O Exército americano encerrou oficialmente hoje (15) a guerra no Iraque, com o arriamento de sua bandeira militar em uma cerimônia em Bagdá.
Em discurso às tropas, o secretário de Defesa norte-americano, Leon Panetta, disse que palavras não podem fazer justiça aos sacrifícios feitos durante quase nove anos de campanha militar no país. Ele avaliou que o custo foi alto tanto para os Estados Unidos quanto para o Iraque, mas que a guerra deu origem a um país livre e soberano.
Os 4 mil soldados que ainda permanecem no Iraque devem sair nos próximos dias, mas alguns instrutores e trabalhadores terceirizados vão continuar no país.
Ontem (14), em um discurso para os soldados que retornaram aos Estados Unidos, o presidente Barack Obama disse que o momento era histórico e saudou a coragem e o profissionalismo dos militares.
Quase 4,5 mil americanos, além de dezenas de milhares de iraquianos, foram mortos durante o conflito, desde o seu início em 2003.
FONTE: Agência Brasil
Fernando Eichenberg, correspondente
WASHINGTON – Os custos para os Estados Unidos das guerras no Iraque, no Afeganistão e no Paquistão poderão alcançar até US$ 4,4 trilhões, valor bem superior ao US$ 1, 3 trilhão anunciado pela Casa Branca e pelo Congresso americano. O cálculo foi feito por mais de 20 especialistas para o Watson Institute for International Studies, da Brown University – uma das mais tradicionais dos EUA, fundada em 1764. Segundo as novas estatísticas, os conflitos, consequências da guerra ao terror deflagrada pós-atentados de 11 de setembro de 2001, provocaram cerca de 225 mil vítimas entre militares e civis.
O estudo foi divulgado no mesmo dia em que o presidente Barack Obama defendeu numa entrevista coletiva a estratégia de guerra no Afeganistão, a ação americana na Líbia e também os esforços de cortes no orçamento do Pentágono. Nesta quarta, o governo anunciou ainda sua nova doutrina nacional contra o terrorismo.
Em plena batalha política com o Congresso sobre a redução de gastos do governo e do valor da dívida pública – que atingiu o teto de US$ 1,4 trilhão -, Obama disse que há “muito barulho político” nas críticas à participação dos EUA na luta contra o líbio Muamar Kadafi, e justificou a presença militar em Cabul e Islamabad.
- A missão na Líbia é limitada em tempo e em objetivo.
As operações americanas no Afeganistão e no Paquistão conseguiram comprometer gravemente a capacidade da al-Qaeda. Continuaremos mantendo a pressão sobre eles – alegou, ao elogiar a redução de US$ 400 bilhões no orçamento do Pentágono.
Nas estimativas do projeto “Custos de Guerra”, da Brown University, foram considerados os gastos de longo prazo decorrentes dos conflitos, como pagamento a militares inválidos e pensões a veteranos de guerra até 2020.
Nesse cômputo, o tamanho da conta é calculado entre US$ 3,7 trilhões e US$ 4,4 trilhões. Se as guerras perdurarem até 2020, o Pentágono necessitará de um acréscimo de ao menos US$ 450 bilhões em seu orçamento, estima o estudo.
- Há muitos custos e consequências da guerra que não podem ser quantificados, e consequências de guerras que não terminam com o fim dos combates – disse Neta Crawford, cientista política da Boston University e codiretora da pesquisa.
Gasto com veteranos deve chegar a US$ 1 trilhão
Até dezembro de 2010, os EUA destinaram mais de US$ 32 bilhões a tratamentos médicos e seguros de invalidez para mais de um milhão de veteranos, um custo que atingirá seu ápice em 30 a 40 anos, totalizando até US$ 1 trilhão, dizem os especialistas. O custo humano dos três conflitos é calculado entre 224 mil e 258 mil mortes diretas, sendo 137 mil vítimas civis no Iraque e no Afeganistão. O número de pessoas deslocadas e de refugiados é estimado em torno de 7,8 milhões.
Além de exigir mais transparência nas informações oficiais, os especialistas questionam a eficácia de uma ação militar de grande porte na luta contra o terrorismo. “As alternativas para perseguir e prender os acusados pelos atentados de 11 de Setembro, e para prevenir futuros ataques, não foram sequer consideradas: uma invasão militar no Afeganistão começou em 7 de outubro de 2001.
Esses métodos, entretanto, poderiam ter permitido aos EUA melhor prevenir e enfrentar ataques terroristas, com um custo muito menor de vidas e para o Tesouro”, defendem. Segundo um estudo da organização RAND Corporation sobre estratégias usadas contra 268 grupos terroristas entre 1968 e 2006, em apenas 7% dos casos se alcançou a vitória via uso de força militar.
A nova estratégia nacional de combate ao terrorismo em parte concorda com essas conclusões. O governo não irá mais considerar como a melhor forma de ataque o deslocamento de grandes exércitos no exterior, mas sim “agir com pressões precisas e cirúrgicas sobre grupos que ameacem os EUA”, disse o assessor de Segurança Interna da Casa Branca, John Brennan. A inteligência americana apontou o Irã e a Síria como dois principais pontos de apoio ao terrorismo hoje no mundo.
ESPECIALISTA: ‘A intervenção militar não é a melhor solução’
WASHINGTON – Catherine Lutz, diretora do Departamento de Antropologia da Brown University e codiretora do projeto “Custos de Guerra”, critica a falta de transparência do governo nas informações sobre os conflitos em Iraque, Afeganistão e Paquistão, e também questiona a eficácia da estratégia militar contra o terrorismo.
Qual o significado dos números divulgados por esse estudo?
CATHERINE LUTZ: Uma das coisas que nos surpreendeu foi o fato de ninguém ter feito isso antes. Ter, por exemplo, reunido as estatísticas de vítimas civis e militares nos três países, o que resulta num número bastante chocante, de 225 mil a 258 mil mortes. Outra coisa surpreendente é o governo americano insistir em apontar o valor de US$ 1 trilhão, que é somente uma parte do custo total das guerras. Se olharmos o quanto aumentou o orçamento do Pentágono, e as despesas com tratamento médico e invalidez, o custo da guerra no Departamento de Estado e em outras agências do governo supera rapidamente esse valor oficial.Como explicar essa diferença?
LUTZ: Politicamente é mais fácil comandar uma guerra se os custos parecem menos elevados para o público. Politicamente é importante apresentar um valor inferior. Há também o fato de que se buscam recursos para travar uma guerra no momento, e não se pensa nos custos que virão no futuro, gastos com saúde e invalidez, por exemplo, estimados entre US$ 600 bilhões e US$ 1 trilhão. Cerca de 2,2 milhões de americanos estiveram em zonas de guerra, e o número de feridos é particularmente elevado em comparação com conflitos passados. Deveria se saber, baseado na História, que isso ocorreria – vide os veteranos da Guerra do Vietnã.E a falta de transparência?
LUTZ: Transparência é bom para a democracia, mas nem tanto para as pessoas que comandam a guerra. Mas o público necessita dessas informações. As pessoas devem saber o que ocorreu em termos de perdas de vidas, de feridos, dos fluxos de refugiados e de violações de direitos humanos.Os resultados obtidos justificam os custos de guerra?
LUTZ: A RAND Corporation fez um estudo sobre o uso da guerra contra o extremismo violento. O resultado é que a intervenção militar não é a melhor solução para o problema.
FONTE: O Globo
O Iraque vai comprar US$ 13 bilhões em armamentos dos Estados Unidos até 2013 e deve gastar mais US$13 bilhões em armas depois, segundo um jornal de Bagdá, citando um porta-voz do Ministério da Defesa iraquiano.
O Al Ittihad citou o Major General Mohammed Al Askari, dizendo que o Iraque já celebrou um contrato no valor de mais de US$ 13 bilhões com os Estados Unidos.
O dinheiro será usado para comprar aviões, helicópteros, carros de combate, veículos blindados, navios de guerra e mísseis, que vão entrar em serviço na defesa iraquiana e nos ministérios do interior.
Brasileiro que serviu no Iraque narra suas aventuras e critica atual presidente norte-americano
Quase três meses depois da retirada oficial das tropas de combate norte-americanas do território iraquiano, a estratégia do presidente Barack Obama para encerrar o conflito iniciado em 2003 é criticada e chamada de populista por um ex-soldado que fala português com um sotaque misto, entre o inglês e o ‘baianês’.
Para João Paulo Pereira, brasileiro que se tornou fuzileiro naval dos Estados Unidos e que lutou no Iraque, Obama “tenta parecer um anjo, como se tivesse acabado a guerra, mas sem mudar muito a realidade do país”, disse, em entrevista ao G1, de Salvador, onde vive atualmente.
Para Pereira, a guerra “é só um jogo para o presidente”. Segundo ele, a situação do Iraque já estava sob controle mesmo antes da retirada ocorrida no final de agosto, e a medida do governo despreza os 40 mil soldados que continuam no país. Os soldados, agora tratados como “não-combatentes” têm menos status e recebem menos benefícios de que os que antes eram chamados de combatentes, explicou.
Nascido no Brasil, Pereira se mudou para os Estados Unidos junto com sua mãe quando tinha apenas 4 anos de idade, em 1989. Por ainda ser muito novo, ele diz que não teve muita dificuldade de adaptação. Ele logo aprendeu inglês e passou a ficar à vontade na nova pátria.
Pouco antes de completar 18 anos, assinou um contrato para entrar no corpo de fuzileiros navais, os “marines”, um dos mais importantes dos Estados Unidos. Por mais de 20 semanas, passou pelo processo que, segundo ele, muda as pessoas, transformando-as em soldados altamente bem preparados para conflito, pessoas agressivas, mas que acabam se consolidando como uma família. “A guerra é estressante, e o treinamento tem que nos deixar prontos para enfrentar a realidade do conflito”, contou.
Apesar de dizer que sempre se sentiu mais brasileiro de que americano, ele admite que tem um carinho muito grande pelos Estados Unidos, e que sentia ter o dever de retribuir de alguma forma o tratamento que recebeu no país – por isso se tornou um fuzileiro naval. “Faria o mesmo pelo Brasil, sem pensar duas vezes”, diz. “Se o Brasil estivesse envolvido em alguma guerra estaria pronto para defender o país.”
Depois de uma primeira missão no Haiti, Pereira ficou sabendo que iria para o Iraque. “Foi assustador. Claro que já era esperado e estava pronto para aquilo, mas fiquei ao mesmo tempo animado e ansioso com a ideia” , disse. Ele foi enviado para Fallujah, uma das cidades em que houve mais conflitos desde a invasão do país, e que havia acabado de passar por uma intensificação nos combates, ficando sob controle dos americanos.
‘Quase morri’
Por mais que tenha se envolvido em confrontos, foi em um acidente que Pereira sofreu seu maior ferimento da guerra. Durante uma missão noturna, ele foi atropelado por um caminhão americano de sete toneladas. “Estava deitado operando uma metralhadora e tinha que ficar atento a várias coisas diferentes, e acabei sendo atropelado”, contou. O motorista do caminhão não estava usando lentes de visão noturna, como deveria, e acabou causando o acidente – foi punido com a perda do comando.
Pereira foi socorrido imediatamente e levado a um hospital. “Disseram que eu parecia um peixe fora d’água, me debatendo, desesperado”, disse. Apesar de estar usando colete, ele teve costelas quebradas, perdeu parte do pulmão e ficou mais de um mês em coma.
“Quase morri”, disse “Mas eu sou meio doido, e queria voltar.” Logo que se recuperou, ele quis voltar para o trabalho como fuzileiro naval, e depois de 5 meses de licença estava pronto para voltar para o Iraque. Em 2006, voltou, para Ramadi, uma região mais perigosa de que Fallujah. Dessa vez, entretanto, teve uma função mais administrativa, além de assumir a direção de veículos blindados. Ficou sete meses em operação e voltou aos Estados Unidos, onde retomou a vida como civil.
Traumas
O brasileiro conta que a guerra o transformou em uma pessoa agressiva. Por conta do estresse pós-traumático, ele tinha reações mais violentas a tudo, e isso acabou sendo um dos motivos para ele voltar ao Brasil. Ele se mudou para a Bahia, onde vive atualmente, trabalhando em uma empresa que lida com energia elétrica. “Devo ficar por aqui pelo menos até a Copa do Mundo de 2014, mas não sei ainda se volto para os Estados Unidos depois disso.”
“A vida aqui é bem melhor”, diz, comparando Salvador com os Estados Unidos. Ele conta que tinha uma vida confortável, conseguia consumir e tinha carro, enquanto tem uma vida mais modesta e usa ônibus para se locomover em Salvador, mas ainda assim está gostando muito da vida no Brasil.
Além da agressividade que ficou em sua personalidade após a guerra, João Paulo diz ter uma grande dificuldade em confiar nas pessoas, é impaciente e tem pesadelos frequentemente. “Isso tudo faz parte da personalidade que se adquire para a guerra. É preciso ser agressivo, mas essa característica não se adapta bem ao mundo que não está em guerra.”
FONTE/FOTO: G1/Arquivo pessoal
COLABOROU: Marcy
O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, afirmou neste sábado que os cerca de 400 mil documentos secretos das forças americanas divulgados por seu site mostram a verdade sobre a guerra do Iraque, em uma coletiva de imprensa realizada em Londres.
Assange e outros quatro responsáveis realizam neste sábado uma coletiva de imprensa em um hotel de Londres. Apesar dos protestos dos Estados Unidos e da Otan, o WikiLeaks divulgou na sexta-feira à noite cerca de 400 mil documentos secretos do Exército americano sobre a guerra, que revelam mais de 300 casos de tortura de presos e mais de mil por coação por parte das forças iraquianas.
Segundo os documentos, desde a invasão americana no Iraque, em 2003, morreram mais de 100 mil iraquianos, dos quais cerca de 70 mil civis. Sefundo Assange, 15 mil mortos ainda são desconhecidos, o equivale a cinco vezes as vítimas do ataque terrorista de 11 de setembro contra as Torres Gêmeas de Nova York.
“Esta divulgação é sobre a verdade”, disse Assange, que também é redator-chefe da página especializada em vazar documentos de inteligência. Ele afirmou ainda que espera “corrigir parte deste ataque à verdade que ocorreu antes da guerra, durante a guerra e que continuou desde que a mesma terminou oficialmente”.
Na entrevista coletiva, realizada em um hotel londrino, participaram dirigentes de outras organizações americanas e britânicas, como o Center for Investigative Journalism, Public Interest Lawyers e a ONG Iraq Body Count.
Iraque não vê surpresas nos vazamentos
Na primeira declaração oficial após a publicação dos documentos, o ministério iraquiano de Direitos Humanos indicou que as publicações não contêm surpresas. “Os documentos não foram uma surpresa para nós, porque já havíamos mencionado vários dos fatos citados, incluindo o que ocorreu na prisão de Abu Ghraib, assim como em outros casos nos quais as forças americanas estão envolvidas”, declarou à AFP o porta-voz do ministério de Direitos Humanos do Iraque, Kamel al Amim.
O porta-voz citou diversos exemplos conhecidos do envolvimento das forças americanas ou da ex-companhia de segurança privada dos EUA Blackwater nas mortes de civis. Ele não comentou sobre os abusos cometidos pelas forças iraquianas contra prisioneiros, os quais o Exército americano optou por encobrir, segundo informações do WikiLeaks
A secretária americana de Estado, Hillary Clinton, condenou “nos termos mais claros” o vazamento de documentos que “coloquem em perigo a vida de americanos ou de seus aliados”, ainda que não tenha entrado em detalhes sobre as revelações. Mais de 50 mil soldados americanos ainda se encontram no Iraque após o fim da missão de combate das tropas dos Estados Unidos, no fim do mês de agosto.
Site divulgará documentos sobre Afeganistão
O WikiLeaks anunciou neste sábado a próxima divulgação de mais documentos sobre o Afeganistão. Um dos dirigentes do portal, Kristinn Hrafnsson, afirmou que “o WikiLeaks utilizou apenas um de cada seis informes relativos ao Afeganistão. Os documentos virão à tona logo”.
O site já havia divulgado, em julho, 77 mil documentos sobre a guerra. Os documentos revelavam detalhes sobre vítimas civis e supostos vínculos entre o Paquistão e os insurgentes talibãs.
FONTE: Terra/Agências Internacionais
Por Phil Stewart
WASHINGTON (Reuters) – O Pentágono disse neste domingo estar preparado com uma equipe de 120 pessoas para avaliar um vazamento gigante de até 500 mil documentos sobre a guerra no Iraque, previsto para ser divulgado no site WikiLeaks neste mês.
O coronel Dave Lapan, porta-voz do Pentágono, disse à Reuters que a data do vazamento ainda é incerta, mas o Departamento de Defesa dos Estados Unidos está preparado para a divulgação dos documentos ainda na segunda ou terça-feira, uma possibilidade divulgada anteriormente em comunicados do WikiLeaks.
Ainda assim, pessoas familiares ao vazamento disseram à Reuters que não esperam que o WikiLeaks divulgue os documentos confidenciais por pelo menos mais uma semana.
Se confirmado, o vazamento poderá ser muito maior que a divulgação recorde de mais de 70 mil documentos em julho sobre a guerra do Afeganistão. Foi a maior quebra de segurança desse tipo na história militar dos Estados Unidos.
FONTE: Reuters/Brasil Online
Grupo se ‘preparava para sabotar serviços de segurança e interesses estrangeiros no país’
As forças de segurança do Marrocos desarticularam recentemente uma rede terrorista internacional composta por 24 pessoas supostamente ligada à Al-Qaeda, informou nesta segunda-feira, 26, o Ministério do Interior marroquino.
Em comunicado divulgado pela agência oficial de notícias MAP, o Ministério diz que a rede “se preparava para cometer atos de sabotagem contra os serviços de segurança e contra interesses estrangeiros no Marrocos”.
Entre os supostos membros da rede, foram detidas quatro pessoas que já tinham sido presas anteriormente por envolvimento em atos terroristas. As forças de segurança ainda apreenderam uma pistola e munição que tinham sido roubadas de um policial em Casablanca.
Segundo os primeiros detalhes da investigação, a rede recrutava ativistas marroquinos para enviá-los a focos de tensão, particularmente em Afeganistão, Iraque e Somália. Aparentemente, os supostos membros da rede já estavam preparados para partir para seus destinos.
FONTE: EFE


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