Centenas de civis foram mortos sem conhecimento público e oficial pelas tropas de coalizão no Afeganistão, planos secretos para exterminar líderes extremistas do Taleban e Al Qaeda e a discussão do suposto envolvimento de Irã e Paquistão no apoio a insurgentes eram temas recorrentes aos líderes militares.
As tropas no Afeganistão mantinham uma unidade de “caçadores” para “matar ou capturar” líderes do Taleban sem julgamento.
As informações foram publicadas em uma série de reportagens no jornal inglês “The Guardian” neste domingo.
O jornal também revelou documentos secretos que comprovam o desenvolvimento dessas ações pelas tropas de coalizão (leia todas as reportagens, em inglês, aqui).
Segundo o “Guardian”, as informações provêm de um acervo com mais de 90 mil documentos de incidentes, além de relatórios de inteligência sobre o conflito, que foram colocados no ar na internet –em um dos maiores vazamentos de informações da história militar dos Estados Unidos.
Além do “Guardian”, os arquivos foram disponibilizados a dois outros jornais: o alemão “Der Spiegel” e o norte-americano “The New York Times”, e contabilizam as batalhas ocorridas nos últimos seis anos, que custaram a vida de mais de 320 britânicos e 1.000 norte-americanos.
Relatórios
Os documentos informam que pelo menos 195 civis foram mortos e outros 174, feridos. O número, contudo, pode ser subestimado porque, em muitas missões, as tropas omitem esse tipo de acontecimento.
Erros que ocasionaram morte de civis também incluem o dia em que soldados franceses bombardearam um ônibus cheio de crianças em 2008, matando 8. Uma ronda similar feita pelas tropas norte-americanas matou 15 passageiros.
Os documentos também apontam o extermínio de uma vila durante uma festa de casamento, incluindo uma mulher grávida, em um aparente ataque de vingança.
Segundo o jornal, os EUA também acobertaram que o Taleban adquiriu mísseis aéreos, e que escondeu um massacre perpetrado pelo grupo terrorista devido ao uso de bombas, que dizimaram mais de 2.000 civis até então.
Outro lado
Em nota, a Casa Branca afirma a situação demonstrada pelos relatórios foi resultado da gestão anterior à de Barack Obama.
“É importante notar que o período de tempo refletido nos documentos é janeiro de 2004 a dezembro de 2009″, afirma o governo.
“Condenamos fortemente a revelação de informação confidencial por indivíduos e organizações, que põe a vida de membros norte-americanos e parceiros de serviço em risco, e ameaça nossa segurança nacional”, prossegue a nota.
“A Wikileaks [site da internet no qual os documentos foram publicados] não fez esforço para contatar o governo dos EUA sobre esses documentos, que podem conter informações que colocam em risco a vida de americanos, nossos parceiros, e populações locais que cooperam conosco.”
FONTE: Folha.com

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