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Pseudopotência

Luiz Eduardo Rocha Paiva
General-de-Brigada, professor emérito e ex-comandante da
Escola de Comando e Estado-Maior do Exército;
Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil.

“Entre outros males, estar desarmado significa ser desprezível” (“o Príncipe” – Maquiavel)

O desfecho da iniciativa diplomática brasileira no Oriente Médio demonstrou os limites do poder de um país cuja ação na cena internacional só é relevante nos temas da área econômica. Essa limitação revela uma fraqueza que será ainda mais evidente quando entrarem em choque interesses nacionais e os dos países que efetivamente conduzem os destinos do mundo, em função da projeção desses últimos, seja em nosso entorno estratégico, seja diretamente sobre o nosso patrimônio.

Somos uma potência com pés de barro, cuja expressão mundial depende principalmente da exportação de commodities com baixo valor agregado, da prestação de serviços por algumas empresas e instituições e do atrativo mercado interno. Relevância econômica, mas não militar. Há um desequilíbrio interno fruto da indigência bélica; da debilidade nas áreas de educação, indústrias de valor estratégico, ciência, tecnologia e inovação; da crise de valores morais; e da falta de civismo. Desse quadro, emergem graves vulnerabilidades para enfrentar os conflitos que se avizinham.

O mundo ficou pequeno e a América do Sul (AS) é um dos principais palcos de projeção da China, a ser seguida da Índia e da Rússia. O Brasil terá sua liderança regional ameaçada não só por esses novos competidores, pois os EUA intensificarão a presença na AS, a fim de não perder espaços estratégicos para poderosos rivais arrivistas. A China passa a ser diretamente interessada na exploração dos recursos da AS – agrícolas, minerais, hídricos, e outros – incluindo, logicamente, os da Amazônia. Será menos arriscado China, Rússia e Índia unirem-se aos EUA e UE para impor limites à soberania na Amazônia e em outras regiões, visando condições vantajosas no aproveitamento de seus recursos, do que entrarem em conflito entre si. Atrás da projeção político-econômica virá a militar, inicialmente pela cooperação, evoluindo para dissuasão e, possivelmente, para o emprego direto quando os interesses se tornarem importantes ou vitais. O Brasil e os vizinhos são os atores mais fracos e é desse lado que a corda arrebenta. A história é uma sábia mestra e a da China no século XIX, fatiada em sua soberania e patrimônio e vilipendiada pelas potências da época, mostra o que pode acontecer aqui, pois a China era, então, a nova fronteira como hoje é a AS. Os “impérios” de ontem são as mesmas potências de hoje, com algumas novas presenças como a da Índia.

A perda do Acre pela Bolívia em 1903 é um alerta ao Brasil por sua política irresponsável na Amazônia, pois as semelhanças entre o evento do passado e o presente amazônico são preocupantes, particularmente no tocante às terras indígenas (TI). A Bolívia no Acre, por dificuldade, e o Brasil na Amazônia, por omissão, exemplificam vazios de poder pela fraca presença do Estado e de população nacional em regiões ricas e cobiçadas. O Acre, vazio de bolivianos, era povoado por seringalistas e seringueiros brasileiros, respectivamente líderes e liderados, sem nenhuma ligação afetiva com a Bolívia. No Brasil, ONGs internacionais lideram os indígenas e procuram conscientizá-los de serem povos e nações não brasileiras, no que contam com o apoio da comunidade mundial. Portanto, enquanto no século XIX uma crescente população brasileira estava segregada na Bolívia, hoje o mesmo acontece com a crescente população indígena do Brasil, ambas sob lideranças sem nenhum compromisso com os países hospedeiros e sim com atores externos. Ao delegarem autoridade e responsabilidades a ONGs ligadas a nações e atores alienígenas, os governos brasileiros autolimitaram sua soberania como fez a Bolívia ao arrendar o Acre ao Bolivian Syndicate. Décadas de erros estratégicos enfraqueceram a soberania boliviana no Acre, direito não consumado, pois aqueles brasileiros revoltaram-se e o separaram da Bolívia, que aceitou vendê-lo ao Brasil.

A Amazônia brasileira nos pertence por direito, mas só a ocupação e integração farão a posse efetiva. Em poucas décadas, haverá grandes populações indígenas desnacionalizadas e segregadas, ocupando imensas terras e dispostas a requerer autonomia com base na Declaração de Direitos dos Povos Indígenas, aprovada na ONU com apoio do Brasil. Se não atendidas, evocarão a Resolução que instituiu, em 2005, a Responsabilidade de Proteger, nome novo do antigo Dever de Ingerência. Hoje, há uma forte pressão para transformar TIs em territórios administrados por índios, inclusive com polícia indígena, iniciativa que reúne atores externos e internos, estes uma quinta coluna cuja atuação atende a objetivos alienígenas. Um sem-número de TIs, com maior autonomia que os estados da Federação, comprometerão a governabilidade e a integridade territorial num país que, muitos não percebem, ainda está em formação, pois não foi totalmente integrado.

Não é que a história se repita, mas situações semelhantes em momentos distintos costumam ter desfechos parecidos, para o bem ou para o mal, se as decisões estratégicas adotadas forem similares. Do militar e do diplomata espera-se percepção estratégica capaz de identificar possíveis ameaças, embora longínquas no tempo, antes que se tornem prováveis, pois aí será tarde demais. Cabe a eles, também, a coragem de assessorar o Estado com franqueza, defendendo o interesse nacional mesmo com o risco de afrontar políticas imediatistas de governos de ocasião, que comprometam interesses vitais da Nação. Política exterior é diplomacia e defesa, e nenhuma das duas se improvisa.

No início dos anos 1990, quem alertou para a ameaça à soberania, quando a criação da reserva ianomâmi iniciou o processo de balcanização da Amazônia, foi considerado um visionário. Governos sem visão prospectiva e aptidão para avaliar riscos desprezaram a ameaça e fizeram o jogo das grandes potências, aceitando imposições que vêm criando paulatinamente, por meio de uma exitosa estratégia de ações sucessivas, as condições objetivas para a perda de soberania. Por importantes que sejam outras ameaças internacionais, esta é a mais grave. O resultado será desonroso para o país se sua liderança continuar adotando decisões utópico-internacionalistas-entreguistas, calcadas num discurso politicamente correto, mas moralmente covarde, pois não confessa que se troca soberania por interesses imediatistas ou ideológicos apátridas, camuflados sob bandeiras como a defesa dos direitos de minorias e a preservação do meio ambiente.

Assim, não se trata apenas de fraqueza militar, mas também da ausência de lideranças competentes e de estadistas que tracem políticas e estratégias capazes de limitar ou neutralizar vulnerabilidades. Ao contrário, vêm tomando decisões desastrosas, cujo resultado será a contestação e limitação de nossa soberania na Amazônia, pela via indireta, que dispensará ou reduzirá significativamente a necessidade de emprego do poder militar. Eis o resultado de não ocupar, não povoar, não desenvolver, não defender e não preservar a Amazônia, bem como de segregar ao invés de integrar o indígena aos seus irmãos brasileiros.

É lamentável a sociedade esclarecida, seus representantes e lideranças, em setores decisórios do Estado e em muitas de suas instituições, aceitarem passivamente ou reagirem timidamente à mutilação do país, avalizada por sucessivos governos. Convém ressaltar que esse cenário foi construído, desde o início dos anos 1990, a partir da ascensão ao poder da esquerda, cujos discursos demagógicos e ilusórios de defesa dos bens materiais da Nação, do meio ambiente e dos direitos humanos, de revisão da história e de mudança de valores escondem o propósito real de viabilizar a estratégia gramcista de tomada do poder, pela desagregação da sociedade nacional e o esfacelamento do Estado. É uma esquerda pseudonacionalista – internacionalista de fato – e pseudopatriota – populista de fato, que despreza a história, os feitos, as tradições e os verdadeiros heróis nacionais. Não ama a Nação, mas sim sua ideologia, e não tem uma Pátria, mas sim um partido.

Para merecer e manter um patrimônio imensamente rico como o brasileiro, onde se inclui a nossa Amazônia, é preciso não um pseudonacionalismo de bravatas, demagógico e xenófobo, mas um patriotismo real e sincero, respaldado numa vontade nacional firme, altiva e corajosa para assumir os riscos dos conflitos que virão e, ainda, lideranças legítimas, confiáveis e efetivamente comprometidas com a Nação. Sem tais atributos, países, ainda que sejam fortes e ricos, não passam de pseudopotências.

Luiz Eduardo Rocha Paiva, general da reserva, foi observador militar da ONU em El Salvador (1992-1993) e comandou a Escola de Comando e Estado-Maior do Exército (2004-2006); Membro da Academia de História Militar Terrestre do Brasil

 

Estratégia do Exército Brasileiro até 2030

Em 2009, participamos de um brainstorming para a definição da Estratégia do Exército Brasileiro até 2030. Abaixo as questões levantadas pelo EB na sua pesquisa.

Dê sua opinião sobre cada um dos tópicos abordados.

1) REAÇÕES INTERNACIONAIS AO PROTAGONISMO BRASILEIRO

O mundo convive com vários focos de instabilidade, como os conflitos no Oriente Médio, na Ásia e no Continente Africano, com conseqüentes riscos à paz global. Além destes, delineia-se no futuro uma disputa pelo controle de recursos estratégicos (hidrocarbonetos, água, minérios, biodiversidade, etc.), dos quais o Brasil é um dos grandes detentores.

Enquanto países desenvolvidos mantêm suas posições usando o poder que detêm ou construindo acordos internacionais favoráveis a seus interesses, nações em desenvolvimento têm de lutar por acesso a novas oportunidades.

Embora não esteja envolvido em conflitos de vulto, o Brasil está inserido nesse contexto de desafios e pretende modificar sua posição no jogo internacional, superando barreiras típicas de quem se localiza na periferia do poder mundial. Esta atitude brasileira poderá propiciar o surgimento de situações conflituosas decorrentes de reações dos países forçados a ceder espaços e da própria cobiça internacional pelo grande volume de recursos naturais do País.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, as reações internacionais ao protagonismo brasileiro intensifiquem-se ao ponto de criar obstáculos à consecução dos interesses nacionais.

2) RECONHECIMENTO EXTERNO DO PODER NACIONAL BRASILEIRO

O processo decisório desencadeado nos organismos multilaterais ou nas relações bilaterais cria situações que podem restringir ou facilitar a inserção internacional do Brasil como ator global.

Atendendo a legítimos interesses nacionais, a política externa brasileira se empenha para levar o Brasil a participar, significativamente, da elaboração da agenda internacional. Daí decorre o pleito por uma posição de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e a busca de acordos com blocos econômicos e grupos de países, visando à crescente inserção do País na construção daquela agenda.

As reuniões do G-20, pelo seu simbolismo político, parecem sinalizar para mudanças nas relações de poder mundial, cujos desdobramentos futuros poderão levar à emergência de novos pólos de poder. Os líderes dos países mais ricos perceberam que o enfrentamento dos grandes problemas globais dependem de coordenação política que envolva os países emergentes.

Nas relações internacionais, os estados costumam ter êxitos quando dispõem de poder nacional que respalde suas posturas – o que ainda não é, efetivamente, o caso do Brasil, em especial quanto ao componente militar do poder nacional.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, o Brasil passe a dispor de poder nacional reconhecido internacionalmente ao ponto de ser capaz de respaldar suas pretensões de maior participação no processo decisório mundial.

3) NEUTRALIZAÇÃO DAS PRESSÕES INTERNACIONAIS SOBRE A AMAZÔNIA

As pressões internacionais sobre a Amazônia têm aumentado, sob a alegação de uma suposta defesa de “interesses maiores da humanidade”.

Países, autoridades e organizações estrangeiras ocultam suas pretensões em relação à importância geoestratégica e às riquezas da região, simulando preocupações com o desenvolvimento da área. Sugerem “direitos de ingerência”, insinuando não ter o Brasil capacidade de cuidar do patrimônio amazônico, com ênfase para o meio ambiente e a questão indígena.

A ameaça é de tentativa de imposição de soberania “compartilhada” mediante aplicação de diretrizes e pelo uso privilegiado dos recursos da região, deixando ao Brasil o ônus da administração sob fiscalização estrangeira.

A neutralização dessas pressões extrapola o campo militar, dependendo muito mais de ações governamentais nos campos político, psicossocial e econômico.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, as ações implementadas pelo governo brasileiro no sentido da proteção e do desenvolvimento sustentável da Amazônia brasileira tenham sido eficazes ao ponto de neutralizar as pressões internacionais sobre a região.

4) INTERESSE INTERNACIONAL SOBRE ÁREAS ESTRATÉGICAS DO BRASIL

É interesse vital das potências de primeira ordem assegurar o acesso às regiões do mundo de valor geopolítico e onde estejam recursos naturais necessários ao seu desenvolvimento e manutenção do status quo.

O Brasil, além da Amazônia, tem outras regiões que podem ser alvo da cobiça internacional, pela riqueza ou posição estratégica. Entre essas áreas, destacam-se: a faixa de fronteira, a plataforma continental atlântica (jazidas de petróleo, biodiversidade, minerais,etc), o “saliente nordestino” e o Aquífero Guarani.

A liderança nacional atribui pouca importância e a sociedade tem dificuldade em perceber a ameaça embutida no interesse internacional, o que se reflete na baixa prioridade conferida ao setor de defesa do País.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, as áreas estratégicas do Brasil sejam alvo de crescente interesse internacional ao ponto de suscitar ações por parte do Estado brasileiro para manter e reforçar sua soberania sobre essas áreas.

5) FORTALECIMENTO DA INTEGRAÇÃO DA AMÉRICA DO SUL

Coerente com princípio constitucional, a iniciativa brasileira de integração regional foi iniciada pela constituição do MERCOSUL e ampliada pelos macroprojetos de integração física da região, estruturados e implementados pela Iniciativa para a Integração Regional Sulamericana (IIRSA), e por empreendimentos de integração energética, dentre outros. O estabelecimento da UNASUL, que surge com o objetivo de construir um espaço de integração e união no âmbito cultural, social, econômico e político entre os países da América do Sul, é mais um marco do processo de integração regional. A criação do Conselho de Defesa Sulamericano (CDS) poderá contribuir para intensificar as medidas de cooperação e confiança mútua entre os setores de defesa dos países da região.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31 de dezembro de 2030, o processo de integração regional evolua ao ponto de permitir a efetiva consolidação da integração da América do Sul.

6) OCORRÊNCIA DE CONFLITOS NA AMÉRICA DO SUL

A paz na América do Sul, considerada uma das regiões do mundo menos sujeita a conflitos armados, pode vir a ser ameaçada pela instabilidade política e social existente em alguns países, pela ação de movimentos de cunho ideológico que apelam para a violência e pelas tensões latentes entre países limítrofes. Com isso, considera-se a possibilidade do Exército Brasileiro vir a participar de conflitos na região, integrando ou não organismos internacionais, como Força de Paz ou em defesa dos interesses nacionais.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, ocorram conflitos na América do Sul ao ponto de envolver militarmente o Brasil.

7) AGRAVAMENTO DA QUESTÃO AMBIENTAL

As questões ambientais têm adquirido importância crescente na agenda internacional, envolvendo temas como as mudanças climáticas, as catástrofes ambientais e as consequencias sociais e econômicas decorrentes.

A ocupação e a exploração de recursos naturais nos principais biomas do território brasileiro, com reflexos no meio ambiente, poderão agravar a questão ambiental no Brasil, gerando inclusive reações internacionais.

No Brasil, a participação do Exército contra delitos ambientais, na faixa de fronteira terrestre, está prevista na Lei Complementar Nr 117, de 2 de setembro de 2004.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, as questões ambientais e as mudanças climáticas tenham se agravado, ao ponto do controle e monitoramento ambiental venha a ser institucionalizado como atribuição, também, das Forças Armadas.

8 ) OCORRÊNCIA DE ATIVIDADES TERRORISTAS EM TERRITÓRIO BRASILEIRO

O Brasil, até o presente, tem se mantido a salvo de ações terroristas, nos moldes praticados por grupos em conexão com redes internacionais, com a finalidade de desestabilizarem Estados ou deles se vingarem em proporções que causem a generalização do pânico em suas populações. Apesar disso, não se afasta a possibilidade de que iniciativas do governo brasileiro venham a gerar disputas e maior exposição do País no cenário internacional.

Essa exposição tende a ser ampliada em face dos grandes eventos esportivos que o Brasil sediará os Jogos Mundiais Militares(2011), a Copa das Confederações (2013), a Copa do Mundo (2014), e as Olimpíadas (2016) e da crescente posição de proeminência do País no contexto mundial.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, atividades terroristas venham a ocorrer também no Brasil.

9) AGRAVAMENTO DA PROBLEMÁTICA DA SEGURANÇA PÚBLICA BRASILEIRA

As limitações e carências dos órgãos de segurança pública e o aumento do poder e da violência de grupos ligados ao crime organizado, ou a ilícitos transnacionais, contribuem para agravar a problemática da segurança pública brasileira e criam um ambiente propicio à demanda para emprego das Forças Armadas em segurança pública, ainda que em caráter eventual.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, a problemática da segurança pública brasileira se agrave ao ponto de ser institucionalizado o emprego das Forças Armadas.

10) DESENVOLVIMENTO DE UMA MENTALIDADE DE DEFESA NO BRASIL

A sociedade brasileira não demonstra grande interesse pelos assuntos diretamente ligados à defesa nacional e o tema não é prioritário para as lideranças e os formadores de opinião do País.

A Estratégia Nacional de Defesa apresenta dentre suas metas a de desenvolvimento de uma mentalidade de defesa na sociedade. Nesse sentido, o Ministério da Defesa e as Forças Armadas vêm desenvolvendo iniciativas como programas de incentivo, congressos, seminários e simpósios, dentre outras.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, os assuntos de defesa passem a fazer parte da agenda nacional ao ponto de influenciar decisivamente as políticas governamentais.

11) FORTALECIMENTO DA INDÚSTRIA DE DEFESA DO BRASIL

O fortalecimento da indústria de produtos de defesa no Brasil se constitui em peça fundamental na redução das vulnerabilidades militares do País. Anseia-se que ela seja capaz de produzir parcela significativa dos materiais e equipamentos estratégicos com tecnologia agregada que atenda às necessidades das FA. Isso, no entanto, esbarra em desafios de toda ordem. Grandes conglomerados da indústria de defesa dos países mais ricos bloqueiam tentativas de desenvolvimento das empresas similares dos países menos poderosos.

O aumento dos investimentos em C&T, a competitividade dos materiais produzidos pela indústria de defesa, a transferência de tecnologia (offset) e o aumento do poder de compras das FA são os principais fatores para o fortalecimento da base industrial de defesa brasileira, contribuindo para a redução do hiato tecnológico e para a nacionalização dos materiais de defesa.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, ocorra o fortalecimento da base industrial de defesa brasileira ao ponto de suprir no mínimo 50% das necessidades de material de defesa das Forças Armadas.

12) CRESCIMENTO E SEGURANÇA DE FLUXO DO ORÇAMENTO DO EXÉRCITO BRASILEIRO (EB)

A crescente projeção internacional do Brasil indica a necessidade de um poder militar bem equipado e adestrado.

A eficiência operacional das Forças Armadas é dependente de orçamento compatível e constante. Nas últimas décadas, a escassez dos recursos alocados para o Exército Brasileiro tem redundado em deterioração cada vez mais séria de sua operacionalidade.

Além disso, o orçamento do EB ainda sofre retardamentos, contingenciamentos e considerável volume de recursos são inscritos em restos a pagar, dificultando o cumprimento da sua destinação constitucional.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31 de dezembro de 2030, o governo aumente os recursos orçamentários e assegure um fluxo mínimo destinado a investimentos do Exército Brasileiro.

13) ADEQUAÇÃO DA INFRAESTRUTURA CRÍTICA ÀS NECESSIDADES DE DEFESA

Os sistemas nacionais que constituem a infraestrutura crítica do Brasil, em especial energia, transportes e comunicações não podem entrar em colapso, pois são indispensáveis ao desenvolvimento do País, devendo também observar às necessidades de defesa nacional.

Atualmente, as obras de infraestrutura crítica não atendem na sua plenitude às necessidades de defesa, acarretando prejuízo ao planejamento estratégico operacional das FA, sobretudo no que tange a comando e controle, mobilização, logística, mobilidade estratégica e outras

O Exército dentre suas atividades subsidiárias executa obras da infraestrutura, mas não participa do planejamento de políticas públicas de forma a adequar as obras realizadas às necessidades de defesa.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, ocorra a adequação da obras de infraestrutura crítica do Brasil para atender às demandas de defesa do país.

14) AGRAVAMENTO DA CRISE DE VALORES NA SOCIEDADE NACIONAL

A História da humanidade tem mostrado que um dos alicerces da grandeza das nações é o respeito a um código tácito de valores morais e éticos. Riqueza, desenvolvimento e poder político, isoladamente, não lhes conferem coesão, bem-estar ou autorrespeito, nem lhes sustentam em desafios extremos.

Nações com vocação de grandeza cultuam pátria, liberdade, honestidade, dever, justiça, vida, família, educação, dignidade e disciplina, entre outros, como sínteses de princípios morais inspiradores de nobres ideais.

A sociedade brasileira enfrenta uma crescente crise moral com desprezo por aqueles e outros valores, disseminada sensação de impunidade e desrespeito ao princípio da autoridade, afetando com isso a coesão nacional.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, a crise de valores na sociedade nacional se agrave ao ponto de contaminar as Forças Armadas.

15) AUMENTO DA INFLUÊNCIA DE ATORES NÃO GOVERNAMENTAIS

Atores não governamentais – ONGs, empresas transnacionais, movimentos sociais e organismos internacionais – têm assumido papéis ativos em temas sociais, culturais, econômicos, ambientais, de direitos humanos e outros. Desvencilhando-se agilmente da burocracia, alguns aproveitam as fragilidades do Estado e ocupam espaço crescente na sociedade brasileira, como se fossem parte do aparato oficial.

Vários deles são prestigiados, pois declaram estar a serviço de causas nobres: culturais, religiosas, comunitárias, ambientalistas, educacionais, de direitos humanos ou de defesa de minorias. Embora alguns deles não se submetam à aprovação popular, procuram influenciar, cada vez mais, a opinião pública e as decisões políticas, trazendo reflexos para todos os campos do poder nacional.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, os atores não governamentais tenham poder sobre o governo ao ponto de influir nas decisões relativas à segurança e defesa.

16) AGRAVAMENTO DAS TENSÕES SOCIAIS

Apesar dos esforços de sucessivos governos e da perceptível melhoria da qualidade de vida da classe mais pobre da população – fator relevante para a paz social -, continuam a existir desigualdades sociais e regionais, motivadas por questões ligadas ao desemprego, déficit habitacional, saneamento básico, saúde pública e educação.

Além disso, a problemática das tensões sociais no Brasil envolve outros fatores, como a ausência do Estado em algumas áreas críticas, a luta pela terra, as questões indígenas e quilombola, os problemas ligados à violência urbana, o crescimento desordenado das grandes cidades e a questão da segurança alimentar.

A questão se refere à probabilidade de que, até 31/12/2030, o agravamento das tensões sociais seja de tal vulto que venham a comprometer a lei e ordem no Brasil.

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Segundo dados do Exército, as armas mais vendidas para os cidadãos comuns são os revólveres e pistolas

O número de armas de fogo vendidas no Brasil aumentou 70% desde a aprovação do comércio de armas em um referendo nacional, realizado em 2005. Segundo dados da Diretoria de Fiscalização de Produtos Controlados (DFPC) do Exército, obtidos pela Agência Brasil, em 2005 foram vendidas 68 mil armas dentro do país. Em 2009, esse número já chegava a 116,9 mil.

Neste ano, completam-se cinco anos desde a realização do referendo nacional, no qual a população decidiria se o comércio de armas de fogo e munição deveria ser proibido no país. A consulta popular havia sido prevista pelo Estatuto do Desarmamento, aprovado dois anos antes, e que impôs regras mais rígidas para o registro de armas.

No referendo, 59 milhões de pessoas optaram por manter o comércio de armas de fogo no país, contra apenas 33 milhões que queriam a proibição. Os dados do Exército mostram que a venda de armas no país – que havia sido reduzida 89% entre 2001 e 2004 devido ao Estatuto do Desarmamento – voltou a crescer depois do resultado do referendo.

Apesar do comércio de armas de fogo no país ainda ser bastante inferior ao de antes do Estatuto do Desarmamento – em 2001 foram vendidas 566 mil armas no país -, os números mostram um crescimento das vendas entre o ano do referendo e o ano passado.

O sociólogo Antonio Rangel Bandeira, especialista em controle de armas da organização não governamental Viva Rio, que defendeu a proibição do comércio na campanha de 2005, lamenta o resultado do referendo e se diz preocupado com o aumento das vendas de armas de fogo.

“O grande problema do crime é a arma pequena, que é comprada em loja ou roubada do cidadão de bem, que, por sua vez, comprou essa arma numa loja. Ao proibir o comércio, você fecharia uma das grandes fontes, para não dizer a maior fonte, que abastece a criminalidade de armas”, disse.

Já o assessor e ex-subdiretor de Fiscalização da DFPC, coronel Achiles Santos Jacinto Filho, minimiza o crescimento apresentado pelos números do Exército. Segundo ele, o crescimento nos últimos anos, que teve um pico em 2008 com a venda de 133,7 mil armas e uma leve queda em 2009, não foi tão expressivo.

O coronel acredita que o comércio de armas deverá se estabilizar e não alcançará níveis como os do início da década de 2000. “O aumento, principalmente em 2008 e 2009, se deveu a alguns fatores como a autorização para que os policiais pudessem adquirir armas do calibre .40. Então houve umas aquisições que são reflexo disso. Mas a tendência é que se mantenha uma estabilidade no comércio”, afirma o coronel.

Segundo dados do Exército, as armas mais vendidas para os cidadãos comuns são os revólveres e pistolas, nos calibres 32, 38 e 380. Já os policiais e militares adquirem mais as pistolas 9 milímetros e .40.

Os dados do Exército, que se referem às armas nacionais vendidas dentro do país, mostram a seguinte tendência: em 2001 foram vendidas 566,2 mil armas no Brasil. Esse número caiu para 313,2 mil em 2002 e para 115,9 mil em 2003 (ano do Estatuto), atingindo 63,6 mil no ano seguinte. Em 2005, o comércio começou a subir: 68 mil.

A trajetória de crescimento se mantém até 2008, com 81,2 mil armas vendidas em 2006, 92,7 mil em 2007 e 133,7 mil em 2008. Em 2009, as vendas caem para 116,9 mil, ou seja, 70% a mais do que em 2005.

A Agência Brasil também teve acesso aos dados de armas importadas pelo país – exceto aquelas importadas pelas Forças Armadas. O comércio de armamento importado no Brasil também mostra crescimento entre 2009 e 2005. Em 2009, o Brasil importou 3,2 mil armas, isto é, quase três vezes mais do que em 2005, quando foram importadas 1,1 mil.

FONTE: Agência Brasil

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Governo estadual paga R$ 450 mensais a 55 ex-combatentes e cerca de 600 viúvas

Os veteranos da Revolução Constitucionalista de 1932 que dependem de pensão especial do Estado – são 55 ex-combatentes e cerca de 600 viúvas, quase todos com mais de 90 anos – afirmam passar por privações ou precisar de suas famílias para sobreviver porque recebem apenas R$ 450 mensais de pensão. Segundo eles, o governo paulista reluta em reajustar o valor.

“Essa é a demonstração da importância que nosso governo dá a esses valorosos homens, muitos dos quais foram para a batalha com menos de 18 anos, como foi o caso de meu pai”, diz a professora aposentada Neide Gumbis de Souza Belluco, filha e sobrinha de soldados voluntários. Residentes em Piracicaba, ela e a irmã sustentam a mãe, viúva, de 89 anos, pois a pensão não é suficiente nem para os remédios.

O secretário da Sociedade dos Veteranos de 1932 – MMDC, coronel Mário Fonseca Ventura, cujo pai lutou no Túnel da Mantiqueira, diz que a situação só não é pior porque muitos ex-combatentes pertenciam ao Exército ou à Força Pública (atual PM) e recebem pensões dessas corporações. É o caso do presidente da sociedade, capitão Gino Struffaldi, de 96 anos, que servia como radiotelegrafista no Forte de Itaipu, em Santos, quando as tropas federais de São Paulo apoiaram os constitucionalistas.

“Não sofremos baixas, mas a Fortaleza de Itaipu foi bombardeada pela Aviação Naval, da Marinha do Brasil, que danificou as instalações”, conta o capitão Gino. “Nossa unidade mandou quatro canhões para a frente de batalha e armou com outro canhão um trem blindado construído pelos paulistas”, acrescenta. Cada canhão saía com cinco ou seis homens, armados de fuzis, o que deixou a guarnição desfalcada.

O soldado Oswaldo Diana, de 101 anos, também não tem pensão especial porque deu baixa na Força Pública para trabalhar como técnico eletricista na indústria. “Eu me aposentei pelo INSS, mas acho que teria direito a receber a pensão, porque lutei no Vale do Paraíba e participei de três combates”, diz. Em 23 de maio de 1932, quando foram assassinados os heróis do MMDC (Martins, Miragaia, Dráusio e Camargo), ele estava no Quartel General, vizinho de sua unidade, o Batalhão Tobias de Aguiar.

“Aplaudimos nossos heróis no desfile de 9 de Julho, mas não reconhecemos, com essa pensão inferior ao salário mínimo regional (de até R$ 580), o mérito daqueles que lutaram nas trincheiras”, afirma o deputado estadual Sérgio Olímpio Gomes (PDT), major reformado da PM, que há três anos tenta convencer o Executivo a encaminhar à Assembleia Legislativa um projeto de reajuste, cuja iniciativa precisa ser do governador. O Estado não comentou as queixas.

A Sociedade dos Veteranos espera que ao menos o governo equipare a pensão ao salário mínimo. “Seria já uma conquista, embora fosse mais justo dobrar o valor atual”, afirma o coronel Ventura. Como secretário, ele sabe da angústia dos que têm de sobreviver com os R$ 450. “As viúvas são obrigadas a entrar com um processo na burocracia do Estado para comprovar a morte do marido”, diz. Segundo ele, muitas morrem antes.

FONTE: O Estado de São Paulo

 

Os Estados Unidos e a Rússia concluíram nesta sexta-feira no aeroporto de Viena, na Áustria, a maior troca de espiões já realizada após a Guerra Fria. Um avião fretado pelo governo dos Estados Unidos pousou pela manhã no aeroporto trazendo a bordo as dez pessoas que admitiram ser espiões “de um governo estrangeiro”.

Um outro avião trouxe quatro espiões condenados na Rússia e que receberam um perdão do presidente, Dimitri Medvedev. Os aviões, um Boeing 767-200 da empresa Vision Airlines e um modelo russo Yakolev Yak-42, estacionaram lado a lado no aeroporto.

Imagens de televisão mostraram escadas de avião cobertas sendo levadas aos aviões – mas não foi possível ver os espiões sendo transferidos. As aeronaves decolaram em seguida. Não se sabe o destino que os aviões tomaram.

Entretanto, um representante do governo russo disse à agência France-Press que os agentes deportados dos Estados Unidos eram aguardados em Moscou nesta sexta-feira.

O ministério do Exterior russo confirmou a troca, dizendo que ela representava “o retorno à Rússia de 10 cidadãos russos acusados nos Estados Unidos, juntamente com a transferência simultânea para os Estados Unidos de quatro indivíduos previamente condenados na Rússia”.

Identidades

Os dez agentes russos acusados nos Estados Unidos confessaram ter agido como “agentes ilegais de um governo estrangeiro dentro dos Estados Unidos” em uma corte de Nova York.

O Kremlin informou as identidades dos quatro agentes condenados na Rússia :

Igor Sutyagin, cientista nuclear preso em 2004 por espionar para a CIA Sergei Skripal, um oficial da Inteligência militar russa condenado em 2006 por espionar para o Reino Unido Alexander Zaporozhsky, ex-empregado dos serviços de Inteligência no exterior preso por espionagem em 2003 Gennadiy Vasilenko, ex-agente da KGB EUA

Após as confissões no tribunal em Nova York, o juiz responsável pelo caso descartou as outras acusações que pesavam contra os dez suspeitos – entre elas a de lavagem de dinheiro – e ordenou a sua deportação imediata do país, o que seria fruto de um acordo em troca das confissões.

Durante a audiência, na quinta-feira, sete dos suspeitos revelaram seus verdadeiros nomes e admitiram serem agentes da Rússia.

“Richard Murphy” e “Cynthia Murphy” admitiram que eram cidadãos russos chamados Vladimir Guryev e Lydia Guryev “Donald Howard Heathfield” e “Tracey Lee Ann Foley” eram cidadãos russos chamados Andrey Bezrukov e Elena Vavilova “Juan Lazaro” admitiu ser o cidadão russo Mikhail Vasenkov “Michael Zottoli” e “Patricia Mills” admitiram ser os cidadãos russos Mikhail Kutsik e Natalia Pereverzeva

Outros três, que também confessaram serem agentes, operavam nos Estados Unidos com seus nomes verdadeiros: Anna Chapman, Mikhail Semenko e Vicky Pelaez. Pelaez, nascida no Peru, era a única dos dez acusados que não tinha nacionalidade russa.

Um 11º suspeito está foragido, após ter sido liberado sob fiança no Chipre, onde havia sido preso.

Espiões

Presos em uma grande operação do FBI e outros órgãos de inteligência americanos em 27 de junho, os dez suspeitos foram acusados pela Promotoria de se passarem por cidadãos comuns para, sob as ordens dos serviços de inteligência russos, se infiltrarem em círculos políticos influentes dos EUA e coletar informações.

O Departamento de Estado americano afirmou que “a rede de agentes ilegais” foi desmantelada após “anos de investigação”, mas que “nenhum benefício significativo para a segurança nacional” dos EUA “seria trazido pelo encarceramento prolongado destes dez agentes”.

De acordo com o governo americano, a decisão de trocar os suspeitos pelos prisioneiros que estão na Rússia foi tomada com base em razões “humanitárias e de segurança nacional”.

“Os Estados Unidos tomaram vantagem da oportunidade apresentada para assegurar a libertação de quatro indivíduos que estão servindo em longas penas de prisão na Rússia, muitos dos quais estão em condições da saúde ruins”, diz um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.

Prisioneiros

Um dos prisioneiros libertados pela Rússia devido à troca com os EUA, o cientista nuclear Igor Sutyagin, estava em uma prisão próxima ao Círculo Polar Ártico, mas que foi recentemente transferido para Moscou.

Ele foi preso em 2004, acusado de ser um agente da CIA, o serviço de inteligência dos EUA.

Em entrevista à BBC, o irmão de Sutyagin, Dmitry, afirmou que ele teria sido avisado pelas autoridades russas de que seria trocado como parte do acordo, e que autoridades americanas estariam presentes neste momento.

FONTE: BBC, via O Globo

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K-2 Black Panther

O K2 Black Panther é o carro de combate sul-coreano que vai substituir os M48A5K Patton e complementar os K1. A produção em massa está em curso

O K2 é provavelmente o MBT mais caro do mundo, com custo unitário em torno de US$ 8,5 milhões, superando até o Type 90 japonês, que custa US$ 7,4 milhões por unidade.

Compare esses valores com o que o Brasil está pagando pelos Leopard I de segunda-mão.

É interessante notar que os países que estão entre as principais economias do mundo, têm projetos próprios de carros de combate, pois estes são considerados símbolos do orgulho nacional e da capacidade tecnológica de uma nação.

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Economista critica o conceito dos Brics e questiona papel das economias emergentes na recuperação mundial

Um dos economistas mais respeitados do mundo, Paul Krugman, colunista do New York Times, comprou briga com os principais líderes europeus e colegas de profissão. Para o Prêmio Nobel de Economia de 2008, a recuperação da atividade mundial depende da concessão de mais estímulos pelos governos, num movimento contrário às diretrizes dos líderes da União Europeia. Em entrevista exclusiva no Brasil ao site Economia & Negócios, Krugman alertou para o que considera um excesso de otimismo com o Brasil no cenário econômico mundial. O colunista também se mostrou pessimista sobre uma saída para os países do euro. A seguir, os principais trechos da entrevista.

O sr. acredita que existe um otimismo exagerado com a economia brasileira e outros países emergentes? O conceito dos Brics ainda é válido?

Sempre considerei o conceito dos Brics muito pobre, porque são economias díspares. Índia e China talvez possam pertencer a um mesmo grupo, por ainda serem economias com mão de obra barata; Rússia é um exportador de petróleo e o Brasil é um país de renda média baixa muito diferente dos outros. O Brasil é uma boa história, que na última década teve desempenho melhor do que o esperado, conseguiu evitar uma crise severa, promoveu melhoras na base de sua população ante um histórico de desigualdade, mas não é uma história notável de crescimento. A ideia do Brasil como superpotência econômica futura é ainda muito baseada em especulação. Espero que um dia seja verdade, mas ainda não vejo isso acontecendo.

Qual o papel da China na recuperação da economia mundial?

A China é muito problemática, mesmo deixando de lado a questão da moeda, que tem impedido que sua demanda ajude o restante do mundo. Mesmo agora, ela não é uma economia tão grande; imaginamos que seja pela enorme população, mas do ponto de vista da taxa de câmbio – que é o que importa – ela é do tamanho do Japão.

Como a Europa deve lidar com a crise de dívida soberana e evitar o colapso do euro?

Não vejo o euro entrando em colapso, vejo mais uma chance de a zona do euro perder alguns países periféricos, como a Grécia. Uma política de meta de inflação mais frouxa também poderia ajudar. Se a zona do euro estabelecesse uma meta de 3% ou 4%, seria bem mais fácil de se fazer ajustes nos países problemáticos do que com uma meta de 1% ou 2%, como é agora.

Qual a sua opinião sobre o acordo feito pelos líderes do G-20 para diminuírem seus déficits? Seria uma espécie de derrota da linha keynesiana?

Sim. A promessa de reduzir os déficits não foi nada além do que já se planejava. Não há dúvida de que o tom geral desse acordo foi “ok, está na hora da austeridade”, e isso é muito chocante, diante de uma recuperação mundial ainda distante.

Qual a disposição dos Estados Unidos de realizar acordos de livre comércio?

Atualmente, não há muita discussão sobre acordos comerciais. Dada a situação política do país, com o presidente Obama tendo de lutar até por questões óbvias, não há como desperdiçar capital político com acordos comerciais, como Doha. Esse é um assunto que não está no topo da agenda da atual gestão ou mesmo da próxima.

Há a possibilidade de um duplo mergulho na economia mundial com as medidas de austeridade tomadas na Europa?

Acredito que seja ainda uma possibilidade, mas não a mais provável. Você não vê um PIB em queda. Acho que um problema maior é que fizemos um progresso muito frágil na diminuição do desemprego nos Estados Unidos. Então um mergulho duplo propriamente dito, acredito que não; recuperação do desemprego, provavelmente sim, e é isso que me preocupa.

QUEM É

  • Colunista do “New York Times” desde 1999, é professor de Economia e Relações Internacionais na Universidade Princeton
  • Vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2008 por sua teoria sobre as questões do livre comércio mundial
  • Autor ou editor de 20 livros e mais de 200 artigos científicos

FONTE: O Estado de S. Paulo – 08/07/2010

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Concurso para sargento do Exército

O Exército Brasileiro aumentou em 35 o número de vagas para os cursos de Formação de Sargentos do Exército, de 1.176 para 1.211. Após o período de estudo, de aproximadamente um ano e meio, os aprovados entrarão na corporação no posto de terceiro sargento, com salário mensal de R$ 2.903.

O órgão oferece 1.190 chances para as áreas de combatente, logística-técnica, aviação e material bélico (manutenção de viaturas). Entre as atividades na área de combatente, por exemplo, está a de comunicações. O militar desse ramo instala e utiliza materiais como rádios-transmissores e telefones.

Para a área de música, são 21 oportunidades para as especialidades de tuba, trombone, trompete, saxofone e clarineta. O Exército informou, por meio do Centro de Comunicação Social, que essas seleções são abertas anualmente devido às vagas referentes a aposentadorias, exonerações e para o quadro de reserva do órgão.

As inscrições estão abertas e podem ser feitas até o dia 20 de julho por meio da página. A taxa de participação custa R$ 70. Para concorrer, é preciso ser do sexo masculino, ter concluído o ensino médio e idade entre 18 e 24 anos até 30 de junho de 2011.

Todos os candidatos farão exame intelectual, de aptidão física, revisão médica e comprovação de requisitos biográficos. De acordo com a área disputada, haverá também avaliação psicológica e inspeção de saúde.

O curso de formação de sargentos é realizado em duas etapas. Primeiro, os aprovados passam pelo período básico, com duração 34 semanas, em uma das Organizações Militares de Corpo de Tropa (OMCT) do Exército. Depois, os candidatos passam pela fase de qualificação, com duração de 43 semanas, que é realizado em MG, RJ e SP.

No total, o Exército está com nove processos seletivos abertos, com oferta de 2.344 vagas para candidatos de níveis médio e superior. Os editais podem ser conferidos nas páginas www.espcex.ensino.eb.br, www.ime.eb.br, www.esaex.ensino.eb.br/esaex e www.ibfc.org.br.

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Cinco soldados do Exército afegão morreram e dois ficaram feridos de forma acidental em um ataque, hoje, das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), informaram funcionários. Os soldados afegãos estavam tentando emboscar um grupo de insurgentes, na província de Ghazni, quando aviões da Otan começaram a disparar sem aviso, afirmou um porta-voz do Ministério da Defesa afegão, general Mohamed Zahir Azimi.

O militar condenou as novas mortes por “fogo amigo”, no momento em que as forças internacionais tentam melhorar a coordenação com seus colegas afegãos a fim de eventualmente transferir a eles as responsabilidades de segurança. “Não é a primeira vez que um acidente desses ocorre, mas esperamos que esse possa ser o último”, afirmou Azimi.

O porta-voz da Otan Josef Blotz confirmou o ataque acidental e disse que lamentava as mortes. Foi aberta uma investigação conjunta sobre o incidente, completou ele. Além disso, três militares norte-americanos morreram no instável sul do país na explosão de uma bomba, informou mais cedo a Otan.

FONTE: Agência Estado

 

Imagens foram colocadas no Youtube e se espalharam pela internet. Exército anunciou que caso será estudado e militares devem ser punidos.

Soldados israelenses foram filmados dançando durante uma patrulha em uma rua de Hebron, cidade localizada na Cisjordânia, território reivindicado pela ANP (Autoridade Nacional Palestina). De acordo com informações do jornal isarelense Haaretz, os militares deverão sofrer punições.

A coreografia dos soldados foi exibida por diversas redes de televisão de Israel. O vídeo intitutlado “Batallion 50 Rock the Hebron Casbah” foi colocado pelos próprios soldados no site Youtube no domingo, e retirado horas depois. Entretanto, ele já havia sido copiado e exibido em blogs e no Facebook.

No vídeo, seis soldados, equipados com coletes à prova de bala, capacetes e armamento pesado, ensaiaram uma rápida coreografia de dança da música “Tik tok”, da cantora pop americana Ke$ha, em uma das cidades consideradas mais perigosas da Cisjordânia.

Os militares se defenderam, afirmando que as imagens não passavam de uma “brincadeira”. Após o vídeo ser retirado, outra versão foi colocadas no Youtube, com o título “É fácil rir da ocupação quando você é o opressor”.

O exército israelense afirmou que o caso está sendo estudado.

FONTE: G1

A Navantia FABA systems assinou no dia 2 de julho, com a Oto Melara Ibérica, filial da Oto Melara (empresa Finmeccanica), um Memorando de Entendimento ou acordo de colaboração em tecnologia, para a produção conjunta de torretas HITFIST e HITROLE, para os veículos militares da Espanha e outros mercados internacionais.

Este acordo amplia as possibilidades destes sistemas no mercado espanhol e também inclui a promoção e marketing. A Navantia será capaz de produzir até 70% da torre HITFIST e 20% da torre HITROLE.

A HITFIST e HITROLE são torres de armas de pequeno calibre, 30mm e 12,7mm, respectivamente, de propriedade de Oto Melara, um parceiro tecnológico de referência, com uma importante quantidade de unidades instaladas em diferentes plataformas.

Para a Navantia, este Memorando de Entendimento significa uma oportunidade para ampliar suas capacidades e prestígio em sistemas navais, para os campos do Exército e Força Aérea, e outros mercados internacionais.

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RIO – A Polícia Federal tem planos para usar um avião não tripulado para vigiar a cidade e, principalmente, as favelas do Rio em 2014. Para isso, pretende comprar 14 aeronaves e montar quatro bases de operações no país. Pelo menos um avião será usado em operações de combate ao tráfico na cidade. Batizada de Vant (veículo aéreo não tripulado), a aeronave é capaz de voar por 37 horas ininterruptas, cobrindo mais de mil quilômetros.

Durante o vôo, o aparelho pode fotografar ou filmar com nitidez pessoas ou objetos no solo, de uma altura que pode chegar a 30 mil pés (cerca de dez quilômetros). A primeira fase, considerada de testes, já começou: o Vant tem patrulhado os limites do Brasil, com especial atenção para a fronteira com o Paraguai, no combate ao tráfico de armas e drogas e ao contrabando.

Também pensando na Copa do Mundo do Brasil, a PF enviou para a África do Sul oito policiais, lotados nos setores de imigração; inteligência; segurança de dignitários e antibomba, e ainda um servidor que atuou como adido. Os policiais tiveram como missão, segundo informou a PF, fazer análise crítica da estrutura de segurança adotada pela África do Sul, visando a coleta de informações que podem ser úteis no planejamento estratégico e operacional da PF para a Copa do Mundo de 2014.

FONTE: O Globo

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MBT Leclerc

O carro de combate Leclerc fabricado pela Giat Industries está operacional no Exército Francês e nas forças armadas de Abu Dhabi e Emirados Árabes Unidos.

O Leclerc entrou em operação na França em 1992 e nos EAU em 1995. O Leclerc Mk2 com software e sistema de controle do motor melhorados entrou em produção em 1998.

O Exército Francês tem 354 Leclerc em serviço e em setembro de 2001 comprou o último lote de 52, concluindo uma compra total de 406 (mais 20 de veículos blindados de recuperação). As entregas se completaram em 2007.

390 Leclerc e 46 blindados de recuperação foram encomendados pelos EAU. As entregas foram completadas em 2004 e as dos blindados de recuperação em 2008.

Em 2006 a Nexter lançou o Leclerc otimizado para combate urbano, com o kit AZUR (Action en Zone Urbaine), que consiste de proteção adicional em forma de saias de material composto, barra de blindagem atrás do casco e na torre para proteção contra RPGs e proteção extra no motor.

Uma torre remota de metralhadora 7,62mm também foi instalada em adição ao canhão de 120mm.

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MBT Leopard 2A6

O Exército Alemão já operou cerca de 2.350 carros de combate Leopard 2 de todas as versões. Grandes números foram vendidos para outros países depois do fim da Guerra Fria ou colocados na reserva.

Atualmente cerca de 408 Leopard 2 estão em serviço, dos quais 225 são Leopard 2A6. 395 Leopard 2s estão planejados para operar até 2012.

Mais de 3.480 Leopard 2 foram fabricados. O modelo entrou em combate em Kosovo pelo Exército Alemão e também no Afeganistão com as forças da Dinamarca e do Canadá.

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Um novo fuzil de combate de infantaria chegou no Afeganistão e está sendo usado pelos Royal Marines do 40 Commando. O fuzil Sharpshooter dispara munição de 7,62 milímetros e aumenta a precisão de tiro de longo alcance.

O alcance considerável do Sharpshooter leva a arma para o território do franco-atirador, mas requer muito menos treinamento, diferentemente das armas altamente especializadas utilizadas pelos snipers.

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O novo fuzil Daewoo K11 de 5,56mm e lançador de granadas de 20mm está entrando em serviço e será usado no Afeganistão quando as tropas da Coreia do Sul voltarem àquele teatro em 2011. Ele tem semelhança com o XM-29 OICW americano, que não foi adiante.

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