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Pelo menos quatro mil soldados americanos deixaram nesta quarta-feira o Iraque em direção ao Kuwait, pondo praticamente fim à missão de combate dos Estados Unidos (Iraq Freedom) menos de duas semanas antes do fim do prazo oficial fixado pelo presidente Barack Obama, como confirmou o porta-voz do Departamento de Estado, P.J. Crowley.

- Nós estamos encerrando a guerra, mas não estamos encerrando nosso trabalho no Iraque – afirmou Crowley ao canal NBC News, que diz que as tropas já cruzaram a fronteira.

Restam 56 mil soldados em território iraquiano, número que será limitado a 50 mil até o próximo dia 31 – quando expira oficialmente o prazo estabelecido pela Casa Branca. As tropas restantes terão a função de apoio e treinamento às forças locais.

Conforme o programado por Obama, as tropas devem deixar gradativamente o Iraque até o fim de 2011, quando se espera que as forças locais sejam capazes de assumir o controle da segurança.

- Nós estamos mantendo a promessa que fizemos. Nossa missão de combate estará acabada no Iraque – afirmou Obama em discurso mais cedo em Ohio. A retirada acontece mais de sete anos após a invasão liderada pelos EUA que derrubou o ditador Saddam Hussein.

Segundo o presidente, até o fim do mês 100 mil tropas terão deixado o Iraque desde o fim de seu mandato.

Até esta quarta-feira, o Departamento de Defesa disse que 4.419 militares americanos morreram desde a invasão do Iraque.

FONTE: O Globo

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta segunda-feira que a guerra do Iraque se aproxima do final “como prometido e no prazo”, comemorando o que ele chamou de um sucesso de seu governo, que ocorreria em meio ao persistente instabilidade e incerteza no Iraque. Obama citou o progresso para cumprir o prazo final de retirar todas as tropas de combate do Iraque até o final de agosto. Numa lembrança da situação muito instável no Iraque, ataques a bombas e disparos de armas de fogo mataram 12 pessoas nesta segunda-feira.

“A dura verdade é que nós não vimos o final do sacrifício norte-americano no Iraque”, disse Obama aos veteranos, em discurso na convenção nacional dos Veteranos Americanos, que reúne soldados que foram mutilados na guerra. “Não se enganem: nosso comprometimento com o Iraque está mudando, passando de um esforço militar liderado por nossas tropas para um esforço civil conduzido por nossos diplomatas”, afirmou o mandatário.

O anúncio de Obama vem à tona em um momento no qual a situação no Iraque parece voltar a se deteriorar. O governo norte-americano vem prometendo há dois anos um fim responsável para a guerra no Iraque, atualmente em seu sétimo ano. No entanto, julho foi o mês com mais mortes relacionadas ao conflito em mais de dois anos, segundo números oficiais divulgados pelo governo iraquiano no fim de semana. Ao mesmo tempo, o país árabe encontra-se sem um governo efetivo desde as eleições gerais de março, que terminaram sem um vencedor claro. As diferentes facções políticas do país ainda não conseguiram um acordo para a formação de uma coalizão.

Os EUA manterão uma força de 50 mil soldados no Iraque, a qual deverá ter como missão o treinamento das tropas iraquianas. Sob um acordo negociado em 2008 com o governo iraquiano, todas as tropas dos EUA deverão deixar o país do Oriente Médio até o final de 2011. Há cerca de 65 mil militares norte-americanos atualmente no Iraque. Quando Obama assumiu a presidência, em janeiro de 2009, os EUA tinham 140 mil soldados no Iraque. Em 2007, durante a presidência de George W. Bush, os EUA chegaram a ter 167 mil soldados no Iraque.

FONTE: Estadão

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Grupo se ‘preparava para sabotar serviços de segurança e interesses estrangeiros no país’

Barra de Cinco Pixels

vinheta-clipping-forteAs forças de segurança do Marrocos desarticularam recentemente uma rede terrorista internacional composta por 24 pessoas supostamente ligada à Al-Qaeda, informou nesta segunda-feira, 26, o Ministério do Interior marroquino.

Em comunicado divulgado pela agência oficial de notícias MAP, o Ministério diz que a rede “se preparava para cometer atos de sabotagem contra os serviços de segurança e contra interesses estrangeiros no Marrocos”.

Entre os supostos membros da rede, foram detidas quatro pessoas que já tinham sido presas anteriormente por envolvimento em atos terroristas. As forças de segurança ainda apreenderam uma pistola e munição que tinham sido roubadas de um policial em Casablanca.

Segundo os primeiros detalhes da investigação, a rede recrutava ativistas marroquinos para enviá-los a focos de tensão, particularmente em Afeganistão, Iraque e Somália. Aparentemente, os supostos membros da rede já estavam preparados para partir para seus destinos.

FONTE: EFE

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Dano colateral

O site WikiLeaks desencriptou um vídeo que mostra um ataque de helicópteros Apache no Iraque em 2007, contra “civis” e jornalistas da reuters que estavam no lugar errado e na hora errada. As imagens são fortes, mas mostram o que pode acontecer na guerra urbana.

Abaixo o mesmo vídeo, sem edição:

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vinheta-clipping-forteEspecialistas em direitos humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) pediram na quinta-feira ao Iraque e aos Estados Unidos que garantam que a matança de ao menos 14 civis iraquianos em 2007, pela qual foram acusados seguranças da empresa Blackwater, chegue até a Justiça.

blackwaterO Iraque disse na segunda-feira que apresentaria uma ação judicial contra a empresa de segurança norte-americana pelas mortes em Bagdá, rechaçando a decisão de um juiz dos EUA que na semana passada rejeitou as acusações.

A ONU disse em comunicado que o caso ressaltava a necessidade de uma “supervisão credível” das empresas de segurança que trabalham para os Estados Unidos e outros governos em zonas de guerra.

Bagdá e Washington devem cooperar para resolver a matança, cometida em uma rotatória de Bagdá em setembro de 2007, “e os envolvidos devem ser responsabilizados por completo”, indicou.

O incidente da Blackwater destacou o crescente uso por parte do Pentágono de seguranças privados em zonas de guerra, e para os iraquianos simbolizou o desprezo a suas vidas por parte das forças estrangeiras no país.

Os guardas de segurança privada que protegiam o pessoal norte-americano receberam imunidade perante o processo nas Coster iraquianas após a invasão liderada pelos Estados Unidos em 2003.

“Respeitamos a independência da Justiça dos Estados Unidos e os requerimentos para um devido processo, mas nos preocupa que a recente decisão de rejeitar o caso contra os guardas da Blackwater leve a uma situação na qual ninguém seja responsabilizado pelas graves violações dos direitos humanos”, disse a presidente do grupo de especialistas independentes da ONU, Shaista Shameen.

FONTE: REUTERS / Agência Estado – Reportagem de Stephanie Nebehay

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M-ATV: produção atinge 1.000 por mês

M-ATV - foto Oshkosh

A Oshkosh Corporation informou em 22 de dezembro que a produção do M-ATV (MRAP All Terrain Vehicle – veículo todo terreno) ultrapassou a marca de 1.000 veículos por mês, com entregas adiantadas ao cronograma. Os M-ATV são de um contrato para 6.619 unidades, recebido em 30 de junho do ano de 2009. Espera-se que todos sejam entregues até maio de 2010, com destino aos Teatros de Operações do Iraque e do Afeganistão.

Dois dias depois, em 24 de dezembro, a empresa também anunciou a encomenda, por parte do Exército dos Estados Unidos, de Kits de blindagem para os M-ATV. O valor divulgado do contrato é de 54 milhões de dólares, para mais de 970 kits. 170 são do tipo explosively formed penetrator (EFP), a serem entregues até abril de 2010 e 800 são do tipo rocket-propelled grenade (RPG), para maio de 2010. Os kits de blindagem para os M-ATV são desenvolvidos em parceria com a Plasan North America, que já desenvolveu sistemas de proteção para uso em mais de  5.000 MRAPs mais antigos.

MATV-15

FONTE e FOTOS: Oshkosh Defense

SAIBA MAIS:

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GD modernizará 140 M1A1 do Iraque

M1A1-iraque

A General Dynamics modernizará 140 carros de combate M1A1 Abrams do Iraque para o padrão M1A1 SA (Situational Awareness). O contrato foi aprovado pelo ” U.S. Army Tank and Automotive Command” e está avaliado em 14 milhões de dólares.

O padrão SA inclui um FLIR (forward-looking infrared)  de segunda geração, um kit de melhorias para combate urbano denominado TUSK (Tank Urban Survivability Kit),  visão termal para o motorista, revitalização do sistema propulsor e instalação de um sistema de filtros tipo pulse-jet.

Os trabalhos ocorrerão nos EUA e a previsão é de que os mesmos estejam concluídos em maio de 2011.

FONTE/FOTO: defpro/globalsecurity

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Soldados norte-americanos observam explosões em Kirkuk (Iraque), sem reagir. De acordo com a nova estratégia dos Estados Unidos, os militarem só podem agir se a polícia iraquiana solicitar

Soldados norte-americanos observam explosões em Kirkuk (Iraque), sem reagir. De acordo com a nova estratégia dos Estados Unidos, os militarem só podem agir se a polícia iraquiana solicitar

Os soldados da Bateria B estavam em uma caminhada de rotina por um mercado central quando ouviram o barulho: um estalido baixo que foi seguido por uma pluma de fumaça preta a 500 metros de distância. Os soldados aguçaram os sentidos, com as armas de assalto de prontidão. Alguns meses atrás eles já estariam em movimento. Mas o tenente Christopher Freeman ordenou que parassem.

“Eles querem que a gente fique longe”, ele disse, referindo-se a seus homólogos da polícia iraquiana. Por um acordo que entrou em vigor em 1º de julho, as forças americanas não podem ir ao local da ação a menos que os iraquianos peçam. Por isso eles continuaram sua patrulha, enquanto a fumaça se erguia nas proximidades.

“A gente quer reagir”, disse Freeman, do 3º Batalhão, 82ª de Artilharia de Campo. “Quer ter certeza de que ninguém saia ferido. Mas é assim que agimos agora. Não é nossa luta.”

Para os soldados americanos na maior parte do Iraque – mesmo aqui em uma das cidades mais tumultuadas do país – essa é a nova realidade desde 1º de julho, depois que as forças dos EUA saíram das áreas urbanas e trocaram de papel: deixaram de conduzir missões de combate e agora ajudam a polícia e os militares locais. Os soldados recitam um novo mantra: estão aqui só para ajudar e treinar; a luta agora pertence aos iraquianos – a condição essencial, depois de quase sete anos, para que as tropas americanas voltem para casa.

Treinar as tropas locais foi um primeiro objetivo no Iraque e hoje é o pivô do plano do presidente Barack Obama para começar a retirar os soldados do Afeganistão em 18 meses. Aqui no Iraque o treinamento se mostrou difícil e muitas vezes ilusório. O governo Bush esperava entregar a segurança para os iraquianos quase imediatamente depois da invasão, em 2003, mas descobriu que as tropas iraquianas estavam mal equipadas e muitas vezes eram alvo ou instrumentos de violência sectária.

Hoje, enquanto os EUA se preparam para retirar a maior parte das tropas até o próximo verão, missões de rotina como a da Bateria B esclarecem o progresso às vezes frágil das forças de que depende o futuro da segurança do Iraque. Mas a certa altura os americanos e iraquianos tiveram de estabelecer um limite.

O novo papel de apoio da bateria marcou uma mudança filosófica em relação a 2007, quando o general David Petraeus, então principal comandante americano no Iraque, assumiu como maior prioridade a proteção da população. As novas prioridades são mais difusas: habilitar as forças locais, reforçar sua posição na comunidade, promover o desenvolvimento econômico e melhorar as relações interétnicas.

Os soldados da unidade B e outras disseram que hoje eles têm um papel para o qual não foram treinados, com mais tempo parados, movimentação limitada fora da base e missões que muitas vezes consistem em ficar parados enquanto seus oficiais trocam anotações com seus colegas iraquianos.

Alguns gostariam de ir para o Afeganistão, onde o pequeno número de tropas locais treinadas ainda precisam dos americanos para um papel ativo no combate. Outros lutam contra o tédio.

Em uma missão recente, soldados do 4º Esquadrão, 9º Regimento de Cavalaria, dirigiram cautelosamente por um cruzamento. “Esse é o auge da nossa excitação: tentar fazer o tráfego parar”, disse o sargento Homero Bazaldua, de San Antonio. A unidade não via combate desde que chegou a Kirkuk em julho.

Para uma força de combate cujos membros se alistaram durante a guerra ou realistaram depois de serviço ativo, o novo panorama exigiu adaptação.

“Eu parei de tentar explicar o que fazemos, porque é quase impossível explicar”, disse o tenente Eric Dixon, também do 4º Esquadrão. “Todo mundo tem na cabeça uma ideia do que está acontecendo, e então quando você lhes conta o que realmente acontece eles dizem: ‘Isso não tem sentido’. São os iraquianos completamente na liderança e nós apenas no apoio.”

Perguntado se é melhor assim, Dixon disse: “É difícil explicar. Como esta missão – nós gostamos, mas é aborrecida. Mas é uma missão muito mais recompensadora do que arrombar portas todos os dias. Podemos ver o progresso do que estamos fazendo”, ele acrescentou.

“Às vezes vamos em missões e eles dizem: ‘Não precisamos de vocês. Vamos cuidar disso e lhes faremos um relatório’. Não há melhor medida de sucesso que isso”.

Para a Bateria B, a missão do dia começou com uma escolta da polícia iraquiana, uma exigência para tropas americanas que entram em Kirkuk. Depois de uma breve sessão de treinamento, os quatro Humvees da unidade rumaram para um terreno enlameado onde as tropas americanas esperavam financiar um campo de futebol.

Esses projetos se tornaram cruciais para a retirada dos EUA, disse o tenente-coronel Christopher Norrie. Uma missão bem sucedida hoje, ele disse, poderia significar “uma pessoa receber um microcrédito que lhe permita abrir uma barbearia ou um salão de cabeleireiro”.

“Essa barbearia é uma ligação vital para o desenvolvimento da área, permitindo uma vitalidade econômica para pessoas que antes não tinham isso”, ele disse.

Kirkuk, uma região rica em petróleo ao norte de Bagdá, esteve no centro do impasse sobre as leis eleitorais do Iraque, pois curdos, árabes e turcomenos reivindicam a primazia na região. Mas a violência diminuiu aqui, e, exceto por um surto neste verão, continuou caindo desde 1º de julho, segundo os registros americanos.

Nessa transição, a experiência da Bateria Bravo mostra as tensões que surgem quando a teoria encontra um carro-bomba em um mercado cheio de gente.

Em vez de correr para a explosão – e proteger a população -, os soldados continuaram caminhando e incitaram os policiais iraquianos que os acompanhavam a conversar com os lojistas sobre a região. Os Humvees se moviam lentamente ao lado. Para os oficiais iraquianos, a presença americana tornava o trabalho mais perigoso.

“A verdade?”, disse Muhammad Khalif, um dos oficiais. “Nós estaríamos mais seguros se viesse só a polícia iraquiana. Às vezes, quando trabalhamos com forças da coalizão, algumas pessoas acham que a polícia iraquiana está nas mãos da coalizão.”

Quando a Bateria B obteve permissão para ir ao local da bomba, o tráfego já estava engarrafado, por isso passou uma hora antes que os soldados chegassem ao ponto da explosão, que matou seis pessoas e destruiu três prédios. Embora os americanos tenham treinado oficiais iraquianos para afastar as multidões de uma cena de crime, dezenas de pessoas passavam por ali.

O sargento Sean McLaren, de Browns Mills, Nova Jersey, quis liberar o local. Insurgentes muitas vezes planejam segundas explosões para matar as pessoas que respondem à primeira.

Mas quando ele e outros começaram a afastar as pessoas o sargento-major Carlos Soto-Bonilla lhes gritou para parar.

“Vamos falar com quem estiver no comando e deixar que eles cuidem disso”, disse. “Temos de colocar uma face iraquiana nisto, porque se não nunca sairemos deste país.”

Mais pessoas passavam por ali, destruindo potenciais evidências. A água de um cano estourado corria para a cratera de 1,5 metro deixada pela bomba.

“Você tem fita para isolar o local?”, perguntou McLaren a um oficial iraquiano. A resposta: “Temos na delegacia, mas viemos para cá correndo”.

Nos jipes mais tarde alguns soldados estavam insatisfeitos com a reação dos iraquianos. Eles demoraram demais para chegar, e um número muito grande de pessoas correu perigo.

“Os policiais iraquianos não entendem”, disse MacLaren. “Nós ficamos lá tempo demais. Eles poderiam ter detonado aquele VBIED para que as forças da coalizão reagissem, então um franco-atirador poderia nos alvejar”, ele disse, usando a sigla em inglês para “dispositivo explosivo improvisado transportado por veículo”. “Nós tentamos ajudá-los a treinar a si mesmos, mas não podemos salvar o mundo.”

Mas para Norrie os resultados, embora imperfeitos, foram um modelo de sucesso nessa etapa do conflito, quando as tropas americanas se preparam para partir.

“Foi uma solução iraquiana para um problema iraquiano, e permitir que eles façam isso é muito importante”, ele disse. “As pessoas lá na rua viram suas forças de segurança claramente no comando. Todos somos falhos aos olhos do Senhor, mas o principal é que foi uma reação iraquiana, isso é mais importante que tudo.”

FONTE: The New York Times / UOL – John Leland
Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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vinheta-clipping-forteA detonação de dois carros-bomba no centro de Bagdá matou pelo menos 136 pessoas e feriram outras 500, neste domingo, de acordo com autoridades locais. As explosões ocorreram simultaneamente, às 10h30m (horário local), na fortificada Zona Verde da capital do Iraque, que abriga sedes diplomáticas e vários prédios do governo iraquiano. Os alvos dos extremistas eram o Ministério da Justiça e o Conselho Provincial de Bagdá. Os ataques deste domingo são os maiores do ano no Iraque.

A primeira explosão tinha como alvo o Ministério da Justiça e a segunda alvejou um edifício do governo provincial, de acordo com a polícia. O porta-voz do governo Ali al-Dabbagh disse que estava num hotel quando as bombas explodiram e que ele e outras pessoas que estavam próximas ficaram cobertos de cacos de vidro. Ele disse suspeitar que militantes da al-Qaeda ou pessoas leais ao antigo governo de Saddam Hussein teriam sido responsáveis pelo ataque.

- A análise inicial mostra a impressão digital da al-Qaeda ou dos baatisas (do partido de Saddam) – disse Dabbagh.

A rua próxima ao governo provincial foi inundada de água e os bombeiros retiraram corpos carbonizados e despedaçados das ruas. Carros queimados na explosão foram empilhados ali perto.

- Não sei como ainda estou vivo. A explosão destruiu tudo. Nada está no seu lugar – disse o dono de uma loja que fica perto do ministério, Hamid Saadi, por telefone.

FONTE: O Globo/Agências Internacionais

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O brasileiro Fernando Rodrigues desejava servir em alguma missão de paz da ONU ou em um “combate contra inimigos da democracia”. Para tanto, tentou servir as Forças Armadas brasileiras ou entrar na Academia Militar das Agulhas Negras. Não conseguiu. Por uma série de circunstâncias, foi aos EUA, tornou-se marine e acabou no meio do conflito no Iraque. Nesta entrevista ao UOL Notícias, o brasileiro conta como se tornou um soldado dos EUA, o duro treinamento para ser um marine e a decisão de entrar na “briga” contra o terror.

UOL Notícias – Você sempre quis ser militar?
Fernando Rodrigues -
Não, essa vontade começou pequena, e passou a crescer exponencialmente com o passar do tempo e depois de certas portas que foram se fechando. Idealista, queria dar minha contribuição servindo as Forças Armadas em missões de paz a serviço da ONU ou, na face mais escura da moeda, em combate contra inimigos da democracia, liberdade e da própria evolução da civilização e dos direitos humanos. A princípio acomodei essa vontade quando prestei vestibular de Administração de Empresas (procurando seguir os passos de meu pai, que é empresário) no período noturno, para que pudesse servir no Núcleo de Preparação de Oficiais da Reserva (NPOR), de Curitiba (PR). Quando algumas portas foram se fechando, outras foram se abrindo e segui um caminho tão bizarro que me levou aos Estados Unidos e depois ao Oriente Médio. Até hoje me surpreende para onde essa estrada me levou e o quanto me ensinou.
UOL Notícias – Você foi impedido de servir as Forças Armadas brasileiras e também não conseguiu entrar na Academia Militar das Agulhas Negras. O que aconteceu?
Fernando Rodrigues -
Na época de alistamento, imaginava que voluntários teriam preferência na época de seleção para o serviço militar no Brasil. Embora eu estivesse em plena forma, era atleta, (como hobby era competidor de jiu-jitsu), fui dispensado por excesso de contingente enquanto outros foram aleatoriamente selecionados para as poucas vagas. Achei extremamente mal organizado e não pude servir o NPOR de Curitiba.
A vontade de servir passou a crescer e pensei em prestar concurso para a Academia Militar das Agulhas Negras (em Resende, RJ). O site de internet da AMAN estava desatualizado (a data do concurso seguinte incluía nascidos até 1980, mas na verdade esta data era a do ano passado, portanto, o próximo concurso era apenas para os nascidos até 1981). Não me dei conta do erro e procurei cursinhos para me preparar para a prova da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx, que era a porta e pré-requisito para admissão na AMAN). No dia da inscrição, fui alertado por um funcionário do correio que estava acima da idade por um mês e quatro dias (nasci no dia 26 de novembro de 1980). Foi uma grande decepção, mas Deus com certeza escreve certo com linhas tortas… Gosto de acreditar que Ele apenas tinha um melhor plano para meu desenvolvimento nessa vida.
UOL Notícias – Quando você foi para os Estados Unidos? Qual o motivo?
Fernando Rodrigues -
Em meados de 2001, enquanto planejava minhas próximas alternativas, tranquei a faculdade noturna na UNICENP. Depois de pesquisas na internet, descobri uma academia militar nos Estados Unidos chamada “The Citadel” (A Fortaleza) que era uma universidade militar que permitia alunos estrangeiros de países amigos aos EUA com visto de estudante. Pensei que seria uma boa experiência que iria ao menos me expor à disciplina e ao mundo militar com que sonhava participar. Isso tudo somado ao fato de receber diploma universitário era unir o útil ao agradável na minha perspectiva.

“As mortes de dois amigos, aliadas ao fanatismo da Al Qaeda e ‘jihadistas’, me mostrou a ameaça desses grupos à civilização, à liberdade e aos direitos humanos”

UOL Notícias – Quando decidiu entrar para o corpo dos fuzileiros navais dos EUA?
Fernando Rodrigues -
O plano original era para que eu concluísse o currículo acadêmico da Citadel (bacharelado em Ciências Políticas) e voltasse ao Brasil formado, com a experiência da academia militar estando de bom tamanho. No entanto, depois dos atentados de 11 de setembro, 2001, alguns de meus colegas que eram reservistas foram chamados pelas suas respectivas unidades e alguns foram ao Afeganistão. Depois disso, em 2003, alguns outros colegas foram ao Iraque participando da invasão e da Operation Iraqi Freedom (OIF). Foi lá que perdi dois colegas de classe, um morto em ação por um terrorista sniper e outro que foi morto quando seu veículo blindado LAV (Light Armored Vehicle) sofreu uma emboscada por terroristas recebendo 11 foguetes de RPG-7 (arma soviética antitanque).

As mortes desses dois amigos, aliadas ao fanatismo da Al Qaeda e “jihadistas”, me mostrou a ameaça desses grupos à civilização, à liberdade e aos direitos humanos (principalmente das mulheres, que são subjugadas e tratadas como animais dentro da interpretação radical islâmica destes grupos). Decidi então que a briga era minha também, de imediato saí da academia militar e comecei o processo de alistamento nos marines.

UOL Notícias – Quais são os pré-requisitos para se candidatar ao corpo dos fuzileiros navais?
Fernando Rodrigues -
Na época, tinha recebido o visto de residência permanente (conhecido como “green card”) devido ao meu casamento com minha mulher, a americana Laurie. Esse documento é o pré-requisito para alistamento nas forças armadas americanas, somado a uma “high-school degree a” (diploma equivalente ao ensino médio brasileiro). Para que eu fosse oficial, eu tinha que ter a cidania americana (nas forças armadas são precisos dois anos para se obter o “green card”; é mais rápido que na vida civil, que leva de 4 a 5 anos) e diploma universitário (Ciências Políticas).

Hoje em dia entrar nas forças armadas americanas não é difícil, é só ter a documentação necessária e ser atleta e “casca grossa”. O difícil são as etapas a ser conquistadas e ser um bom marine, aí que está o desafio. Um misto de paciência de monge tibetano, humildade de lixeiro, honra de um cavaleiro da távola redonda e, quando necessário, a força e agressividade de um leão mal humorado. Aí sim você será bem lembrado pelos que serviram ao seu lado no Marine Infantry (Infantaria dos Marines, a força de combate)…

‘O difícil é ser um bom marine, aí que está o desafio. É preciso um misto de paciência de monge tibetano, humildade de lixeiro, honra de um cavaleiro da távola redonda e, quando necessário, a força e agressividade de um leão mal humorado’

UOL Notícias – Como foi a seleção para o corpo dos fuzileiros navais?
Fernando Rodrigues -
A seleção é algo trivial e sem grandes frescuras. São testes físicos, intelectuais e psicológicos. Após toda a burocracia e testes, assinei o contrato de serviço que é irrevogável, o serviço militar dali em diante não é opcional e você não pode simplesmente se demitir ou não mais querer pertencer. As forças armadas são voluntárias, mas a partir do momento que o contrato está assinado você está servindo o governo americano até seu desligamento. Assinei meu contrato com cláusula exclusiva garantindo que eu serviria como “infantry option” (a infantaria, a “ponta de lança” do corpo de fuzileiros navais).

UOL Notícias – Como é o treinamento para se tornar um marine? Quais foram as etapas mais difícieis e exaustivas para se tornar um marine?
Fernando Rodrigues -
Os marines são 3 em 1 (terra, mar e ar) numa força menor e expedicionária para pronto emprego. Existe uma amistosa competição entre os ramos das forças armadas para ganhar mais prestígio e verbas do Departamento da Defesa dos Estados Unidos. As unidades mais relevantes, obviamente, recebem mais respaldo e emprego em missões especiais. Se tornar um marine não é tão difícil. Há dois centros de treinamento de recrutas nos Estados Unidos, um em San Diego na Califórnia e outro em Parris Island, Carolina do Norte. Este é o mais notório pântano que há muito tempo treina marines. Em 13 semanas na umidade infestada de insetos dessa base, endurece até os mais teimosos frouxos da sociedade americana.

É uma gritaria sem fim, 24 horas por dia você é submetido a um mundo onde você não é um indivíduo e sua vontade pessoal é irrelevante. Mais importante, você não sobreviverá se continuar a se portar como um indivíduo. Portanto, a dificuldade está em se aliar a um grupo de estranhos no seu pelotão dos mais variados cantos e prevalecer nesse ambiente. Meu pelotão se formou em Parris Island como o pelotão de honra. Foi um verão quente, confuso e sinistro.

“Durante o treinamento para ser um marine, é uma gritaria sem fim, 24 horas por dia você é submetido a um mundo onde você não é um indivíduo e sua vontade pessoal é irrelevante.Mais importante, você não sobreviverá se continuar a se portar como um indivíduo”

UOL Notícias – Após se tornar um marine, quais atividades fez antes de ir para o Iraque?
Fernando Rodrigues -
Fomos ao Iraque duas vezes, sete meses cada (fevereiro de 2007 ao final de setembro 2007 e a segunda campanha foi de julho 2008 à fevereiro 2009). Entre esses períodos era um misto de treinamento intenso e frenético, e de tédio e espera ao dia de embarque ao teatro de operações. O pacote de treinamento para uma campanha de combate no Iraque inclui treinamentos de combate urbano e contra-insurgência em Forte Bragg (base militar), cinco meses de treinamentos diversos e desenvolvimento de táticas operacionais padrão em Camp Lejeune, Carolina do Norte, e o mais desgastante: 40 dias de treinamento no deserto do Mojave em 29 Palms, Califórnia. É um ritmo alucinante e desgastante, especialmente para marines casados e com filhos.

Eu aceitaria melhor se a queda de Saddam Hussein fosse a justificativa dos EUA para a Guerra.

As tropas dos EUA começam a retirada das cidades iraquianas a partir desta terça-feira (30). Para o brasileiro Fernando Rodrigues, que participou de operações militares no Iraque como um marine a serviço dos EUA, a situação está sob controle. Mas “dependerá do povo iraquiano se manter unido e fortalecer seu governo e forças de segurança para que o país tenha as condições básicas e estabilidade para prosperar”, diz. Nesta entrevista ao UOL Notícias, o brasileiro fala sobre a atual situação do país, George W. Bush, Barack Obama, democracia e “radical” Irã.

UOL Notícias – Você foi a favor da guerra do Iraque? O que a sua experiência no Iraque mudou em relação à sua visão do governo George W. Bush?
Fernando Rodrigues -
Antes de responder, devo dizer que embora tenha estudado Ciências Políticas, Política Internacional e Assuntos Militares, e servido como um marine, acredito ser extremamente ousado e leviano opinar sobre assuntos tão complexos como este no meu nível de conhecimento. O cidadão comum, mesmo quando mal informado e ignorante opina e se diz contra ou a favor sem qualquer estudo sobre o assunto, apenas levando em consideração o que se ouviu aqui ou ali… Tendo dito isto, na minha ignorante opinião, que no momento não pode ser comparado à decisões de presidentes, secretários de Estado e Defesa, experts em defesa, contra-insurgência e conflitos armados, digo ter tido minhas reservas sobre os conflitos no Iraque. Durante a operação Tempestade no Deserto, de 1991, o Iraque foi expulso do Kuait, e o apoio do mundo aos EUA estava consolidado. Saddam Hussein pilhou, roubou e derramou milhares de toneladas de petróleo do Golfo Pérsico por maldade e por ser um mau perdedor.

Por motivos de logística, financeiros e estratégicos, o então presidente George Bush decidiu não ir atrás de Saddam Hussein. Ele sabia que também ganharia o presente de grego de reconstruir toda a bagunça que Saddam e seus filhos causaram durante décadas de ditadura brutal. Isso, porém, apenas adiou o inevitável. Se a entrada dos Estados Unidos na guerra para derrubar Saddam Hussein fosse descrita como tal, e não atrelada ao perigo de armar terroristas e simpatizantes com armas de destruição em massa, eu teria aceitado melhor.

Esses ditadores são uma relíquia macabra de um mundo que já se extinguiu, e é incrível que pessoas como Kim Jong Il, ou outros indivíduos controversos como o presidente do Irã Mahmoud Ahmadinejad estejam em cargos de poder, comandando a vida de tantos seres humanos… Por que continuam no poder, mesmo sendo tão negativos para seus povos, para a paz mundial e a evolução e união da raça humana no globo? Agora os povos têm culpa de serem coniventes com as classes que mantêm esses indivíduos no poder, e se se unissem seriam muito mais fácil as mudanças de regime.

A prova de quão longa foi essa guerra do Iraque mostra que alguns povos não estão prontos para a liberdade, a democracia, e apenas após longo período de violência, reconfiguração de prioridades, valores e união, apenas após isso tudo que um país se ergue dos escombros e prospera. São decisões difíceis e com impactos obviamente globais. Os Estados Unidos gastaram muitos bilhões de dólares em ajuda ao Iraque e minha segunda e última campanha lá, quando fiquei sete meses sem dar um tiro ou achar sequer uma bomba, isto prova que a guerra está no fim.

‘Se a entrada dos Estados Unidos na guerra para derrubar Saddam Hussein fosse descrita como tal, e não atrelada ao perigo de armar terroristas e simpatizantes com armas de destruição em massa, eu teria aceitado melhor’

Se o Iraque vai prosperar e manter os níveis de segurança e desenvolvimento alcançado a tanto custo, com vidas perdidas de ambos os lados, isto vai depender deles e a história vai julgar se foi certo ou errado em seu saldo final ao estudar o governo do presidente George W. Bush. Tenho a consciência limpa de que contribuí positivamente com muito trabalho e suor para ajudar esse povo nas responsabilidades que me foram confiadas.

UOL Notícias – Você votou para presidente dos EUA? O que acha das posições do presidente Barack Obama em relação ao Iraque?
Fernando Rodrigues -
Quando recebi a cidadania americana no dia 3 de julho de 2008, estava prestes a embarcar para a segunda campanha no Iraque, não tive tempo de me registrar no Estado da Flórida para votar no Iraque com um “Absentee Ballot” (envelope lacrado do governo americano para voto de tropas em campanha), portanto, não pude participar da última votação presidencial. Mas se pudesse votar, embora gostasse do senador John McCain, teria votado no atual presidente Barack Obama, pois acredito que ele é a melhor opção para os desafios e situações do momento.

As posições do presidente Obama no Iraque são baseadas nas pesquisas e entrevistas pessoais com generais, gabinetes especializados na situação em solo e cuidadosamente estudadas, depois implementadas quando decidido ser o mais razoável plano de ação. Não é o esforço de um homem só, embora muitos indivíduos (como o general David Petraeus, que comandou o teatro de operações e foi autor do “Surge”, o aumento de tropas no Iraque, que aniquilou a insurgência terrorista) tenham contribuído mais que outros. A situação daqui por diante dependerá de quanto os iraquianos querem vencer, e ver seu país prosperar. Não se pode forçar um país a evoluir.

‘A prova de quão longa foi essa guerra do Iraque mostra que alguns povos não estão prontos para a liberdade, a democracia, e apenas após longo período de violência, reconfiguração de prioridades, valores e união, apenas após isso tudo que um país se ergue dos escombros e prospera’

UOL Notícias – Os EUA começam a retirar suas tropas das cidades iraquianas a partir do próximo dia 30 de junho. Qual a situação do Iraque hoje? O país é capaz de ter a situação sob controle sem a ajuda estrangeira?
Fernando Rodrigues -
Na minha última campanha vi uma polícia iraquiana mais competente, um exército mais profissional, envolvido e tenaz no objetivo de erguer seu país. Desde 2008 até nosso retorno em fevereiro de 2009 desmontamos todas as bases avançadas da nossa área de operações e mudávamos para outra visando a data limite (em acordo com o governo iraquiano) para que todas as tropas americanas estivessem fora das cidades até junho de 2009. A partir dali, se dará a retirada de todo o restante de equipamento, pessoal e tudo que foi instalado desde 2003 que o governo iraquiano não queria utilizar (bases e infraestrutura). É um esforço homérico e uma logística monstruosa.

Motivar os subordinados nessas obras também foi um desafio, pois todos os marines novatos e jovens queriam fazer seu trabalho, participar de ações de combate ou humanitárias, não ficar desconstruindo paredes, esvaziando sacos de areia e recolhendo arame farpado e barricadas por meses no verão iraquiano e depois no inverno. Mas isso tudo mostra que a guerra estava sem dúvida no fim, e que a ausência de ação inimiga era a vitória silenciosa do povo iraquiano, com auxílio dos Estados Unidos. Repito: dependerá do povo iraquiano se manter unido e fortalecer seu governo e forças de segurança para que o país tenha as condições básicas e estabilidade para prosperar.

UOL Notícias – Gostaria de servir os EUA em outra região em conflito? Qual?
Fernando Rodrigues -
Fiquei ao todo 14 meses no Iraque. Com a guerra do Iraque e a do Afeganistão chegando ao fim, sinto que fiz minha parte. Se tivesse optado por seguir carreira como um “marine officer” teria estendido meu serviço por mais 4 anos. Decidi, entretanto, que seria mais útil à minha família e à sociedade como empresário. Tenho a segurança que os marines sobre meu comando foram bem treinados e passamos tudo que sabíamos para a nova geração, que irá para o Afeganistão em 2010. Essa guerra está também chegando ao fim e não vejo grandes perigos para meus “irmãos-de-armas”. Mantemos contato e com certeza enviarei pacotes motivantes quando lá estiverem (guloseimas, revistas, livros, filmes, etc) para os momentos entediantes. Se os Estados Unidos entrassem em algum grande conflito, em que inocentes estivessem morrendo aos milhares, com algum país radical como o Irã, talvez então cogitasse participar, mas tenho a certeza de que os marines não estarão desfalcados sem mim, afinal estão indo bem desde 1775. Missão cumprida e viramos a página do livro da vida…

FONTE / FOTOS: UOL Notícias (Edilson Saçashima-SP)

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