(BBC/Washington, 21) 1. Após um início de governo marcado pela expectativa de que mudaria o rumo da política externa brasileira, a presidente Dilma Rousseff completará um ano no poder sem grandes diferenças em relação a seu antecessor, dizem analistas consultados pela BBC Brasil. “Acho que há essencialmente uma continuidade”, disse à BBC Brasil o historiador americano John French, professor da Duke University, na Carolina do Norte.

2. No entanto, apesar da aparente sinalização inicial de mudança, nesta semana o Brasil voltou a se abster em uma votação na Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que condenou violações de direitos humanos no Irã. No entanto, mesmo em outros temas, como as crises na Síria ou na Líbia, a atuação brasileira no primeiro ano do governo de Dilma não trouxe grandes mudanças em relação a seu antecessor.

3. O Brasil se absteve na votação no Conselho de Segurança, em março, que aprovou uma ação militar na Líbia sob a justificativa de proteger civis. Também demorou a reconhecer os rebeldes líbios que derrubaram o governo de Muamar Khadafi e assumiram o poder. O Brasil também não foi favorável a sanções contra a Síria em votações no âmbito do Conselho de Segurança da ONU – já que nesse fórum há o risco de que resoluções resultem em ação militar, como ocorreu no caso da Líbia.

FONTE: BBC, via Ex-Blog do Cesar Maia

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  1. Parecia que a presidente Dilma Rousseff ia alterar a política externa populista do governo Lula. Declarações iniciais sobre direitos humanos, no caso de uma iraniana condenada a pena cruel, deu esperanças. Contudo eram só fogos de artifício. O ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, pelo tempo que viveu e serviu nos EUA, sinalizava moderação. Pura ilusão. Apenas sinalizava. Em pouco tempo, mostrou algo muito diferente.
  2. Na decisão do Conselho de Segurança da ONU sobre a Líbia, o Brasil se absteve, com a Rússia e a China. Um aval ao desequilibrado ditador Gaddafi. Depois veio a pressão sobre o Congresso para rever o acordo de Itaipu, criando um grave precedente. O explícito chavista Marco Aurélio Garcia, assessor internacional da Presidência, justificou a revisão como uma ação “geopolítica”. Melhor seria doar esses US$ 300 milhões da revisão do Tratado de Itaipu. A divulgação do conteúdo do laptop do comandante narcoguerrilheiro Raúl Reyes, evidenciando os espaços livres para as Farc no Brasil, não obteve do governo Dilma nem uma linha de preocupação e indicação investigativa.
  3. A ostensiva atuação do governo, e do PT, na eleição peruana, suavizando a imagem do candidato chavista Ollanta Humala e dando-lhe apoio diplomático (nem tão discreto), foi na mesma direção. Dilma não quis receber a iraniana Shirin Ebadi, Prêmio Nobel da Paz. A decisão do STF sobre o caso do terrorista assassino Cesare Battisti teve claro envolvimento do governo Dilma, antes e depois, por meio do ministro da Justiça. Agora, o país enfrenta um constrangimento com os italianos, que fazem parte da formação econômica e cultural do Brasil contemporâneo.
  4. Dias atrás, o ministro Patriota afirmou que a proposta de advertência ao governo sírio pela repressão com dezenas de mortos, apresentada ao Conselho de Segurança da ONU, não contava com o apoio do Brasil. Em entrevista na sede da ONU, nos EUA, disse com todas as letras: “Os ataques aéreos da Otan na Líbia causaram hesitação entre os membros do CS sobre a adoção de ações contra a Síria -país muito central quando se analisa a estabilidade no Oriente Médio. Ainda existe uma preocupação sistêmica sobre a implementação da resolução 1 .973 (Líbia). Penso que as preocupações sobre a implementação desta resolução estão influenciando a forma como as delegações olham para outras medidas que podem afetar outros países da região -a Síria em particular. Continuaremos monitorando a situação de perto antes de adotarmos uma posição sobre esta proposta específica”.
  5. Em resumo: nada, absolutamente nada, mudou de substancial na política externa além de uma maquiagem inicial, que logo desbotou.

FONTE: Coluna de Cesar Maia na Folha de SP (18).

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O apoio dos EUA à pretensão da Índia a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) pode ser explicado, segundo especialistas, pelo arsenal de guerra de Nova Déli – que inclui pelo menos 60 ogivas nucleares e um Exército com mais de 1,3 milhão de combatentes.

O presidente Barack Obama oficializou o apoio à Índia na semana passada, durante visita ao país.

Pesou em sua decisão o fato de os indianos serem o maior contraponto militar à China no sul da Ásia. Mas o apoio não ocorreria se o país não contasse com armas nucleares, segundo um general da alta cúpula do Exército brasileiro, que pediu para não ser identificado.

Segundo estimativa do Sipri (Instituto Internacional de Pesquisas de Estocolmo), a Índia tem entre 60 e 80 armas nucleares.

Fora isso, possui um dos maiores Exércitos convencionais do mundo, além de grande quantidade de armas estratégicas, entre elas mais de 4.000 tanques pesados, 11 mil peças de artilharia, 660 caças e uma Marinha forte, cuja frota conta com um porta-aviões e um submarino de propulsão nuclear.

Em 2008, o país investiu na área militar mais de US$ 30 bilhões, o equivalente a 2,6% de seu PIB (Produto Interno Bruto). O Brasil investiu mais de US$ 23 bilhões, cerca de 1,5% do PIB no mesmo ano, segundo o Sipri.

Os EUA, maior potência militar do globo, gastou mais de US$ 610 bilhões (4,3%).

“Para ser membro permanente do Conselho de Segurança, o país tem que ser reconhecido como potência militar, o que não é o caso [do Brasil]“, afirma o pesquisador da Unicamp e coronel da reserva Geraldo Cavagnari.

Segundo o pesquisador, como o Conselho de Segurança é um órgão político (e não econômico), “independente do peso da economia de um país, ele terá que possuir armas para integrá-lo”.

Para ele, a diferença de tamanho das forças armadas da Índia e do Brasil não é fruto apenas de decisões políticas. A localização estratégica dos países pesa na balança.

Enquanto o Brasil fica em uma região considerada extremamente estável (América do Sul, Atlântico e Pacífico sul), a Índia tem uma população cinco vezes maior, situa-se em um possível teatro de guerras futuro e vive a possibilidade permanente de conflito com o Paquistão – outra força nuclear.

MISSÕES DE PAZ

Sem os recursos necessários para se tornar uma potência militar, o Brasil tenta obter prestígio internacional participando de missões de paz das Nações Unidas.

A maior delas hoje é a Minustah (Missão das Nações Unidas para a Estabilização do Haiti), em que o Brasil mantém mais de 2.000 capacetes azuis.

Porém, os recursos escassos prejudicam até a participação nesse tipo de missão.

Em meados de agosto, o Itamaraty conseguiu, em negociação com a ONU, o comando da Força Tarefa Naval das Nações Unidas, que hoje atua na proteção da área costeira do Líbano.

Em troca, o Brasil deveria emprestar apenas um navio de sua esquadra de guerra. A negociação emperrou no Ministério da Defesa, que afirmou que não poderia prescindir de uma embarcação na defesa do litoral do país.

Hoje, negocia-se a ida de oficiais da Marinha para integrar a missão e, no ano que vem, o deslocamento de tropas terrestres.

Porém, mesmo quando a comparação é sobre missões de paz, a participação do Brasil é inferior à da Índia – que tem quatro vezes mais tropas a serviço da ONU.

Para Cavagnari, a participação em operações de paz é positiva para o Brasil, mas não o torna uma potência.

“O Brasil passa a ser um país confiável porque contribui com a paz mundial. Mas ter um papel significativo nas decisões mundiais é outra coisa”, disse.

Fonte: Folha Online

Colaboração: Agradecemos a participação de nosso usuário Rodrigo, pela sugestão da matéria.

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Em reunião na semana passada, comandantes de alto escalão do Exército brasileiro discutiram o apoio dos EUA à Índia para uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

A Folha apurou que, na avaliação dos comandantes, o objetivo dos EUA, de fato, é formar uma aliança com um país cuja capacidade militar poderia se contrapor à da China no sul da Ásia.

A China investe cerca de 2% de seu PIB (Produto Interno Bruto) em questões militares e tem forças armadas mais numerosas e equipadas do que a Índia.

O arsenal chinês conta com 186 mísseis nucleares ativos e um número desconhecido de ogivas de reserva, além de um efetivo estimado em 2,1 milhões de combatentes, segundo relatório do CSIS (Centro para Estudos Estratégicos Internacionais, na sigla em inglês), sediado nos EUA.

O arsenal convencional tem mais de 17 mil peças de artilharia, 7.500 tanques, três submarinos nucleares e quase 1.400 caças.

A Folha apurou que o apoio americano à Índia não gerou grandes preocupações entre os generais brasileiros.

Apesar do Itamaraty ter considerado o apoio positivo – por abrir as portas de uma reforma no Conselho -, os generais identificaram um recado implícito ao Brasil.

Obama criticou a Índia por não intervir em questões de desrespeito a direitos humanos em Mianmar. O recado seria sobre o Brasil não criticar violações de direitos humanos no Irã.

Fonte: Folha Online

Relembrando – O presidente Lula assinou o decreto do Conselho de Segurança da ONU que impõe sanções ao Irã. O Ministro das relações Exteriores, Celso Amorin, declarou que o Presidente “não concorda com as sanções e assinou o acordo contrariado”.

Antes de assinar o decreto em questão, dos quinze países membros do CS, doze assinaram o documento, sem nenhuma restrição, sendo que o Líbano se absteve e o Brasil e a Turquia votaram contra.

Dessa forma, Brasil e Turquia, protagonizaram, isolados, uma política internacional na contramão do interesse mundial. Contrariando todas as potências mundiais, inclusive a China, que o Governo Lula faz questão de elogiar. Será que todos os líderes mundiais estão equivocados e o Presidente Lula é o único lúcido nessa história toda?

Considerando esse comportamento de nossa política externa, que entrou em conflito com quase todos o líderes mundiais, quais são as chances de a pretensão brasileria ser considerada como relevante em suas reivindicações, visando a uma vaga permanente no Conselho de Segurança da ONU?

O Brasil precisa repensar a sua política externa?

Colaboração: Agradecemos a participação de nosso usuário Rodrigo, pela sugestão da matéria.

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Não só devido à composição ideológica, mas também por vínculos pessoais, o governo Lula sempre foi próximo de Cuba. Com ministros ex-exilados na ilha, além de assessores chegados aos irmãos Castro, o presidente colocou a diplomacia brasileira mais ativa na condenação ao embargo comercial americano, de fato um equívoco pela sua duração.

Uma visão de mundo com viés da esquerda da década de 70, temperada pelo nacionalismo cultivado por militares do regime ditatorial daquela época, fez o governo praticar a militância antiamericanista, ser condescendente com Hugo Chávez e com a propagação do antidemocrático e populista bolivarianismo pela América do Sul.

Hoje se vê que esta mudança de eixo na outrora mais estável das políticas de estado brasileiras, a externa, não se deve apenas à fé ideológica de poderosos do Palácio do Planalto, algo derivado da circunstância de determinadas pessoas estarem ao mesmo tempo em cargos de mando em Brasília.

O problema é mais grave, pois tudo faz parte de um projeto articulado, com seus intelectuais orgânicos, formuladores de um projeto que vira pelo avesso a postura clássica do Itamaraty, historicamente alinhado aos melhores princípios do Ocidente.

O descaso demonstrado por Lula e companheiros com o desrespeito aos direitos humanos em Cuba não é fato isolado. Pode ter aspectos particulares em função dos vínculos de pessoas do governo com os irmãos Castro, mas é apenas um entre outros casos.

Esta postura ganhou de vez tinturas de política oficial com a revelação, feita pelo jornal “O Estado de S.Paulo”, de que o Brasil enviara correspondência a todos os países representados na ONU com a proposta de que sejam evitadas resoluções de censura a governos acusados de agredir direitos humanos. Em troca, o Brasil propõe uma política de diálogo, para demover os agressores.

A carta do governo Lula, reconheça-se, é coerente com a posição leniente assumidapelo Brasil em votações quando esteve em questão repreender contumazes atropeladores dos direitos da pessoa humana, como o Sudão, Coreia do Norte, Sri Lanka e o Irã.

Mais uma vez transparece nesta política da vista grossa a assassinatos, torturas, etc. a preocupação de se marcar diferenças com os Estados Unidos. Na questão nuclear este cuidado é nítido. Não que o governo de Brasília tenha sido enganado por Ahmadinejad; é evidente, hoje, que ele prestou um serviço à ditadura teocrática, porque deve considerar legítimo o desejo dos aiatolás de ter a bomba.

Uma pista para se chegar a esta conclusão é a crítica aberta ao Tratado de Não Proliferação Nuclear, assinado pelo Brasil, feita pelo embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, talvez o mais proeminente ideólogo de um projeto de Brasil estatizado, “não alinhado” e nacionalista ao extremo.

A despreocupação com os direitos humanos no mundo, como forma de tentar atrair países menores, ganha outra dimensão analisada por este ângulo mais amplo. Não será pelo comércio, devido à pequena dimensão das economias destas nações.

É grave que tão ampla mudança não seja acompanhada pelo Congresso, como deveria. Cabe à Comissão de Relações Exteriores do Senado colocar a nova política externa na agenda, para discuti-la e avaliar se é esta a direção correta da diplomacia de um país democrático.

FONTE: Editorial do Jornal Globo, 06.08.2010

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(BBC, 20) 1. Um artigo publicado na terça-feira pelo jornal britânico Financial Times afirma que o jeito “carinhoso” do Brasil é um obstáculo para que o país consiga um lugar entre as grandes potências no cenário internacional. O texto é assinado pelo jornalista John Paul Rathbone. Segundo o texto, “a política de arco-íris do Brasil pode estar atingindo o seu limite e poderia até colocar em risco a vaga permanente no Conselho de Segurança que o país cobiça”. “Gafes recentes mudaram a imagem açucarada do Brasil e do seu presidente também”, afirma o Financial Times.

2. Entre os episódios citados estão a crítica feita pelo presidente Lula à greve de fome ativista cubano Orlando Zapata e os comentários sobre protestos da oposição após as eleições no Irã – quando Lula disse que as manifestações eram “choro de perdedores”. O jornal também destaca o fato de que o Brasil condenou a instalação de bases militares americanas na Colômbia, mas ignorou a compra de armas russas feita pela Venezuela ou o suposto apoio do governo de Caracas às milícias das Farc.

3. Para o jornal, o Brasil tem diplomatas de competência reconhecida, sobretudo na área comercial, mas o país não tem institutos de pesquisa capazes de abastecê-los com informações sobre o mundo, como Moscou e Washington, o que levaria o país a cometer “erros” e não se acostumar “aos holofotes da opinião internacional”.

FONTE: Ex-Blog do Cesar Maia

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