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vinheta-clipping-forte1Os cerca de 30 novos diplomatas brasileiros que se formaram na manhã desta segunda-feira ouviram a presidenta da República, Dilma Rousseff, e o ministro da Defesa, Celso Amorim, discursarem a respeito da integração do Brasil com os países sul-americanos.

De acordo com Dilma, “a Unasul [União de Nações Sul-Americanas] constituiu, junto com o Mercosul, o elemento fundamental para se firmar a democracia deste continente”. E completou: “O mundo multipolar que está se desenhando exige da América do Sul ter uma resposta conjunta aos desafios. Ao mesmo tempo, aprofundando sua integração ecológica, social, política e cultural em matéria de economia, relações comerciais e investimento; em matéria de defesa; em matéria do diálogo e da articulação política”.

A fala da presidenta foi proferida durante cerimônia de formatura da turma Oscar Niemeyer 2011-2013, do Instituto Rio Branco. Após aprovação em concurso para a instituição, os jovens diplomatas passam por curso de formação de três anos. Este ano, escolheram Celso Amorim, ex-chanceler brasileiro, como paraninfo da turma.

Na ocasião, o ministro da Defesa destacou que “foi com combinação de coragem, idealismo e solidariedade que fortalecemos a integração sul-americana e desconstruímos propostas hegemônicas”.

Amorim explicou, ainda, que a formação dos novos diplomatas coincide com uma época em que os brasileiros passam a atuar em importantes cargos de visibilidade global. Sobre isso, citou a recente eleição de Roberto Azevêdo para o cargo de diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Presente no evento, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, relembrou, ainda, outro brasileiro que está à frente de um mecanismo internacional: José Graziano da Silva, atual diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO). Patriota alertou aos formandos que “a extensão da presença do Brasil no mundo aumenta a responsabilidade do Itamaraty e da atividade diplomática”.

A formatura contou com a presença de diplomatas de nações-amigas, que realizaram o curso no Itamaraty. Formaram-se jovens de oito países: Angola, Argentina, Cabo Verde, Congo, Guiné Equatorial, Moçambique, São Tomé e Príncipe e Timor Leste. A solenidade teve o objetivo também de condecorar os dois primeiros colocados do concurso de admissão e do curso de formação.

FONTE: Ministério da Defesa

destaque_materia1

vinheta-clipping-forte1O ministro da Defesa, Celso Amorim, afirmou que o Brasil apoia a criação da Escola de Defesa Sul-Americana. A proposta de constituição da Escola foi formalizada pelo Equador recentemente durante a reunião de vice-ministros de defesa, realizada em Lima, Peru, no âmbito do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) da Unasul.

A manifestação favorável à ideia ocorreu após a reunião bilateral entre Amorim e a ministra da Defesa do Equador, María Fernanda Espinosa Garcés, em Quito, capital equatoriana. Na passagem pelo país, o ministro brasileiro também foi recebido pelo presidente Rafael Correa, em encontro no Palácio Presidencial. Em entrevista à imprensa após o encontro, os dois ministros explicaram que a Escola terá o objetivo de impulsionar a formulação de um pensamento estratégico regional de defesa.

A nova instituição deverá ter sede em Quito, onde funcionarão as áreas de coordenação e de administração. No entanto, como explicaram os ministros, a escola funcionará como uma rede, aproveitando as diversas iniciativas no campo militar existentes nos países do continente.

Como exemplo de iniciativas em rede, Amorim citou o Centro de Estudos Estratégicos (CEE/CDS), sediado em Buenos Aires, Argentina, e o Curso Avançado de Defesa Sul-Americano (CAD-SUL), que este ano será realizado, pelo segundo ano consecutivo, na Escola Superior de Guerra (ESG), no Rio de Janeiro.

“Todos esses cursos organizados por diferentes instituições podem fazer parte de uma rede que deverá ter uma coordenação para evitar duplicações e perda de recursos”, disse Amorim, acrescentando que a Escola respeitará sempre a pluralidade e diversidade de ideias.

Segundo a ministra da Defesa equatoriana, embora tenha recebido a chancela dos integrantes do CDS, a proposta de criação da Escola terá ainda que ser confirmada na próxima reunião de ministros da Defesa sul-americanos, marcada para novembro deste ano, também em Lima.

Para Maria Espinosa Garcés, a Escola deverá aproveitar, de maneira coordenada, a riqueza de ofertas das nações sul-americanas, potencializando as capacidades e especialidades que cada país tem em matéria de defesa. “O caminho futuro é construir um pensamento, por mais diverso que ele seja, que nos identifique, que gere uma identidade sul-americana”, afirmou Garcés. “O essencial é que seja uma escola que se concentre em problemas que são nossos, e não condicionada por problemas que não são nossos”, acrescentou Amorim, que já havia defendido a criação da Escola em fóruns internacionais.

destaque_materia2Cooperação bilateral

O ministro brasileiro foi a Quito a convite do governo do país. Durante a reunião bilateral, ocorrida na sede do Ministério da Defesa, representantes das duas delegações discutiram uma extensa pauta de assuntos que resultaram em decisões com o objetivo de aprofundar a cooperação em defesa entre as duas nações.

Entre os temas discutidos pelas delegações presentes ao encontro, figuraram o apoio brasileiro ao desenvolvimento da indústria de defesa equatoriana, a ampliação do auxílio às ações de desminagem no país, controle e defesa do espaço aéreo, e o treinamento de pilotos e técnicos da força aérea equatoriana que operam com os aviões Super Tucano.

Além desses assuntos, as delegações trataram de questões relativas ao fortalecimento da identidade sul-americana de defesa no marco do CDS/Unasul, e da contribuição brasileira à iniciativa equatoriana, ora em curso, de atualização de sua agenda política na área militar.

Os principais resultados do encontro foram objeto de um comunicado conjunto, divulgado à imprensa ao final da reunião (veja aqui a íntegra do documento). Amorim convidou os equatorianos a enviarem observadores militares à próxima edição da Operação Ágata, na fronteira do Brasil, que deverá ocorrer no segundo semestre deste ano. Ele também convidou a ministra Garcés para uma visita oficial ao Brasil em Agosto.

Para garantir a continuidade e o acompanhamento direto dos temas acordados, os dois ministros decidiram criar um grupo de trabalho e institucionalizar uma reunião anual dos respectivos estados-maiores conjuntos.

A delegação brasileira contou, entre outros, com o subchefe de Assuntos Estratégicos do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas (EMCFA), almirante Renato Rodrigues de Aguiar Freire, com o chefe da Comissão de Implementação do Sistema de Controle do Espaço Aérea da FAB, brigadeiro Carlos Aquino, além do chefe da Assessoria Internacional do Ministério da Defesa, conselheiro Ibrahim Neto.

Veja a íntegra do comunicado Conjunto (versão em espanhol)

FONTE: Ministério da Defesa

unasul_interna

vinheta-clipping-forte1O Ministério da Defesa, por meio do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), está mostrando aos seus parceiros na América do Sul o funcionamento do sistema de monitoramento de áreas especiais utilizado pelo Brasil e que, em breve, servirá às nações da América do Sul que possuem as mesmas necessidades de gerenciamento.

O contato está sendo feito no estande da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), montado na LAAD 2013 – Defence & Security, que acontece esta semana no Riocentro. No espaço, são exibidos vídeos e apresentados estudos de casos que deixam claro aos parceiros do Brasil as vantagens da implementação de sistemas semelhantes ao do Censipam.

O trabalho feito pelos técnicos na LAAD já é o desdobramento da IV Reunião do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS/Unasul), realizada em dezembro do ano passado em Lima, no Peru. Na ocasião, os integrantes do Conselho manifestaram apoio à proposta de constituição de um sistema sul-americano de gestão das chamadas áreas especiais, regiões que abrigam, entre outros, reservas indígenas e de proteção ambiental.

Os encontros no estande da Unasul servem para alinhar a agenda dos membros do CDS para uma reunião sobre monitoramento que ocorrerá em agosto, em Manaus (AM). “Estamos aproveitando a LAAD para conversar com os nossos vizinhos e definir um cronograma para o encontro no qual um grupo de trabalho vai estudar a criação de um sistema integrado de monitoramento na América do Sul”, explica o diretor-geral do Censipam, Rogério Guedes.

A expectativa, segundo Guedes, é a de que, com base nos recursos humanos e tecnológicos do Censipam, seja possível auxiliar os países membros da Unasul no combate ao narcotráfico, à degradação ambiental, entre outros.

unasul_interna2O interesse na parceria já existe. Países como o Peru, a Colômbia, a Venezuela, o Suriname e o Equador expressaram o desejo de serem corresponsáveis pelo projeto apresentado em Lima. “Nós monitoramos mais de 60% do território nacional e temos dez anos de experiência com esse tipo de gerenciamento. A manifestação desse grupo de países só mostra a confiança no nosso sistema e na nossa expertise”, diz, Guedes.

Um dos delegados contatados na LAAD foi o major-general Oscar Rossi, do Peru. Segundo ele, o Peru está de acordo com ao Brasil na questão do monitoramento e gerenciamento das áreas especiais da América do Sul. “O Peru possui áreas protegidas em desertos, montanhas e encostas. Enfrentamos os mesmo desafios do Brasil na questão dos ilícitos”, disse Rossi. “Precisamos trabalhar conjuntamente nas soluções de problemas tão complexos.”

Equipamentos e tecnologia

Além dos encontros com os parceiros na América do Sul, a equipe do Censipam que integra o estande da Unasul na LAAD está aproveitando sua participação para conhecer novos equipamentos e tecnologias que podem manter a eficiência do Centro Gestor da Amazônia. A feira apresenta inovações nas áreas de tecnologia satelital, sensores aerotransportáveis e radares de observação.

“A LAAD é uma ótima oportunidade para tomarmos contato com o que há de mais moderno na área de segurança e monitoramento. Prospectamos os produtos e, mais tarde, podemos definir as tecnologias que podem ser incluídas no nosso rol de equipamentos”, explica Rogério Guedes. “Existe a necessidade de modernizar constantemente os equipamentos existentes”, conclui.

FONTE: Ministério da Defesa

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BRASÍLIA – O encontro extraordinário entre os chefes de Estado da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para discutir a crise no Paraguai ocorrerá na próxima sexta-feira (29), informou há pouco o Ministério de Relações Exteriores do Peru. A reunião será em Mendoza, na Argentina, e vai coincidir com o encontro da Cúpula do Mercosul.

Segundo o comunicado, o tema de discussão será a “delicada situação política da República do Paraguai”. O objetivo do encontro é “avaliar os acontecimentos no país e adotar uma posição conjunta”. O Paraguai foi suspenso da Unasul e do Mercosul devido à destituição de Fernando Lugo, na última sexta-feira (22).

Na tarde desta segunda-feira (25), o embaixador do Brasil em Assunção, Eduardo dos Santos, retornou a Brasília para detalhar o impeachment de Lugo.

Segundo o Itamaraty, o governo brasileiro vai defender que nenhuma medida que prejudique o cidadão paraguaio seja adotada.

Santos permanecerá no Brasil por tempo indeterminado. O gesto da diplomacia brasileira demonstra a reprovação do modo como Lugo foi afastado da Presidência e a preocupação com futuro do Paraguai.

FONTE: Agência Brasil

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Unasul decide enviar missão para o Paraguai

Segundo o ministro Antonio Patriota, o grupo deve garantir que a democracia seja respeitada

 

RIO DE JANEIRO – Os países da Unasul decidiram enviar uma missão de chanceleres para o Paraguai com a intenção de analisar a crise criada com a abertura do processo de impeachment contra o presidente Fernando Lugo, informaram fontes oficiais. A decisão foi tomada durante a reunião que ocorre nesta tarde no Rio de Janeiro, com a presença dos presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, da Colômbia, Juan Manuel Santos, do Chile, Sebastian Piñera, da Bolívia, Evo Morales, do Uruguai, José Mujica, e do Equador, Rafael Correa.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, que fará parte do grupo, a missão parte ainda hoje para o Paraguai. O secretário-geral do bloco, o venezuelano Alí Rodríguez, também vai se juntar à missão.

Patriota explicou que a Unasul vai atuiar de acordo com a cláusula democrática do bloco e com o objetivo de garantir que sejam respeitadas a “instituição” e a “democracia” no Paraguai. Segundo o ministro, a missão também exigirá que seja “respeitado” o “direito de defesa” do presidente Lugo.

Impeachment

A Câmara dos Deputados paraguaia aprovou um processo de impeachment do presidente e o Senado pode aprovar decisão semelhante nas próximas horas. O presidente paraguaio Fernando Lugo telefonou para a colega brasileira Dilma Rousseff e outros presidentes do bloco, segundo uma fonte do governo brasileiro, para informar que não pretende renunciar e que já tomou as medidas necessárias para investigar a morte de 17 pessoas na última sexta, em uma desocupação de terras -motivo que levou à oposição a pedir seu afastamento.

FONTE: Estadão/Efe

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Os 12 países sul-americanos revelaram uns aos outros quanto gastam na área de defesa, medida com a qual pretendem fortalecer a confiança mútua e evitar conflitos na região, informou nesta quarta-feira à Agência Efe a Secretaria-Geral da União de Nações Sul-americanas (Unasul).

“É a primeira vez que conseguimos reunir os países da América do Sul e colocar sobre a mesa quanto são nossos investimentos em defesa, quais são nossos orçamentos”, disse o ministro de Defesa equatoriano, Miguel Carvajal, em cerimônia em Quito junto com seu colega argentino, Arturo Puricelli. “Isso é fundamental para consolidar as condições de transparência, de confiança mútua na região”, acrescentou.

Até janeiro, seis países já haviam compartilhado seus dados e, desde então, os demais membros da Unasul o fizeram, segundo a Secretaria-Geral. Alfredo Forti, diretor do Centro de Estudos Estratégicos (CEED), que funciona desde o ano passado em Buenos Aires e que recebeu a informação, apresentará nesta quinta-feira um registro preliminar das despesas. Segundo uma fonte da Unasul, a apresentação terá a participação de Carvajal, Puricelli e dos vice-ministros de Defesa do Brasil e da Colômbia. A Venezuela ainda não confirmou se enviará o ministro ou o vice-ministro.

O relatório final será entregue em um encontro em Assunção na primeira semana de junho, segundo a Secretaria-Geral da Unasul. O compartilhamento dos dados é resultado do trabalho de três anos de um grupo de trabalho composto pelo Chile, Equador e Peru, que estabeleceu uma metodologia comum para a medição da despesa militar.

A informação entregue corresponde ao período 2006-2010 e os ministros deverão decidir se a divulgam também ao público. No ato desta quarta-feira, Puricelli destacou a importância de aprofundar as relações militares na região. “Estamos trabalhando por uma defesa integrada, por uma cooperação em defesa para nossa América do Sul”, declarou o ministro, que entregou ao Equador uma usina potabilizadora das Forças Armadas argentinas, capaz de limpar água altamente poluída.

FONTE: EFE, via R7

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A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) apresentou hoje (24) a empresários brasileiros os 31 projetos de integração que farão parte da Agenda Prioritária de Infraestrutura do grupo. A maioria das obras é de transporte – apenas dois são de energia – e deverão custar cerca de US$ 21 bilhões. A meta é que os projetos sejam concluídos até 2022. A Unasul informou que serão feitas associações público-privadas, como forma de viabilizar as obras.

Para uma plateia de cerca de 180 empresários de todo o país, na sede da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o presidente pro tempore do Conselho de Infraestrutura (Cosiplan) da Unasul, Cecílio Pérez Bordón, afirmou que os governos devem estar abertos ao diálogo com o empresariado nacional.

“Consórcios entre governos e empresas serão fundamentais para levar esses projetos adiante”, disse Bordón.

Segundo informações da Unasul, seminários semelhantes a esse serão feitos nas principais cidades dos 12 países membros da organização – Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru, Chile, Guiana, Suriname e Venezuela.

Para estudar as formas viáveis de financiamentos dos projetos, a união sul-americana formou um grupo de trabalho em que bancos multilaterais e modos de financiamento próprios de governos e de empresas privadas serão fontes a serem consultadas, informou a secretária-geral da Unasul, María Emma Mejía,

Ainda não há definição sobre as modalidades de contratação a serem adotadas em cada país. Para o diretor do departamento de infraestrutura da Fiesp,Carlos Cavalcante, o regime de concessão pública seria a melhor forma para o setor empresarial.

“Embora o regime de obra pública também dê oportunidades ao setor privado, o de concessão dá mais liberdade para se buscar financiamento. É possível fazer obras sem retirar recursos do Tesouro Nacional”, disse Cavalcante.

Dos 31 projetos de infraestrutura, 11 terão ligação com o território brasileiro, sendo que dez deles já estão previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Segundo o subsecretário-geral de América do Sul, Central e Caribe do Ministério das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Antônio Simões, a estimativa é que o impacto econômico gerado seja de quatro a cinco vezes maior do que o valor das obras.

A secretária-geral Mejía informou que a maior contribuição gerada pelas obras de infraestrutura será o vínculo entre os povos da América do Sul. Além de facilitar o escoamento das produções nacionais, as obras irão facilitar a mobilidade dos sul-americanos.

Serão construídos 2,4 quilômetros de pontes, 14 quilômetros de túneis, 57 quilômetros de anéis viários, 360 quilômetros de linhas de transmissão, 379 quilômetros de dragagem de rios, 1,5 mil quilômetros de gasodutos, 3,4 mil quilômetros de hidrovias, 5,1 mil quilômetros de rodovias, e 9,7 mil quilômetros de ferrovias.

Entre os projetos de maior destaque, estão os três corredores bioceânicos que irão conectar, por meio de rodovias, ferrovias e/ou hidrovias, as costas dos oceanos Atlântico e Pacífico.

FONTE: Agência Brasil

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Rio de Janeiro, 09/03/2012 – O ministro da Defesa, Celso Amorim, voltou a defender hoje o modelo de política de defesa adotado pelo Brasil, baseado na cooperação com os países da América do Sul. Amorim afirmou que essa cooperação já mostra resultados concretos, levando as nações do subcontinente a obter ganhos que não seriam possíveis por meio de ações isoladas.

Segundo o ministro, o Brasil está convicto de que, na América do Sul, a guerra como solução das diferenças entre países pode e deve ser banida. Ele também defendeu a cooperação na área de defesa com os países da costa ocidental da África que integram o entorno geopolítico do Brasil. “Devemos construir com essas regiões um verdadeiro cinturão de boa vontade, que garanta a nossa segurança e nos permita prosseguir sem embaraços no caminho do desenvolvimento”, disse.

As declarações do ministro da Defesa foram proferidas na manhã de hoje durante aula magna ministrada a alunos dos cursos de altos estudos militares das Forças Armadas e da Escola Superior de Guerra (ESG). A aula foi realizada no auditório da Escola de Guerra Naval (EGN), no bairro da Urca.

Na avaliação de Amorim, a cooperação em defesa com os países sul-americanos já vem ocorrendo na prática. “A criação de um ambiente de paz e cooperação na América do Sul progrediu muito nos últimos anos”, afirmou. Para o ministro, o fortalecimento da relação Brasil-Argentina e a criação, no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS) são reveladores do aprofundamento dessa cooperação.

Ele citou exemplos de iniciativas atualmente em curso entre os países do subcontinente que mostram a evolução positiva das relações no campo da defesa, tais como exercícios combinados e projetos de cooperação industrial com a Argentina, além da parceria com o Chile na missão de paz no Haiti.

Ainda como exemplo, Amorim lembrou o trabalho conjunto com países vizinhos nas áreas de fronteira, como o que vem ocorrendo nas operações Ágata, iniciadas no ano passado para combate ao crime transnacional.

O ministro também mencionou a participação de países como Argentina e Colômbia em projetos conjuntos de desenvolvimento de equipamentos militares, a exemplo do avião cargueiro militar KC-390, da Embraer. Ele citou ainda os exercícios militares conjuntos e as várias atividades na área de ensino de praças e oficiais dos países sul-americanos.

Sistema de segurança internacional

Ao tratar, em sua exposição, do fim das hegemonias e do crescimento da multipolaridade no mundo, Amorim ponderou que a defesa deve estar preparada para a hipótese de que o sistema de segurança coletivo baseado em normas falhe. Essa possibilidade, afirmou, é uma das razões pelas quais o Brasil e seus vizinhos sul-americanos devem fortificar sua capacidade de defesa. “Por isso, nossa estratégia regional cooperativa deve ser acompanhada por uma estratégia global dissuasória frente a possíveis agressores”, sustentou.

O ministro chamou atenção para o fato de a América do Sul possuir valiosas riquezas, tais como petróleo e água, ativos que, segundo ele, podem tornar-se objeto de competição internacional. “Nada garante que a rivalidade entre potências de fora de nossa região não tenha rebatimento em áreas de nosso direto interesse”, advertiu, acrescentando a importância de os países sul-americanos terem Forças Armadas bem adestradas e equipadas.

Ainda em sua exposição, Amorim mencionou a relação existente entre a base industrial de defesa e o desenvolvimento nacional. De acordo com o ministro, as ações em curso no Brasil com o objetivo de alavancar essa base industrial terão como consequência direta a geração de empregos, a capacitação nacional e o desenvolvimento de setores tecnológicos de ponta.

Como parte do esforço empreendido pelo governo para incentivar esse segmento industrial, ele citou a recente aprovação, pelo Congresso brasileiro, da Medida Provisória nº 544, que estabelece regras especiais e regime tributário diferenciado para o setor.

Para o ministro, o fortalecimento da indústria de defesa auxiliará o trabalho de recomposição da capacidade operativa das Forças Armadas, que deverá, nas palavras dele, estar associada à busca de autonomia tecnológica.

Ao final de sua exposição, o ministro reiterou parte das declarações que fez no início da semana após sair de uma audiência no Senado Federal. “Na democracia, o respeito que os militares devem ao poder civil é axiomático”, disse. E concluiu: “Ao mesmo tempo, cabe às autoridades civis respeitar e valorizar o trabalho desenvolvido pelos militares, sobretudo o seu agudo senso de profissionalismo”.

Veja a íntegra da aula magna proferida pelo ministro da Defesa na Escola de Guerra Naval

Fotos: Tereza Sobreira
Ministério da Defesa
Assessoria de Comunicação Social

Havana, 31 jan (Prensa Latina) A presidenta do Brasil, Dilma Roussef, destacou hoje aqui a importância da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) para o desenvolvimento do continente e o compromisso de seu país com essa cooperação.

Segundo Roussef, a I Cúpula do organismo regional, celebrada em dezembro passado, foi uma reunião imprescindível, ao contar com a presença dos presidentes, premiês ou representantes de todas as 33 nações do México até a Patagônia.

A presidenta, que chegou a Cuba nesta segunda-feira em visita oficial, manifestou que o crescente poder econômico do Brasil, reconhecido internacionalmente, implica também a disposição de estabelecer diálogos e alianças construtivas e pacíficas.

Após render homenagem ao Herói Nacional cubano, José Martí, sublinhou à imprensa que a concepção do gigante sul-americano é manter uma política de paz com todos os vizinhos, no meio de um contexto internacional no qual se sucedem conflitos regionais sistematicamente.

A Celac, cuja II Cúpula ocorrerá em 2013 no Chile, constitui a primeira organização que inclui todos os países latino-americanos, sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.

O organismo, fortalecido por iniciativas integracionistas como a Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA) e a União de Nações Sul-americanas (Unasul), compreende a cooperação nas áreas econômica, política, social e cultural, segundo recolhe a declaração fundacional.

Nesse sentido, a presidenta ressaltou que a presença do Brasil na América Latina e no Caribe tem que ser cada vez mais forte, em virtude de seu compromisso e obrigação com o avanço da região.

Rousseff, cuja visita à ilha concluirá amanhã, destacou que a cooperação entre Cuba e Brasil constitui uma demonstração do empenho de seu país por auxiliar em todos os processos de aperfeiçoamento dos níveis de vida.

A agenda da presidenta no país caribenho inclui o encontro com o presidente cubano, Raúl Castro.

Havana e Brasília mantêm relações diplomáticas desde 1943 -interrompidas em 1964 e restabelecidas 22 anos depois-, com laços que se fortaleceram a partir da chegada à presidência de Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) e da própria Rousseff, em 1 de janeiro de 2011.

FONTE: Prensa Latina

O governo do Brasil, que faz fronteira com nove países da América do Sul, afirmou nesta terça-feira em Assunção, no Paraguai, que suas redes de comunicação e infraestrutura poderiam ser usadas no anel continental de fibra ótica, projeto elaborado pelos doze membros da União Sul-Americana de Nações (Unasul).

A ideia foi apresentada pelo diretor do departamento de Banda Larga do Ministério das Comunicações, Artur Coimbra, na 1ª Reunião do Conselho Sul-Americano de Infraestrutura e Planejamento (Cosiplan). De acordo com ele, o objetivo do projeto, aprovado em 30 de novembro de 2011 pelos ministros da área de infraestrutura e comunicações da Unasul, é conseguir a redução do preço da banda larga para o consumidor.

Atualmente, a informação entre os países da região é conduzida por meio de conexões internacionais que atravessam os oceanos Pacífico e Atlântico.

Coimbra acrescentou que as empresas estatais de telecomunicações de cada país na fronteira com o Brasil são “parte prioritária no projeto”, embora tenha dito que o setor privado será bem-vindo.
A reunião da Cosiplan foi aberta pelo ministro de Obras Públicas do Paraguai, Cecilio Pérez. No encontro, os representantes de cada membro da Unasul irão expor as condições de cada país para a elaboração do projeto do anel continental.

A secretária-geral da Unasul, a colombiana María Emma Mejía, afirmou que a região tem “um sério atraso” tecnológico na área de infraestrutura.

FONTE: Terra/EFE

Renata Giraldi*
Repórter da Agência Brasil

Brasília – O plano de defesa para os 12 países que integram a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) deve ser anunciado hoje (11) em Lima, no Peru. O ministro da Defesa, Celso Amorim, e mais 11 autoridades participam dos debates. O centro das preocupações é a definição de um projeto comum para equilibrar os gastos militares e medidas que garantam o respeito à soberania, à integridade e à inviolabilidade dos países.

O Conselho de Defesa Sul-Americano é o mecanismo responsável pela integração dos países da Unasul – a Argentina, o Brasil, a Bolívia, o Chile, a Colômbia, o Equador, a Guiana, o Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e a Venezuela. A reunião é comandada pelo ministro da Defesa do Peru, Daniel Mora, e pela secretária-geral do bloco, Maria Emma Mejia.

Maria Emma Mejia disse que o Conselho de Defesa Sul-Americano estabelece a confiança mútua entre seus integrantes e serve como “exemplo para o mundo”. Segundo ela, as discussões em Lima reafirmam o “respeito pela soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade” dos Estados.

Nesta reunião serão definidos ainda os projetos de cooperação militar, que preveem exercícios combinados em áreas fronteirição e operações de manutenção da paz. Também devem ser definidos os planos de formação e treinamento em defesa .
“Esse plano de ação em debate mostra que o Conselho de Defesa não é apenas extremamente dinâmico, mas é focado no fortalecimento da América do Sul como uma zona de paz e como uma lição para o mundo”, disse Mejia.

*Com informações das agências públicas de notícias do Peru, Andina, e do Equador, Andes//Edição: Graça Adjuto

Lima, Peru, 12/05/2011- Os ministros da Defesa do Brasil e da Argentina, Nelson Jobim e Arturo Puricelli, defenderam a adoção, pelos países sul-americanos, de uma estratégia comum de dissuasão. Segundo eles, para que possam manter sua soberania e continuar a proteger, elas próprias, as inúmeras riquezas da região, é necessário que as nações sul-americanas adotem uma estratégia conjunta que seja capaz de demover eventuais iniciativas externas contrárias aos interesses do subcontinente.

A manifestação de ambos os ministros foi feita durante o primeiro dia da III Reunião Ordinária do Conselho de Defesa Sul-Americano (CDS), organismo multilateral criado no âmbito da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) como instância de consulta, cooperação e coordenação em matéria de defesa.

Partiu de Jobim a iniciativa de levantar, no encontro, o tema da estratégia comum de dissuasão. Para reforçar seu ponto de vista, o ministro brasileiro lembrou aos participantes que o continente sul-americano possui algumas das principais riquezas que, dentro de alguns anos, com o aumento da população mundial e o esgotamento de parte desses bens, poderão ser objeto da cobiça de outros povos.

Dentre essas riquezas, citou o ministro, figuram os aquíferos Guarani e da Amazônia, o potencial de produção de proteínas animais e vegetais, além das fontes renováveis de geração de energia. “O futuro vai exigir do subcontinente uma estratégia comum de dissuasão. Será que estaremos preparados para isso?”, provocou Jobim.

Segundo ele, os países sul-americanos têm, atualmente, “vulnerabilidades sérias” em seus meios de defesa. Como exemplo disso, ele citou a situação existente hoje em que diversas dessas nações, incluindo o Brasil, necessitam de comprar imagens de satélites geoestacionários de países de fora do subcontinente para fins civis e militares.

Para Jobim, somente a construção de um ambiente de confiança e cooperação mútua entre os países sul-americanos será capaz de reduzir as vulnerabilidades existentes na região no campo da defesa, dotando-os de capacidade real de proteger as riquezas da maneira que julgarem melhor, para o bem de seus povos e toda a humanidade.

“Temos que nos capacitar para dizer não quando a região tiver que dizer não”, afirmou.

A manifestação de Jobim recebeu o endosso imediato do ministro argentino. Purcelli afirmou que seu país compartilha com Brasil a ideia de que são os sul-americanos que devem garantir, para o bem de toda humanidade, as riquezas existentes na região.

O representante argentino recordou o conceito que levou à criação da UNASUL, baseado na ideia central de estabelecer uma zona de paz e cooperação na região. “Temos um compromisso firme de trabalhar pela unidade latino-americana”, disse.

Além dos membros das comitivas do Brasil e da Argentina, integrantes de outros países, como Colômbia e Equador, também se manifestaram no sentido da adoção de iniciativas concretas que levem ao aumento da confiança entre as nações sul-americanas.

Entre os assuntos que deverão ser debatidos no encontro estão as tratativas para o desenvolvimento do centro de estudos estratégicos de defesa e mecanismos conjuntos para atuação das Forças Armadas sul-americanas em ações de defesa civil.

A criação do CDS foi proposta pelo Brasil e discutida pela primeira vez numa reunião de presidentes sul-americanos, em abril de 2008.

O Conselho possui 12 estados-membro: Brasil, Argentina, Peru, Venezuela, Colômbia, Uruguai, Chile, Bolívia, Paraguai, Equador, Guiana e Suriname.

O organismo tem como objetivo central consolidar a América do Sul como uma zona livre, soberana e pacífica, base para a estabilidade democrática e para o desenvolvimento dos povos da região. Também é objetivo do Conselho fomentar uma identidade sul-americana em matéria de defesa.

FONTE: MD

Bloco não é capaz de impor limite de gastos a seus membros

Os países da Unasul (União de Nações Sul-Americanas) devem compartilhar e tornar públicos seus gastos militares, pela primeira vez, a partir de março de 2011.

O anúncio foi feito pelo ministro da Defesa do Equador, Javier Ponce, que deixou ontem o cargo de presidente do conselho de defesa do bloco, para entregá-lo a um representante da Guiana.

“O fundamental é começar a demonstrar a vontade dos países de compartilhar a informação e ajustar seus gastos de defesa”, disse.

Mas, segundo ele, o bloco ainda não tem poder para impor limites de gastos com defesa para os membros.

Segundo o acordo costurado pelo Conselho de Defesa da Unasul, a divulgação será feita em conjunto, segundo metodologia criada pelos países-membros.

O Brasil divulga gastos militares hoje de forma parcial. Detalhes sobre armamentos estratégicos são considerados sigilosos.

Contudo, Ponce advertiu que os países não deverão analisar os dados sob perspectiva de conflito, para não dar início a uma corrida armamentista.

Hoje, a Colômbia é o país sul-americano que investe a maior porcentagem de seu PIB em armamentos. Segundo dados de 2008 do instituto de pesquisa sueco Sipri, o percentual é de 3,7% (cerca de US$ 6 bilhões).

Os gastos brasileiros representam 1,5% do PIB, mas nominalmente são mais altos que os da Colômbia (US$ 23 bilhões).

FONTE: Folha de São Paulo

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Sergio Leo

Por pouco o Brasil não conseguiu uma vitória diplomática na reunião de ministros de Relações Exteriores da União das Nações da América do Sul (Unasul), na semana passada, convocada para tratar da crise entre Venezuela e Colômbia, após a denúncia colombiana de que a guerrilha das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia encontram abrigo em território venezuelano. “Por pouco”, na verdade, é um eufemismo, já que o obstáculo à vitória diplomática brasileira, embora isolado, atende pelo nome de Hugo Chávez.

A resistência da delegação venezuelana, na última hora, em aceitar um acordo entre chanceleres frustrou o esforço para transformar o encontro em um sucesso diplomático da Unasul, e deixou apenas um vitorioso, até agora: o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, que sai do governo nesta semana com fama de duro contra a guerrilha e narcotráfico, além de ter iluminado com holofotes berrantes o problema do trânsito multinacional das Farc. Não há, agora, agenda possível entre Chávez e o novo presidente colombiano, Juan Manuel Santos que não inclua publicamente o combate à guerrilha na fronteira.

Em Brasília já se dizia que não haveria solução para a crise diplomática antes da posse de Santos, nesta sexta-feira. Mas, antes da intervenção de Caracas, a Unasul caminhava para a solução defendida pelo governo brasileiro, comentada dias antes pelo assessor presidencial Marco Aurélio Garcia: seria divulgada uma declaração anunciando a futura criação de mecanismo conjunto de fiscalização da fronteira Colômbia-Venezuela.

Esse mecanismo reprimiria o trânsito – frequente em toda região amazônica – de contrabandistas, narcotraficantes ou guerrilheiros. Já há até um modelo notável desse tipo de cooperação: a atuação das polícias e forças armadas da Colômbia e Equador, na fronteira, que fechou passagem às Farc por lá. Exemplo notável, porque Equador e Colômbia também já romperam relações diplomáticas por um episódio dramático: em 2008, a Colômbia invadiu território do Equador, matou dirigentes da Farc acampados próximos à fronteira e coletou computadores e documentos ricos em informações da guerrilha.

A pragmática violação do direito internacional foi proveitosa a Uribe: apesar da condenação unânime no continente pela agressão armada a país vizinho, provou que o Equador acolhia guerrilheiros colombianos e forçou o governo equatoriano, após alguns meses de crise diplomática, a colaborar mais ativamente na repressão às Farc. A Venezuela, hoje, debate o temor de que a Colômbia se veja tentada a repetir uma ação do gênero em território venezuelano, com consequências imprevisíveis – especialmente quando o governo Hugo Chávez, à beira de eleições locais e às voltas com dificuldades na economia, usa a alegada ameaça do inimigo externo para acusar oposicionistas de traidores.

A crise entre Equador e Colômbia em 2008 foi resolvida com ajuda da Unasul, que aproveitou para criar o ainda não testado Conselho de Defesa dos países da região, algo inédito por excluir interlocutores de fora do continente, como os Estados Unidos. Ajudou bastante, também, a necessidade do presidente Rafael Correa de provar que, ao contrário do que insinuavam documentos achados nos computadores das Farc, seu governo não era aliado da guerrilha. A reunião de chanceleres da semana passada poderia servir de mais uma demonstração da capacidade dos países da região para resolver seus problemas sem interferência externa.

Chávez já foi consultado antes pelo governo brasileiro sobre a criação, para a Venezuela, de um mecanismo semelhante ao do Equador e ao da Colômbia. Desconversou. Havia a expectativa, em Brasília, que, dessa vez, aceitasse a saída diplomática – que também seria uma solução factível para as escaramuças de fronteira. Aparentemente, o ministro venezuelano das Relações Exteriores, Nicolás Maduro, que havia discutido o tema em Brasília, chegou a insinuar que aceitaria a proposta; mas, após consultas a Caracas, rejeitou o documento conjunto e a reunião acabou apenas com uma declaração verbal dos equatorianos resumindo “pontos de comum acordo”.

Chávez perdeu uma oportunidade de mostrar engajamento no combate ao trânsito da guerrilha sobre as porosas fronteiras amazônicas. O Brasil perdeu a chance de mostrar a utilidade da Unasul na solução de conflitos regionais. E a Colômbia teve uma vitória moral: ressaltou a necessidade de maior ação dos países vizinhos no combate às Farc em seu território, deixou a Venezuela na defensiva e facilitou a atuação do presidente Juan Manuel dos Santos, que toma posse nesta sexta-feira com declarações conciliatórias de aproximação com a Venezuela e de negociação com a guerrilha.

No governo brasileiro, autoridades importantes acreditam que Uribe quis sabotar a anunciada intenção de Santos de reatamento com Chávez. Tudo indica que acontecerá o contrário, a denúncia de Uribe sobre as Farc na Venezuela deixou Santos em excelente posição para obter apoio dos vizinhos na luta contra a guerrilha. Desejar uma saída razoável dos impasses na Colômbia é torcer pelo êxito do novo presidente.

FONTE: Valor Econômico – 02/08/2010

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Renata Giraldi

Os ministros das Relações Exteriores e da Defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) aprovaram uma resolução pela qual todos os seus membros são obrigados a adotar medidas que impeçam a presença de bases militares estrangeiras em território sul-americano. A decisão é uma resposta ao acordo firmado entre a Colômbia e os Estados Unidos para instalação de até sete bases militares norte-americanas em área colombiana.

Na prática, isso significa que os países que decidirem por acordos militares com governos que não integram a Unasul terão de garantir que não haverá invasão de áreas vizinhas.

A Unasul tem 12 países-membros: Argentina, Bolívia, Brasil, Colômbia, Chile, Equador, Guiana, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Somente os governos do Brasil e do Equador enviaram ministros de Estado à reunião da Unasul realizada na última sexta-feira (27) em Quito, capital equatoriana.

Os ministros das Relações Exteriores, Celso Amorim, e da Defesa, Nelson Jobim, participaram das reuniões em Quito. A Colômbia, que estava no foco das discussões, não enviou chanceler nem ministro da Defesa ao encontro.

Pela resolução, a Unasul afirma que os países que integram o grupo devem se comprometer a garantir que pessoal militar ou civil, armas e equipamentos extras não serão usados para violar a soberania, a segurança, a estabilidade e a integridade territorial sul-americana.

O documento determina que os integrantes da Unasul se responsabilizem pelo “respeito à integridade territorial e à soberania dos países-membros do grupo, assegurando a não intervenção nos assuntos internos e a resolução de qualquer disputa por meio pacífico, entre outros”.

A expectativa da Unasul é que a resolução funcione como um meio para minimizar o mal-estar na América do Sul, depois do acordo entre colombianos e norte-americanos sobre as bases militares. A Colômbia foi criticada pelos países vizinhos, mas defendeu-se afirmando que o objetivo das bases é conter o tráfico de drogas e de armas, além da eventual ação de grupos ilegais. É permanente o estado de tensão entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

O acordo entre colombianos e norte-americanos fez com que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, afirmasse que havia ameaça de conflitos armados entre os países vizinhos. O Brasil também reagiu ao acordo sobre as bases ao levantar dúvidas sobre a ingerência dos Estados Unidos na América do Sul.

Por meio de um comunicado à Unasul, o governo da Colômbia informou aceitar os termos da resolução e assegurar o cumprimento das garantias formais pedidas pelo grupo.

FONTE: Portal Terra, via Notimp

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No olho do furacão

Brasil tenta reaproximar Venezuela e Colômbia e acaba no centro do confronto que levou Bogotá a boicotar reunião do Conselho de Defesa da Unasul

Viviane Vaz

A decisão da Colômbia de enviar apenas uma “delegação técnica” à reunião extraordinária de chanceleres e ministros de Defesa da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), em Quito, colocou o Brasil no centro do atrito entre o presidente colombiano, Álvaro Uribe, e o venezuelano, Hugo Chávez. Segundo o jornal colombiano El Tiempo, o governo de Bogotá teria manifestado desagrado com Lula pela declaração feita ontem em Manaus, na reunião de cúpula de países amazônicos. “Acho que o companheiro Chávez e o companheiro Uribe têm que entender que a guerra não é construtiva, que a disputa insana não é construtiva, afirmou o presidente brasileiro.

Na Casa de Nariño, o palácio presidencial colombiano, a frase teria sido mal vista, uma vez que Uribe tem se negado repetidas vezes a responder às agressões verbais de Chávez. O fato de a maioria dos países vizinhos criticarem o acordo militar pelo qual a Colômbia cedeu bases militares aos Estados Unidos — esse era um dos temas principais na pauta da reunião — também contribuiu para que Bogotá decidisse esvaziar o encontro. O governo colombiano enviou nota aos colegas presentes enumerando suas razões para não enviar o ministro da Defesa, Gabriel Silva, nem o chanceler, Jaime Bermúdez. O texto indica que, por falta de garantias para travar um diálogo com respeito, objetividade e equilíbrio, o país decidira enviar uma equipe de técnicos.

Apenas metade dos 12 países da Unasul esteve representada por algum dos ministros. O Brasil enviou ambos — o chanceler Celso Amorim e o titular da Defesa, Nelson Jobim. Como anfitrião, o Equador foi representado por Fander Falconi (Relações Exteriores) e Javier Ponce (Defesa). Paraguai e Suriname enviaram seus responsáveis pela Defesa. O chanceler da Venezuela, Nicolás Maduro, qualificou a ausência colombiana como vazio inexplicável, um erro gigantesco e um desprezo à Unasul. Já Fabián Varel, chefe do Comando Conjunto das Forças Armadas do Equador, afirmou que cada país tem suas políticas e prioridades, mas lembrou que o Conselho de Defesa deve ter um consenso absoluto entre os países-membros.

As autoridades presentes ao encontro analisaram um conjunto de propostas. Uma delas, apresentada pelo presidente do Peru, Alan García, sugere que seja elaborado um estatuto de paz e de segurança mútua, contemplando a redução dos gastos militares.

Espiões

Além de discutir a aliança militar entre EUA e Colômbia, os ministros de Defesa e Relações Exteriores da Unasul também planejavam examinar a tensão entre Peru e Chile, depois de um suposto caso de espionagem chilena em Lima. Mas, segundo a porta-voz do Palácio de La Moneda, Carolina Tohá, o governo chileno rejeitou a proposta do governo equatoriano, presidente temporário da Unasul, para mediar a disputa.

O governo de Caracas também tinha anunciado que levaria a Quito uma queixa contra outra suposta operação da Colômbia contra Venezuela, Cuba e Equador. Vamos abordar esse tema e levar as provas de todo o plano de espionagem e de todo o plano de guerra contra nosso país, e vamos demostrar perante a América do Sul, desafiou Maduro na quinta-feira à noite.

Em Bogotá, o ministro da Defesa da Colômbia, Gabriel Silva, admitiu pela primeira vez que os militares colombianos já pensam em se preparar para um possível confronto armado com a Venezuela. Pela primeira vez em décadas cabe ao ministro da Defesa pensar em como enfrentar, como se preparar para uma situação de ameaça externa”, disse o ministro à rádio Caracol. Ele destacou, porém, que os colombianos não gostariam de desviar-se do objetivo estratégico central, que é derrotar o narcoterrorismo. Acrescentou que seu país não pode “dedicar energias, recursos e pessoal para veleidades internacionais criadas por uma retórica inaceitável— referência ao discurso de Chávez. Os vizinhos estão condenados a se entender”, concluiu Gabriel Silva.

FONTE: Correio Brasiliense, via Notimp

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vinheta-clipping-forteSem a presença do chanceler e do ministro da Defesa da Colômbia, os integrantes da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) – os países sul-americanos e mais o Suriname e a Guiana – preparam, durante reunião no Equador, uma resolução sobre eventuais acordos militares firmados na região. A iniciativa é uma resposta à ação colombiana de negociar com o governo dos Estados Unidos a manutenção de sete bases militares em território da Colômbia.

Os ministros de Relações Exteriores, Celso Amorim, e da Defesa, Nelson Jobim, participam da reunião, que está sendo realizada hoje (27) em Quito, capital equatoriana. O objetivo é definir, na resolução, os termos sobre medidas de transparência, notificações relativas a supostas decisões de segurança e ações de invasão.

Em Quito, todos os governos dos 12 países-membros da Unasul – Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela – enviaram representantes, exceto a Guiana. No entanto, apenas o Brasil, o Peru, o Equador e a Venezuela estão representados por seus ministros.

Uma das propostas avaliadas foi sugerida pelo governo do Peru, o chamado Protocolo de Paz, Segurança e Cooperação na União das Nações Sul-Americanas. Porém, peruanos evitam uma posição mais severa em relação à decisão colombiana.

A Colômbia foi duramente criticada pelos países vizinhos pela iniciativa de negociar a presença das bases militares com os Estados Unidos, mas o governo do presidente Álvaro Uribe argumentou que o objetivo das bases militares é conter o tráfico de drogas e de armas, além da eventual ação de grupos ilegais. O estado de tensão entre o governo da Colômbia e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) é permanente.

De acordo com diplomatas brasileiros, o acordo negociado entre a Colômbia e os Estados Unidos é amplo, autorizando inclusive o livre acesso à região por parte dos militares norte-americanos, além da reconstrução de áreas eventualmente destruídas e permite o trânsito nas áreas específicas.

O acordo militar gerou tensões na América Latina, especialmente entre a Colômbia e a Venezuela. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, fez duras críticas a Uribe e pediu explicações para seus diplomatas que serviam na Colômbia.

FONTE/FOTO: Agência Brasil

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Tensão ameaça novo encontro da Unasul

Presidentes 3 reuniao unasul quito - foto R Stuckert - Ag Brasil

Dos 11 países-membros do bloco sul-americano, cinco vivem disputas político-militares

vinheta-clipping-forteO encontro da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) programado para sexta-feira, em Quito, será marcado por contendas político-militares que afetam 5 dos 11 países-membros do bloco. O clima de desconfiança que arruinou a reunião anterior, em Bariloche, há três meses, promete se repetir, agravado por acusações de espionagem, disputas fronteiriças e um ensaio de corrida armamentista que envolve Equador, Colômbia, Venezuela, Chile e Peru.

No capítulo mais recente das disputas regionais, o chanceler equatoriano, Fander Falconí, acusou ontem os serviços de inteligência da Colômbia de ter espionado Equador, Venezuela e Cuba. “Espionagem de um Estado contra outro é terrível e sumamente grave”, disse Falconí. Para ele, caberá à Unasul “baixar a tensão” do caso.

Espionagem

Na semana passada, o presidente peruano, Alan García, também havia acusado o Chile de espionagem. Ele se referiu ao país vizinho como “uma republiqueta” e criticou os gastos militares chilenos. Os dois países disputam na Corte Internacional de Haia uma área de 35 mil quilômetros quadrados no Pacífico. O Chile descartou a hipótese de levar o caso à Unasul.

“Este é um assunto estritamente bilateral e não nos parece que deva ser tratado desta forma (coletiva)”, disse a porta-voz do governo chileno, Carolina Tohá. A contenda mais grave é a que envolve Colômbia e Venezuela em um bate-boca que se arrasta desde julho, quando Bogotá tornou público um acordo que permite o uso de até sete de suas bases militares pelos EUA. O presidente venezuelano, Hugo Chávez, vê no acordo uma ameaça de invasão.

“A mediação entre Venezuela e Colômbia deve ser feita no seio da Unasul”, disse, no domingo, o vice-chanceler venezuelano, Francisco Arias Cárdenas. A declaração foi feita um dia depois de a Venezuela ter recebido 300 veículos militares blindados e um lote de tanques russos modelo T-72. “Somos o alvo número 1 no mapa imperial deste continente”, disse Chávez. Ele pediu aos venezuelanos que se unam às milícias organizadas para enfrentar uma invasão estrangeira. Desde 2005, Caracas gastou mais de US$ 4 milhões em armas russas, entre elas 24 caças, helicópteros e 100 mil fuzis.

A Colômbia – isolada pela pressão da maioria dos outros países do bloco – tenta fazer com que a Unasul também questione os gastos militares de Chávez e as declarações belicistas do venezuelano. “Chama a atenção que o chefe de Estado de um país da região, membro da Unasul, tenha utilizado uma linguagem belicista e falado de guerra sem que a Unasul faça nenhum comentário a respeito”, disse o chanceler colombiano, Jaime Bermúdez.

Divergências

  • Colômbia – Assinou polêmico acordo militar com os Estados Unidos e recebe críticas dos governos de esquerda da América Latina
  • Venezuela – Alega ser vítima de um plano de ataque militar colombiano com o apoio dos EUA
  • Peru – Acusa Chile de espionagem e de armamentismo
  • Chile – Diz que problemas com o Peru devem ser resolvidos de forma bilateral, não por meio da Unasul
  • Equador – Acusa serviço de inteligência colombiano de tê-lo espionado, assim como à Venezuela e Cuba

FONTE: Estadão

FOTO: Agência Brasil (R. Stuckert – 10 ago 2009 – presidentes na abertura da 3ª Reunião de Chefes de Estado e de Governo da Unasul, em Quito)

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