A presidente Dilma Rousseff relutou em aceitar a demissão de José Genoino, condenado no julgamento do mensalão, segundo o Palácio do Planalto. Ex-presidente do PT, Genoino ocupava cargo de assessoria no Ministério da Defesa. Na terça, foi condenado por corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal e pediu exoneração.

Segundo a Secretaria de Comunicação da Presidência, Dilma havia decidido, ao ser informada do pedido, que “o governo não demitiria o assessor, pois não havia, àquela altura, nenhuma razão para fazê-lo”. Ela teria comentado que “lamentava o fato de uma pessoa da estatura de Genoino estar naquela situação”.

Segundo a versão do Planalto, a presidente teria aceitado o pedido na quarta, após insistência de Genoino. A demissão do petista foi publicada no “Diário Oficial” de quinta.

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Dilma contrariou Celso Amorim e tentou impedir saída de Genoino do governo

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Presidenta telefonou ao ex-presidente do PT para dizer que não via razão em sua demissão – exoneração só foi aceita após o ex-assessor da Defesa anunciar decisão

A presidenta Dilma Rousseff contrariou o ministro da Defesa, Celso Amorim, e se recusou a demitir o ex-presidente do PT José Genoino do cargo de assessor especial do ministério logo depois de ele ser condenado por corrupção ativa pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O iG apurou que, além de contrariar Amorim, Dilma telefonou pessoalmente para dizer a Genoino que não aceitaria sua demissão. A exoneração só foi aceita depois que o próprio Genoino anunciou publicamente que deixaria o cargo.

Hoje, a Secretaria de Comunicação Social divulgou a seguinte nota: “Na noite do dia 9 de outubro, terça-feira, a presidenta foi informada pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, sobre pedido do assessor José Genoino, que queria ser demitido pelo governo. A presidenta respondeu ao ministro que o governo não demitiria o assessor, pois não havia , àquela altura, nenhuma razão para fazê-lo, e comentou que lamentava o fato de uma pessoa da estatura de Genoino estar naquela situação”.

Segundo pessoas próximas a Genoino, a história foi diferente. Amorim teria ido até Dilma na terça-feira, logo depois da confirmação numérica de que Genoino seria condenado, para consultar a presidenta sobre o destino do petista. Até então Genoino não tinha intenção de entregar o cargo.

FONTES: Folha de São Paulo e IG

FOTO: Agência Brasil (José Genoino, já assessor do Ministério da Defesa, cumprimenta José Dirceu no lançamento do livro “Tempos de Planície” deste último, em setembro de 2011 – foto de F.B. Pozzebom)

VEJA TAMBÉM:

Visivelmente irritada, a presidente Dilma Rousseff se reuniu na manhã quinta-feira (4) com os ministros Ideli Salvatti (Relações Institucionais), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Helena Chagas (Comunicação Social) para discutir novas declarações dadas pelo titular da Defesa, Nelson Jobim, que pode perder o cargo nas próximas horas. A nova polêmica que o envolve são críticas ao núcleo do governo em declarações à revista “Piauí”.

Ataque de Jobim ‘é desnecessário’, diz Ideli. A ministra Ideli Salvatti (Relações Institucionais) afirmou hoje ao programa “Poder e Política – Entrevista” que o ministro Nelson Jobim (Defesa) tem dado declarações “desnecessárias” e deveria se “conter um pouquinho”.

À publicação, Jobim chamou de “atrapalhada” a política do governo para divulgação de dados sigilosos e chamou a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, de “fraquinha”. Ele disse ainda que a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, “nem sequer conhece Brasília”. O ministro da Defesa se reuniu com Dilma na quarta-feira (3) e não entregou o cargo depois de outras declarações polêmicas.

A um assessor próximo da presidente – e que se diz “cauteloso” sobre as chances de demissão do ministro ainda hoje – Dilma afirmou que se pudesse “arrumaria um cargo para o Jobim na Amazônia e deixaria ele por lá”. O ministro da Defesa viajou ao Estado para assinar um plano de Defesa Nacional. Ele está acompanhado do vice-presidente, Michel Temer, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. Jobim deve retornar à noite.

Na semana passada, o peemedebista afirmou ao programa “Poder e Política – Entrevista”, uma parceria da Folha de S.Paulo, Folha.com e UOL, que votou em seu amigo José Serra nas eleições presidenciais de 2010 e que o tucano teria tomado as mesmas medidas de Dilma para afastar suspeitos de corrupção do Ministério dos Transportes.

Palacianos apelidaram Jobim de “ministro da Surpresa”. Depois de ser chamado por Dilma para explicar declarações que deu no aniversário de FHC, o peemedebista disse ao UOL e à Folha de S.Paulo que votou em Serra. Na quarta-feira, novamente chamado a se explicar, não avisou sobre a entrevista que deu à revista Piauí.

Série de polêmicas

Jobim já tinha se explicado a Dilma há pouco mais de um mês, quando foi ao aniversário de 80 anos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e ele sugeriu que a atual ocupante do Palácio do Planalto tem um estilo autoritário. Em outras declarações, o ministro elogiou a presidente e disse que sua relação com ela é “ótima”.

Antes da reunião, também em entrevista ao “Poder e Política – Entrevista”, Ideli afirmou que Jobim tem dado declarações “desnecessárias” e deveria se “conter um pouquinho”. O peemedebista foi mantido no cargo no início do atual governo por conta da insistência do antecessor de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva.

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Jobim diz que suas declarações foram tiradas do contexto

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Sob risco de deixar o governo, o ministro Nelson Jobim (Defesa) negou na tarde desta quinta-feira que tenha se referido de forma pejorativa ao trabalho das ministras Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e Gleisi Hoffmann (Casa Civil).

“Isso faz parte do jogo da intriga, da tentativa de desestabilizações. Ou seja, daquilo que passa pela cabeça de quem não percebe as necessidades do país”, afirmou Jobim após cerimônia de assinatura de acordo entre Brasil e Colômbia para aumento da fiscalização na fronteira entre os dois países.

De acordo com o ministro, suas declarações se referiam exclusivamente à discussão sobre a Lei de Acesso à Informações, em discussão no Senado, e foram tiradas do contexto.

Segundo reportagem da revista “Piauí”, cujos trechos foram antecipados pela

colunista Mônica Bergamo na edição de hoje da Folha, Jobim afirmou que a Ideli “é muito fraquinha” e que Gleisi “sequer conhece Brasília”. A edição da revista começa a circular amanhã.

“Absolutamente [fez as críticas]. Os comentários a que nos referíamos eram em relação ao projeto de lei sobre informações sigilosas. Em momento nenhum fiz referências dessa natureza. Aliás, reconheço em Ideli a capacidade e uma tenacidade importantíssimas na condução dos assuntos do governo”, afirmou Jobim, também negando ter dito que o governo faz trapalhada.

O vice-presidente Michel Temer, também presente à solenidade, defendeu o ministro, que integra o seu partido, o PMDB.

“O ministro Jobim declarou que o contexto era a lei de informações públicas. A ministra Ideli e a ministra Gleisi têm um apreço pelo ministro Jobim, que se apoia em incentivo e práticas de elogio”, disse o vice-presidente, completando: “Não haverá problema de nenhuma natureza. Reitero que o ministro Jobim não fez referência à pessoa ou à atuação da ministra A ou B, só em relação à aprovação do projeto de lei”.

O ministro José Eduardo Cardozo (Justiça), outro dos que foram a Tabatinga, comentou os rumores de que poderia substituir Jobim. “Há muita especulação. Meu trabalho é muito integrado ao do ministro Jobim. Qualquer coisa que se diga nesse momento é absolutamente especulação”.

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Dilma espera que Jobim peça demissão

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Nesta manhã, o Planalto avaliou que o melhor para o governo é que Jobim formalize um pedido de exoneração. Avalia que a demissão do ministro pela presidente poderia transformá-lo em vítima.

Dilma discutiu o assunto com ministros do Planalto. E esperava conversar com Jobim ainda hoje. Segundo a Folha apurou, ministros que haviam defendido sua permanência no ministério agora apoiam sua saída.

Dilma já leu a íntegra da entrevista e agora espera Jobim retornar de viagem para conversar com ele. Apesar de estar disposta a ouvir suas explicações, a presidente disse a interlocutores que, com mais esssa polêmica, fica muito difícil mantê-lo no cargo. Avalia, ainda, que a manutenção dele na pasta significa, no limite, concordar com a avaliação publicada na revista sobre as duas ministras.

A situação do ministro já havia ficado insustentável nos últimos dias após a declaração de voto. A revelação foi feita no programa “Poder e Política – Entrevista”, conduzido pelo jornalista Fernando Rodrigues no estúdio do Grupo Folha em Brasília. O projeto é uma parceria do UOL e da Folha.

Apesar disso, Dilma preferiu não tomar nenhuma atitude em meio a uma semana politicamente conturbada.

Jobim também causou constrangimento ao Planalto recentemente, na solenidade de homenagem ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Na ocasião, disse ser preciso tolerar a convivência com “idiotas”, que “escrevem para o esquecimento”. Ele explicou ter se referido a jornalistas, mas petistas entenderam como recado ao governo.

FONTES: UOL e Folha de São Paulo

NOTA DO EDITOR: abaixo, a agenda de hoje do Ministro Jobim, segundo o site do Ministério da Defesa:

Agenda do ministro da Defesa, Nelson Jobim, quinta-feira, 4 de agosto de 2011

O ministro da Defesa encontra-se em viagem à Amazônia, onde pernoitou em São Gabriel da Cachoeira.

  • 09h00 – Decola para Tabatinga
  • 11h00 – Assinatura do Plano Binacional (8º BIS)
  • 13h30 – Deslocamento aéreo para 2º pef/8º BIS – Ypiranga
  • 14h00 – Visita ao 2º PEF/8º BIS – Ypiranga
  • 15h00 – Segue para Tabatinga
  • 16h00 – Decola para Cachimbo
  • 20h30 – Decola para Brasília

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 ATUALIZAÇÃO (17h30) – UOL

Planalto apressa volta de Jobim para Dilma demiti-lo

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A presidente Dilma Rousseff pediu ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, que retorne a Brasília o quanto antes de sua missão oficial em Tabatinga, no Amazonas. O Ministério da Defesa estima que ele chegará por volta das 19h30 desta quinta-feira (4) – originalmente a volta estava prevista para as 22h.

Mais cedo, Dilma e seus principais ministros decidiram pela demissão do peemedebista por conta das mais recentes críticas dele à gestão da petista, desta vez à revista “Piauí”. Jobim está no Amazonas acompanhado do vice-presidente, Michel Temer, e do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A presidente já busca nomes para substituí-lo.

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