa para a Copa, a despesa com os equipamentos está livre dos cortes de R$ 50 bilhões do orçamento da União, estabelecidos pelo governo federal. Esse freio segurou, por exemplo, a compra de novos caças para a Aeronáutica e de fragatas e barcos patrulheiros para a Marinha.
Caso não consiga reequipar sua defesa aérea dentro do prazo, o governo terá de contratar um país que preste o serviço. Em 2010, a África do Sul preferiu essa alternativa: pagou cerca de US$ 1 bilhão para as forças armadas de Israel protegerem seus estádios na Copa do Mundo. Mas, por enquanto, essa alternativa ainda não está na mesa.
FONTE: Revista Época

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