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Governo quer autonomia bélica brasileira

Ideia é revitalizar indústria. Amorim vai à África negociar

 

aula01_aberta

vinheta-clipping-forte1O governo decidiu adotar como estratégia para fortalecer o sistema de defesa nacional a cooperação e a formação de polos produtores com os vizinhos sul-americanos e com os países da África ocidental. O ministro da Defesa, Celso Amorim, disse ao GLOBO que esse tipo de integração faz parte do processo de revitalização da indústria brasileira. Um dos objetivos é tornar o Brasil menos dependente de equipamentos e da tecnologia estrangeira. Em uma missão inédita, Amorim, que foi ministro das Relações Exteriores no governo Lula, embarca hoje para Angola e Namíbia, acompanhado de executivos de 12 empresas brasileiras interessadas em fazer negócios, joint-ventures e outros tipos de cooperação no continente africano.

Amorim lembrou que, com aprovação da Lei 12.598, o governo está regulamentando as Empresas Estratégicas de Defesa (EED), que deverão ser líderes nacionais e regionais, com incentivos tributários e concorrenciais, para fortalecer a autonomia bélica do país, e, de quebra, estimular a indústria e a balança comercial.

— Essas medidas legislativas são importantes, não só porque a defesa é um estímulo importante para a indústria em qualquer país do mundo, mas também porque é preciso ter um grau razoável de autonomia tecnológica e industrial para garantirmos a defesa. Interessa ao governo promover os dois lados — disse o ministro.

No roteiro, a América do Sul

Amorim destacou que o governo quer elevar o percentual histórico de investimentos do setor público em defesa, de 1,5% do PIB para cerca de 2%, em um horizonte de dez anos. A meta consiste em um estímulo suficiente para que empresas de pequeno, médio e grande portes ingressem no mercado armamentista e invistam também no mercado externo.

Na viagem para Namíbia e Angola, Amorim levará Embraer, Condor, Schmid Telecom, Avibras, Agrale, Andrade Gutierrez, Taurus, Odebrecht, Emgepron, CBC, VBR e H2Life. A missão é o primeiro passo de uma prospecção no continente e a ideia do ministro é repetir o sucesso que o Brasil vem obtendo nas relações com os países da América do Sul.

Segundo o ministro, o Brasil já consolidou parcerias estratégicas em toda a América do Sul, tendo como fórum de referência o Conselho Sul-Americano de Defesa. Há, por exemplo, a participação da indústria argentina na composição do avião de carga KC-390, da Embraer; a compra de quatro lanchas fluviais da Colômbia; o projeto de criação de um navio patrulha fluvial por brasileiros, colombianos e peruanos; além de articulações para a contratação conjunta de veículos aéreos não tripulados (vants).

— Queremos criar uma indústria de defesa sul-americana, até porque ninguém quer ser simplesmente um mercado. Na Europa, isso já acontece e aqui cooperamos de igual para igual — disse. — Queremos agora algo semelhante com a África, porque há um interesse comum em manter o Atlântico Sul livre de conflitos, diante das riquezas que ele possui.

Além da óbvia defesa do pré-sal, segundo Amorim, o Brasil também tem preocupação com recursos geológicos no fundo do Atlântico, onde já existem pesquisas avançadas. Há, ainda, grande preocupação com a pirataria, uma vez que boa parte do comércio exterior brasileiro, incluindo importações de petróleo, passam por essas águas.

Todos os três navios de patrulha oceânica comprados pelo Brasil da BAE Systems, do Reino Unido, por exemplo, passaram por portos africanos antes de chegar. Segundo Amorim, Angola, que já tem parcerias com o Brasil, quer que as empresas brasileiras façam lá joint-ventures.

— Mas as empresas é que vão ter a última palavra.

‘Tecnologia não se dá’

Com o chamado Brics (sigla para o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul), há parcerias em formato bilateral. Por exemplo, o Brasil acaba de formalizar a aquisição de equipamentos de artilharia antiaérea da Rússia, tem parceria para a construção de mísseis ar-ar com a África do Sul e o próprio ministro visitou recentemente a Índia. No caso da China, a parceria no campo espacial acaba tangenciando o setor militar.

Segundo Amorim, “nossa cooperação não se esgota nas vendas”. Ele, porém, é cético em relação às promessas de transferência de tecnologia dos países desenvolvidos.

— Tecnologia não se dá.

Amorim contou que, quando trabalhava no Ministério de Ciência e Tecnologia, perguntou a um colega qual a diferença entre dar e transferir.

— A resposta foi: “Se eles te derem, é ciência; se te venderem, é tecnologia”.

Nota do Ministério da Defesa sobre a viagem

O ministro da Defesa, Celso Amorim, parte neste domingo (17/02) para a África numa viagem oficial de três dias a Angola e  à Namíbia. A viagem tem o objetivo de ampliar o intercâmbio e a cooperação na área de defesa com as duas nações africanas.

A pedido do governo angolano, além de representantes do Ministério da Defesa e dos comandos militares, a comitiva brasileira será integrada por um grupo de 14 empresários, representantes de diferentes segmentos da indústria nacional de material militar. Entre as empresas que participarão da viagem estão companhias como a Embraer, Odebrecht, Avibrás, Emgepron, Imbel e CBC.

Nos dois países estão previstos encontros de Celso Amorim com os titulares dos respectivos ministérios da Defesa, visitas a instalações militares e reuniões com empresários e representantes governamentais. Estão previstos ainda encontros do ministro brasileiro com os presidentes dois países.

A visita da comitiva brasileira insere-se no conjunto de iniciativas que visam a ampliar e abrir novas possibilidades de intercâmbio e cooperação com as nações africanas no campo da defesa. Também é parte do esforço brasileiro em fortalecer as instituições dos países que compartilham o Atlântico Sul, com o objetivo de manter a região como zona de paz e de cooperação, afastada de conflitos internacionais.

O Brasil possui laços históricos com Angola e Namíbia, países com os quais mantém relações próximas nos planos político e militar. O Brasil foi a primeira nação a reconhecer a independência de Angola, em 1975, tendo participado de missões de paz da ONU no país nos anos 90. A nação africana é compradora de material militar brasileiro, já tendo adquirido, por exemplo, aviões de ataque leve Super Tucano, da Embraer.

A Namíbia contou com o importante auxílio do Brasil para a criação de sua Marinha. Muitos dos militares que integram a Força Naval do país foram e ainda são formados em escolas da Marinha brasileira. O Brasil também fez o levantamento da plataforma continental da nação africana, trabalho que agora está sendo realizado em Angola.

Durante a visita aos dois países, deverão ser discutidas alternativas para estender a bem-sucedida cooperação na área naval aos demais segmentos da defesa: terrestre e aeronáutico.

O ministro da Defesa brasileiro será portador de cartas da presidenta da República, Dilma Rousseff, endereçadas aos presidentes dos dois países. Nelas, a presidenta destacará os laços históricos entre o Brasil e ambas as nações, e as possibilidades de incremento da cooperação bilateral na área de defesa.

FONTE: O Globo e Ministério da Defesa

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celso_amorim20

vinheta-clipping-forte1Em entrevista concedida à rádio Voz da Rússia, o ministro da Defesa, Celso Amorim, falou sobre a parceria entre brasileiros e russos na área de Defesa. Recentemente, os dois países iniciaram negociações para a aquisição de sistemas de defesa antiaérea russos, com transferência de tecnologia.

Na conversa, Amorim aborda o tema e fala da possibilidade de desenvolvimento conjunto de equipamentos mais modernos. “Essa sugestão surgiu já na reunião do nosso chefe de Estado-Maior Conjunto com o seu correspondente russo e com as empresas”, disse o ministro.

“Vou chamar a atenção para o fato de que ele foi lá com várias empresas brasileiras. O que é muito interessante, porque isso já vai preparando terreno para uma eventual produção no Brasil, um desenvolvimento tecnológico conjunto”, completou.

Confira, abaixo, a íntegra da entrevista concedida ao jornalista Alexander Krasnov. O material também está disponível no sítio eletrônico da Voz da Rússia.

Entrevista com ministro da Defesa do Brasil

Apresentamos a entrevista concedida à Voz da Rússia pelo ministro da Defesa do Brasil, Celso Amorim. Ele falou, entre outros assuntos, sobre as relações russo-brasileiras na área técnico-militar. Esta foi a primeira vez que um ministro da Defesa do Brasil falou em exclusivo à mídia russa.

Celso Amorim nasceu em Santos, no estado de São Paulo, há 69 anos. Foi ministro das Relações Exteriores no governo do presidente Itamar Franco e nos dois mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como diplomata, chefiou a Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas, em Nova York, entre 1995 e 1999, quando se tornou amigo de Sergei Lavrov, que hoje é o ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia. Depois, assumiu a chefia da Missão Brasileira na Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra, Suíça. Em 2001, serviu como embaixador no Reino Unido. Celso Amorim é ministro da Defesa do Brasil desde 8 de agosto de 2011.

– Muito obrigado, ministro, por essa oportunidade. A gente agradece imensamente. Fizemos até um levantamento ainda há pouco e descobrimos que essa vai ser a primeira entrevista de um ministro brasileiro para o público russo. Isso nos enche de muita esperança e muito orgulho. O senhor esteve com a presidenta Dilma em dezembro na Rússia e foram realizados vários acordos entre os dois países. Mas, como destacou a própria presidenta, a área técnico-militar recebeu um destaque especial. Como está indo essa cooperação agora?

– Bom, o acordo de cooperação militar assinado abrange os mais diversos níveis. Por exemplo, havia uma dificuldade de treinamento dos pilotos dos helicópteros russos que nós havíamos comprado. A empresa dava um treinamento básico, mas nós precisávamos de algo mais. E, com esse acordo, nós teremos esse tipo de treinamento militar de maneira mais normal, mais fluida. Além de muitas outras coisas.

A assinatura desse acordo, em si mesma, já é algo muito importante, porque ela abre muitas outras avenidas de cooperação, de formação para trabalhar em áreas avançadas que interessam à Rússia e ao Brasil. Seja na cibernética, na área espacial ou de equipamento militar mesmo.

Houve essa aquisição dos helicópteros de combate, muito bons, e, no início, houve um pouco de dúvida sobre a manutenção. Mas já verifiquei que essas questões estão sendo encaminhadas e, naturalmente, no espírito do próprio acordo de compra, esperamos que haja uma boa transferência de habilidades e competências nessa área.

– Nós sabemos que o chefe do Estado-Maior, o general José Carlos De Nardi, esteve recentemente também na Rússia negociando alguns acordos mais concretos.

 É. A ida do general De Nardi foi resultado direto das conversas entre os presidentes. O comunicado conjunto da visita, que singulariza a área de defesa antiaérea, já previa a ida do chefe de Estado-Maior brasileiro para tratar dessa possibilidade de cooperação.

Isso envolve, naturalmente, alguma aquisição, de acordo com as nossas necessidades imediatas, mas também há a expectativa de que empresas russas possam fabricar algum desses equipamentos aqui no Brasil. Agora, as questões técnicas ainda estão sendo discutidas.

A visita foi muito proveitosa. Seguramente, terá uma continuidade agora com a vinda do primeiro-ministro (Dmitri Medvedev), e a nossa expectativa é a de que isso possa caminhar. Claro que tem muita coisa a se discutir ainda, como aspectos financeiros, orçamentários, qual a transferência de tecnologia, treinamento e todas essas coisas.

– Mas uma eventual produção no Brasil desses equipamentos modernos é de interesse brasileiro.

– Sim. Não só dos equipamentos atuais, mas quem sabe até de um equipamento que ainda está em desenvolvimento pela própria Rússia.

– Isso antecipa um pouco outra pergunta. A Rússia tem exemplos de desenvolvimento conjunto de aviões com outros países. Isso poderia ser um caminho para o Brasil também?

– Bom, nesse caso, nós não estamos falando de aviões. Estamos falando desse equipamento de defesa antiaérea. Independentemente da aquisição e da produção no Brasil de equipamentos já existentes, há a possibilidade também do desenvolvimento conjunto de equipamentos mais modernos. Isso está sendo discutido, mas essas coisas levam algum tempo. Essa sugestão surgiu já na reunião do nosso chefe de Estado-Maior Conjunto com o seu correspondente russo e com as empresas. Vou chamar a atenção para o fato de que ele foi lá com várias empresas brasileiras. O que é muito interessante porque isso já vai preparando terreno para uma eventual produção no Brasil, um desenvolvimento tecnológico conjunto.

– A Rússia nos informa que existe uma lei que protege a propriedade intelectual justamente na área de defesa entre a Rússia e o Brasil. Esse acordo, na verdade, já foi ratificado pelo parlamento russo e, segundo eles, só falta agora o Brasil ratificar também.

– Há um pequeno problema interno, mas isso vai ser superado. Nós tivemos muito recentemente uma lei de acesso à informação, que não tem nada a ver com a parte tecnológica. Então, é preciso estudar todos esses acordos – não só com a Rússia – que envolvem cláusulas de confidencialidade para que possam ficar dentro da lei brasileira. Mas eu não vejo nenhuma dificuldade nisso. É um problema puramente burocrático de atualização.

– Entendi.

Quando nós começamos a recolher as perguntas da redação russa, percebemos que lá as pessoas ainda tem pouco conhecimento dos desafios do Brasil na área da defesa. No imaginário russo, o Brasil é um gigante, muito forte, que não tem nenhuma preocupação com a defesa. Eu queria que o senhor falasse um pouco como o Brasil se vê hoje nessa questão.

– Que é um gigante muito forte, isso é verdade. E que no futebol a gente nunca se preocupou muito com a defesa – por fazer sempre muitos gols, desde a época do Garrincha –, isso também é verdade. Mas, deixando a brincadeira de lado, obviamente o Brasil não pode ser uma das maiores economias do mundo, ser um dos maiores repositórios de água doce, biodiversidade, de capacidade de produção de alimento, ter a Amazônia do tamanho que é e não se preocupar com a defesa. Não é possível isso.

Embora tenhamos dez vizinhos, nós não temos problemas com nenhum deles. Todos os problemas de fronteira que nós tínhamos foram resolvidos diplomaticamente há mais de cem anos. A relação nossa com todos esses países é uma relação de amizade e cooperação. Mas isso não quer dizer também que nós não temos que defender nossas fronteiras de outras situações: grupos irregulares, traficantes de drogas, etc.

Pelas razões que eu enunciei antes, tendo toda essa riqueza natural, esse parque industrial e essa capacidade de produção que a gente tem, quem garante que, no futuro, um conflito até entre terceiros não poderá ter uma repercussão aqui? Esperamos que não, mas a melhor maneira de evitar isso é ter a nossa defesa. Por isso que eu digo: do ponto de vista regional, na América do Sul, cooperação; do ponto de vista global, dissuasão. Sem perder de vista que também tem que ter cooperação, nada é preto e branco.

– Essa é a maior preocupação então? É para dissuasão no caso desses eventos de maior envergadura.

– É para o caso de algum país querer se aventurar onde não deve.

– Essa preocupação é muito semelhante ao caso da Rússia…

– Eu acho que o Brasil e a Rússia têm muitas coisas em comum. Os dois são do BRICS, são países ricos em energia, com população semelhante, extensão territorial. Claro que há duas grandes diferenças: a Rússia tem bomba atômica e nós não temos e a Rússia é membro do Conselho de Segurança da ONU e nós não somos. Eu espero que em breve só haja a primeira diferença, porque bomba atômica nós não queremos ter.

– E quanto ao projeto do submarino?

– É um submarino de “propulsão nuclear”. É sempre bom deixar claro. O que é nuclear no submarino não são as armas que ele leva. O que é nuclear é a propulsão. Ele usará energia nuclear como poderia estar usando diesel ou biocombustível.

É um projeto que está caminhando, está avançando. Os primeiros desenhos, as primeiras capacidades já foram mais ou menos adquiridas, na França. O pacote envolve um submarino nuclear mais quatro submarinos convencionais e nós estamos recebendo a primeira parte dos convencionais. Mas quanto ao desenho e ao projeto do submarino nuclear, nós já estamos bastante avançados. Agora, o que diz respeito à geração de energia é totalmente nosso. A França não tem nada a ver com isso, com a parte do propulsor. É 100% nacional.

– Sobre a licitação do avião, não sei se posso perguntar se tem alguma novidade, alguma previsão…

– Perguntar não ofende, mas não tenho nenhuma novidade para dizer no momento. No futuro, outros projetos sempre estarão em aberto.

– Se a Rússia tiver alguma chance de entrar, com seus equipamentos, é só num outro projeto… se aparecer?

– Já entrou com os helicópteros.

– Sei. Aliás, tem um projeto de outro helicóptero, pela Odebrecht, se não me engano.

– Bom, aí eu não sei se era militar ou civil. Isso não foi conversado em detalhe. O que eu posso lhe dizer sobre o que foi conversado em profundidade na visita da presidenta e gerou muito rapidamente uma missão… Em três semanas mais ou menos, nós mandamos o nosso Estado-Maior Conjunto para os rigores do frio russo…

– Me contaram que ele pegou vinte graus negativos.

Com relação a essa visita e à visita agora do primeiro-ministro Dmitri Medvedev, existe alguma expectativa de assinatura, de fechamento desses acordos?

– Eu acho que a questão da defesa antiaérea começou agora. Acho que haverá um relato, é possível que se mencione algum aspecto, algum detalhe que não tenha ficado claro. Não sei se há intenção de se fazer algum outro memorando. O acordo nós acabamos de assinar. Então, da nossa parte, não há necessariamente o desejo. Mas também não excluo a possibilidade de que, se houver uma proposta, ela será examinada.

FONTE: Ministério da Defesa

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Em encontro do setor, ministro aponta ‘insegurança’ no mundo e urgência de proteger o patrimônio do País

 

ROLDÃO ARRUDA

O fim da bipolaridade entre os regimes comunista e capitalista não fez do planeta um lugar mais estável nem mais seguro, segundo o ministro da Defesa, Celso Amorim. Na avaliação dele, existe hoje um “forte sentimento de insegurança no sistema internacional”, causado pelas “ações unilaterais de grandes potências e alianças militares” e pela incapacidade do Conselho de Segurança da ONU de controlar esses movimentos.

Diante desse cenário e do aumento dos interesses do Brasil ao redor do mundo, é mais do que justificável, segundo o ministro, a elevação dos gastos no aprimoramento do setor de defesa: “A nova estatura internacional do Brasil no século 21 requer as Forças Armadas continuamente preparadas e modernizadas para a proteção de nosso patrimônio e de nossos interesses”.

Amorim fez essas afirmações na conferência de abertura do 6.º Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos da Defesa, ontem à noite, no Memorial da América Latina, em São Paulo. Ele disse que não vê riscos imediatos na América do Sul, onde existe um clima de cooperação, um “cinturão de paz”. Não se deve desconsiderar, no entanto, ameaças extrarregionais.

“Temos um patrimônio que nos transforma num dos territórios mais ricos do planeta”, afirmou. “O Brasil deve construir capacidade dissuasória crível, que torne extremamente custosa a perspectiva de agressão externa ao nosso País.”

Amorim, que foi ministro de Relações Exteriores no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ressaltou em diferentes momentos a importância da diplomacia na solução de conflitos e a necessidade de se articularem as políticas de defesa e externa. A sua principal ênfase, porém, recaiu sobre o risco da instabilidade internacional e a necessidade de aprimoramento da defesa. O encontro, organizado pela Associação Brasileira de Estudos de Defesa, com apoio da Unesp, prossegue até quinta-feira.

FONTE: Estadão

Por Sergio Leo
De Brasília

O Brasil tem apoio dos Estados Unidos para ampliar sua força militar, garantiu o secretário de Defesa americano, Leon Panetta, após encontro com o ministro da Defesa, Celso Amorim, ontem, em Brasília. “O Brasil é um poder global, uma força positiva para a estabilidade não só nas Américas, mas no mundo”, disse o secretário. Enquanto, no passado, os EUA desencorajavam a expansão das Forças Armadas de outros países do continente, a nova estratégia de Defesa americana busca “parcerias inovadoras” para garantir a segurança global, comentou.

Com as restrições orçamentárias atuais, a melhor forma de lidar com desafios do futuro é “desenvolver parcerias, alianças, dividir informações”, disse o secretário americano, que aproveitou para defender a proposta feita pela Boeing ao governo, para venda do caça F-18 Super Hornet à Força Aérea Brasileira.

Ele informou a Amorim que a Boeing está disposta a dar acesso a inovações técnicas incorporadas nos últimos anos ao caça. Amorim prometeu levar a promessa em conta, mas disse não haver data para a decisão da compra. Amorim pediu ao americano que o diálogo entre os dois países, criado a partir da visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA, inclua discussão para liberar “tecnologia sensível” hoje negada às Forças Armadas brasileiras.

Segundo uma autoridade que participou do encontro, o Brasil pede aos EUA menos burocracia para, por exemplo, a venda de equipamento eletrônico a programas da Marinha, hoje condicionada a compromissos de que não serão usados no programa nuclear. Os equipamentos podem ter outros fornecedores, mas o Brasil prefere adquirir dos EUA, segundo argumentou Amorim a Panetta, que prometeu levar o tema ao governo americano.

“Salientei a importância que tem, para o Brasil, na área de defesa, a transferência de tecnologia”, relatou o ministro Amorim ao falar do encontro com o secretário americano, que é parte do “Acordo de Cooperação em Defesa” assinado há dois anos pelos dois governos. Amorim lembrou que, no governo Bill Clinton, nos anos 90, ao receber, como ministro de Relações Exteriores, o secretário de Defesa William Perry, os EUA se consideravam o aliado poderoso, único encarregado da defesa nas Américas enquanto os outros países da região se concentrariam no combate a drogas e criminalidade. “O que o secretário Panetta acaba de dizer é muito importante para uma nova relação entre Brasil e Estados Unidos na área da Defesa”, afirmou.

Panetta prometeu aumentar a cooperação e transferência de tecnologia em defesa ao Brasil, especialmente em áreas como segurança contra ameaças eletrônicas e de internet. Os EUA, em 2010 e 2011, deram 4 mil licenças de exportação de equipamentos controlados e continuarão apoiando o “bom aliado e bom amigo”, disse.

“Meu objetivo como secretário de Defesa é fazer o que puder para ampliar o comércio com o Brasil”, garantiu Panetta. Amorim enfatizou que a relação entre os dois países “não pode ser só relação de venda e também de compra e venda”, lembrando o interesse do Brasil em vender aviões da Embraer à Força Aérea americana. A convite de Panetta, o Brasil deve participar de simulações de guerra dos EUA envolvendo o continente africano.

FONTE: Valor Econômico

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Rio de Janeiro, 09/03/2012 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, voltou a defender hoje o modelo de política de defesa adotado pelo Brasil, baseado na cooperação com os países da América do Sul. Amorim afirmou que essa cooperação já mostra resultados concretos, levando as nações do subcontinente a obter ganhos que não seriam possíveis por meio de ações isoladas.

Segundo o ministro, o Brasil está convicto de que, na América do Sul, a guerra como solução das diferenças entre países pode e deve ser banida. Ele também defendeu a cooperação na área de defesa com os países da costa ocidental da África que integram o entorno geopolítico do Brasil. “Devemos construir com essas regiões um verdadeiro cinturão de boa vontade, que garanta a nossa segurança e nos permita prosseguir sem embaraços no caminho do desenvolvimento”, disse.

As declarações do ministro da Defesa foram proferidas na manhã de hoje durante aula magna ministrada a alunos dos cursos de altos estudos militares das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra (ESG). A aula foi realizada no auditório da Escola de Guerra Naval (EGN), no bairro da Urca.

Na avaliação de Amorim, a cooperação em defesa com os países sul-americanos já vem ocorrendo na prática. “A criação de um ambiente de paz e cooperação na América do Sul progrediu muito nos últimos anos”, afirmou. Para o ministro, o fortalecimento da relação Brasil-Argentina e a criação, no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) são reveladores do aprofundamento dessa cooperação.

Ele citou exemplos de iniciativas atualmente em curso entre os países do subcontinente que mostram a evolução positiva das relações no campo da defesa, tais como exercícios combinados e projetos de cooperação industrial com a Argentina, além da parceria com o Chile na missão de paz no Haiti.

Ainda como exemplo, Amorim lembrou o trabalho conjunto com países vizinhos nas áreas de fronteira, como o que vem ocorrendo nas operações Ágata, iniciadas no ano passado para combate ao crime transnacional.

O ministro também mencionou a participação de países como Argentina e Colômbia em projetos conjuntos de desenvolvimento de equipamentos militares, a exemplo do avião cargueiro militar KC-390, da Embraer. Ele citou ainda os exercícios militares conjuntos e as várias atividades na área de ensino de praças e oficiais dos países sul-americanos.

Sistema de segurança internacional

Ao tratar, em sua exposição, do fim das hegemonias e do crescimento da multipolaridade no mundo, Amorim ponderou que a defesa deve estar preparada para a hipótese de que o sistema de segurança coletivo baseado em normas falhe. Essa possibilidade, afirmou, é uma das razões pelas quais o Brasil e seus vizinhos sul-americanos devem fortificar sua capacidade de defesa. “Por isso, nossa estratégia regional cooperativa deve ser acompanhada por uma estratégia global dissuasória frente a possíveis agressores”, sustentou.

O ministro chamou atenção para o fato de a América do Sul possuir valiosas riquezas, tais como petróleo e água, ativos que, segundo ele, podem tornar-se objeto de competição internacional. “Nada garante que a rivalidade entre potências de fora de nossa região não tenha rebatimento em áreas de nosso direto interesse”, advertiu, acrescentando a importância de os países sul-americanos terem Forças Armadas bem adestradas e equipadas.

Ainda em sua exposição, Amorim mencionou a relação existente entre a base industrial de defesa e o desenvolvimento nacional. De acordo com o ministro, as ações em curso no Brasil com o objetivo de alavancar essa base industrial terão como consequência direta a geração de empregos, a capacitação nacional e o desenvolvimento de setores tecnológicos de ponta.

Como parte do esforço empreendido pelo governo para incentivar esse segmento industrial, ele citou a recente aprovação, pelo Congresso brasileiro, da Medida Provisória nº 544, que estabelece regras especiais e regime tributário diferenciado para o setor.

Para o ministro, o fortalecimento da indústria de defesa auxiliará o trabalho de recomposição da capacidade operativa das Forças Armadas, que deverá, nas palavras dele, estar associada à busca de autonomia tecnológica.

Ao final de sua exposição, o ministro reiterou parte das declarações que fez no início da semana após sair de uma audiência no Senado Federal. “Na democracia, o respeito que os militares devem ao poder civil é axiomático”, disse. E concluiu: “Ao mesmo tempo, cabe às autoridades civis respeitar e valorizar o trabalho desenvolvido pelos militares, sobretudo o seu agudo senso de profissionalismo”.

Veja a íntegra da aula magna proferida pelo ministro da Defesa na Escola de Guerra Naval

Fotos: Tereza Sobreira
Ministério da Defesa
Assessoria de Comunicação Social

Amorim a perigo

O destino do Ministro da Defesa Celso Amorim está diretamente ligado à sua capacidade de resolver a crise envolvendo os militares da reserva. As críticas à Comissão da Verdade e a posições de membros do governo Dilma levaram a uma posição radicalizada do governo, alimentada pelo Ministro da Defesa, que em nenhum momento tentou contornar a crise através do diálogo.

Os tênues limites da lei que permite aos militares da reserva expressarem seus pontos de vista políticos estão sendo usados por eles para convencer os ministros militares de que estão no seu direito de cidadãos, enquanto Amorim puxa a corda para o outro lado, vendo quebra de hierarquia nos manifestos, que ganham mais adesões à medida que a crise avança. Já há no Palácio do Planalto quem entenda que a presença de Amorim à frente da Defesa, com seu estilo belicoso de atuar, não seja a melhor opção para superar a crise militar.

FONTE: O Globo / Merval Pereira – 3.3.2012

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Número de assinaturas em manifesto militar com críticas a ministras da presidente saltou de 98 para 235

 

Não será fácil para os comandantes militares resolverem o imbróglio criado pela presidente Dilma Rousseff que decidiu punir todos os militares que assinaram o manifesto “Alerta à Nação – eles que venham, por aqui não passarão”, que endossa as críticas a ela por não ter censurado suas ministras que pediram a revogação da lei de anistia. No novo documento os militares dizem ainda que não reconhecem a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim. Inicialmente, o manifesto tinha 98 assinaturas e na quinta-feira, após terem tomando conhecimento da decisão de puni-los, o número de seguidores subiu para 235. Agora são três os generais de exército da reserva que assinam o manifesto e um deles é o ex-ministro do Superior Tribunal Militar (STM), Valdésio Guilherme de Figueiredo, adicionando um ingrediente político à lista, não só pelo posto que ocupou,mas também como antigo integrante da Corte Militar, tem pleno conhecimento de como seus pares julgam neste caso.

Nessa quinta-feira, 1º, o Ministério da Defesa passou o dia discutindo com que base legal os militares podem ser punidos. Nova reunião foi convocada pelo ministro Celso Amorim e os comandantes militares. Mas há divergências de como aplicar as punições. A Defesa entende que houve “ofensa à autoridade da cadeia de comando”, incluindo aí a presidente Dilma e o ministro da Defesa. Amorim tem endossado esta tese e alimentado a presidente com estas informações. O ministro entende que os militares não estão emitindo opiniões na nota, mas sim atacando e criticando seus superiores hierárquicos, o que é crime, de acordo com o Estatuto dos Militares.

Só que, nos comandos, há diferentes pontos de vista sobre a lei 7.524, de 17 de julho de 1986, assinada pelo ex-presidente José Sarney, que diz que os militares da reserva podem se manifestar politicamente e não estão sujeitos a reprimendas. No artigo primeiro da lei está escrito que “respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público”.

Esta zona cinzenta entre as legislações, de acordo com informações obtidas junto a militares, poderá levar os comandantes a serem processados até mesmo por “danos morais”, quando aplicarem a punição de repreensão, determinada por Dilma. Nos comandos, há a preocupação, ainda, com o fato de que a lista de adeptos do manifesto só cresce, o que faria com que este tema virasse uma bola da neve. Há quem acredite que o assunto deva ser resolvido de uma outra forma, a partir de uma conversa da presidente com os comandante militares, diretamente, para que fosse costurada uma saída política para este imbróglio que, na avaliação da caserna, parece não ter fim, já que a determinação do Planalto é de que todos que já assinaram e que venham ainda a aderir ao manifesto sejam punidos.

FONTE: Estadão

Eles contestaram a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim

 

BRASÍLIA – O ministro da Defesa, Celso Amorim, decidiu nesta quarta-feira, em conversa com os três comandantes militares, que os cem oficiais da reserva que assinaram o manifesto “Alerta à Nação – eles que venham, aqui não passarão” serão repreendidos por suas respectivas forças. A punição pela indisciplina depende do regulamento de cada um, do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, e varia de uma simples advertência até a exclusão da força. Mesmo militares da reserva podem ser excluídos.

Nesse texto, os militares da reserva criticaram a interferência do governo no site do Clube Militar e o veto a um texto ali publicado que critica a presidente Dilma Rousseff e duas ministras. Nesse “Alerta à Nação”, os oficiais afirmam não reconhecer “qualquer tipo de autoridade ou legitimidade” de Celso Amorim.

“Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do Manifesto publicado no site do Clube Militar, a partir do dia 16 de fevereiro, e dele retirado, segundo o publicado em jornais de circulação nacional, por ordem do Ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade”, diz o documento.

Como no manifesto vetado no site do Clube Militar, o documento de terça-feira também critica a criação da Comissão da Verdade.

“A aprovação da Comissão da Verdade foi um ato inconsequente, de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo”.

O texto publicado no site do Clube Militar atribuía à ministra da Secretaria Especial de Direitos Humanos, Maria do Rosário, e à ministra da Secretaria Especial de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, declarações que estariam a serviço do que classificaram de “minoria sectária”, disposta a reabrir feridas do passado. O primeiro manifesto polêmico foi assinado pelos presidentes do Clube Militar, Renato Cesar Tibau Costa; do Clube Naval, Ricardo Cabral; e do Clube da Aeronáutica, Carlos de Almeida Baptista, todos já na reserva.

No texto, dizem que Rosário vem apregoando a possibilidade de apresentação de ações judiciais para criminalizar agentes da repressão, enquanto Eleonora teria usado a cerimônia de posse — em 10 de fevereiro — para tecer “críticas exacerbadas aos governos militares”, sendo aplaudida por todos, até pela presidente. Eleonora foi presa durante a ditadura militar e, na cadeia, conheceu Dilma.

O texto diz ainda que o Clube Militar não se intimida e continuará atento e vigilante e diz que as Forças Armadas são a instituição com maior credibilidade na opinião pública.

FONTE: O Globo

Militares da reserva reafirmam ataque a Dilma e confrontam Amorim

Em nota divulgada na terça-feira, 98 militares da reserva reafirmaram recentes ataques feitos por clubes militares à presidente Dilma Rousseff e disseram não reconhecer autoridade no ministro da Defesa, Celso Amorim, para proibi-los de expressar opiniões. A nota, intitulada “Eles que Venham. Por Aqui Não Passarão”, também ataca a Comissão da Verdade, que apontará, sem poder de punir, responsáveis por mortes, torturas e desaparecimentos na ditadura. Aprovada no ano passado, a comissão espera só a indicação dos membros para começar a funcionar. “(A comissão é um) ato inconsequente de revanchismo explícito e de afronta à Lei da Anistia com o beneplácito, inaceitável, do atual governo”, diz o texto, endossado por, entre outros, 13 generais. As informações são do jornal Folha de S. Paulo.

O novo texto foi divulgado no site A Verdade Sufocada, mantido pela mulher de Carlos Alberto Brilhante Ustra, coronel reformado do Exército e um dos que assinam o documento. Ustra, ex-chefe do DOI-Codi (aparelho da repressão do Exército) em São Paulo, é acusado de torturar presos políticos na ditadura, motivo pelo qual é processado na Justiça. Ele nega os crimes.

A atual nota reafirma o teor de outra, do último dia 16, na qual os clubes Militar, Naval e de Aeronáutica fizeram críticas a Dilma, dizendo que ela se afastava de seu papel de estadista ao não “expressar desacordo” sobre declarações recentes de auxiliares e do PT contra a ditadura. Após mal-estar e intervenção do Planalto, de Amorim e dos comandantes das Forças, os clubes tiveram de retirar o texto da internet.

Apesar de fora da ativa, todos ainda devem, por lei, seguir a hierarquia das Forças, das quais Dilma e Amorim são os chefes máximos. “Em uníssono, reafirmamos a validade do conteúdo do manifesto do dia 16″, afirma a nota de ontem, que lembra que o texto anterior foi tirado da internet “por ordem do ministro da Defesa, a quem não reconhecemos qualquer tipo de autoridade ou legitimidade para fazê-lo”. Agora, os militares dizem que o “Clube Militar (da qual a maioria faz parte) não se intimida e continuará atento e vigilante”.

FONTE: Terra

Brasília, 15/02/2012 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, ressaltou hoje a necessidade de uma base industrial de defesa forte como parte de uma estratégia de dissuasão que garanta a paz no Atlântico Sul.

Em discurso na abertura do II Seminário de Defesa Nacional, realizado no Auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, o ministro Celso Amorim identificou um processo de desconcentração do poder mundial e a criação de “um cinturão de boa-vontade entre o Brasil e seus vizinhos na América do Sul.”

Segundo o ministro o país deve estender esse cinturão até a África, dentro do espírito proposto pela Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul.

“Apesar disso, devido à fluidez das relações internacionais, temos de estar preparados para uma eventual ameaça externa. A melhor maneira de se evitar isso é uma defesa forte, que possa causar danos sérios a um possível agressor.” Para garantir esse projeto, seriam necessários meios aéreos, navais e terrestres, como prevê a Estratégia Nacional de Defesa.
Citando um trecho de O príncipe, de Nicolau Maquiavel, o ministro lembrou que os governantes devem usar o período de paz para se preparar para um possível conflito. “Essa preparação, inclusive, pode evitar possíveis adversidades. Nenhum país soberano delega sua defesa a terceiros”, enfatizou o ministro.

Indústria de defesa

O ministro classificou a recente aprovação da MP 544/11 na Câmara “como uma grande vitória”. Assinada pela presidenta da República, Dilma Rousseff, em 29 de setembro do ano passado, a medida cria um regime tributário especial para a indústria de defesa nacional. Aprovada ontem por unanimidade, a proposta será enviada para apreciação do Senado.

Segundo Amorim, as medidas previstas na MP estão alinhadas com o Plano Brasil Maior, que tem como objetivo aumentar a competitividade da indústria nacional. Apesar de sua importância, elas deverão ser suplementadas por uma regulamentação, a cargo do Ministério da Defesa, para que possam ter efetividade e permanência.

“Quando há uma renúncia fiscal do Estado, é necessária uma contrapartida da iniciativa privada”, ressaltou o ministro. “Há vários casos anedóticos, que não cabe aqui lembrar, de capacidades tecnológicas obtidas com financiamento da União e que foram perdidas, porque as empresas beneficiadas foram adquiridas por grupos estrangeiros com sede em países que não admitem que o Brasil domine aquela tecnologia.”

Compra de caças

Ao sair do evento, Amorim foi questionado sobre o programa F-X2, para aquisição de 36 aviões de combate para a Força Aérea Brasileira. Ele disse que o processo de compra pode avançar neste semestre, mas ressaltou que a decisão cabe à presidente Dilma Rousseff.
Amorim lembrou que a compra não é simples, pois envolve a transferência de tecnologia e um índice de produção nacional, além de gerar obrigações contratuais durante dez anos.

Segundo o ministro, a aquisição dos aviões também levará em conta a capacidade financeira do País. “É uma compra necessária, mas não é barata.”

Os finalistas do programa F-X2 são o F/A-18E/F Super Hornet, fabricado pela empresa norte-americana Boeing; o Rafale F.3, produzido pela Dassault, francesa, e o Gripen NG proposto pela sueca SAAB.

Independência tecnológica

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Marco Antonio Raupp, afirmou durante o seminário que o desenvolvimento científico e tecnológico do País precisa estar associado à soberania nacional. Ele afirmou que o ministério desenvolve projetos em conjunto com o setor de defesa, que receberam investimentos de R$ 1,5 bilhão em 2010 e 2011.

Raupp disse que espera um aumento significativo dessa colaboração ao longo dos próximos anos. “Quase 50% das nossas atividades estão previstas na Estratégia Nacional de Defesa”, declarou.

O presidente da Frente Parlamentar de Defesa Nacional, deputado Carlos Zarattini, defendeu a necessidade de uma forte base industrial de defesa e o provimento de meios para mantê-la.

“Nós podemos ter um desenvolvimento nacional aliado com o desenvolvimento da defesa”, ressaltou. “A indústria de defesa não é puramente uma questão militar. A soberania não é uma questão das Forças Armadas, é questão do país, que temos que discutir como um todo.”

Zarattini também destacou a importância da transferência de tecnologia, dos investimentos nacionais no setor e na capacitação de pessoal nos últimos anos. “Estamos formando pessoas com conhecimento tecnológico cada vez maior.”

O II Seminário Estratégia Nacional de Defesa foi uma iniciativa da Frente Parlamentar de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados e da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde).

FONTE: Ministério da DefesaFotos: Felipe Barra

O ministro Celso Amorim encontra-se em Marrocos, onde manterá encontros com os ministros da Defesa e das Relações Exteriores deste país. À noite, o ministro Celso Amorim iniciará viagem de retorno ao Brasil.

Brasília, 08/02/2012 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, aprovou a implantação da Doutrina de Mobilização Militar (DMM), medida inédita na história do país.

O novo documento, que serve de base para a mobilização e a desmobilização das Forças Armadas em situações de crise ou de agressão externa, atende aos objetivos e às diretrizes estabelecidas na Política de Mobilização Militar.

Os fundamentos da DMM são a preservação da soberania e dos interesses nacionais. Um de seus princípios estabelece que, para que o país possa enfrentar, com êxito, situações de emergência, é necessário que as Forças Armadas tenham recursos humanos, material, de serviços e instalações que complementem a Logística Militar existente no país.

Dessa forma, no período de normalidade da nação, há que se preparar as ações a serem adotadas na hipótese do surgimento de ameaças à soberania nacional ou de acidentes naturais de grandes proporções.

Incluem-se nesse período, entre outras medidas, a colocação de encomendas nas indústrias da Base Industrial de Defesa (BID); a formação e cadastramento de reservas aptas; o incremento de pesquisas e desenvolvimentos tecnológicos de interesse dual (militar e civil); a busca de padronização e nacionalização de materiais e itens de interesse militar para emprego dual; a especificação e acompanhamento de fontes produtoras de material de defesa, no país e no exterior; e a seleção e cadastramento de empresas públicas e privadas de prestação de serviços.

Cabe ao Ministério da Defesa orientar as Forças Armadas para as medidas a serem empreendidas, em harmonia com o processo de desenvolvimento do país, particularmente o incentivo à criação de uma base industrial de defesa.

Segundo o documento, ter capacidade de mobilização é fator fundamental para que as Forças Armadas brasileiras se estruturem de modo compatível com a estatura político-estratégica que o Brasil vem adquirindo nos últimos anos e um elemento de dissuasão estratégica no cenário mundial.

A Portaria 185, publicada no Diário Oficial de 31 de janeiro, deu efeito à DMM, que preenche uma lacuna no estabelecimento dos fundamentos doutrinários para a defesa nacional. Com a aprovação da doutrina, o Ministério da Defesa inicia a preparação de um manual com orientações para a mobilização militar.

Ministério da Defesa
Assessoria de Comunicação Social

O ministro da Defesa encontra-se nesta terça-feira na Amazônia, onde visita o Comando Militar da Amazônia. Às 11 horas, embarca com destino ao Haiti, onde realiza visita oficial.
Segue a agenda:

  • 08h00 - Visita ao Centro de Embarcações do Comando Militar da Amazônia (CECMA)
  • 10h00 - Deslocamento para aeroporto
  • 11h00 - Decola para Porto Príncipe
  • 13h40 - Previsão de chegada (Fuso horário -3h)
  • 14h50 - Boas vindas
  • 15h10 - Instalação na organização militar da Força de Paz do Contingente Brasileiro
  • 16h20 - Briefing Minustah
  • 16h35 - Briefing Componente Militar
  • 17h10 - Briefing Contingente Brasileiro
  • 17h40 - Visita às Bases das organizações militares da Força de Paz

Em encontro em Brasília, ministros da Defesa dos dois países concordaram em aprofundar cooperação nas áreas de capacitação profissional, material militar e de proteção de fronteiras

 

Brasília, 24/01/2012 — Os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e do Suriname, Lamure Latour, acertaram uma maior cooperação entre os dois países na área militar, no combate ao crime transnacional e na área de capacitação profissional. Durante o encontro, ambos manifestaram o desejo de ampliar os laços existentes, estabelecidos desde 1982.

Ao final do encontro, o ministro Celso Amorim ressaltou sua crença numa ordem multipolar e acrescentou que espera ter no Suriname um de seus amigos mais importantes. O ministro Lamure Latour, por sua vez, destacou a importância brasileira no processo de formação da Força de Defesa do Suriname e no desenvolvimento econômico do país vizinho.

Reequipamento

O Suriname passa por um momento de reestruturação de seu componente militar. O ministro manifestou interesse em aviões de ataque leve e navios-patrulha entre 200 e 500 toneladas. Ontem (23/01) a comitiva visitou as instalações da Embraer em São José dos Campos (SP).

“Ficamos muito impressionados com o Super-Tucano e a capacitação brasileira no setor aeroespacial, reconhecida internacionalmente”, disse o ministro Lamure Latour durante a reunião de trabalho das duas delegações.

Segundo o ministro surinamês, seu país está interessado em produtos da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron). Além de navios-patrulha, haveria interesse em lanchas leves. Também foi colocada a necessidade de renovação da frota de viaturas leves e de caminhões.

O ministro Celso Amorim solicitou ao secretário de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Murilo Barboza, que avalie, junto às autoridades competentes, a possibilidade de abertura de linhas de crédito para suprir as demandas do Suriname.

Modernização

Durante a década de 1980, o Suriname adquiriu uma frota de veículos blindados de reconhecimento, Cascavel, e de transporte, Urutu, fabricados pela Engesa, empresa que teve sua falência decretada pela Justiça na década de 1990. “Esses veículos precisam ser modernizados de maneira a voltarem para a ativa”, afirmou o ministro Latour.

Em resposta, Celso Amorim afirmou que vai estudar a possibilidade de obter recursos financeiros, componentes e mão de obra para viabilizar o trabalho. O Brasil já desenvolve esforço semelhante para manter sua frota de blindados fabricada pela Engesa.

O ministro brasileiro também examinaria, junto à Agência Brasileira de Cooperação, organismo ligado ao Ministério das Relações Exteriores, a possibilidade de apoio para a construção da nova sede do Colégio Nacional de Defesa do Suriname em Paramaribo.

“Estamos dispostos a colaborar no que depende de nós: pessoal para treinamento e instrução”, ressaltou.

Por último, ficou acertada também a ampliação do intercâmbio existente entre os centros de preparação militar dos dois países com maior troca de experiência e participação de alunos. O ministro Amorim destacou a excelência do Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS) e declarou-se satisfeito com a grande presença de militares surinameses nas escolas militares brasileiras.

Proteção da Amazônia

A delegação surinamesa solicitou acesso aos dados do satélite sino-brasileiro CBERS, de sensoriamento remoto. Também mostrou interesse em estabelecer um mecanismo de troca de informações obtidas pelo Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam). Destacou que, por injunções econômicas, ainda não pode montar uma rede de radar de vigilância aérea, mas que considera o projeto indispensável para combater ilícitos transnacionais.

O ministro Latour colocou a possibilidade de realização de exercícios conjuntos dos dois países na área de fronteira e solicitou apoio brasileiro para a construção de uma pista de pouso no sul do Suriname de maneira a ampliar a presença do Estado na região.

Comitivas

A comitiva surinamesa chegou às 10h40 de hoje. Depois de receber as honras militares, o ministro Latour cumprimentou seu colega brasileiro. As delegações se reuniram durante uma hora no oitavo andar do Ministério da Defesa. O encontro reuniu a cúpula militar dos dois países.

Participaram do lado brasileiro o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general-de-exército José Carlos de Nardi; os comandantes da Marinha, almirante-de-esquadra Júlio de Moura Neto; do Exército, general-de-exército Enzo Martins Peri; e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro Juniti Saito; e dos secretários de Produtos de Defesa do Ministério da Defesa, Murilo Barboza; de Política, Estratégia e Assuntos Internacionais, tenente-brigadeiro Marco Aurélio Gonçalves Mendes, e de Ensino, Logística, Mobilização, Ciência e Tecnologia, almirante de esquadra Gilberto Max Roffé Hirschfeld.

Integraram a delegação surinamesa, além do ministro, o diretor de Defesa, John Ashong; o chefe do Estado Maior da Força de Defesa, Ronni Benschop; o diretor do Departamento de Defesa, Planejamento Estratégico e Educação, tenente-coronel Johnny Antonius, e o chefe de Planejamento e Recursos Humanos, tenente-coronel Mitchel Labadie.

Fotos: Felipe Barra
Ministério da Defesa
Assessoria de Comunicação Social

Os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e da Colômbia, Juan Carlos Pinzón Bueno, criaram a Comissão Binacional de Defesa, em reunião realizada nesta terça-feira (17), em Brasília.

O objetivo da comissão é aumentar a troca de informações entre os órgãos de inteligência dos países, especialmente sobre a Amazônia e as perspectivas regionais em matéria de defesa.

Ainda não há informações sobre como a comissão deverá funcionar. As Forças Armadas de cada país deverão se reunir nos próximos dois meses para discutir os detalhes do projeto de cooperação.

“Devemos seguir trocando informação de inteligência entre os governos, discutir um centro integrado de informação para a Amazônia e analisar sob uma perspectiva mais regional o crime transnacional. Estamos centrados em proteger cidadão e negar a mobilidade nos espaços em zonas fronteiriças”, afirmou o ministro Pinzón.

Em maio do próximo ano, Amorim e Pizón se encontrarão em Cartagena, na Colômbia, devido à reunião do Conselho de Defesa da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), e aproveitarão a oportunidade para discutirem os desdobramentos da comissão.

“Nossa visão no continente é de cooperação. Dissuasão é uma visão para fora. Se temos de defender nossos recursos naturais, temos de ter essa visão”, disse Amorim.

INDÚSTRIA DE DEFESA

Na reunião, os ministros ainda discutiram a possibilidade de fortalecer a indústria de defesa no âmbito da América do Sul.

“Fala-se muito da integração das cadeias produtivas do continente. Que isso passe também para a área de defesa. Estamos trabalhando em projetos importantes, como a compra de aviões brasileiros pelas forças armadas da Colômbia e, possivelmente, de cargueiros KC-390. O Brasil também tem interesse em lanchas fluviais colombianas”, afirmou Amorim.

Em fevereiro, uma missão conjunta da Marinha e do Exército irá à Colômbia para examinar as lanchas e verificar se o equipamento preenche aos requisitos e às necessidades brasileiras.

Além das compras, ambos os países examinaram a elaboração de um projeto conjunto de construção de navio fluvial e de veículos aéreos não tripulados.

Pizón informou que pretende formar uma cúpula binacional de empresários para formar alianças estratégicas e apresentar alternativas de geração de emprego no setor. O ministro ainda se encontrará, nesta terça-feira, com o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

FONTE: Folha de São Paulo

Em sua rápida passagem pelo Comando de Aviação, o Ministro Celso Amorim pode conhecer o projeto de ampliação do CAvEx e observar a necessidade da aquisição de uma aeronave de ataque para o Exército

 

No dia 21 de dezembro, o ForTe/Revista Forças de Defesa, cobriu com exclusividade a visita que o Ministro da Defesa fez ao Comando da Aviação do Exército, sediado na cidade paulista de Taubaté.

Pontualmente as 9:30hs, pousou o HM-3 Cougar EB-4008, do 2º BAvEx, trazendo a bordo o Ministro da Defesa Celso Amorim e comitiva, que contou com as presenças do Comandante do Exército, Gen. Ex. Enzo Martins Peri, e do Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Gen. Ex. José Cralos De Nardi.

O Ministro foi recepcionado pelo Cel. Willian, Chefe do Estado-Maior da AvEx, e recebido em cerimônia militar pelo Gen. Bgd. Eduardo Diniz (AvEx), pelo Gen. Ex. Adhemar da Costa Machado Filho (CMSE), pelo Gen. Div. Carlos Alberto Santa Cruz (2ª DE) e pelo Gen. Bgd. Laerte de Souza Santos (DMAvEx).

Ainda no pátio das aeronaves, o Comandante da AvEx fez uma rápida explanação sobre a Aviação do Exército, apresentando ao MD a maquete do projeto final do CAvEx, com os novos hangares e o centro de simulador de voo.

   

A primeira parte da visita ocorreu no hangar do 1° BAvEx, onde a comitiva foi recepcionada pelo Cel. Silva Júnior, Comandante, e conheceu cada modelo de aeronave operada pela AvEx em Taubaté, com destaque para o novo HM-4 Jaguar (EC 725), além de conhecer os armamentos utilizados pelas aeronaves e os diversos materiais aeronaúticos.

   

 

   

Em seguida, a comitiva seguiu caminhando pelo pátio até o hangar do Batalhão de Manutenção e Suprimentos da AvEx, onde foi recepcionado pelo TC Gonçalves, Comandante.

Durante a visita, o MD pode conhecer toda a estrutura de manutenção do Batalhão para atender as aeronaves HA-1 Esquilo/Fennec, HM-1 Pantera e HM-3 Cougar, conferindo as excelentes condições das instalações e o alto grau de profissionlismo dos militares responsáveis por manter as nossas aeronaves prontas para atuar em qualquer parte do Brasil.

   

Do “Guardião da AvEx” a comitiva seguiu para o Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx), sendo recepcionada pelo TC Alcides, Comandante. No CIAvEx o MD conheceu a sala de OVN (Óculos de Visão Noturna), que é uma sala totalmente escura, que possui uma maquete que simula além de uma área urbana, com aeródromo , litoral e relevo geográfico, as várias posições da lua. Utilizando um OVN, o MD pode ter uma noção de como funciona o equipamento eletro-óptico e a forma com a qual ele intensifica a luz existente.

Em seguida, conheceu a sala do simulador sintético, que possui 5 cabines da aeronave HA-1 Esquilo em escala 1:1, utilizada para treinamento de pilotos nos procedimentos de voo por instrumento (IFR), navegação por contato, radionavegação, maneabilidade das frações de helicópetros, planejamento e emprego de operações aeromóveis, procedimentos de emergência e CRM (Crew Resouce Management). O simulador também é utilizado para o treinamento de controladores de tráfego aéreo.

Como não podia ser diferente, o MD foi convidado pelo TC Alcides para experimentar o simulador e sentir as sensações de pilotar um HA-1 da Aviação do Exército.

   

Vale ressaltar que o simulador sintético do CIAvEx foi todo desenvolvido pelos próprios militares da AvEx e desde o ano passado está homologado pela ANAC, mantendo o adestramento das tripulações dentro dos padrões exigidos por esta agência, gerando economia de recursos sem perder a qualidade da instrução.

Encerrando a visita ao CIAvEx, o Ministro conheceu a sala de maquetes da Seção de Manutenção de Aeronaves, que possui componentes em corte e sistema hidroelétrico assistido, onde os alunos podem visualizar como funcionam os comandos do cíclico, coletivo e pedais, e as suas respectivas respostas no rotor principal e de cauda.

De volta à torre da Base de Aviação de Taubaté, o Ministro Celso Amorim encerrou a sua visita participando, junto com o Gen. Diniz, da cerimônia de inauguração do courinho do macacão, idêntico ao utilizado pelos aeronavegantes da AvEx, com o seu nome no quadro de honra da Aviação do Exército.

   

NOTA do EDITOR: Agradecemos ao Ministro da Defesa Celso Amorim, pela gentileza que recebeu este editor, que retribuiu presenteando-o com a edição da revista Forças de Defesa. Agradecemos também ao Gen. Diniz, Cel. Willian e Maj. Neves (E5) pela autorização da cobertura realizada pelo ForTe/Revista Forças de Defesa.

Novo relatório da Defesa comprova sucateamento das Forças Armadas

Em março, um relatório feito pelo Ministério da Defesa mostrou a condição preocupante das Forças Armadas do Brasil. O documento revelava, segundo a Folha, que de todos os equipamentos de Aeronáutica, Exército e Marinha, apenas metade estava em funcionamento. Nesta terça-feira (22), o Estadão traz detalhes de uma versão atualizada do mesmo relatório que mostra uma situação ainda mais crítica das Forças Armadas.

Alguns itens que mostram a calamidade:

•Nenhum dos 23 jatos A-4 da Marinha pode voar. Isso significa que nenhum avião pode decolar do porta-aviões São Paulo.
•Dos 219 caças da FAB, 72 (32%) estão em operação. Em março, eram 85
•Dos 81 helicópteros da FAB, apenas 22 (27%) estão voando
Todas as nove baterias anti-aéreas do Brasil estão desativadas
De acordo com o Estadão, o ministro da Defesa, Celso Amorim, já reclamou do pequeno investimento do governo brasileiro no setor, fazendo eco ao que os comandantes militares dizem há décadas.

Segundo ele, proporcionalmente ao Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil é um dos países que menos investem em defesa entre os integrantes dos Brics, grupo que integra Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O orçamento atual da defesa no País representa 1,39% do PIB, enquanto a Índia investe nesta área 2,8% de seu PIB, e a China, 2,2%.

FONTE: Época, via Notimp

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Ordem na caserna

Octávio Costa

O ministro da Defesa, Celso Amorim, marcou para o início de dezembro uma reunião com os três comandantes das Forças Armadas. Quer passar um pente-fino nos mais de mil projetos de reaparelhamento e modernização que existem em aberto. Para Amorim, é preciso eliminar programas considerados desnecessários e concentrar esforço nos prioritários. Dentre eles, a compra de caças e o aumento da equipe de funcionários da pasta, que está parado no Congresso. Áreas estratégicas, como a de monitoramento de bens sensíveis, a assessoria de imprensa e a do serviço militar obrigatório, precisam ser reforçadas.

FONTE: Brasil Confidencial/Isto É

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