O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chamou de “bênção” a entrada de seu país no Mercosul e anunciou a criação de um fundo de “várias centenas de milhões de dólares” para ajudar empresários locais a exportar aos sócios do bloco.

“Compreendo a preocupação de alguns setores”, disse Chávez, na terça (17), em pronunciamento na TV.

O venezuelano se referia a associações de empresários que temem que a adesão ao Mercosul prejudique o já combalido setor industrial. Ele disse que o fundo estratégico ajudará “com créditos e facilidades as empresas que tenham perfil exportador”.

A Venezuela tem saldo comercial negativo com todos os sócios do Mercosul. Chávez repetiu que deve ir ao Rio no dia 31 para a cerimônia de entrada da Venezuela no Mercosul.

NOVOS SUKHOI

Na quarta (18), Chávez disse ter comunicado à Rússia que quer comprar caças Sukhoi-35, uma versão mais avançada dos 24 caças Sukhoi-30, os mais poderosos do continente, que o país já possui. A Venezuela disse em junho que Moscou pôs à disposição crédito de US$ 4 bilhões.

FONTE: Folha de São Paulo

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Sem rumo

João Augusto de Castro Neves

Instituições regionais são uma característica saliente do cenário político da América do Sul. Em um continente com doze países, existem mais de dois parlamentos regionais, duas uniões aduaneiras e uma união intergovernamental mais abrangente. Apesar de todas essas iniciativas, boa parte dessas instituições é fraca ou inacabada, ou ambas. Parafraseando um observador, a habilidade de líderes locais de transformar miligramas de fatos em toneladas de palavras – ou, nesse caso, instituições regionais ineficazes – é impressionante.

A recente reunião de cúpula do Mercosul foi um reflexo da ineficácia em lidar com os problemas mais graves da região. Em meio à preocupação crescente com os rumos da economia global, os líderes reunidos na Argentina tiveram de administrar crises, a começar pela queda abrupta de Fernando Lugo da presidência do Paraguai. Sob a alegação não tão cristalina de ruptura institucional, o episódio acabou por motivar a suspensão de Assunção do bloco sul-americano. Não bastasse, os lideres regionais aproveitaram a suspensão do país guarani para aprovar, “por unanimidade”, a admissão da Venezuela como membro pleno do Mercosul – o Paraguai, afinal, se opunha à entrada de Caracas no bloco.

O saldo foi negativo para o Mercosul. Além dos questionamentos sobre a legalidade da “troca” do Paraguai pela Venezuela e dos sinais confusos em relação ao comprometimento regional com normas democráticas, as decisões tomadas na última reunião de cúpula agravarão ainda mais a já frágil dinâmica econômico-comercial do Mercosul.

Quando o Paraguai voltar ao bloco depois das eleições presidenciais do ano que vem, como é esperado, o fará provavelmente sem ter ratificado o documento de adesão da Venezuela. Isso significa que o Paraguai não terá internalizado as normas necessárias para reconhecer Caracas como integrante pleno do bloco, o que na prática permitiria ao Paraguai ignorar a decisão e provavelmente criar restrições a produtos venezuelanos.

Para uma instituição já eivada de exceções e improvisos, a entrada de uma economia díspar como a da Venezuela, sujeita aos rompantes de Hugo Chávez e dependente de apenas um produto – petróleo -, reduzirá ainda mais a capacidade de coordenação de dentro do Mercosul. É notório o fato que as disputas entre Brasil e Argentina têm enfraquecido a capacidade negociadora do Mercosul, como foi o caso das negociações com a União Europeia. Nos últimos anos, enquanto outros países latino-americanos assinaram acordos de livre comércio com as principais economias do mundo (EUA, UE e China), o Mercosul assinou apenas três: Israel, Egito e Autoridade Palestina.

Para se ter uma ideia do impacto do emaranhado de exceções e do improviso no comércio, o ritmo das exportações brasileiras para a Argentina tem desacelerado consistentemente, devido principalmente a salvaguardas impostas por Buenos Aires. Nos primeiros cinco meses de 2012, a Argentina recebeu menos de 8% do total das exportações brasileiras, bem menos do que os 13% alcançados em 1998. Ademais, o Brasil sinalizou recentemente que pode reduzir voluntariamente em 30% (para US$ 2 bilhões) o superávit com a Argentina para ajudar o pais vizinho a cumprir com suas obrigações financeiras.

Ao revelar as fragilidades do Mercosul, a cúpula do mês passado apontou não apenas para menos livre comércio na região, mas também para a ausência de uma agenda factível de negociação com terceiros países. Já em relação ao Paraguai, é provável que os problemas políticos se dissipem antes de terem algum impacto substantivo na região, exceto se o país decidir abandonar o Mercosul em definitivo para negociar acordos de livre comércio por conta própria – ou criar mais uma instituição regional.

JOÃO AUGUSTO DE CASTRO NEVES é cientista político.

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Grupo deve ganhar roupagem mais política do devido à influência do presidente Chávez

 

BRASÍLIA e RIO — O ingresso da Venezuela como membro pleno do Mercosul fará com que o bloco ganhe uma roupagem mais política do que econômica, devido à influência do presidente Hugo Chávez. Esta é a opinião de especialistas ouvidos pelo GLOBO, que avaliam que a mudança na composição do bloco, sem o aval de um dos seus fundadores, contribui para fragilizar a união aduaneira. Ainda assim, especialistas acreditam que o processo iniciado nesta sexta-feira é irreversível, mesmo diante do eventual retorno do Paraguai, suspenso após o impeachment do presidente Fernando Lugo.

De forma geral, a leitura feita nos bastidores nesta sexta-feira era de que os presidentes Dilma Rousseff e José Mujica (Uruguai) cederam às pressões da argentina Cristina Kirchner, ao passarem por cima do Senado paraguaio.

- Toda a lógica do processo foi dirigida por Argentina e Venezuela. O Brasil ficou a reboque. A mudança dá um matiz mais bolivariano ao Mercosul. E a Argentina é hoje cada vez mais bolivariana – afirma Eduardo Viola, professor de Relações Internacionais da UnB.

A expectativa é de que a União Europeia e outros parceiros internacionais passem a criar dificuldades em negociações para um acordo de livre comércio com o bloco sul-americano.

- Do ponto de vista político, Chávez tem uma orientação ideológica muito clara, que está explícita no bloco bolivariano, e isso certamente trará dificuldades. As negociações serão mais lentas porque não é um casamento perfeito – afirma Williams Gonçalves, professor de Relações Internacionais da Uerj.

Apesar dos entraves políticos, Gonçalves avalia que o movimento é também uma resposta favorável à criação da Aliança do Pacífico neste ano, com México, Colômbia, Peru e Chile, e pode resultar em aumento de investimentos e laços comerciais entre Brasil e Venezuela.

‘Venezuelanos não preenchem os requisitos básicos’

Para o embaixador José Botafogo Gonçalves, um dos fundadores do Mercosul e hoje presidente do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), a notícia sobre o ingresso da Venezuela não poderia ter sido pior. Para ele, houve violência desnecessária com o Paraguai.

- A posição do Mercosul, na verdade, é contra o Senado paraguaio, que já está na berlinda. Depois, sabemos que a Venezuela não está cumprindo os requisitos básicos para entrar no Mercosul – disse Botafogo. – O problema da Venezuela entrar no Mercosul é o Chávez, que não gosta do livre comércio e quer transformar o bloco numa plataforma política.

O mesmo avalia José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB). Segundo ele, os venezuelanos não preenchem os requisitos básicos para entrarem no Mercosul:

- Quando o Paraguai for readmitido, terá direito a reverter o processo? Foi uma sacanagem o que fizeram com os paraguaios.
A resposta à pergunta do presidente da AEB é “não”, de acordo com o especialista em Direito Internacional Welber Barral. Embora ainda não exista um acordo de harmonização das tarifas de importação entre a Venezuela e o Mercosul, os venezuelanos passarão a ter direito a voto nas decisões do bloco.

- Acredito que o processo de harmonização de tarifas será longo – disse Barral.

Antes, a Venezuela tinha apenas direito a voz, com longos discursos de Chávez nas reuniões de cúpula. No entanto, para o presidente da Federação das Câmaras de Comércio Brasil-Venezuela, José Francisco Marcondes, o comércio entre os dois países, que em 2011 foi de quase US$ 6 bilhões, vai dobrar nos próximos três ou quatro anos:

- Lutamos muito para que isso acontecesse. Um dos resultados da entrada da Venezuela no Mercosul é que os estados do Norte e do Nordeste serão incorporados, de fato, ao bloco.

Para Pedro Cláudio Cunca, professor de Relações Internacionais da PUC, a decisão do bloco foi ditada pelo pragmatismo econômico, mas pode ser classificada como moderada por não impor sanções econômicas ao Paraguai.

Eugênio Martins, professor do Departamento de História da Universidade de Brasília, disse que a decisão tomada ontem pelos presidentes do Mercosul foi oportunista:

- A Venezuela é bem-vinda, e Chávez não. Mas não existe hoje Venezuela sem Chávez.

FONTE: O Globo

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Por Guido Nejamkis

MENDOZA, Argentina, 29 Jun (Reuters) – A Venezuela se tornará o quinto membro pleno do Mercosul no fim de julho, afirmou a Argentina nesta sexta-feira, somando as maiores reservas mundiais de petróleo a uma área integrada por alguns dos principais produtores globais de alimentos, enquanto o Paraguai permanecerá suspenso até 2013.

A adesão, que segundo analistas evidencia outra vez a perda de poder relativo dos Estados Unidos na América do Sul, foi anunciada pela presidente argentina, Cristina Kirchner, no fim da cúpula de mandatários do bloco integrado também por Brasil, Uruguai e Paraguai.

“Também foi decidido adotar a resolução de fixar a data para a incorporação ao Mercosul da República Bolivariana da Venezuela que acontecerá em 31 de julho no Rio de Janeiro”, disse a presidente na cúpula realizada em Mendoza, na Argentina.

Também foi ratificada a decisão do Mercosul de suspender os direitos políticos do Paraguai no bloco em represália à decisão do Congresso paraguaio de destituir o presidente Fernando Lugo.

O país, que não será alvo de sanções comerciais, não recuperará a sua participação no bloco “até que aconteça o processo democrático que instale justamente nesse querido país a soberania popular, ou seja, eleições livres e democráticas”, disse Cristina. O Paraguai terá eleições gerais em abril de 2013.

A Venezuela, integrante da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e governada por Hugo Chávez, estava pronta há mais de seis anos para ingressar no bloco econômico sul-americano, mas o Congresso paraguaio mantinha essa possibilidade bloqueada.

Chávez comemorou a decisão, garantindo que constitui “uma derrota para o imperialismo” e “burguesias lacaias, incluindo a burguesia venezuelana que também conectada com a burguesia do Paraguai fez todo o possível para impedir a entrada da Venezuela no bloco”.

A suspensão do Paraguai do Mercosul pela destituição do presidente Lugo permitiu que Argentina, Brasil e Uruguai decidissem pela entrada da Venezuela no bloco.

A presidente Dilma Rousseff disse que espera que as eleições paraguaias sejam “democráticas, livres e justas”.

Ela acrescentou que o Mercosul ainda é “uma das regiões do mundo menos afetadas pela crise” econômica global. Também indicou que no mundo “a segurança alimentar e energética têm cada vez mais relevância”.

Sinal poderoso, mas polêmico

Um diplomata da região disse à Reuters que com a Venezuela, o bloco incorporará uma economia de peso, fortemente demandante e importadora de todo tipo de bens, especialmente alimentos, e serviços, o que tornará sua economia mais conectada com Brasil e Argentina.

A secretária-executiva da Comissão Econômica para América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, considerou a adesão venezuelana ao Mercosul como um sinal muito poderoso.

“O Mercosul tem um terço das reservas de água do mundo, um terço das terras cultiváveis, mais de 45 por cento da produção de soja. É uma região muito forte e agora com a integração da Venezuela há expectativa que a integração energética possa ser maior no futuro”, disse Bárcena.

O analista internacional Jorge Castro, do Instituto de Planejamento Estratégico da Argentina, considerou que o anúncio da incorporação da Venezuela põe novamente em evidência a perda de poder relativo dos Estados Unidos na América do Sul.

Mas o deputado uruguaio Daniel Peña, opositor do governo e quem integrou uma delegação de parlamentares em Mendoza, criticou a entrada da Venezuela no Mercosul.

“A Venezuela entra no bloco pela janela. Agora se entende porque suspenderam o Paraguai. É uma bagunça e com legalidade duvidosa”, disse Peña a repórteres.

FONTE: Reuters

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Juan Mabromata

A China e o Mercosul, integrado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, propõem-se a alcançar um comércio de 200 bilhões de dólares em 2016, segundo um comunicado conjunto divulgado durante a reunião de cúpula do bloco sul-americano na Argentina, realizada sem a presença de representantes de Assunção.

Os governos “irão promover medidas conjuntas para diversificar o comércio entre a China e os países do Mercosul, e, para isso, irão se esforçar para alcançar em 2016 um comércio de 200 bilhões de dólares”, assinala o comunicado divulgado na reunião do Mercosul, na cidade de Mendoza.

A China exportou para o Mercosul 48,451 bilhões de dólares em 2011 (34% a mais do que no ano anterior), e importou 51,033 bilhões de dólares (37,9% a mais do que em 2010), segundo cifras oficiais.

O documento não cita uma proposta recente do premier chinês, Wen Jiabao, para estudar a formação de uma zona de livre comércio entre o gigante asiático e o bloco sul-americano.

A declaração conjunta assinala que, “com a vontade de consolidar seu vínculo econômico e comercial, China e Mercosul comprometem-se a aprofundar e fortalecer sua colaboração, com base no benefício mútuo”.

Na reunião de hoje em Mendoza, o Mercosul decidiu suspender temporariamente o Paraguai do bloco, em repúdio à destituição do presidente Fernando Lugo, ocorrida há uma semana. Nenhum representante paraguaio participou da reunião.

FONTE: Veja.com/AFP

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Argentina apressa desmonte do Mercosul

É lamentável que, numa era de contração da economia mundial, a Argentina embarque numa guerra comercial com o Brasil, principal parceiro no Mercosul. Justo quando as duas maiores economias da América do Sul deveriam estar se energizando mutuamente, até para compensar parcialmente a queda da demanda externa, a Argentina ajuda a desmontar o Mercosul, que já vem há muito em trajetória descendente e nem pode mais ser chamado de bloco comercial, uma vez que caiu nas garras do protecionismo, principalmente argentino.

A questão são os estágios diferentes em que cada país se encontra. O Brasil conseguiu manter, nas últimas décadas, a continuidade de uma política econômica responsável, mesmo com alguns altos e baixos, e com bons fundamentos, capaz de inspirar confiança e de, por isto, atrair investimentos externos. Independentemente do partido no poder. Por sua vez, a economia argentina se mostra submissa à política, que é ciclotímica, mas no geral dominada pelo nacional-populismo de corte peronista. Na prática, isto se traduz numa economia pouco competitiva em que o único destaque vai para o agronegócio. Fica, portanto, na dependência do clima.

Os Kirchner, que tiraram (Néstor) o país do fundo do poço na virada do século, cristalizaram (Cristina) uma política ruinosa, com o país ainda fora do mercado financeiro internacional, como um pária, por conta da moratória selvagem de dezembro de 2001. O estilo dos Kirchner é o ativismo de confronto, que sempre encontra um bode expiatório para esconder os problemas internos. Pode ser um inimigo externo, como a Grã-Bretanha, na recente tentativa de Buenos Aires de reviver a questão das Malvinas. Na área econômica, o alvo pode ser empresas estrangeiras que estariam “explorando as riquezas nacionais”, como na também recente decisão de renacionalizar a petrolífera YPF, privatizada no governo Menem, quando foi comprada pela espanhola Repsol. Há ações também contra a Petrobras.

Com a entrada de capital e de investimentos à míngua diante de tantas incoerências, Buenos Aires foi buscar dólares no comércio com o Brasil, passando a adotar medidas protecionistas contra produtos brasileiros. A iniciativa já resultou numa queda de 54% do superávit comercial do Brasil com o vizinho nos quatro primeiros meses do ano.

O Brasil tem sido de uma paciência chinesa na relação bilateral na tentativa de salvar o Mercosul. Mas foi obrigado a reagir na mesma moeda por encontrar receptividade nula a suas gestões. Foi preciso um encontro de quatro horas dos dois chanceleres – Antonio Patriota e Héctor Timerman – para que uma trégua fosse anunciada, juntamente com a retomada das negociações. Mas não sem que o homem forte do governo Cristina Kirchner, o truculento Guillermo Moreno, tenha feito mais uma de suas desrespeitosas intervenções. Quando eram discutidas as quotas impostas pela Argentina à carne suína brasileira, ele disparou: “As duas delegações decidiram que o importante é incrementar o comércio argentino. À medida que isso se manifestar na redução do déficit da Argentina com o Brasil e nos permitir exportar ao Brasil mais medicamentos, uvas-passas, têxteis e cítricos, o problema da carne suína desaparece.” Esse tipo de declaração é inaceitável e em nada contribui para a melhora das relações.

FONTE: O Globo

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(BBC, 20) 1. O balanço das atividades do Mercosul, que completou 20 anos de integração econômica em 2011, é considerado “decepcionante”, segundo um relatório do renomado Instituto de Estudos Políticos de Paris sobre a América Latina. “A história do Mercosul é pontuada por fases de progresso interrompidas por mudanças políticas ou crises econômicas, e seguidas de retomadas que suscitam um aumento das expectativas, rapidamente desapontadas”, diz o cientista político Olivier Dabène, presidente do Observatório Político da América Latina e do Caribe do instituto parisiense. Segundo o especialista, o Mercado Comum do Sul (Mercosul), integrado pelo Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, ainda enfrenta, após 20 anos de existência, “duas fraquezas estruturais”.

2. A primeira delas é a assimetria entre os Estados membros, diz Dabène, autor do capítulo sobre o Mercosul do relatório. “O Mercosul é um processo de integração debilitado por profundas assimetrias de desenvolvimento. O projeto neoliberal (nos anos 90) leva a crer que a integração regional permitirá uma convergência natural das economias”, afirma. “Mas, durante a década de 90, as assimetrias se aprofundaram mais em vez de desaparecer, suscitando uma certa frustração do Paraguai e do Uruguai”. Outra deficiência do Mercosul apontada pelo especialista é a falta de instituições capazes de levar em conta os interesses gerais do bloco. Entre os exemplos citados, está o Parlamento do Mercosul (Parlasul), que possui “atribuições modestas” em relação à tomada de decisões.

FONTE: BBC, via Ex-Blog do Cesar Maia

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SAN JUAN, Argentina (Reuters) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a defender nesta terça-feira, durante a reunião de cúpula do Mercosul, um diálogo com o Irã, e, mais uma vez, manifestou ser contrário à imposição de sanções à República Islâmica por seu programa nuclear.

As relações com o Irã são um tema sensível na Argentina, onde o governo exige a extradição de autoridades iranianas, entre elas o ministro de Defesa, por eventuais vínculos com o atentado, em 1994, que destruiu a sede de uma entidade judaica em Buenos Aires e no qual morreram 85 pessoas.

Nos últimos meses, Lula tem criticado insistentemente as potências do Conselho de Segurança da ONU por terem imposto novas sanções ao Irã, depois de o Ocidente ter rejeitado um acordo que permitia a troca de combustível nuclear com a República Islâmica conduzido pelo presidente brasileiro em conjunto com a Turquia.

“Eu, Cristina, não conhecia o presidente do Irã, até que, uma dia, o encontrei na ONU e decidi conversar com ele”, disse Lula, dirigindo-se à presidente da Argentina, Cristina Fernández Kirchner, que preside a reunião de cúpula do Mercosul na cidade andina de San Juan.

“O que me deixa profundamente chateado é que nenhum dos presidentes, dos poderosos do Conselho de Segurança, conversou com ele”, acrescentou Lula.

Do Mercosul fazem parte Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, além de contar com a Bolívia e Chile como sócios não plenos, além da Venezuela, que se encontra em processo de adesão ao bloco sul-americano.

O Ocidente acredita que o programa nuclear iraniano está voltado para desenvolver bombas nucleares, mas Teerã insiste que seu objetivo é gerar energia elétrica.

Lula disse ainda que as sanções são contraproducentes, já que podem afetar empresas de países como o Brasil e a Argentina, mas não as companhias de nações ricas.

Funcionários dos Estados Unidos tem afirmado que a tentativa de acordo ensaiada pelo Brasil e pela Turquia é uma tática do Irã para ganhar tempo.

A secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, tem advertido para que países latino-americanos não se aproximem do Irã, afirmando que essa atitude seria uma “má ideia”, com consequencias. (Por Karina Grazina, com reportagem adicional de Juliana Castilla)

FONTE: Reuters / Brasil Online

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vinheta-clipping-forteOito países da União Europeia (UE) fizeram nessa terça-feira (11) um alerta contra a retomada das negociações de um acordo de associação entre o bloco e o Mercosul porque o consideram uma ameaça à agricultura europeia.

Em declaração conjunta, o grupo formado por França, Irlanda, Grécia, Hungria, Áustria, Luxemburgo, Polônia e Finlândia afirmou que o reatamento das discussões entre UE e Mercosul (composto por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai) é um mau sinal aos agricultores e aos criadores de gado europeus.

Estagnadas desde 2004, as negociações do Mercosul com a União Europeia para a liberalização do setor agrícola devem ser retomadas em uma cúpula a ser realizada em Madri, na semana que vem.

O documento assinado pelos oito países europeus motivou os ministros da Agricultura da União Europeia a debaterem sobre o assunto na próxima segunda-feira em Bruxelas.

Os oito países lamentaram que a Comissão Europeia (CE, braço executivo da União Europeia) tenha proposto reativar as negociações comerciais com o bloco latino-americano “sem um debate político prévio” e sem analisar o impacto econômico de um eventual acordo.

Esses países ressaltam que a União Europeia já ofereceu bastante em matéria de agricultura no âmbito internacional, em referência às também bloqueadas negociações de Doha da Organização Mundial do Comércio (OMC) para a liberalização do comércio mundial.

FONTE: DCI – Diário do Comércio & Indústria

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