No dia 29 de novembro, o segundo-tenente Ronald Cadar Martins de Oliveira, lotado no Batalhão de Choque da Polícia Militar do Rio de Janeiro e integrante da operação que culminou com a prisão do traficante Antônio Bomfim Lopes, o “Nem” da Rocinha, visitou o Comandante-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, Almirante de Esquadra (FN) Marco Antonio Corrêa Guimarães.

O Tenente Cadar, que serviu ao Corpo de Fuzileiros Navais no período entre 2005 e 2008, deu um exemplo marcante de profissionalismo, durante a citada operação, ao recusar proposta de suborno no valor de um milhão de reais, oferecida pelos comparsas do traficante Nem.

Durante a visita, o Tenente Cadar explicou que sua conduta é decorrente de sua formação familiar e da formação que recebeu no Corpo de Fuzileiros Navais e na Polícia Militar do Rio de Janeiro. Segundo ele, “a formação familiar determina o que você é, mas essas instituições potencializam o que você tem de bom e diminuem o que você possa ter de ruim”.

Cadar recordou das amizades forjadas nas Unidades em que serviu, e dos marcantes momentos nelas vividos. Disse ele: “a Marinha teve uma grande importância em minha vida e é uma grande oportunidade para quem quer ser militar. É um verdadeiro diferencial na vida de um homem”. Logo após, agradeceu aos colegas da turma de soldados Fuzileiros Navais I-2005 e aos militares que com ele serviram no Grupamento de Fuzileiros Navais do Rio de Janeiro pelo incentivo e apoio de sempre.

Ao final, se despediu com o inesquecível e vibrante lema dos Fuzileiros Navais: ADSUMUS!

Para o CFN, a retidão de caráter demonstrada por um dos seus ex-integrantes é motivo de grande orgulho e satisfação. Parabéns Tenente Cadar! Pela Honra, Competência e Determinação.

FONTE: Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais

Operação Formosa 2011

Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil (foto) realizam, no período de 18 a 30 de setembro, no Campo de Instrução de Formosa, um treinamento de grande vulto. O exercício, denominado OPERAÇÃO FORMOSA 2011, tem por finalidade contribuir para a manutenção da condição de pronto-emprego dos meios dos Fuzileiros Navais, sendo o maior treinamento realizado pela Marinha do Brasil no Planalto Central.

A OPERAÇÃO FORMOSA 2011 envolve aproximadamente 2.000 militares, Aeronaves, Carros de Combate, Veículos Blindados de Transporte de Tropas, Veículos Anfíbios sobre Lagartas, Mísseis Anti-Carro, Mísseis Superfície-Ar, Veículos Aéreos Não-Tripulados (VANT) e Artilharia, entre outros meios de combate, que serão empregados de forma integrada em manobras militares.

Será também simulada uma Operação Anfíbia, considerada a mais complexa das operações militares. Visando a assegurar máximo realismo, todo o armamento será sempre empregado com a utilização de munição real. O exercício reveste-se de grande importância para o Corpo de Fuzileiros Navais, que, conforme determina a Estratégia Nacional de Defesa, é a força de caráter expedicionário por excelência.

Assim, a manutenção de sua condição de pronto emprego exige treinamento em variados ambientes operacionais, tais como áreas urbanas, selva, áreas ribeirinhas e cerrado. Esta condição de prontidão constante materializa a capacitação da Marinha do Brasil na proteção da Amazônia Azul e na defesa das instalações navais, portuárias, arquipélagos e ilhas oceânicas, além de assegurar a capacidade de atuação em Operações Internacionais de Paz e em Operações Humanitárias, em qualquer lugar do mundo, como é o caso do Grupamento Operativo de Fuzileiros Navais presente hoje no Haiti.

A existência de forças permanentemente prontas tem permitido à Marinha do Brasil responder imediatamente a um amplo espectro de crises, que variam desde o apoio aos Órgãos de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, na ocupação dos morros, em menos de doze horas após o acionamento, até o envio de assistência humanitária ao Chile, incluindo a montagem de um Hospital de Campanha, em menos de 48 horas, por ocasião do terremoto que atingiu aquele país em 2010.

No dia 30 de setembro, será realizada uma Demonstração Operativa que permitirá obter uma visão geral sobre o exercício realizado e sobre algumas capacidades da Marinha do Brasil e do Corpo de Fuzileiros Navais, em especial. Na ocasião, que contará com a presença de diversas autoridades civis e militares, todos os sistemas de armas utilizados durante o exercício serão empregados. Será também disponibilizada visita aos blindados utilizados nas operações nos morros do Rio de Janeiro, ao Hospital de Campanha, bem como às baterias de artilharia, que estarão desdobradas no terreno.

FONTE/FOTO: Tribuna News

O Batalhão de Blindados do Corpo de Fuzileiros Navais se uniu ao Exército em um adestramento organizado no Centro de Instrução de Blindados General Walter Pires, em Santa Maria (RS), durante o mês de julho, a fim de compartilhar experiências operativas com blindados.

Os fuzileiros navais conheceram as novas instalações e tecnologias empregadas nos sistemas de simuladores de carros de combate do Exército Brasileiro e observaram o processo de incorporação dos recém adquiridos carros de combate Leopard 1 A5. Foram apresentados, ainda, novos equipamentos de engenharia, e discutido o case sobre o apoio logístico prestado pelos fuzileiros à Secretaria de Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, no Complexo do Alemão.

RIO – Os carros blindados do tipo M113 do Corpo de Fuzileiros navais para transporte de pessoal se posicionam na Avenida Brás de Pina. A operação tem apoio de fuzileiros navais porque são as pessoas que vão conduzir os carros, onde seguirão homens do Bope. Este tipo de carro nunca foi usado na cidade do Rio.

FONTE: O Globo / FOTO: Agência Estado

O Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM) está situado na ilha homônima, localizada no extremo oeste da restinga da Marambaia, estado do Rio de Janeiro. A restinga da Marambaia representa o limite sul da Baía de Sepetiba, importante pólo econômico do estado.

No entorno da Baía de Sepetiba estão localizados, dentre outros, o porto de Sepetiba, a Base Aérea de Santa Cruz (BASC) e as instalações da NUCLEP. Futuramente, ao lado do porto de Sepetiba, também será instalada uma nova base naval e um estaleiro responsável pela construção de submarinos convencionais e de propulsão nuclear.

A restinga da Marambaia representa uma faixa arenosa que se estende por 45 quilômetros e que está orientada, grosso modo, no sentido leste-oeste. Toda a sua área é de propriedade da União e está subdividida em três partes.

No lado leste, próximo ao continente, está a área pertencente ao Comando do Exército (área destacada em verde na imagem abaixo) e na ponta oposta (lado oeste), está a área de propriedade do Comando da Marinha (área destacada em laranja). No centro da restinga, limitada pelas áreas do Comando da Marinha e do Comando do Exército, está a área pertencente ao Comando da Aeronáutica (área destacada em azul).

O relevo é bastante plano e sua monotonia é quebrada somente no extremo oeste da restinga, área pertencente à Marinha. O ponto mais elevado é o pico da Marambaia (480 metros acima do nível do mar). Além de ser uma área militar, também é um paraíso ecológico com rica fauna e flora, estando a cobertura vegetal muito bem preservada. A Restinga da Marambaia é considerada Área de Proteção Ambiental (APA), de vital importância para o meio ambiente.

O CADIM

O CADIM é uma OM (Organização Militar) subordinada ao Comando do Pessoal de Fuzileiros Navais (CPesFN), sendo comandada atualmente pelo Capitão-de-Mar-e-Guerra (FN) Marcos José Ferreira Viana. Sob seu comando estão 324 militares e duas dezenas de civis. Uma pequena parte destes homens e mulheres reside no local. A outra parte desloca-se do continente para a ilha durante o dia, utilizando uma embarcação que parte de Itacuruçá.

A missão principal do CADIM é contribuir para o aprestamento de Forças Navais e dos Fuzileiros Navais. Cabe destacar que o CADIM é o único local em todo o estado do Rio de Janeiro onde navios, aeronaves e veículos militares podem fazer uso de armamento real para adestramento. Em função da proximidade com várias outras OM, o deslocamento das unidades a serem adestradas é feito de forma rápida, economizando tempo e recursos.

As principais instalações do CADIM localizam-se em uma área voltada para o interior da Baía de Sepetiba, antigamente conhecida como Saquinho. Dentre as diversas edificações existentes, destacam-se o prédio do comando (antiga escola de pesca), a igreja de Nossa Senhora das Dores e o Hotel de Trânsito. Existe também diversas casas para os militares e suas famílias que moram no local, assim como instalações de apoio, heliponto e uma escola municipal que funciona em convênio com a Marinha.

Além de realizar atividades de adestramento, o CADIM recebe eventualmente o Presidente da República para períodos de descanso. Ali, o chefe da nação hospeda-se com privacidade e segurança.

Histórico

No período do Brasil colonial, a região da Marambaia (na língua indígena “cerco do mar”) era visitada por corsários que se abasteciam de víveres e mantinham suas naus abrigadas do mau tempo. Já na segunda metade do século XIX, no período imperial, o comendador Joaquim José de Souza Breves tomou posse das terras da restinga e instalou ali um centro de entreposto de escravos provenientes da África. O prédio que abriga atualmente o Hotel de Trânsito da Marinha (ver foto abaixo) foi, no passado, a antiga senzala da fazenda.

O Comendador Breves faleceu 1889, um ano após a declaração da Lei Áurea. Dois anos depois, familiares do Comendador Breves venderam à Companhia Promotora de Indústrias e Melhoramentos os terrenos da Marambaia. Quando a companhia foi liquidada em 1896 a propriedade da Ilha foi transferida para o Banco da República do Brasil.

A União adquiriu a Ilha da Marambai, com todas as suas benfeitorias, em 31 de dezembro de 1904. Cerca de dois anos depois a ilha foi posta à disposição da Marinha do Brasil. Em 1908, passou a funcionar na Marambaia a Escola de Aprendizes-Marinheiros.

No final da década de 1930, foi instalada ali a escola de pesca Darcy Vargas. A escola era mantida com os recursos da Fundação Cristo Redentor, que pertencia ao senhor Levy Miranda (nome da atual escola municipal da ilha). No início da década de 1970, a Fundação Cristo Redentor estava sem recursos para manter a escola e o terreno foi reintegrado ao patrimônio da União, sendo retransferido para a Marinha.

Em 1971, a Marinha ativou o “Campo da Ilha da Marambaia” e as instalações passaram a ser gerenciadas pelo CFN. A extinta escola de pesca passou a abrigar o Centro de Recrutas do Corpo de Fuzileiros Navais (CRCFN) até o ano de 1981, quando foi criado o Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM).

Apoio à população civil local

É parte integrante do trabalho da Marinha dar suporte à comunidade que vive na Ilha da Marambaia. Este apoio é conhecido como Ações Cívico Sociais (ACISO).

Como a única forma de se chegar e sair da ilha é por via marítima, a Marinha disponibiliza para a comunidade local transporte entre o CADIM e a localidade de Itacuruçá. Existe uma embarcação que faz o percurso duas vezes ao dia. Dependendo das condições de mar e do tipo de embarcação empregad,a a viagem leva entre uma hora e uma hora e meia.

Em relação às atividades educacionais, a Marinha mantém um convênio com a Prefeitura de Mangaratiba com o propósito de apoiar o ensino fundamental, ministrado na Escola de Ensino Fundamental Levy Miranda. Ali estudam dependentes de militares e crianças da comunidade local. Dentre outras tarefas, cabe à Marinha o transporte dos professores desde o continente até a ilha.

Também é prestada assistência Médico-Ambulatorial à população civil da Ilha. Quando quadros clínicos graves são diagnosticados, a Marinha pode empregar embarcações e lanchas rápidas para retirada dos pacientes. O CADIM também presta apoio às campanhas de vacinação aos programas de controle de epidemias e pragas.

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NOTA DO BLOG: aguardem! Ainda não esgotamos nosso material coletado no CADIM. Outras matérias relacionadas à Passex Ocean 2010 virão.

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“A arma mais eficiente ainda é o Fuzileiro, que aprende, pensa e luta contra qualquer adversário”. Gen Michael W. Hagee Cmt USMC

Reportagem de Alexandre Galante, Guilherme Poggio e Luiz Padilha

O porta-helicópteros de assalto anfíbio HMS Ocean, da Royal Navy, chegou ao Rio de Janeiro no dia 9 de setembro de 2010, para participar de um exercício anfíbio com a Marinha do Brasil.

O Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) participou dos exercícios com o 3º Batalhão de Infantaria, representado por duas companhias, que se juntou ao 539 Assault Squadron dos Royal Marines para realizar um treinamento anfíbio de quatro dias, período este em que houve a troca de experiências  em operações recentes.

A Aviação Naval foi representada por uma aeronave UH-14 Super Puma (matrícula N-7070), do 2° Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral (HU-2), que permaneceu embarcada no HMS Ocean e fez o apoio aéreo durante o desembarque simulado.

A finalidade da “Passex Ocean 2010″

O objetivo principal do exercício “Passex Ocean 2010″ foi estimular a amizade e o relacionamento profissional entre os Fuzileiros Navais do Reino Unido e do Brasil, por meio da troca de informações e boas práticas entre as pequenas frações, em relação às experiências recentes de ambos os Corpos em combate real.

Os Royal Marines possuem uma longa tradição de excelente desempenho em combate. Seu recente emprego nos campos de batalha no Afeganistão e Iraque representa relevante repertório de práticas interessantes para a troca com países amigos.

Por outro lado, a experiência dos fuzileiros navais brasileiros, desde 2004 no Haiti, tem demonstrado uma especial capacidade de adaptação a diferentes tipos de ameaças e ambientes, ampliando a potencialidade do CFN no moderno conceito de “combate em três quarteirões”.

A finalidade de qualquer treinamento é o desenvolvimento de forças militares capazes de vencer o inimigo em combate. O adestramento representa a chave para a efetividade das tropas em operações reais, significando a principal preocupação das forças armadas em tempo de paz.

As habilidades básicas de um soldado são fundamentais para atingir a efetividade em combate e merecem a máxima atenção. Por outro lado, as habilidades coletivas são igualmente importantes, pois a excelência individual não necessariamente significará um satisfatório desempenho em equipe.

Conforme descrito por Yigal Allon, comandante israelense nas guerras de independência de Israel, entre 1948-1949:

O mais brilhante plano, desenvolvido pelo mais capaz general, depende dos líderes de pequenas frações para a sua execução no nível tático. Fracos comandantes de Grupos de Combate (GC) podem arruinar os melhores planos; no entanto, os melhores comandantes de GC frequentemente salvam planos ruins. Isso ocorre por um simples motivo: o comandante de GC representa o único nível de liderança que mantém constante e direto contato com os homens que efetivamente combatem o inimigo. De fato, todos os níveis de comando devem ser treinados para pensar e agir de forma independente, sempre que a situação assim ditar, e os líderes de pequenas frações não são exceção à regra. (Yigal Allon, A criação do Exército de Israel, p.127).

O treinamento coletivo consiste basicamente em procedimentos operativos padronizados (POP) e exercícios.

Os POP são especialmente úteis ao treinamento para pequenas frações, por permitir a busca de proficiência por meio do condicionamento e repetição progressiva de tarefas. Os POP constituem um método efetivo de assegurar a rapidez de reação e coordenação de ações padronizadas.

São exemplos de POP as técnicas de entrada em posição das armas de apoio, procedimentos pré-voo e as diversas técnicas de ação imediata (TAI).

Em relação aos exercícios, estes se destinam ao treinamento coletivo e individual no campo da tática, sob ambiente de combate simulado.

Os exercícios devem se aproximar ao máximo das condições reais do campo de batalha, introduzindo a fricção nos adestramentos sob a forma da incerteza, estresse, desordem e dupla-ação.

A busca da excelência em procedimentos básicos e a capacidade de julgamento dos líderes de pequenas frações permanecem como essenciais ao sucesso das forças em combate. Mas isso não constitui um desafio simples: os líderes de pequenas frações necessitarão de agilidade em seu processo decisório, precisarão de sabedoria para considerar as peculiaridades culturais e os eventuais impactos de cada decisão implementada, deverão liderar suas frações em diferentes ambientes operacionais e agir com iniciativa e sob estrita integridade moral.

Em resumo, ser rápido e efetivo na pronta resposta às diferentes situações vividas no campo de batalha será decisivo para que a pequena fração “gire” seu Ciclo de Boyd de forma mais eficiente que seus inimigos.

A opinião dos participantes

“Tomara que isto se repita”, disse o comandante do 3º BtlInfFuzNav (Batalhão Paissandu), Luiz Octavio Gavião, cuja Divisão Anfíbia participou dos exercícios de assalto, forças de paz e de combate. “Este tipo de exercício conjunto é mais comum acontecer com os americanos, mas para os meus fuzileiros, quanto mais experiência internacional, melhor”, complementa.

Gavião admitiu haver barreiras culturais e da língua, facilitadas pela presença de tradutores entre os fuzileiros, mas mesmo assim se mostrou muito satisfeito. “Isto é fantástico”, resumiu um dos fuzileiros brasileiros do Batalhão Paissandu, enquanto, ajudado por um dicionário Português-Inglês de bolso, se preparava para ser instrutor de um dos exercícios.

O Lieutenant Colonel Neil Wraith, dos Royal Marines e oficial de operações anfíbias do HMS Ocean, liderou o planejamento e execução dos assaltos à praia e o treinamento conduzido pelas tropas dos dois países. Ele disse: “É uma responsabilidade interessante fazer o que eu faço. Primeiro, na função de oficial de operações, lido com o posicionamento marítimo do HMS Ocean; depois, sou a ligação entre o navio e as embarcações de desembarque que inserem as forças na terra, vindas do mar. Nós somos uma parte de incrível flexibilidade no que o navio faz e somos treinados para trabalhar em muitas condições e ambientes”.

Wraith serviu no Iraque duas vezes, a primeira vez com o 4º Commando em Al Faw, durante a invasão de 2003 e em 2008, e como comandante de companhia no 4º Commando em Helmand, Afeganistão. Ele acrescentou:

“Aquela experiência mostrou como é grande o leque das habilidades que precisamos e porque estes exercícios com o Brasil são de grande utilidade. É questão de sermos completamente adaptáveis, sendo capazes de nos mover para qualquer lugar rapidamente e com precisão. As primeiras forças de Royal Marines que invadiram o Afeganistão em 2001 foram lançadas do HMS Ocean e aquela operação era uma tarefa completamente diferente”.

As etapas do exercício

Em função do tempo disponível ao exercício no Brasil, a Passex Ocean 2010 consistiu de um exercício de quatro dias de duração: o primeiro envolveu adestramentos e procedimentos de segurança a bordo do HMS Ocean, com os meios de desembarque dos Royal Marines; o segundo envolveu um movimento navio-terra (MNT) do HMS Ocean para a praia situada em frente ao Centro de Adestramento da Ilha da Marambaia (CADIM); os dois dias finais ocorreram em terra, nas instalações do CADIM, consistindo na prática de técnicas de ação imediata para Grupos de Combate (GC), em eventos simulados em ambiente urbano e anfíbio, sob condução do 3º BtlInfFuzNav (Batalhão Paissandu), do Comando da Divisão Anfíbia.

A fase terrestre do exercício “Passex Ocean 2010″ consistiu de seis eventos diários no CADIM, tipo “oficina”, simultâneos e limitados por tempo (1h30 por evento). Os eventos iniciaram com um rápido briefing orientado por um tradutor, seguindo-se das práticas do GC do CFN, seguido de fração correspondente dos Royal Marines (Section – 8 militares).

Antes de iniciarem a rotação para o próximo evento, o instrutor encarregado da oficina conduziu o debriefing das atividades, com a finalidade de disseminar conhecimentos e lições aprendidas dos destacamentos em situações semelhantes vivenciadas em operações reais.

A participação de todos os envolvidos no debriefing foi estimulada ao máximo, pois novas ideias de procedimentos e técnicas surgem para a ampliação do desempenho das pequenas frações em combate.

Operações Especiais entre as equipes, por meio de troca de experiências em tarefas de reconhecimento, ocorreram de maneira simultânea às demais e seguiram programação específica.

O início do exercício

Na parte da manhã do dia 10 de setembro os Royal Marines deram início ao transporte de seus homens e equipamentos para o CADIM. Foram empregadas três embarcações de desembarque tipo LCVP Mk 5 que fizeram diversas viagens entre o HMS Ocean e o cais do CADIM. Além dos equipamentos individuais, os LCVP também trouxeram os botes infláveis de borracha Mk 2 tipo “zodiac”.

Após o desembarque dos Royal Marines e seus equipamentos, os mesmos deram início ao processo de sondagem e reconhecimento da praia do CADIM, empregando tanto os LCVP como os botes de borracha. Este processo fez-se necessário, pois na parte da tarde seria feita uma demonstração de assalto anfíbio por parte dos britânicos. Foi durante o reconhecimento que os Royal Marines constataram a dificuldade de realizar operações de abicagem com os LCVP na praia do CADIM, devido ao baixo gradiente. Em uma das aproximações um LCVP encalhou a poucos metros da arrebentação.

Após o reconhecimento da praia, boa parte do período da manhã foi dedicado às demonstrações de aproximação da praia com o emprego de botes infláveis por parte dos britânicos.

O PRTB

A Marinha também montou um PRTB (Posto de Recebimento e Tratamento de Baixas) na praia do CADIM, composto por duas barracas para o caso de ocorrerem acidentes durante os exercícios (ver fotos acima). Por ser uma unidade muito mais simples que um hospital de campanha, o PRTB é altamente flexível e de rápida instalação. Cada barraca pode ser montada em menos de uma hora.

O PRTB estava equipado com os recursos necessários para tratar ferimentos leves e executar pronto-atendimento em casos mais complexos, sendo capaz de estabilizar um eventual paciente para que o mesmo fosse removido. A ecavuação poderia ser feita por meio das embarcações do CADIM, dos Royal Marines ou pelos helicópteros envolvidos no exercício. Dentre as opções para a transferência de baixas, existiam o próprio HMS Ocean, que conta com excelentes instalações médico-hospitalares, e unidades no Rio de Janeiro.

Instalações como essa montada no CADIM são semelhantes aos PRTB que a Marinha enviou para o Chile, em apoio às vítimas do terremoto ocorridas no início deste ano. Cada PRTB possui a capacidade de realizar cerca de 500 atendimentos por dia. Como a situação enfrentada no Chile era bastante grave, os PRTB executavam até 600 atendimentos por dia.

A demonstração de desembarque

Enquanto uma equipe menor (formada por 13 fuzileiros britânicos e nove brasileiros) fazia em terra o reconhecimento da ilha e realizava missões de inteligência para auxiliar a tomada da praia, fuzileiros brasileiros e britânicos ensaiavam o desembarque a bordo do HMS Ocean.

Quando a ordem de desembarque foi dada, duas embarcações rápidas artilhadas fizeram uma incursão em direção à praia, virando para direções opostas no último minuto, com as armas atirando constantemente para manter o inimigo na defensiva.

Helicópteros Lynx britânicos (armados com metralhadora e também com míssil antinavio Sea Skua) e o Super Puma brasileiro chegaram logo depois, abrindo caminho para a chegada das LCVP e dos Hovercraft. Depois do desembarque, helicópteros Lynx fizeram “fast rope” e trouxeram mais equipamentos para as tropas.

Fuzileiros brasileiros e ingleses foram capazes de trabalhar uns com os outros, mesmo falando línguas diferentes. Em menos de 24 horas juntos, efetuaram um assalto bem sucedido a partir do mar.

A0 final das demonstrações do dia 10/9, os Fuzileiros Navais foram reunidos na ponta leste da praia do CADIM e embarcaram na EDCG (Embarcação de Desembarque de Carga Geral) GED L 12 Guarapari . A L 12 levou os militares para um outro ponto da ilha, conhecido com “Bravo 10″, onde pernoitaram.

Na manhã do dia seguinte o acampamento foi desmontado e o Super Puma do HU-2 transportou os militares dos dois países desde a “Bravo 10″ até o heliponto do CADIM, em sucessivas viagens. O fuzileiros, juntamente com os Royal Marines, foram separados em grupos mistos (brasileiros e britânicos) e encaminhados para as diferentes oficinas montadas.

No sábado (11/9), seis eventos simultâneos aconteceram em vários pontos da ilha. Com uma duração média de uma hora e meia, estes se repetiram o dia todo com o revezamento de fuzileiros do Brasil e do Reino Unido. Foram utilizadas técnicas de reação imediata, passagens de veículos não-autorizados (barreiras) em área urbana e respostas a problemas da população local, identificação de campos minados e emboscadas com atiradores de elite e exercícios no simulador de tiro.

AGRADECIMENTO: a equipe do Poder Naval e do Forças Terrestres agradece ao Capitão-de-Mar-e-Guerra FN Ferreira Viana – Comandante do CADIM, à Tenente Viviane Queiroga Soares da Assessoria de Comunicação Social da Marinha e ao Capitão-Tenente FN Rômulo, pelo apoio prestado para a realização desta matéria.

LEIA TAMBÉM NO PODER NAVAL:

A General Dynamics European Land Systems (GDELS) entregará os primeiros três veículos blindados DELS-Mowag Piranha IIIC 8×8 ao Corpo de Fuzileiros Navais (CFN) em setembro. As entregas finais dos veículos totalmente anfíbios de 18,5 toneladas está programada para dezembro de 2014.

FONTE: Jane’s