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Havana, 31 jan (Prensa Latina) A presidenta do Brasil, Dilma Roussef, destacou hoje aqui a importância da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) para o desenvolvimento do continente e o compromisso de seu país com essa cooperação.

Segundo Roussef, a I Cúpula do organismo regional, celebrada em dezembro passado, foi uma reunião imprescindível, ao contar com a presença dos presidentes, premiês ou representantes de todas as 33 nações do México até a Patagônia.

A presidenta, que chegou a Cuba nesta segunda-feira em visita oficial, manifestou que o crescente poder econômico do Brasil, reconhecido internacionalmente, implica também a disposição de estabelecer diálogos e alianças construtivas e pacíficas.

Após render homenagem ao Herói Nacional cubano, José Martí, sublinhou à imprensa que a concepção do gigante sul-americano é manter uma política de paz com todos os vizinhos, no meio de um contexto internacional no qual se sucedem conflitos regionais sistematicamente.

A Celac, cuja II Cúpula ocorrerá em 2013 no Chile, constitui a primeira organização que inclui todos os países latino-americanos, sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.

O organismo, fortalecido por iniciativas integracionistas como a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) e a União de Nações Sul-americanas (Unasul), compreende a cooperação nas áreas econômica, política, social e cultural, segundo recolhe a declaração fundacional.

Nesse sentido, a presidenta ressaltou que a presença do Brasil na América Latina e no Caribe tem que ser cada vez mais forte, em virtude de seu compromisso e obrigação com o avanço da região.

Rousseff, cuja visita à ilha concluirá amanhã, destacou que a cooperação entre Cuba e Brasil constitui uma demonstração do empenho de seu país por auxiliar em todos os processos de aperfeiçoamento dos níveis de vida.

A agenda da presidenta no país caribenho inclui o encontro com o presidente cubano, Raúl Castro.

Havana e Brasília mantêm relações diplomáticas desde 1943 -interrompidas em 1964 e restabelecidas 22 anos depois-, com laços que se fortaleceram a partir da chegada à presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e da própria Rousseff, em 1 de janeiro de 2011.

FONTE: Prensa Latina

O governo do Brasil, que faz fronteira com nove países da América do Sul, afirmou nesta terça-feira em Assunção, no Paraguai, que suas redes de comunicação e infraestrutura poderiam ser usadas no anel continental de fibra ótica, projeto elaborado pelos doze membros da União Sul-Americana de Nações (Unasul).

A ideia foi apresentada pelo diretor do departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra, na 1ª Reunião do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan). De acordo com ele, o objetivo do projeto, aprovado em 30 de novembro de 2011 pelos ministros da área de infraestrutura e comunicações da Unasul, é conseguir a redução do preço da banda larga para o consumidor.

Atualmente, a informação entre os países da região é conduzida por meio de conexões internacionais que atravessam os oceanos Pacífico e Atlântico.

Coimbra acrescentou que as empresas estatais de telecomunicações de cada país na fronteira com o Brasil são “parte prioritária no projeto”, embora tenha dito que o setor privado será bem-vindo.
A reunião da Cosiplan foi aberta pelo ministro de Obras Públicas do Paraguai, Cecilio Pérez. No encontro, os representantes de cada membro da Unasul irão expor as condições de cada país para a elaboração do projeto do anel continental.

A secretária-geral da Unasul, a colombiana María Emma Mejía, afirmou que a região tem “um sério atraso” tecnológico na área de infraestrutura.

FONTE: Terra/EFE

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O plano de defesa para os 12 países que integram a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) deve ser anunciado hoje (11) em Lima, no Peru. O ministro da Defesa, Celso Amorim, e mais 11 autoridades participam dos debates. O centro das preocupações é a definição de um projeto comum para equilibrar os gastos militares e medidas que garantam o respeito à soberania, à integridade e à inviolabilidade dos países.

O Conselho de Defesa Sul-Americano é o mecanismo responsável pela integração dos países da Unasul – a Argentina, o Brasil, a Bolívia, o Chile, a Colômbia, o Equador, a Guiana, o Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e a Venezuela. A reunião é comandada pelo ministro da Defesa do Peru, Daniel Mora, e pela secretária-geral do bloco, Maria Emma Mejia.

Maria Emma Mejia disse que o Conselho de Defesa Sul-Americano estabelece a confiança mútua entre seus integrantes e serve como “exemplo para o mundo”. Segundo ela, as discussões em Lima reafirmam o “respeito pela soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade” dos Estados.

Nesta reunião serão definidos ainda os projetos de cooperação militar, que preveem exercícios combinados em áreas fronteirição e operações de manutenção da paz. Também devem ser definidos os planos de formação e treinamento em defesa .
“Esse plano de ação em debate mostra que o Conselho de Defesa não é apenas extremamente dinâmico, mas é focado no fortalecimento da América do Sul como uma zona de paz e como uma lição para o mundo”, disse Mejia.

*Com informações das agências públicas de notícias do Peru, Andina, e do Equador, Andes//Edição: Graça Adjuto

Lima, Peru, 12/05/2011- Os ministros da Defesa do Brasil e da Argentina, Nelson Jobim e Arturo Puricelli, defenderam a adoção, pelos países sul-americanos, de uma estratégia comum de dissuasão. Segundo eles, para que possam manter sua soberania e continuar a proteger, elas próprias, as inúmeras riquezas da região, é necessário que as nações sul-americanas adotem uma estratégia conjunta que seja capaz de demover eventuais iniciativas externas contrárias aos interesses do subcontinente.

A manifestação de ambos os ministros foi feita durante o primeiro dia da III Reunião Ordinária do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), organismo multilateral criado no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como instância de consulta, cooperação e coordenação em matéria de defesa.

Partiu de Jobim a iniciativa de levantar, no encontro, o tema da estratégia comum de dissuasão. Para reforçar seu ponto de vista, o ministro brasileiro lembrou aos participantes que o continente sul-americano possui algumas das principais riquezas que, dentro de alguns anos, com o aumento da população mundial e o esgotamento de parte desses bens, poderão ser objeto da cobiça de outros povos.

Dentre essas riquezas, citou o ministro, figuram os aquíferos Guarani e da Amazônia, o potencial de produção de proteínas animais e vegetais, além das fontes renováveis de geração de energia. “O futuro vai exigir do subcontinente uma estratégia comum de dissuasão. Será que estaremos preparados para isso?”, provocou Jobim.

Segundo ele, os países sul-americanos têm, atualmente, “vulnerabilidades sérias” em seus meios de defesa. Como exemplo disso, ele citou a situação existente hoje em que diversas dessas nações, incluindo o Brasil, necessitam de comprar imagens de satélites geoestacionários de países de fora do subcontinente para fins civis e militares.

Para Jobim, somente a construção de um ambiente de confiança e cooperação mútua entre os países sul-americanos será capaz de reduzir as vulnerabilidades existentes na região no campo da defesa, dotando-os de capacidade real de proteger as riquezas da maneira que julgarem melhor, para o bem de seus povos e toda a humanidade.

“Temos que nos capacitar para dizer não quando a região tiver que dizer não”, afirmou.

A manifestação de Jobim recebeu o endosso imediato do ministro argentino. Purcelli afirmou que seu país compartilha com Brasil a ideia de que são os sul-americanos que devem garantir, para o bem de toda humanidade, as riquezas existentes na região.

O representante argentino recordou o conceito que levou à criação da UNASUL, baseado na ideia central de estabelecer uma zona de paz e cooperação na região. “Temos um compromisso firme de trabalhar pela unidade latino-americana”, disse.

Além dos membros das comitivas do Brasil e da Argentina, integrantes de outros países, como Colômbia e Equador, também se manifestaram no sentido da adoção de iniciativas concretas que levem ao aumento da confiança entre as nações sul-americanas.

Entre os assuntos que deverão ser debatidos no encontro estão as tratativas para o desenvolvimento do centro de estudos estratégicos de defesa e mecanismos conjuntos para atuação das Forças Armadas sul-americanas em ações de defesa civil.

A criação do CDS foi proposta pelo Brasil e discutida pela primeira vez numa reunião de presidentes sul-americanos, em abril de 2008.

O Conselho possui 12 estados-membro: Brasil, Argentina, Peru, Venezuela, Colômbia, Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai, Equador, Guiana e Suriname.

O organismo tem como objetivo central consolidar a América do Sul como uma zona livre, soberana e pacífica, base para a estabilidade democrática e para o desenvolvimento dos povos da região. Também é objetivo do Conselho fomentar uma identidade sul-americana em matéria de defesa.

FONTE: MD

Bloco não é capaz de impor limite de gastos a seus membros

Os países da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) devem compartilhar e tornar públicos seus gastos militares, pela primeira vez, a partir de março de 2011.

O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa do Equador, Javier Ponce, que deixou ontem o cargo de presidente do conselho de defesa do bloco, para entregá-lo a um representante da Guiana.

“O fundamental é começar a demonstrar a vontade dos países de compartilhar a informação e ajustar seus gastos de defesa”, disse.

Mas, segundo ele, o bloco ainda não tem poder para impor limites de gastos com defesa para os membros.

Segundo o acordo costurado pelo Conselho de Defesa da Unasul, a divulgação será feita em conjunto, segundo metodologia criada pelos países-membros.

O Brasil divulga gastos militares hoje de forma parcial. Detalhes sobre armamentos estratégicos são considerados sigilosos.

Contudo, Ponce advertiu que os países não deverão analisar os dados sob perspectiva de conflito, para não dar início a uma corrida armamentista.

Hoje, a Colômbia é o país sul-americano que investe a maior porcentagem de seu PIB em armamentos. Segundo dados de 2008 do instituto de pesquisa sueco Sipri, o percentual é de 3,7% (cerca de US$ 6 bilhões).

Os gastos brasileiros representam 1,5% do PIB, mas nominalmente são mais altos que os da Colômbia (US$ 23 bilhões).

FONTE: Folha de São Paulo

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Sergio Leo

Por pouco o Brasil não conseguiu uma vitória diplomática na reunião de ministros de Relações Exteriores da União das Nações da América do Sul (Unasul), na semana passada, convocada para tratar da crise entre Venezuela e Colômbia, após a denúncia colombiana de que a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia encontram abrigo em território venezuelano. “Por pouco”, na verdade, é um eufemismo, já que o obstáculo à vitória diplomática brasileira, embora isolado, atende pelo nome de Hugo Chávez.

A resistência da delegação venezuelana, na última hora, em aceitar um acordo entre chanceleres frustrou o esforço para transformar o encontro em um sucesso diplomático da Unasul, e deixou apenas um vitorioso, até agora: o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que sai do governo nesta semana com fama de duro contra a guerrilha e narcotráfico, além de ter iluminado com holofotes berrantes o problema do trânsito multinacional das Farc. Não há, agora, agenda possível entre Chávez e o novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos que não inclua publicamente o combate à guerrilha na fronteira.

Em Brasília já se dizia que não haveria solução para a crise diplomática antes da posse de Santos, nesta sexta-feira. Mas, antes da intervenção de Caracas, a Unasul caminhava para a solução defendida pelo governo brasileiro, comentada dias antes pelo assessor presidencial Marco Aurélio Garcia: seria divulgada uma declaração anunciando a futura criação de mecanismo conjunto de fiscalização da fronteira Colômbia-Venezuela.

Esse mecanismo reprimiria o trânsito – frequente em toda região amazônica – de contrabandistas, narcotraficantes ou guerrilheiros. Já há até um modelo notável desse tipo de cooperação: a atuação das polícias e forças armadas da Colômbia e Equador, na fronteira, que fechou passagem às Farc por lá. Exemplo notável, porque Equador e Colômbia também já romperam relações diplomáticas por um episódio dramático: em 2008, a Colômbia invadiu território do Equador, matou dirigentes da Farc acampados próximos à fronteira e coletou computadores e documentos ricos em informações da guerrilha.

A pragmática violação do direito internacional foi proveitosa a Uribe: apesar da condenação unânime no continente pela agressão armada a país vizinho, provou que o Equador acolhia guerrilheiros colombianos e forçou o governo equatoriano, após alguns meses de crise diplomática, a colaborar mais ativamente na repressão às Farc. A Venezuela, hoje, debate o temor de que a Colômbia se veja tentada a repetir uma ação do gênero em território venezuelano, com consequências imprevisíveis – especialmente quando o governo Hugo Chávez, à beira de eleições locais e às voltas com dificuldades na economia, usa a alegada ameaça do inimigo externo para acusar oposicionistas de traidores.

A crise entre Equador e Colômbia em 2008 foi resolvida com ajuda da Unasul, que aproveitou para criar o ainda não testado Conselho de Defesa dos países da região, algo inédito por excluir interlocutores de fora do continente, como os Estados Unidos. Ajudou bastante, também, a necessidade do presidente Rafael Correa de provar que, ao contrário do que insinuavam documentos achados nos computadores das Farc, seu governo não era aliado da guerrilha. A reunião de chanceleres da semana passada poderia servir de mais uma demonstração da capacidade dos países da região para resolver seus problemas sem interferência externa.

Chávez já foi consultado antes pelo governo brasileiro sobre a criação, para a Venezuela, de um mecanismo semelhante ao do Equador e ao da Colômbia. Desconversou. Havia a expectativa, em Brasília, que, dessa vez, aceitasse a saída diplomática – que também seria uma solução factível para as escaramuças de fronteira. Aparentemente, o ministro venezuelano das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, que havia discutido o tema em Brasília, chegou a insinuar que aceitaria a proposta; mas, após consultas a Caracas, rejeitou o documento conjunto e a reunião acabou apenas com uma declaração verbal dos equatorianos resumindo “pontos de comum acordo”.

Chávez perdeu uma oportunidade de mostrar engajamento no combate ao trânsito da guerrilha sobre as porosas fronteiras amazônicas. O Brasil perdeu a chance de mostrar a utilidade da Unasul na solução de conflitos regionais. E a Colômbia teve uma vitória moral: ressaltou a necessidade de maior ação dos países vizinhos no combate às Farc em seu território, deixou a Venezuela na defensiva e facilitou a atuação do presidente Juan Manuel dos Santos, que toma posse nesta sexta-feira com declarações conciliatórias de aproximação com a Venezuela e de negociação com a guerrilha.

No governo brasileiro, autoridades importantes acreditam que Uribe quis sabotar a anunciada intenção de Santos de reatamento com Chávez. Tudo indica que acontecerá o contrário, a denúncia de Uribe sobre as Farc na Venezuela deixou Santos em excelente posição para obter apoio dos vizinhos na luta contra a guerrilha. Desejar uma saída razoável dos impasses na Colômbia é torcer pelo êxito do novo presidente.

FONTE: Valor Econômico – 02/08/2010

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Renata Giraldi

Os ministros das Relações Exteriores e da Defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) aprovaram uma resolução pela qual todos os seus membros são obrigados a adotar medidas que impeçam a presença de bases militares estrangeiras em território sul-americano. A decisão é uma resposta ao acordo firmado entre a Colômbia e os Estados Unidos para instalação de até sete bases militares norte-americanas em área colombiana.

Na prática, isso significa que os países que decidirem por acordos militares com governos que não integram a Unasul terão de garantir que não haverá invasão de áreas vizinhas.

A Unasul tem 12 países-membros: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Somente os governos do Brasil e do Equador enviaram ministros de Estado à reunião da Unasul realizada na última sexta-feira (27) em Quito, capital equatoriana.

Os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da Defesa, Nelson Jobim, participaram das reuniões em Quito. A Colômbia, que estava no foco das discussões, não enviou chanceler nem ministro da Defesa ao encontro.

Pela resolução, a Unasul afirma que os países que integram o grupo devem se comprometer a garantir que pessoal militar ou civil, armas e equipamentos extras não serão usados para violar a soberania, a segurança, a estabilidade e a integridade territorial sul-americana.

O documento determina que os integrantes da Unasul se responsabilizem pelo “respeito à integridade territorial e à soberania dos países-membros do grupo, assegurando a não intervenção nos assuntos internos e a resolução de qualquer disputa por meio pacífico, entre outros”.

A expectativa da Unasul é que a resolução funcione como um meio para minimizar o mal-estar na América do Sul, depois do acordo entre colombianos e norte-americanos sobre as bases militares. A Colômbia foi criticada pelos países vizinhos, mas defendeu-se afirmando que o objetivo das bases é conter o tráfico de drogas e de armas, além da eventual ação de grupos ilegais. É permanente o estado de tensão entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O acordo entre colombianos e norte-americanos fez com que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmasse que havia ameaça de conflitos armados entre os países vizinhos. O Brasil também reagiu ao acordo sobre as bases ao levantar dúvidas sobre a ingerência dos Estados Unidos na América do Sul.

Por meio de um comunicado à Unasul, o governo da Colômbia informou aceitar os termos da resolução e assegurar o cumprimento das garantias formais pedidas pelo grupo.

FONTE: Portal Terra, via Notimp

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No olho do furacão

Brasil tenta reaproximar Venezuela e Colômbia e acaba no centro do confronto que levou Bogotá a boicotar reunião do Conselho de Defesa da Unasul

Viviane Vaz

A decisão da Colômbia de enviar apenas uma “delegação técnica” à reunião extraordinária de chanceleres e ministros de Defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito, colocou o Brasil no centro do atrito entre o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e o venezuelano, Hugo Chávez. Segundo o jornal colombiano El Tiempo, o governo de Bogotá teria manifestado desagrado com Lula pela declaração feita ontem em Manaus, na reunião de cúpula de países amazônicos. “Acho que o companheiro Chávez e o companheiro Uribe têm que entender que a guerra não é construtiva, que a disputa insana não é construtiva, afirmou o presidente brasileiro.

Na Casa de Nariño, o palácio presidencial colombiano, a frase teria sido mal vista, uma vez que Uribe tem se negado repetidas vezes a responder às agressões verbais de Chávez. O fato de a maioria dos países vizinhos criticarem o acordo militar pelo qual a Colômbia cedeu bases militares aos Estados Unidos — esse era um dos temas principais na pauta da reunião — também contribuiu para que Bogotá decidisse esvaziar o encontro. O governo colombiano enviou nota aos colegas presentes enumerando suas razões para não enviar o ministro da Defesa, Gabriel Silva, nem o chanceler, Jaime Bermúdez. O texto indica que, por falta de garantias para travar um diálogo com respeito, objetividade e equilíbrio, o país decidira enviar uma equipe de técnicos.

Apenas metade dos 12 países da Unasul esteve representada por algum dos ministros. O Brasil enviou ambos — o chanceler Celso Amorim e o titular da Defesa, Nelson Jobim. Como anfitrião, o Equador foi representado por Fander Falconi (Relações Exteriores) e Javier Ponce (Defesa). Paraguai e Suriname enviaram seus responsáveis pela Defesa. O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, qualificou a ausência colombiana como vazio inexplicável, um erro gigantesco e um desprezo à Unasul. Já Fabián Varel, chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Equador, afirmou que cada país tem suas políticas e prioridades, mas lembrou que o Conselho de Defesa deve ter um consenso absoluto entre os países-membros.

As autoridades presentes ao encontro analisaram um conjunto de propostas. Uma delas, apresentada pelo presidente do Peru, Alan García, sugere que seja elaborado um estatuto de paz e de segurança mútua, contemplando a redução dos gastos militares.

Espiões

Além de discutir a aliança militar entre EUA e Colômbia, os ministros de Defesa e Relações Exteriores da Unasul também planejavam examinar a tensão entre Peru e Chile, depois de um suposto caso de espionagem chilena em Lima. Mas, segundo a porta-voz do Palácio de La Moneda, Carolina Tohá, o governo chileno rejeitou a proposta do governo equatoriano, presidente temporário da Unasul, para mediar a disputa.

O governo de Caracas também tinha anunciado que levaria a Quito uma queixa contra outra suposta operação da Colômbia contra Venezuela, Cuba e Equador. Vamos abordar esse tema e levar as provas de todo o plano de espionagem e de todo o plano de guerra contra nosso país, e vamos demostrar perante a América do Sul, desafiou Maduro na quinta-feira à noite.

Em Bogotá, o ministro da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, admitiu pela primeira vez que os militares colombianos já pensam em se preparar para um possível confronto armado com a Venezuela. Pela primeira vez em décadas cabe ao ministro da Defesa pensar em como enfrentar, como se preparar para uma situação de ameaça externa”, disse o ministro à rádio Caracol. Ele destacou, porém, que os colombianos não gostariam de desviar-se do objetivo estratégico central, que é derrotar o narcoterrorismo. Acrescentou que seu país não pode “dedicar energias, recursos e pessoal para veleidades internacionais criadas por uma retórica inaceitável— referência ao discurso de Chávez. Os vizinhos estão condenados a se entender”, concluiu Gabriel Silva.

FONTE: Correio Brasiliense, via Notimp

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vinheta-clipping-forteSem a presença do chanceler e do ministro da Defesa da Colômbia, os integrantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) – os países sul-americanos e mais o Suriname e a Guiana – preparam, durante reunião no Equador, uma resolução sobre eventuais acordos militares firmados na região. A iniciativa é uma resposta à ação colombiana de negociar com o governo dos Estados Unidos a manutenção de sete bases militares em território da Colômbia.

Os ministros de Relações Exteriores, Celso Amorim, e da Defesa, Nelson Jobim, participam da reunião, que está sendo realizada hoje (27) em Quito, capital equatoriana. O objetivo é definir, na resolução, os termos sobre medidas de transparência, notificações relativas a supostas decisões de segurança e ações de invasão.

Em Quito, todos os governos dos 12 países-membros da Unasul – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela – enviaram representantes, exceto a Guiana. No entanto, apenas o Brasil, o Peru, o Equador e a Venezuela estão representados por seus ministros.

Uma das propostas avaliadas foi sugerida pelo governo do Peru, o chamado Protocolo de Paz, Segurança e Cooperação na União das Nações Sul-Americanas. Porém, peruanos evitam uma posição mais severa em relação à decisão colombiana.

A Colômbia foi duramente criticada pelos países vizinhos pela iniciativa de negociar a presença das bases militares com os Estados Unidos, mas o governo do presidente Álvaro Uribe argumentou que o objetivo das bases militares é conter o tráfico de drogas e de armas, além da eventual ação de grupos ilegais. O estado de tensão entre o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) é permanente.

De acordo com diplomatas brasileiros, o acordo negociado entre a Colômbia e os Estados Unidos é amplo, autorizando inclusive o livre acesso à região por parte dos militares norte-americanos, além da reconstrução de áreas eventualmente destruídas e permite o trânsito nas áreas específicas.

O acordo militar gerou tensões na América Latina, especialmente entre a Colômbia e a Venezuela. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, fez duras críticas a Uribe e pediu explicações para seus diplomatas que serviam na Colômbia.

FONTE/FOTO: Agência Brasil

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Tensão ameaça novo encontro da Unasul

Presidentes 3 reuniao unasul quito - foto R Stuckert - Ag Brasil

Dos 11 países-membros do bloco sul-americano, cinco vivem disputas político-militares

vinheta-clipping-forteO encontro da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) programado para sexta-feira, em Quito, será marcado por contendas político-militares que afetam 5 dos 11 países-membros do bloco. O clima de desconfiança que arruinou a reunião anterior, em Bariloche, há três meses, promete se repetir, agravado por acusações de espionagem, disputas fronteiriças e um ensaio de corrida armamentista que envolve Equador, Colômbia, Venezuela, Chile e Peru.

No capítulo mais recente das disputas regionais, o chanceler equatoriano, Fander Falconí, acusou ontem os serviços de inteligência da Colômbia de ter espionado Equador, Venezuela e Cuba. “Espionagem de um Estado contra outro é terrível e sumamente grave”, disse Falconí. Para ele, caberá à Unasul “baixar a tensão” do caso.

Espionagem

Na semana passada, o presidente peruano, Alan García, também havia acusado o Chile de espionagem. Ele se referiu ao país vizinho como “uma republiqueta” e criticou os gastos militares chilenos. Os dois países disputam na Corte Internacional de Haia uma área de 35 mil quilômetros quadrados no Pacífico. O Chile descartou a hipótese de levar o caso à Unasul.

“Este é um assunto estritamente bilateral e não nos parece que deva ser tratado desta forma (coletiva)”, disse a porta-voz do governo chileno, Carolina Tohá. A contenda mais grave é a que envolve Colômbia e Venezuela em um bate-boca que se arrasta desde julho, quando Bogotá tornou público um acordo que permite o uso de até sete de suas bases militares pelos EUA. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, vê no acordo uma ameaça de invasão.

“A mediação entre Venezuela e Colômbia deve ser feita no seio da Unasul”, disse, no domingo, o vice-chanceler venezuelano, Francisco Arias Cárdenas. A declaração foi feita um dia depois de a Venezuela ter recebido 300 veículos militares blindados e um lote de tanques russos modelo T-72. “Somos o alvo número 1 no mapa imperial deste continente”, disse Chávez. Ele pediu aos venezuelanos que se unam às milícias organizadas para enfrentar uma invasão estrangeira. Desde 2005, Caracas gastou mais de US$ 4 milhões em armas russas, entre elas 24 caças, helicópteros e 100 mil fuzis.

A Colômbia – isolada pela pressão da maioria dos outros países do bloco – tenta fazer com que a Unasul também questione os gastos militares de Chávez e as declarações belicistas do venezuelano. “Chama a atenção que o chefe de Estado de um país da região, membro da Unasul, tenha utilizado uma linguagem belicista e falado de guerra sem que a Unasul faça nenhum comentário a respeito”, disse o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez.

Divergências

  • Colômbia – Assinou polêmico acordo militar com os Estados Unidos e recebe críticas dos governos de esquerda da América Latina
  • Venezuela – Alega ser vítima de um plano de ataque militar colombiano com o apoio dos EUA
  • Peru – Acusa Chile de espionagem e de armamentismo
  • Chile – Diz que problemas com o Peru devem ser resolvidos de forma bilateral, não por meio da Unasul
  • Equador – Acusa serviço de inteligência colombiano de tê-lo espionado, assim como à Venezuela e Cuba

FONTE: Estadão

FOTO: Agência Brasil (R. Stuckert – 10 ago 2009 – presidentes na abertura da 3ª Reunião de Chefes de Estado e de Governo da Unasul, em Quito)

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