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vinheta-clipping-forte1Após oito meses sem contato formal, o Irã e as grandes potências encerraram ontem mais uma rodada de negociações nucleares sem alcançar um acordo, mas com planos de novos encontros em março e abril.

Apesar de prolongar o impasse acerca do programa nuclear iraniano, o desfecho foi visto como um passo importante nos esforços para apaziguar os ânimos e diluir riscos de uma nova guerra no Oriente Médio.

O Irã manifestou sua satisfação após dois dias de reuniões a portas fechadas em Almaty, capital do Cazaquistão, com representantes de China, Rússia, EUA, França, Reino Unido e Alemanha.

“Desta vez percebemos que [as potências] tentaram se aproximar do nosso ponto de vista”, declarou o principal negociador iraniano, Saeed Jalili.

Ele deixou claro que ainda existe um “longo caminho até o ponto desejável”, mas ressaltou que as partes podem estar próximas de uma “guinada”.

Jalili se referia à proposta apresentada pelas potências para levantar, pela primeira vez, algumas das sanções econômicas caso Teerã atenda três exigências que tornariam mais difícil seu caminho rumo a uma eventual bomba atômica.

As medidas determinam que Teerã deve diminuir seu grau de enriquecimento de urânio para menos de 20%, enviar para o exterior estoques de urânio mais enriquecidos e suspender atividades numa central atômica construída debaixo de uma montanha.

Os iranianos, que argumentam ter direito de usar energia nuclear para produzir medicamentos e eletricidade, embarcaram de volta para Teerã sem responder à proposta.

Mas o secretário de Estado americano, John Kerry, disse que o encontro em Almaty foi “útil”, ecoando declarações de diplomatas europeus presentes no encontro.

Eleições

Fontes ocidentais disseram à Folha que não esperavam uma reviravolta na posição do Irã já que o país está às vésperas da eleição presidencial de junho, que designará o sucessor de Mahmoud Ahmadinejad, impedido por lei de se candidatar novamente.

Segundo analistas, a rodada de conversas em Almaty expôs uma abordagem mais construtiva dos dois lados, rompendo com o tom abrasivo de conversas anteriores, quando chegou a ser cogitado o fim do diálogo.

Os esforços diplomáticos visam encontrar uma solução negociada ao impasse e evitar que Israel, única potência nuclear do Oriente Médio, execute sua ameaça de bombardear o Irã.

FONTE: Folha de S. Paulo via Resenha do Exército

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Presidente iraniano afirma que propósito do projeto é defensivo, que não pretende atacar Israel e pede cooperação

 

Membros da Guarda Revolucionária iraniana celebram lançamento de míssil em exercícios militares no Irã

vinheta-clipping-forte1O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse ontem em entrevista à edição impressa do diário egípcio Al-Ahram que seu país já é um Estado nuclear, mas não tem intenções de atacar Israel. O líder persa está no Cairo, onde ontem cumpriu seu segundo dia de agenda oficial. Na esfera diplomática, no entanto, as negociações sobre o programa nuclear iraniano devem ser retomadas no fim do mês.

Na entrevista, Ahmadinejad diz que o mundo precisa lidar com o fato de que o Irã é uma potência nuclear. “Eles querem que o Irã retorne ao que era no passado, mas não terão sucesso. Eles acham que cederemos à pressão, mas essa interpretação é equivocada”, declarou. “Já somos um Estado nuclear e industrial.”

Ao afirmar que não pretende atacar Israel, o presidente iraniano ressaltou que os propósitos do programa são “defensivos”. Segundo Ahmadinejad, a melhor maneira de lidar com um Irã nuclear é a cooperação. Ainda de acordo com o líder persa, caso Israel opte por um ataque aéreo com caças para destruir o projeto atômico iraniano, o país tem um sistema de defesa capaz de responder à altura. “Eles querem atacar o Irã, mas nós não estamos preparando nenhum ataque contra eles, porque o propósito do nosso programa é a defesa”, disse o presidente.

Negociações. Na terça-feira, diplomatas ocidentais disseram ao jornal New York Times que as negociações sobre o programa nuclear iraniano serão retomadas até o fim deste mês. O grupo 5 + 1 (países com assento permanente no Conselho de Segurança e a Alemanha) e representantes do Irã se reunirão em Alma Ata, no Casaquistão .

O chanceler britânico, William Hague, disse que a necessidade de haver progresso nas negociações é “urgente”. “O Irã continua a enriquecer urânio, o que infringe as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, numa escala que não pode ser destinada para fins civis”, criticou Hague.

O acordo sobre a reunião no Casaquistão ocorre meses após a discussão sobre o local e a data da negociação. No ano passado, os EUA propuseram sediar um encontro na Turquia. Em resposta, o governo do Irã sugeriu uma reunião no Cairo. / NYT

FONTE: estadao.com.br

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O Irã planeja realizar exercícios militares para testar seu sistema de defesa aéreo, declarou neste domingo o comandante das forças antiaéreas da Guarda Revolucionária, general Farzad Esmaili, segundo a AFP. O anúncio foi feito em meio a especulações de que Israel considera realizar um ataque preventivo às instalações nucleares iranianas.

Caças e bombardeiros serão utilizados, afirmou o general à agência oficial Irna, acrescentando que objetivo é simular “cenários inesperados” e testar a capacidade de “gestão de crise”. De acordo com o comandante, a prioridade é proteger as instalações nucleares. O teste está marcado para ocorrer de 21 de setembro a 21 de outubro.

Ao mesmo tempo, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou neste domingo que “a comunidade internacional não está impondo um limite claro para o Irã”. Durante reunião com ministros, Netanyahu disse ainda que “o Irã não enxerga determinação da comunidade internacional em parar o programa nuclear do país.”

FONTE: Agência Estado, via Resenha do EB

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Israel preparado para guerra de 30 dias

Israel está preparada para uma guerra de 30 dias em múltiplas frentes contra o Irão e está “mais pronto do que nunca” para o conflito, disse hoje o ministro da Defesa Interna israelita, futuro embaixador em Pequim.

 

Numa entrevista ao jornal Maariv, Matan Vilnai disse que Israel está pronto para enfrentar as consequências de um conflito com o Irão, que poderá acontecer se o Estado judaico decidir atacar o programa nuclear iraniano.

Mas avisou que qualquer intervenção militar deve ser avaliada cautelosamente e alertou que Israel deve “sempre coordenar-se” com os Estados Unidos.

“As avaliações são para uma guerra que durará 30 dias numa série de frentes”, disse o ainda ministro, repetindo as previsões de outros altos dirigentes israelitas de que Israel sofreria cerca de 500 mortes num conflito daquele tipo.

“Pode ser que haja menos mortes, mas também pode haver mais, é esse o cenário para que estamos a preparar-nos, segundo os melhores especialistas”.

Nas últimas semanas tem sido aventada a possibilidade de Israel atacar o programa nuclear iraniano, que tanto Israel como grande parte da comunidade internacional acredita esconder um programa militar.

Teerão tem insistentemente negado essas acusações, garantindo que o programa tem finalidades pacíficas, como a energia e a medicina.

À medida que aumenta a especulação, observadores em Israel têm levantado questões sobre o estado de preparação do país para a guerra, mas Vilnai afastou as preocupações, afirmando não haver “ração para histeria”.

“Posso dizer, da forma mais autorizada, que a frente nacional está pronta que nunca na história do país”, disse.

Vilnai escusou-se a opinar sobre se Israel deve ou não atacar o Irão, mas avisou que qualquer decisão nesse sentido requer uma séria avaliação.

“A única questão é se é necessário um conflito. A guerra é algo que é melhor adiar e pesar cuidadosamente”, afirmou.

Matan Vilnai, um próximo do ministro da defesa Ehud Barak, foi nomeado embaixador de Israel na China e será substituído por um antigo responsável do Shin Beth, o serviço israelita de segurança interna, Avi Dichter.

FONTE: RTP

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A Operação ‘Grande Profeta 7′

1. O Comandante da força aeroespacial da Guarda Revolucionária do Irã, General Amir Ali Hajizadeh, concedeu entrevista coletiva afirmando que teria início hoje a operação Payambar Azam 7 (“Grande Profeta 7″), no contexto da qual serão realizados exercícios militares com mísseis de longa, média e curta distância em diversos pontos do país. Hajizadeh declarou ainda que, além de exercícios com “drones”, mísseis de fabricação iraniana seriam testados no deserto da província de Semnan contra alvos que simulariam “bases militares de países extrarregionais”.

2. Também foram anunciados testes envolvendo novo modelo de míssil antinaval desenvolvido pelo Ministério da Defesa iraniano especialmente para operações no Golfo Pérsico. Aquele militar iraniano afirmou ainda que os sistemas de radares da Turquia, o escudo antimísseis do Golfo Pérsico e o sistema israelense “Iron Dome” seriam todos vulneráveis às novas gerações de mísseis iranianos.

3. Em desenvolvimento distinto, o Vice-Comandante de Operações das forças terrestres iranianas sugeriu, em pronunciamento à agência de notícias oficial Fars, que as belonaves norte-americanas presentes no Golfo Pérsico poderiam ser alvos fáceis para embarcações iranianas menores e mais ágeis: “mais de 3.000 pequenos barcos estão pescando e comerciando nas águas regionais e sempre passam a pequenas distâncias de embarcações militares norte-americanas”.

4. Está se cutucando a onça com vara curta…

República islâmica lança mísseis em exercícios militares, enquanto EUA reforçam presença militar na região, temendo fechamento do Estreito de Ormuz

 

O Irã lançou nesta terça-feira dezenas de mísseis balísticos em exercício de simulação de ataque contra uma “base militar inimiga”, enquanto os Estados Unidos reforçam sua presença naval no Golfo Pérsico, em um contexto de tensão crescente em relação ao programa nuclear iraniano.

Os mísseis balísticos, sobretudo do tipo Shahab-3, capazes de alcançar Israel e as bases americanas no Oriente Médio, foram lançados de várias regiões contra uma réplica de uma “base militar inimiga” construída em um deserto em uma região central do Irã, indicaram Guarda Revolucionária, que controla os mísseis do país.

De acordo com o general Amir Ali Hajizadeh, número 2 da Guarda Revolucionária, as manobras tiveram “100%” de êxito e demonstram “a determinação, a vontade e a capacidade do povo iraniano para defender seus interesses nacionais”.

As atividades são “uma mensagem às nações aventureiras” que tenham a intenção de atacar o Irã, acrescentou Hajizadeh.

Risco militar

Caso o Irã sofra alguma ofensiva, os dirigentes iranianos ameaçam atacar não apenas Israel, como também as bases americanas no Golfo e no Oriente Médio.

Israel e os Estados Unidos já abordaram em diversas oportunidades nos últimos meses a possibilidade de atacar as instalações nucleares iranianas se fracassarem os esforços diplomáticos das grandes potências para convencer Teerã a interromper seu polêmico programa nuclear.

As discussões foram retomadas em abril, depois de terem ficado suspensas por 15 meses, mas as três rodadas de negociações realizadas até agora não apresentaram resultados, o que aumenta o risco de um conflito militar.

Por seu lado, os EUA, de acordo com o New York Times, têm reforçado sua presença militar no Golfo para evitar o fechamento do Estreito de Ormuz e poder atacar o Irã, caso necessário.

Esse reforço seria uma maneira de demonstrar a preocupação de Washington em relação ao programa nuclear de Teerã e sua vontade de garantir a livre circulação dos navios petroleiros por Ormuz, ainda segundo o jornal, que menciona um alto representante do Pentágono.

No Irã, cerca de 120 parlamentares assinaram um projeto de lei para proibir a passagem pelo estreito de petroleiros que vão até a Europa, que embargou o petróleo iraniano.

Desde o início do ano, o Irã ameaça fechar o acesso, por onde passa 35% do petróleo bruto transportado por via marítima no mundo, em caso de sanções contra as exportações de petróleo. Políticos e militares, no entanto, negaram a ameaça.

Istambul

Ainda nesta terça-feira, especialistas iranianos e representantes de grandes potências se reuniram em Istambul para tentar encontrar una maneira de avançar nas negociações nucleares.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano acusou o Ocidente de comprometer as negociações e reiterou que não haverá solução diplomática sem o reconhecimento dos “direitos” nucleares do Irã, em particular o enriquecimento de urânio, aspecto central no conflito com as grandes potências.

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, tornou a repetir que Teerã não cederá às pressões contra o programa nuclear iraniano. “As sanções ocidentais ao petróleo são as mais duras já impostas ao Irã, mas os inimigos que acreditam que podem nos enfraquecer estão errados”, declarou diante de membros dos serviços de inteligência.

FONTE: iG/AFP

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O Irã já possui planos detalhados para destruir as 35 bases dos EUA no Oriente Médio, no Golfo Pérsico e na Ásia Central caso seja atacado, afirmou nesta quarta-feira o general Amir Ali Hayizadeh, comandante da Força Aeroespacial dos Guardiães da Revolução.

“Tomamos todas as medidas necessárias para situar essas bases e desdobrar mísseis para destruir todas elas nos primeiros minutos de um possível ataque (contra o Irã)”, advertiu Hayizadeh em declarações divulgadas pela agência local Fars.

Hayizadeh fez essas declarações, que detalhava os planos do Irã diante de um eventual ataque dos Estados Unidos contra seu território, no final de um exercicio militar de três dias. Neste, os Guardiães da Revolução testaram diversos tipos de mísseis de fabricação nacional.

O comandante explicou que os Estados Unidos “tem 35 bases ao redor do Irã” e acrescentou que “todas elas estão ao alcance dos mísseis, assim como a terra ocupada da Palestina (Israel)”.

Segundo ele, as manobras de mísseis que foram realizadas nos últimos dias tinham o objetivo de destruir réplicas de hipotéticas bases dos EUA na região, assegurando que o resultado dos testes tinha sido um grande êxito.

O site dos Guardiães da Revolução Sepah News informou nesta quarta que dentro dessas manobras foram usados mísseis do tipo “Golfo Pérsico” (antinavios) contra alvos marítimos, com o apoio de aviões de combate e aeronaves não tripuladas.

Ontem, os guardiães da Revolução asseguraram que tinham destruído sete hipotéticas bases das “forças alheias à região” em manobras aéreas e com lançamento de mísseis de até 1,3 mil km de alcance, embora Hayizadeh tenha feito questão de ressaltar que o país dispõe de mísseis que superam 2 mil km.

O Irã está submetido a sanções da ONU, dos EUA e da UE por causa de seu programa nuclear, sendo que Washington e Tel Aviv ameaçaram atacar o território iraniano caso não haja uma paralisação de suas atividades atômicas. Neste caso, Teerã respondeu que daria uma resposta “arrasadora” e que também poderia fechar o estratégico Estreito de Ormuz.

Enquanto alguns países, liderados pelos EUA, suspeitam que o programa nuclear iraniano possui uma vertente armamentista destinada a fabricação de armas atômicas, Teerã assegura que seu programa é exclusivamente civil, pacífico e ainda respeita o Tratado de Não-Proliferação (TNP) nuclear.

Ontem, em sua entrevista coletiva semanal, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Ramin Mehmanparast, comentou as manobras realizadas e disse que a mensagem desses exercícios é que “Irã tem total autoridade e preparação para garantir a segurança no Golfo Pérsico e no tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz”.

O presidente da Comissão de Segurança Nacional e Política Externa do Parlamento do Irã, Alaedin Boruyerdi, disse que Teerã considera a presença de forças estrangeiras na região “prejudicial” para a segurança, acrescentando que as manobras com mísseis mostram a capacidade do Irã para manter a estabilidade na área.

FONTE: Terra

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Por Marcus George

DUBAI, 3 Jul (Reuters) – O Irã disse nesta terça-feira que testou com sucesso mísseis de médio alcance capazes de atingir Israel, em resposta às ameaças de ação militar contra o país, disse a imprensa iraniana.

Israel diz que pode atacar instalações nucleares do Irã se a diplomacia não conseguir convencer a República Islâmica a abandonar seu programa de enriquecimento de urânio, que Teerã diz ser exclusivamente pacífico. Os EUA também não descartam uma ação militar, mas pedem mais paciência para que a pressão diplomática e as sanções econômicas surtam efeito.

O Irã anunciou ter realizado o teste de lançamento “Grande Profeta 7″ no domingo, dia em que entrou totalmente em vigor o embargo da União Europeia à importação de petróleo do Irã, e depois de mais uma infrutífera rodada de negociações entre Teerã e potências mundiais sobre o programa nuclear iraniano.

O canal estatal Press TV, que transmite em inglês, disse que o míssil Shahab 3, com alcance de 1.300 quilômetros –capaz de chegar a Israel– foi testado junto com o Shahab 1 e o Shabab 2, que têm alcance menor.

“O principal objetivo do exercício é demonstrar a disposição política da nação iraniana em defender valores vitais e interesses nacionais”, disse Hossein Salami, subcomandante da Guarda Revolucionária, segundo a Press TV. “As manobras foram uma resposta às rudes palavras proferidas contra o Irã”, acrescentou ele, segundo a agência Fars.

De acordo com a Fars, dezenas de mísseis foram disparados contra bases aéreas simuladas, e aviões teleguiados devem ser testados na quarta-feira. Analistas, no entanto, contestam algumas declarações militares do Irã, dizendo que o país repetidamente exagera suas capacidades.

Os testes militares e outras atitudes do Irã sobressaltam o mercado mundial de petróleo. Na segunda-feira, parlamentares iranianos propuseram uma lei exigindo que o país tente bloquear o trânsito de navios que passem pelo estreito de Ormuz, única entrada do Golfo Pérsico, levando petróleo para nações que apoiam as sanções.

Analistas dizem que o projeto só deve virar lei se tiver o aval da líder supremo do país, aiatolá Ali Khamenei. (Reportagem adicional de Yeganeh Torbati)

FONTE: Reuters

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Um funcionário do Irã vinculado ao programa de mísseis balísticos é uma das peças- chave, do projeto militar mantido em sigilo, pelo governo de Hugo Chávez. Documentos obtidos e fontes próximas revelaram que o projeto venezuelano de aviões não tripulados –conhecido como M2- está a cargo do engenheiro da Guarda Revolucionária do Irã, Ramin Keshavarz.

FONTE: La Nacion

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O Irã deixou claro que, se atacado por Israel ou EUA, responderá à altura. Mas como seria uma represália iraniana?

 

Jonathan Marcus

E quais seriam as consequências, na região e no próprio Irã?

Os resultados potenciais de um ataque israelense seriam sérios a ponto de tornar a ação militar a pior opção para interromper o programa nuclear iraniano?

“A capacidade iraniana de atacar diretamente Israel é limitada”, diz Mark Fitzpatrick, diretor do Programa de Desarmamento e Não-Proliferação do Instituto Internacional para Estudos Estratégicos (International Institute for Strategic Studies ou IISS na sigla em inglês).

“Sua Força Aérea ultrapassada é completamente superada pela dos israelenses e possui apenas um pequeno número de mísseis balísticos que poderiam chegar em Israel”, afirma.

Fitzpatrick diz que o arsenal balístico iraniano inclui “uma versão modificada do Shahab-3, o Ghadr-1, que tem alcance de 1,6 mil km, mas o Irã tem só seis equipamentos do tipo transportador eretor lançador (TEL na sigla em inglês) para os mísseis”.

“O novo míssil, o Sajjil-2, também poderia atingir Israel, mas este não está ainda totalmente pronto”, afirma.

Fitzpatrick argumenta ainda que “ambos os mísseis são muito imprecisos para terem qualquer efeito em alvos militares quando armados com armas convencionais”.

“Eles também não são formas muito eficientes de transportar armas químicas ou biológicas e o Irã não tem armas nucleares.”

Resumindo, ele acredita que “um ataque iraniano com mísseis seria apenas um gesto simbólico”.

Fitzpatrick acredita que é mais provável que o Irã responda a Israel “assimetricamente” e por meio de aliados como os grupos Hezbollah e o Hamas. O também xiita Hezbollah tem mais de 10 mil lançadores de foguetes no sul do Líbano, muitos deles fornecidos pelo Irã.

“A maioria é de Katyushas com alcance de 25 km, mas também Fahr (alcance de 45 km), Fajr-5 (75km), Zelzal-2 (200km) e potencialmente Fath 110 (alcance de 200 km), além de cerca de 10 mísseis Scud-D que carregam cerca de 750 kg de munição e atingiriam qualquer parte de Israel.”

Ele diz que o grupo palestino Hamas, que controla a Faixa de Gaza, poderia também atacar Israel com mísseis de curto alcance.

O maior perigo seria a deflagração de um conflito com qualquer um destes dois grupos.

Com tanta instabilidade no Oriente Médio, incluindo a crise na Síria, há um risco real de que um ataque israelense dê início a um conflito regional mais amplo.

Mar

A Marinha iraniana e especialmente o braço naval de sua Guarda Islâmica Revolucionária são bem equipados com pequenos barcos capazes de depositar minas ou atacar embarcações maiores.

O Irã tem ainda eficientes mísseis contra embarcações, baseados em solo.

Eles poderiam ser usados para fechar uma artéria vital para o suprimento de petróleo, o estreito de Hormuz.

A Marinha americana tem confiança de que poderia reabrir o estreito, mas isso poderia dar início a um conflito entre EUA e Irã e, a curto prazo, teria um impacto significativo no preço do petróleo.

Daniel Byman, especialista em contra-terrorismo no Instituto Brookings de Washington disse que há ainda “uma preocupação considerável de que o Irã e grupos como o libanês Hezbollah possam se dedicar a ataques terroristas após um ataque israelense”.

“O Irã tem por vezes usado esse tipo de ataque contra inimigos”, diz ele. Já existe, diz ele, uma guerra clandestina em andamento.

“Israel e o Irã já estão se atacando (Israel com mais sucesso e foco)”, explica Byman, se referindo ao assassinato de cientistas nucleares iranianos.

“Não tenho certeza se Israel aumentaria esses ataques se fosse alvejado, mas o Irã sim”, completa.

“Os ataques que, acredita-se, teriam sido feitos pelo Irã na Índia e Tailândia mostram que o país (persa) permanece determinado a atingir Israel, presumidamente em retaliação por Israel ter assassinado chefes do Hezbollah como Imad Mughniyeh e os ataques contra cientistas nucleares iranianos.”

“No entanto, esses ataques recentes não foram bem executados, sugerindo que o profissionalismo dos serviços iranianos é desigual”, diz ele.

Especialistas acreditam que, de toda forma, o governo iraniano teria que medir bem sua resposta a qualquer ataque.

Para Karim Sadjadpour, especialista em Irã do Instituto Carnegie Endowment for International Peace, “se a resposta for insuficiente, eles seriam humilhados, se for demasiada, seriam aniquilados”.

“O Irã vai querer responder o suficiente para inflamar o ambiente de segurança regional e ter um impacto negativo na economia global, para atrair condenação internacional para Israel e os EUA, mas não fariam nada que pedisse uma resposta americana forte.”

Legalidade

Após sofrer qualquer ataque, o Irã poderia obviamente buscar algum tipo de condenação na ONU. Isso levanta uma série de questões legais sobre a operação militar.

Uma coisa é clara, em termos de leis internacionais, um ataque israelense ao Irã seria ilegal.

A invasão americana do Iraque gerou um conflito que custou milhares de vidas e bilhões de dólares.

A professora de direito internacional na Universidade de Notre Dame, Mary Ellen O´Connell, diz que para ser considerado legal “seria necessária a autorização do Conselho de Segurança da ONU já que o Irã não lançou um ataque armado contra Israel ou os EUA”.

“O regulamento da ONU deixa claro que o uso da força é proibido a não ser que um Estado aja em defesa própria em caso de ataque armado ou tenha a autorização do Conselho de Segurança”.

Israel, claro, alegaria estar agindo de forma preventiva contra um futuro ataque nuclear do Irã (embora ninguém ainda acredite que o Irã já tenha uma bomba nuclear), mas O´Conell diz que ainda assim um ataque israelense não seria legítimo.

“Há um intenso debate entre advogados internacionais sobre até que ponto um Estado pode responder a um ataque armado: ele deve estar acontecendo ou poderia ser iminente?”

“Não há praticamente apoio nenhum de especialistas para um ataque para prevenir um hipotético ataque futuro.”

Mas os países fazem o que acham que devem fazer quando seus interesses vitais estão em risco?

A Otan por exemplo atacou a Sérvia e as forças sérvias no Kosovo e os EUA e seus aliados invadiram o Iraque, em ambos os casos sem a aprovação do Conselho de Segurança.

O’Connell diz que em ambos os casos o uso de força custou caro.

“Compare esses dois conflitos com o uso legal da força para libertar o Kuwait após a invasão iraquiana, quando os EUA saíram do conflito com ganhos morais e financeiros.”

Muitos vão ainda levantar a questão das mortes causadas por um ataque israelense, sobretudo se a operação não seria sancionada por leis internacionais.

Há apoio generalizado dentro do Irã ao seu controverso programa nuclear.

Sem saber quais seriam o salvos, qual o momento do ataque e se eles seriam atacados mais uma vez, é difícil calcular o número de vítimas em potencial.

Especialistas dizem que o reator nuclear de Bushehr, em atividade, não deve ser um alvo militar porque ele não tem relação com o programa militar e o vazamento de radiação causaria muitas vítimas civis. Mas, obviamente que aviões podem ser derrubados e bombas ou outros disparos podem ser feitos.

Dentro do país

Há ainda as reações iranianas a um ataque. Como os iranianos responderiam? Qual o impacto sobre o programa nuclear e quais as implicações para o regime?

Atualmente, não está claro se o Irã está decidido a ir em frente com seu programa de armas nucleares.

Para Trita Parsi, autor do livro que analisa a postura da administração Obama frente ao Irã (A Single Roll of the Dice – Obama’s Diplomacy With Iran), se Israel atacar, a postura do Irã vai mudar consideravelmente.

“Não encontrei nenhum analista que não acreditasse que a determinação do governo iraniano e seu desejo por armas nucleares não fossem aumentar consideravelmente se o Irã for atacado”, diz ele.

E um ataque militar pode aumentar o apoio ao aiatolá Ali Khamenei.

Ele diz que o governo americano acredita que após um ataque israelense “os iranianos vão empurrar seu programa nuclear ainda mais clandestinamente, sair (ou ameaçar sair) do Tratado de Não-Proliferaçao, chutar os monitores da Agência Internacional de Energia Atômica e se dedicar a conseguir uma bomba”.

“Como dizem alguns comandantes militares americanos, bombardear o Irã é o meio mais rápido de assegurar a bomba iraniana”, diz ele.

Parsi, que preside também o Conselho Iraniano Americano Nacional, diz que um evento do gênero teria implicações dentro do Irã.

“O regime é muito impopular e as feridas causadas pelas violações de direitos humanos desde as eleições de 2009 ainda estão abertas e sangrando.”

“Mas um ataque ao Irã, especialmente se tiverem muitas vítimas civis, deve unir facções contra um agressor externo. Isto já aconteceu em 1980 com a invasão de Saddam Husseim ao Irã,” diz.

Este pensamento deve inspirar cautela nos políticos ocidentais e israelenses, que de tempos em tempos flertam com a ideia de mudança de regime no Irã.

Tudo sugere que mesmo um ataque militar israelense bem-sucedido contra o Irã apenas atrasaria o programa nuclear do país em alguns anos.

O ataque pode ainda consolidar no Irã o desejo por armas nucleares. Pode unir a população em torno do regime. E as consequências regionais de qualquer ataque seriam consideráveis. Na pior das hipóteses, precipitaria um conflito no Golfo e nas fronteiras de Israel.

Não surpreende portanto que a administração Obama pareça tentar dissuadir Israel de qualquer ataque, pelo menos agora.

Muitos analistas acreditam que as sanções ainda podem funcionar no sentido de levar o Irã a buscar uma solução diplomática.

FONTE: BBC

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Israel tomará sozinho a decisão de atacar o Irã, declarou na noite de sábado o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas israelenses, o general Benny Gantz, antes do início de uma visita do conselheiro de segurança nacional do presidente americano Barack Obama. “Israel é o fiador central de sua própria segurança. É nosso papel como exército. O Estado de Israel deve se defender”, argumentou o general Gantz em uma entrevista à rede de televisão pública.

O chefe do Estado-Maior israelense, muito prudente, aceitou neste fim de semana dar uma série de entrevistas aos principais canais de televisão dedicadas essencialmente à crise iraniana. Estas entrevistas coincidem com a chegada a Israel do conselheiro de segurança nacional americano, Tom Donilon, para realizar “consultas com funcionários de alto escalão israelenses sobre diversos temas, entre eles os de Irã, Síria e questões relativas à segurança da região”.

Segundo o general Gantz, o Irã não apenas é um “problema israelense”, mas também “um problema regional e mundial”. O ministro israelense da Defesa, Ehud Barak, convocou no sábado a comunidade internacional para aumentar o regime de sanções contra o Irã antes que este país ingresse em uma “zona de imunidade”, que o tornaria invulnerável aos ataques contra seu programa nuclear. Há algumas semanas persiste o rumor de que Israel poderia bombardear o Irã para paralisar seu programa nuclear.

FONTE: Terra/AFP

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Prestes a se tornar potência global, Brasil não poderá mais ser amigo de todos, diz jornal

 

O jornal britânico Financial Times afirma em sua edição desta quarta-feira (8) que, prestes a se tornar potência global, o Brasil não poderá mais “ser amigo de todos”, especialmente como no período da Guerra Fria, no qual o país teria assumido uma postura neutra, segundo a publicação.

O jornal dedica meia página a um texto sobre a blogueira cubana Yoani Sánchez, a quem chama de principal voz da oposição ao regime castrista, e comenta o papel do Brasil na recente tentativa da autora do blog Generation Y de deixar a ilha para uma visita ao Brasil.

Escrevendo de São Paulo, o colunista Joe Leahy usa o episódio para comparar a política externa do governo Dilma Rousseff em relação a seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Sob o título “Política externa do Brasil não pode ficar para sempre em cima do muro”, Leahy lembra que, ao ser cobrada por ativistas cubanos para que se manifestasse sobre Direitos Humanos em Cuba, em sua primeira visita como presidente ao país, Dilma Roussef preferiu “apontar o dedo para os Estados Unidos”. Na época, Dilma afirmou que todos os países têm telhado de vidro no tema direitos humanos e citou a Base de Guantánamo, que causa constrangimentos ao governo americano.

Postura ambivalente

O colunista também destaca que o governo brasileiro concedeu visto à blogueira, embora Cuba tenha vetado sua saída para o lançamento de um filme no Brasil. Dilma, diz Leahy, “fez o que podia”, considerados os laços históricos de seu partido, o PT, com o regime cubano.

O colunista do FT afirma, porém, que a recente “postura ambivalente” em relação a Cuba não significa continuidade do estilo de Lula, que, segundo ele, despertou a ira de Washington em casos como o da tentativa de Brasil e Turquia de convencerem o Irã a evitar retaliações das grandes potências e provar os fins pacíficos de sua política de enriquecimento de urânio. Leahy diz que Dilma pode surpreender quem a observar mais atentamente.

“Ao contrário (de Lula), Rousseff adotou uma postura mais pró-ativa”, afirma, antes de citar a condenação do governo brasileiro à sentença de morte por apedrejamento de uma mulher no Irã e ao voto do Brasil na ONU favorável à investigação do tema Direitos Humanos no país asiático. A mudança, diz o colunista, foi notada em Teerã, o que fez o presidente Mahmmoud Ahmadinejad evitar o Brasil em seu recente giro pela América do Sul.

O colunista do Financial Times afirma que, na medida em que o Brasil se posiciona como potência global, os diplomatas do país terão que ser “mais assertivos sobre o que apóiam”. E conclui: “Se o Brasil está prestes a se tornar potência global, não poderá mais ser amigo de todos”.

FONTE: BBC Brasil, via R7

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Robert Fisk escreve: “um ataque a Teerã seria loucura. Por isso mesmo, não exclua a possibilidade”

 

Tradução: Vila Vudu

Se Israel atacar o Irã esse ano, Israel – e os EUA – darão prova de serem ainda mais doidos do que seus inimigos acreditam que sejam. Sim, Mahmoud Ahmadinejad, o presidente iraniano, é doido, mas Avigdor Lieberman, que parece ser ministro dos Negócios Exteriores de Israel, também é. Talvez queiram fazer favores um ao outro.

Mas por que Israel bombardearia o Irã, e atrairia sobre a própria cabeça a fúria simultânea do Hezbollah libanês e do Hamás — sem falar na Síria? E, isso, também sem lembrar que Israel atrairia para o fundo do mesmo buraco e para o mesmo tiroteio o ocidente – a Europa e os EUA.

Talvez seja porque vivo no Oriente Médio há 36 anos, mas pressinto alguma tramóia no ar. Até Leon Panetta, nada menos que secretário de Defesa dos EUA, anda dizendo que Israel talvez ataque o Irã. E também a CNN – e seria difícil achar mais antiga criadora de tramóias –, e até o velho David Ignatius[1], que não está no Oriente Médio há uma ou duas décadas, repete que Israel talvez ataque o Irã, “informação” colhida, como sempre, de suas “fontes” israelenses.

Já esperava esse tipo de conversa, quando passava os olhos pelo The New York Times Magazine da semana passada – e não é propaganda, porque não quero que os leitores de The Independent percam tempo e energia lendo aquelas bobagens – e encontrei um alerta, escrito por um “analista” (nunca consegui entender o quê, exatamente, é um “analista”) israelense, Ronen Bergman, do jornal israelense Yedioth Ahronoth.

Eis aqui a isca de Bergman, bem no estilo da velha toada da velha propaganda de guerra: “Depois de falar com muitos [sic] altos líderes israelenses e comandantes [outro sic] militares e da inteligência de Israel, estou convencido de que Israel realmente atacará o Irã em 2012. Talvez na pequena e cada vez menor janela de tempo que ainda resta, os EUA decidam, afinal, fazer alguma coisa, mas do ponto de vista de Israel, a esperança já é quase nenhuma. Em vez de esperança, o que se vê é a mesma combinação, tão típica dos israelenses, de medo e tenacidade, a feroz convicção, certa ou errada, de os israelenses sempre têm de se defender sozinhos.”

Ora essa! Primeiro, qualquer jornalista que preveja ataque de Israel contra o Irã põe o próprio pescoço na guilhotina. Segundo, jornalista que preste – e há muitos em Israel – perguntaria a si mesmo, antes de escrever: Para quem estou trabalhando? Para o meu jornal? Ou para o meu governo?

Panetta, que já mentiu aos soldados dos EUA no Iraque, quando lhes disse que estavam lá por causa do 11 de Setembro, deveria saber jogar o jogo com mais competência. A CNN também. E Ignatius é para ser esquecido. Mas… que conversa é essa, em geral? Nove anos depois de invadir o Iraque – aventura muitíssimo bem sucedida, como não se cansam de repetir até hoje –, porque Saddam Hussein tinha “armas de destruição em massa”, lá estamos nós, aplaudindo que Israel bombardeie o Irã, por causa de outras “armas de destruição em massa”, ainda mais improváveis.

Não duvido de que, segundos depois de ouvir o noticiário, os redatores grotescos que redigem os discursos de Obama já estarão metendo mãos à obra para encontrar as palavras certas de apoio a um ataque israelense. Se Obama pode trocar a defesa da liberdade e dos direitos dos palestinos ao próprio Estado pela própria reeleição, não há dúvidas de que poderá apoiar a agressão israelense, na esperança de que o mantenha na Casa Branca.

Mas, se os mísseis iranianos começarem a chover sobre os navios de guerra dos EUA no Golfo – para não falar das bases norte-americnas no Afeganistão –, os redatores de discursos de Obama terão, aí sim, muito mais trabalho. Que, pelo menos, não deixemos que britânicos e franceses entrem nessa.


[1] David Ignatius é colunista norte-americano, muito conhecido por suas ligações com a inteligência israelense; aparece lembrado aí, por causa de matéria intitulada “Is Israel preparing to attack Iran?”, 2/2/2012, publicada no Washington Post, que foi comentada ontem em vários jornais do mundo, precisamente pelo tom de desabrida propaganda de guerra [NTs].

FONTE: www.outraspalavras.net

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Turquia critica o Irã pelo silêncio sobre a violência na Síria

ANKARA, Turquia, 5 Fev 2012 (AFP) -O vice-primeiro-ministro turco, Bulent Arinç, criticou o Irã abertamente neste domingo, por ter mantido silêncio sobre a repressão, pelo presidente sírio Bashar al-Assad, da revolta popular contra o regime.

“Dirijo-me a ti, República Islâmica do Irã: não sei se és digna de ostentar no nome a palavra Islã, mas disseste uma só frase sobre o que acontece na Síria?”, indagou Arinç, porta-voz do governo, durante uma reunião em Bursa (noroeste) do Partido da Justiça e do Desenvolvimento (AKP, islâmico moderado), no poder, citado pela agência de notícias Anatolia.

O Irã é o principal aliado da Síria na região. Vários opositores acusaram Teerã de ajudar Damasco a reprimir com fogo e sangue o movimento de contestação que abala o país desde março de 2011, deixando mais 6.000 mortos, segundo organizações dos direitos humanos.
Arinç denunciou um “grande massacre” realizado na sexta-feira pelo regime de Al-Assad em Homs, centro da revolta onde morreram mais de 200 pessoas, e afirmou que, na região, “só a Turquia” se declarou abertamente contra a repressão.

“O Líbano, por acaso, pronunciou uma só palavra de compaixão por nossos irmãos muçulmanos mortos? Não, só a Turquia elevou a voz”, disse.
O governo de Ancara chegou a romper com seu antigo aliado sírio, devido à encarniçada repressão às manifestações.

FONTE: AFP

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Explosão atinge depósito de armas no Irã

Autoridades iranianas afirmaram que houve uma forte explosão, ontem, em um depósito de armamentos em uma base militar da Guarda Revolucionária do país.

Equipes de resgate foram enviadas ao local, Bidganeh, próximo à cidade de Karaj e a 20 quilômetros de Teerã.

Ramazan Sharif, porta-voz da Guarda Revolucionária, disse em pronunciamento na televisão estatal que “pessoas foram martirizadas e tantas outras, feridas”. Ele afirmou, também, que especialistas estão investigando as causas do evento.

Ao menos 27 foram mortos, segundo informação oficial.

O jornal israelense “Haaretz” diz que, no local, está estacionada a 5ª Brigada Raad, capaz de lançar mísseis Shahab de número 3 e 4.

A explosão destruiu vidros de bairros próximos, segundo testemunhos, e foi ouvida mesmo no centro da capital.

A princípio, havia sido noticiado que o incidente havia ocorrido em uma estação de distribuição de combustível. A informação foi desmentida pelo Ministério do Petróleo.

Os arredores de Teerã concentram diversas bases militares. Há dois anos, uma explosão em outra base, no oeste do país, causou 20 mortes.

Na ocasião, especulou-se que Israel tivesse tido participação no ataque. O Irã afirma que foi um acidente.

Nesta semana, a Agência Internacional de Energia Atômica, vinculada à ONU, afirmou, em relatório, que o programa nuclear iraniano pode ter fins militares.

O Irã nega, mas a divulgação do relatório intensificou a pressão ao país para comprovar os fins pacíficos de seu programa nuclear, assim como suscitou rumores de um possível ataque militar israelense ou americano ao país.

Autoridades iranianas, incluindo o líder supremo, ameaçam com intensa retaliação. Nesta semana, o aitolá Ali Khamenei advertiu “os inimigos, sobretudo os Estados Unidos, seus vassalos e Israel” que seu país reagirá “com punho de ferro” a uma eventual agressão.

FONTE: Folha de São Paulo

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Catherine Ashton quer convencer o governo a aderir ao esforço da comunidade internacional para frear o programa nuclear iraniano

 

GENEBRA – A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, desembarca no Brasil neste fim de semana para cobrar do governo da presidente Dilma Rousseff a adoção de uma posição mais firme contra a repressão na Síria e pressionar o País a aliar-se aos esforços da comunidade internacional para conter o programa nuclear do Irã. O governo brasileiro confirmou ao Estado que os temas estarão na agenda da visita. Ashton é uma das principais defensoras das sanções contra o Irã e insiste que a situação na Síria já não pode ser resolvida com Bashar Assad no poder. Nas últimas semanas, ela vem liderando uma ofensiva diplomática que, ao lado dos EUA, busca mobilizar os principais centros de poder no mundo para asfixiar financeiramente os dois regimes.

Em discurso ao Parlamento Europeu, Ashton reiterou que espera convencer o Brasil a caminhar ao lado das sanções promovidas pela comunidade internacional em ambos os casos. “Vou ao Brasil no fim de semana”, disse. “Um dos tópicos da agenda é explicar o que estamos fazendo (em relação ao Irã). Queremos uma ampla aliança nessa questão e um entendimento de que as sanções são vitais para forçar o governo de Teerã a voltar a negociar uma solução. Precisamos que a comunidade internacional atue de forma coordenada”, declarou, referindo-se a Brasília. “Vou concentrar minha agenda no Brasil no tema iraniano”, disse Ashton, que também destacou a necessidade de coordenar com o governo brasileiro posições em assuntos de direitos humanos. Ashton sabe que as sanções que se limitam a europeus e americanos terão pouco impacto e espera mais apoio internacional. Para isso, tenta conseguir a adesão de outros parceiros, como China, Coreia do Sul, Rússia e Japão.

O Itamaraty, porém, indicou ontem mesmo que rejeitará o apelo da diplomata europeia e manterá a linha atual de sua política externa – contrária à imposição de sanções econômicas fora do âmbito das Nações Unidas. Há menos de um mês, em Genebra, o chanceler Antonio Patriota reuniu-se com uma delegação iraniana e deu garantias de que o Brasil “nunca” apoiaria sanções unilaterais. Na avaliação do Brasil, só o diálogo poderá levar a um acordo sobre o programa nuclear do Irã.

Ashton indicou, no entanto, que não esperará indefinidamente por uma resposta iraniana. “O tempo está se esgotando e o Conselho de Segurança vai querer em algum momento avaliar se o Irã está cumprindo as determinações”, disse.

Apesar da pressão, Ashton insiste que fez chegar aos iranianos, por intermédio da Turquia, a mensagem de que está disposta a negociar. A mesma mensagem será passada ao Brasil, para que o País use os canais que Brasília dispõe em Teerã. “Nossa posição é a de apoiar o diálogo. Mas temos de fazer com que o Irã entenda suas responsabilidades”, disse.

A chefe da diplomacia europeia também disse que a situação da Síria é tratada como “prioridade”. “É alarmante o que ocorre na Síria”, afirmou. Segundo ela, a UE está pressionando “todos os dias e a cada hora” seus principais parceiros para que cheguem a uma posição conjunta. O principal desafio é convencer Rússia e China, países que têm poder de veto no Conselho de Segurança.
Bruxelas, porém, acredita que o apoio do Brasil, mesmo fora do âmbito da ONU, seria um sinal forte em razão da influência da diplomacia brasileira nos países emergentes. Segundo disseram diplomatas brasileiros ao Estado, o recado à UE será o de que o País rejeita qualquer ação, mesmo diplomática, que conduza a uma mudança forçada de regime.

FONTE: Estadão

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Professor trabalhava em uma usina de enriquecimento de urânio no país. Autoridades iranianas acusaram Israel, que negou envolvimento no crime

 

O cientista nuclear iraniano e professor universitário Mustafa Ahmadi Roshan, de 32 anos, morreu nesta quarta-feira (11) após uma bomba explodir em seu carro no norte da capital do país, Teerã.
O atentado aumentou a tensão entre o Irã e países ocidentais, relacionada ao contestado programa nuclear iraniano, pois autoridades iranianas acusaram Israel, aliada do Ocidente, pelo ataque.

A bomba, cuja explosão feriu outras duas pessoas no bairro de Seyed Khandan, próximo à universidade, foi colocada no veículo por um indivíduo que circulava em uma motocicleta, contaram testemunhas citadas pela rede Press TV.
Roshan, professor da Universidade Tecnológica de Teerã, supervisionava a usina de enriquecimento de urânio de Natanz, na província de Isfahan.

Natanz é a principal central de enriquecimento do Irã e tem mais de 8.000 centrífugas.

Irã acusa Israel

O vice-governador de Teerã, Safarali Baratloo, acusou Israel pelo ataque.
“A bomba era de tipo magnética e semelhante àquelas usadas anteriormente para assassinar cientistas, e isso é obra dos sionistas (israelenses)”, disse , segundo a agência semioficial de notícias Fars.

O vice-presidente iraniano, Mohamad Reza Rahimi, afirmou que o assassinato de cientistas será incapaz de deter o programa nuclear iraniano.

“Atualmente, os que alegam lutar contra o terrorismo atacam nossos cientistas. Mas devem saber que os cientistas iranianos estão mais decididos do que nunca a avançar pelo caminho do progresso científico”, afirmou Rahimi.
A Organização de Energia Atômica do Irã, que não conseguiu persuadir o Ocidente de que sua busca por energia nuclear não tem um objetivo militar oculto, disse que o assassinato não a deteria: “Continuaremos nosso caminho sem nenhuma dúvida… nosso caminho é irreversível”, disse em comunicado transmitido pela televisão.
“O ato hediondo da América e do regime sionista criminoso não desviará nosso caminho glorioso… quanto mais vocês nos matam, mais nossa nação desperta”.

Preparando-se para a primeira eleição nacional desde que uma votação presidencial polêmica em 2009 provocou protestos de rua contra os 30 anos de governo clerical, os líderes do Irã lutam para conter a tensão interna. Desafiar Israel e as potências ocidentais cai bem entre muitos eleitores na nação de 76 milhões de habitantes.
Israel, cuja agência de inteligência Mossad tem um histórico de assassinatos secretos no exterior, não quis comentar o atentado desta quarta-feira.

O porta-voz da Casa Branca Tommy Vietor negou qualquer envolvimento de seu país no assassinato do cientista iraniano.
“Os Estados Unidos não tiveram absolutamente nada a ver com isso”, afirmou Vietor. “Nós condenamos fortemente todos os atos de violência, incluindo atos de violência como o que está sendo relatado hoje (quarta-feira).”
O Reino Unido, cuja embaixada em Teerã foi saqueada em novembro, descreveu as sugestões de um envolvimento de Londres como “infundadas” e condenou o assassinato de civis.

FONTE: G1

Irã enriquece urânio a 20%, segundo a ONU

A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), vinculada à ONU, confirmou que o Irã começou a enriquecer urânio a 20% nas instalações subterrâneas de Fordo, próximo de um complexo militar a 20 km da cidade sagrada de Qom.

A confirmação acirra a tensão entre Teerã e o ocidente, cujo último capítulo foram os exercícios militares realizados pelo Irã no golfo Pérsico e sua ameaça de bloquear o estreito de Hormuz.

A ameaça é uma reação à imposição de mais sanções à economia iraniana pelos EUA e ao anúncio de que a UE (União Europeia) cogita medidas semelhantes. Os países ocidentais duvidam dos alegados fins pacíficos do programa nuclear iraniano.
Antes da confirmação pela AIEA, sabia-se que o Irã enriquecia urânio a 3,5% na usina de Natanz.
Apesar de o governo iraniano dizer que o enriquecimento serve somente para alimentar um reator energético e para estudos científicos, o início das operações em Fordo aumenta os temores internacionais quanto à capacidade do Irã produzir ogivas nucleares.

O ministro das Relações Exteriores britânico, William Hague, classificou a confirmação da capacidade de enriquecimento do urânio a 20% por Teerã como “um ato de provocação que enfraquece ainda mais as afirmações do Irã de que seu programa é de natureza civil”.
Segundo Hague, o Irã tem urânio enriquecido para alimentar por mais de cinco anos um reator que ainda não foi instalado por falta de equipamento necessário para a transformação em combustível. Ele vê esse fato com suspeita.
O presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad está em Caracas firmando acordos bilaterais com o presidente Hugo Chávez. O venezuelano lamentou não ter recebido o “irmão da pátria” quando se tratava de câncer, no ano passado, e disse que ambos estão “trabalhando juntos para frear a loucura imperialista”.

FONTE: Folha de São Paulo/Agências Internacionais

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