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A Holanda realizou uma cerimônia de despedida de seus últimos 60 carros de combate no dia 18 de maio. Os Leopard 2A6 serão vendidos, terminando assim 90 anos de história dos carros de combate na Holanda.

O primeiro carro de combate foi introduzido no exército holandês logo após a Primeira Guerra Mundial, e no auge da Guerra Fria, os Países Baixos tinham cerca de 1.000 unidades, que formaram a espinha dorsal das forças armadas holandesas. Após o fim da Guerra Fria, o número foi rapidamente reduzido para o número final de 60 unidades.

FONTE/FOTO: Ministério da Defesa da Holanda

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Daniela Milanese

LONDRES – As relações comerciais entre Brasil e China apontam para as diferenças, os desafios e os desencontros existentes entre as duas economias emergentes, diz o jornal Financial Times, em caderno especial sobre o tema, publicado hoje. “Há sinais crescentes de que a lua de mel acabou”, afirma o jornal britânico.

Segundo o diário, “seria muito difícil encontrar duas grandes nações no mundo moderno que sejam social, política e culturalmente tão diferentes quanto China e Brasil”. Em razão disso, o Financial Times alerta para o “crescimento das tensões” entre ambos. Enquanto vê como bem-vinda a demanda chinesa por commodities, o Brasil reclama da entrada de manufaturados chineses baratos, o que traz o risco de desindustrialização.

O crescimento das relações comerciais entre os países e os bilhões obtidos com a venda de matérias-primas estimulam a economia brasileira. Isso permitiu que o governo brasileiro desse início a um boom econômico movido pelo crédito, sem se preocupar com o déficit em conta corrente, na avaliação do jornal. “Pela primeira vez, a classe média baixa tem dinheiro para gastar. Ao mesmo tempo, de repente ela pode bancar a compra de produtos graças a uma enxurrada de importações baratas da China”, diz o periódico.

Mas, do ponto de vista industrial, há preocupações. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) argumenta que o superávit comercial brasileiro com a China, de US$ 5,2 bilhões no ano passado, foi obtido graças à venda de commodities. Na área de manufatura, houve déficit recorde de US$ 23,5 bilhões. “Hoje, é difícil encontrar alguma coisa fabricada no Brasil”, afirma o jornal, ao lembrar que 80% das fantasias do carnaval deste ano foram importadas, a maior parte da China.

Em visita recente ao país asiático, a presidente Dilma Rousseff pressionou para que a China comprasse mais produtos industrializados do Brasil. Foram fechados negócios com a Embraer e houve o anúncio do compromisso de investimentos da Foxconn, empresa de Taiwan com forte operação na China. Os fabricantes nacionais alertam que o País pode sofrer desindustrialização caso não imponha mais medidas protecionistas sobre o que chamam de dumping de produtos chineses artificialmente baratos, aponta o jornal britânico.

Para o Financial Times, a China também representa outros desafios para o País. “O Brasil é uma democracia liberal que pretende cada vez mais apoiar os direitos humanos, enquanto a China é autoritária e uma repressora brutal das discordâncias.” Além disso, o Brasil quer ser uma força dominante na América Latina, enquanto o crescimento do comércio da China na região a tornam uma competidora, avalia o jornal.

FONTE: Agência Estado

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Sérgio Paulo Muniz Costa*

A publicação pelo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), sediado em Londres, da análise dos arquivos do computador do guerrilheiro Raul Reyes, morto no dia 1º de março de 2008 em território equatoriano, expôs como agendas políticas presidenciais condicionam ações de países sul-americanos em relação às FARC. Aponta-se ali desde cumplicidade de governos com a guerrilha colombiana até a carona midiática na libertação de reféns. Causadora de constrangimento em chancelarias da região, a divulgação noticiada não traz até aqui grandes novidades no front da segurança regional.

Mas fatos políticos (como esse) existem para provocar resultados e seria bom se o Brasil prestasse atenção ao recado embutido em relação “ao seu quintal”. O tal do quintal, para ficar apenas no doméstico, é um vasto território com enormes anecúmenos, pontilhado de cidades problemáticas, onde o estado tem dificuldades para impor a lei, e articulado com vizinhos assolados por guerrilhas e criminalidade que configuram ameaças à nossa segurança.

Para completar o horizonte carregado, aduza-se uma copa do mundo, uma olimpíada e um terrorismo internacional nada preocupado com o politicamente correto. Nesse quadro, as recentes decisões do estado brasileiro sobre extradição, fronteiras, defesa e segurança pública podem estar enviando sinais errados quanto à determinação do país em exercer soberanamente suas responsabilidades pela segurança nacional, e por que não dizer, regional.

Tudo indica que seja necessária uma corajosa revisão do processo decisório governamental imbricado nas áreas de defesa, segurança e relações internacionais. Um governo democrático se sustenta em partidos, claro, mas a política de estado que lhe cabe implementar desaconselha a ação de grupos de pressão numa área onde estados tomam decisões baseadas em elaborado cálculo. O fiasco brasileiro em Honduras deveria servir de lição.

A tradicional bonomia brasileira não irá conjurar os riscos que rondam o país.
Tampouco a militância ideológica que se espraia pelos poderes da República e os constrange na conveniência da imagem irá contribuir para as decisões substantivas que se avizinham. No cenário imediato, não é razoável imaginar que abrir mão de poder militar dissuasório, esterilizar fronteiras com terras indígenas ou tergiversar sobre terrorismo manterá o equilíbrio precário entre a política e a demanda social por segurança.

Quintal sem cerca e sem dono vira terreno baldio, algo que vale para as relações de bairro e internacionais. Mas o vazamento mais grave do guerrilhaleaks talvez não tenha sido o rol de inconfidências reveladas no computador capturado, e sim a água que vem fazendo a iniciativa brasileira de promover uma união de nações sul-americanas e sua correspondente estrutura de defesa e segurança, já tida por legítima e louvável. Ela não deveria chegar a um admirável lugar nenhum.

* Sérgio Paulo é Historiador, membro do CPE da UFJF, pesquisador de Segurança e Defesa do CEBRI e responsável pela Clio Consultoria Histórica. Foi Delegado do Brasil na Junta Interamericana de Defesa, órgão de assessoria da OEA para assuntos de segurança hemisférica.

Missão de Honra

A China anunciou um novo vídeo game para treinar suas tropas e para recrutamento chamado “Missão de Honra”. O conceito é equivalente ao “American’s Army” do US Army usado para treinamento e familiarização de tarefas antes de ir para a guerra. Enquanto o “American’s Army” usa um inimigo genérico o “Missão de Honra” usa claramente os americanos como inimigos. Pode ser um modo de evitar amedrontar os vizinhos (já amedrontados).

Os chineses estudam o assunto há décadas e criam suas próprias versões dos jogos ocidentais incluindo simuladores aéreos e navais. Os jogos de computadores são populares na china e os recrutas levam as habilidades nos jogos para a vida militar.

O US Army também vem usando jogos há mais de uma década para treinar suas tropas com o “American’s Army” sendo apenas o mais conhecido. Os jogos também são usados para treinar todo tipo de especialista militar como médicos, mecânicos, interpretes, analistas de informações e interrogadores. Pesquisas também mostram que os jogadores de vídeo game desenvolvem reflexos rápidos e tem melhores habilidades na tomada de rápida de decisão e solução de problemas.

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Uma operação conjunta entre a Marinha, o Exército e a Força Aérea vai mobilizar, de 23 de maio a 03 de junho, aproximadamente 4,5 mil militares em um importante exercício de simulação de guerra na Amazônia.

Batizada de Operação Conjunta Amazônia 2011, a iniciativa visa a manter a capacidade operativa das tropas na região, além de prestar apoio às comunidades ribeirinhas, por meio de ações cívico-sociais.

Este é o nono exercício desse porte realizado na Região Amazônica desde 2002, com o objetivo de aprimorar o adestramento das três Forças para atuar, de forma coordenada e eficaz, em conflitos convencionais no ambiente de selva.

Segundo o Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, General de Exército José Carlos De Nardi, manobras dessa natureza ajudam os militares a desenvolver novos métodos na área de logística e comunicações, bem como sedimentar doutrinas operacionais vitais para o emprego das Forças Armadas.

Este ano, a operação conjunta será desenvolvida em uma área de aproximadamente 800 mil quilômetros quadrados, abrangendo os municípios de Manaus, São Gabriel da Cachoeira, Tefé, Coari, Japurá, Fonte Boa, Jutaí e Yauaretê.

Estima-se que pelo menos 2 mil pessoas serão atendidas nas ações cívico-sociais promovidas, que servirão para fortalecer a presença do Estado e das Forças Armadas na região.

Essas ações levarão atendimento médico e odontológico à população de localidades isoladas como Fonte Boa, Japurá e Yauaretê. Serão empregados navios hospitais da Marinha, além de militares dos corpos de saúde do Exército e da FAB, que atuarão utilizando a estrutura de saúde dos municípios envolvidos.

De acordo com o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, órgão encarregado de planejar o emprego conjunto das Forças, as atividades relacionadas à Operação Amazônia começaram oito meses antes do início do deslocamento das tropas. Esse planejamento envolve o desenho de cenários de guerra e conflitos na Região Amazônica, bem como o emprego eficaz das Forças em forma integrada com outros órgãos federais e estaduais que atuam na região.

Além da operação na Amazônia, o Estado-Maior Conjunto planeja exercícios em outras regiões do país. Estão programadas para acontecer, até dezembro de 2011, operações conjuntas de intensificação da área de fronteira nas regiões Norte, Sul e Centro-Oeste.

FONTE: MD

Alana Gandra

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, manifestou hoje (17) temor de que, embalados pelo sucesso da política de segurança pública implantada no Rio de Janeiro, que ressalta a parceria entre os governos federal e fluminense, os estados pensem que ela é solução para todos os problemas de segurança e deixem de investir no setor. Para Jobim, o emprego sistemático das Forças Armadas na segurança pública não é e nem será solução para a violência e a impunidade.

“Um grande problema que nós enfrentamos no Rio de Janeiro é que o assunto está dando certo, ou seja, a parceria entre o governo federal e estadual está dando muito certo. E dá muito medo porque, depois, podem os estados começar a pensar que essa é a grande solução para os seus problemas”.

Segundo Jobim, a consequência econômica disso é que os estados deixarão de investir em segurança pública estadual “para tentar transferir isso para atividades subsidiárias das Forças Armadas”. A recomendação que Jobim tem dado aos comandos militares é “vamos abrir os olhos, porque isso pode ser um grande problema no futuro”.

O ministro da Defesa assegurou que o uso das Forças Armadas nesse tipo de operação tem de ser episódico e não pode ser banalizado. “Se os resultados são bons, podem alguns pensar que a gente deve fazer isso constantemente. E isso é problema”. Informou que não existe demanda de outros estados nesse sentido, no momento, mas ele prefere se antecipar.

No estado do Rio de Janeiro, a política de segurança pública prioriza a instalação de unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), em comunidades até então dominadas pelo tráfico, com apoio das Forças Armadas. No Complexo do Alemão, por exemplo, o Exército assumiu o comando com 1.937 homens, limitando-se porém a três funções, conforme ressaltou o ministro: patrulhamento, revista e prisão em flagrante.

Nelson Jobim anunciou que no local será instalada em breve uma central judicial, para resolução de pequenos conflitos na região. A ideia é do Conselho Nacional de Justiça, esclareceu. A central será construída no local onde está assentado o batalhão do Exército. “É uma forma de você ter a presença do Judiciário para tentar resolver os conflitos interindividuais locais”, disse.

FONTE: Agência Brasil

 

XM-25 em ação

Desde de o fim de 2010 que cinco lança-granadas XM-25 estão em uso no Afeganistão com as tropas pára-quedistas do US Army com sucesso mesmo com apenas 55 disparos. O motivo é poder atingir alvos escondidos atrás de pedras ou paredes com projéteis detonados por tempo do tipo ‘airburst’. Com poucos tiros as tropas conseguiam desabilitar emboscadas ou metralhadoras inimigas. Encontros que durariam cerca de 15 minutos foram terminados em poucos minutos com o uso da XM-25 disparando apenas alguns tiros.

Os soldados não gostaram de ter que devolver as arma após alguns meses de uso e conseguiram até mais 36 protótipos que serão entregues até o fim do ano. A produção total deve chegar a 12 mil armas iniciando em 2014. Os novos protótipos serão melhorados com sugestões das tropas e os modelos de produção terão ainda mais mudanças. As tropas querem projeteis com maior alcance (700-1000m).

Os projéteis de 25mm do XM-25 tem quatro modos incluindo o “bursting” (airburst). No modo airbusrt o operador usa um telêmetro laser para determinar a distância até o alvo. A mira mostra onde deve apontar para o projétil passar acima do alvo e explodir. O raio de ação do projétil é de 6 metros. As tropas podem usar suas armas leves para forçar as tropas fugindo a cerca de 500 metros a se esconder e depois atacar com o XM-25. Nesta distância os fuzis M-16 não são muito precisos. Foi calculado que a XM-25 será 300 vezes mais efetiva do que as armas comuns da infantaria.

Os outros modos de tiro são o “PD” (point detonation), detonando por impacto, o PDD (point detonation delay), detonando após penetrar uma porta, janela ou parede mais fina, e o “Window”, para disparar dentro de um cômodo com o projétil detonando logo após o ponto de mira designado. Outros projéteis disponíveis são o penetrador, capaz de penetrar 50 mm de blindagem, o termobárico e o flechete (shotgun).

O carregador do XM-25 leva quatro disparos. A arma pesa cerca de 5,5 kg. O custo total é de US$ 35 mil com uma visor térmico com zoom de 4 vezes.

Fonte: Strategy Page

 

Lima, Peru, 12/05/2011- Os ministros da Defesa do Brasil e da Argentina, Nelson Jobim e Arturo Puricelli, defenderam a adoção, pelos países sul-americanos, de uma estratégia comum de dissuasão. Segundo eles, para que possam manter sua soberania e continuar a proteger, elas próprias, as inúmeras riquezas da região, é necessário que as nações sul-americanas adotem uma estratégia conjunta que seja capaz de demover eventuais iniciativas externas contrárias aos interesses do subcontinente.

A manifestação de ambos os ministros foi feita durante o primeiro dia da III Reunião Ordinária do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), organismo multilateral criado no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como instância de consulta, cooperação e coordenação em matéria de defesa.

Partiu de Jobim a iniciativa de levantar, no encontro, o tema da estratégia comum de dissuasão. Para reforçar seu ponto de vista, o ministro brasileiro lembrou aos participantes que o continente sul-americano possui algumas das principais riquezas que, dentro de alguns anos, com o aumento da população mundial e o esgotamento de parte desses bens, poderão ser objeto da cobiça de outros povos.

Dentre essas riquezas, citou o ministro, figuram os aquíferos Guarani e da Amazônia, o potencial de produção de proteínas animais e vegetais, além das fontes renováveis de geração de energia. “O futuro vai exigir do subcontinente uma estratégia comum de dissuasão. Será que estaremos preparados para isso?”, provocou Jobim.

Segundo ele, os países sul-americanos têm, atualmente, “vulnerabilidades sérias” em seus meios de defesa. Como exemplo disso, ele citou a situação existente hoje em que diversas dessas nações, incluindo o Brasil, necessitam de comprar imagens de satélites geoestacionários de países de fora do subcontinente para fins civis e militares.

Para Jobim, somente a construção de um ambiente de confiança e cooperação mútua entre os países sul-americanos será capaz de reduzir as vulnerabilidades existentes na região no campo da defesa, dotando-os de capacidade real de proteger as riquezas da maneira que julgarem melhor, para o bem de seus povos e toda a humanidade.

“Temos que nos capacitar para dizer não quando a região tiver que dizer não”, afirmou.

A manifestação de Jobim recebeu o endosso imediato do ministro argentino. Purcelli afirmou que seu país compartilha com Brasil a ideia de que são os sul-americanos que devem garantir, para o bem de toda humanidade, as riquezas existentes na região.

O representante argentino recordou o conceito que levou à criação da UNASUL, baseado na ideia central de estabelecer uma zona de paz e cooperação na região. “Temos um compromisso firme de trabalhar pela unidade latino-americana”, disse.

Além dos membros das comitivas do Brasil e da Argentina, integrantes de outros países, como Colômbia e Equador, também se manifestaram no sentido da adoção de iniciativas concretas que levem ao aumento da confiança entre as nações sul-americanas.

Entre os assuntos que deverão ser debatidos no encontro estão as tratativas para o desenvolvimento do centro de estudos estratégicos de defesa e mecanismos conjuntos para atuação das Forças Armadas sul-americanas em ações de defesa civil.

A criação do CDS foi proposta pelo Brasil e discutida pela primeira vez numa reunião de presidentes sul-americanos, em abril de 2008.

O Conselho possui 12 estados-membro: Brasil, Argentina, Peru, Venezuela, Colômbia, Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai, Equador, Guiana e Suriname.

O organismo tem como objetivo central consolidar a América do Sul como uma zona livre, soberana e pacífica, base para a estabilidade democrática e para o desenvolvimento dos povos da região. Também é objetivo do Conselho fomentar uma identidade sul-americana em matéria de defesa.

FONTE: MD

A Companhia de Precursores Pára-quedista (Cia Prec Pqdt) realizou, no período de 2 a 6 de maio de 2011, o apoio de Pedido de Cooperação e Instrução para os integrantes da 12ª Brigada de Infantaria Leve, Caçapava (SP).

Os especialistas da Cia Prec Pqdt tiveram a oportunidade de passar alguns conhecimentos importantes referentes aos assuntos de interesse como noções de Proteção ao Voo, Operação de Zonas de Pouso e Zonas de Pouso de Helicópteros, bem como peculiaridades do monitoramento de Regiões de Interesse Para Inteligência (RIPI).

FONTE e FOTO: EB

O promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, anunciou nesta segunda-feira que pediu a prisão por crimes contra a humanidade do ditador líbio Muammar Gaddafi, além de seu filho mais velho, Seif al Islam, e do chefe dos serviços de inteligência de seu regime, Abdallah Al Senusi.

“Com base nas provas obtidas, o escritório do promotor pediu à Câmara Preliminar Nº1 que emita ordens de prisão Muamar Gaddafi, Seif el-Islam e Abdullah al-Sanusi”, declarou Moreno em uma entrevista coletiva em Haia, onde fica a sede do TPI.

Ocampo declarou que Gaddafi “ordenou pessoalmente” ataques contra os civis na Líbia e que Saif al Islam – que, antes do início do conflito na Líbia era considerado o suposto sucessor pai – é o “primeiro-ministro de fato” na Líbia, enquanto Senussi – que é casado com uma irmã do líder – é a “mão direita” do coronel e o “executor” de suas ordens contra os civis.

“Temos evidências diretas de que Muammar Gaddafi ordenou ataques contra civis, de que Saif al Islam organizou o recrutamento de mercenários e outras evidências diretas da participação de Senussi nos ataques”, disse Ocampo.

O promotor do TPI abriu uma investigação em 3 de março para apurar os crimes contra a humanidade cometidos na Líbia desde fevereiro. A investigação tinha como alvo oito personalidades líbias, entre elas Gaddafi e três de seus filhos. Segundo informações da rede “Al Jazeera”, o dossiê da investigação teria 74 páginas.

Desde então, o escritório do promotor efetuou 30 missões em 11 países. Foram examinados mais de 1.200 documentos, incluindo vídeos e fotografias. Também entrevistaram 50 pessoas, algumas delas testemunhas oculares. Por motivos de segurança, testemunhas na Líbia não foram interrogadas.

Entre as denúncias do TPI estão o ataque a civis em vias públicas, disparos contra manifestantes com armas de fogo, uso de armamento pesado em funerais e uso de franco-atiradores nos protestos.

Agora, os juízes do tribunal vão decidir se aceitam o pedido do promotor, rejeitam ou solicitam informações adicionais. A pena máxima que o TPI pode impor é de 30 anos, mas o tribunal aplica também prisão perpétua em casos de “extrema gravidade”.

O ministro de Relações Exteriores britânico, William Hague, parabenizou a denúncia de Ocampo e disse que isso envia a Gaddafi a mensagem de que seus crimes não ficarão impunes. Em sua declaração, Hague disse que “a situação dos direitos humanos no oeste da Líbia é de grave preocupação”, e destacou que o Reino Unido esteve “na vanguarda” dos esforços da ONU para tentar combater a repressão por parte das forças de segurança líbias contra os civis.

Gaddafi é o segundo chefe de Estado contra quem o tribunal pediu uma ordem de detenção. O anterior foi o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al Bashir, acusado de genocídio pelos crimes cometidos na região de Darfur, que recebeu uma ordem de detenção do TPI em julho de 2008, apesar de se manter no poder em seu país.

Pelas regras do TPI, os países membros do Tratado de Roma são obrigados a entregar os acusados de crimes contra a humanidade. Caso contrário, como é o da Líbia e do Sudão, a decisão de entregar ou não o condenado não é do tribunal, e sim do país em questão. Ainda no caso de condenados em países que não aderiram ao tratado, os acusados ficam proibidos de deixar o país, sob o risco de serem presos.

Devido à condenação do presidente do Sudão, em 2009 a União Africana encerrou sua cooperação com o TPI por não concordar com a decisão do tribunal.

Novos ataques em Trípoli

Nesta segunda-feira, a Otan voltou a atacar os subúrbios ao leste de Trípoli, onde uma instalação de radar foi parcialmente destruída, informaram à AFP moradores do bairro de Tajura que fica a 15 km da capital.

Uma estação de radar, instalada no meio de várias casas, foi destruída em Tajura, segundo os moradores, que ouviram três fortes explosões. Outras detonações foram ouvidas mais ao leste. Tajura abriga várias instalações militares e radares. O bairro é atacado quase todos os dias pela coalizão internacional presente na Líbia para impedir que o regime de Gaddafi ataque os civis. *

FONTE: UOL notícias, com agências internacionais

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