Por Jorge Antonio Barros, da Cinelândia, Rio de Janeiro.

Em desobediência a ordens expressas, os policiais deixaram seus quartéis e tomaram de assalto as ruas do Rio, saqueando lojas, atacando quem passava e, de acordo com relatos feitos por testemunhas, matando diversas pessoas e em geral espalhando pânico e terror. O episódio ocorreu em 1831, quando instalou-se a mais séria crise política desde a abdicação de dom Pedro I, em abril daquele ano. Apesar de lembrar o que aconteceu durante a greve da PM na Bahia, o caso não guarda qualquer semelhança com a greve que foi decretada no primeiro minuto de hoje por policiais civis, militares e bombeiros do Estado do Rio. Exceto pelo fato de que os policiais em questão no episódio histórico pertenciam à Guarda Real de Polícia, o embrião da Polícia Militar, fundada em 1809 por d. João VI. A crise da polícia em 1831 foi talvez o primeiro movimento de motim policial, cujo pavio foi aceso pelo então ministro da Justiça, padre Diogo Antônio Feijó, que decidira punir revoltosos do 26º Batalhão de Infantaria do Exército. Os PMs da época então decidiram se rebelar.

Dessa vez o motivo da revolta é um conjunto de reivindicações salariais que, pela primeira vez na história do Rio, une policiais civis, militares e bombeiros numa greve por tempo indeterminado. Se as autoridades procurassem conhecer um pouco mais de história o cabo Benevenuto Daciolo, líder do movimento salarial dos bombeiros, não teria sido preso sob as acusações de aliciação para motim e incitamento à desobediência e indisciplina (crimes previstos pelo Código Penal Militar, ao qual estão subordinados policiais militares e bombeiros, já que são força auxiliar do Exército). Para piorar a situação, Daciolo foi detido no presídio Bangu 1 — prisão de segurança máxima para onde são levados criminosos de alta periculosidade — porque seus superiores consideraram perigoso deixá-lo preso no quartel-central de sua corporação, que fora invadido por bombeiros em protesto no ano passado. Ou seja: a cúpula do Corpo de Bombeiros reconheceu que suas instalações não oferecem a menor segurança. Só que se quiserem seguir o Código Penal Militar Daciolo deve ser preso numa instituição militar e não civil.

O que ouvi ontem à noite de líderes do movimento salarial que representam 70 mil agentes de segurança em todo o estado foi que a prisão de Daciolo foi um tiro ou uma mangueirada no pé, dada pelo próprio governo. Uma das palavras de ordem da assembléia de policiais era “soltem Daciolo” — que se tornou uma das principais reivindicações dos grevistas. O governo do estado deu a Daciolo o status de um Luís Inácio Lula da Silva, que também foi tratado como criminoso e preso por liderar a maior greve ocorrida durante a ditadura militar — a do ABC paulista, em 1978. Vinte e quatro anos foi eleito presidente da República.

O cabo voltava da Bahia onde certamente havia ido dar uma força para o movimento paredista baiano. Se os policiais já estavam decididos a entrar em greve, a prisão de Daciolo foi a desculpa de que necessitavam para privar a sociedade do direito básico à segurança, previsto na Constituição. O direito de greve a policiais é tema considerado polêmico por juristas, mas a paralisação com certeza pode ter consequências imprevisíveis até mesmo para a economia do estado, a uma semana do carnaval. O prejuízo para agências de turismo e hotéis pode ser incalculável se o movimento grevista tiver grande adesão e houver qualquer sinal de descontrole por parte das autoridades. A sensação de segurança — tão bem construída por estatísticas de criminalidade que mostram a redução dos delitos, em seis anos — pode ir pelo espaço se a greve tiver grande adesão e aumentar o risco da criminalidade nas ruas.

Ainda não há informações sobre adesão, mas a greve dos policiais já fez a 1ª “vítima” do carnaval: o Cordão do Bola Preta cancelou o desfile marcado para hoje à noite por questão de segurança. A Secretaria de Segurança só vai se pronunciar sobre a decisão de greve durante a manhã desta sexta-feira, 10.

A Comissão de grevistas diz que 30% dos efetivos das polícias civil, militar e do Corpo de Bombeiros permanecerão atendendo ocorrências graves. Um dos líderes da Polícia Civil, o inspetor Francisco Chao, recomendou a policiais da Delegacia de Homicídios que não faltem ao trabalho porque o serviço deles é essencial na investigação de assassinatos. Durante a assembleia, o presidente do Sindicato dos Policiais Civis do Rio, Carlos Gadelha, fez um dos discursos mais serenos, propondo que os policiais não aceitem a infiltração de provocadores e não promovam atos de desordem. Os grevistas esperam contar com o apoio da sociedade, o que obviamente será muito difícil, já que são baixos os índices de confiança nas polícias.

Como não quer pagar para ver, o governo do estado já pediu ajuda ao Exército, que enviará 14 mil militares, e à Força Nacional de Segurança, que deverá colaborar com 300 agentes. O Rio já viu esse filme e, de modo geral, a população confia mais no Exército do que nas polícias. Mas Exército não tem vocação para fazer papel de polícia. O carioca já viu tropas do Exército e blindados nas ruas da cidade durante eleições, reuniões de cúpula e operações policiais em favelas, mas no carnaval será a primeira vez.

Na asssembleia que reuniu cerca de 5 a 6 mil pessoas, na Cinelândia, havia grande clima de torcida pela greve, cornetas e tambores, além da exibição de faixas com números de batalhões da PM e de Unidades de Polícia Pacificadora (UPP), sugerindo a adesão daquelas unidades. Por volta das 22h30m vi um grupo de policiais militares a paisana (usavam camiseta com a inscrição “Pmerj no local”) pegar o metrô em direção ao 19º BPM (Copacabana). Estavam de folga, mas disseram que pretendiam ir ao quartel para informar sobre a decisão de greve e estimular outros colegas a aderirem à paralisação. A ideia dos grevistas é permanecer aquartelados, a menos que sejam procurados por agentes da Polícia Federal. Aí deverão sair dos locais de trabalho e, mesmo fardados, permanecer nas ruas. O regulamento não os proíbe de usar farda a passeio. Para lhes lembrar que estão agindo fora da lei, a Corregedoria da PM já montou esquema destacando um policial para cada batalhão com a finalidade de fichar os “infratores”.

Com a greve, proibida a militares pela Constituição federal, os PMs caminham agora pelo fio da navalha. Quem diria que a PM — que foi um dos braços mais fortes da ditadura militar, que reprimiu com rigor movimentos sociais e sindicais — um dia decidisse também cruzar os braços por melhores condições de trabalho e de salário? Estive ontem à noite na Cinelândia e foi no mínimo curioso ver os policiais comemorarem ao saber que um grupo de policiais do Batalhão de Choque — a unidade encarregada de controlar distúrbios civis, dissolvendo manifestações a golpes de cassetete e bombas de gás lacrimogêneo, no passado — ontem à noite decidiu entregar as armas e se render, em vez de cumprir a ordem de ir para a rua, controlar os colegas de farda. Que tempos estranhos esses.

FONTE: Blog Repórter de Crime/O Globo

Juristas defendem que PMs são proibidos de fazer greve, mas a classe reivindica o direito à inciativa e pede melhores salários

 

A greve de policiais militares, que acontece há dez dias na Bahia e teve início no Rio de Janeiro na noite da última quinta-feira, incorporando policiais civis e bombeiros, reavivou o debate sobre quais os limites legais para manifestações da categoria.

Enquanto a maioria dos juristas defende que policiais militares são proibidos de fazer greve, a classe reivindica o direito à inciativa e afirma que só recorre a ela em último caso.

A polêmica se acirrou após a divulgação pela TV Globo, na última quarta-feira, de gravações em que policiais grevistas discutiam queimar caminhões e bloquear uma rodovia para impulsionar o movimento. Segundo a emissora, as conversas foram gravadas com autorização judicial.

Na manhã desta quinta, o prédio da Assembleia Legislativa da Bahia foi desocupado pelos manifestantes. O ex-policial militar Marco Prisco, líder do movimento, e o policial Antônio Angelim foram presos.

No Rio de Janeiro, o cabo Benvenuto Daciolo, membro do Corpo de Bombeiros, também foi preso após a divulgação da gravação de uma conversa entre ele e Prisco, que falava da possibilidade da adesão dos servidores de segurança do Rio à greve.

Desde o início da paralisação na Bahia, foram registrados 136 homicídios na região metropolitana de Salvador, aumento de 238% em relação ao mesmo período de 2011.

A BBC Brasil preparou perguntas e respostas sobre o conflito.

  • O que os policiais militares reivindicam?

Eles querem aumento salarial em torno de 30% e a incorporação de gratificações aos salários. Os policiais também reivindicam a anulação de mandados de prisão contra 12 grevistas considerados líderes do protesto.

Os servidores do Rio de Janeiro pedem o aumento do piso salarial para R$ 3.500, com o acréscimo de R$ 700 em vale transporte e refeição, além da libertação do cabo Benvenuto Daciolo.

  • A Constituição permite que policiais militares façam greve?

O artigo 142 da Constituição, presente no capítulo Das Forças Armadas, diz que “ao militar são proibidas a sindicalização e a greve”. Embora o capítulo trate das Forças Armadas, o artigo 42 da Constituição afirma que essas disposições também se aplicam aos integrantes das PMs e dos Corpos de Bombeiros Militares dos Estados.

Para o jurista Wálter Maierovitch e para o coronel aposentado da PM de São Paulo José Vicente, a proibição está clara no texto.

Alguns advogados, no entanto, argumentam que o artigo 37 da Constituição, que trata de servidores públicos, afirma que “o direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica”. Como tal lei jamais foi aprovada, eles dizem que a proibição não está explícita.

  • Qual a posição dos policiais?

Para o soldado da PM do Espírito Santo Fernando Almança, um dos líderes de articulação nacional por melhores condições para a categoria, a Constituição não estende a proibição de greve à Polícia Militar, já que esta seria uma força auxiliar.

Ainda assim, ele afirma ainda que a greve só foi deflagrada porque todas as negociações por melhores condições de trabalho para policiais foram bloqueadas. Almança credita boa parte da insatisfação de policiais militares baianos (e brasileiros, por extensão) à paralisação das discussões no Congresso sobre uma proposta de emenda constitucional, conhecida como PEC 300, que estabeleceria um piso nacional para policiais militares e bombeiros.

“Lutamos há quatro anos pela aprovação da PEC 300. Ninguém começa uma greve sem antes tentar negociação”, diz.

Apresentada ao Congresso em 2008, a proposta passou por uma primeira votação na Câmara, mas não tem prazo para ser votada em segundo turno na mesma Casa nem para ser enviada ao Senado.

  • O Supremo Tribunal Federal já se manifestou sobre o assunto?

O órgão ainda não se manifestou diretamente sobre o caso de PMs que entraram em greve, mas, em novembro de 2011, o presidente do STF, Cezar Peluso, determinou que policiais civis do Distrito Federal suspendessem uma paralisação, argumentando que o direito à greve de servidores públicos não é absoluto.

Antes, em 2009, também ao julgar greve de policiais civis, o STF defendeu a inconstitucionalidade de paralisações no setor de segurança.

  • De que outras formas os policiais militares poderiam se manifestar?

Para o jurista Wálter Maierovitch, há várias formas pelas quais policiais militares poderiam reivindicar melhores condições de trabalho sem recorrer a greves. Ele diz que a categoria poderia organizar comícios públicos e seminários, divulgar informações à imprensa, além de pressionar parlamentares por mudanças.

FONTE: BBC Brasil / FOTO: Luiz Gomes-Futura Press

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Policiais militares, policiais civis e bombeiros decidiram, em assembleia geral, decretar greve a partir desta sexta-feira (10). Entre as principais reivindicações, estão o estabelecimento de um piso salarial de R$ 3,5 mil e a libertação do cabo bombeiro Benevenuto Dalciolo, preso ontem (8) à noite, após retornar de Salvador, onde acompanhava a greve dos policiais baianos.

A concentração na Cinelândia, em frente à Câmara de Vereadores, começou por volta das 17h de ontem (9) e a decisão pela greve foi tomada às 23h21, quando os cerca de 1,5 mil presentes, segundo organizadores, aprovaram a paralisação por aclamação. A recomendação das lideranças foi para que os policiais e bombeiros sigam para suas unidades, mas se recusem a sair.

O secretário da Defesa Civil e comandante do Corpo de Bombeiros, coronel Sérgio Simões, anunciou na parte da tarde que o Exército disponibilizou 14 mil soldados para patrulhar o estado. Também são esperados 300 homens da Força Nacional de Segurança, que trabalharão nos serviços prestados pelos bombeiros.
Com a proximidade do carnaval, a preocupação é garantir segurança aos milhares de turistas que chegam ao Rio para a festa. Segundo o comandante dos bombeiros, o carnaval será realizada com a segurança feita pelas forças federais e de efetivos que não aderiram à greve.

FONTE: Portal R3 / FOTO: O Globo – Fernando Quevedo

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Cerca de 500 grevistas e manifestantes se reúnem no centro de Salvador para discutir próximas ações. Grupo realiza assembleia às 17h

 

A desocupação da Assembleia Legislativa da Bahia feita pelos policiais militares grevistas, nesta manhã de quinta-feira, não significou o fim do movimento. Os manifestantes que deixaram o prédio estão reunidos neste momento no centro de Salvador, em um ginásio de esportes na Ladeira dos Aflitos, onde discutem as próximas ações. Cerca de 500 pessoas participam da reunião.

Os alimentos que estavam estocados na Assembleia foram levados para o ginásio. Neste momento, eles recebem ainda mais mantimentos como pães e macarrão. Há pouco, os policiais cantaram o grito que acompanha o grupo desde a deflagração da greve, no dia 31 de janeiro: “A PM parou”.

Além disso, o movimento pode ser ampliado com a possível adesão dos oficiais. O grupo se reúne em assembleia às 17h. Neste momento, dirigentes de quatro associações que vêm negociando com o governo estão reunidos com representantes dos oficiais para definir as atividades seguintes.

Nesta manhã, saíram do prédio 245 policiais grevistas e não havia crianças entre os manifestantes, de acordo com o tenente-coronel Márcio Cunha, responsável pela comunicação da operação. Todos passaram por uma vistoria do Exército antes de deixar o local. Após a saída, o Exército iniciou uma varredura. Ainda restam oito mandados de prisão a ser cumpridos. Ao sair do prédio, os policiais que não tinham prisão decretada foram embora em seus próprios carros.

O governo do Estado ainda não se pronunciou sobre o assunto. O presidente da Assembleia Legislativa da Bahia, Marcelo Nilo (PDT), aliado do governador Jaques Wagner, comemorou a saída dos manifestantes do prédio. “Felizmente não houve o derramamento de uma gota de sangue. Tenho a consciência limpa. Se eu não tivesse pedido o prédio, eles estariam até agora”, disse o deputado que no domingo chegou a fazer um ultimato para que os grevistas deixassem o prédio até a meia-noite.

Rendição

A saída dos grevistas era esperada nesta madrugada em Salvador. A informação de que Marco Prisco, um dos líderes da greve, ia se entregar hoje foi confirmada, por volta das 2h, por seu advogado Rogério Andrade. Com isso, durante toda a madrugada, a movimentação foi intensa no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Os dois líderes do movimento que tiveram a prisão decretada pela Justiça, Prisco e Antônio Paulo Angelini, foram presos e pediram para sair pelos fundos do prédio.

Segundo Andrade, Prisco decidiu se entregar para facilitar negociações, por isso nem todos encaram essa rendição como sendo o fim da greve. “Ele está fazendo o que qualquer homem sensato faria para garantir a segurança das pessoas e também para alcançar os objetivos da greve”.

“Já que o governo do Estado colocou a sua prisão como condição para retomar as negociações”, assinalou o advogado. Prisco se entregou horas depois de o Jornal Nacional, da Rede Globo, revelar áudio com conversa que o comprometeu.

FONTE: iG/*com Agência Brasil e reportagem de Cintia Kelly, especial para o iG, em Salvador

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Exército e governo federal não gostaram da postura, que, para governador baiano, enfraqueceu negociações

 

Tânia Monteiro, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA – O general Marco Edson Gonçalves Dias, da 6ª região militar, foi afastado das funções que exercia de comando das operações em Salvador, onde os policiais militares estão em greve desde a ultima terça-feira. Nesta quarta-feira mesmo, o comandante da Força, general Enzo Martins Peri, determinou ao comandante militar do Nordeste, general Odilson Sampaio Benzi, que seguisse para a capital baiana e assumisse o comando da tropa local.

A postura do general G. Dias, que foi chefe da segurança do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desagradou não só o Exército, como o Palácio do Planalto. A presidente Dilma Rousseff durante o dia não escondeu a sua “indignação” com o episódio. Chegou a comentar que considerou “inaceitável” a postura do general G. Dias de “apagar velinhas”, mesmo sendo seu aniversário, passando a ideia de que estava confraternizando com os manifestantes.

“Isto é inadmissível”, desabafou, acrescentando que “não esperava isso dele. Dilma relatou ainda que o governador Jacques Wagner, telefonou para ela, na noite de terça-feira, se queixando do comportamento do general e ressaltando que este fato “atrapalhava as negociações” com os grevistas.

Em conversas com o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo, o governador baiano, de quem G. Dias é amigo, reconheceu que o general “extrapolou” e enfraqueceu as negociações, que acabaram se arrastando por mais tempo, quando se esperava que elas fossem concluídas, no máximo até hoje.

No Exército, o gesto de G. Dias de dizer que ele estava na manifestação presente “sem colete a prova de balas”, na avaliação de militares, causou um tremendo mal estar porque ele parecia mais aliado dos grevistas, considerados fora da lei pelos oficiais das Forças Armadas, do que da população que precisa de proteção.

Militares comentaram ainda que o general enfraqueceu a capacidade de negociação do governo porque deixou claro para os líderes do movimento que não ia haver confronto com eles.

“A postura dele foi fora do contexto e sem consultar ninguém”, disse um dos oficiais consultados pelo Estado, “Ele apareceu defendendo o grupo que esta transgredindo a lei e sendo combatido. Com isso, passou uma mensagem negativa, equivocada e foi péssimo para a Força”, comentou outro militar.

Esta postura, na avaliação de militares, atrapalha até mesmo futuras operações de garantia da lei e da ordem, conhecida pela sigla GLO, dando demonstração de que o Exército não vai invadir uma assembleia tomada por PMs grevistas, enfraquecendo o poder de dissuasão da força.

Diante do ocorrido, o comandante do Exército, general Enzo, que está como ministro Interino da Defesa, telefonou para o general Benzi, superior hierárquico de G. Dias, e comandante do Nordeste, e determinou que seguisse para Salvador, para comandar a operação.

O general G. Dias, na mesma terça-feira, reconheceu que ultrapassara os limites e telefonou para o governador Jacques Wagner para se desculpar.

FONTE: Estadão

Chamem os PQDs e os fuzileiros navais

*Antonio Carlos Passos de Carvalho

Em 1981, a Polícia Militar da Bahia entrou em greve, a primeira de que se tem notícia. O governador era ACM – Antonio Carlos Magalhães. Em pleno regime militar, decisões rápidas: os comandantes regionais das Forças Armadas em Salvador reuniram-se, seguindo ordens dos respectivos ministros militares em Brasília (não existia ainda o Ministério da Defesa). De imediato, soldados do Exército e da FAB (Polícia da Aeronáutica) e os fuzileiros navais (FNs) da Marinha começaram a patrulhar a cidade, que foi dividida em áreas geográficas.

Coube aos FNs uma área complicada, que abrangia o bairro onde se situa a Escola de Formação de Oficiais da PM, o Colégio da Polícia Militar da Bahia e outros quartéis. Para realizar o patrulhamento de rua, usaram alguns carros da PM-BA, pois a maioria das viaturas dos FNs são de grande porte para uso urbano. Salvador era uma cidade bem mais tranquila do que a metrópole de hoje, e não houve maiores problemas. A PM-BA voltou logo ao serviço, e ACM saiu vitorioso.

Porém, houve enfrentamento sangrento quando um piquete de grevistas tentou retomar um fusquinha da PM das mãos dos fuzileiros navais, e vieram com armas em punho. Agiu-se em legítima defesa. Fuzileiros navais assim como paraquedistas do Exército são tropas de assalto, sabem defender-se, estão muito bem treinados para missões em áreas hostis, e são destemidos e disciplinados. Deve-se torcer muito para que não haja confrontos entre os grevistas de hoje da PM-BA e as Forças Armadas, assim como com a Polícia Federal. Isto pode deixar ranços por muitos anos.

A PF cresceu tanto nos últimos 30 anos que até avião próprio possui, capaz de transportar seu grupo de elite, treinado para prender ou liquidar bandidos perigosos. Mas o problema mesmo é de liderança política, de exemplo.

Em 1997, governava Minas Gerais o senhor Eduardo Azeredo. A PM-MG, a mais antiga do país, entrou em greve pela primeira vez, e houve grande manifestação em frente ao Palácio da Liberdade e ao prédio do Comando-Geral. Houve confusão, tiros e um morto, um soldado. Azeredo ficou tido como fraco e elitista; seu governo gastava em outras áreas enquanto estaria insensível aos PMs de seu estado. Acabou perdendo a reeleição no ano seguinte para Itamar Franco.

Por outro ângulo, nos quatro anos de Itamar e nos oito de mandato de Aécio Neves, não houve nenhum problema deste tipo. Com bom exemplo vindo de cima e sensibilidade às necessidades, a PM respeitou e cumpriu. Na maioria são jovens e pais de família honestos e dedicados à causa da segurança pública. Em 2001, a PM-BA entrou em greve de novo, daquela vez sob um governo dito de direita. Foi uma primeira versão do caos que agora, em 2012, se repete de forma muito mais acirrada.

É uma coisa abjeta observar a postura cínica de alguns políticos nestas situações: enquanto na oposição, logo apoiam ou apoiavam os grevistas; quando no poder, afirmam na televisão que foram surpreendidos pela greve. Ora, então não se sabia que a greve estaria para eclodir? Interessante… Do jeito que a coisa vai, as populações que rezem e os governadores, por favor, exerçam a boa liderança para a qual foram eleitos pelo povo e transmitam o bom exemplo às suas Polícias Militar e Civil (esta pode querer greve também).

Se continuar assim, tropas de elite como PQDs (paraquedistas) e FNs, existentes para atuar em missões de defesa externa, conflitos e outras situações de guerra ou em apoio a operações humanitárias como desastres naturais, terão de aumentar em efetivo e equipamentos para atender aos problemas de greves de PMs em mais estados da Federação. A FAB vai precisar de mais aviões para o transporte.

Se fosse na Califórnia o que acontece na Bahia hoje, a oposição provavelmente já estaria convocando uma recall election para desalojar do cargo o governador e eleger um outro. Os baianos terão de aguentar mais tempo. Mas estamos no Brasil: o Carnaval vem chegando, o cardeal-primaz vai mediar e com fé em Deus, ninguém mais sairá machucado. Com tristeza, ficará o saldo dos homicídios e arrastões, além das imagens na TV e pela internet de um país que se diz a sétima economia do mundo, mas que tem de botar suas Forças Armadas na rua, sob o comando de um general, para se proteger da própria PM e da falta do trabalho que esta deveria estar fazendo. Que absurdo! A greve deixou a população desprotegida e causou pânico e vítimas. Mas o abominável mesmo foi a falta de liderança que levou a isso tudo.

*Antonio Carlos Passos de Carvalho, comandante reformado da Marinha, foi presidente da Prodemge (Companhia de Tecnologia da Informação do Estado de Minas Gerais)

FONTE: Jornal do Brasil

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Raphael Di Cunto, Murillo Camarotto, Paola de Moura e Marcos de Moura e Souza - 

De São Paulo, Recife, Rio de Janeiro e Belo Horizonte

O motim da Polícia Militar da Bahia, que deixou o Estado refém de saques à lojas, assaltos e com sensação de insegurança – já foram registrados 93 homicídios na região metropolitana de Salvador desde terça-feira, quando começou a paralisação – pode chegar a outras regiões do país, alertou ontem a Associação Pernambucana dos Cabos e Soldados (ACSPE).

Segundo a associação, há um movimento da corporação por melhores salários e condições de trabalho. “Os policiais e bombeiros militares de Pernambuco devem ficar atentos. A qualquer momento a ACS convocará uma assembleia geral para discutir assuntos de interesse da tropa, especialmente sobre as escalas de trabalho escravizantes, a falta de previsão de promoções e outras reivindicações que não foram atendidas, o que vem gerando grande insatisfação”, diz o comunicado.

O presidente da Associação dos Militares de Pernambuco, capitão Vlademir Assis, afirmou que uma mobilização nacional para pressionar pela aprovação no Congresso da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 300, que estabelece um piso nacional para a PM em mais de R$ 4 mil, servirá para atrair de novo a atenção do país para a causa dos policiais e bombeiros.

O entusiasmo dos policiais pernambucanos com a proliferação das paralisações está amparado no clima de insatisfação com o governador Eduardo Campos (PSB). Segundo Assis, o Executivo comportou-se de forma autoritária durante as últimas negociações salariais, encerradas em março do ano passado. A crise se acentuou depois que o governo cancelou o desconto automático da contribuição para a associação na folha de pagamento dos policiais.

Alagoas também está perto de ver um motim – nome dado à greve de militares, que são proibidos de descumprir a ordem de seus superiores e, portanto, realizar paralisações. A Associação dos Oficiais Militares de Alagoas fará assembleia geral na quinta-feira para reivindicar um posicionamento do governador Teotonio Vilela Filho (PSDB), que não teria cumprido o acordo de junho do ano passado.

Entidades que representam policiais militares e bombeiros do Espírito Santo, Acre e Rio de Janeiro farão assembleia até o fim da semana para decidir se param. No Rio Grande do Sul, depois de uma mobilização em 2011, a PM também vive um clima tenso com o governador Tarso Genro (PT).

O diretor de relações institucionais da Federação Nacional de Entidades de Oficiais Militares Estaduais (Feneme), coronel Elias Miller, diz que a culpa das paralisações é do governo federal e dos estaduais, que não conversam com a categoria. “A PEC 300 acendeu o que estava latente. Os policiais militares, que sempre foram treinados para esperar o comando, resolveram sair às ruas para reivindicar seus direitos”, afirmou.

Miller não concorda com o motim, “por ser ilegal”, mas diz que o compreende. “Uma associação sem expressão na Bahia lançou a greve. As maiores entidades não apoiaram, mas a tropa aderiu porque está insatisfeita com um governo que não a ouve, que não trata os policiais como trabalhadores que querem um salário melhor para sustentar suas famílias”, criticou, referindo-se à postura do governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), um ex-sindicalista.

Vice-presidente da Associação Nacional de Entidades Representativas de Praças Militares Estaduais (Anaspra), que é ligada à entidade que iniciou o motim baiano, o cabo Jeoás Santos nega que o movimento esteja tentando ganhar proporções nacionais. “Queremos organizar essa desordem porque todos os Estados planejam ações”, afirmou.
Ele afirma que a maior briga não é pela PEC 300, mas para que os governos estaduais cumpram os acordos e pela desmilitarização da categoria. “Atuamos dentro de uma legislação velha, com estatutos e código penal que não sofreram alteração desde a ditadura militar [1964 - 1985]“, afirma. “O policial tem de ser punido se cometer algum delito, e não por não ter prestado continência”, defende Santos, cuja entidade nasceu de um motim generalizado em 1998, quando a PM parou em nove Estados.

No Rio de Janeiro, o presidente da Associação de Praças da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros do Estado (Aspra-RJ), Vanderlei Ribeiro, convocou assembleia de greve na Cinelândia para quinta-feira. “Não queremos ser escravos ou massa de manobra da cúpula do governo. Se for necessário, paramos no Carnaval”, afirmou.
Ao contrário do que fez em 2011, quando não negociou e enfrentou um motim de mais de um mês no Corpo de Bombeiros, o governador Sérgio Cabral (PMDB) anunciou novo aumento e fez elogios às corporações. “Eu confio nos profissionais da segurança. Eles são responsáveis. Quando entram nessa profissão, sabem que esse é um serviço essencial. Tanto os nossos policiais militares, quanto os nossos bombeiros militares, quanto os nossos policiais civis sabem a importância que isso tem para a população. Não tenho dúvida de que vamos garantir não só um Carnaval, mas um dia a dia de tranquilidade”, minimizou.

Cabral também antecipou parte do aumento parcelado em 48 meses, que foi concedido após a greve dos bombeiros do ano passado. “A partir do projeto de lei que enviamos à Assembleia Legislativa, o salário base será de R$ 1.669. Com as gratificações que pagamos aos nossos profissionais que estão nas ruas, o salário base de um PM e de um bombeiro será de R$ 2.019″, afirmou em nota.

Nas contas do governador, o aumento total desde 2007, quando assumiu, até 2013 será de 107%. Os números são rejeitados por Vanderlei, que diz que o salário-base continua em torno de R$ 900.

O aumento também será escalonado em São Paulo, Rio Grande do Norte, Pará e Minas Gerias. No Paraná, os policiais pressionam o governador Beto Richa (PSDB) pela regulamentação de uma emenda à Constituição estadual que prevê o pagamento de subsídio para a PM. A proposta é elevar o salário de soldado, que hoje recebe R$ 2,4 mil mais gratificação, para R$ 4,5 mil.

Os policiais mineiros ganharam a fama de conseguir bons acordos nos últimos anos com o governo do Estado sem grandes confrontos. O último ocorreu em 2004, quando os PMs cruzaram os braços durante quase uma semana, o número de alguns crimes subiu e o Exército foi para as ruas. A pressão deu resultado e desde então os policiais têm tido aumento todos os anos.

No ano passado, os policiais militares voltaram à carga com assembleias e mobilização. Houve um início de adesão a uma paralisação de policiais civis e o governo Antonio Anastasia (PSDB) aceitou, então, levar a questão para a mesa. Concedeu um aumento salarial escalonado de quase 100% – como queriam os PMs – até 2015. Hoje o salário inicial de um PM mineiro é de R$ 2.245,90; pelo novo acordo, será de R$ 4.098,41 em 2015. O aumento valerá para todos os postos. No topo da carreira, um coronel veterano com adicionais ao salário que hoje pode ganhar R$ 12,9 mil receberá R$ 23,6 mil em 2015.

“Aprovamos em julho uma lei escalonando o aumento. Com isso, acalmamos a pressão dos nossos militares pela aprovação da PEC 300″, diz a subsecretária de Gestão de Pessoas da Secretaria de Planejamento do Estado, Fernanda Neves.

Situação diferente da Bahia, onde salário inicial é de R$ 1.943 e o governo não sinalizou com novos aumentos. Os policiais que estão acampados com suas famílias na Assembleia Legislativa dizem que Wagner não cumpriu acordo feito em 2009, de aumentar a gratificação da PM, e que tem desprezado o movimento que o PT apoiou em 2001, quando o governador era César Borges (no então PFL).

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou que a discussão do governo para incorporar a gratificação aos salários da PM baiana “acabou sendo atropelada por alguns policiais” que usam de violência e ações criminosas. O ministro petista também se disse contrário à aprovação da PEC 300, que traria gastos “insuportáveis” para os Estados.

Houve quatro confrontos ontem dos cerca de 500 grevistas com o Exército, Forças Armadas e a tropa da choque da PM em frente à Assembleia Legislativa. O local está cercado desde a madrugada de anteontem para, segundo o Exército, isolar os manifestantes, executar mandados de prisão e depois esvaziar o prédio.
As forças federais usaram bombas de efeito moral e gás de pimenta foi lançado contra a multidão. Balas de borracha forma disparadas e feriram cinco pessoas sem gravidade. Sitiados e armados, grevistas diziam que resistiriam a tentativas de invasão. Eles estão sem luz e água. O Exército dizia que não faria a desocupação à força.

A crise provocada pela greve paralisou os Poderes do Estado. Servidores do governo, do Tribunal de Justiça e do Ministério Público foram retirados dos prédios onde trabalham, pois eles ficam ao lado do edifício da Assembleia. (Colaborou Marli Lima, de Curitiba, com agências noticiosas)

FONTE: Valor Econômico

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Policiais, Bombeiros e agentes penitenciários do Rio de Janeiro prometem antecipar a paralisação das categorias, inicialmente prevista para o próximo dia 10, caso “qualquer covardia” seja cometida contra os agentes que participam do movimento grevista na Bahia. O Exército foi convocado pelo governo estadual para desocupar a Assembleia Legislativa, onde os grevistas acampam desde terça-feira. Helicópteros e blindados apoiam a ação.

“O movimento em prol da DIGNIDADE dos Bombeiros e Policiais do Estado do Rio de Janeiro vem informar que qualquer covardia cometida contra os militares da Bahia, e seus familiares, que estão ocupando a Assembléia Legislativa de lá, ocasionará a deflagração da GREVE GERAL no Rio de Janeiro antes do previsto.”, diz a nota publicada em um blog do movimento SOS PMERJ.

Neste domingo, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, emitiu um comunicado no qual tenta convencer os policiais de que a paralisação não é a melhor forma para reivindicar melhores condições de trabalho, Segundo ele, que disse acreditar que a maioria dos policiais irá trabalhar normalmente no dia 10, a greve dificilmente “irá trazer benefícios” para os agentes.

Beltrame também lembrou que há uma série de aumentos programados para a área de segurança pública nos próximos anos e que a melhoria nas condições de trabalho das categorias deve ser gradual e racional. Entre os agentes, o parcelamento dos aumentos salariais é conhecido como “aumento Casas Bahia”.

Caso a greve se confirme, a tendência é que o Batalhão de Choque e o Batalhão de Operações Especiais (Bope) sejam acionados emergencialmente, já que a greve não é unânime entre eles. Isso acontece porque os dois são os batalhões que recebem as melhores gratificações da corporação.

FONTE: JB Online / IMAGEMSOS PMERJ

Tropas cercam prédio e tentam conter homens que querem se juntar a grevistas

 

SALVADOR – Homens do Exército cercaram por volta das 7h desta segunda-feira a Assembleia Legislativa da Bahia, onde estão concentrados desde quarta-feira policiais militares que fazem uma greve no estado. Para se juntar aos policiais que estão no interior no prédio, um grupo de grevistas tentou ultrapassar o bloqueio feito pelos militares e foi contido pela polícia do exército e pela tropa de paraquedistas com balas de borracha e gás de pimenta. Um dos homens foi atingido nos dois pés e o outro foi alvejado na barriga.

Sem conseguir entrar no prédio, os PMs se deslocaram para um outro ponto e foram seguidos de perto por homens do Exército, que usam escudos e capacetes protetores. Logo depois, os grevistas do lado de fora começaram a provocar as tropas das Forças Armadas, passaram a caminhar em círculo , fazendo com que os militares fizessem o mesmo movimento. Além dos homens em terra, dois helicópteros sobrevoam o local em círculos.

Por volta das 8h40m, os militares reagiram novamente com balas de borracha e gás de pimenta contra os manifestantes. O embate aconteceu na área que o próprio Exército havia separado para os profissionais da imprensa.

Polícia quer prender na ação 11 policiais líderes da paralisação

Foi possível avistar armas nas mãos de dois grevistas que estão dentro da Assembleia Legislativa. Em meio ao clima tenso, um rapaz conseguiu romper o cerco da polícia e chegou à rampa de acesso à Assembleia.
É possível que a desocupação do prédio comece a qualquer momento. Para isso, cerca de mil homens do Exército, além de homens da Polícia Militar, da Coordenadoria de Operações Especiais da Polícia Civil baiana e da Polícia Federal, fazem agora um cerco ao local. Veículos blindados das Forças Armadas, chamados Urutus, foram trazidos. O objetivo da operação, segundo o Coronel Márcio Cunha, porta-voz da 6ª Região Militar, é “isolar a Assembleia Legislativa com a finalidade de permitir o livre acesso de pessoas a essa área, a realização de negociação para a desocupação da Assembleia e a execução de mandados de prisão expedidos pela Justiça”.

Um dos objetivos da ação é prender 11 militares considerados líderes da paralisação e que estão com mandado de prisão expedido pela Justiça. A Justiça havia expedido 12 mandados, mas um deles foi cumprido na madrugada de domingo, com a prisão de Alvin dos Santos Silva, lotado na Companhia de Policiamento de Proteção Ambiental (COPPA). Segundo nota do governo, ele foi detido pelo comandante da própria companhia, major Nilton Machado, por formação de quadrilha e roubo de patrimônio público (viaturas). O policial também responderá a um processo administrativo na corporação. Alvin foi encaminhado para a Polícia do Exército. Com a prisão dele, a polícia cumpre o primeiro dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça.

Um dos grevistas destes militares que estão com mandado de prisão expedido é o presidente da Associação de Policiais, Bombeiros e de seus familiares (Aspra), o soldado Marco Prisco. Advogado do Centro de Apoio Jurídico dos Policiais Militares Associados, David Esmeraldo defende os grevistas e deu uma lista com 11 nomes de policiais que tiveram o mandado de prisão expedido pela Justiça. São eles: Marco Prisco, Alessandro Reis, Fábio Brito, Alvin Silva (preso na madrugada de domingo), Edianário Santos, os sargentos Marcos Vinícius e Elias, os soldados Josafá, Augusto Júnior e Gilvan, além do cabo Orenfeld.
Esmeraldo disse ainda que já foi pedido um habeas corpus preventivo para estes militares, mas a Justiça negou.

Os grevistas, muitos deles armados e usando touca ninja, prometem resistir. Há mulheres e crianças entre os ocupantes do prédio. Em entrevista coletiva na noite de domingo, o presidente da Assembleia, deputado Marcelo Nilo (PSDB), pediu ao comando das forças de segurança que assumiram o policiamento da capital baiana e de outras cidades durante a greve que determinassem a desocupação do prédio até a meia-noite para que o expediente começasse normalmente na manhã desta segunda-feira.

No início da noite, a luz foi cortada no prédio, e Marco Prisco conclamou os grevistas a resistirem, recomendando que não usassem armas de fogo.

Desde o início da greve, foram registrados 89 homicídios

Quarenta homens do Comando de Operações Táticas, a “tropa de elite” da Polícia Federal chegaram à cidade por determinação do governo federal.

Marcelo Nilo pediu ao general Gonçalves Dias, comandante das forças de segurança na Bahia, na 6ª Região Militar do Exército, apoio para a retirada dos grevistas do prédio da Assembleia, no Centro Administrativo da Bahia (CAB). Nilo afirmou que não admite que o prédio seja usado para “abrigar fugitivos da Justiça com mandado de prisão em aberto”:

— A Assembleia está funcionando de forma precária, os funcionários estão faltando ao serviço, há homens armados pelos corredores, pelas rampas de acesso e utilizando os banheiros. Já perdi a paciência, desde sexta-feira tentamos uma maneira pacífica para desocupar o local.

Já o general Gonçalves Dias disse que está fazendo tudo para facilitar as negociações, mas que cabe ao governo do estado conduzir o diálogo com os grevistas:
- Não quero que haja morte aqui, não quero que haja confronto.

Por volta das 21h de domingo, Prisco desceu a rampa da Assembleia e disse aos manifestantes ter recebido uma contraproposta do “coronel Castro”. Segundo ele, a proposta contemplava anistia para todos os policiais, pagamento parcelado de dois tipos de gratificação e a revogação de 11 dos 12 mandados de prisão expedidos pela Justiça, menos o dele. A proposta foi rejeitada pelos grevistas.

Desde que a greve começou, terça-feira passada, foram registrados 89 homicídios em Salvador e Região Metropolitana, de acordo com boletins da Superintendência de Telecomunicações das Polícias (Stelecom).
Nos seis primeiros dias de greve, o número de homicídios na capital e Região Metropolitana aumentou 129% em comparação ao mesmo período da semana anterior.

Escolas em férias forçadas

Cerca de 450 escolas da rede privada no estado devem continuar em férias forçadas. O presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Bahia (Sinep-BA), Natálio Dantas, confirmou ter emitido recomendação para que as escolas particulares da Bahia só retornem às aulas após o fim do motim de policiais militares. O grupo educacional que reúne os colégios São Paulo, Anchieta e as unidades Anchietinhas confirmou que acatará a orientação do sindicato, suspendendo as atividades nesta segunda-feira.

— Os pais devem usar o nosso site como canal de comunicação. Nossa preocupação é a segurança dos alunos durante o trânsito deles — afirmou Antônio Bamberg, diretor técnico e pedagógico das escolas que somam 4,5 mil estudantes na capital.

Na rede pública estadual, cerca de um milhão de estudantes e 40 mil professores voltam às aulas nesta segunda-feira, em meio ao cenário conturbado da segurança pública, devido à paralisação de parte de efetivo de 32 mil policiais militares. O secretário estadual da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa, garantiu que o retorno escolar ocorrerá normalmente, garantido pela presença de homens do Exército e de policiais militares não amotinados. Não informou, contudo, quantos homens atuarão na segurança dos colégios estaduais:

— Há um centro de operações à disposição das forças, e o gabinete emergencial já está funcionando. Temos uma parcela ínfima de grevistas, bem menor que o número do início.
Já o secretário municipal de Educação de Salvador, José Carlos Barcelar, afirmou que pediu a cada diretor para avaliar se sua escola tem ou não condições de dar início às aulas. O retorno das férias estava marcado para esta segunda-feira. A rede municipal de ensino da capital baiana tem 425 escolas e 160 mil alunos.

Um terço do efetivo policial da Bahia está em greve

A estimativa inicial do governo é que um terço (pouco mais de dez mil policiais) do total de PMs tenha parado. Sem dar detalhes da distribuição do efetivo pela capital e pelo interior, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Nardi, afirmou que mais de três mil homens estão na Bahia, “a maior massa” já empregada nessas operações.
O líder da greve e presidente da Associação dos Policiais, Bombeiros e dos seus Familiares do Estado Bahia (Aspra) passou mal na noite de sábado e precisou ser acompanhado por uma enfermeira. Ele sofre de problemas e recebeu medicação intravenosa.

O governador Jaques Wagner, por intermédio de sua assessoria de imprensa, negou que tenha ajudado, em 2001, a greve dos policiais militares, acusação feita sábado por Prisco.
— Essa informação é absurda. O governador tem uma carreira política amplamente conhecida pela sociedade. A responsabilidade e o compromisso com a democracia são alguns dos seus princípios de ação na vida pública — disse o porta-voz Ipojucã Cabral.
Sábado, a secretaria de Segurança recuperou as 16 viaturas que estavam em poder dos grevistas.

FONTE: O Globo / FOTO: Reuters

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Ministro da Justiça chega neste sábado ao estado para acompanhar situação

 

RIO e SALVADOR- Em 30 horas, entre a 0h de sexta-feira e as 6h deste sábado, 29 pessoas foram vítimas de homicídios na região metropolitana de Salvador, segundo informou a Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA). Além das mortes, dez tentativas de homicídios foram registradas somente na sexta-feira.

Apenas no bairro de Pituaçu, na sexta, foram mortas quatro pessoas de identidade ignorada. Também foram registrados homicídios nos bairros de em Ipitanga, Sete de Abril, Engomadeira, Madre de Deus, Jaguaribe, Bom Juá, Vila Canária e Liberdade.
Salvador amanheceu neste sábado com tropas da Polícia do Exército em alguns bairros. Militares do Batalhão fizeram blitz na Avenida Manoel Dias, bairro da Pituba, orla, nas ruas do fim de linha da Barroquinha, Centro, além da região do Comércio e do Centro Histórico da capital.

Na madrugada, bandidos saquearam uma loja de móveis na Rua Estrada das Barreiras, periferia de Salvador. Todos os produtos da loja foram retirados e, logo depois, bandidos atearam fogo no local.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a secretária Nacional de Segurança Pública, Regina Miki, e o diretor-geral da Polícia Federal, Leandro Daiello, chegam à Bahia neste sábado para acompanhar a situação. O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Carlos de Nardi, também integra o grupo.

Eles pretendem ver de perto as operações que o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, órgão do Ministério da Defesa, coordena para garantir a lei e a ordem durante a greve. Além dos 2,8 mil militares do Exército, Marinha e Aeronáutica, o Ministério da Justiça informa que estão sendo enviados mais cerca de 450 policiais da Força Nacional.

O governador Jaques Wagner, o comandante da 6ª Região Militar, general G. Dias, e o secretário Maurício Barbosa receberão a comitiva na Base Aérea, às 10h.

O presidente da Associação de Policiais e Familiares de Praças (Aspra), Marcos Frisco, que chegou na tarde deste sábado à Assembléia Legislativa da Bahia, onde os policiais militares em greve estão acampados, alertou que se for preso vai haver um caos incontrolável na cidade. Frisco é um dos 12 lideres do movimento com mandado de prisão.
- A única saída para a greve é a negociação – advertiu.

Frisco negou que os grevistas tenham sido responsáveis pelos atos de vandalismo vividos em Salvbador desde que a greve foi deflagrada. Ele disse que, por iniciativa espontânea do movimento, as 16 viaturas trazidas por grevistas para a frente da Assembleia Lesgislaiva erão devolvidas.

Desde que decretaram greve e o caos se instalou no estado, os policiais militares mantém acampamento no entorno do prédio da Assembleia. Os manifestantes alegam que só vão deixar o local depois que forem atendidos por um representante do governo.
O juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública, Ruy Eduardo Almeida Brito, considerou ilegal o movimento grevista. Os militares reivindicam aumento salarial de 50% e melhores condições de trabalho – um soldado ganha cerca de R$ 1,5 mil líquidos.

FONTE: O Globo

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Com a greve da Polícia Militar, Salvador viveu um dia de forte alta do número de assassinatos e de ataques ao comércio, nesta sexta-feira. Shows foram cancelados e lojas fecharam após onda de violência.

Shows do Olodum e de outras bandas de axé music foram cancelados até o fim de semana. A apresentação da cantora Ivete Sangalo, marcada para hoje, na Praia do Forte, também foi adiada.

Ontem à noite, o músico do Olodum Denilton Souza Cerqueira, 34, voltava para casa em sua moto quando foi baleado por dois assaltantes no bairro da Mata Escura, onde vivia. O músico foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos.

Da meia-noite até as 18h de hoje, foram registrados 20 homicídios na região metropolitana, segundo a Secretaria de Segurança Pública. No mesmo dia da semana passada, houve 13 assassinatos ao longo de 24 horas.

No Pelourinho, o policiamento passou a ser feito por homens do Exército, com metralhadoras e fuzis. Nem a ostentação das armas de guerra nem a presença dos militares amenizaram o clima de insegurança no local.

A joalheria H.Stern fechou as portas ao meio-dia. Outras lojas do centro histórico também reduziram o horário de funcionamento desde quinta-feira, por temerem que os saques se alastrem para a região turística.

Em outro ponto de grande fluxo turístico, o farol da Barra, a presença de visitantes foi 70% menor ontem, segundo estimativa de comerciantes da região. No local, havia apenas um carro da PM durante a tarde.

Ao menos cinco lojas tiveram os estoques saqueados no bairro da Liberdade, de acordo com relatos de comerciantes e moradores a rádios e televisão. A Polícia Civil diz que os donos das lojas ainda não haviam registrado as ocorrências até as 12h de hoje.

REFORÇO

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general José Carlos De Nardi, e a secretária Nacional da Segurança Pública, Regina Miki, desembarcam na manhã de sábado (4) em Salvador para acompanhar as operações das Forças Armadas no Estado.

Tropas do Exército começaram a fazer o patrulhamento nas ruas de Salvador no início da tarde desta sexta-feira. Também já estão em Salvador 150 homens da Força Nacional e outros 500 deverão chegar até o fim do dia de amanhã. O Exército também deverá encaminhar, ao todo, 2.000 homens até o próximo domingo (5).

NEGOCIAÇÃO

O governo estadual recebeu uma pauta de reivindicações de seis associações de policiais, mas não aceita negociar com a Aspra (Associação dos Policiais e Bombeiros da Bahia), entidade que lidera a greve.

A Secretaria de Segurança Pública da Bahia informou que a sede da Aspra foi lacrada por determinação da Justiça, após um pedido do Ministério Público.

Com isso, disse a secretaria, fica proibida a realização de assembleias e reuniões entre os integrantes da Aspra.

FONTE: Folha de São Paulo

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Cerca de 150 agentes da Força Nacional de Segurança estão e Salvador e 500 devem ser enviados para cidades do interior do Estado

 

Um grupo de 150 homens da Força Nacional de Segurança está em Salvador para ajudar a reforçar o policiamento e a conter a onda de violência na cidade. Os homens chegaram nesta quinta-feira à noite à capital baiana. A expectativa é que mais 500 militares da Força Nacional e do Exército cheguem à Bahia nesta sexta-feira para serem enviados ao interior. As informações são da Secretaria de Segurança do Estado.

Uma série de casos de vandalismo, com assaltos e arrastões em várias áreas de Salvador, foi registrada nos últimos dias desde que PMs ligados à Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra-BA) anunciaram greve por tempo indeterminado. A Justiça determinou o fim do movimento grevista.

O secretário de Segurança da Bahia, Maurício Barbosa, disse nesta quinta-feira que o reforço no policiamento integra um pacote de medidas para a restauração da sensação de segurança. Ele se reúne hoje com representantes de associações de policiais para discutir o assunto.

“Não negociamos sob coação”, disse Barbosa, em entrevista coletiva. O pelo juiz da 6ª Vara da Fazenda Pública, Ruy Eduardo Almeida Brito, considerou ilegal o movimento grevista. De acordo com a Secretaria de Segurança, 85% do contingente policial estão nas ruas. No total, são 11 mil policiais militares no estado. A estimativa é cerca de 2 mil homens aderiram ao movimento.

O procurador-geral do estado, Ruy Moraes, disse que, se a Aspra não suspender o movimento, será cobrada multa de R$ 80 mil por dia de paralisação. A decisão judicial está em vigor e foi comunicada ontem à associação.

FONTE: iG / FOTOS: AE

Bahia chama o Exército

Governador pede ajuda ao governo federal para manter segurança durante greve de PMs

 

POR BRUNO MENEZES

Bahia – Em resposta à decisão do movimento grevista de um segmento dos policiais militares da Bahia, o governador Jaques Wagner (PT) pediu ajuda à Presidência da República e solicitou o envio de tropas do Exército e da Força Nacional de Segurança para garantir a tranquilidade dos baianos. Cerca de 150 militares chegaram na noite de ontem ao estado, e mais 500 chegam até amanhã à noite.

A decisão foi tomada assim que Wagner chegou da viagem que fez a Cuba e ao Haiti com a presidenta Dilma Rousseff. “Não admitirei que a segurança da população seja colocada em risco por um pequeno grupo de pessoas, ainda mais porque estas desconsideraram a decisão judicial que considerou a greve ilegal”, afirmou Wagner.

Os PMs baianos deflagraram a greve após assembleia realizada na noite de terça-feira. Os grevistas reivindicam reajuste de salário de 17% e melhores condições de trabalho. No entanto, na manhã de ontem, a justiça decretou a ilegalidade da greve e a suspensão do movimento grevista, sob pena de multa diária de R$ 80 mil.

Ontem, no Dia de Iemanjá, muitos baianos deixaram de cumprir os rituais de oferenda à orixá por conta de boatos de arrastão na cidade. Shoppings chegaram a fechar as portas durante a tarde, quando havia relatos até de PMs grevistas encapuzados ameaçando moradores de Salvador com fuzis.

FONTE: Jornal O Dia

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O Ceará deve receber mais reforços de militares do Exército, da Força Aérea Brasileira (FAB) e Força Nacional de Segurança Pública (FNSP) nos próximos dias, anunciou o tenente-coronel Charles Moura, da 10ª Região Militar de Fortaleza. Além das tropas locais, estão no Estado homens do exército do Rio Grande do Norte, Pernambuco, Maranhão e Piauí.

De acordo com o oficial, além dos 1.100 homens que estão no Ceará atualmente, está prevista a chegada de outros 400 do Exército, da Força Aérea e da Força Nacional de Segurança Pública e de dois veículos blindados.

A operação “Força Ceará” está sendo executada no Estado com ordem da presidente Dilma Rouseff e só será finalizada com ordem da presidência, segundo o oficial. O reforço foi iniciado na última sexta-feira (30), após a greve dos policiais militares e bombeiros ter sido decretada. As duas categorias encerraram a paralisação na madrugada desta quarta-feira (4), horas antes da Polícia Civil anunciar a retomada de uma antiga paralisação.

De acordo com o tenente-coronel, homens do Exército estão reforçando a segurança nas delegacias que estão de greve no Ceará. “As tropas estão em algumas delegacias para manter a ordem nesses lugares, a preservação do patrimônio. E está havendo um monitoramento para que, caso seja necessário, o Exército tome medidas administrativas para viabilizar as prisões”, disse.

Até amanhã desta quarta, um total de 160 veículos de policiamento fazia o patrulhamento ostensivo no Estado.

FONTE: Diário do Nordeste