QG Airsoft

EUA, França e Brasil brigam por predominância no Haiti, diz ‘Spiegel’

da BBC Brasil

vinheta-clipping-forteEnquanto os haitianos lutam por sobrevivência após o devastador terremoto da semana passada, os Estados Unidos, a França e o Brasil estão “brigando pela predominância” no país, diz um artigo publicado no site da revista alemã “Der Spiegel”.

O artigo, assinado pelo correspondente da revista em Londres, Carsten Volkery, diz que o governo haitiano acompanha esse desenrolar “desfalecido”.

Como exemplo da disputa pela predominância no país, a revista cita a decisão do presidente haitiano, René Préval, de passar o controle do aeroporto de Porto Príncipe para os americanos, o que causou uma “chiadeira internacional” e levou o ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, a dizer que os Estados Unidos praticamente “anexaram” o aeroporto.

França e Brasil protestaram formalmente em Washington “porque aviões americanos receberam prioridade para pousar em Porto Príncipe enquanto aviões de organizações de ajuda eram desviados para a República Dominicana”, segundo a revista.

A “Spiegel” diz que o Brasil, que lidera as forças da missão de paz no Haiti, “não pensa em abrir mão do controle sobre a ilha” e que, se depender da vontade do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto de reconstrução do Haiti “deve permanecer um projeto latino-americano”.

A disputa diplomática em andamento “lembra o passado político da ilha”, diz a revista, “quando constantemente os 8 milhões de haitianos se tornavam um joguete de interesses internacionais”.

Colônia

Por causa da situação precária no país e da fragilidade do governo, vários analistas ouvidos pelo artigo preveem que o país mais pobre das Américas pode voltar a se tornar uma “espécie de colônia”.

“Desde 2004, a ilha é um protetorado da ONU (Organização das Nações Unidas)”, diz a revista, lembrando que as tropas de paz zelam pela ordem e segurança no país, treinam a polícia local e até organizam as eleições.

Henry Carey, especialista em Haiti da Georgia State University, diz no artigo que o mandato da ONU deverá ser estendido e que o país voltará a ser uma colônia, “dessa vez da ONU”.

Para o analista, isso seria “positivo”, se for mantida a recente tendência de estabilização econômica e política verificada no país.

FONTE: Folha Online

SocialTwist Tell-a-Friend

Leia a íntegra de comunicado conjunto dos governos de Haiti e EUA

O presidente do Haiti, René Préval, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, assinaram um acordo para cooperação mútua diante da devastação causada pelo forte terremoto que atingiu o país, no último dia 12. O tremor deixou a capital Porto Príncipe virtualmente arrasada e matou milhares de pessoas.

Leia a íntegra do comunicado:

“Comunicado Conjunto dos governos do Haiti e dos Estados Unidos da América
divulgado em Porto Príncipe, Haiti
16 de janeiro de 2010

O presidente René Garcia Préval, do Haiti, e a secretária de Estado Hillary Rodham Clinton, dos Estados Unidos da América, reuniram-se hoje em Porto Príncipe, após o catastrófico terremoto de 12 de janeiro de 2010 e suas trágicas consequências, e divulgaram o seguinte comunicado conjunto:

Reconhecendo:

  • a longa história de amizade entre os povos do Haiti e dos Estados Unidos e seu respeito mútuo pela respectiva soberania;
  • o terrível sofrimento do povo do Haiti, com a perda de vidas em grande escala, lesões físicas generalizadas e danos amplos à infraestrutura pública e propriedade privada;
  • a necessidade urgente de uma resposta imediata aos pedidos do governo do Haiti e a importância primordial de implementação de trabalhos de resgate, assistência, recuperação e reconstrução, além de outras iniciativas, com segurança, rapidez e eficácia;
  • os desafios correntes e sem precedentes que o governo do Haiti enfrenta; e
  • a conversa entre o presidente Obama e o presidente Préval, ocorrida em 15 de janeiro de 2010, que salientou as necessidades urgentes do Haiti e sua população, a promessa feita pelo presidente Obama, de dar o apoio total do povo norte-americano para o governo e povo do Haiti, tanto no trabalho imediato de recuperação como na iniciativa de reconstrução a longo prazo, e o compromisso assumido por ambos os presidentes, de maximizar a coordenação da assistência oferecidas pelas várias partes, inclusive o governo do Haiti, a Organização das Nações Unidas, os Estados Unidos e os vários parceiros e organizações internacionais presentes no terreno;

O presidente Préval, em nome do governo e povo do Haiti, acolhe as iniciativas essenciais empreendidas pelo governo e povo dos Estados Unidos no Haiti, em apoio à recuperação e estabilização imediata e à reconstrução do Haiti a longo prazo, e solicita dos Estados Unidos a assistência necessária para reforçar a segurança em apoio ao governo e povo do Haiti e à Organização das Nações Unidas e aos parceiros e organizações internacionais presentes no terreno;

A secretária Clinton, em nome do governo e povo dos Estados Unidos, reafirma a intenção dos Estados Unidos, por meio de sua assistência, de dar apoio ao povo do Haiti neste momento de grande tragédia; e

O presidente Préval e a secretária Clinton conjuntamente reafirmam que os governos do Haiti e dos Estados Unidos darão continuidade à cooperação nos termos deste entendimento mútuo, com o objetivo de promover os trabalhos de resgate, assistência, recuperação e reconstrução com o máximo de segurança e eficácia possível.”

SocialTwist Tell-a-Friend

Brasil investe para treinar militar estrangeiro

vinheta-clipping-forteUm convênio entre o Ministério da Defesa e a ABC (Agência Brasileira de Cooperação), ligada ao Itamaraty, deverá aumentar o número de militares de países pobres, em especial da África e da América Latina, que fazem treinamento prático ou teórico no Brasil.

Pelo convênio, os convites e a organização da estadia desses militares, hoje a cargo de cada uma das três Forças, serão centralizados na Defesa. Esta repassará a lista com antecedência à ABC, que paga as passagens e provê ajuda de custo aos convidados.

O diplomata Marco Farani, diretor da ABC, acredita que o convênio permitirá uma melhor programação orçamentária da chamada “cooperação técnica” no âmbito militar, abrindo caminho para a sua ampliação.

“Antes, o convite [aos militares estrangeiros] era feito de forma errática. Havia uma demanda fragmentada [para o apoio financeiro da ABC]. O convênio permitirá que isso seja feito de forma institucional. As próprias embaixadas poderão divulgar as informações sobre cursos e vagas disponíveis, fazer contato de Estado para Estado”, disse.

Trata-se de uma primeira iniciativa para institucionalizar uma prática que, em países desenvolvidos e com peso na indústria de armas, é política de Estado: a formação de militares estrangeiros.

No entanto o convênio cobrirá apenas uma pequena parte da cooperação nessa área entre as Forças Armadas brasileiras e as de “países amigos”. Hoje, a maioria dos acordos para treinamento no Brasil ou no exterior é feita de maneira descentralizada.

A Defesa não dispõe dos dados completos sobre participantes de cursos e intercâmbios em geral, que têm que ser solicitados a cada Força.

Pouca gente

A pedido da Folha, as assessorias de comunicação da Marinha e do Exército compilaram os números de estrangeiros que participaram de cursos nas respectivas escolas desde 2000, e de militares brasileiros que fizeram cursos no exterior.

A informação foi pedida também à Força Aérea, mas não havia sido fornecida até o fechamento desta edição.

Apesar do projeto brasileiro de ampliar a cooperação militar principalmente com os vizinhos da América do Sul, por meio do Conselho de Defesa Sul-Americano e da anunciada promoção de uma indústria bélica regional, os números permitem ver que, na área de formação, o Brasil ainda recebe pouca gente.

De 2000 a 2009, 2.789 estrangeiros passaram por cursos na Marinha (1.689) ou no Exército (1.100). Entre os que receberam treinamento da Marinha, 663 vieram da América Latina e 696, da África –graças à cooperação naval com a Namíbia, sacramentada por acordo em 1998.

Já o Exército recebeu 829 latino-americanos e 118 africanos no mesmo período. O número de sul-americanos que passam pelas escolas da Força cresceu desde 2005 de média de 53 por ano, entre 2000 e 2004, para média de 101.

Nos cursos de altos estudos da ESG (Escola Superior de Guerra), formaram-se 55 estrangeiros, dos quais 45 são latino-americanos.

EUA

Para efeito de comparação, os EUA, em apenas 1 de seus 20 programas para formação de militares estrangeiros, o Imet (International Military Education and Training), receberam 25.207 militares da América Latina e do Caribe entre 2000 e 2007, último ano para o qual há dados disponíveis.

Os outros programas mantidos pelos departamentos de Estado e da Defesa dos EUA recebem não apenas militares, mas também policiais, funcionários civis e acadêmicos. É o caso, por exemplo, do Centro para Estudos da Defesa Hemisférica, vinculado à Universidade Nacional da Defesa, que só em 2007 recebeu 5.484 estudantes latino-americanos.

FONTE: Folha online

SocialTwist Tell-a-Friend

Número de militares brasileiros mortos em terremoto no Haiti sobe para 16

Mulher de tenente-coronel critica declarações de Jobim

vinheta-clipping-forteO Comando do Exército do Brasil informou nesta segunda-feira que identificou o corpo do tenente-coronel Marcus Vinícius Macedo Cysneiros. Ele era um dos militares desaparecidos nas instalações a ONU no Haiti. Outos dois militares brasileiros ainda são considerados desaparecidos. Com isso, sobe para 18 o número de brasileiros mortos no terremoto em Porto Príncipe – 16 militares e 2 civis.

Cysneiros servia o Gabinete do Comandante do Exército e desempenhava funções de Observador Militar da Missão da ONU, a Minustah.

Depois de se manter calada após as declarações do ministro da Defesa, Nelson Jobim, que disse na sexta-feira que a palavra “desaparecido” funcionava como um “eufemismo” em relação à tragédia no Haiti, a esposa de um dos militares ainda não encontrados se manifestou publicamente e emitiu nota de repúdio à afirmação do brasileiro. Cely Zanin, mulher do coronel João Eliseu Souza Zanin, ainda tem esperança de rever o marido.

O comunicado de Cely foi divulgado antes da identificação do corpo de Cysneiros e depois de cinco pessoas serem resgatadas com vida dos escombros no domingo.

Intitulado “Repúdio à falta de respeito do ministro Jobim aos brasileiros”, o comunicado diz que “ninguém tem o direito de tirar a esperança do meu coração, dos meus filhos, da nossa família e de nossos amigos.

No Orkut, os filhos do coronel expressam a sua fé: “Pai, aguenta firme. Eu sei que você vai sobreviver”, diz o perfil de um dos adolescentes. Já a filha conta com o resgate possivelmente feito pelos colegas de Zanin: “Pai aguenta firme! Eles tão indo te buscar!! Seu anjinho tá com você!!! Aguenta!!!”

Em entrevista ao GLOBO na semana passada, Cely disse que não queria comentar as declarações de Jobim e afirmou que o Exército tem dado todo o apoio a sua família desde o desastre. Na última nota, a mulher do militar ressalta o trabalho do marido.

“A farda verde oliva do Exército Brasileiro é vestida por um homem íntegro, honesto, dedicado ao seu Exército amado – este é o meu marido, coronel João Eliseu Souza Zanin – que até hoje dedica sua vida ao nosso exército. Esta farda foi conquistada com muito suor, muita dedicação, muita garra e muito amor. A farda verde oliva do Exército não é para ser vestida por qualquer um. Ela foi feita para os homens verdadeiros e íntegros do nosso exército brasileiro.”

O coronel, que estava nas instalações da ONU que desabaram no momento do terremoto, chegara a Porto Príncipe na segunda-feira, 24 horas antes do tremor que devastou a capital.

FONTE: O Globo

SocialTwist Tell-a-Friend

Entrevista de Salvador Ghelfi Raza na revista ‘Isto É’

Raza

‘A Guerra de Obama não é a de Bush’


Brasileiro que participa da reestruturação da política de defesa dos EUA diz que americanos usarão menos força militar para defender seus interesses no mundo

Claudio Dantas Sequeira

vinheta-clipping-forteO analista de segurança nacional Salvador Ghelfi Raza é o único brasileiro a integrar a equipe contratada pelo governo Barack Obama para propor uma reforma profunda na política e, também, nos métodos utilizados pelos Estados Unidos mundo afora. São 30 Ph.D.s, os melhores cérebros do mundo em análise de segurança, defesa e diplomacia. Ao lado de Raza, além dos americanos, há ingleses, paquistaneses, suíços e uma mexicana. Raza é doutor em estudos estratégicos pela UFRJ com pós-doutorado em estudos de defesa na National Defense University, em Washington, onde leciona. Ressaltando que não fala em nome do governo, mas em caráter pessoal, Raza diz que há em curso uma “revolução” que dará um novo perfil às ações externas daquele país. “Para enfrentar o terror, não basta comprar mais scanners para os aeroportos. A guerra mudou, o papel das Forças Armadas também”, diz. No início do mês, começaram a circular internamente os primeiros rascunhos do que promete ser a maior mudança estrutural no setor desde a criação da CIA, a agência de inteligência americana, no final da década de 40.

Como é o trabalho que o sr. está desenvolvendo em Washington?
Salvador Ghelfi Raza – Estou trabalhando no desenvolvimento da nova metodologia que será usada para ações estratégicas das agências do governo americano em outros países. É um planejamento a longo prazo. Estamos falando de redesenhar a arquitetura de relacionamento das agências de desenvolvimento, de defesa e de inteligência. O objetivo é reunir as principais agências envolvidas num único esforço coordenado de formulação de políticas, desenho integrado de estratégias e gestão coordenada de projetos. Meu núcleo trabalha na vertente do desenvolvimento, capacitando planejadores seniores na área de segurança para que essas pessoas possam integrar equipes de estabilidade e reconstrução em várias partes do mundo. Faz parte de um movimento novo no governo americano para reduzir as barreiras entre as agências, evitando erros como os que permitiram a tentativa de atentado terrorista no último Natal, planejado pela Al-Qaeda.

Essa tentativa de atentado revelou fragilidades na segurança dos EUA parecidas com as que permitiram os ataques de 2001. A reforma executada por Bush não resolveu?
Salvador Ghelfi Raza - Há uma semelhança nos dois casos, sim. Após os atentados de 11 de setembro, houve uma grande reforma centrada na gestão das informações de inteligência. De qualquer maneira, o que ocorreu no Natal aqui, ou no Afeganistão e no Iêmen, não se resolve aumentando o número de máquinas que vão fazer o scanner de pessoas nos aeroportos. É preciso atuar nos fundamentos. Em como o governo se organiza, em como as decisões são tomadas, que políticas podem ser mais efetivas e quais elementos das estratégias se tornaram obsoletos. Na segunda-feira 11, tivemos uma reunião de cinco horas sobre novos parâmetros analíticos para definir o que é um conflito. Se os critérios atuais estão corretos. Daí, podemos olhar para Honduras e avaliar que não há ali um conflito. Reduz-se, assim, o afã operacional.

No caso hondurenho, os EUA foram criticados pelo Brasil exatamente por não agir.
Salvador Ghelfi Raza – O silêncio não significa inação. O Brasil age muitas vezes como aquele garoto cheio de energia que mete os pés pelas mãos. Os EUA estão numa posição mais sênior, de avaliar se uma ação se justifica ou não. Não é dar menos importância, mas evitar ações tempestivas.

Não é nada fácil mudar a cultura de um país e toda uma burocracia. Será possível fazê-lo nos EUA de Obama?
Salvador Ghelfi Raza - É difícil em todo lugar, mas, ao contrário do que parece, a cultura de mudança existe nos EUA. O difícil é saber para qual direção mudar, que tipo de mudança pode gerar um diferencial de resultados. Não é simplesmente criar ou substituir agências ou departamentos. Embora a dinâmica de mudanças tenha se iniciado na era Clinton e se aprofundado com Bush, no caso de Obama ela é substancialmente diferente. Enquanto no governo Bush a diretriz política era formulada em alto nível, de forma centralizadora, puxando para cima o núcleo de decisão, no caso Obama há uma descentralização e delegação de autoridade. Quando se faz isso, vem à tona uma série de fragilidades de planejamento estratégico, e surgem problemas que pareciam não existir antes. Há aspectos positivos e negativos nesse processo.

A ambiguidade na política externa de Obama seria um desses aspectos?
Salvador Ghelfi Raza – Sim. E isso eles querem corrigir. Uma das coisas para as quais precisamos tirar o chapéu e reconhecer é o esforço. Quem está de fora não imagina o que está sendo feito, os bilhões de dólares que estão sendo gastos para reparar de forma discreta, mas forte, a máquina decisória. Não é mudar pessoas, mas saber por que não funciona, qual a lógica articulante do sistema.

Dessa estratégia, o que o sr. pode detalhar?
Salvador Ghelfi Raza – Haverá um redesenho das competências de segurança no país, com a criação de um núcleo organizacional de defesa fortemente orientado na integração das agências de inteligência, as de controle dos UAVs (aviões não tripulados), a Força Aérea e as Forças Especiais. Haverá um outro núcleo, de segurança civil, uma espécie de grande Gendarmeria, onde estarão as agências de desenvolvimento. Hoje há três dimensões de ação: no Departamento de Defesa; no Departamento de Estado e no Departamento de Segurança Interna. É como se pegassem as Forças Armadas, as polícias, a inteligência, as agências de fomento, botassem tudo num liquidificador, retirassem os vínculos e separassem em dois. É um esforço enorme, caríssimo, e os primeiros rascunhos já saíram no início de janeiro. O que se antecipa é uma mudança estrutural sem precedentes.

Quando Obama dobra as tropas no Afeganistão não está imprimindo sua digital na guerra ao terror de Bush?
Salvador Ghelfi Raza – Não vejo assim. O governo Obama está repensando as estratégias usadas contra o terror. A guerra ao terror de Obama não é a de Bush. Existe um fenômeno chamado terrorismo, que foi enfrentado de uma certa maneira. O propósito de enfrentá-lo continua, mas as estratégias estão sendo ajustadas para dar conta de forma mais abrangente, menos militar e mais eficiente. Envolvem-se mais agências que estavam na periferia do esforço.

Que tipo de abordagem podemos esperar nos conflitos atuais?
Salvador Ghelfi Raza – Não só no Afeganistão, mas em vários outros países, podemos esperar maior envolvimento dos países, a qualificação das autoridades locais e a integração das agências de inteligência. Implica ouvir mais os altos escalões do país onde há a crise. E uma tentativa brutal de entender a cultura do povo local. Não há intenção de se impor a chamada doutrina de Washington.

Espera-se uma ação menos intervencionista dos EUA?
Salvador Ghelfi Raza – É mais participativa. Não vejo como menos intervencionista, pois aí é uma questão de matiz ideológico. Mas é um desenho mais integrador, que procura identifi car a cultura do país. Evitar erros como os cometidos na Bolívia. Você não pode chegar lá e destruir a coca. Ou acabar com o cultivo de papoula no Afeganistão. A economia desses países depende disso. Então, é preciso substituir esses cultivos. Da mesma forma, ao agir na estabilização, é preciso treinar a polícia e as Forças Armadas para que tenham autonomia. Isso tudo é novo. Antes, o governo americano vinha, ocupava e dizia “eu tenho a solução”. Não é que o americano ficou bonzinho, mas mais inteligente e humano.

Como atuar com agências tão estigmatizadas como a Usaid, que por décadas funcionou como fachada da CIA?
Salvador Ghelfi Raza - As agências de fomento serão de fomento e as de inteligência serão de inteligência. Haverá uma defi nição melhor das responsabilidades, sem a fusão de atribuições, mas apenas dos efeitos. Pretende-se, assim, resgatar a imagem delas, aproveitando a ênfase na diplomacia política de cooperação e integração.

Mas será difícil convencer muitos países, inclusive na América Latina, de que os EUA agem de boa-fé.
Salvador Ghelfi Raza – É um desafio. De qualquer maneira, a América Latina não está no foco de atenção americana, apesar de ter ganho projeção surpreendente. O Brasil precisa acordar dessa letargia metodológica intelectual, achando que para crescer basta deixar rolar. Nossas instituições estão obsoletas. Nosso pessoal militar tem que sofrer modernização drástica. Não basta comprar avião novo e submarino e manter a mentalidade dos anos 80. A política exterior está desarticulada da política de defesa, estamos numa panela de pressão e aumentando o fogo.

A crise em torno do Plano Nacional de Direitos Humanos é um exemplo desse atraso, ao reanimar sentimentos de revanchismo e enfrentamentos que já deveriam estar superados?
Salvador Ghelfi Raza
– É só um aperitivo do que vem pela frente. A tendência é piorar. Há crises internas e erros de política tão grandes que podem comprometer a imagem de um país que parou no tempo. O Brasil é um novo-rico. Os EUA já estão fazendo sua revolução para o futuro, e nós dando pulos para trás. Comprando espelhos, como índios. Qual a estratégia de segurança do governo brasileiro? Não tem. Como a política externa dialoga com a compra de mais caças? Como se espera que o submarino nuclear possibilite novas dimensões de dissuasão regional e como isso será usado pela diplomacia comercial? Ninguém sabe.

SocialTwist Tell-a-Friend

EUA não vão se sobrepor a Minustah no Haiti, diz adido militar

Segundo coronel Willie Berges, militares tomaram controle de aeroporto a pedido do governo haitiano

vinheta-clipping-forteO adido militar do Comando Sul do Exército americano em Brasília, coronel Willie Berges, disse em entrevista ao estadao.com.br que a função dos militares americanos em Porto Príncipe não é se sobrepor às exercidas pela Missão de Paz da ONU para Estabilização do Haiti (Minustah), chefiada pelo Brasil, e que o Comando Sul, junto com o departamento de Estado e com a agência de ajuda do governo americano (USAID) é facilitar a entrega de auxílio humanitário ao país, zelar pela segurança de equipamentos, remédios e mantimentos e ajudar cidadãos americanos que vivem no Haiti. Leia a entrevista:

Qual está sendo hoje o papel do Exército americano em Porto Príncipe?

Exatamente, nós estamos agora mesmo apoiando o governo do Haiti. Primeiro na área de buscas e resgate e ajudando na área médica e de transporte. Nós também estamos ajudando os 45 mil americanos no Haiti.

Com o aeroporto de Porto Príncipe destruído, vocês estão coordenando a chegadas dos aviões?

Para respeitar a soberania do Haiti, só tínhamos o controle do aeroporto ontem à noite. Recebemos o controle do governo do Haiti, que outorgou o controle por um tempo limitado.

Na questão da segurança, esse efetivo militar que o presidente Obama falou que ia mandar para o Haiti vai ter uma função de segurança ou de distribuição de ajuda?

A maioria é de ajuda. A segurança é de responsabilidade da Minustah. Vamos apoiá-los e trabalhar com eles. Mas a maioria do efetivo é de buscas, transporte, logística. Estamos trabalhando em conjunto com a Minustah e com o governo do Haiti

A gente tem recebido relatos do Haiti que está havendo problemas de logística pra desembarcar esta ajuda e distribuir. Qual o papel dos EUA nisso? Tem um comando central de logística no Haiti hoje?

O subcomandante do Comando Sul está centralizando tudo. Mas nas primeiras horas o controle do aeroporto ainda era haitiano. Agora temos um processo mais eficiente. Deixando aviões que entrem que tenha prioridade. Por exemplo, um avião médico.

Como estão sendo tomadas as decisões entre a Minustah, o governo do Haiti e os EUA?

Na área militar, temos muita cooperação militar com os brasileiros no Haiti. Por isso vamos trabalhar juntos. O comando sul conversa com a Minustah e o governo do Haiti fala com o departamento de Estado e com a ONU e em todas as decisões importantes o governo do Haiti é consultado. Por isso a resposta ficou um pouco confusa porque não íamos tomar controle do aeroporto sem autorização.

O chefe do Estado Maior do Brasil no Haiti disse hoje que o Brasil deveria pedir pra ONU definir qual o papel de cada um ali no Haiti. Qual a sua opinião?

As Nações Unidas estão falando com os EUA sobre a prioridade de cada um. O ministro Jobim já falou sobre as prioridades que ele identificou para o Brasil. Para nós a prioridade, é óbvio, é a ajuda e não duplicar esforços com a Minustah. Estamos priorizando a área médica, transporte e logística, comida e água, para que chegue mais rápido. E em segurança dessas coisas. As tropas vem para segurança do equipamento e de cidadãos americanos.

SocialTwist Tell-a-Friend

Brasil vai ficar ao menos mais cinco anos no Haiti, diz Jobim

vinheta-clipping-forteO ministro Nelson Jobim (Defesa) informou neste sábado que o Brasil deverá ficar por ao menos mais cinco anos no Haiti, já que os brasileiros deverão colaborar com a reconstrução do país caribenho após o terremoto que o devastou na terça-feira.

Segundo Jobim, é certo que o Brasil permanecerá mesmo após terminar o período pelo qual o país se comprometeu a compor a Minustah (Missão de Paz da ONU no Haiti), que se encerra em 2011.

“Não vejo menos de cinco anos [de extensão da permanência das tropas], tem que se reconstruir o país”, disse o ministro durante visita ao Ciop (Centro de Instrução de Operações de Paz) da Vila Militar, na zona Oeste do Rio, onde se encontrou com militares que estão em treinamento para poderem embarcar para o Haiti.

Jobim afirmou ainda que vai propor ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva aumentar as atribuições das tropas brasileiras no Haiti. Jobim citou como exemplo aumentar as atribuições de engenharia das tropas, para que possam ajudar no processo de reconstrução do país após o terremoto de magnitude 7 que devastou a capital Porto Príncipe e matou milhares de pessoas, incluindo 17 brasileiros.

O ministro disse que as tropas brasileiras no país, cerca de 1.300, precisam de maior poder de ação para execução de obras no país caribenho. Ele não citou quais seriam outras atribuições que as tropas brasileiras ganhariam, mas disse que não há previsão para o envio de mais soldados ao Haiti –mesmo diante do anúncio de Washington de que enviará entre 9.000 e 10 mil militares para trabalhar na distribuição de medicamentos e na manutenção da ordem pública no país –uma tarefa que estava, até então, a cargo das tropas da ONU e sob o comando dos militares brasileiros.

“Se houver a mudança no mandato, a parte de engenharia terá muito mais atribuições”, explicou Jobim. “O orçamento da Minustah é voltado para a segurança, e uma das alterações que vamos pedir na ONU é pela destinação de verbas para obras de engenharia. Queremos participar do processo de reconstrução.”

Segundo previsões feitas pela CICV (Comitê Internacional da Cruz Vermelha) e pelo governo haitiano, entre 70% e 75% das edificações de Porto Príncipe foram destruídas pelo terremoto.

Comando

Jobim (Defesa) disse disse que, a despeito do envio de 10 mil militares americanos, o Brasil permanecerá no comando da missão de paz no Haiti.

Ele admitiu que as tropas americanas têm como princípio não aceitar ordens de outro país, mas ressaltou que um memorando firmado com os Estados Unidos reitera o Brasil no controle da missão de pacificação no Haiti.

“Nossas tropas seguem coordenando, embora os americanos não aceitem ser comandados por outro país. Isso foi definido no memorando. O Brasil mantém o controle”, disse.

O ponto que mais irritou os brasileiros em relação à ação americana foi o controle do aeroporto de Porto Príncipe. Os EUA controlam o local desde quinta-feira –ontem o governo haitiano repassou oficialmente o controle aos americanos– e desde então os pousos no local foram restringidos.

Devido ao problema, cinco aviões da FAB (Força Aérea Brasileira) que chegariam ontem ao Haiti com mantimentos não receberam autorização para pousar –três deles ficaram em Santo Domingo (República Dominicana), enquanto outros dois ficaram em Boa Vista (RR). Apenas hoje eles conseguiram chegar a Porto Príncipe.

FONTE: Folha Online

SocialTwist Tell-a-Friend

Exército divulga lista de militares feridos que desembarcaram em São Paulo

Terremoto no Haiti – Complemento

O Comando do Exército informa que, no início da tarde de hoje desembarcaram no aeroporto de Cumbica-SP, dezesseis militares, a seguir nominados, feridos durante o terremoto ocorrido no Haiti:

- Ten Cel ALEXANDRE JOSÉ DOS SANTOS;

- Cap RENAN RODRIGUES DE OLIVEIRA;

- 1º Ten RAFAEL ARAÚJO DE SOUZA;

- 1º Sgt RÔMULO CESAR DE MIRANDA CARVALHO;

- 3º Sgt TARECK SOUZA DE PONTES;

- 3º Sgt GILBERTO EMÍLIO MARAFON;

- 3º Sgt WILLIANS MENDES PEREIRA;

- 3º Sgt CARLOS ALBERTO FONSECA;

- Cb ADRIANO DE BARROS CAVALCANTE;

- Cb EUGENIO PESARESI NETO;

- Cb LAUIS PAULO DAS CHAGAS LIMA;

- Cb CARLOS MICHAEL PIMENTEL DE ALMEIDA;

- Cb ALCIBIADES ORLANDO DOS SANTOS FERREIRA;

- Sd DANIEL COELHO DA SILVA;

- Sd DIOVANI DE SOUZA SILVA THOMAZ; e

- Sd WELINGTON SOARES MAGALHÃES.

Seis militares com ferimentos de menor gravidade permanecem no aquartelamento do BRABATT, um militar continua baixado no Hospital Argentino, em Porto Príncipe, e dois em hospital na República Dominicana.

As buscas aos quatro militares desaparecidos continuam.

Brasília, 15 de janeiro de 2010.

CENTRO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL DO EXÉRCITO

EXÉRCITO BRASILEIRO – BRAÇO FORTE, MÃO AMIGA

FONTE: Exército Brasileiro

Estado geral dos feridos militares que regressaram é bom, diz médico do Exército

Dezesseis militares feridos no terremoto que atingiu o Haiti desembarcaram às 12h36 de hoje na Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos. As vítimas foram encaminhadas para o Hospital de Área de São Paulo, no bairro do Cambuci, na capital psulista.

O médico do Exército que atendeu os feridos ainda a bordo da aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB) fez uma primeira avaliação dos militares.

“O estado deles, no geral, é bom. Eles passarão por um rastreamento para verificar traumas cranianos e farão exames de sangue e tomografia”, disse o major Carlos Pama “Há vários casos de fraturas e escoriações, mas que já estão sendo atendidos por nossa equipe médica”, complementou o oficial do Exército.

FONTE: CECOMSAER

SocialTwist Tell-a-Friend

Estados Unidos vão enviar 10 mil soldados para o Haiti

WASHINGTON – Os Estados Unidos enviarão mais navios de guerra, helicópteros e equipamentos militares ao Haiti nos próximos dias, o que fará o total de soldados americanos no país passar de mil 1.000 para 10.000 até segunda-feira, informou o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, almirante Mike Mullen.

Já o secretário de Defesa, Robert Gates, que acompanhou Mullen em uma entrevista coletiva, negou que os militares americanos no Haiti esteja sendo vistos como integrantes de uma força de ocupação pelo país caribenho. “Não acho que eles nos vejam assim”, disse o chefe do Pentágono.

“Como estamos dando atendimento médico e distribuindo água e alimentos, acho que a reação (do povo haitiano) é de alívio, ao ver que os EUA dão eles este tipo de ajuda”, disse.

Ajuda financeira

Depois do forte terremoto que atingiu o Haiti na terça-feira, houve uma grande mobilização internacional de ajuda e as doações ao país já superam US$ 500 milhões – ou mais de 50% do orçamento do país (US$ 967,5 milhões em 2008).

A ajuda de EUA, Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial e Banco Interamericano de Desenvolvimento equivalem a US$ 400 milhões desse total.

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou na quinta-feira o envio de US$ 100 milhões, afirmando que ela é uma “ajuda inicial” para apoiar os esforços de assistência humanitária no Haiti.

Também na quinta-feira, o diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, disse que a instituição oferecerá US$ 100 milhões “de forma imediata” para o Haiti se recuperar do terremoto da terça-feira.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) anunciou a doação emergencial de US$ 200 mil para os trabalhos humanitários mais imediatos, mas deve mas deve desbloquear US$ 90 milhões dos US$ 330 milhões que tem em carteira para desenvolvimento do Haiti, que é o país mais pobre das Américas. O montante será usado nos trabalhos de reconstrução mais prioritários do país caribenho.

Além disso, o presidente do BID, Luis Alberto Moreno, anunciou que espera aprovar mais US$ 128 milhões em novas doações ainda neste ano.

A liberação de US$ 100 milhões em recursos emergenciais do Banco Mundial foi anunciada na quarta-feira. A instituição também está avaliando um fundo especial de reconstrução.

Outras doações de países e instituições

- Brasil: US$ 15 milhões
- ONU: US$ 10 milhões
- Grã-Bretanha: US$ 10 milhões
- Austrália: US$ 9,3 milhões
- Fundo para Segurança de Risco de Catástrofes do Caribe (CCRIF, em inglês): US$ 8 milhões
- Irlanda: US$ 5 milhões doados por empresas para a reconstrução das telecomunicações
- Canadá: US$ 4,8 milhões
- União Europeia: US$ 4,37 milhões
- Espanha: US$ 4,37 milhões
- Holanda US$ 2,9 milhões
- Alemanha: US$ 2,17 milhão
- Dinamarca US$ 2 milhões
- Itália US$ 1,5 milhões
- China: US$ 1 milhão
- Goldman Sachs: US$ 1 milhão
- Suécia: US$ 1 milhão

Outras

- Cruz Vermelha: US$ 5 milhões em doações coletadas por mensagem de texto
- Golfista Tiger Woods: US$ 3 milhões
- Atores Angelina Jolie e Brad Pitt: US$ 1 milhão
- Magnata americano Ted Turner: US$ 1 milhão

FONTE: Último Segundo, com informações de AP, Reuters e AFP

SocialTwist Tell-a-Friend

Haiti, o Rio de Janeiro e o início do primeiro ciclo do café

1. Em 5 de dezembro de 1492, menos de 2 meses depois de ter descoberto a América, Cristóvão Colombo chega a uma grande ilha que chama de La Española. É a primeira ocupação das Américas e com desenho urbano espanhol. A população encontrada era estimada em 300 mil indígenas. Em 1697, espanhóis e franceses celebraram o Tratado de Ryswick e dividem a ilha ao meio. À França coube a parte onde hoje é o Haiti, onde intensificou o sistema escravista. Em 1750, a parte francesa contava com 310 mil pessoas, sendo 300 mil escravos.

2. O Haiti alcançou, na segunda metade do século 18, índices de produtividade agrícola (café, cana, etc.) dos maiores do mundo. A avaliação dos proprietários era que a escravidão explicava a produtividade. Com isso, a população escrava não parou de crescer, atingindo quase o dobro no final do século 18. A aglomeração de escravos produziu, no último quarto desse século, reações, inicialmente de base religiosa. Sob a liderança do escravo Toussaint-Louverture se iniciou a luta a partir de 1790. Declara abolição em 1794 e promulga Constituição em 1801. É capturado em 1802 e morto na França.

3. Em 1803, sob a liderança do escravo Jean Jacques Dessalines se inicia a luta pela independência, que derrota os franceses e em 1804 declara Independência, assumindo o governo como Imperador e nessa condição seus sucessores. É o primeiro país das América Latina a se tornar independente. O temor do exemplo leva a América Hispânica a limitar a entrada de escravos e após as independências, realizar as suas abolições. Em 1822, o Haiti invade a parte oriental e unifica a Ilha de Santo Domingo. Em 1844, Haiti perde o controle da parte oriental e a República Dominicana se declara independente. Em 1915, o exército dos Estados Unidos ocupa o Haiti e o controla até 1934.

4. Mas o ponto que relaciona Haiti ao Rio é a rebelião de 1794. Os proprietários fugiram. Um deles, LOUIS FRANÇOIS LECESNE, grande produtor de café no Haiti, vai para a Cuba e em função das disputas -Espanha e França-, segue para os EUA. Quando D. João IV cria no Brasil um programa de incentivos à lavoura, Lecesne (com 57 anos) e sua esposa norte-americana Frances Mary vêm para o Brasil (1816) e se apresentam. Querem que ele plante trigo. Lecesne lembrou que trigo só em clima temperado.

5. Sem esse apoio e com apoio do embaixador francês, compra 130 HA na Gávea Pequena, Floresta da Tijuca. Em menos de um ano tem 60 mil pés de café plantado, o que é a primeira plantação de café em extensão do Brasil. Chamou suas terras de Fazenda São Luis. A casa central da fazenda é onde hoje está a casa da família M. Lins. E a casa de apoio é hoje a casa do Prefeito do RIO, a Gávea Pequena. A Fazenda São Luis foi desenhada de cima e está no diário de Maria Graham (’Diário de uma viagem ao Brasil’).

6. A Fazenda São Luis foi visitada e relatada por Carl von Martius, Rugendas, von Theremin, Príncipe Adalberto da Prússia, Maria Graham… Dois anos depois, o comerciante e médico-militar holandês Charles Alexandre van Mocke comprou as terras ao lado de Lescene e passou a ser o segundo grande produtor com sua Fazenda Nassau. E dessa forma nasceu a grande plantação de café no Brasil e seu caráter exportador. Em 1843 uma praga encerrou o ciclo do café nos altos da Tijuca.

FONTE
: Ex-Blog do Cesar Maia

SocialTwist Tell-a-Friend

‘Não lembro da última vez em que me alimentei’, diz tenente

RIO – O tenente comandante da Unidade k-9 da Missão da ONU para a Estabilização do Haiti, Ricardo Couto, está no país há menos de um mês e participa da que deve ser a mais difícil missão de sua carreira: o resgate das vítimas do Haiti.

Três dias após o terremoto, como está a situação?

RICARDO COUTO: Depois do choque inicial, o Haiti agora está em um emergencial, pós-catástrofe. A região próxima ao Carrefour e ao centro está completamente abalada. As estruturas estão realmente em péssimo estado, todas elas. E a infraestrutura de saúde, que já não era muito boa, agora está pior ainda, já que muitos hospitais caíram.

Qual a principal dificuldade neste momento?

COUTO: O grande problema é que todos os estabelecimentos comerciais que existiam aqui, se não desabaram, fecharam suas portas com medo de saques. O estado é crítico porque falta o básico. A ajuda de diversas nações começa a chegar e estamos iniciando os procedimentos emergenciais. Mas enquanto isso as pessoas estão sem saber o que fazer, dormindo nas ruas e sem casa, comida e água. Eu já estou há quase três dias sem dormir e não lembro quando foi a última vez que me alimentei. Mas mesmo nessas condições, estamos fazendo o necessário para que essa ajuda continue.

Como estão as buscas?

COUTO: Está muito difícil, principalmente quando nos deparamos com algum conhecido. Temos que colocar a razão em cima da emoção e seguir em frente. Mas mantemos sempre a esperança de que vamos encontrar sobreviventes. A parte física é desgastante, a parte de alimentação emergencial também, mas não podemos deixar o trabalho sofrer por isso. No primeiro dia tive a sorte de encontrar nos escombros do prédio da Minustah um tenente coronel nosso, a três metros de profundidade.

Qual a expectativa para os próximos dias?

COUTO: Continuar o trabalho continua incansável e incessantemente. A nossa única previsão é de trabalho, muito trabalho de manhã, à tarde, à noite e de madrugada. Não podemos parar.

FONTE: O Globo

SocialTwist Tell-a-Friend

Planalto prepara cerimônia fúnebre de heróis

Bandeiras a meio pau - foto José Cruz - Agência Brasil

Governo quer mostrar apreço às Forças Armadas e Lula deve comparecer à homenagem

vinheta-clipping-forteO governo federal e as Forças Armadas preparam homenagens de heróis para os militares mortos no Haiti. O traslado dos corpos está sendo providenciado pela ONU, responsável pela missão de paz no Haiti, à qual os militares serviam. A data ainda não está definida.

A programação será preparada pelo Palácio do Planalto em parceria com o Ministério da Defesa e terá como ponto alto uma solenidade coletiva, que será realizada, possivelmente, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O ato deverá ocorrer na Base Aérea de Brasília, de onde os corpos seguirão para ser enterrados em cerimônias militares individuais nas cidades de origem ou em locais indicados pelas famílias.

O Palácio do Planalto quer usar o ato para demonstrar apreço às Forças Armadas, com as quais o governo tem tido nos últimos tempos um estremecimento de relações – por causa do Programa Nacional de Direitos Humanos. A ideia é que todos os corpos sejam trasladados num mesmo voo.

Como há desaparecidos, é possível que haja uma segunda cerimônia, posteriormente. O cerimonial incluirá uma salva de tiros e a execução do toque fúnebre, durante o qual um grupo de cadetes levará o caixão envolto na bandeira do Brasil até o túmulo. Nesse instante, a bandeira é retirada do caixão, dobrada e entregue à família. A responsabilidade pelo cerimonial deverá ficar com o Comando de Operações Terrestres do Exército.

A tragédia no Haiti deixou até agora um saldo de 14 militares brasileiros mortos, além de 4 desaparecidos e 25 feridos. Desses, três estão em estado grave. Dois deles foram levados para a República Dominicana e um está no Hospital das Forças Armadas da Argentina, o mais estruturado em funcionamento no Haiti.

Os outros 22, com ferimentos de menor gravidade, foram transferidos para o serviço médico do próprio Batalhão Brasileiro (Brabatt), depois de medicados no hospital argentino.

Ainda está desaparecido o diplomata brasileiro Luiz Carlos da Costa, vice-representante especial da ONU no Haiti.

FONTE: O Estado de São Paulo

FOTO: Agência Brasil – J. Cruz

SocialTwist Tell-a-Friend