Washington se comprometeu nesta quarta-feira a manter a cooperação com Bogotá, apesar da decisão de uma corte da Colômbia de suspender o acordo que dava aos Estados Unidos o direito sobre o uso de sete bases militares, como noticia o jornal colombiano “El Tiempo”.

“Nossa cooperação com a Colômbia continuará de acordo com os convênios pré-existentes”, afirmou Charles Luoma-Overstreet, porta-voz do Departamento de Estado americano para a América Latina.

Segundo ele, Washington espera ouvir do governo Juan Manuel Santos “seus planos para avançar”. Já o ministro da Defesa colombiano, Rodrigo Rivera, disse que os “convênios são suficientes para manter uma boa relação com o governo Barack Obama”.

Na coletiva de imprensa que concede diariamente, o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, reforçou a posição mostrada pelo colega e declarou que a relação militar com a Colômbia “é muito importante”.

Colômbia e EUA assinaram em outubro de 2009 um polêmico acordo que permitia, por dez anos, o acesso a sete bases colombianas por parte de militares americanos. O objetivo seria desenvolver operações contra o tráfico de drogas e o terrorismo.

Para a Corte Constitucional, porém, o convênio não é uma extensão do tratado assinado entre os dois países nos anos 1950, mas sim um novo. Assim, precisa de aprovação do Congresso e, até lá, estará suspenso.

FONTE: O Globo

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Documento final da União de Nações Sul-americanas deve omitir acordo militar entre EUA e Colômbia

Hugo Chávez e seus aliados regionais insistirão nesta segunda-feira, 10, em conseguir a aplicação de sanções para a Colômbia por conta do pacto militar com os Estados Unidos. Na véspera, chanceleres da União de Nações Sul-americanas (Unasul) não conseguiram chegar a um acordo para a imposição da medida e a declaração final que os líderes assinarão em Quito deve omitir a polêmica em torno da futura presença americana em sete bases militares da Colômbia.

As tentativas de Venezuela e Bolívia para que a união diplomática sul-americana sancione a Colômbia por ceder bases em seu território aos EUA não tiveram sucesso por conta da divisão entre os que criticam Washington e os que defendem o direito soberano de Bogotá sobre suas decisões internas. O presidente colombiano, Alvaro Uribe, não participará da reunião. Chávez, que chegou na madrugada desta segunda no Equador, voltou a desafiar Uribe, afirmando que ele teme “dar as caras” diante dos líderes da região por conta da suposta “traição” que cometeu ao impulsionar a ampliação de seus tratados militares com os EUA.

Mesmo ausente da cúpula de Quito – que transcorrerá em um período de apenas 1h20 nesta manhã -, o presidente da Colômbia será o centro do encontro formal e das conversas de bastidor. Deverá também ser o principal alvo de ataques dos líderes bolivarianos, que acompanharão o presidente do Equador, Rafael Correa, em um evento popular que celebra o início de seu segundo mandato

O principal responsável por impedir o consenso da Unasul sobre o rechaço ao acordo EUA-Colômbia será um representante enviado por Bogotá. Uribe não permitiu nem mesmo a ida do seu chanceler, Jaime Bermúdez, que seria o substituto natural do presidente e deveria estar presente, ontem, à reunião de Conselho de Ministros da Unasul. Desde março do ano passado, as relações diplomáticas entre a Colômbia e o Equador estão rompidas. A decisão foi tomada por Quito depois que o Exército colombiano atacou um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano.

Apesar das provocações e até mesmo das ameaças de guerra feitas nos últimos dias pelos países contrários ao acordo, sobretudo pela Venezuela, não houve consenso da Unasul em torno da proposta da Bolívia de inclusão de um parágrafo de “rechaço” ao acordo Estados Unidos-Colômbia. Representantes de Colômbia, Equador, Bolívia, Brasil e Chile tentavam fechar um documento à parte da declaração final sobre a polêmica envolvendo as bases militares colombianas. Essa foi a solução encontrada para o protesto da Bolívia sobre a polêmica parceria EUA e Colômbia na área militar. O documento paralelo, no entanto, não citará textualmente as bases – fala apenas em buscar “soluções pacíficas para problemas regionais nas áreas de segurança e defesa”. A omissão do acordo militar EUA-Colômbia no documento final representa uma derrota para os países bolivarianos (Venezuela, Bolívia e Equador). (Com Denise Chrispim Marin, de O Estado de S. Paulo)

FONTE: Estadão

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