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No último dia seis, o sistema de mísseis superfície-ar SAMP/T, de fabricação conjunta francesa e italiana, destruiu com sucesso um míssil balístico falso durante teste de tiro em uma área de testes em Biscarrosse, na França. O experimento provou a capacidade do novo sistema para interagir com o centro de comando e controle da Balistic Missile Defense (BMD) da OTAN

Após diversos testes bem-sucedidos conduzidos com a plataforma para testes de integração à BMD, o recente experimento de fogo real conectou efetivamente o sistema SAMP/T à cadeia de comando da OTAN.

Trata-se da última verificação comprovando a interoperabilidade do SAMP/T com o centro de controle e comando. O novo sistema deve ser adicionado ao arsenal da OTAN no segundo semestre de 2013.

FONTE: Naval Open Source Intelligence (tradução e adaptação do Forças Terrestres a partir de original em inglês)

Crise síria põe papel da Otan em xeque

Eleição americana e oposição da Rússia dificultam ação da aliança contra Assad

 

JAMIL CHADE , CORRESPONDENTE / GENEBRA – O Estado de S.Paulo

As hostilidades entre Síria e Turquia reabriram o debate sobre a relevância da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e colocaram a aliança militar em uma encruzilhada. Se agir, abre um mal-estar profundo com o Kremlin e todos aqueles contrários a uma solução militar unilateral para a situação na Síria. Se deixar a Turquia continuar a ser provocada, descumpre sua missão de defender um membro.

Políticos, especialistas e diplomatas ouvidos pelo Estado em Bruxelas e na Conferência de Desarmamento da ONU em Genebra admitem que, além de um desafio para o Oriente Médio, a crise na Síria está se transformando cada vez mais em um novo teste diplomático para a Otan.

Assim que foi atacada, a Turquia pediu uma reunião de emergência da Otan, que condenou as ações e prometeu que apoiaria Ancara. No mesmo dia, os turcos aprovaram uma lei permitindo ataques além de sua fronteira “em caso de necessidade”.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, insiste que a aliança não tem planos para entrar em uma guerra na Síria e a solução em Damasco terá de ser política. Depois das ações na Líbia, a Otan foi fortemente questionada. O caixa da entidade não permite se lançar em mais um conflito, pelo menos sem que países anunciem novas promessas de recursos.

Diplomatas da área de defesa confirmaram ao Estado que a diplomacia americana tem barrado qualquer tipo de debate sobre um envolvimento da aliança na Síria. Barack Obama, em campanha eleitoral, não estaria disposto a apoiar mais uma guerra, justamente quando suas promessas feitas há quatro anos de que os americanos deixariam o Iraque e Afeganistão são avaliadas.

Mas os cálculos não teriam de ser feitos apenas em razão das limitações dos aliados. Na sexta-feira, Moscou também lançou seu alerta contra a Otan e deixou claro que não tolerará uma ação redesenhando o mapa do mundo árabe, nem vai diminuir a área de influência que Vladimir Putin tenta recriar para o Kremlin na região. Do lado europeu, a ordem também é pedir calma, como já fizeram a chefe da diplomacia da UE, Catherine Ashton, e o chanceler britânico, William Hague.

Radicalismo. O problema, admitem diplomatas, é que pedir calma pode não ser a solução. O Estado apurou que o comando militar da Otan tem recebido relatórios de serviços de inteligência revelando que, se o Ocidente não agir, os rebeldes na Síria ganharão um caráter cada vez mais radical e grupos islâmicos assumirão o vácuo deixado pelo Ocidente.

Sem o apoio de EUA e Europa, grupos de resistência começariam a olhar para o apoio de radicais. O temor é que, quanto mais o conflito se prolongue, mais espaço radicais islâmicos e jihadistas ganharão, justamente o que não seria o cenário que a Otan gostaria de ver nas fronteiras de um de seus países membros.

Entre os especialistas em estratégia, a percepção é que a crise na Síria é também uma crise na Otan. “Está claro que a Otan não está preparada para uma guerra”, disse Nadim Shehadi, pesquisador da Chatham House, de Londres.

Na avaliação de Michael Codner, do Royal United Services Institut, de Londres, está claro que França e Grã-Bretanha não estão dispostos a assumir a liderança militar das operações, como fizeram no caso da Líbia. “Isso envolve responsabilidade e montar um governo após a queda de Assad”, disse.

Para Francois Heisbourg,presidente do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos de Londres, não há como negar: “A situação é delicada, para todos”.

FONTE: Estadão.com.br

A missão da Otan no Afeganistão (Isaf) reconheceu neste domingo que perdeu seis caças no transcurso do ataque talibã da sexta-feira contra a base de Camp Bastion, onde está destinado o príncipe Harry da Inglaterra.

“Seis caças AV-8B Harrier ficaram destruídos e dois sofreram danos significativos. Três postos de carga de combustível também ficaram destruídos e seis hangares sofreram alguns danos”, explicou a organização militar em comunicado.

A Isaf assegurou que o ataque começou na sexta-feira à noite e que foi “bem coordenado”, reconhecendo que os agressores, “pelo menos 15″, se organizaram em três equipes e conseguiram penetrar no perímetro da base em um ponto.

“Estavam bem equipados e treinados. Vestiam uniformes do Exército dos EUA e estavam armados com rifles automáticos, lança-granadas e coletes explosivos”, afirmou a Isaf em sua nota.

De acordo com a versão oficial, as tropas internacionais mataram 14 insurgentes e feriram outro que foi detido, enquanto em seu grupo morreram dois soldados e outras nove pessoas – oito militares e um civil – sofreram ferimentos.

A base Camp Bastion, defendida por militares britânicos e dos EUA, fica no distrito de Washer, na conflituosa província de Helmand, uma das fortificações dos insurgentes, que atribuíram a ação a uma “vingança” pelo vídeo que parodia Maomé.

De acordo com a imprensa britânica, em Camp Bastion está o príncipe Harry, que ficou ileso, na qual é sua segunda estadia militar no Afeganistão, onde está em andamento o processo de retirada das tropas internacionais.

FONTE: Terra/EFE

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Do G1, com agências internacionais

A Otan vai transferir a responsabilidade pela segurança às forças afegãs “até meados de 2013″ e passará a ter um papel de apoio até a retirada das tropas internacionais do Afeganistão no final de 2014, anunciou nesta segunda-feira a aliança atlântica em sua declaração final.

Reunida em Chicago, a organização também informou que, até 2014, só permanecerá no país uma missão de treinamento que seguirá preparando oficiais locais, quase 13 anos após o início da invasão do país.

“Após essa etapa, o papel da força internacional evoluirá cada vez mais de uma missão centrada, principalmente, no combate para uma missão de formação, de instrução e de assistência” até o final de 2014, afirma a Otan.

Também foi feito um pedido ao Paquistão para que reabra a rota terrestre que permite o caminho entre o Afeganistão e o Mar da Arábia. O Paquistão fechou a rota e passou a exigir um pedágio para a passagem das tropas, que é considerado “inaceitável” pelos Estados Unidos.

Na declaração dedicada ao Afeganistão divulgada após o jantar dos 28 chefes de Estado e de Governo, os aliados consideram ter “dado novos passos importantes no caminho para um Afeganistão estável e seguro”.
O documento confirma o calendário estabelecido anteriormente na cúpula da Otan de Lisboa em 2010, apesar da retirada anunciada das forças de combate de vários países.

A transferência da responsabilidade pela segurança e pelas operações de combate contra a insurreição em meados de 2013 corresponde ao momento em que as duas últimas das cinco etapas do processo de transferência da segurança para o Exército afegão serão implementadas.

O presidente afegão, Hamid Karzai, anunciou no dia 13 de maio o lançamento da terceira etapa desse processo ao término do qual o Exército afegão vai garantir a segurança para 75% da população.

Entre meados de 2013 e o final de 2014, as tropas da Otan permanecerão no país e ficarão encarregadas “de garantir que os afegãos sejam beneficiados do apoio de que precisam para se adaptar as suas novas responsabilidades, mais importantes”, reduzindo sempre os contingentes internacionais “gradualmente e de maneira responsável”, indica a declaração.

“A missão de combate liderada pela Otan chegará ao fim” no final de 2014, mas a aliança atlântica continuará a conceder “um sólido apoio político e prático de longo prazo” ao governo afegão, acrescenta a Otan, que se disse “preparada para trabalhar no estabelecimento, a pedido do governo da República Islâmica do Afeganistão, de uma nova missão para depois de 2014″.

Esta eventual missão de formação e de instrução das forças afegãs “não será uma missão de combate”, indica a declaração.

FONTE: G1

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Ministro da Defesa diz que negociações com os EUA sobre escudo antimísseis estão perto de um ‘beco sem saída’

 

MOSCOU. A poucos dias da posse de Vladimir Putin, na próxima segunda-feira, para seu terceiro mandato como presidente, a Rússia deu mostras ontem de que adotará uma política externa mais agressiva do que a do atual ocupante do cargo, Dmitri Medvedev. O principal oficial militar russo ameaçou um ataque preventivo contra as instalações de defesa de mísseis da Otan, a aliança militar ocidental, na Polônia e em outros pontos do Leste Europeu se os Estados Unidos levarem adiante o polêmico projeto de um escudo antimísseis.

As declarações do chefe do Estado Maior Geral russo, general Nikolai Makarov, realçam a resistência aos planos do governo do presidente Barack Obama e representam um passo a mais na deterioração do relacionamento entre os dois países.

- A decisão de usar força destrutiva preventivamente será tomada se a situação piorar – disse Makarov, durante uma conferência em Moscou com funcionários da Otan e dos EUA.

Antes mesmo de tomar posse, um evento que será marcado por um período de quatro dias de feriado, Putin já havia sinalizado uma mudança de tom em uma sessão de perguntas e respostas no Parlamento. O presidente eleito classificou a Otan como “uma relíquia da Guerra Fria” e disse não entender o motivo de sua existência. Ainda assim, reiterou que a Rússia está disposta a cooperar.

O projeto de um escudo antimísseis na Europa representa um dos pontos mais sensíveis na relação entre Moscou e Washington. O projeto inicial foi divulgado no governo de George W. Bush e previa instalações na Polônia e na República Tcheca. O governo Obama elaborou um novo projeto, que, em uma primeira etapa inclui um sistema de defesa em navios e um radar na Turquia. Posteriormente, seriam implementadas bases na Polônia e na Romênia. O novo projeto não conseguiu aplacar a desconfiança entre os dois países. Os americanos alegam que o único objetivo do escudo antimísseis é buscar proteção contra a ameaça de ataque do Irã, mas os russos temem que ele acabe por minar o poder de defesa russo porque daria ao Ocidente a capacidade de abater seus mísseis.

O ministro da Defesa russo, Anatoly Serdyukov, alertou que as conversas entre os dois países sobre o tema estão “perto de um beco sem saída”. A conferência de dois dias em Moscou é o último grande encontro sobre questões militares antes da cúpula da Otan, em Chicago, neste mês. A Rússia ainda não confirmou se enviará seus principais representantes.

No começo do evento, o secretário da Rússia no Conselho de Segurança, Nikolai Patrushev, reiterou a oferta do país de uma administração conjunta do escudo antimísseis. Segundo Patrushev, isso “fortaleceria a segurança de cada país do continente” e “seria adequado para possíveis ameaças, sem deter a segurança estratégica”.

Moscou encomenda radar em Kaliningrado
O vice-secretário-geral da Otan, Alexander Vershbow, minimizou as declarações do militar russo:

- Pensamos que o sistema que estamos desenvolvendo não representa uma ameaça para a Rússia, então a própria noção de retaliação ou medida defensiva não tem fundamento.

Makarov se queixou de que os EUA se recusem a oferecer garantias por escrito de que os interceptadores não teriam a capacidade de atingir um míssil russo de balística intercontinental.

A ameaça de retaliação russa está vinculada ao último passo do projeto, a implantação de elementos de defesa na Polônia, o que só deve ocorrer a partir de 2018. Enquanto os países não chegam a um acordo, a Rússia acaba de encomendar um radar em Kaliningrado, seu posto avançado no oeste, perto da fronteira com a Polônia e capaz de monitorar o lançamento de mísseis da Europa e do Atlântico Norte.

FONTE: O Globo

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Taleban assume atentado suicida em Jalalabad e diz ser resposta à queima de cópias do Alcorão em base americana

 

Um ataque suicida deixou nove mortos nesta segunda-feira em uma base e aeroporto da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) no Afeganistão. O Taleban assumiu o atentado e disse se tratar de uma resposta à queima de cópias do Alcorão (livro sagrado muçulmano), em uma instalação militar americana em Cabul.

O atentado na cidade de Jalalabad acontece em meio aos protestos no país contra a queima de exemplares do Alcorão e outros materiais islâmicos religiosos durante o descarte de lixo em uma base aérea dos EUA. O autor do ataque desta segunda-feira lançou um carro cheio de explosivos contra o portão do aeroporto, que serve aeronaves militares internacionais.

De acordo com o porta-voz da polícia da província de Nungarhar, Hazrad Mohammad, a forte explosão matou nove afegãos: seis civis, dois guardas do aeroporto e um soldado. O ataque também deixou seis feridos. O porta-voz da Otan, Justin Brockhoff, reforçou que nenhum militar estrangeiro foi morto e disse que a base não foi danificada pela explosão.

Por causa da onda de violência, a Organização das Nações Unidas (ONU) anunciou nesta segunda-feira que está transferindo todos os seus funcionários de um escritório em Kunduz, norte do Afeganistão, atacado por manifestantes na semana passada.

Segundo a ONU, o fechamento do escritório é temporário e todos os funcionários serão levados a outros locais, até que as condições de segurança sejam melhores. O ataque ao prédio da ONU no sábado deixou três mortos e 50 feridos.

Os protestos contra os Estados Unidos deixaram mais de 30 mortos desde que a queima dos livros sagrados foi divulgada, na terça-feira. Entre as vítimas estão quatro soldados americanos.

No domingo, manifestantes lançaram granadas contra uma pequena base americana no norte do país. Uma troca de tiros deixou dois afegãos mortos e sete soldados da Otan feridos.

Na quinta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, pediu desculpas pelo incidente na base americana, na tentativa de acalmar os manifestantes afegãos. Em carta enviada ao presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, Obama prometeu uma investigação.

“Quero estender a você e ao povo afegãos minhas mais sinceras desculpas”, afirmou. “O erro foi impensado. Garanto que vou tomar as medidas necessárias para evitar que ele aconteça novamente e para punir os responsáveis.”

O incidente estimulou o sentimento contra o exterior que já está em crescimento no país depois de uma década de guerra no Afeganistão e alimentou os argumentos dos afegãos que acreditam que os soldados estrangeiros não respeitam sua cultura ou religião islâmica.

Ahmad Zaki Zahed, chefe do conselho provincial, disse que oficiais do Exército americano o levaram para uma área de queima na base onde 60 a 70 livros, incluindo cópias do Alcorão, foram recuperados. Os livros foram usados por detentos que estiveram encarcerados na base, disse. “Alguns estavam completamente queimados, enquanto outros pela metade”, relatou Zahed.

Segundo Zahed, cinco afegãos trabalhando no local lhe contaram que os livros religiosos estavam no lixo que dois soldados da coalizão liderada pelos EUA transportaram para a área em um caminhão na noite de segunda-feira. Quando perceberam que os livros estavam no lixo, os operários trabalharam para recuperá-los, contou. “Eles me mostraram como seus dedos ficaram queimados quando tiraram os livros do fogo.”

Em abril de 2011, uma manifestação de afegãos contra a queima do Alcorão por um pastor da Flórida se tornou mortal quando atiradores na multidão invadiram um complexo da ONU na cidade de Mazar-e-Sharif, no norte do país, e mataram três membros da organização e quase guardas nepaleses.

FONTE: iG/AP, AFP e EFE

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Comandante da Otan pede desculpas e ordena investigação, dizendo que descarte de livro sagrado dos muçulmanos não foi intencional

 

Mais de 2 mil afegãos protestaram nesta terça-feira contra a queima inadvertida de cópias do Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos) e outros materiais islâmicos religiosos durante o descarte de lixo em uma base aérea dos EUA. Os manifestantes reivindicaram se encontrar com o presidente afegão, Hamid Karzai, para discutir a questão, ameaçando se manifestar novamente se sua demanda não for atendida.

O general americano John Allen, o principal comandante no Afeganistão, pediu desculpas e ordenou uma investigação sobre o incidente, que afirmou “não ter sido intencional de forma nenhuma”. O incidente estimulou o sentimento contra o exterior que já está em crescimento no país depois de uma década de guerra no Afeganistão e alimentou os argumentos dos afegãos que acreditam que os soldados estrangeiros não respeitam sua cultura ou religião islâmica.

No início desta terça-feira, enquanto as informações sobre o incidente se espalhavam, cerca de cem manifestantes se reuniram do lado de fora da Base de Bagram, ao norte de Cabul, na Província de Parwan. À medida que a multidão aumentava, também crescia o sentimento de indignação. “Morram, morram, estrangeiros!”, gritaram. Alguns fizeram disparos para o ar, enquanto outros arremessaram pedras contra o portão da base.

Ahmad Zaki Zahed, chefe do conselho provincial, disse que oficiais do Exército americano o levaram para uma área de queima na base onde 60 a 70 livros, incluindo cópias do Alcorão, foram recuperados. Os livros foram usados por detentos que estiveram encarcerados na base, disse. “Alguns estavam completamente queimados, enquanto outros pela metade”, relatou Zahed.

Segundo Zahed, cinco afegãos trabalhando no local lhe contaram que os livros religiosos estavam no lixo que dois soldados da coalizão liderada pelos EUA transportaram para a área em um caminhão na noite de segunda-feira. Quando perceberam que os livros estavam no lixo, os operários trabalharam para recuperá-los, contou. “Eles me mostraram como seus dedos ficaram queimados quando tiraram os livros do fogo.”

O general do Exército afegão Abdul Jalil Rahimi, comandante de um escritório de coordenação militar na província, disse que ele e outros oficiais se encontraram com os manifestantes, com líderes tribais e clérigos para tentar acalmar sua resposta emotiva. “Os manifestantes estavam com muita raiva e não queriam pôr fim ao protesto”, afirmou.

O manifestante Mohammad Hakim disse que, se as forças dos EUA não conseguem trazer paz ao Afeganistão, deveriam ir embora. “Deveriam partir em vez de desrespeitar nossa religão, nossa fé”, disse. “Eles têm de partir e, se mais uma vez desrespeitarem nosss religião, defenderemos nosso Alcorão, religião e fé sagrados até que a última gota de sangue tenha deixado nosso corpo.”

Mais tarde, porém, os manifestantes pararam de protestar e disseram que enviariam 20 representantes do grupo para a capital do país, Cabul, para conversar com parlamentares e para reivindicar um encontro com o presidente Karzai.

Em uma declaração, o comandante americano Allen se desculpou ao presidente e à população do Afeganistão e agradeceu aos afegãos “que nos ajudaram a identificar o erro e trabalharam conosco para corrigir a situação imediatamente”. Ele também afirmou que o incidente está sendo investigado.

Em abril de 2011, uma manifestação de afegãos contra a queima do Alcorão por um pastor da Flórida se tornou mortal quando atiradores na multidão invadiram um complexo da ONU na cidade de Mazar-e-Sharif, no norte do país, e mataram três membros da organização e quase guardas nepaleses.

Negociações com o Taleban

Em entrevista transmitida nesta terça-feira pela emissora australiana SBS, o presidente afegão disse que seu governo mantém contatos diários com a milícia islâmica do Taleban por meio de intermediários. Autoridades afegãs e americanas tentam negociar com o Taleban para garantir a estabilidade do país depois da saída das tropas de combate estrangeiras, prevista para 2014, mas o diálogo é frágil, e recentemente o grupo islâmico negou que ele exista.

Questionados sobre se tem falado com o líder do grupo, mulá Omar, Karzai disse que “não pessoalmente”. “Quero dizer, não diretamente, de pessoa para pessoa. Mas por meio de intermediários sim.” Karzai e muitos analistas ocidentais dizem que o recluso Omar vive em Quetta, no Paquistão.

O presidente afegão disse que a negociação com o Taleban interessa também ao país vizinho. “Não é mais o Afeganistão que é o tema da conversa, ou a questão. É o Paquistão também. É a estabilidade do Paquistão também.”

Na semana passada, Karzai visitou Islamabad e irritou o governo local ao pedir para ter acesso a líderes do Taleban afegão supostamente instalados no Paquistão.

FONTE: iG/AP e Reuters

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BRUXELAS e TRÍPOLI – Sete meses depois de bombardear Benghazi no início da ofensiva contra as forças de Muamar Kadafi, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) encerra à meia-noite desta segunda-feira a missão na Líbia que ajudou a dar fim aos 42 anos do regime. Anunciado na semana passada, o término das operações desagradou o governo interino líbio, que pedia ações internacionais até o fim do ano. Diante do fim da ajuda militar, o Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio acelera agora a formação de um novo Exército.

Desde 19 de março, quando a Otan começou a agir amparada por uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, as mais de duas mil ações aéreas, o patrulhamento da costa, e o envio de assessores militares franceses, britânicos e italianos ajudaram a impedir que a revolta popular contra Kadafi fosse sufocada pela resistência de suas forças. Mas, embora tenham pedido a prorrogação das operações da Otan, os líbios acreditam que os kadafistas remanescentes no país não representam um perigo para o novo governo do país.
- Devemos ter cautela. Preferiríamos que a Otan permanecesse até o fim do ano, mas não acreditamos que seja possível um contra-ataque dos fiéis ao antigo regime. Cada dia estamos mais fortes – diz ao jornal “El País” Mohamed Alí bin Kura, porta-voz militar de Zauiya.

A formação de um novo governo interino e de um Exército que substitua as milícias que ajudaram a derrubar o ditador são as prioridades dos atuais governantes líbios. Segundo o “El País”, coronel Bashir el Neiri, um dos oficiais que combateu em Misurata, explica que o procedimento de formação do Exército tem base local.
- O conselho militar de cada cidade está escolhendo seus representantes, que irão a Benghazi na próxima semana para estabelecer a nova hierarquia militar e escolher seus chefes – diz Neiri.

FONTE: O Globo / Agências Internacionais

Por Hamid Shalizi

CABUL (Reuters) – Um atentado suicida realizado neste sábado com um carro-bomba na capital afegã, Cabul, matou 13 membros de tropas americanas, no pior ataque individual terrestre contra a força liderada pela Otan em 10 anos de guerra no Afeganistão.

“Podemos confirmar que 13 membros da Força Internacional de Segurança (Isaf, na sigla em inglês) foram mortos”, disse um porta-voz da entidade em Cabul, sem dar mais detalhes.
Mais tarde, um porta-voz do Pentágono confirmou que todos os 13 soldados mortos eram norte-americanos.

Três civis e um policial também morreram no ataque contra um comboio de veículos militares, disse um porta-voz do ministro do Interior afegão.

Excluindo desastres aéreos, esse foi o incidente individual mais mortal contra tropas estrangeiras desde o início da guerra em 2001.

Ataques letais são relativamente raros em Cabul, região fortemente vigiada, comparados ao sul e ao leste do Afeganistão. Porém, as mortes deste sábado ocorrem menos de dois meses após insurgentes organizarem um ataque com duração de 20 horas contra a embaixada dos Estados Unidos na capital.
O ataque ao comboio da Isaf ocorreu no fim da manhã na área oeste da cidade, próximo a um museu.
O antigo palácio real, agora em ruínas, também fica próximo do local, assim como vários departamentos do governo e bases militares afegãs e estrangeiras.

O Talibã assumiu a autoria do ataque, afirmando que havia carregado um veículo com 700 quilos de explosivos.
O governo afegão e apoiadores internacionais estão se preparando para 2014, data máxima para que as tropas de combate estrangeiras deixem o país.

Alguns afegãos temem que suas próprias forças de segurança não sejam capazes de lidar com a insurgência local e que o país possa passar por uma guerra civil. Forças de coalizão já começaram a entregar a responsabilidade da segurança para forças afegãs em algumas partes do país.
Também no sábado, três australianos e um linguista afegão foram mortos na província de Uruzgan, no sul do Afeganistão, onde uma pessoa usando um uniforme do Exército Nacional do Afeganistão abriu fogo contra eles, afirmaram autoridades da província vizinha de Kandahar.

FONTE: O Globo

A Otan (Organização do Tratado de Atlântico Norte) decidiu adiar para o dia 28 deste mês a reunião que discutirá o encerramento das operações militares na Líbia.
Segundo o secretário-geral da entidade, Anders Fogh Rasmussen, a intenção inicial era acabar com as ações militares no dia 31 de outubro. No entanto, o Conselho Nacional de Transição do país pediu para que a data seja prorrogada por pelo menos um mês.

Segundo a TV Al-Jazeera, um funcionário do Conselho de Transição confirmou que os corpos do ex-líder líbio Muammar Gadhafi e de seu filho foram enterrados em um lugar secreto na madrugada de ontem (25). (Por Li Mei)

FONTE: CRI Online

O ministro da Defesa, Celso Amorim, se mostrou reticente sobre operações da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) fora de locais previstos para operações. “Ontem era a Líbia, é verdade que com um mandato do Conselho de Segurança (da ONU) e da Liga Árabe. Amanhã poderia ser na África Ocidental e aí a Otan se aproximaria do Brasil. Isso nos incomoda”, afirmou, em entrevista publicada nesta quinta-feira no jornal Le Monde.
A respeito da cooperação com a Argentina, Amorim afirmou que “é essencial para toda a América do Sul” e disse que nenhum dos vizinhos constitui ameaça para o Brasil. “Mas a defesa não precisa de um inimigo identificado. Assim, a complexidade da vigilância da Amazônia exige tecnologias avançadas”, disse.

Sobre o potencial de produção de alimentos e de água brasileiro, Amorim afirmou: “temos que estar prontos para defendê-los em caso de conflito entre potências que careçam deles. Também há grupos criminosos, narcotraficantes e outros atores”.

Compra de caças

O ministro afirmou que os critérios econômicos serão mais fortes na decisão sobre a renovação da frota de aviões de combate, entre o caça americano F-18, o francês Rafale e o sueco Saab. “A consideração fundamental para tomar uma decisão é de ordem financeira e econômica”, afirmou Amorim, em entrevista ao jornal francês Le Monde, publicada nesta quinta-feira.

“Entramos em um período de incertezas. O Brasil vai bem, mas não sabemos quais serão as consequências da crise internacional para nossa economia. É preciso ser prudente, esperar o bom momento”, disse. Ele não quis dar um prazo para a decisão, mas considerou a possibilidade de divulgar a escolha em 2012. O ministro, que no governo anterior ocupou o Ministério de Relações Exteriores, fez uma vista de dois dias a Paris que terminou na quarta-feira.

Amorim foi recebido pelo presidente da França, Nicolas Sarkozy, e por seus ministros de Relações Exteriores, Alain Juppé, e Defesa, Gérard Longuet. O ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que encontrará Sarkozy em Paris na sexta-feira em uma conferência do G20, tinha demonstrado ao líder francês em 2009 a intenção de optar pelo Rafale, fabricado pela Dassault. Apesar disso, os militares brasileiros preferem o F-18 e inclusive o Gripen ao caça francês.

Sobre a transferência de tecnologia, que aparecia como ponto chave das negociações para a escolha do avião de combate francês, Amorim afirmou que a “cooperação no submarino nuclear conseguiu superar os obstáculos”. O ministro fez alusão ao acordo que estabelece a venda da França ao Brasil de cinco submarinos de propulsão nuclear do tipo Scorpène com transferência de tecnologia. Algo semelhante ocorrerá com 50 helicópteros de transporte militar Eurocopter EC725, que no futuro também serão fabricados no Brasil.

FONTE: EFE

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Domenico Losurdo

Doravante mesmo os cegos podem ver e compreender o que está a acontecer na Líbia:

Cartoon de Vicman.1. O que se passa é uma guerra promovida e desencadeada pela NATO. Esta verdade acaba por se revelar até mesmo nos órgãos de “informação” burgueses. No La Stampa de 25 de Agosto, Lucia Annunziata escreve: é uma guerra “inteiramente externa, ou seja, feita pelas forças da NATO”; foi “o sistema ocidental que promoveu a guerra contra Kadafi”. Uma peça do International Herald Tribunede 24 de Agosto mostra-nos “rebeldes” que se regozijam, mas eles estão comodamente instalados num avião que traz o emblema da NATO.

2. Trata-se de uma guerra preparada desde há muito tempo. O Sunday Mirror de 20 de Março revelou que “três semanas” antes da resolução da ONU já estavam em acção na Líbia “centenas” de soldados britânicos, enquadrados num dos corpos militares mais refinados e mais temidos do mundo (SAS). Revelações ou admissões análogas podem ser lidas no International Herald Tribune de 31 de Março, a propósito da presença de “pequenos grupos da CIA” e de uma “ampla força ocidental a actuar na sombra”, sempre “antes do desencadeamento das hostilidades a 19 de Março”.

3. Esta guerra nada tem a ver com a protecção dos direitos humanos. No artigo já citado, Lucia Annunziata observa com angústia: “A NATO que alcançou a vitória não é a mesma entidade que lançou a guerra”. Nesse intervalo de tempo, o Ocidente enfraqueceu-se gravemente com a crise económica; conseguirá ele manter o controle de um continente que, cada vez mais frequentemente, percebe o apelo das “nações não ocidentais” e em particular da China? Igualmente, este mesmo diário que apresenta o artigo de Annunziata, La Stampa, em 26 de Agosto publica uma manchete a toda a largura da página: “Nova Líbia, desafio Itália-França”. Para aqueles que ainda não tivessem compreendido de que tipo de desafio se trata, o editorial de Paolo Paroni (Duelo finalmente de negócios) esclarece: depois do início da operação bélica, caracterizada pelo frenético activismo de Sarkozy, “compreendeu-se subitamente que a guerra contra o coronel ia transformar-se num conflito de outro tipo:   guerra económica, com um novo adversário:   a Itália obviamente”.

4. Desejada por motivos abjectos, a guerra é conduzida de modo criminoso. Limito-me apenas a alguns pormenores tomados de um diário acima de qualquer suspeita. O International Herald Tribune de 26 de Agosto, num artigo de K. Fahim e R. Gladstone, relata: “Num acampamento no centro de Tripoli foram encontrados os corpos crivados de balas de mais de 30 combatente pró Kadafi. Pelo menos dois deles estavam atados com algemas de plástico e isto permite pensar que sofreram uma execução. Dentre estes mortos, cinco foram encontrados num hospital de campo; um estava numa ambulância, estendido numa maca e amarrado por um cinturão e tendo ainda uma transfusão intravenosa no braço”.

5. Bárbara como todas as guerras coloniais, a guerra actual contra a Líbia demonstra como o imperialismo se torna cada vez mais bárbaro. No passado, foram inumeráveis as tentativas da CIA de assassinar Fidel Castro, mas estas tentativas eram efectuadas em segredo, com um sentimento de que se não é por vergonha é pelo menos de temer possíveis reacções da opinião pública internacional. Hoje, em contrapartida, assassinar Kadafi ou outros chefes de Estado não apreciados no Ocidente é um direito abertamente proclamado. O Corriere della Sera de 26 de Agosto de 2011 titula triunfalmente: “Caça a Kadafi e seus filhos, casa por casa”. Enquanto escrevo, os Tornado britânicos, aproveitando também a colaboração e informações fornecidas pela França, são utilizados para bombardear Syrte e exterminar toda a família de Kadafi.

6. Não menos bárbara que a guerra foi a campanha de desinformação. Sem o menor sentimento de pudor, a NATO martelou sistematicamente a mentira segundo a qual suas operações guerreiras não visavam senão a protecção dos civis! E a imprensa, a “livre” imprensa ocidental? Ela, em certo momento, publicou com ostentação a “notícia” segundo a qual Kadafi enchia seus soldados de viagra de modo a que eles pudessem mais facilmente cometer violações em massa. Como esta “notícia” caiu rapidamente no ridículo, surge então uma outra “nova” segundo a qual os soldados líbios atiram sobre as crianças. Nenhuma prova é fornecida, não se encontra nenhuma referência a datas e lugares determinados, nenhuma remessa a tal ou tal fonte: o importante é criminalizar o inimigo a liquidar.

7. Mussolini no seu tempo apresentava a agressão fascista contra a Etiópia como uma campanha para libertar este país da chaga da escravidão; hoje a NATO apresenta a sua agressão contra a Líbia como uma campanha para a difusão da democracia. No seu tempo Mussolini não cessava de trovejar contra o imperador etíope Hailé Sélassié chamando-o “Negus dos negreiros”; hoje a NATO exprime seu desprezo por Kadafi chamando-o “ditador”. Assim como a natureza belicista do imperialismo não muda, também as suas técnicas de manipulação revelam elementos significativos de continuidade. Para clarificar quem hoje realmente exerce a ditadura a nível planetário, ao invés de citar Marx ou Lénine quero citar Emmanuel Kant. Num texto de 1798 (O conflito das faculdades), ele escreve: “O que é um monarca absoluto? Aquele que, quando comanda: ‘a guerra deve fazer-se’, a guerra seguia-se efectivamente”. Argumentando deste modo, Kant tomava como alvo em particular a Inglaterra do seu tempo, sem se deixar enganar pela forma “liberal” daquele país. É uma lição de que devemos tirar proveito: os “monarcas absolutos” da nossa época, os tiranos e ditadores planetários da nossa época têm assento em Washington, em Bruxelas e nas mais importantes capitais ocidentais.

27/Agosto/2011

Domenico Losurdo é um marxista convicto.

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“Se aqui e no exterior todos perceberem que estamos prontos para a guerra a qualquer momento, com todas as unidades das nossas forças na linha de frente prontas para entrar em combate e ferir o inimigo no ventre, pisoteando-o quando estiver no chão, para ferver seus prisioneiros em azeite e torturar suas mulheres e filhos, então ninguém se atreverá no nosso caminho”. John Arbuthnot Fisher, primeiro Lord do Almirantado da Marinha Real Britânica, (cit. in Norman Angell, A Grande Ilusão, Editora UNB, 2002, p: 275)

É preciso ser muito ingênuo ou mal informado para seguir pensando que a “Guerra da Líbia”, foi feita em nome dos “direitos humanos” e da “democracia”. E ainda por cima acreditar que o governo de Muamar Gadafi foi derrotado pelos “rebeldes” que aparecem nos jornais em poses publicitárias. Tudo isso enquanto a aviação inglesa comanda o ataque final das forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) à cidade de Sirta, depois de ter conquistado a cidade de Trípoli. Até o momento, a “primavera árabe” não produziu nenhuma mudança de regime na região, mesmo na Tunísia e no Egito, e não há nenhuma garantia de que os novos governos sejam mais democráticos, liberais ou humanitários que seus antecessores. Até porque, quase todos os seus líderes ocuparam posições de destaque nos governos que ajudaram a derrubar, com o apoio de uma multidão heterogênea e desorganizada. Sendo que, no caso da Líbia, não se pode nem mesmo falar de algo parecido a uma “mobilização massiva e democrática” da oposição, porque se trata de fato de uma guerra selvagem e sem quartel, entre regiões e tribos inimigas, que foram mobilizadas e “pacificadas” transitoriamente, pelas forças militares da Otan.

Na Líbia haverá um período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal e instável

Segundo Lord Ismay, que foi o primeiro secretário-geral da Otan, o objetivo da aliança militar criada pelo Tratado do Atlântico Norte, assinado em 1949, era “manter os russos fora, os americanos dentro e os alemães para baixo”. E esse objetivo foi cumprido plenamente, durante todo o período da Guerra Fria. Mas depois de 1991, a Otan passou por um período de “crise de identidade” e redefinição do seu papel dentro do sistema internacional. Num primeiro momento, a organização militar se voltou para o Leste e para a ocupação/incorporação de alguns países da Europa Central que haviam pertencido ao Pacto de Varsóvia.

Além disso decidiu participar diretamente das Guerras do Kosovo e da Sérvia. E ao mesmo tampo, lançou, em 1994, um projeto de intercâmbio militar e de segurança, com os países árabes do norte da África, o chamado “Diálogo Mediterrâneo”. Dez anos depois, na sua reunião de cúpula de 2004, em Istambul, os dirigentes da Otan decidiram expandir o seu projeto de segurança e criaram a “Iniciativa de Cooperação de Istambul” (ICI), voltada para os países do Oriente Médio. Além disso, nesse mesmo período, a Otan, que não havia apoiado as guerras do Afeganistão e do Iraque, decidiu aderir e colocar-se ao lado das tropas anglo-americanas, instalando suas forças também na Ásia Central.

Foram os ingleses que cunharam o termo “Oriente Médio”, para referir-se aos territórios situados no meio do seu caminho, entre a Inglaterra e a Índia, e que pertenciam ou estavam sob a tutela do Império Otomano. Incluindo os territórios que foram retalhados e divididos depois do fim da 1ª Guerra Mundial, sendo transformados em “protetorados” da Inglaterra e da França, que já eram, naquele momento, as duas maiores potências imperiais da Europa, tendo submetido e colonizado a maior parte da África Subsaariana e todos os países árabes do norte do continente, hoje incluídos no “Diálogo Mediterrâneo” da Otan.

Mas foi o presidente dos Estados Unidos, George Bush, quem cunhou o termo “Grande Médio Oriente”, apresentado pela primeira vez na reunião do G-8, realizada em Sea Islands, nos Estados Unidos, em junho de 2004. A ideia era definir e unificar um novo espaço de intervenção geopolítica, que iria do Marrocos até o Paquistão, e deveria ser objeto da preocupação prioritária das grandes potências, na sua guerra contra o “terrorismo islâmico”, e a favor da “democracia” e dos “direitos humanos”. Dessa perspectiva se pode compreender melhor o significado geo-estratégico da “primavera árabe”, e da Guerra da Líbia.

Assim mesmo, o que se deve esperar que ocorra depois da guerra? Na Líbia, haverá um longo período de caos, seguido da formação de um governo de coalizão tribal, instável e autoritário, sob o patrocínio e a tutela militar da Otan. Ao mesmo tempo, terá sido dado um passo decisivo na construção de uma força de intervenção “ocidental”, capaz de projetar seu poder militar sobre todo o território islâmico do Grande Médio Oriente. E de passagem, estará criado o primeiro “protetorado colonial” da Otan na África. Triste sina da África!

José Luís Fiori é professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da UFRJ, e autor do livro “O Poder Global”, da Editora Boitempo, 2007. Escreve mensalmente às quartas-feiras.

FONTE: Valor Econômico

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O secretário-geral da Liga Árabe, Amr Moussa, expressou preocupações a respeito da campanha da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na Líbia e pediu um cessar-fogo e negociações com o regime de Muamar Kadafi, segundo informações divulgadas hoje no site do jornal britânico Guardian.

Moussa, que teve um papel crucial para a reunião de apoio árabe para a resolução da Organização das Nações Unidas (ONU), que permitiu a campanha da Otan, disse que está repensando a questão, já que os ataques aéreos parecem não estar funcionando. “Quando eu vejo crianças sendo mortas, eu tenho dúvidas. É por isso que adverti sobre o risco de vítimas civis”, disse ele em entrevista ao jornal.

A Otan disse nesta semana que um míssil com defeito matou nove civis, dentre eles duas crianças. As autoridades líbias também disseram que 15 civis foram mortos num ataque contra um complexo perto de Trípoli, mas a Otan disse que tratava-se de um alvo legítimo.

“Não podemos ter um final decisivo. Agora é hora de fazer o que for necessário para chegarmos a uma solução política”, afirmou Moussa. “Isso tem de começar com um cessar-fogo de verdade, sob supervisão internacional. Até o cessar-fogo, Kadafi deve permanecer no cargo. Então haveria uma movimentação para um período de transição, até chegarmos a um entendimento sobre o futuro da Líbia.” As informações são da Dow Jones.

FONTE: Agência Estado

 

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Bombardeios das forças de líder líbio deixam ao menos dez mortos e 40 feridos em Misrata, terceira maior cidade do país

Em uma gravação de áudio divulgada pela TV estatal, o líder líbio, Muamar Kadafi, advertiu nesta sexta-feira que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) será vencida e não poderá fazer nada para mudar seu regime na Líbia.

“Não queremos reconciliação nem diálogo. Estamos em nosso país e insistiremos em ficar aqui até a morte. Eles serão vencidos. A Otan será forçosamente vencida”, afirmou o coronel. “Estamos decididos a não mudar nada em nosso país se não for por vontade própria e longe dos aviões da Aliança”, afirmou.

Kadafi pediu aos líbios que se preparem para libertar seu país. “Preparem-se, homens e mulhers, para libertar toda a Líbia. Em um tom de voz elevado, o líder líbio disse que os que abandonam o regime “são tão covardes quanto os que usam armas” contra ele, em referência aos rebeldes líbios.

Kadafi ressaltou que suas forças resistirão e combaterão e advertiu que, se os aliados utilizarem tropas terrestres, serão enfrentados, embora tenha dito que eles “não se atreverão porque são covardes”.

Os aviões da Otan voltaram a atacar a capital do país, Trípoli, nesta sexta-feira, especificamente um bairro do sul da cidade, e também uma região perto de Kikla, a cerca de 150 quilômetros da capital.

Ataque a Misrata

Bombardeios das forças de Kadafi sobre a cidade de Misrata, no oeste do país e em poder dos rebeldes, deixaram dez mortos e 40 feridos nesta sexta-feira, anunciaram fontes dos rebeldes líbios.

Segundo Ahmed Hassan, todas as vítimas eram civis que foram atingidos por foguetes do tipo Grad 45 quilômetros ao oeste da cidade. Um vítima era uma mulher, que foi encontrada nos escombros da própria casa.

Hassan afirmou que Misrata – a terceira maior cidade da Líbia – é alvo dos bombardeios quase diários das forças de Kadafi e que, nesta sexta-feira, não aconteceu nenhum ataque da aviação da Otan.

FONTE: Com EFE e AFP

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As forças da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) destruíram 17 tanques que pertenciam ao ditador líbio, Muammar Gaddafi, na sexta-feira e neste sábado, informou um funcionário da organização.

As forças aéreas da Otan atingiram 15 tanques perto da cidade de Misrata, a oeste do país, onde as forças de Gaddafi estão atacando os rebeldes que questionam seu comando, e dois ao sul de Brega, que fica no lado leste do país, segundo o funcionário.

“As operações de sexta-feira podem ter sido as mais eficazes [desde que a Otan assumiu o comando de operações militares na Líbia]“, acrescentou.

O funcionário também disse que aviões da Otan interceptaram outra aeronave MIG 23 perto de Benghazi no sábado, dirigida por um piloto rebelde, e o aconselharam a aterrissar.

“Não sabemos a identidade do piloto mas tendo em vista que ele decolou de Benghazi, assumimos que ele era um piloto da oposição”, disse.

Aparição na TV

Gaddafi fez neste sábado sua primeira aparição na televisão em cinco dias, enquanto suas tropas atacavam violentamente com morteiros a entrada oeste da cidade de Adjabiya. As imagens foram divulgadas pela TV estatal.

As imagens mostram o ditador eufórico, vestindo um manto marrom e óculos de sol, cercado por estudantes gritando slogans contra o Ocidente. Esta é a primeira aparição pública desde que Gaddafi saiu na segunda-feira em frente à sua casa em Bab al Aziziya, ao sul de Trípoli, para saudar seguidores reunidos no local.

As forças do dirigente bombardearam os arredores da Ajdabiya, forçando os rebeldes a se retirarem do hospital da cidade que fica a 160 quilômetros a sudoeste de Benghazi — a capital dos rebeldes.

Acuados, os rebeldes determinaram a desocupação do hospital, diante da intensidade do bombardeio das tropas do ditador líbio.

Em meio à debandada geral, os rebeldes decidiram se retirar do centro médico por conta da crueldade dos combates que obrigaram também o abandono da cidade pelas poucas famílias que restavam nesta área estratégica ao leste do país, na direção de Benghazi (reduto rebelde).

Apesar da luta, no leste, um barco Cruz Vermelha conseguiu levar suprimentos médicos para o oeste da cidade sitiada de Misrata.

As tropas do regime, na sexta-feira fez uma nova investida sobre Misrata, o principal reduto dos rebeldes na Líbia ocidental. Os rebeldes disseram à Reuters que foram capazes de se reagrupar e repelir o ataque por tropas do governo.

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) pediu desculpas pelas mortes de civis e admitiu dificuldades em conter as forças do ditador, após o avanço das tropas do ditador às cidades de Misrata e Ajdabiyah,. Em Benghazi, centenas foram às ruas em manifestações contra a aliança militar que chefia as operações no país.

Na noite de sexta, rebeldes líbios disseram ter lutado contra um ataque ao leste de Misrata realizado pelas forças do ditador, que deixaram ao menos quatro mortos.

FONTE: Folha.com/Reuters

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Os rebeldes líbios fizeram um acordo com o Qatar para receber o novo armamento que precisam com urgência e estão em negociações com o Egito na tentativa de fechar o mesmo acordo, segundo fontes da direção insurgente em Benghazi, reduto dos opositores do ditador Muammar Gaddafi, entrevistados pela agência de notícias EFE.

As fontes também afirmaram que desde que a Otan tomou o comando da operação aliada a situação “mudou totalmente para pior”, já que seus bombardeios se repetem sobre as mesmas áreas, em vez de serem localizados nos arredores de Misrata e outras regiões onde seriam mais efetivos.

Nesta segunda-feira, confrontos entre os rebeldes e as forças de Gaddafi tiveram como palco pelo quarto dia consecutivo a cidade petrolífera de Brega.

Segundo a correspondente da “Al Jazeera”, SueTurton, os rebeldes conseguiram avançar em direção a oeste com ajuda dos ataques das forças de coalizão, depois de terem recuado devido à ofensiva das forças do governo.

Ainda de acordo com a repórter, os insurgentes estão com receio de avançar pela estrada principal, na costa de Brega, devido às suspeitas de que as forças de Gaddafi teriam colocado minas ao longo da rodovia.

Operações podem durar seis meses

As operações dos aviões britânicos que participam na manutenção da zona de exclusão aérea na Líbia durarão pelo menos seis meses, afirmou o chefe da Real Força Aérea britânica (RAF) em entrevista ao jornal britânico “The Guardian”.

“Estamos planejando com base em pelo menos seis meses e a partir de então veremos”, declarou o marechal Stephen Dalton. Segundo ele, a Líbia é a atual prioridade da RAF e a operação, no momento, era sustentável e não coloca em perigo os esforços britânicos em outros lugares.

Já os Estados Unidos informaram que vão retirar seus aviões do espaço aéreolíbio na tarde de hoje, segundo informações da “Associated Press”, citando um oficial da Otan. Durante a manhã desta segunda-feira, os aviões americanos permanceram na ativa devido a um pedido do órgão. Não foi informado se a retirada será permanente ou temporária.

Itália reconhece conselho de oposição a Gaddafi

A Itália reconhece o opositor Conselho Nacional de Transição (CNT) líbio como “único interlocutor legítimo” e considera que as propostas de saída da crise do regime de Gaddafi “não são confiáveis”, afirmou nesta segunda-feira o ministro das Relações Exteriores italiano, Franco Frattini.

“A Itália decidiu reconhecer o Conselho”, declarou Frattini após um encontro com um enviado do CNT, Ali Al Issawi.

“O regime de Trípoli está enviando pessoas à Grécia para fazer propostas. Estas propostas não são confiáveis. Não é possível aceitá-las”, disse Frattini em referência a uma visita no domingo de um enviado do regime a Atenas para negociar uma saída para a crise na Líbia.

FONTE: UOL

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OTAN assume comando das ações sobre a Líbia

A Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) assumiu nesta quinta-feira o comando das operações internacionais na Líbia e rejeitou publicamente a ideia de armar rebeldes – opção considerada pelo presidente americano, Barack Obama.

A aliança assume o posto que foi dos Estados Unidos e lidera agora as forças na operação Protetor Unificado. a ideia é manter a zona de restrição aérea imposta na operação Aurora da Odisseia, além de manter os ataques às forças do ditador líbio, Muammar Gaddafi, e proteger os civis líbios.

A operação começou oficialmente às 3h de Brasília, segundo a agência de notícias France Presse, que cita uma fonte diplomática.

Sob a autoridade do grande quartel-general da Aliança na Europa, em Mons (sul da Bélgica), a operação será dirigida a partir do centro regional de comando de Nápoles (sul da Itália) pelo general canadense Charles Bouchard.

A Otan assumiu o controle parcial das operações na quarta-feira, mas a transferência demorou em consequência da grande complexidade da operação.

O secretário-geral da Otan, Anders Fogh Rasmussen, reiterou a jornalistas nesta quinta-feira que é contra a ideia de fornecer armas aos rebeldes líbios e lembrou que a aliança está no país para proteger, não armar, os líbios.

“Nós estamos lá para proteger o povo líbio, não para armar o povo”, declarou Rasmussen. “Até onde a Otan está sabe, e eu falo em nome da Otan, vamos nos concentrar no controle do embargo de armas e o objetivo claro de um embargo de armas é interromper o fluxo de armas no país”, completou.

A ideia de armar os líbios não foi descartada pelos EUA, apesar de ter sido recebida com duras críticas pela Rússia.

Os ataques aéreos das forças internacionais neutralizaram a Força Aérea de Gaddafi e causaram grandes danos às suas bases militares, mas as tropas governistas continuam melhor equipadas na batalha contra os rebeldes.

Esta disparidade ficou óbvia nos últimos dias, quando as forças de Gaddafi forçaram os rebeldes a um recuo caótico de Sirte, cidade natal do ditador. Sob disparos de foguetes, os rebeldes recuaram ainda de Bin Jawad e de Ras Lanuf.

Armar os rebeldes poderia ser uma forma de “equilibrar” as forças da batalha na Líbia, embora muitos questionem se é seguro dar armas a grupos desconhecidos e o que aconteceria com estas armas após a guerra.

FONTE: folha.com

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