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Os ministros da Defesa do Brasil, Celso Amorim, e da Colômbia, Juan Carlos Pinzón Bueno, criaram a Comissão Binacional de Defesa, em reunião realizada nesta terça-feira (17), em Brasília.

O objetivo da comissão é aumentar a troca de informações entre os órgãos de inteligência dos países, especialmente sobre a Amazônia e as perspectivas regionais em matéria de defesa.

Ainda não há informações sobre como a comissão deverá funcionar. As Forças Armadas de cada país deverão se reunir nos próximos dois meses para discutir os detalhes do projeto de cooperação.

“Devemos seguir trocando informação de inteligência entre os governos, discutir um centro integrado de informação para a Amazônia e analisar sob uma perspectiva mais regional o crime transnacional. Estamos centrados em proteger cidadão e negar a mobilidade nos espaços em zonas fronteiriças”, afirmou o ministro Pinzón.

Em maio do próximo ano, Amorim e Pizón se encontrarão em Cartagena, na Colômbia, devido à reunião do Conselho de Defesa da Unasul (União de Nações Sul-Americanas), e aproveitarão a oportunidade para discutirem os desdobramentos da comissão.

“Nossa visão no continente é de cooperação. Dissuasão é uma visão para fora. Se temos de defender nossos recursos naturais, temos de ter essa visão”, disse Amorim.

INDÚSTRIA DE DEFESA

Na reunião, os ministros ainda discutiram a possibilidade de fortalecer a indústria de defesa no âmbito da América do Sul.

“Fala-se muito da integração das cadeias produtivas do continente. Que isso passe também para a área de defesa. Estamos trabalhando em projetos importantes, como a compra de aviões brasileiros pelas forças armadas da Colômbia e, possivelmente, de cargueiros KC-390. O Brasil também tem interesse em lanchas fluviais colombianas”, afirmou Amorim.

Em fevereiro, uma missão conjunta da Marinha e do Exército irá à Colômbia para examinar as lanchas e verificar se o equipamento preenche aos requisitos e às necessidades brasileiras.

Além das compras, ambos os países examinaram a elaboração de um projeto conjunto de construção de navio fluvial e de veículos aéreos não tripulados.

Pizón informou que pretende formar uma cúpula binacional de empresários para formar alianças estratégicas e apresentar alternativas de geração de emprego no setor. O ministro ainda se encontrará, nesta terça-feira, com o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça).

FONTE: Folha de São Paulo

Em sua rápida passagem pelo Comando de Aviação, o Ministro Celso Amorim pode conhecer o projeto de ampliação do CAvEx e observar a necessidade da aquisição de uma aeronave de ataque para o Exército

 

No dia 21 de dezembro, o ForTe/Revista Forças de Defesa, cobriu com exclusividade a visita que o Ministro da Defesa fez ao Comando da Aviação do Exército, sediado na cidade paulista de Taubaté.

Pontualmente as 9:30hs, pousou o HM-3 Cougar EB-4008, do 2º BAvEx, trazendo a bordo o Ministro da Defesa Celso Amorim e comitiva, que contou com as presenças do Comandante do Exército, Gen. Ex. Enzo Martins Peri, e do Chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, Gen. Ex. José Cralos De Nardi.

O Ministro foi recepcionado pelo Cel. Willian, Chefe do Estado-Maior da AvEx, e recebido em cerimônia militar pelo Gen. Bgd. Eduardo Diniz (AvEx), pelo Gen. Ex. Adhemar da Costa Machado Filho (CMSE), pelo Gen. Div. Carlos Alberto Santa Cruz (2ª DE) e pelo Gen. Bgd. Laerte de Souza Santos (DMAvEx).

Ainda no pátio das aeronaves, o Comandante da AvEx fez uma rápida explanação sobre a Aviação do Exército, apresentando ao MD a maquete do projeto final do CAvEx, com os novos hangares e o centro de simulador de voo.

   

A primeira parte da visita ocorreu no hangar do 1° BAvEx, onde a comitiva foi recepcionada pelo Cel. Silva Júnior, Comandante, e conheceu cada modelo de aeronave operada pela AvEx em Taubaté, com destaque para o novo HM-4 Jaguar (EC 725), além de conhecer os armamentos utilizados pelas aeronaves e os diversos materiais aeronaúticos.

   

 

   

Em seguida, a comitiva seguiu caminhando pelo pátio até o hangar do Batalhão de Manutenção e Suprimentos da AvEx, onde foi recepcionado pelo TC Gonçalves, Comandante.

Durante a visita, o MD pode conhecer toda a estrutura de manutenção do Batalhão para atender as aeronaves HA-1 Esquilo/Fennec, HM-1 Pantera e HM-3 Cougar, conferindo as excelentes condições das instalações e o alto grau de profissionlismo dos militares responsáveis por manter as nossas aeronaves prontas para atuar em qualquer parte do Brasil.

   

Do “Guardião da AvEx” a comitiva seguiu para o Centro de Instrução de Aviação do Exército (CIAvEx), sendo recepcionada pelo TC Alcides, Comandante. No CIAvEx o MD conheceu a sala de OVN (Óculos de Visão Noturna), que é uma sala totalmente escura, que possui uma maquete que simula além de uma área urbana, com aeródromo , litoral e relevo geográfico, as várias posições da lua. Utilizando um OVN, o MD pode ter uma noção de como funciona o equipamento eletro-óptico e a forma com a qual ele intensifica a luz existente.

Em seguida, conheceu a sala do simulador sintético, que possui 5 cabines da aeronave HA-1 Esquilo em escala 1:1, utilizada para treinamento de pilotos nos procedimentos de voo por instrumento (IFR), navegação por contato, radionavegação, maneabilidade das frações de helicópetros, planejamento e emprego de operações aeromóveis, procedimentos de emergência e CRM (Crew Resouce Management). O simulador também é utilizado para o treinamento de controladores de tráfego aéreo.

Como não podia ser diferente, o MD foi convidado pelo TC Alcides para experimentar o simulador e sentir as sensações de pilotar um HA-1 da Aviação do Exército.

   

Vale ressaltar que o simulador sintético do CIAvEx foi todo desenvolvido pelos próprios militares da AvEx e desde o ano passado está homologado pela ANAC, mantendo o adestramento das tripulações dentro dos padrões exigidos por esta agência, gerando economia de recursos sem perder a qualidade da instrução.

Encerrando a visita ao CIAvEx, o Ministro conheceu a sala de maquetes da Seção de Manutenção de Aeronaves, que possui componentes em corte e sistema hidroelétrico assistido, onde os alunos podem visualizar como funcionam os comandos do cíclico, coletivo e pedais, e as suas respectivas respostas no rotor principal e de cauda.

De volta à torre da Base de Aviação de Taubaté, o Ministro Celso Amorim encerrou a sua visita participando, junto com o Gen. Diniz, da cerimônia de inauguração do courinho do macacão, idêntico ao utilizado pelos aeronavegantes da AvEx, com o seu nome no quadro de honra da Aviação do Exército.

   

NOTA do EDITOR: Agradecemos ao Ministro da Defesa Celso Amorim, pela gentileza que recebeu este editor, que retribuiu presenteando-o com a edição da revista Forças de Defesa. Agradecemos também ao Gen. Diniz, Cel. Willian e Maj. Neves (E5) pela autorização da cobertura realizada pelo ForTe/Revista Forças de Defesa.

Novo relatório da Defesa comprova sucateamento das Forças Armadas

Em março, um relatório feito pelo Ministério da Defesa mostrou a condição preocupante das Forças Armadas do Brasil. O documento revelava, segundo a Folha, que de todos os equipamentos de Aeronáutica, Exército e Marinha, apenas metade estava em funcionamento. Nesta terça-feira (22), o Estadão traz detalhes de uma versão atualizada do mesmo relatório que mostra uma situação ainda mais crítica das Forças Armadas.

Alguns itens que mostram a calamidade:

•Nenhum dos 23 jatos A-4 da Marinha pode voar. Isso significa que nenhum avião pode decolar do porta-aviões São Paulo.
•Dos 219 caças da FAB, 72 (32%) estão em operação. Em março, eram 85
•Dos 81 helicópteros da FAB, apenas 22 (27%) estão voando
Todas as nove baterias anti-aéreas do Brasil estão desativadas
De acordo com o Estadão, o ministro da Defesa, Celso Amorim, já reclamou do pequeno investimento do governo brasileiro no setor, fazendo eco ao que os comandantes militares dizem há décadas.

Segundo ele, proporcionalmente ao Produto Interno Bruto (PIB), o Brasil é um dos países que menos investem em defesa entre os integrantes dos Brics, grupo que integra Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. O orçamento atual da defesa no País representa 1,39% do PIB, enquanto a Índia investe nesta área 2,8% de seu PIB, e a China, 2,2%.

FONTE: Época, via Notimp

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Ordem na caserna

Octávio Costa

O ministro da Defesa, Celso Amorim, marcou para o início de dezembro uma reunião com os três comandantes das Forças Armadas. Quer passar um pente-fino nos mais de mil projetos de reaparelhamento e modernização que existem em aberto. Para Amorim, é preciso eliminar programas considerados desnecessários e concentrar esforço nos prioritários. Dentre eles, a compra de caças e o aumento da equipe de funcionários da pasta, que está parado no Congresso. Áreas estratégicas, como a de monitoramento de bens sensíveis, a assessoria de imprensa e a do serviço militar obrigatório, precisam ser reforçadas.

FONTE: Brasil Confidencial/Isto É

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Brasília, 10/11/2011 – Em audiência pública realizada ontem (9/11), na Câmara dos Deputados, o ministro da Defesa, Celso Amorim, informou que os manuais de contra-inteligência atualmente em uso nas Forças Armadas estão sendo revistos, de modo a garantir sua plena compatibilidade com o Estado Democrático de Direito.

A afirmação foi uma resposta ao questionamento de alguns parlamentares sobre o conteúdo do manual utilizado pelo Exército Brasileiro, que teve trechos divulgados em reportagem publicada pela revista Carta Capital, no final de outubro. O documento tem caráter reservado.

“Temos de dispor de uma publicação que seja aceita por toda a sociedade”, afirmou Amorim, para quem o manual editado pelo Exército sofre de um “problema de vocabulário”, contendo alguns termos “inadequados, que vêm de outra época” e que precisam ser ajustados.

Segundo o ministro, já foi constituído um grupo de trabalho, no âmbito do Ministério da Defesa, para atuar na adequação da linguagem utilizada nos textos. Atualmente, tanto o Exército quanto a Marinha dispõem de manuais de contra-inteligência.

Amorim informou também que a própria doutrina que serve de fonte para a elaboração dos manuais passa por um processo de revisão. “O Brasil vive hoje um momento de democracia e com funcionamento pleno do Estado de Direito. Nossos documentos têm de estar adequados às atuais circunstâncias”, declarou.

Necessidade da contra-inteligência

Durante sua exposição, no entanto, o ministro da Defesa alertou para a importância de não confundir os problemas (de redação) apontados com os procedimentos que pautam, de fato, a atuação das Forças Armadas. E rechaçou a possibilidade de ocorrerem atividades militares de contra-inteligência que violem a Constituição. “Não há bisbilhotagem”, garantiu Amorim. “Jamais recebi denúncia de malfeito praticado com base no que está previsto nos manuais.”

Celso Amorim chamou atenção para a importância de o Brasil dispor de um serviço de contra-inteligência, sobretudo em função das riquezas de que o país dispõe e dos avanços obtidos em áreas estratégicas. Segundo o titular da Defesa, atividades dessa natureza são praticadas nos mais diversos países e precisam ter sua importância e legitimidade reconhecidas também no Brasil.

“Vivemos em um mundo multipolar em que os grandes países têm de estar preparados para proteger suas riquezas”, explicou o ministro. Segundo ele, o Brasil tem tecnologia avançada em certos setores, que podem ser objeto de espionagem industrial. “Ninguém pode ter dúvida sobre a necessidade da contra-inteligência. O Brasil é um país grande e tem que se defender.”

FONTE: Assessoria de Comunicação do MD

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O Ministério da Defesa vai promover em dezembro uma reunião com representantes das Forças Armadas para identificar as prioridades de investimento no Exército, Marinha e Aeronáutica. O anúncio foi feito pelo ministro Celso Amorim em audiência da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional para discutir o estágio atual do reequipamento das Forças Armadas, a situação do Centro de Lançamento de Alcântara (MA) e a licitação (que vem sendo adiada desde os governos FHC) para a aquisição de caças pela Força Aérea Brasileira.

Ele admite que um dos principais problemas tem sido a descontinuidade na aplicação dos recursos, o que provoca prejuízos na execução de ações e programas. Ele citou, como exemplo, os projetos de construção do submarino nuclear e do lançador de foguetes da base de Alcântara.

O ministro explicou que os profissionais que atuam nesses projetos são especializados e atrasos ou descontinuidade de orçamento acabam desfazendo as equipes. Apesar dos problemas orçamentários, Celso Amorim prevê que o projeto do lançador de foguetes dever estar concluído em 2015 e o do submarino, em 2025 .
Ele defendeu também uma revisão urgente dos salários nas Forças Armadas. Ele lembrou que um segundo-tenente hoje ganha cerca de R$ 6 mil – valor menor do que o pago a várias carreiras de estado.

Contrainteligência
Amorim também informou, durante a audiência, que determinou a revisão dos manuais de contrainteligência do Exército e da Marinha para adequação da linguagem utilizada nos textos. Ele considera os serviços de contrainteligência ‘absolutamente necessários”, mas defende a separação entre as ações internas e externas nessas área.

FONTE: Agência Câmara de Notícias

BNDES oferece crédito para negócio, que pode chegar a US$ 200 milhões

FLÁVIA MARREIRO

O ministro da Defesa, Celso Amorim, reforçou na Bolívia a campanha para que o país de Evo Morales adquira radares de fabricação brasileira, um negócio que poder chegar a US$ 200 milhões.
Amorim levou a La Paz anteontem carta do BNDES na qual o banco se compromete a oferecer financiamento ao governo boliviano para a compra de equipamentos da brasileira Orbisat.

A divisão de radares da Orbisat passou ao controle da Embraer Defesa e Segurança, subsidiária da companhia de aviação, em março deste ano. O BNDES também é acionista da empresa.

O governo Morales deve decidir nas próximas semanas o fornecedor dos radares. Empresas da Espanha, do Canadá, da Argentina e da China pleiteiam o negócio.
O governo brasileiro diz que, além da operação comercial, é de interesse estratégico que La Paz eleja o equipamento nacional.

A Orbisat desenvolveu com o Exército brasileiro o radar Saber, que será usado no SisFron (Sistema de Vigilância de Fronteiras).
Apesar da campanha, Amorim disse a jornalistas ontem em La Paz que a decisão boliviana, qualquer que seja ela, não afetará a intenção de intensificar e tornar mais efetivo o controle aéreo e terrestre da fronteira.

Se La Paz escolher a proposta brasileira, não será a primeira vez que a Orbisat terá contrato com a Bolívia.
Em 2005, a empresa fechou contrato para o mapeamento por radar de 90 mil km² na fronteira, com valor de US$ 23 milhões.
O governo Morales, que assumiu em 2006, questionou o negócio na Justiça, mas no ano passado as partes chegaram a um acordo para colocar um fim ao processo.

FONTE: Folha de São Paulo

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O ministro da Defesa, Celso Amorim, se mostrou reticente sobre operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fora de locais previstos para operações. “Ontem era a Líbia, é verdade que com um mandato do Conselho de Segurança (da ONU) e da Liga Árabe. Amanhã poderia ser na África Ocidental e aí a Otan se aproximaria do Brasil. Isso nos incomoda”, afirmou, em entrevista publicada nesta quinta-feira no jornal Le Monde.
A respeito da cooperação com a Argentina, Amorim afirmou que “é essencial para toda a América do Sul” e disse que nenhum dos vizinhos constitui ameaça para o Brasil. “Mas a defesa não precisa de um inimigo identificado. Assim, a complexidade da vigilância da Amazônia exige tecnologias avançadas”, disse.

Sobre o potencial de produção de alimentos e de água brasileiro, Amorim afirmou: “temos que estar prontos para defendê-los em caso de conflito entre potências que careçam deles. Também há grupos criminosos, narcotraficantes e outros atores”.

Compra de caças

O ministro afirmou que os critérios econômicos serão mais fortes na decisão sobre a renovação da frota de aviões de combate, entre o caça americano F-18, o francês Rafale e o sueco Saab. “A consideração fundamental para tomar uma decisão é de ordem financeira e econômica”, afirmou Amorim, em entrevista ao jornal francês Le Monde, publicada nesta quinta-feira.

“Entramos em um período de incertezas. O Brasil vai bem, mas não sabemos quais serão as consequências da crise internacional para nossa economia. É preciso ser prudente, esperar o bom momento”, disse. Ele não quis dar um prazo para a decisão, mas considerou a possibilidade de divulgar a escolha em 2012. O ministro, que no governo anterior ocupou o Ministério de Relações Exteriores, fez uma vista de dois dias a Paris que terminou na quarta-feira.

Amorim foi recebido pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, e por seus ministros de Relações Exteriores, Alain Juppé, e Defesa, Gérard Longuet. O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que encontrará Sarkozy em Paris na sexta-feira em uma conferência do G20, tinha demonstrado ao líder francês em 2009 a intenção de optar pelo Rafale, fabricado pela Dassault. Apesar disso, os militares brasileiros preferem o F-18 e inclusive o Gripen ao caça francês.

Sobre a transferência de tecnologia, que aparecia como ponto chave das negociações para a escolha do avião de combate francês, Amorim afirmou que a “cooperação no submarino nuclear conseguiu superar os obstáculos”. O ministro fez alusão ao acordo que estabelece a venda da França ao Brasil de cinco submarinos de propulsão nuclear do tipo Scorpène com transferência de tecnologia. Algo semelhante ocorrerá com 50 helicópteros de transporte militar Eurocopter EC725, que no futuro também serão fabricados no Brasil.

FONTE: EFE

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O ministro da Defesa, Celso Amorim, visitou nesta terça-feira o Centro de Avaliações do Exército, em Restinga de Marambaia (RJ). Ele conheceu uma viatura blindada, radar e fuzis que serão usados pela Forças Armadas do País. Os equipamentos são a viatura de transporte de pessoal Guarani, o radar Saber 60 e a família de fuzis Imbel. Segundo o Ministério da Defesa, o blindado atraiu o interesse da Argentina, que enviou um grupo de oficiais para assistir a demonstração.

Os produtos são de tecnologia nacional, desenvolvidos com apoio do Centro Tecnológico do Exército (CTEx) e da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa ligada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Informação.

O ministro parabenizou o Exército, dono da patente do projeto do blindado. “O Guarani foi desenvolvido com tecnologia brasileira. Representa a retomada da trajetória positiva de produção industrial nacional de blindados”, afirmou. O veículo de seis rodas pode realizar ações de reconhecimento e apoio de fogo, além de ser transportado por aviões Lockheed-Martin C-130 Hercules ou Embraer KC-390. O Guarani, desenvolvido pelo CTEx e pelo consórcio Fiat-Iveco, realizou tiros contra alvos móveis e fixos, com 100% de acertos. Está prevista uma encomenda de 2.044 unidades para o Exército.

No início de setembro, Celso Amorim visitou a Argentina. Na ocasião, analisou com o ministro da Defesa do país vizinho, Arturo Puricelli, alguns projetos que poderiam ser realizados em conjunto. Uma das possibilidades estudadas no encontro foi o Guarani.

Radares e fuzis

Durante a visita, a empresa Orbisat entregou as duas primeiras unidades de série do radar Saber M-60. Com capacidade de detectar alvos aéreos a baixa altitude, com alcance máximo de 75 km, o novo sistema será empregado pelos cinco grupos de artilharia antiaérea do Exército. “É o primeiro desse nível, com alta tecnologia, desenvolvido e produzido no Brasil. Será importante para proteção de nossas fronteiras e para segurança de grandes eventos”, disse o ministro.

As unidades serão entregues à Escola de Artilharia de Costa e Antiaérea, sediada na Vila Militar (RJ) e ao 2º Grupo de Artilharia Antiaérea, em Praia Grande (SP). Elas integram um lote de nove equipamentos adquiridos pelo Exército.

Por último, o ministro Amorim conheceu os modelos de fuzis desenvolvidos pela Imbel, que serão fabricados nos calibres 7,62 mm e 5,56 mm. Segundo o minitro, o fuzil “tem também uma característica relevante para a Defesa porque deverá ser padronizado e utilizado pelas três Forças”.

FONTE: Terra

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Sergio Leo

Nos últimos oito anos, seria inconcebível a participação brasileira na Assembleia-Geral das Nações Unidas sem Celso Amorim. O ex-ministro de Relações Exteriores, desta vez, não acompanhou nem os preparativos. Desde que foi convidado para comandar a pasta da Defesa, há quase cinquenta dias, segue a orientação da presidente Dilma Rousseff de evitar ações que possam ser interpretadas como competição com o Itamaraty, sua casa de origem. Mas foi na área externa a maior surpresa levada por ele às Forças Armadas, ao anunciar que o Brasil quer retirar as tropas estacionadas no Haiti.

“Não é minha primeira experiência fora do Itamaraty”, reagiu Amorim, ao admitir ao Valor que Dilma “tinha essa preocupação” em que ele levasse diplomatas para ajudá-lo no novo posto. Impressionou o Ministério da Defesa o fato de não ter levado para lá nenhum auxiliar, e de mostrar que pretende manter os nomeados pelo antecessor, Nelson Jobim, até no gabinete. “Quanto fui para a Embrafilme, levei só o Samuel Pinheiro Guimarães, que me ajudou muito, e uma secretária”, argumenta.

Em agosto, militares, na grande maioria da reserva, manifestaram irritação na imprensa, ao ser anunciada a escolha de um diplomata, e de esquerda, para ministério. Se há irritação nas tropas, está escondida. Dilma teve o cuidado de reunir Amorim com os comandantes das três forças, logo após a posse, para assegurar que não haveria mudanças bruscas. Além de ações simbólicas, como participar, no dia 4, pela primeira vez, da cerimônia mensal de troca da bandeira, ao lado do ministro, Dilma emitiu sinais muito concretos do prestígio de Amorim: verbas para a Defesa.

Na semana seguinte à posse, em agosto, Amorim almoçou com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Dias depois, o ministério do Planejamento liberava crédito suplementar de R$ 45 milhões para o programa Astros 2020, de lançamento de foguetes do Exército. Bem abaixo dos R$ 200 milhões (de um contrato de R$ 1,1 bilhão, no total) esperados pela empresa, mas o suficiente para recontratar funcionários e reativar as instalações paradas por falta de recursos.

A verba para a Avibrás – saudada pelos especialistas no setor como sinal para atrair potenciais clientes estrangeiros – foi motivo de intensas e frustradas pressões de Jobim sobre o ministério da Fazenda. Dilma também recompôs o orçamento da Pasta, como noticiou o Valor, aliviando o contigenciamento de verbas para Amorim, liberando em setembro R$ 900 milhões, com a promessa de liberar mais R$ 1,7 bilhão em outubro, dos R$ 4,3 bilhões congelados do orçamento de 201. A retenção desses recursos foi uma das razões para a saída de Jobim.

Desde que assumiu o novo posto, Amorim, quando não está viajando, realiza reuniões diárias para aprofundar-se nas tarefas de cada setor do ministério. Ele próprio calcula que as negociações para criação da Comissão da Verdade, que investigará violação de direitos humanos na ditadura, ocuparam um quinto de seu tempo, desde então, com telefonemas e encontros com líderes partidários. Enfrentou resistências na oposição, como a do líder do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto, que o acusou de “ideologizado”. Mas contou com a ajuda do ex-deputado José Genoíno, levado ao ministério por Jobim, a quem Amorim confiou boa parte dos contatos políticos.

O novo ministro tem feito viagens para conhecer instalações espalhadas pelo Exército, pela Marinha e pela Aeronáutica em todo o país. Na última, em Dourados (MS), ao acompanhar a operação Ágata 2, de controle militar e policial na fronteira, comoveu-se com estudantes do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal de Grande Dourados. “Nosso centro acadêmico se chama Celso Amorim”, informou uma das universitárias.

As viagens internacionais reduziram-se drasticamente, mas não foram extintas da agenda de Amorim, que, na segunda semana de setembro, viajou aos três países do Mercosul, a começar pela Argentina, onde assinou declaração conjunta com o ministro da Defesa do país vizinho, Arturo Puricelli, defendendo manutenção do Atlântico Sul como zona de paz. “Na América do Sul, o resumo de nossa política é: para dentro cooperação, para fora dissuasão”, repete o ministro, embora ressalve que não exclui cooperação com militares de outras regiões.

Na Argentina, como no Uruguai e no Paraguai, Amorim foi recebido pelos presidentes, mas procurou manter as conversas no terreno do Conselho de Defesa da Unasul, sua nova prioridade, ao lado do reforço do orçamento e da cooperação em matéria de equipamentos militares – tema que levantou interesse dos vizinhos; a Argentina, que já se associou ao projeto do cargueiro da Embraer, KC-390, quer desenvolver com o Brasil um jipe militar. Com o presidente paraguaio Fernando Lugo, teve o cuidado de antecipar as ações do Ágata 3 que também combateu contrabando de gado de região paraguaia com surto de aftosa.

Pelo menos um militar de alta patente comenta que houve incômodo no Exército com a decisão do governo de manter tropas no Complexo do Alemão. Mas, na semana passada, um oficial do alto comando do Exército fez questão de dizer ao ministro que os dirigentes das Forças Armadas preferem ver soldados nas “atividades subsidiárias” a vê-los o tempo todo nos quartéis.

Amorim recebeu do governador Sérgio Cabral a informação de que já havia autorização de Dilma para a permanência das tropas. Já sabendo disso, insistiu e obteve do governador, porém, um cronograma para troca progressiva dos soldados por policiais, até junho de 2012.

Com o novo ministro, o ritmo do ministério perdeu o tom frenético que havia sob Jobim: Amorim chega ao trabalho por volta das oito e meia da manhã e sai raramente depois das oito da noite. Já avisou que não pretende usar uniformes de campanha, no máximo um casaco e botas, se as condições do local exigirem. E, ao contrário do antecessor, está longe de ser um aficcionado em aparelhos eletrônicos. Não costuma ler notícias em computador, e ligações para seu celular são atendidas por um ajudante de ordens.

FONTE: Valor Econômico

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Promoção de oficiais-generais do EB

Dilma Rousseff recebeu 13 oficiais-generais do Exército Brasileiro promovidos em 31 de julho

Brasília, 16/08/2011 – A presidenta da República, Dilma Rousseff, reafirmou seu compromisso com a modernização das Forças Armadas. Antes, lembrou a presença dos militares na garantia da defesa nacional, na proteção de fronteiras, na pacificação de comunidades e no auxílio de áreas afetadas por desastres naturais. A declaração ocorreu durante a cerimônia de apresentação de 13 oficiais-generais do Exército Brasileiro promovidos em 31 de julho, realizada às 16h25 de hoje no Palácio do Planalto.

“Em todas essas frentes”, ressaltou, “as Forças Armadas brasileiras têm atuado com profissionalismo, dedicação e um espírito muito forte de Brasil. Para a continuidade dessa atuação de excelência é crucial que sejamos capazes de equipar bem nossas Forças Armadas, contribuindo para alavancar nossa capacidade produtiva, nossa indústria bélica e nossa autonomia tecnológica”, destacou.

Participaram da cerimônia no Planalto o vice-presidente da República, Michel Temer; o ministro da Defesa, Celso Amorim; o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general-de-exército José Elito Carvalho Siqueira; o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general-de-exército José Carlos de Nardi, e os comandantes das três Forças, almirante-de-esquadra Julio Soares de Moura Neto (Marinha), o general-de-exército Enzo Martins Peri (Exército) e o tenente-brigadeiro-do-ar Juniti Saito (Aeronáutica).

Para a chefe de Estado brasileira, o país deve incentivar os programas de desenvolvimento tecnológico das três Forças, em continuidade aos programas estruturantes da Estratégia Nacional de Defesa. “Saibam que as Forças Armadas brasileiras terão nesta Presidência um forte incentivo de profissionalismo dos nossos militares e do aprofundamento da capacitação da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, para a realização de operações conjuntas”, garantiu.

A presidenta rompeu o protocolo cumprimentando as esposas dos oficiais generais com dois beijos. No discurso, lembrou o sacrifício das famílias. “Cerimônias como esta têm por objetivo celebrar a conquista pessoal e profissional dos senhores, fruto de continuado sacrifício”, disse. “Aqui estão familiares, aqui estão amigos, aqui estão todos aqueles que acompanharam os senhores nesta longa trajetória. Eles viveram momentos difíceis: as ausências prolongadas, as inúmeras transferências. Hoje, sem sombra de dúvida, experimentam justificada alegria que todos aqui reunidos compartilhamos.”

Ao posto de general-de-exército

  • Eduardo Dias da Costa Villas Bôas

Ao posto de general-de-divisão

  • Eduardo José Barbosa
  • Paulo Humberto Cesar de Oliveira
  • Mauro Cesar Lourena Cid
  • Ivan Carlos Weber Rosas
  • Mario Lucio Alves de Araújo
  • Pedro Ronalt Vieira

Ao posto de general-de-brigada

  • José Luiz de Paiva
  • Walter Nilton Pina Stoffel
  • Otavio Santana do Rêgo Barros
  • Ubiratan Poty
  • Marcelo Eschiletti Caldas Rodrigues
  • Bráulio de Paula Machado

FONTE: Ministério da Defesa

O jornal Folha de São Paulo entrevistou o novo ministro Novo ministro da Defesa, Celso Amorim


Eliane Cantanhêde

Em resposta a seus críticos militares, o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, provoca: “Você não pode fazer das Forças Armadas uma coisa partidária nem para a esquerda, nem para a direita”. Em entrevista no novo gabinete, Amorim, 69, disse que o comandante do Exército, general Enzo Peri parece uma pessoa “não apenas ilibada, mas até um asceta”. Relatório do TCU diz que Enzo favoreceu firmas ligadas a militares ao dispensá-las de licitação de 2003 a 2007.

Folha – O sr. é “esquerdista”?
Celso Amorim – Esses rótulos, é melhor deixar os outros colocarem. Uns dizem que fui colocado pela presidente Dilma por ser nacionalista, o que agrada aos militares. Outros, que foi porque sou esquerdista, o que não agrada a eles. Mas, no Brasil, nacionalismo não é confundido com esquerdismo?

O sr. mantém a crítica que fez na revista “Carta Capital” ao voto favorável do governo Dilma a um relator da ONU para apurar abusos contra direitos humanos no Irã?
Hoje eu sou parte do governo e tenho de participar solidariamente das decisões do governo, e essa pasta pertence a outro ministro. Como intelectual independente, o que eu escrevi e disse claramente é que, se fosse eu, não teria tomado aquela atitude.

Uma crítica de militares ao sr. é a ligação com o Irã.

Nós nunca ficamos amiguinhos do Irã, que não é uma prioridade da política externa. O que foi prioridade, em determinado momento, foi resolver um problema grave para o mundo: o programa nuclear do Irã.

O sr. escreveu que não são satisfatórias as relações entre o poder civil e os militares e a responsabilidade por atos da época da ditadura. Como avançar nos dois casos?
Não me recordo das palavras exatas, mas não disse que não são satisfatórias, mas que talvez alguns não vejam como satisfatórias. Uma constatação, mais que um juízo de valor. A subordinação das Forças Armadas ao poder civil é clara.

Por que não falou da Comissão da Verdade na posse? O sr. defende a responsabilização de militares por atos na ditadura?

O principal é o restabelecimento da verdade. Com bom senso de todos os lados e boa articulação política, que cabe ao ministro da Justiça, chegaremos a uma boa conclusão.

O general Augusto Heleno…
A quem aprecio, pelo bom trabalho que fez no Haiti.

… disse que o comprometimento ideológico tem repercussão altamente negativa entre os militares.
Você não pode fazer das Forças Armadas uma coisa partidária, nem para a esquerda, nem para a direita, nem para o centro. Para isso nós temos a presidente da República, que é quem escolhe e quem decide e que foi eleita pelo povo brasileiro.

Pergunta de um oficial: e se fosse um general mandando no Itamaraty?

Diplomatas são disciplinados, e já houve ministro militar: Juracy Magalhães.

A presidente deu sinal de que vai descontingenciar verbas?

Vou conversar com os ministros da área econômica. Qual a solução? Quando? Não sei. Vamos ver.

E os caças?

Os caças terão que vir. Achava isso como ministro das Relações Exteriores e continuo achando como ministro da Defesa. O momento exato não dá para dizer.

O sr. prefere os Rafale?

No governo Lula parecia que o que tinha mais condições de fazer transferência de tecnologia era o francês. Mas não acompanhei o desenrolar das discussões sobre isso e a renegociação de preços.

Como tocar o programa nuclear da Marinha sem verba?

Vai ter recursos sim. A presidente é nacionalista, patriota e sabe da importância de proteger os nossos recursos, principalmente a camada do pré-sal.

E o acordo com os EUA para o uso da base de Alcântara?

Foi paralisado no Congresso porque não tem cabimento brasileiros não terem acesso a certos lugares no território nacional. É uma questão de soberania inegociável, e não uma questão ideológica.

Jobim e o sr. estabeleceram uma linha de distanciamento dos EUA, mas Patriota faz uma linha de aproximação. Onde o sr. se encaixa agora?
Jobim até patrocinou, junto conosco, um acordo militar com os EUA. Temos de ter a cabeça aberta, acabar com a mania de que o que é a favor do Brasil é contra os EUA.

Por que defende sair do Haiti?

Dizem que democracia é quando um presidente passa o governo a outro presidente eleito. É hora de discutir uma saída organizada, inclusive com ONU. Uma possibilidade é deixar um batalhão de engenharia do Exército.

O comandante Enzo Peri é investigado por ter assinado 27 contratos sem licitação. O sr. vai tomar providências?
Bom, o general me disse que já há investigações iniciadas por ele.

Vai investigar ele próprio?
É preciso separar o joio do trigo. Tenho 50 anos de serviço público e conheço as pessoas pelo olho. O general Enzo me dá a impressão de uma pessoa não apenas ilibada, mas até de um asceta. O que tiver de ser investigado será.

Genoino vai ficar na Defesa?

Vai. E pode botar um ponto de exclamação.

FONTE: Folha de São Paulo

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Novo ministro pensa em estratégia para a retirada dos militares brasileiros que estão no país caribenho desde 2004

O ministro da Defesa, Celso Amorim, pensa em uma forma de programar a saída das tropas brasileiras do Haiti. O ex-chanceler já tem em mãos o relatório sobre os custos da manutenção da Força de Paz nos últimos seis anos. Desde 2004, quando a ocupação teve início, pouco mais de R$ 1 bilhão saiu dos cofres brasileiros para bancar as despesas dos militares que participam da missão. São gastos que incluem compra de material para os alojamentos, treinamento de pessoal, viagens, palestras e manutenção de equipamentos. Uma conta considerável, segundo especialistas, principalmente no momento em que a pasta reclama dos constantes contingenciamentos orçamentários e da falta de recursos.

No ano passado, a manutenção das tropas no Haiti custou R$ 426 milhões aos cofres públicos. A conta inclui os R$ 140 milhões das despesas anuais previstas e outros R$ 286 milhões gastos com a ajuda humanitária enviada pelo Brasil depois que um terremoto devastou o país caribenho.

Na matemática dos gastos entram reembolsos feitos pela Organização das Nações Unidas (ONU) ao Brasil. Segundo relatório do Ministério da Defesa enviado à Câmara dos Deputados, nos últimos anos esses ressarcimentos somaram cerca de R$ 168 milhões: 16,45% do que foi executado pelo governo brasileiro. O percentual, considerado baixo, vinha gerando sucessivas reclamações do antigo comandante da pasta Nelson Jobim, demitido na semana passada.

Divergências

Segundo o professor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade de Brasília (UnB) Pio Penna Filho, não é apenas pelas despesas criadas para manter suas tropas na missão no Haiti que o Brasil precisa pensar em deixar Porto Príncipe. “O custo não é o grande problema. Está no momento de sair, mas não se sabe como sair. É necessário haver um processo de transição. O que não se pode é deixar o tempo passar de forma que a permanência das tropas se torne eterna. Há questões políticas envolvidas nesse processo e até os haitianos já declararam que não querem uma intervenção eterna”, pondera o especialista.

O fim da participação brasileira na Força de Paz do Haiti deve ser uma das primeiras medidas adotadas pelo novo ministro. Em reunião com os comandantes das Forças Armadas no último sábado, Amorim disse que é hora de pensar em estratégias de retirada das tropas, que estão no país desde junho de 2004. Atualmente, 2.160 homens trabalham pela segurança interna do Haiti, abalada depois da queda do ex-presidente Jean-Bertrand Aristide. Por ano, os salários desses militares consomem pouco mais de R$ 41 milhões — valores não incluídos nas cifras sobre os gastos com a missão, pois, se estivessem no Brasil, também iriam receber os soldos.

A saída das tropas, no entanto, está longe de ser unanimidade entre especialistas. Alguns deles defendem o tratamento da questão não apenas pelo aspecto de gastos, mas também pelo fator político que a decisão pode ter no momento em que o Brasil pleiteia uma cadeira permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Para Geraldo Cavagnari, integrante do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de Campinas (Unicamp), não há qualquer prejuízo em deixar os efetivos em Porto Príncipe, principalmente o Exército. “Acho que as tropas devem permanecer, pois não está implicando nenhum risco e há muitos aspectos diferentes em jogo”, observa.

FONTE: Correio Braziliense

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O novo ministro da Defesa, Celso Amorim, tomou posse na tarde desta segunda-feira, em Brasília, e afirmou que dedicará seu tempo à frente da pasta à proteção das fronteiras e dos recursos nacionais do Brasil, como o pré-sal.

Amorim assume a pasta após a demissão de Nelson Jobim, que deixou o cargo em meio a polêmicas causadas por uma série de declarações sobre o governo de Dilma Rousseff. Ele não participou da cerimônia de troca de cargos.

Segundo Amorim, “um país pacífico como o Brasil não pode ser confundido com um país desarmado e indefeso”. Para ele o fato de que o país vive em paz com seus vizinhos não significa que o Brasil não deva se preocupar com sua proteção.

“Há um descompasso entre a crescente influência internacional brasileira e nossa capacidade de resguardá-la no plano da defesa”, disse ele.

Para contornar esse problema, ele afirmou que vai trabalhar em coordenação com os ministérios do Desenvolvimento e da Ciência e Tecnologia, além de se empenhar “em obter os recursos indispensáveis para obter os equipamentos adequados às Forças Armadas”.

O novo ministro afirmou que pretende intensificar a cooperação entre países sulamericanos e o relacionamento de defesa dos países africanos.

Elogios

Amorim ainda elogiou as Forças Armadas durante o discurso e afirmou que “o panorama de defesa nacional é qualitativamente distinto” do cenário durante o processo de redemocratização. Ele atribuiu a melhoria aos governos anteriores, tanto o de Luiz Inácio Lula da Silva quanto o de Fernando Henrique Cardoso.

Segundo o novo ministro, o setor da defesa e a sociedade “devem estar em plena harmonia”. Ele mencionou o histórico das Forças Armadas como “importante instrumento de ascensão social” e defendeu que elas “reflitam a diversidade da sociedade brasileira” e levem em conta a “igualdade de raça, gênero e crença”.

FONTE/FOTO: Folha/Agência Brasil

Alex Rodrigues
Repórter Agencia Brasil

Brasília – Um dia depois de ter sido nomeado para substituir Nelson Jobim no comando do Ministério da Defesa, Celso Amorim se reuniu pela primeira vez com a presidenta Dilma Rousseff e com os comandantes das Forças Armadas.

Amorim almoçou com Dilma no Palácio do Alvorada, onde chegou por volta das 12h45 e de onde saiu às 15h20. Segundo a assessoria do ministério, durante a longa conversa com a presidenta, Amorim recebeu as primeiras orientações sobre a condução da pasta. Amorim estava em João Pessoa desde a última quinta-feira (4), quando Jobim deixou o cargo e o ex-chanceler foi anunciado pela presidenta como o novo ministro da Defesa.

Do Alvorada, Amorim seguiu direto para o Palácio do Planalto, onde recebeu os comandantes do Exército, general Enzo Peri; da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito; da Marinha, almirante Júlio Soares de Moura Neto e o chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi. O encontro durou 1h45.

De acordo com a assessoria do ministério, Amorim apresentou aos militares os motivos que o levaram a aceitar o convite para assumir o cargo. Ele disse estar com bastante disposição, prometeu se empenhar para executar as diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa, aprovada em 2008, e disse que não vai “reinventar a roda”.

Além de se apresentarem ao novo ministro, os comandantes militares destacaram as prioridades de cada pasta. Ainda de acordo com a assessoria, Amorim ficou bastante satisfeito e considerou a conversa positiva. Nos próximos dias, ele deve se reunir com cada comandante individualmente a fim de conhecer mais a fundo as necessidades.

Nelson Jobim foi substituído depois de ter feito sucessivas declarações que geraram desconforto ao governo federal, como a de que, nas últimas eleições presidenciais, votou no candidato tucano José Serra e não em Dilma. A nomeação de Amorim foi publicada no Diário Oficial da União de ontem (5) e a cerimônia de posse está prevista para a próxima segunda-feira (8), em horário ainda não definido.

Ontem, ao participar de um evento em João Pessoa (PB) a convite da Universidade Estadual da Paraíba, Amorim prometeu respeitar os interesses estratégicos nacionais na condução da política de Defesa e elogiou o trabalho de seus antecessores. (Edição: Andréa Quintiere)

FONTE: Agência Brasil / FOTO: Fabio Rodrigues Pozzebom – ABr

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A presidente Dilma Rousseff (PT), na tentativa de acalmar os militares, que reagiram mal à escolha do ex-chanceler Celso Amorim para o Ministério da Defesa, reuniu na última sexta-feira os comandantes das Forças Armadas e disse não haver motivo para preocupações. Dilma pediu aos militares que mantenham a “normalidade institucional”, abriu um canal direto de relacionamento com eles e assegurou que seu governo não permitirá revanchismos. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

O encontro durou uma hora e ocorreu após a demissão de Nelson Jobim, que estava à frente do Ministério da Defesa desde 2007. A presidente fez questão de reunir o alto comando da tropa, pouco antes de viajar para a Bahia, com o objetivo de desfazer o mal-estar. Embora não tenha tocado no assunto diretamente, os militares entenderam que não haverá revisão da Lei de Anistia, que impede a punição de agentes de Estado que praticaram crimes contra os opositores do governo, como tortura, assassinatos e desaparecimentos forçados, durante a ditadura militar.

A demissão de Jobim

O ministro da Defesa, Nelson Jobim (PMDB), entregou sua carta de demissão à presidente Dilma Rousseff no dia 4 de agosto. Sua situação se tornou insustentável no governo após declarações dadas à revista Piauí em que teria considerado a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, “muito fraquinha” e dito que a ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “sequer conhece Brasília”. Jobim negou ter feito as críticas e disse que as informações seriam “parte de um jogo de intrigas”. Mas, segundo fontes, Dilma já havia decidido demitir o ministro caso ele não abandonasse o cargo por conta própria. Para seu lugar, a presidente escolheu o ex-ministro das Relações Exteriores Celso Amorim.

A situação de Jobim à frente da pasta já vinha se deteriorando por outras declarações à imprensa que geraram mal-estar no governo. Em uma entrevista, ele afirmou ter votado no tucano José Serra, principal adversário de Dilma, nas eleições presidenciais do ano passado. No início de julho, em uma cerimônia em homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) – de quem ele foi ministro da Justiça entre 1995 e 1997 – no Senado Federal, ele citou o dramaturgo Nelson Rodrigues dizendo que “os idiotas perderam a modéstia”. A fala foi interpretada como uma insatisfação do ministro com sua situação no governo. Mais tarde, contudo, ele disse que se referia a jornalistas.

FONTE: Terra

Missão cumprida!

* Sérgio Paulo Muniz Costa

A demissão do Ministro da Defesa não está esclarecida. Mas enquanto a oposição sofregamente tece loas ao ex-ministro, percebe-se, pelos resultados, a sofisticação da manobra que dará ainda mais poder ao governo. Nelson Jobim e Celso Amorim são homens de Lula, sincrônicos no momento do segundo mandato do ex-presidente e diacrônicos no prosseguimento do projeto de poder a que servem. Sucedem-se, aparentemente díspares, para fazer mais do mesmo – controlar as instituições militares segundo a vontade do Planalto – o que requer uma sincronização política no estado da arte.

Como há quatro anos, na confrontação abrupta com o Exército durante o lançamento de um livro da Secretaria de Direitos Humanos, Jobim protagonizou por meio de declarações noticiadas pela imprensa um papel cuidadosamente elaborado e desempenhado, fechando o ciclo de sua gestão na Defesa. Durante o período, mesclando o político ao simbólico, sobrepôs-se aos comandantes das forças armadas, interpôs-se na cadeia de comando militar e pôs-se como comandante das forças armadas, como lhe foi reconhecido no noticiário da noite de sua demissão. Hoje, o cargo está pronto para outro operador de outra etapa.

O confronto político com as forças armadas, em particular o Exército, foi uma meta do governo desde o primeiro mandato de Lula, perseguida de diversas maneiras, desde picuinhas sobre cerimonial até inexplicáveis notas à imprensa que oportunizaram constrangimentos e, por que não falar, humilhações a oficiais-generais. Enfraquecido pela crise política que se abateu sobre o país em meados de 2005, o processo foi retomado em plena força com Jobim a partir de julho de 2007, depois de superada a interinidade de José Alencar e a gestão de Waldir Pires abreviada pelo caos aéreo. Acuadas politicamente, as forças armadas foram então envolvidas no projeto dito modernizante de outro operador do momento, que à frente dos assuntos estratégicos se uniu ao novo ministro para conceber uma estratégia de defesa à revelia da política de defesa.  O resultado que na prática alterou a missão constitucional das forças armadas está aí, sacramentado pela classe política, festejado pela imprensa e cobiçado pelos empresários.

As armas são componentes do poder político e os conflitos de governantes com os militares acontecem tanto em sistemas democráticos, quanto nos autoritários ou totalitários. Porém, a democracia tem na institucionalização dos poderes dos governantes sobre as armas uma de suas características mais preciosas, assegurando que elas não falem por si, nem o poder por elas. Até onde o confronto entre políticos e militares embute uma extrapolação de poder, é uma questão empírica julgada pela História.

Menos unanimidade em tema tão sensível faria bem ao País.

*Historiador, membro do CPE da UFJF e pesquisador de Segurança e Defesa do CEBRI. Foi Delegado do Brasil na Junta Interamericana de Defesa, órgão de assessoria da OEA para assuntos de segurança hemisférica.

Celso Amorim - Agência Brasil

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Para chanceler, acordo com o Irã não deve atrapalhar campanha do país por cadeira permanente no Conselho de Segurança da ONU

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vinheta-clipping-forteO ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, afirmou nesta sexta-feira que o Brasil prefere não obter uma cadeira no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) do que assumir uma posição submissa para conseguir a vaga.

“Se para ser membro permanente do Conselho de Segurança da ONU você tiver que ter uma posição subserviente, é preferível não ser”, afirmou Amorim, durante o Fórum da Aliança de Civilizações das Nações Unidas, no Rio de Janeiro.

O chanceler disse considerar improvável que o acordo firmado entre o Brasil e a Turquia com o Irã possa atrapalhar a campanha do governo Lula pela vaga.

Durante o encontro, o chanceler fez críticas a parte da imprensa brasileira. De acordo com ele, alguns jornalistas sempre trataram a questão da vaga no Conselho de Segurança da ONU como algo irrelevante. Com a parceira fechada com o Irã, o tema teria voltado à tona com novo enfoque.

“A maior parte da mídia brasileira sempre tratou criticamente essa questão do Conselho de Segurança. Diziam que o Brasil tinha essa obsessão e que isso prejudicava outros interesses. Agora, quando fazemos um ato correto com a Turquia, de acordo com a nossa consciência, as pessoas perguntam se isso não irá prejudicar a aspiração brasileira”, alfinetou o ministro.

Questionado se o acordo feito com o Irã poderia atrapalhar as relações comerciais históricas do Brasil com os EUA, Amorim foi taxativo. “Não creio. Acho que seria uma atitude infantil. O Brasil tem excelentes e intensas relações com os Estados Unidos”, avaliou. “Você não pode adotar uma política de que quem não está comigo é contra mim. Isso não existe”, finalizou.

FONTE: Último Segundo

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