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vinheta-clipping-forte1Negociadores de cerca de 150 países se reúnem nesta segunda-feira em Nova York para uma última tentativa de concluir um tratado internacional contra o tráfico de armas convencionais, que enfrenta resistência de um poderoso lobby pró-armas dos EUA.

Ativistas do controle de armas e dos direitos humanos dizem que uma pessoa morre por minuto no mundo em decorrência de armas de fogo, e que o tratado seria útil para conter o fluxo descontrolado de armas e munições que alimentam guerras, atrocidades e abusos.

A Assembleia Geral da ONU aprovou em dezembro que as negociações sejam retomadas nesta semana sobre aquele que poderá se tornar o primeiro tratado global a regulamentar o comércio de todas as armas convencionais — um negócio de 70 bilhões de dólares, que inclui de helicópteros e navios de guerra a pistolas e rifles de assalto.

Uma conferência começou a redigir o tratado em julho de 2012, mas o processo foi adiado a pedido de Estados Unidos, Rússia e China.

Naquela época, delegados disseram que os EUA preferiam deixar a questão para depois da eleição presidencial de novembro passado, algo que o governo do presidente Barack Obama negou. As novas negociações prosseguem até o dia 28.

Os EUA dizem querer um tratado robusto, mas Obama enfrenta pressão da poderosa Associação Nacional do Rifle (NRA) para bloqueá-lo. O grupo já disse que vai tentar derrubar a ratificação do tratado no Senado, caso o governo apoie o documento a ser definido pela ONU.

O secretário norte-americano de Estado, John Kerry, disse na sexta-feira que seu país está “resoluto em seu compromisso de alcançar um Tratado do Comércio de Armas forte e efetivo, que ajude a tratar os efeitos adversos do comércio global de armas sobre a paz e a estabilidade globais”.

Mas ele repetiu que os EUA –maior país fabricante de armas no mundo– não aceitarão um tratado que imponha limites ao direito constitucional do porte de armas por cidadãos norte-americanos, uma questão politicamente delicada no país.

A NRA nega que um massacre escolar em dezembro nos EUA tenham reforçado os argumentos em prol do controle armamentista global. A entidade também diz que o tratado pode afetar o direito dos cidadãos a portar armas, algo que partidários do tratado dizem ser falso, por envolver apenas o fluxo transnacional de armas de fogo.

Diplomatas dizem que, se os EUA e outros países mantiverem sua obstrução, os demais países poderão mesmo assim apresentar uma proposta de tratado para ser votada na Assembleia Geral.

Uma alternativa seria fazer emendas para tornar o texto mais aceitável aos EUA e a outras delegações. Mas partidários do tratado temem que isso leve a um enfraquecimento do texto.

FONTE: O Estado de S. Paulo

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A China tornou-se o quinto maior exportador de armas do mundo, sua posição mais alta no ranking desde a Guerra Fria, com o Paquistão sendo seu principal comprador, informou nesta segunda-feira um respeitado centro de estudos sueco.

O volume de exportações de armas da China entre 2008 e 2012 cresceu 162 por cento, em comparação com o período de cinco anos anterior, com sua participação no comércio mundial de armas passando de 2 por cento para 5 por cento, afirmou o Instituto Internacional de Estudos para Paz de Estocolmo (Sipri, na sigla em inglês).

A China substitui a Grã-Bretanha entre os cinco primeiros países que mais comercializam armas entre 2008 e 2012. Estados Unidos e Rússia, que são responsáveis por 30 e 26 por cento, respectivamente, das exportações de armas, são os maiores exportadores mundiais do setor, segundo o Sipri.

“A China está se estabelecendo como um significativo fornecedor de armas para um número crescente de importantes Estados beneficiários”, disse o diretor do Programa de Transferências de Armas do Sipri, Paul Holtom, em um comunicado.

A mudança, destacada no Relatório de Tendências na Transferência Internacional de Armas do centro de estudos, marca pela primeira vez a China como um dos cinco maiores exportadores de armas desde o período entre 1986 e 1990 analisado pelo Sipri.

O porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês Hong Lei, quando questionado sobre o relatório, disse que a China era um exportador de armas responsável que cumpria rigorosamente a lei internacional.

“Na exportação de armas, a China adota três princípios. Primeiro, que seja favorável às necessidades justificáveis de autodefesa do país destinatário. Segundo, que não prejudique a paz, segurança e estabilidade regional e global. Terceiro, que não interfira nos assuntos internos de outros países”, disse ele a repórteres.

O Sipri mantém uma base de dados global de transferências de armas que registra as exportação de armas desde 1950. O centro avalia os dados em um período de cinco anos, porque a venda de armas varia por ano.

Alemanha e França ficaram em terceiro e quarto lugares na lista de exportadores de armas.

FONTE: Reuters via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1Investimentos em aviões não tripulados feitos por países como China e Rússia chamaram a atenção dos Estados Unidos. O presidente Barack Obama passou a dar sinais de que pretende influenciar as diretrizes mundiais para a utilização dos chamados drones .

O interesse da China nas aeronaves foi demonstrado em novembro passado, durante um show aéreo. De acordo com o jornal estatal “Global Times”, o país cogitou fazer seu primeiro ataque em 2011, para matar um suspeito do assassinato de 13 marinheiros chineses. As autoridades decidiram, porém, que queriam o homem vivo. Assim, poderiam levá-lo a julgamento.

- O que acontecerá quando os chineses e os russos obtiverem esta tecnologia? O presidente está bem ciente dessa preocupação e quer definir normas sobre estas ferramentas para a comunidade internacional – disse Tommy Vietor, porta-voz da Casa Branca até o início deste mês.

Os ataques de aviões não tripulados dos modelos Predator e Reaper contra suspeitos de terrorismo fora do país começaram na presidência de George W. Bush, após os ataques em Nova York e Washington, em 11 de setembro de 2011. Foram, porém, expandidos por Obama.

O crescimento das operações começou em 2008, durante o último ano de Bush. Foram 35 no Paquistão. O número teve um aumento considerável durante o governo Obama. Chegou ao ápice em 2010, com 117 ataques, segundo o site The Long War Journal.

Segundo Vietor, o ataque antiterrorista cirúrgico tem se tornado “o novo normal”. Principalmente em um momento em que os combates terrestres dos EUA chegam ao fim no Iraque, ou perto do fim no Afeganistão.

A questão tem suscitado debates dentro do governo. Segundo opositores, não estão claros quais são os parâmetros legais para ataques. A Casa Branca tem mantido segredo sobre detalhes das operações por anos, quando o país exercia um forte monopólio sobre o uso do veículo. No Congresso, legisladores pressionam o presidente para que dê sua opinião sobre a possibilidade de usar os aviões para matar americanos dentro do próprio país.

FONTE: O Globo via Resenha do Exército

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Por Christina Larson | Bloomberg Businessweek

 

vinheta-clipping-forte1Logo depois do acidente nuclear em Fukushima, Japão, em março de 2011, a Alemanha anunciou que iria desativar todas as suas usinas nucleares. A Suíça e a Itália rejeitaram propostas para construir novos reatores. O Japão desativou seus reatores e ainda não os religou. A China, por outro lado, seguiu em frente com os projetos que já estava tocando, embora tenha suspendido novas aprovações, para que pudesse realizar mais testes de segurança.

Em novembro, o governo levantou a moratória e aprovou quatro novos projetos. O número de reatores que estão sendo construídos é agora de 29 – o maior dentre todos os países, e 40% do total mundial. “A China é hoje um dos países mais importantes da indústria nuclear mundial, se não o mais importante”, diz Antony Froggatt, pesquisador sênior da Chatham House, um centro de estudos britânico.

A China deverá se tornar o primeiro país em que os projetos de novos reatores são construídos e testados em tamanho natural. O principal deles é o AP1000 – AP quer dizer “Advanced Passive” (passivo avançado) -, desenhado pela Westinghouse Electric, a companhia americana hoje controlada majoritariamente pela Toshiba do Japão.

O AP1000 é, em tese, mais seguro do que os modelos anteriores porque possui um tanque de água de aproximadamente 30 milhões de litros encarapitado em seu teto; na eventualidade de uma falta de energia ou falha no gerador, ele proporciona um sistema emergencial de resfriamento movido por gravidade, por até três dias – uma janela de tempo estimada como longa o suficiente para se evitar a fusão do núcleo do gerador. “O operador não precisa fazer nada”, diz Sandy Rupprecht, que comanda a área de desenvolvimento e negócios e projetos da Westinghouse.

Froggatt observa que, como a Westinghouse está sem encomendas na Europa e os planos de construção estão atrasados nos Estados Unidos, ela precisa ter um reator funcionando na China para mostrar a possíveis clientes que seu modelo é viável e seguro.

A China também está construindo um reator de leito granular, um sonho dos cientistas nucleares desde que engenheiros alemães tentaram construir um na década de 1960. Esse tipo de reator precisa rodar a temperaturas extremamente altas – 900ºC ou mais; outros reatores operam em torno de 400ºC – e usam hélio como resfriador e grafite como moderador, em vez de água, o que reduz a velocidade dos nêutrons no núcleo do reator para aumentar as chances de indução da fissão nuclear.

Em tese, o modelo de leito granular opera de maneira muito mais eficiente do que os outros sistemas. “O problema é que, embora o grafite seja escorregadio quando frio, a altas temperaturas e quando está pesadamente irradiado ele fica mais pegajoso”, o que leva os seixos de grafite a se acomodar em um único lugar, explica Steve Thomas, professor de estudos energéticos da Universidade de Greenwich em Londres. “Quando os seixos grudam, eles superaquecem e começam a se desintegrar, deixando uma poeira de produtos combustíveis e grafite radioativo”.

A construção do reator começou em dezembro. O projeto foi feito na Universidade Tsinghua, de Pequim. Se for bem-sucedido, ele será o primeiro protótipo em tamanho real dessa tecnologia. Se não for, será uma bagunça cara e difícil de ser limpa. O protótipo de leito granular da Alemanha, que nunca entrou em operação, custou 5,5 bilhões de euros (US$ 7,3 bilhões) para ser descontaminado.

Os chineses também estão testando o elemento químico radioativo tório, que seria mais seguro que o urânio como combustível nuclear. Esse programa foi lançado em 2011 em Xangai por Jian Mianheng, filho do ex-presidente chinês Jiang Zemin.

Os engenheiros chineses já adaptaram a tecnologia da Westinghouse para um projeto maior chamado CAP1400, que aumenta a potência que o reator pode produzir de 1.000 megawatts para 1.400 megawatts. “Eles pegaram o projeto americano e basicamente o expandiram”, diz Arnie Gundersen, engenheiro-chefe da consultoria Fairewinds Energy Education.

A construção do primeiro CAP1400 deve começar neste ano. Em uma entrevista à imprensa em 1º de fevereiro, Gu Jun, presidente da Agência Estatal de Energia Nuclear, disse que “a exploração do mercado mundial para o CAP1400 começará em 2013″.

Um obstáculo ao esforço de exportação da China: a nova tecnologia precisa do aval da Comissão Regulatória Nuclear dos Estados Unidos, que “ainda é tida como o órgão mundial de reconhecimento”, afirma Bo Kong, professor pesquisador assistente da Johns Hopkins School of Advanced International Studies. “A China precisa convencer o resto do mundo que tem capacidade para construir [reatores] de forma segura.”

FONTE: Valor Econômico via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1No dia da abertura da sessão anual do Congresso Nacional do Povo, o Legislativo chinês, o governo chinês anunciou que os gastos militares do país crescerão 10,7% em 2013, atingindo 740,6 bilhões de yuan (cerca de US$ 119 bilhões). Os gastos com segurança interna também subirão 8,7%.

“Precisamos acelerar a modernização da defesa nacional e das Forças Armadas, bem como fortalecer a capacidade militar e de defesa da China”, disse o primeiro-ministro Wen Jiabao, segundo trechos divulgados para a imprensa antes do discurso de abertura do encontro.

Segundo Wen, que se despede do posto de premiê durante a reunião anual, é preciso assegurar “a soberania, a segurança e a integridade territorial” da China. O discurso se dá em meio a uma disputa entre Pequim e Tóquio pelo arquipélago de Diaoyu (Senkaku, para os japoneses). A região possui reservas de gás natural e também é reivindicada por Taiwan.

A China tem um segundo maior orçamento militar do mundo, perdendo apenas para os EUA -que gastou quase seis vezes mais que Pequim em defesa em 2012, segundo a Bloomberg.

Nas projeções econômicas, Wen disse que a expectativa de crescimento do país para 2013 é de 7,5%. O deficit, contudo, deve alcançar cerca de US$ 193 bilhões, ou 2% do PIB.

Novo governo

A reunião anual servirá para ratificar os nomes definidos pelo Partido Comunista para os principais cargos do governo. O congresso nomeará Xi Jinping presidente do país, um cargo simbólico. Desde novembro, ele é secretário-geral do partido e chefe da Comissão Central Militar, postos bem mais importantes.

Entre as promessas feitas por Xi para o seu mandato estão o combate à corrupção e à desigualdade social, a melhora da qualidade de vida da população e o aumento da proteção ao meio ambiente.

Wen Jiabao será substituído por Li Keqiang, como premiê. Analistas dizem que Li gostaria de uma drástica reorganização no governo, com a criação de ministérios voltados para a regulação financeira e a proteção ambiental.

Com quase 3.000 membros, o congresso é dominado por membros do PC. A previsão é que o congresso dure até o dia 17 de março.

FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército

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Por DAVID E. SANGER

vinheta-clipping-forte1Quando o governo Obama distribuiu a provedores de internet americanos uma longa lista confidencial de endereços digitais ligados a um grupo de hackers que furtou vários terabytes de dados de corporações dos EUA, um fato crucial ficou de fora: o de que praticamente todos os endereços estavam em um bairro de Xangai onde funciona a sede do comando cibernético das Forças Armadas chinesas.

Essa omissão deliberada salienta a alta sensibilidade dentro do governo Obama sobre até que ponto convém confrontar diretamente a nova liderança chinesa por causa dos hackers, enquanto Pequim diz não ter envolvimento com os ataques.

A questão ilustra como a Guerra Fria cibernética entre as duas maiores economias mundiais é diferente dos conflitos entre superpotências de décadas atrás -menos perigosa sob certos aspectos, porém mais complexa e perniciosa sob outros.

Funcionários do governo dizem agora estar mais dispostos a acusar diretamente os chineses -como fez recentemente o secretário de Justiça, Eric Holder, ao anunciar uma nova estratégia para o combate ao furto de propriedade intelectual. Mas o presidente Barack Obama evitou citar nominalmente a China -ou a Rússia e o Irã- quando declarou no seu discurso que sabia “que companhias e países estrangeiros golpeiam nossos segredos corporativos”. Ele acrescentou: “Agora nossos inimigos estão também buscando a capacidade de sabotar nossa rede elétrica, nossas instituições financeiras e nossos sistemas de controle do tráfego aéreo”.

Definir “inimigos” nem sempre é tarefa fácil. A China não é uma inimiga declarada dos EUA, da mesma forma como a União Soviética era. A China é, ao mesmo tempo, um competidor econômico, um cliente e um fornecedor crucial. Os dois países tiveram um comércio de US$ 425 bilhões no ano passado, e a China continua sendo, apesar das muitas tensões diplomáticas, um financiador importante da dívida americana.

No caso dos indícios de que o Exército chinês seja provavelmente a força por trás do “Comment Crew”, o maior dos cerca de 20 grupos de hackers acompanhados pela inteligência americana, os EUA estão sendo altamente circunspectos.

Funcionários do governo adoraram que a Mandiant, uma empresa privada de segurança, tenha divulgado um relatório localizando a origem dos ataques digitais nas imediações do comando cibernético chinês.

Autoridades disseram reservadamente que não veem problemas nas conclusões da Mandiant, mas que não queriam dizer isso publicamente.

Isso explica por que a China não foi mencionada como o local de servidores suspeitos no alerta aos provedores da internet. “Disseram-nos que constranger diretamente os chineses sairia pela culatra”, disse um funcionário de inteligência. “Isso só os tornaria mais defensivos e mais nacionalistas.”

Mas essa visão está começando a mudar. Nos próximos meses, dizem autoridades dos EUA, haverá muitos alertas privados de Washington aos líderes chineses, inclusive Xi Jinping, que assume em breve a Presidência da China. Os americanos devem argumentar que a dimensão e a sofisticação dos ataques dos últimos anos ameaçam desgastar o apoio à China por parte da comunidade empresarial dos EUA -principal aliada de Pequim em Washington. As recomendações sobre o que fazer variam muito -de uma negociação calma e sanções econômicas a discussões sobre contra-ataques a serem feitos pelo Comando Cibernético dos militares americanos, uma unidade que já se envolveu em ataques digitais contra instalações nucleares do Irã.

O próximo debate é, portanto, sobre uma retaliação americana. Washington já está cheia de conferências falando de “domínio da escalada” e “dissuasão ampliada”, termos emprestados da Guerra Fria.

Essa retórica tem algo de exagero, sendo alimentada pela crescente indústria da segurança cibernética e pelo desenvolvimento de armas cibernéticas ofensivas, embora o governo dos EUA jamais tenha admitido seu uso. Mas há uma discussão séria nos bastidores sobre que tipo de ataque à infraestrutura americana -algo que os hackers chineses ainda não tentaram seriamente- poderia induzir um presidente a ordenar um contra-ataque.

FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército

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vinheta-clipping-forte1Cada vez mais frequentes, os ataques de hackers chineses contra pessoas e instituições americanas começam a ganhar contornos políticos – capazes até de arranhar as relações entre os dois países. Mais de 140 ataques cibernéticos nos últimos anos tiveram sua origem numa unidade militar chinesa em Xangai, revelou ontem um relatório da empresa de segurança digital americana Mandiant, baseada na Califórnia.

Os dados da Mandiant conectam o grupo hacker APT1 (sigla de “ameaça persistente avançada”, em inglês) ao comando do Exército de Libertação Popular (ESP) – as Forças Armadas da China. O APT1 seria a chamada Unidade 61398, um órgão militar de atividades secretas instalado num edifício de 12 andares em Xangai.

O trabalho de contraespionagem dos americanos rastreou os ataques, chegando ao endereço, no distrito de Pudong, no centro financeiro e bancário da China. Lá, de acordo com o relatório, trabalham centenas – ou mesmo milhares – de pessoas com competências técnicas de programação e gerenciamento de redes, além de fluência em inglês, um perfil necessário para a realização dos ciberataques.

“O caráter do trabalho da Unidade 61398 é considerado pela China segredo de Estado. No entanto, acreditamos que ela está envolvida numa rede de nocivas operações com redes de computador”, diz o relatório. “Já é hora de reconhecer que a ameaça está vindo da China, e queremos fazer a nossa parte para combater a ameaça efetivamente.”

A unidade teria roubado “centenas de terabytes de dados de pelo menos 141 organizações de um conjunto diversificado de indústrias que começaram a operar em 2006″. A maioria das vítimas estava em EUA, Canadá e Reino Unido. E as informações roubadas variam entre detalhes sobre fusões e aquisições e e-mails de funcionários de altos escalões.

Numa área da tecnologia na qual o sigilo é a regra, a denúncia ganhou peso quando uma empresa concorrente da Mandiant, a CrowStrike, reforçou a veracidade das denúncias. “O Exército tem papel-chave na estratégia de segurança da China, e faz sentido que seus recursos sejam usados para beneficiar a espionagem digital que ajuda a economia chinesa” atestou o cofundador CrowStrike, Dmitri Alperovitch.

Pequim nega acusações

O Ministério da Defesa chinês emitiu uma nota negando as acusações – e chamando de “amadores” os especialistas da Mandiant: “O Exército chinês nunca apoiou qualquer atividade de hackers. Relatórios sobre o envolvimento do Exército com ataques cibernéticos são amadores e não estão de acordo com os fatos”, assegurou a Chancelaria chinesa.

Depois de o Facebook ter sido atacado no último fim de semana, ontem foi a vez de a Apple revelar ter sido alvo de hackers chineses. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carner, alertou para um “sério desafio a segurança e economia dos EUA”. E advertiu, sem mencionar nominalmente a China: “o presidente Obama tomará as medidas necessárias para conter esse perigo”.

FONTE: O Globo via Resenha do Exército

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Visão Global

Nicholas D. Kristof

Novo líder chinês tem a seu favor fato de antecessor ter desperdiçado os últimos 10 anos; há sinais de avanços, mesmo que abertura econômica seja mais rápida que a política

 

As minhas previsões pa­ra a China são as seguin­tes: O novo líder supre­mo, Xi Jinping, comandará uma retomada das reformas econômicas e provavelmen­te também certo abrandamento na área política. Durante o seu mandato, o corpo de Mao será retirado da Praça Tienanmen e Liu Xiaobo, o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, será liberta­do da prisão.

Tudo isso não acontecerá de imedia­to – aliás, Xi só tomará posse em mar­ço- e eu posso me enganar completa­mente. Mas meu pressentimento, ao regressar à China, onde vivi por muito tempo, é que as mudanças estão próxi­mas.

Essa é a minha opinião a respeito de Xi como reformador: em primeiro lu­gar, essa tendência está nos seus ge­nes. Seu pai, Xi Zhongxhun, foi um pio­neiro da reestruturação econômica e denunciou publicamente o massacre dos que protestavam em favor da de­mocracia, em 1989. A mãe de Xi prefe­re morar em Shenzen, o enclave mais capitalista da China. Xi é também um dos primeiros líderes chineses que de­cidiu enviar um membro da família aos Estados Unidos para estudar. Sua filha ingressou na universidade em Harvard, refletindo a ênfase dos pais no aprendizado da língua inglesa e sua admiração pela educação americana.

Favorece o novo líder o fato de seu antecessor não ter correspondido à expectativa. Xi sucede ao presidente Hu Jintao, que na China é considera­do em geral um fracasso. Até seus mi­nistros queixam-se de que ele desper­diçou os dez anos em que permane­ceu naliderança do país. A urgência de mudança é muito grande.

Hu, que costuma ler seus discursos, é um robô que se cerca de robôs. Um deles é o assessor Ling Jihua, cujo fi­lho de 23 anos recentemente dirigia uma Ferrari, em Pequim, com duas mulheres seminuas a bordo. O carro se acidentou matando o jovem e ferin­do uma das mulheres e matando a ou­tra. Temendo um escândalo, Ling tra­tou de encobrir o incidente. Foi ao ne­crotério, segundo relato de um funcionário chinês, olhou o corpo e simples­mente negou que se tratasse do seu filho. Nas semanas seguintes, continuou trabalhando como se nada tivesse acontecido. Mas seu plano fracassou e o episó­dio revelou os erros cometidos pela anti­ga liderança: a exibição de uma riqueza de origem duvidosa, o abuso de poder e a falta de compaixão.

Xi quer que o mundo entenda que ele é diferente. Seu primeiro ato, depois de ser escolhido como secretário-geral do Partido Comunista, em novembro, foi reeditar a famosa “viagem pelo sul” de Deng Xiaoping, em 1992, que deu novo stímulo às reformas econômicas. Xi e a sua equipe também assustaram os mem­bros do governo dizendo-lhes que paras­sem de ler discursos vazios nas reuniões.

Outro bom sinal: ouvi dizer que Wang Yang, reformista líder do partido na Pro­víncia de Guangdong, talvez o líder mais competente da China hoje, será nomea­do vice-primeiro-ministro em março.

A nova liderança provavelmente prefe­rirá acelerar a mudança econômica dan­do pouca ênfase ao abrandamento políti­co, mas isso está sendo cada vez mais difícil porque surge na China uma classe média, mais segura de si, dotada de eleva­do nível de educação, conhecedora do mundo. Ao longo dos anos,a maioria dos países vizinhos da China – de Taiwan à Mongólia, da Coreia do Sul à Tailândia – tornou-se mais democrática, e agora até Mianmar está se adequando aos novos tempos. Seriai mpossível que apoderosa China fosse mais atrasada do que Mianmar.

Há 25 anos, visito regularmente a al­deia ancestral da minha mulher na re­gião de Taishan, no sul da China. No começo, os aldeões eram semianalfabetos e viviam isolados. Agora, seu mundo está totalmente transforma­do. Durante a última visita, paramos numa casa de fazenda onde um antigo camponês estava na internet nego­ciando ações com o seu laptop. Sua filha estuda na faculdade e ele assiste aos programas da TV de Hong Kong em seu televisor com tela grande.

Pessoas como ele dificilmente se deixam controlar ou manipular e sua principal preocupação é a crescente corrupção na China. Há 20 anos, um amigo, que é filho de um membro do Politburo, emprestava seu nome em troca de centenas de milhares de dóla­res ao ano a uma companhia chinesa para que ela adquirisse terra mais barata dos governos locais. O tempo foi passando e membros das famílias dos líderes acumulam bilhões de dólares por meio desse sistema.

Os 70 delegados mais ricos do Congresso Nacional Popular da China acu­mularam um patrimônio de US$ 90 bilhões, noticiou a agência Bloomberg News. Mais de dez vezes o ganho de todo o Congresso americano.

Indubitavelmente, há evidências que contestam minha visão otimista. O que mais preocupa é o fato de que as autoridades procuram reprimir a li­berdade na internet. Seria um grande retrocesso, mas acredito que não vin­gará. Neste momento, ocorre um tes­te interessante: um funcionário de al­to escalão encarregado da propagan­da censurou uma mensagem de Ano Novo num importante jornal de Guangdong, e agora os jornalistas exi­gem publicamente sua demissão.

Xi é mais nacionalista do que Hu, e temo que um eventual confronto com o Japão na questão do arquipélago dis­putado no Mar da China possa esca­par do controle – com resultados im­previsíveis.

O fenômeno mais indiscutível do nosso tempo é a ascensão da China. Nos últimos dez anos, ela foi afetada pelafracassadaliderançade Hu. Aposto que nos próximos dez anos de reinado de Xi, ela renascerá.

FONTE: O Estado de S. Paulo – 07/01/2013

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O Brasil no labirinto chinês

José Casado

Foi um evento raro: nunca antes na História a burocracia do Partido Comunista Chinês havia sido exposta como foi nesta semana. Redes de televisão investiram em horas de transmissões diretas de Pequim para apresentar os discursos de Hu Jintao, futuro ex-presidente, e de Xi Jinping, seu sucessor, e para detalhar o perfil dos sete chefes do Comitê Permanente do PCC, epicentro do poder político, econômico e militar do país. Foi um espetáculo sem surpresas, planejado para expressar a naturalidade com que a China percebe seu retorno à posição de liderança, perdida há século e meio.

A 18 mil quilômetros de distância, o eco da transição no PCC pode ter confortado governantes sul-americanos, beneficiários políticos do crescimento chinês que há nove anos sustenta nas alturas os preços das matérias-primas e fomenta uma expansão econômica em escala inédita no continente desde a II Guerra Mundial.

O discurso do herdeiro Xi (“Seguiremos com o processo de abertura”, garantiu) soou como música em lugares como o Palácio do Planalto, em Brasília, ao sinalizar medidas anticrise para conservar a China na liderança do crescimento mundial. Pela calculadora de Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, o país já compra quase metade da produção global de ferro, cobre, alumínio, níquel, cimento, aço e ovos.

Há indícios de que a América do Sul está se despedindo desse ciclo de fartura, sustentado pelo avanço do consumo chinês de matérias-primas na última década. O experiente Julio María Sanguinetti, historiador e ex-presidente do Uruguai (em dois períodos, 1985-1990 e 1995-200), tem chamado a atenção para o desvanecimento “destes anos gloriosos de bonança, cujo mel adoçou o consumo popular e engordou o gasto fiscal; sem traumas, por enquanto, mas com a sensação algo frustrante de que a festa vai chegando ao fim e não restará muito para o dia seguinte”.

No caso do Brasil, grande beneficiário dessa bonança, é notável a rarefeita inquietude com o futuro das relações com a China. O relacionamento Brasília-Pequim está refém de números suntuosos – desde julho, a China é o maior parceiro comercial, reflexo de um processo de crescimento que, desde 2000, multiplicou por oito os negócios de fornecedores brasileiros com seus compradores chineses. Mas assim como não formulou uma estratégia para entrada no mercado chinês, o Brasil se mantém sem nenhuma para prosseguir, ou aprofundar essa aliança ou, ainda, reduzir gradualmente a sinodependência.

Oito de cada dez dólares obtidos no comércio com a China provêm das exportações de soja (38,7%), ferro (32,6%) e petróleo (9,8%), segundo dados do governo brasileiro em relação ao período janeiro-agosto.

É o resultado de um comércio intensivo, mas restrito a vendas de produtos primários e com a contrapartida de importações brasileiras de bens chineses de baixa qualificação, em termos de conteúdo tecnológico. “A baixa intensidade de tecnologia avançada nas importações provenientes da China sugere escasso potencial para beneficiar-se de um ‘derrame tecnológico’”, notam pesquisadores como Tatiana Didier e Augusto de la Torre, que no ano passado devassaram para o Banco Mundo o conteúdo do comércio da China com países da América Latina (disponível em http://siteresources.worldbank.org/LACINSPANISHEXT/Resources/Annual_Meetings_Report_LCRCE_Spanish_Sep17F.pdf).

Há nuvens no horizonte chinês. Há, também, evidências do declínio do crescimento econômico do Brasil (recuo de 7,5% em 2010 para 1,6% neste ano, segundo o Banco Central).
São fatos que deveriam estimular o governo brasileiro a refletir sobre uma mudança de rumo nas relações com a China, para ultrapassar a fronteira do comércio de produtos primários e ampliar as possibilidades de mútuos benefícios tecnológicos.
O labirinto da sinodependência talvez seja, hoje, a principal ameaça àquilo que se costuma definir como “soberania nacional”.

FONTE: O Globo

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MOSCOU, 21 Ago (Reuters) – O chanceler russo, Sergei Lavrov, fez um alerta ao Ocidente para que não tome qualquer ação unilateral sobre a Síria, afirmando que Rússia e China concordam que violações às leis internacionais e à Carta da ONU não são permissíveis.

Rússia e China se opuseram a intervenções militares na Síria ao longo dos 17 meses de um conflito sangrento entre rebeldes e as tropas leais ao presidente sírio, Bashar al-Assad. Os dois países vetaram três resoluções defendidas por Estados árabes e potências ocidentais no Conselho de Segurança da ONU, que aumentariam a pressão sobre Damasco para encerrar a violência.

Lavrov, citado por agências de notícias russas durante encontro com um importante diplomata da China, fez os comentários um dia após o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ter dito que as forças dos EUA poderiam agir contra Assad se ele usar armas químicas contra os rebeldes. Essas foram as palavras mais duras de Obama contra o regime sírio desde o início da revolta.

Rússia e China baseiam sua cooperação diplomática na “necessidade de seguir estritamente as normas das leis internacionais e os princípios contidos na Carta da ONU, e em não permitir suas violações”, disse Lavrov, segundo a Interfax, durante o encontro com o conselheiro de Estado da China, Dai Bingguo.
“Acredito que este é o único caminho correto nas condições de hoje”, disse Lavrov. (Por Steve Gutterman)

FONTE: Reuters

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Esperando o fiasco da China…

Com as notícias de desaceleração da economia da China, inúmeros analistas começam a duvidar do vigor daquele país. Uma reportagem especial da revista The Economist (26/5) destacou vários fatores perversos ao crescimento chinês: o desequilíbrio entre investimento e consumo; a exagerada dependência de petróleo importado; a poluição excessiva; a falta de água e a escassez de mão de obra devido à regra de um filho por família. Vários autores especulam que o aumento acelerado dos salários retardará o ritmo do crescimento da China (Shaum Rein, The end of cheap China, New Jersey: John Wiley & Sons, 2012).

Em contraste com esse cenário, o Brasil teria claras vantagens comparativas em relação à China: água em abundância, matriz energética limpa, petróleo para dar e vender, etc. Os salários estão abaixo do que se paga no mundo desenvolvido. Ou seja, teríamos aí uma boa chance para entrar no vácuo decorrente de uma eventual retração do crescimento chinês.

É verdade que o crescimento da China desacelerou. Será menos de 8% neste ano. Mas o país não está parado. Para resolver a escassez de recursos naturais, a China vem investindo pesadamente na África e na América Latina. A escassez de mão de obra nas cidades vem sendo enfrentada com a facilitação da migração rural-urbana. A explosão dos salários é contrabalançada por um forte aumento da produtividade decorrente da modernização tecnológica e, sobretudo, da crescente qualificação dos trabalhadores.

No caso do Brasil, o custo do trabalho vem disparando, sem contrapartida de um aumento de produtividade. Os gargalos de infraestrutura não se resolvem em tempo hábil. As reformas tributária, trabalhista e previdenciária estão engavetadas. As medidas pontuais são insuficientes para reaquecer o mercado.

Para complicar o problema da baixa produtividade do trabalho, o País decidiu desestimular os investimentos em capital humano que vinham sendo feitos pelas empresas. Refiro-me à Lei 12.513/2011 que passou a tributar aqueles investimentos – até então isentos. Um verdadeiro absurdo no momento em que o Brasil precisa melhorar a educação e alavancar a produtividade.

A China, ao contrário, continua fazendo investimentos maciços nesse campo. Em recente publicação, fiquei sabendo que as matrículas no ensino superior foram multiplicadas por seis nos últimos dez anos, tendo chegado a quase 20% dos jovens na idade respectiva (no Brasil é de 10%).

O Programa Ciência sem Fronteiras é louvável, sem dúvida. O Brasil pretende enviar 110 mil estudantes para o exterior ao longo dos próximos anos. Mas, para mostrar que a corrida é em relação a um ponto móvel, basta lembrar que só em 2008 a China enviou 180 mil estudantes às melhores universidades do mundo e vem fazendo isso todos os anos (James J. Heckman e Junjian Yi, Human Capital, Economic Growth, and Inequality in China, Bonn: Institute for the Study of Labor, maio de 2012).

O resultado é conhecido: 45% do crescimento chinês é atribuído aos ganhos de produtividade decorrentes de melhorias do capital humano. Enquanto isso, a produtividade do trabalho no Brasil cai a cada ano ao mesmo temp que salários e benefícios sobem acima da inflação. O descasamento entre custo do trabalho e produtividade está afetando em cheio a competitividade das indústrias brasileiras.

Os que acreditam no crescimento brasileiro à custa de um fiasco chinês terão de aguardar muito tempo. A busca de maior eficiência é a mais prioritária medida a ser implementada se queremos ganhar a corrida com a China, de quem tanto dependemos. Dentre as várias providências a serem operadas tem destaque a melhoria da qualidade da educação – a começar pela revogação da referida lei que desestimula as iniciativas privadas nesse campo.

FONTE: O Estado de S. Paulo – 17/07/2012

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Juan Mabromata

A China e o Mercosul, integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, propõem-se a alcançar um comércio de 200 bilhões de dólares em 2016, segundo um comunicado conjunto divulgado durante a reunião de cúpula do bloco sul-americano na Argentina, realizada sem a presença de representantes de Assunção.

Os governos “irão promover medidas conjuntas para diversificar o comércio entre a China e os países do Mercosul, e, para isso, irão se esforçar para alcançar em 2016 um comércio de 200 bilhões de dólares”, assinala o comunicado divulgado na reunião do Mercosul, na cidade de Mendoza.

A China exportou para o Mercosul 48,451 bilhões de dólares em 2011 (34% a mais do que no ano anterior), e importou 51,033 bilhões de dólares (37,9% a mais do que em 2010), segundo cifras oficiais.

O documento não cita uma proposta recente do premier chinês, Wen Jiabao, para estudar a formação de uma zona de livre comércio entre o gigante asiático e o bloco sul-americano.

A declaração conjunta assinala que, “com a vontade de consolidar seu vínculo econômico e comercial, China e Mercosul comprometem-se a aprofundar e fortalecer sua colaboração, com base no benefício mútuo”.

Na reunião de hoje em Mendoza, o Mercosul decidiu suspender temporariamente o Paraguai do bloco, em repúdio à destituição do presidente Fernando Lugo, ocorrida há uma semana. Nenhum representante paraguaio participou da reunião.

FONTE: Veja.com/AFP

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China em declínio progressivo

(Jorge Castro – Clarín) 1. O governo chinês reconhece esta tendência e diminuiu por duas vezes suas previsões de crescimento em 2012, levando-os a 7,5% e 7% no ano (entre 2000 e 2008 foi de11% ao ano, com um pico de 13% em 2007).

2. O Banco Mundial prevê que em 20 anos a taxa de crescimento passará de 10% para 5% ao ano. Tudo indica, em suma, que a forma de crescimento dos últimos 30 anos (exportações +aumento sistemático do investimento) esgotou seu potencial, e que a desaceleração atual não tem um caráter cíclico, mas estrutural.

3. O problema é o curto e médio prazo, cheio de incertezas, especialmente para os exportadores de matérias-primas, como são todos os países da América do Sul. Em longo prazo a mudança é nítida; tem a força bruta da certeza e se assimila a óbvia comprovação da realidade.

4. A desaceleração da economia chinesa significa que os grandes exportadores de minérios (Austrália, Brasil, Chile, Peru, entre outros) dificilmente vão receber nos próximos 10 anos os benefícios de um superciclo de matérias-primas tão intenso quanto o da última década. Entre 2000 e 2010, as importações chinesas de minério de ferro aumentaram 42,5 vezes; as de carvão, 248 vezes; e as de cobre, 16,2 vezes.

5. O índice de matérias primas caiu 12% em abril, em comparação com o primeiro trimestre. O minério de ferro e o carvão tiveram as maiores quedas (12% em Abril).

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Brutal ofensiva de censura contra internet na China

PEQUIM, 31 Mar 2012 (AFP) -A China anunciou neste sábado grandes restrições para a utilização de microblogs, o fechamento de vários sites de internet e a prisão de pessoas acusadas de espalhar rumores de golpe de Estado em Pequim.
Esta brutal ofensiva de censura ocorre quinze dias após a destituição do responsável carismático Bo Xilai, uma reviravolta política que rompeu a imagem de unidade que o Partido Comunista Chinês deseja transmitir. O incidente alimentou todo tipo de especulações na rede.

Neste sábado, os dois principais serviços de microblogs chineses, Sina Weibo e Tencent QQ, suspenderam a possibilidade para os internautas de fazer comentários on-line, oficialmente para lutar contra os “rumores perniciosos”.

Os dois grupos afirmaram que esta medida se manteria vigente até o dia 3 de abril, num momento em que as autoridades mostram um nervosismo crescente diante da onda de críticas que circulam pelos microblogs.

Estas mensagens, que contam com um máximo de 140 ideogramas, são muito populares entre os chineses quando querem se queixar ou denunciar escândalos. Segundo os observadores, têm um papel essencial para modelar a opinião pública.

Os internautas chineses, já submetidos a uma censura draconiana que bloqueia Twitter, Facebook ou Youtube, não demoraram para reagir.

“Suspender os comentários de todos os utilizadores de microblogs é um atentado grave contra a liberdade de expressão e isso ficará gravado na história”, considerou Lawyer 80, em weibo.com.
Peng Xiaoyun, outro ciberativista, convocou seus pares a se mobilizar temendo um agravamento da repressão.

“Se você guardar silêncio hoje, quando os comentários são suspensos, seguirá se calando amanhã, quando os microblogs serão fechados, e todos ficarão calados quando o prenderem”, advertiu.
Peng informou que se mudava para o Google +. Como ele, outros internautas convocaram a deixar os sistemas chineses e entrar em redes sociais estrangeiras (Facebook, Twitter), embora seja preciso burlar a censura para consultá-los na China.

Por sua vez, as autoridades chinesas impuseram o fechamento de 16 sites de internet e prenderam seis pessoas por “criar e propagar rumores”, anunciou neste sábado a agência Nova China.

Segundo a polícia, citada pela agência oficial, estes sites são acusados de ter informado sobre “a entrada em Pequim de veículos militares, (mostrando que) as coisas não andavam bem em Pequim”.

Sempre segundo a polícia, um número indeterminado de utilizadores da rede foi “advertido e educado” por ter difundido estes rumores, que, na semana passada, agitaram os fóruns de discussão.

A China, onde a imprensa é controlada pelo Estado, conta com mais de 500 milhões de internautas e mais de 300 milhões de contas weibo registradas.

O Partido Comunista Chinês, partido único no poder, seguiu com olhares inquietos a primavera árabe, sobretudo pelo papel das redes sociais como ferramenta de mobilização rápida e anônima para os militantes pró-democracia.

FONTE: Terra

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Na China houve aumento de 808% no período, reflexo de investimentos em tecnologia e educação

 

Chrystiane Silva

Nos últimos meses, a indústria brasileira tem amargado péssimos resultados. Praticamente estagnado, o setor sofre com os altos custos para produzir, com a concorrência dos produtos importados e também com a baixa produtividade dos trabalhadores.

Nos últimos 30 anos, a produtividade dos colaboradores da indústria de transformação caiu 15%. Esse indicador é calculado pelas horas trabalhadas e pelo número de funcionários do setor. No mesmo período, a produtividade dos chineses aumentou 808%. Os dados fazem parte de estudo produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

A China é a principal potência mundial e é natural que a produtividade dos seus trabalhadores seja maior. Mas o Brasil também ficou
atrás do desempenho de vizinhos como o Chile, que apresentou aumento de 82,11%, e da Argentina, que cresceu 16,98% nos últimos 30 anos. O que há de errado com o desempenho do Brasil?

Crescimento sustentado

O aumento da produtividade é uma condição fundamental para o crescimento sustentado. Entre os fatores que contribuíram para o desempenho pífio da produtividade no país estão as deficiências de educação e infraestrutura. Cada vez mais, as indústrias usam equipamentos tecnológicos sofisticados e exigem uma boa formação educacional dos seus trabalhadores, mas apenas 20% dos funcionários do setor terminaram a universidade. Além disso, o Brasil ainda temumabaixa integração com a economia global.

O indicador que mede a abertura comercial é a proporção do comércio exterior em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Quanto mais alto, melhor para a economia do país. Nos últimos três anos, ele ficou em 11% em média. Na Argentina, o mesmo indicador ficou em 20%. Apesar
de todos os avanços tecnológicos, o Brasil ainda tem uma baixa absorção de tecnologia e inovação em muitos setores, sem contarcomas
dificuldades burocráticas para abrir empresas. “O país precisaria crescer 4% ao ano para acomodar os aumentos salariais e competir com os produtos importados.

O Brasil está se dando ao luxo de ter os maiores custos de produção do mundo, matando a indústria”, diz Júlio Gomes de Almeida, economista do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).

Solução demorada

Para um país que precisa crescer, a baixa produtividade é um fator preocupante. “É um obstáculo que cria barreiras à competitividade externa. É preciso pensar em umaestratégia consistente de desenvolvimento industrial”, diz Gabriel Coelho Squeff, economista do Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas (IPEA) e autor do estudo sobre produtividade na indústria entre 1980 e 2009.

No curto prazo, com a instabilidade internacional devido à crise mundial, que se manifesta pela queda no comércio internacional e pela aversão ao risco por parte dos empresários e dos consumidores, vai ser preciso ter mais dinamismo na relação entre a produção e os trabalhadores para reativar o crescimento.

“A estrutura produtiva também precisa ser diversificada, mas não há indícios de que essas trajetórias sejam revertidas no curto prazo”, diz Squeff. Para crescer de maneira sustentada, o país vai precisar seguir o exemplo das nações que investiram em educação e hoje registram crescimento econômico como China e Coreia do Sul.

FONTE: Brasil Econômico

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Minério de ferro, petróleo bruto, complexo de soja, carne, açúcar e café somaram 47% do valor exportado

 

Luiz Guilherme Gerbelli, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – O Brasil vem aumentando cada vez mais nos últimos anos sua dependência da exportação de matérias-primas. No ano passado, apenas seis grupos de produtos – minério de ferro, petróleo bruto, complexo de soja e carne, açúcar e café – representaram 47,1% do valor exportado. Em 2006, essa participação era de 28,4%.

Esse aumento da dependência ganha contornos ainda mais preocupantes porque o maior comprador atual das matérias-primas brasileiras passa por um momento de transição. Na semana passada, a China anunciou que vai perseguir uma meta de crescimento de 7,5% ao ano. A meta anterior era de 8% ao ano.
“Esse novo crescimento chinês ainda é expressivo para qualquer país, mas, nesse momento, cria um fato negativo para a cotação das commodities”, diz o vice-presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB), José Augusto de Castro. “Ao dizer que vai reduzir o ritmo de crescimento, a China diz, indiretamente, que vai comprar menos insumos.”

Em dezembro, a entidade previu que o Brasil terá este ano um superávit de US$ 3 bilhões, resultado bem inferior ao saldo comercial de US$ 29,7 bilhões do ano passado. “Mas houve uma melhora do cenário dos preços desde então”, diz Castro.

De qualquer forma, o Índice de Preços de Commodities do Banco Central (IC-BR) já aponta um recuo na cotação das commodities. Em fevereiro, o indicador caiu 2,96% na comparação com janeiro e, no acumulado de 12 meses, teve queda de 12,68%.

“Essa tendência de queda só não é mais forte porque está havendo uma injeção global de recursos no mundo todo. Há uma expansão de crédito para economia mundial que não começou agora”, diz Fábio Silveira, economista da RC Consultores. Apesar disso, ele estima um recuo de 10% no preço da soja, carne, açúcar e do café este ano. “O crescimento menor da China reafirma a perspectiva de baixa dos preços”, afirma.

Meta de vendas

Entre 2006 e 2011, puxada pelas commodities, a receita de exportação do Brasil aumentou de US$ 135,9 bilhões para US$ 256 bilhões. Este ano, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) definiu US$ 264 bilhões como a meta de exportação, valor 3,1% maior que o do ano passado.

Para Rodrigo Branco, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), as exportações de commodities vão continuar dominando a pauta brasileira este ano. Ele ressalta, porém, que o saldo comercial do País deverá ser menor, porque, além do preço mais baixo das commodities, as importações devem permanecer em um patamar elevado.

“Estamos com uma demanda relativamente aquecida em relação ao resto do mundo, principalmente de bens de consumo duráveis”, diz.

FONTE: O Estado de São Paulo

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Rússia e China deram ao governo sírio “licença para matar” com o veto à proposta de resolução da ONU, segundo ativistas da oposição.

 

O Conselho Nacional Sírio (CNS), que reúne diversos grupos contrários ao governo, pediu que Moscou e Pequim reconsiderem a decisão.
“O CNS considera ambos os países responsáveis pelo agravamento das mortes e genocídio, e considera este passo irresponsável uma licença para que o regime sírio mate sem ser responsabilizado”, disse uma declaração divulgada pelo grupo.
A ativista iemenita e vencedora do prêmio Nobel da Paz Tawakul Karman também afirmou que os dois países passaram a ter responsabilidade moral pelas mortes na Síria.
Rússia e China, membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU, rejeitaram a proposta de resolução que defendia “uma transição política, liderada pela Síria, para um sistema político democrático e plural”.

‘Indignados’

O veto já havia sido duramente criticado por diplomatas ocidentais, que se disseram “indignados” e “horrorizados” com a rejeição do texto.
A proposta de resolução – que contava com o apoio dos outros 13 integrantes do Conselho e da Liga Árabe, representante dos países da região – era considerada por analistas como o esforço mais importante feito até agora pela ONU para solucionar a crise na Síria.
A decisão aconteceu em um dos dias mais sangrentos desde o início do levante contra o governo de Bashar al-Assad, há 11 meses.
Grupos rebeldes e ativistas dizem que um ataque militar contra a cidade de Homs na madrugada de sábado teria deixado dezenas de civis mortos.
Um grupo de oposição disse ter conseguido confirmar 62 vítimas fatais na cidade, enquanto outras organizações falaram em mais de 200.
A mídia estatal síria negou que tenha havido uma ofensiva militar em Homs e acusou a oposição de ter inventado os ataques. A imprensa oficial também elogiou o veto de Rússia e China, alegando que ele será um incentivo para as reformas políticas prometidas pelo governo.

Aliados

A Rússia é o principal aliado da Síria no Conselho de Segurança da ONU e já tinha afirmado que iria vetar a resolução.
O ministro do Exterior russo, Sergei Lavrov, criticou a proposta de resolução da ONU que, segundo ele, tinha medidas apenas contra o presidente Bashar al-Assad e não previa punições aos grupos de oposição armados.
Lavrov deve se reunir com Bashar al-Assad em Damasco na terça-feira, junto com o chefe do Serviço de Inteligência Internacional da Rússia, Mikhail Fradkov.
Mohammed Loulichki, embaixador do Marrocos na ONU e único membro árabe do atual conselho da ONU, afirmou que estava profundamente “decepcionado” com o veto de Rússia e China à resolução.
A embaixadora americana na ONU, Susan Rice, afirmou que o veto foi “vergonhoso” e mostrou que os russos e chineses “protegem um tirano”.
“Qualquer derramamento de sangue estará nas mãos deles”, acrescentou Rice.
O enviado da Grã-Bretanha à ONU, Mark Lyall Grant, afirmou que os britânicos estão “chocados” com a rejeição da resolução.
“É um dia triste para o conselho, um dia triste para todos os sírios e um dia triste para a democracia”, disse o embaixador francês na ONU, Gerard Araud.
A ONU parou de estimar o total de mortos durante os confrontos na Síria quando o número chegou a 5,4 mil, em janeiro, alegando que era muito difícil confirmar os dados.
O governo sírio diz que pelo menos 2 mil integrantes das forças de segurança foram mortos “lutando contra gangues armadas e terroristas”.

FONTE: BBC Brasil / FOTO: AFP

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Caracas, 4 fev (EFE).- O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, considerou neste sábado ‘muito positivo’ o veto de Rússia e China no Conselho de Segurança (CS) da ONU que evita adotar uma resolução sobre a situação de violência vivida na Síria.

Chávez fez a declaração durante discurso na 11ª Cúpula da Aliança Bolivariana para os povos da América (Alba), ao se referir à decisão de Moscou e Pequim.

O presidente fez o comentário diante dos outros governantes do mecanismo, formado por Venezuela, Bolívia, Cuba, Equador, Nicarágua, São Vicente e Granadinas, Dominica, e Antígua e Barbuda.

Chávez voltou a condenar a intervenção da comunidade internacional na Líbia, e disse: ‘É a loucura, a esquizofrenia do imperialismo, e agora atacam a Síria, ameaçam o Irã, ameaçam a Alba’.

‘O que aconteceu na Líbia: como invadem, bombardeiam, destroem um país, assassinam seu presidente, como se nada tivesse acontecido neste mundo’, assinalou o presidente venezuelano.

O veto de Rússia e China no CS da ONU impediu o principal órgão de segurança internacional falar com voz única perante a violenta repressão que o regime sírio exerce contra sua população há 11 meses.

FONTE: EFE

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