QG Airsoft

Pelo menos quatro mil soldados americanos deixaram nesta quarta-feira o Iraque em direção ao Kuwait, pondo praticamente fim à missão de combate dos Estados Unidos (Iraq Freedom) menos de duas semanas antes do fim do prazo oficial fixado pelo presidente Barack Obama, como confirmou o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley.

- Nós estamos encerrando a guerra, mas não estamos encerrando nosso trabalho no Iraque – afirmou Crowley ao canal NBC News, que diz que as tropas já cruzaram a fronteira.

Restam 56 mil soldados em território iraquiano, número que será limitado a 50 mil até o próximo dia 31 – quando expira oficialmente o prazo estabelecido pela Casa Branca. As tropas restantes terão a função de apoio e treinamento às forças locais.

Conforme o programado por Obama, as tropas devem deixar gradativamente o Iraque até o fim de 2011, quando se espera que as forças locais sejam capazes de assumir o controle da segurança.

- Nós estamos mantendo a promessa que fizemos. Nossa missão de combate estará acabada no Iraque – afirmou Obama em discurso mais cedo em Ohio. A retirada acontece mais de sete anos após a invasão liderada pelos EUA que derrubou o ditador Saddam Hussein.

Segundo o presidente, até o fim do mês 100 mil tropas terão deixado o Iraque desde o fim de seu mandato.

Até esta quarta-feira, o Departamento de Defesa disse que 4.419 militares americanos morreram desde a invasão do Iraque.

FONTE: O Globo

Tagged with:
 

Washington se comprometeu nesta quarta-feira a manter a cooperação com Bogotá, apesar da decisão de uma corte da Colômbia de suspender o acordo que dava aos Estados Unidos o direito sobre o uso de sete bases militares, como noticia o jornal colombiano “El Tiempo”.

“Nossa cooperação com a Colômbia continuará de acordo com os convênios pré-existentes”, afirmou Charles Luoma-Overstreet, porta-voz do Departamento de Estado americano para a América Latina.

Segundo ele, Washington espera ouvir do governo Juan Manuel Santos “seus planos para avançar”. Já o ministro da Defesa colombiano, Rodrigo Rivera, disse que os “convênios são suficientes para manter uma boa relação com o governo Barack Obama”.

Na coletiva de imprensa que concede diariamente, o porta-voz do Departamento de Estado, Philip Crowley, reforçou a posição mostrada pelo colega e declarou que a relação militar com a Colômbia “é muito importante”.

Colômbia e EUA assinaram em outubro de 2009 um polêmico acordo que permitia, por dez anos, o acesso a sete bases colombianas por parte de militares americanos. O objetivo seria desenvolver operações contra o tráfico de drogas e o terrorismo.

Para a Corte Constitucional, porém, o convênio não é uma extensão do tratado assinado entre os dois países nos anos 1950, mas sim um novo. Assim, precisa de aprovação do Congresso e, até lá, estará suspenso.

FONTE: O Globo

Tagged with:
 

SAN JUAN, Argentina (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta terça-feira, durante a reunião de cúpula do Mercosul, um diálogo com o Irã, e, mais uma vez, manifestou ser contrário à imposição de sanções à República Islâmica por seu programa nuclear.

As relações com o Irã são um tema sensível na Argentina, onde o governo exige a extradição de autoridades iranianas, entre elas o ministro de Defesa, por eventuais vínculos com o atentado, em 1994, que destruiu a sede de uma entidade judaica em Buenos Aires e no qual morreram 85 pessoas.

Nos últimos meses, Lula tem criticado insistentemente as potências do Conselho de Segurança da ONU por terem imposto novas sanções ao Irã, depois de o Ocidente ter rejeitado um acordo que permitia a troca de combustível nuclear com a República Islâmica conduzido pelo presidente brasileiro em conjunto com a Turquia.

“Eu, Cristina, não conhecia o presidente do Irã, até que, uma dia, o encontrei na ONU e decidi conversar com ele”, disse Lula, dirigindo-se à presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, que preside a reunião de cúpula do Mercosul na cidade andina de San Juan.

“O que me deixa profundamente chateado é que nenhum dos presidentes, dos poderosos do Conselho de Segurança, conversou com ele”, acrescentou Lula.

Do Mercosul fazem parte Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além de contar com a Bolívia e Chile como sócios não plenos, além da Venezuela, que se encontra em processo de adesão ao bloco sul-americano.

O Ocidente acredita que o programa nuclear iraniano está voltado para desenvolver bombas nucleares, mas Teerã insiste que seu objetivo é gerar energia elétrica.

Lula disse ainda que as sanções são contraproducentes, já que podem afetar empresas de países como o Brasil e a Argentina, mas não as companhias de nações ricas.

Funcionários dos Estados Unidos tem afirmado que a tentativa de acordo ensaiada pelo Brasil e pela Turquia é uma tática do Irã para ganhar tempo.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, tem advertido para que países latino-americanos não se aproximem do Irã, afirmando que essa atitude seria uma “má ideia”, com consequencias. (Por Karina Grazina, com reportagem adicional de Juliana Castilla)

FONTE: Reuters / Brasil Online

Tagged with:
 

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira que a guerra do Iraque se aproxima do final “como prometido e no prazo”, comemorando o que ele chamou de um sucesso de seu governo, que ocorreria em meio ao persistente instabilidade e incerteza no Iraque. Obama citou o progresso para cumprir o prazo final de retirar todas as tropas de combate do Iraque até o final de agosto. Numa lembrança da situação muito instável no Iraque, ataques a bombas e disparos de armas de fogo mataram 12 pessoas nesta segunda-feira.

“A dura verdade é que nós não vimos o final do sacrifício norte-americano no Iraque”, disse Obama aos veteranos, em discurso na convenção nacional dos Veteranos Americanos, que reúne soldados que foram mutilados na guerra. “Não se enganem: nosso comprometimento com o Iraque está mudando, passando de um esforço militar liderado por nossas tropas para um esforço civil conduzido por nossos diplomatas”, afirmou o mandatário.

O anúncio de Obama vem à tona em um momento no qual a situação no Iraque parece voltar a se deteriorar. O governo norte-americano vem prometendo há dois anos um fim responsável para a guerra no Iraque, atualmente em seu sétimo ano. No entanto, julho foi o mês com mais mortes relacionadas ao conflito em mais de dois anos, segundo números oficiais divulgados pelo governo iraquiano no fim de semana. Ao mesmo tempo, o país árabe encontra-se sem um governo efetivo desde as eleições gerais de março, que terminaram sem um vencedor claro. As diferentes facções políticas do país ainda não conseguiram um acordo para a formação de uma coalizão.

Os EUA manterão uma força de 50 mil soldados no Iraque, a qual deverá ter como missão o treinamento das tropas iraquianas. Sob um acordo negociado em 2008 com o governo iraquiano, todas as tropas dos EUA deverão deixar o país do Oriente Médio até o final de 2011. Há cerca de 65 mil militares norte-americanos atualmente no Iraque. Quando Obama assumiu a presidência, em janeiro de 2009, os EUA tinham 140 mil soldados no Iraque. Em 2007, durante a presidência de George W. Bush, os EUA chegaram a ter 167 mil soldados no Iraque.

FONTE: Estadão

BATE-PAPO ONLINE: Converse com outros leitores sobre esse e outros assuntos no ‘Xat’ do ForTe, clicando aqui.

Tagged with:
 

Os Estados Unidos e a Rússia concluíram nesta sexta-feira no aeroporto de Viena, na Áustria, a maior troca de espiões já realizada após a Guerra Fria. Um avião fretado pelo governo dos Estados Unidos pousou pela manhã no aeroporto trazendo a bordo as dez pessoas que admitiram ser espiões “de um governo estrangeiro”.

Um outro avião trouxe quatro espiões condenados na Rússia e que receberam um perdão do presidente, Dimitri Medvedev. Os aviões, um Boeing 767-200 da empresa Vision Airlines e um modelo russo Yakolev Yak-42, estacionaram lado a lado no aeroporto.

Imagens de televisão mostraram escadas de avião cobertas sendo levadas aos aviões – mas não foi possível ver os espiões sendo transferidos. As aeronaves decolaram em seguida. Não se sabe o destino que os aviões tomaram.

Entretanto, um representante do governo russo disse à agência France-Press que os agentes deportados dos Estados Unidos eram aguardados em Moscou nesta sexta-feira.

O ministério do Exterior russo confirmou a troca, dizendo que ela representava “o retorno à Rússia de 10 cidadãos russos acusados nos Estados Unidos, juntamente com a transferência simultânea para os Estados Unidos de quatro indivíduos previamente condenados na Rússia”.

Identidades

Os dez agentes russos acusados nos Estados Unidos confessaram ter agido como “agentes ilegais de um governo estrangeiro dentro dos Estados Unidos” em uma corte de Nova York.

O Kremlin informou as identidades dos quatro agentes condenados na Rússia :

Igor Sutyagin, cientista nuclear preso em 2004 por espionar para a CIA Sergei Skripal, um oficial da Inteligência militar russa condenado em 2006 por espionar para o Reino Unido Alexander Zaporozhsky, ex-empregado dos serviços de Inteligência no exterior preso por espionagem em 2003 Gennadiy Vasilenko, ex-agente da KGB EUA

Após as confissões no tribunal em Nova York, o juiz responsável pelo caso descartou as outras acusações que pesavam contra os dez suspeitos – entre elas a de lavagem de dinheiro – e ordenou a sua deportação imediata do país, o que seria fruto de um acordo em troca das confissões.

Durante a audiência, na quinta-feira, sete dos suspeitos revelaram seus verdadeiros nomes e admitiram serem agentes da Rússia.

“Richard Murphy” e “Cynthia Murphy” admitiram que eram cidadãos russos chamados Vladimir Guryev e Lydia Guryev “Donald Howard Heathfield” e “Tracey Lee Ann Foley” eram cidadãos russos chamados Andrey Bezrukov e Elena Vavilova “Juan Lazaro” admitiu ser o cidadão russo Mikhail Vasenkov “Michael Zottoli” e “Patricia Mills” admitiram ser os cidadãos russos Mikhail Kutsik e Natalia Pereverzeva

Outros três, que também confessaram serem agentes, operavam nos Estados Unidos com seus nomes verdadeiros: Anna Chapman, Mikhail Semenko e Vicky Pelaez. Pelaez, nascida no Peru, era a única dos dez acusados que não tinha nacionalidade russa.

Um 11º suspeito está foragido, após ter sido liberado sob fiança no Chipre, onde havia sido preso.

Espiões

Presos em uma grande operação do FBI e outros órgãos de inteligência americanos em 27 de junho, os dez suspeitos foram acusados pela Promotoria de se passarem por cidadãos comuns para, sob as ordens dos serviços de inteligência russos, se infiltrarem em círculos políticos influentes dos EUA e coletar informações.

O Departamento de Estado americano afirmou que “a rede de agentes ilegais” foi desmantelada após “anos de investigação”, mas que “nenhum benefício significativo para a segurança nacional” dos EUA “seria trazido pelo encarceramento prolongado destes dez agentes”.

De acordo com o governo americano, a decisão de trocar os suspeitos pelos prisioneiros que estão na Rússia foi tomada com base em razões “humanitárias e de segurança nacional”.

“Os Estados Unidos tomaram vantagem da oportunidade apresentada para assegurar a libertação de quatro indivíduos que estão servindo em longas penas de prisão na Rússia, muitos dos quais estão em condições da saúde ruins”, diz um comunicado divulgado pelo Departamento de Estado.

Prisioneiros

Um dos prisioneiros libertados pela Rússia devido à troca com os EUA, o cientista nuclear Igor Sutyagin, estava em uma prisão próxima ao Círculo Polar Ártico, mas que foi recentemente transferido para Moscou.

Ele foi preso em 2004, acusado de ser um agente da CIA, o serviço de inteligência dos EUA.

Em entrevista à BBC, o irmão de Sutyagin, Dmitry, afirmou que ele teria sido avisado pelas autoridades russas de que seria trocado como parte do acordo, e que autoridades americanas estariam presentes neste momento.

FONTE: BBC, via O Globo

Tagged with:
 

Autoridades americanas disseram ter desmatelado rede de espiões da inteligência de Moscou

MOSCOU – A Rússia disse nesta terça-feira, 29, que as alegações do governo dos EUA a respeito das prisões de supostos agentes secretos russos apenas dias depois da visita do presidente Dmitri Medvedev ao país são “impróprias e sem base”, segundo um comunicado do Ministério de Relações Exteriores russo.

As autoridades americanas disseram ter detido dez pessoas suspeitas de trabalhar secretamente para a inteligência russa. Segundo o Departamento de Justiça dos EUA, elas formariam uma rede de infiltração para coletar informações sobre a estratégia americana em diversos assuntos externos. De acordo com as autoridades, as investigações para desmantelar a rede de espionagem foram realizadas pelo FBI durante mais de uma década.

“Tais ações não têm base e são impróprias. Não entendemos o que levou o Departamento de Justiça a fazer essa declaração no espírito de espionagem da Guerra Fria”, diz o comunicado da chancelaria. “Lamentamos profundamente que isso esteja ocorrendo em meio ao restabelecimento de relações anunciado pela administração americana”, conclui o texto.

As autoridades americanas dizem que os detidos usavam identidades falsas para recrutar fontes políticas e reunir informações para o governo russo. Eles são acusados de coletar informações sobre arsenais nucleares, sobre o mercado global de ouro e de tentar fazer contato com funcionários da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês), segundo o processo que corre em uma corte federal.

O Departamento de Justiça os acusa de operar na “ilegalidade” sob ordens da agência russa SVR, considerada a herdeira da temida KGB. A ilegalidade se aplica ao dato de eles estarem vivendo nos EUA sob falsa identidade sem a devida notificação que deve ser prestada às autoridades. A lei permite que agentes de outros países vivam nos EUA, mas sob cobertura diplomática ou legítima.

Ainda segundo o texto das acusações formais, os supostos espiões “se ‘americanizaram’ o suficiente para reunir informações sobre os EUA para a Rússia e podem recrutar fontes que estão, ou podem se infiltrar, na política americana”. O Departamento de Justiça disse que eles receberam treinamento de comunicação codificada, como evitar a detecção e como passar mensagens a outros agentes casualmente, em espaços públicos, sem deixar suspeitas.

Moscou tem acusado o Ocidente repetidamente de manter operações de espionagem em seu território apesar de a Guerra Fria já ter terminado. As potências ocidentais também alegam das atividades russas, principalmente nas áreas comercial e científica.

O mais recente escândalo envolvendo espionagem ocorre no momento em que a relação entre EUA e Rússia dá sinais de melhora. O presidente russo, Dmitri Medvedev, e seu colega dos EUA, Barack Obama, encontraram-se em Washington neste mês para mostrar o fortalecimento dos laços entre países que foram rivais na Guerra Fria.

FONTE: Estadão/Reuters

Tagged with:
 

vinheta-clipping-forteA secretária de Estado americana, Hillary Clinton, afirmou hoje que o Brasil é um parceiro e amigo “muito responsável e efetivo” de Washington, apesar de existir um “desacordo muito sério” entre os dois países no que diz respeito às relações com o Irã.

A chefe da diplomacia americana fez essas declarações ao ser questionada na Instituição Brookings sobre a postura atual do Brasil para o Governo dos Estados Unidos e sobre o acordo de troca nuclear feito entre Brasil, Turquia e Irã.
“Certamente temos desacordos muito sérios com a diplomacia do Brasil para o Irã”, assinalou.

O Governo de Barack Obama indicou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao chanceler brasileiro Celso Amorim que os Estados Unidos consideram que o acordo com o Irã “torna o mundo mais perigoso, não menos”, explicou Hillary.
Nesse sentido, o debate ficou em torno da pergunta de qual é a postura responsável que se deve tomar frente ao desafio nuclear do Irã.

“Eles têm uma perspectiva diferente” sobre esse assunto, têm seus próprios argumentos e “não estão agindo com impulso”, disse, ressaltando que os Estados Unidos não estão de acordo com este enfoque.

Washington considera que os iranianos estão usando o Brasil e que é momento de negociar uma quarta rodada de sanções no Conselho de Segurança da ONU. Para os EUA, somente depois Teerã conseguirá negociar seriamente a questão de seu programa nuclear, explicou Hillary.

Brasil e Turquia chegaram no último dia 17 a um acordo de troca nuclear com o Irã. Segundo os termos negociados, Teerã deverá enviar à Turquia 1,2 tonelada de urânio pouco enriquecido e receber no prazo de um ano 120 quilos de combustível nuclear para utilizar em seu reator médico.

Apesar de valorizar os esforços de Brasil e Turquia, os Estados Unidos expressaram reservas ao acordo.

Washington critica o Irã por dizer que continuará enriquecendo urânio a 20%, caso se negue a conversar seriamente sobre seu programa nuclear.

“Eu vejo o Brasil como parte da solução. Vejo o Brasil tendo recursos extraordinários e capacidades para agir contra os problemas em nosso continente e cada vez além” em outras partes do mundo, indicou Hillary.

A secretária, no entanto, ressaltou que isso não significa que os Estados Unidos “sempre irão fazer o papel de acordo com a política do Governo brasileiro”.

Segundo ela, “nossos desacordos não prejudicam de nenhuma maneira nosso compromisso de ver o Brasil como um amigo e parceiro neste continente e além”.
Os EUA querem uma relação com o Brasil que se prolongue no tempo, não importando quem seja o presidente em Washington ou em Brasília, destacou Hillary. “Percebo muito que em vários assuntos importantes o Brasil é um parceiro muito responsável e efetivo”.

Sem a presença do Brasil no Haiti “não teríamos sido capazes de estabilizar a situação depois do terremoto (de janeiro passado)”, disse a secretária. Para ela, o Brasil também contribuiu para um acordo multilateral em dezembro passado na Cúpula de Copenhague sobre mudança climática.

Além disso, os Estados Unidos têm uma relação “realmente robusta” de investimentos e comércio com o Brasil e uma “longa lista de áreas de interesse comum e de alianças nas quais trabalharemos e ampliaremos”, concluiu Hillary.

FONTE: Terra/Efe

Tagged with:
 

Brasil e Turquia decidiram fazer um contrapeso aos 30 anos de tolice americana na relação com Teerã

Barra de Cinco Pixels

GRAHAM E. FULLER, GLOBAL VIEWPOINT

vinheta-clipping-forteSe Washington acredita que agora enfrenta complicações para obter a aprovação de sanções contra o Irã no Conselho de Segurança das ONU, essa não é nem a metade do problema. Muito mais importante do que isso é a sutil mudança nas relações internacionais introduzida pelos gestos de Brasil e Turquia.

Essas duas potências de médias proporções acabam de desafiar a tutela de Washington na definição da estratégia nuclear em relação ao Irã e seguiram uma iniciativa própria para persuadir o país a aceitar um acordo. Além de inteiramente independente, a iniciativa avançou mesmo diante dos alertas consideravelmente grosseiros feitos pelos americanos, que pediam aos países o abandono das tentativas de negociação – apesar de seus termos serem muito semelhantes aos da proposta feita ao Irã pelos EUA no ano passado. Para piorar, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o premiê turco, Recep Tayyip Erdogan, ousaram obter sucesso em suas negociações com o Irã, enquanto Washington previa publicamente seu fracasso certo (e tão esperado).

Será que os iranianos estão simplesmente envolvendo-se em outra trapaça, com o objetivo de ganhar tempo (manobra na qual são especialistas)? Ou será que ocorreu algo mais profundo? Em primeiro lugar, são importantes não apenas os termos do acordo, mas também seus mensageiros e o clima político no qual ele é celebrado.

Durante décadas, Washington relacionou-se com o Irã – quase sempre de maneira indireta – com truculência e beligerância consideráveis como trilha sonora das “negociações”. Isso era considerado normal – nada mais do que a única superpotência mundial exigindo dos demais países que atendam aos seus interesses estratégicos.

Quando Lula e Erdogan foram a Teerã, o jogo foi completamente diferente. A mudança não estava no conteúdo, mas principalmente nos negociadores, no local da reunião e no clima. Desta vez, Teerã não sentiu como se estivesse fazendo concessões à pressão exercida por uma superpotência, e sim aceitando um pedido razoável feito por dois Estados considerados seus pares sem nenhum histórico de imperialismo no Irã.

Num certo sentido, o acordo estava quase destinado a dar certo. O que o Irã mais deseja é frustrar o domínio americano sobre a ordem internacional, e principalmente sua capacidade de ditar seus termos ao Oriente Médio. Se o Irã aceitasse fazer alguma concessão nas questões nucleares, não haveria melhor forma de fazê-lo do que aceitar a proposta de dois Estados bem sucedidos e respeitados. Caso Teerã recusasse a oferta, poderia devastar o próprio conceito de iniciativas independentes, alternativas e desvinculadas dos EUA na estratégia internacional. Para o Irã, uma resposta positiva a esta abordagem conjunta fazia todo o sentido.

O mesmo vale para China e Rússia. Após o sucesso obtido por Lula e Erdogan, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, proclamou imediatamente seu sucesso na consolidação do apoio de Pequim e Moscou a sanções mais rigorosas contra o Irã – uma resposta surpreendentemente insultante aos notáveis resultados das negociações promovidas por brasileiros e turcos. Afinal, estes países são extremamente importantes para os interesses regionais e globais dos EUA. Esnobá-los desta forma foi um imenso erro.

Mas será que realmente acreditamos que Hillary tenha conquistado o apoio de Rússia e China? Assim como a Teerã não faltaram incentivos para aceitar uma proposta feita por “iguais”, Rússia e China também encontram motivos de sobra para aprovar esta iniciativa de Brasil e Turquia. É verdade que os termos do acordo não são sem importância, mas, para esses países, é muito mais relevante a lenta e inexorável decadência da capacidade americana de ditar os termos da política internacional e de satisfazer seus próprios objetivos. É exatamente essa a meta principal da estratégia russa e chinesa na política externa. No fim, esses países não permitirão que a abordagem de linha dura dos EUA prevaleça sobre a iniciativa brasileira e turca no Conselho de Segurança da ONU, mesmo que sejam necessários alguns ajustes do acordo obtido por Brasil e Turquia.

Polaridade. É claro que China e Rússia representam a polaridade alternativa na luta emergente para pôr fim à hegemonia americana. Mas é mais importante o fato de agora esses países testemunharem o afastamento do centro da política internacional em relação aos EUA.

Os dois países que desafiaram os desejos americanos não são meros agitadores do terceiro mundo tentando ganhar fama à custa dos EUA. Trata-se de dois grandes países considerados amigos próximos dos EUA. Isso torna sua afronta ainda mais cruel. Esses acontecimentos são profundos sinais dos tempos. O problema do poder unilateral está no fato de ele se tornar invariavelmente sujeito a tolices ocasionais na ausência de freios e contrapesos.

Os americanos acreditam em freios e contrapesos quando se trata de sua Constituição. Quando Washington entrou em sua quarta década de paralisia e incompetência no relacionamento com o Irã, ainda incapaz de nem sequer conversar com o país, essa abordagem exacerbou o problema, fortaleceu o Irã e as forças do radicalismo no Oriente Médio, polarizou as emoções e, pior, fracassou em todos os sentidos. Será que o mundo não deveria dar as boas-vindas aos gestos de dois países importantes, responsáveis, democráticos e racionais que decidiram intervir e estabelecer um contrapeso para décadas de tolice na política externa americana? É por isso que freios e contrapesos são importantes, e é por isso que o centro está se deslocando.

Talvez os “Estados renegados” – termo na moda em Washington para designar países recalcitrantes que não se submetem à linha ditada pelos EUA – possam responder melhor a novas abordagens livres das antigas técnicas imperialistas do intervencionismo e dos ultimatos. Enquanto isso, os EUA correm o risco de tornar-se seu próprio “Estado fracassado” em termos de ser capazes de exercer uma liderança internacional competente e eficaz após a queda da União Soviética. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

FONTE: Estadão

lula-ira-afpvinheta-clipping-forteDois dias depois de os Estados Unidos anunciarem o rascunho de um projeto com sanções ao Irã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a maneira “de alguns países fazerem política”. Ele disse que essas nações precisam de “inimigos” enquanto o Brasil “faz política cultivando amigos”. As declarações foram feitas durante a cerimônia de encerramento da Marcha dos Prefeitos, em Brasília.

A crítica de Lula claramente se referia à atitude dos Estados Unidos de enviar ao Conselho de Segurança da ONU o projeto de um pacote de sanções contra Teerã, um dia depois dos esforços diplomáticos do Itamaraty para mediar a crise. Brasil, Turquia e Irã assinaram, na última segunda-feira, um acordo para troca de urânio pouco enriquecido iraniano por combustível nuclear para reatores de pesquisa.

Diante da situação embaraçosa e de descrédito perante a comunidade internacional, Lula lançou um desafio. “A verdade nua e crua é o seguinte: o Irã, que era vendido como se fosse o demônio e que não queria sentar [para negociar]. O Irã resolveu sentar na mesa de negociação. Eu quero ver se os outros vão cumprir aquilo que pediam ao Irã”, disse o presidente.

“O que eles [potências ocidentais, lideradas pelos Estados Unidos] queriam era apenas colocar o Irã na mesa e que assumisse o compromisso. Nós fomos ao Irã e conseguimos, depois de 18 horas de reunião, depois de duas viagens de [ministro das Relações Exteriores] Celso Amorim. Fizemos o que o Conselho de Segurança da ONU queria que fizéssemos”, afirmou.

Lula comparou o papel do Brasil ao dos Estados Unidos no cenário internacional e criticou os articulistas que escreveram que a ameaça nuclear no Oriente Médio não era assunto brasileiro. “Por que o Brasil tinha que se meter? Mas quem é que disse que isso é coisa dos Estados Unidos também? Demos uma contribuição ao multilateralismo, que deve ser levado em conta”, disse.

Na última quarta-feira, Brasil e Turquia enviaram uma carta à ONU pedindo para serem integrados nas discussões sobre a sanções que seriam aplicadas pelo Conselho de Segurança contra o Irã.

Sanções

O rascunho do pacote de sanções contra o Irã foi apresentado nesta terça-feira aos membros do Conselho de Segurança da ONU. O documento destaca que a república islâmica não poderá investir no exterior em algumas atividades sensíveis, como as minas de urânio. Entre as medidas, o documento impõe ainda punição a bancos e outras empresas e afirma que será aplicado um regime de inspeção internacional em embarcações suspeitas de conter cargas relacionadas ao programa nuclear ou de mísseis.

O projeto foi anunciado um dia depois de Teerã assinar um acordo, com mediação do Brasil e da Turquia, para trocar 1200 quilos de urânio pouco enriquecido por combustível nuclear para reatores de pesquisa.

Um parlamentar iraniano disse, nesta quinta-feira, que o acordo assinado em Teerã será cancelado, se o Conselho de Segurança da ONU aprovar as sanções contra a república islâmica.

FONTE: Veja (Com Agência Estado)

Tagged with:
 

vinheta-clipping-forteOs Estados Unidos mantém o alerta e as ameaças de sanções contra o Irã, mesmo depois do acordo negociado hoje (17) pelo Brasil e a Turquia. Para os norte-americanos, os iranianos devem provar por meio de “ações” e “não apenas palavras” que cumprirão as regras internacionais para fins pacíficos da energia nuclear, segundo o secretário de Imprensa da Casa Branca, Robert Gibbs. Mesmo assim, ele considerou positiva a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro da Turquia, Tayyiq Erdogan, em busca do acordo para encerrar o impasse

“Os Estados Unidos continuarão a trabalhar com nossos parceiros internacionais, por meio do Conselho de Segurança das Nações Unidas, para deixar claro ao governo iraniano que deve demonstrar, em ações – e não apenas palavras – a sua vontade de viver de acordo com as obrigações internacionais ou enfrentar consequências, incluindo sanções”, disse Gibbs, no site da Casa Branca.

Em seguida, o secretário de Imprensa afirmou: “Os Estados Unidos e a comunidade internacional continuam a ter sérias preocupações.” Segundo Gibbs, elas são motivadas pelo fato de interlocutores do governo iraniana informarem que o enriquecimento a 20% de urânio será mantido no Irã, apesar do acordo firmado hoje.

Os Estados Unidos lideram uma campanha internacional para impor sanções ao Irã. O assunto será discutido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Para os norte-americanos, os iranianos manteriam de forma secreta a produção de armas atômicas. O governo do Irã nega as acusações.

Segundo Gibbs, o governo do presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, deve adotar medidas que dêem segurança à comunidade internacional de que seu programa nuclear se destina a fins pacíficos. Para o secretário, é fundamental que ocorra cooperação também com os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (Aiea).

“O Irã deve tomar as medidas necessárias para assegurar à comunidade internacional que seu programa nuclear se destina exclusivamente a fins pacíficos, inclusive cumprindo as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e cooperando plenamente com a Aiea [Agência Internacional de Energia Atômica]”, disse o secretário de Imprensa.

Porém, Gibbs elogiou a atuação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do primeiro-ministro da Turquia, Tayyiq Erdogan, em busca do acordo para encerrar o impasse. “Reconhecemos os esforços que têm sido feitos pela Turquia e Brasil. A proposta anunciada em Teerã deve agora ser transmitida com clareza e autoridade à Aiea antes de ser encaminha à comunidade internacional”, disse ele.

Para o secretário de Imprensa da Casa Branca, os termos do acordo firmado são vagos e não respondem a algumas dúvidas presentes na comunidade internacional. Segundo Gibbs, no passado o Irã também havia feito compromissos para enriquecer externamente o urãnio e não os cumpriu.

“A declaração conjunta emitida em Teerã [com termos do acordo] é vaga sobre a disposição do Irã em se reunir com os países do P5 1 [que reúne os cinco integrantes do Conselho de Segurança das Nações Unidas: Estados Unidos, Rússia, China, França e Inglaterra, além da Alemanha] para resolver as preocupações internacionais sobre seu programa nuclear, como fez em outubro passado”, disse ele, mencionando o parágrafo nono do documento.

FONTE: Agência Brasil, via Correio Braziliense

Page 1 of 3123