São cinco milhões de e-mails que terminam revelando como funciona a agência privada Stratfor, que trabalha com serviços secretos, Embaixadas e empresas multinacionais.
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu
LONDRES – Hoje, 2ª-feira, 27 de fevereiro de 2012, WikiLeaks começou a publicar os ARQUIVOS DA INTELIGÊNCIA/ESPIONAGEM PRIVADA GLOBAL [ing. The Global Intelligence Files – mais de 5 milhões de e-mails da empresa Stratfor de “inteligência/espionagem privada global” com escritórios no Texas.
Os e-mails cobrem o período entre julho de 2004 e dezembro de 2011. Revelam o funcionamento interno de uma empresa que, sob a fachada de editor-publisher de artigos e estudos sobre temas de inteligência, vende serviços confidenciais de inteligência/espionagem privada a grandes empresas, entre as quais Dow Chemical Co. de Bhopal; Lockheed Martin, Northrop Grumman, Raytheon; e também a agências estatais, como o Departamento de Segurança Nacional dos EUA [ing. US Department of Homeland Security], os Marines dos EUA e a Agência de Inteligência da Defesa dos EUA [ing. US Defense Intelligence Agency].
Os e-mails mostram a rede de informantes de Stratfor; a estrutura de pagamentos; as técnicas de lavagem de dinheiro para pagamentos ilegais; e os métodos “psicológicos”, como, por exemplo, em:
“[Vocês] têm de controlá-lo. Controlar significa controle financeiro, sexual ou psicológico (…). Digo-lhe isso, para iniciar nossa conversa sobre sua segunda fase”
– como escreveu o diretor-presidente da empresa Stratford, George Friedman, a um dos analistas da mesma Stratfor, Reva Bhalla, dia 6/12/2011, com instruções sobre como explorar um informante israelense que lhes oferece informação sobre as condições médicas do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
O material inclui informação secreta sobre os ataques pelo governo dos EUA contra Julian Assange e WikiLeaks, e as tentativas feitas pela própria empresa Stratfor para subverter WikiLeaks. As palavras “WikiLeaks” ou “Julian Assange” aparecem mencionadas em mais de 4.000 e-mails. Nos e-mails também se veem, em operação, as portas giratórias que conectam entre si as empresas privadas de inteligência nos EUA. Fontes governamentais e diplomáticas de todo o mundo oferecem à empresa Stratfor informação privilegiada sobre política e eventos globais, em troca de pagamento.
Os ARQUIVOS DA INTELIGÊNCIA/ESPIONAGEM PRIVADA GLOBAL informam sobre como a empresa Stratfor recrutou uma rede global de agentes informantes que são pagos através de contas em bancos suíços e cartões de crédito pré-pagos. Stratfor mantém um mix de informantes oficiais e clandestinos, no qual se veem nomes de funcionários públicos, pessoal diplomático e jornalistas, em todo o mundo.
O material mostra como opera uma agência privada de inteligência/espionagem, e como espionam indivíduos, a serviço de seus clientes privados e estatais. Por exemplo, a empresa Stratfor monitorou e analisou as atividades online de ativistas de Bhopal, inclusive os “Yes Men”[1], para a gigante norte-americana da indústria química, Dow Chemical. Os ativistas, nesse caso, buscam reparação para o desastre ecológico provocado pelas empresas Dow Chemical/Union Carbide, em 1984, em Bhopal, Índia, que provocou milhares de mortes, atingiu mais de meio milhão de pessoas e foi causa de dano ambiental de longo prazo.
A empresa Stratfor já sabia que sua rotina de trabalho e modus operandi, de distribuir propinas e pagamentos secretos em dinheiro para obter informação do pessoal interno de empresas privadas e órgãos governamentais, é pouco segura. Em agosto de 2011, o presidente executivo da empresa Stratfor, George Friedman, escreveu confidencialmente aos seus empregados:
“Estamos contratando uma empresa de advocacia, para que crie uma política para nossa empresa [Stratfor], que não agrida os termos da Lei Anticorrupção em Negócios Estrangeiros [orig. Foreign Corrupt Practices Act]. Não quero ser arrastado algemado pela calçada para que os fotógrafos se fartem, nem quero ver arrastado ninguém do nosso pessoal”.
A prática da empresa Stratfor, de usar pessoal interno de outras empresas e agências estatais, rapidamente se converteu em esquema de distribuição de dinheiro, de legalidade questionável.
Os e-mails mostram que, em 2009, o então diretor-gerente de Goldman Sachs, Shea Morenz, e o presidente executivo da empresa Stratfor, George Friedman, tiveram a ideia de “usar a inteligência/espionagem” que estava sendo extraída da rede de elementos “internos” [orig. insiders] em empresas e nos governos, para iniciar um captive strategic investment fund. Em telegrama confidencial de agosto de 2011, que leva um selo de “NÃO DISTRIBUIR NEM DISCUTIR”, o presidente-executivo da empresa Stratfor, George Friedman explicou:
“O StratCap [Fundo Stratfor de Capitalização] usará nossas inteligência/espionagem e análises para comerciar em vários instrumentos geopolíticos, sobretudo papéis de governos, moedas e itens semelhantes”.
Os e-mails mostram que, em 2011, Morenz, de Goldman Sach, investiu “substancialmente” mais de $4milhões, e passou a integrar o conselho de diretores da empresa Stratfor. Ao longo de 2011, foi montada uma estrutura complexa de offshore share, que alcançava até a África do Sul, com o objetivo de fazer crer que o Fundo StratCap seria legalmente independente. Mas, confidencialmente, Friedman escreveu à equipe de Stratfor:
“Não pensem que [o fundo] StratCap seja organização de fora. Será integral (…). Será útil que vocês, em nome da maior conveniência, raciocinem como se [o fundo] fosse mais um aspecto de Stratfor; e que pensem em Shea como mais um executivo em Stratfor (…). Já estamos trabalhando em mock portfolios and trades [talvez, “portfólios para treinamento”?].
O Fundo Stratford de Capitalização [StratCap] será lançado em 2012.
Os e-mails de Stratfor mostram uma empresa privada que cultiva laços muito íntimos com agências oficiais e emprega vários ex-funcionários do governo dos EUA. A empresa está preparando o quadro das próximas promoções, para os próximos três anos, no Comando do Corpo de Marinha dos EUA [orig. the 3-year Forecast for the Commandant of the US Marine Corps], e dá treinamento aos marines dos EUA e “a outras agências governamentais de inteligência” que desejem “tornar-se Stratfors do governo”.
O vice-presidente para Inteligência de Stratfor, Fred Burton, foi agente especial do Serviço de Segurança Diplomática do Departamento de Estado dos EUA e vice-diretor da divisão de contraterrorismo. Apesar desses laços com o estado, Stratfor e outras empresas assemelhadas operam sob completo segredo, sem qualquer supervisão pelo estado ou por órgãos de fiscalização oficial, e sem qualquer transparência.
A empresa Stratfor alega que opera “sem ideologia, agenda ou viés nacional”, embora os e-mails agora publicados mostrem em ação uma equipe de inteligência/espionagem privada, sempre bem firmemente alinhada com as políticas do governo dos EUA e com canais de contato direto com o Mossad. Esse contato direto está comprovado, através de um funcionário do jornal israelense Haaretz, Yossi Melman, que conspirou com o jornalista David Leigh, do Guardian, e, em flagrante violação do contrato entre WikiLeaks e Guardian, entregaram a Israel telegramas diplomáticos dos EUA, do lote de telegramas que WikiLeaks deixara sob a guarda do Guardian.
Ironicamente, considerando as circunstâncias atuais, Stratfor tem tentado entrar no que a empresa chama de “trem da alegria” [orig. gravy train] “dos vazamentos”, que teria surgido depois das revelações dos papeis do Afeganistão, em WikiLeaks:
“Será que não há alguma coisa a ganharmos, nesse trem da alegria dos ‘vazamentos’? Obviamente, se trata de vender medo, quer dizer: é bom negócio. E temos alguma coisa a oferecer, que as empresas de segurança das tecnologias da informação não têm, sobretudo nosso foco em contrainteligência e vigilância, que Fred e Stick conhecem melhor que qualquer um no planeta (…) Talvez possamos desenvolver algumas ideias e procedimentos sobre alguma rede de segurança focada contra ‘vazamentos’, para impedir que empregados das empresas consigam vazar informação sensível (…). De fato, não estou muito convencido de que se trate de problema de segurança de TI, ou que exija solução de TI.”
Como aconteceu com os telegramas diplomáticos publicados por WikiLeaks, grande parte do real significado desses e-mails só virá à tona ao longo das próximas semanas, quando a coalizão de jornais que construímos em todo o mundo para publicação dos documentos Stratford, e os internautas, em trabalho de pesquisa pública, já tiverem começado a vasculhar os documentos e encontrem conexões significativas.
Os leitores verão que, à parte o grande número de assinantes das publicações e clientes dos serviços da empresa, Stratfor também mantém, entre seus clientes, o controverso general paquistanês Hamid Gul, ex-chefe do serviço secreto do Paquistão (ISI), o qual, segundo os telegramas diplomáticos dos EUA, planejou explosões contra as forças internacionais no Afeganistão, em 2006. Os leitores descobrirão o sistema interno de classificação de e-mails de Stratfor, que organiza a correspondência em categorias como “alpha”, “tático” e “protegido”. A correspondência também inclui nomes em código para personagens considerados particularmente interessantes, como “Hizzies” (membros do Hezbollah), ou “Adogg” (Mahmoud Ahmedinejad).
Stratfor mantém negócios secretos com dúzias de empresas-de-mídia e jornalistas – da Agência Reuters ao Kiev Post. Uma lista dos “Confederation Partners” [Parceiros da Confederação] de Stratfor, que a empresa designa, internamente, como sua “Confed Fuck House”, está incluída nos documentos agora publicados.
Embora seja aceitável que jornalistas troquem informações entre eles, ou que sejam pagos por empresas outras, diferentes do jornal/rede do qual são empregados, dado que Stratfor é empresa privada de inteligência/espionagem que presta serviços a clientes estatais e clientes privados, o relacionamento entre jornalistas e esses atores é relacionamento ou corrompido ou que corrompe.
WikiLeaks também está divulgando a lista dos informantes da empresa Stratfor e, em muitos casos, recibos de pagamentos que receberam, inclusive pagamento mensal regular de $1.200, feito ao informante “Geronimo”, administrado por Fred Burton, ex-agente do Departamento de Estado, hoje empregado da empresa Stratfor.
WikiLeaks construiu uma parceria investigativa com mais de 25 organizações de mídia e ativistas, para informar o público em geral sobre esse imenso corpo de documentos. Aquelas organizações tiveram acesso a um sofisticado banco de dados e de pesquisa desenvolvido por WikiLeaks e, com WikiLeaks, estão avaliando os e-mails do ponto de vista do interesse jornalístico. Revelações importantes às quais cheguemos mediante o sistema de pesquisa em uso serão publicadas na imprensa comercial nas próximas semanas, ao mesmo tempo em que prosseguirá a publicação dos próprios documentos-fontes.
FONTE: Luis Nassif Online
VEJA TAMBÉM:
Documento de diplomata americano foi revelado pelo site WikiLeaks esta semana
Jamil Chade / CORRESPONDENTE / GENEBRA – O Estado de S.Paulo
A diplomacia americana considera que a corrupção durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva era “generalizada e persistente” e atingia todos os Três Poderes. A avaliação foi revelada em uma carta enviada há um ano e meio pelo embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Thomas Shannon, ao procurador-geral americano, Eric Holder.
Na carta, que servia como uma preparação para a visita de Holder ao Brasil, Shannon fez ainda um raio X da Justiça brasileira, acusando-a de “despreparada” e “disfuncional”. O documento foi revelado esta semana pelo WikiLeaks.
Essa não é a primeira revelação sobre os comentários da diplomacia americana sobre a corrupção no Brasil. Documentos de 2004 e 2005 revelaram a mesma preocupação e mesmo o risco de os escândalos do mensalão acabarem imobilizando o governo.
Mas o que fica claro é que, mesmo no último ano do governo Lula, a percepção americana não havia mudado sobre a presença da corrupção na administração. E o fenômeno não se limitaria aos Três Poderes. Segundo Shannon, as forças de ordem também seriam prejudicadas por “falta de treinamento, rivalidades burocráticas, corrupção em algumas agências e uma força policial muito pequena para cobrir um país com 200 milhões de habitantes”.
Outra constatação da diplomacia americana foi sobre os problemas enfrentados pela Justiça no Brasil. “Apesar de muitos juristas serem de alto nível, o sistema judiciário brasileiro é frequentemente descrito como sendo disfuncional, permeado por jurisdições que se acumulam, falta de treinamento, burocracia e atrasos”, escreveu o embaixador.
Para Shannon, “polícia, procuradores e juízes precisam de treinamento adicional” no Brasil. “Procuradores e juízes, em especial, precisam de treinamento básico para ajudá-los a caminhar em direção a um sistema acusatório mais eficiente”, escreveu.
FONTE: Estadão
EUA escutaram de Colômbia, Paraguai e Chile pedidos para ‘conter’ o Brasil, revela WikiLeaks
Jamil Chade, correspondente
GENEBRA – Telegramas secretos da diplomacia americana revelam que, sob o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, países sul-americanos se incomodaram com a liderança brasileira e chegaram a pedir a Washington que “contivesse” as ambições do Brasil na região. Os despachos foram divulgados pelo grupo WikiLeaks. Entre os que solicitaram à diplomacia americana que atuasse contra o aumento da influência do Brasil estão Colômbia, Chile e Paraguai.
Em 11 de fevereiro de 2004, numa conversa entre o então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, e uma delegação do alto escalão da diplomacia dos EUA, o incômodo com as ambições de Lula ficou claro. “Uribe disse que sua relação com Lula é complicada”, relata o telegrama. O ex-líder de Bogotá e forte aliado de Washington alertou na ocasião para a agenda externa de seu colega brasileiro: “Lula se esforça para construir uma aliança antiamericana na América Latina”, teria dito Uribe.
“Lula é mais pragmático e mais inteligente do que (Hugo) Chávez, mas é conduzido por seu histórico de esquerda e pelo ‘espírito imperial’ do Brasil para se opor aos EUA”, acusou o ex-presidente colombiano. Em outro trecho, Uribe ainda acusa o presidente brasileiro de não ter cumprido sua promessa de lutar contra o narcotráfico.
Quatro anos mais tarde, as desconfianças em relação a Lula continuariam na Colômbia. Em um telegrama de 2008, o governo americano afirma que foi informado por militares de Bogotá sobre o projeto de criação de um Conselho de Defesa da América do Sul pelo Brasil. “A desconfiança é que seja um projeto, no fundo, de Chávez”, teriam alertado os militares.
Em telegrama de 19 de maio de 2005, a então chanceler do Paraguai, Leila Rachid, queixou-se ao embaixador americano em Assunção, Dan Johnson, sobre o comportamento de seu colega brasileiro, Celso Amorim, e sua ideia de convocar uma cúpula entre países árabes e sul-americanos. Johnson, por sua vez, disse que o evento promoveria “gratuitamente tensões entre a comunidade árabe e judaica no Brasil”. Ele pediu ainda que, na declaração final, elogios ao Sudão fossem evitados.
“Rachid afirmou que o Brasil teve uma ‘grande disputa’ com vários chanceleres (da América do Sul), incluindo a ministra colombiana (Carolina) Barco e o chileno (Ignacio) Walker, quando Amorim pediu que eles reduzissem as objeções que tinham sobre o Sudão e o processo de paz no Oriente Médio”, descreve o embaixador americano.
Rachid diz que gostaria de falar com a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, sobre “preocupações em relação à política externa e comercial do Brasil”. “Ela (Rachid) estava preocupada com as ambições do Brasil de se tornar uma voz de liderança na região e pediu que os EUA se posicionassem para conter o Brasil.”
FONTE: Estadão
Despachos diplomáticos vazados pelo WikiLeaks revelam que os EUA pediram ao governo brasileiro, em 2005, a substituição do general brasileiro Augusto Heleno Ribeiro Pereira do comando militar da Minustah, a missão da ONU no Haiti.
O pedido era parte de uma tentativa americana de pressionar o Brasil para aumentar a violência contra rebeldes e gangues haitianas.
Em um dos textos, de maio de 2005, o então embaixador dos EUA no Brasil John Danilovich justifica a pressão argumentando uma expansão das ações de gangues, que estariam “perdendo o medo”, e uma onda de sequestros em Porto Príncipe.
A pressão incluiu ainda a ameaça dos EUA de enviar tropas ao Haiti caso o Brasil não fosse “mais firme”.
Em 2005, a Minustah havia vencido uma tropa de ex-militares e começava a combater guerrilheiros. A favela de Bel Air estava pacificada e a resistência migrava para a favela de Cité Soleil.
“Surgiu um novo líder de gangues, em Cité Soleil, que pretendia se transformar em um mito: Dread Wilmé. Daí a impaciência e o apelo da embaixada americana e outras por “operações robustas”", disse nesta quarta-feira à Folha o general Heleno, hoje no Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército.
“O resultado de ações desse tipo, em uma área miserável, superpovoada, com milhares de crianças e mulheres pelas ruas, era imprevisível. Por isso, eu jamais cedi.”
O general disse ter recebido apoio incondicional do Itamaraty, do Ministério da Defesa e do Exército.
“As pressões eram evidentes e aconteceram desde o início da missão, em 2004. Por isso, eu deixava bem claro que a agenda de operações era de minha exclusiva competência”, disse.
A operação que resultou na morte de Wilmé só ocorreu em julho de 2005, quando a ONU obteve informações seguras sobre sua localização. A favela foi cercada e tropas especiais peruanas abordaram a gangue. Wilmé morreu no confronto junto com cerca de 40 rebeldes.
O general cumpriu normalmente seu mandato regular de cerca de um ano.
“Uma força de paz, na minha concepção, não poderia se comportar como uma força de ocupação. Resisti às pressões, na certeza de que a estratégia que traçara daria certo, desde que reuníssemos operações militares e ações humanitárias”, disse.
A Folha e outras seis publicações têm acesso ao material antes da sua divulgação no site do WikiLeaks.
FONTE: Folha de São Paulo
O governo dos Estados Unidos procurou o serviço diplomático brasileiro para pedir formalmente que país contribuísse na guerra do Afeganistão e o Brasil se negou a participar, segundo relevam documentos confidenciais divulgados hoje (13) pelo WikiLeaks.
De acordo com uma comunicação diplomática do final de 2008 (íntegra aqui), ainda sob governo de George W. Bush, o então embaixador americano Clifford Sobel relata que a solicitação teria sido encaminhada a funcionários brasileiros em setembro, destacando que o Brasil “tem procurado por projetos relacionados a desenvolvimento, em detrimento a apoio para o setor militar”.
“Até o momento, o governo brasileiro não encontrou oportunidades factíveis de apoio ao Afeganistão”, escreve Sobel.
“O histórico brasileiro sugere que seria uma ruptura entre os precedentes o Brasil apoiar uma força militar estrangeira fora do mecanismo da Nações Unidas, com o qual o governo prefere trabalhar”, acrescenta.
“A demanda por cinco milhões de dólares dentro de cinco anos é muito maior do que muitos outros pedidos que fizemos e que ficaram sem resposta. Os recursos do Brasil para assistência em geral são extremamente limitados e o governo tende a preferir assistência técnica para projetos de desenvolvimento social”, analisa o embaixador.
Meses depois, já sob o governo de Barack Obama, Sobel volta ao tema (íntegra aqui) ao reportar um contato com o embaixador Roberto Jaguaribe.
“Há três principais obstáculos a superar com relação aos pedidos de assistência: a) o orçamento brasileiro, b) receptividade política e c) dificuldade do Brasil em “comprar uma coisa que ele não formulou”.
“Observando que Afeganistão é um país ‘remoto e distante’ para o Brasil, Jaguaribe disse que o Brasil acompanha o desenvolvimento da situação no Afeganistão, mas não é um ‘ator relevante’, embora Afeganistão esteja para abrir uma embaixada em Brasília e o Brasil consideraria abrir uma em Cabul”.
De acordo com o relato de Sobel, o embaixador brasileiro chegou a fazer comentários sobre as ações americanas, destacando a importância de “incorporar os vizinhos do Afeganistão em uma nova estratégia, sobretudo Paquistão e Irã”.
“Irã poderia se revelar um importantíssimo ator no processo, ele acrescentou”, escreve Sobel sobre Jaguaribe.
Jaguaribe também teria recomendado que “ações militares no Paquistão e Afeganistão dificultam ao invés de fortalecer força política interna”, admitindo contudo que os EUA deveriam ter mais informações da situação local do que ele próprio.
“Segurança para quem? ele perguntou, sugerindo que a segurança para o governo e para a capital seriam condições insuficientes para construir o amplo apoio que o sucesso no Afeganistão requer”, continua Sobel.
O embaixador conclui dizendo que a missão diplomática dos EUA no Brasil não esperava que o país ainda viesse a dar nova resposta para o caso.
Fonte: UOL
Paris, 04 jan (Lusa) – Telegramas divulgados pelo WikiLeaks e publicados hoje pelo diário norueguês Aftenposten indicam que a França é o país mais ativo em matéria de espionagem industrial, relegando para segundo plano países como a China ou a Rússia.
Num dos telegramas confidenciais da diplomacia norte-americana que o diário norueguês cita – e que merece grande destaque na imprensa francesa -, a França é descrita como o “Império do Mal” no que diz respeito ao roubo de tecnologia.
“A espionagem francesa é tão extensa que os danos (que provoca) à economia alemã são mais elevados do que os danos provocados pela Rússia ou a China”, de acordo com um telegrama atribuído à embaixada dos Estados Unidos em Berlim.
Uma das pessoas citadas no correio diplomático norte-americano e que denunica a situação é Berry Smutny, diretor geral da OHB Technology, uma empresa alemã ligada ao sector de satélites.
“A França é o Império do Mal no que toca ao roubo de tecnologia, e a Alemanha sabe disso”, terá referido o empresário alemão em outubro de 2009, numa conversa privada com diplomatas norte-americanos.
O diário norueguês foi o último jornal a receber a totalidade dos 250 mil telegramas da diplomacia norte-americana, que o portal WikiLeaks cedeu em exclusivo aos cinco maiores jornais internacionais (The Guardian, El País, New York Times, Le Monde e Der Spiegel).
FONTE: MSN
Despachos revelados pela ONG WikiLeaks apontam a interferência do presidente venezuelano em favor da ocupação militar das instalações da Petrobrás, em maio de 2006; saída de empresa brasileira beneficiaria a companhia petrolífera PDVSA
De acordo com diplomatas americanos, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, incitou o governo de Evo Morales, na Bolívia, a nacionalizar as instalações da Petrobrás no país em 2006, fato que provocou um atrito econômico e diplomático com o Brasil. A informação está em telegramas da Embaixada dos Estados Unidos em Brasília enviados ao Departamento de Estado americano e revelados pela ONG WikiLeaks.
Segundo os americanos, Marcelo Biato, o assistente direto do assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, relatara que Chávez interagia com Evo nos dias que antecederam a ocupação das instalações da Petrobrás por militares da Bolívia.
“Biato disse que em março (de 2006), Petrobrás e interlocutores bolivianos haviam começado o que pareciam ser discussões relativamente positivas. No entanto, Evo interrompeu abruptamente as conversas, insistiu que só discutiria o assunto diretamente com Lula”, diz o documento, datado de maio de 2006. “No intervalo entre as conversas de março e a nacionalização, Biato observou que houve várias conversas entre Evo e Chávez”, relata o telegrama.
Em 20 de abril, em encontro bilateral entre Lula e Chávez, o presidente brasileiro manifestou ao venezuelano sua preocupação com seu envolvimento no caso dos hidrocarburetos bolivianos. “Agora está claro para o governo do Brasil que Evo foi encorajado depois de ouvir que Chávez poderia prover ajuda técnica para obter o gás”, afirma o despacho, referindo-se à possibilidade de a estatal de petróleo da Venezuela, a PDVSA, passar a auxiliar a boliviana, YPBF, em caso de rompimento entre Lula e Evo.
Em 5 de maio, um novo telegrama dá conta de um novo encontro entre representantes diplomáticos americanos com Biato. Na conversa, o assessor brasileiro é questionado sobre a proximidade entre Chávez e Evo, indagação à qual Biato responde de forma lacônica. “O que podemos fazer? Nós não escolhemos nossos vizinhos. Nós não gostamos do modus operandi de Chávez, nem das surpresas de Evo, mas nós temos de lidar com esses caras de alguma forma e manter a ideia da integração regional viva”, diz.
Em outro despacho, datado de 26 de junho de 2006, o então embaixador americano, Clifford M. Sobel, relata que Marco Aurélio Garcia lhe confirmava a intervenção chavista no caso. “Ele sugeriu que o Brasil encorajou o presidente venezuelano Chávez a baixar o tom e se tornar “menos presente” no caso. Chávez entendeu que seu esforço fora invasivo e contraproducente”, diz o relato. No mesmo encontro, Garcia teria afirmado que Evo também recebeu a sugestão de “baixar o tom”.
A operação militar da Bolívia na refinaria da Petrobrás, em maio de 2006, fazia parte da política de nacionalização das reservas de hidrocarburetos pelo governo de Evo. Depois de uma reação hesitante , o governo Lula e a Petrobrás aceitaram as novas regras impostas por La Paz para o setor petroquímico, reduzindo os dividendos das companhias que exploravam os recursos. Uma das questões centrais era o ressarcimento pelos investimentos da Petrobrás na Bolívia, avaliados em US$ 1,6 bilhão.
FONTE: Estadão
NOTA DO FORTE: Até quando o Brasil vai ficar bancando o “bom moço” nas relações internacionais?
Madri – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ao venezuelano Hugo Chávez que “baixasse o tom contra os Estados Unidos”, publicou nesta quarta-feira o jornal espanhol El País, citando documentos do departamento de Estado americano divulgados pelo site Wikileaks. O presidente brasileiro enviou seu ex-ministro José Dirceu a Caracas para advertir Chávez e dizer a ele que não “brincasse com fogo”.
“A incendiária retórica de Hugo Chávez desde seu primeiro mandato presidencial não incomodava apenas os Estados Unidos, principal destinatário das declarações, mas também o Brasil, cujo presidente Lula da Silva quis aplacar a virulência do discurso bolivariano com mensagens privadas que pediam contenção”, destaca o El País.
Dirceu revelou sua conversa com Chávez ao embaixador americano em Brasília, John Danilovich, segundo os documentos do WikiLeaks.
Ao que parece, a recomendação de Lula não teve efeito sobre o presidente venezuelano, que “continuou atacando os Estados Unidos em todas as frentes”.
Por sua vez, o chefe da delegação diplomática americana explicou a Dirceu que a política de Washington “neste sentido era não responder a Chávez para não dar motivos a ele, para que se afogue ele mesmo”, escreveu o El País.
Dirceu “prometeu comunicar a Chávez que não apenas o governo dos Estados Unidos era hostil a ele, mas também as elites americanas, e mesmo o homem comum começavam a enxergar a Venezuela como um problema, e que esta tensa situação com a sociedade americana não beneficiava nem a ele, nem ao país”.
Naquela reunião, os dois também discutiram a posição cubana a respeito do tema. Na opinião de Dirceu, apesar das excelentes relações entre Caracas e Havana, o aumento das tensões na região não interessa a Cuba.
Por outro lado, a escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 “reforçou a liderança regional do Brasil e a figura do presidente Lula da Silva”, afirmou o jornal, de acordo com a documentação do WikiLeaks.
“O governo do Brasil está percebendo que enfrenta desafios fundamentais como a preparação dos Jogos, e mostrou muito mais abertura em áreas como cooperação e a troca de informações com os Estados Unidos, a ponto de admitir a possibilidade de ameaças terroristas”, escreveu a encarregada de negócios, Lisa Kubiske, em dezembro de 2009, três meses depois do anúncio de que o Rio sediaria as Olimpíadas.
FONTE: Jornal do Brasil
O general Jorge Armando Félix, ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República, afirmou a Clifford Sobel, ex-embaixador dos EUA no Brasil, que o país precisa encarar o fato de que “um preço precisa ser pago” para conquistar um papel de liderança global.
Segundo relato de Sobel, de 2007, Félix teria dito que o Brasil deveria “empregar suas forças em operações [militares] internacionais” e confrontar a perspectiva de ver “sacos de corpos retornando ao Brasil”.
As afirmações de Félix, segundo o relato de Sobel, fariam parte de respostas a respeito de sua visão sobre a relação do Brasil com a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
O relato de Sobel está em uma correspondência diplomática secreta obtida pelo site WikiLeaks (www.wikileaks.ch), que teve acesso a milhares de despachos. A Folha e outras seis publicações têm acesso antecipado aos documentos.
O telegrama de Sobel data de 15 de fevereiro de 2007 e refere-se a um jantar de 30 de janeiro daquele ano. No encontro, os dois ainda discutiram outros assuntos, como a Venezuela de Hugo Chávez e as relações entre Brasil e Estados Unidos.
Colaborou FERNANDO RODRIGUES, de Brasília
FONTE: Folha.com
Os Estados Unidos tentaram impedir a entrega de mísseis antiaéreos russos à Venezuela em 2009, devido a preocupações de que Caracas poderia repassá-los às guerrilhas marxistas na Colômbia ou a traficantes de drogas mexicanos, afirma neste domingo o “The Washington Post”, citando documentos diplomáticos americanos vazados pelo site WikiLeaks.
A Venezuela –onde o presidente Hugo Chávez lidera um governo com forte sentimento contra os EUA– recebeu pelo menos 1.800 de mísseis SA-24 da Rússia, disse o jornal, citando dados da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre controle de armas.
As comunicações secretas norte-americanas diziam que o país estava preocupado com a aquisição de armamento russo por Caracas, incluindo helicópteros, caças Sukhoi e 100 mil fuzis Kalashnikov, segundo o jornal.
O veículo citou uma informação do Departamento de Estado dos EUA de 10 de agosto de 2009 direcionada à Europa e à América do Sul dizendo que as vendas de armas russas à Venezuela somaram ‘mais de 5 bilhões de dólares no ano passado e que elas estão crescendo’.
A preocupação com os planos espanhóis para vender aviões e barcos de patrulha para a Venezuela também foi citada na mensagem.
A Rússia reportou ao Registro de Armas Convencionais da ONU no início deste ano que as compras totalizaram 1.800 mísseis, disse o “The Washington Post”. O general da Força Aérea dos EUA Douglas Fraser disse publicamente neste ano que a Venezuela poderia comprar até 2.400 mísseis, segundo o jornal.
O especialista em mísseis Matt Schroeder, da federação de cientistas norte-americanos, em Washington, afirmou ao jornal que os mísseis russos estão entre os mais sofisticados do mundo e que podem derrubar aviões a quase 6.000 metros.
“É a maior transferência registrada no banco de dados de armas da ONU em cinco anos, pelo menos”, afirmou Schroeder, segundo o jornal.
FONTE: Folha/Reuters
A diplomacia dos EUA afirmou em telegrama confidencial de 2005 que Dilma Rousseff, então recém-nomeada para a Casa Civil, “organizou três assaltos a bancos” e “planejou o legendário assalto popularmente conhecido como ‘roubo ao cofre do Adhemar’ ” na ditadura.
O telegrama faz parte de um lote de nove documentos obtidos pela ONG WikiLeaks aos quais a Folha teve acesso. Não há nenhuma menção à fonte da informação a respeito da atuação atribuída à presidente eleita.
Dilma nega ter participado de ações armadas quando militou em organizações de esquerda, nos anos 60.
O processo sobre ela na Justiça Militar descreve de forma diferente sua atuação: “Chefiou greves, assessorou assaltos a bancos”. Não é acusada de “organizar” ou “planejar” assaltos. Ela foi condenada por subversão.
O embaixador dos EUA em Brasília, Thomas Shannon, disse à Folha: “O governo dos EUA não tem informação que confirme essas alegações. Ao contrário, nós temos uma longa e positiva relação com a presidente eleita”.
Esse telegrama, redigido em 2005 pelo então embaixador americano no Brasil, John Danilovich, já havia sido obtido em 2008 pelo jornal “Valor Econômico”. Na época, ainda não era certa a candidatura de Dilma.
No conjunto de papéis que vazaram agora, há especulações sobre a personalidade da petista, as chances de ser eleita e sua saúde.
No caso das ações armadas, há coincidência entre o que está no telegrama dos EUA e um trecho do livro “Mulheres que Foram à Luta Armada”, do jornalista Luiz Maklouf Carvalho (1998).
Não há até hoje, entretanto, evidências concretas sobre a participação de Dilma em ações armadas.
Em 2009, a secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, elogiou os relatos: “Gostei muito dos telegramas da embaixada que contêm perfis alentados sobre os candidatos a presidente em 2010 e sobre suas estratégias”.
Hillary chama o sistema político brasileiro de “bizantino”. E faz recomendações para futuros despachos:
“Nós damos especial valor a informações sobre como são os estilos de operação desses líderes, seus comportamentos, motivações, pontos fortes e fracos, relacionamento com seus superiores, sensibilidades, visões de mundo, hobbies e proficiência em línguas estrangeiras.”
Os detalhes já aparecem nos despachos sobre Dilma desde 2005. “Ela gosta de cinema e de música clássica. Perdeu peso recentemente, de acordo com relatos, depois de ter adotado a mesma dieta do presidente Lula.”
Há elogios a Dilma, vista como “competente” por empresas dos EUA, que “a louvam por sua paciência para ouvir e responder”. E um alerta: “Ela tem uma fama de ser teimosa, uma negociadora dura e detalhista”.
O câncer linfático descoberto por Dilma em 2009 foi acompanhado pelos EUA. “Numa reunião em 18 de junho, com um visitante de Washington, Rousseff aparentava estar bem, com cor natural e maquiagem leve.”
O senador Tião Viana (PT-AC) disse aos americanos que “as alternativas mais prováveis”, caso Dilma não fosse candidata, eram Antonio Palocci e Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula –nunca visto como opção.
FONTE: Folha OnLine
Os EUA expressaram à Rússia sua preocupação com a venda para a Venezuela de cerca de cem mísseis antiaéreos de manejo individual, temendo que eles caíssem nas mãos de membros da guerrilha colombiana Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), segundo telegramas diplomáticos americanos obtidos pelo WikiLeaks.
A secretária de Estado americana, Hillary Clinton, ordenou a suas embaixadas em Moscou e Caracas que obtivessem informações sobre a negociação de armamentos entre Rússia e Venezuela, segundo um telegrama confidencial emitido pelo Departamento de Estado em fevereiro de 2009 e publicado pelo jornal espanhol “El País” nesta quarta-feira.
Washington se mostrou especialmente preocupado porque os “vínculos da Venezuela com as Farc representam um sério risco de proliferação e desvio” desses armamentos.
Para os EUA, a “base de sua preocupação” vinha de informações extraídas de computadores do falecido chefe das Farc, Raúl Reyes, e obtidas pela Colômbia, sobre supostas “discussões específicas entre o governo venezuelano e as Farc sobre o fornecimento dos mísseis antiaéreos”.
Além disso, Hillary assegurava que “não há indícios de que a Venezuela esteja preparada para implementar práticas de segurança adequadas e mecanismos de armazenamento consistentes com os padrões internacionais”, para guardar o armamento.
Funcionários americanos de Defesa retomaram suas preocupações durante uma reunião em julho deste ano, com seus colegas russos, na qual foram informados da venda de Moscou a Caracas de cem mísseis antiaéreos portáteis modelo Igla-S, segundo outro telegrama do Departamento de Estado, datado de agosto.
Mas a Rússia assegurou aos EUA que as “transferências da Venezuela às Farc não podiam acontecer”, segundo um documento revelado pelo WikiLeaks.
O presidente Hugo Chávez confirmou em setembro de 2009 a compra da Rússia de 92 tanques T-72 e de mísseis antiaéreos, cujo número não foi divulgado. A aquisição foi feita por meio de financiamento de US$ 2,2 bilhões de Moscou a Caracas.
FONTE: Folha OnLine
Recursos minerais e redes de comunicação no Brasil estão na lista de itens estratégicos dos EUA. É o que revelam os telegramas de diplomatas americanos ao Departamento de Estado do país vazados ontem (6/12) pelo WikiLeaks.
De acordo com eles, reservas minerais em Goiás, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul passaram a ser consideradas “locais vitais”. Isso porque qualquer problema no suprimento das matérias-primas extraídas nesses lugares afetaria diretamente a indústria americana.
Hoje, o Brasil possui 98% das reservas de nióbio do mundo, e os EUA estão entre os maiores consumidores. O metal é usado na fabricação de peças de automóveis, aviões, obras de infraestrutura e até lâminas de barbear.
Por isso, o governo americano incluiu duas minas brasileiras de nióbio como prioritárias. Uma delas pertence à CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) e fica em Araxá, Minas Gerais. Sozinha, ela atende 80% do mercado mundial.
A outra jazida é explorada pela inglesa Anglo American no complexo mineral de Ouvidor e Catalão, em Goiás.
A Vale tem duas jazidas na lista. Uma delas é a de minério de ferro em Corumbá (MS). Neste caso, o interesse se justifica pela alta concentração de ferro no minério, considerado um dos melhores do mundo. Outra é a de manganês, em Urucum (MS), usado em siderúrgicas.
TELECOMUNICAÇÕES
As redes de comunicação (telefonia, internet e dados) foram colocadas no mesmo patamar de prioridade.
Para o governo americano, danos ocorridos nos cabos submarinos da Globenet ou da Americas II podem deixar o país com dificuldade de contato com suas empresas no Brasil. Sites com extensão “.com” teriam problemas de acesso afetando também o comércio eletrônico entre os dois países.
Esses cabos são feitos de fibra óptica e estabelecem a conexão entre centrais de operadoras de telefonia dos dois países. A maior parte de seus 30 mil km de extensão encontra-se submersa.
Somente a rede da Globenet possui 22 mil km de fibras. No Brasil, os cabos submarinos se conectam às centrais da operadora Oi, dona da Globenet desde 2009.
Esses cabos se ligam em solo a duas centrais da Oi, uma em Fortaleza, no Ceará, e outra no Rio de Janeiro.
Criada em 2000, a rede de cabos da Americas II parte dos EUA e, no Brasil, se conecta em Fortaleza à central da Embratel.
FONTE: Folha.com
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Lula defende ministro da Defesa após vazamento de documentos na internet.
Sobre os documentos em posse do WikiLeaks, referentes ao Brasil, Heraldo Pereira, durante o Jornal da Globo, nesta madrugada de quarta-feira, disse que “apenas 10 são conhecidos e já deu todos esse drama, imagina quando os outros mais de 1400 vierem a público”.
FONTE: Globo.com
Em telegrama secreto revelado pelo Wikileaks, a crítica é feita pelo próprio embaixador americano.
Genebra – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva concluirá seus oito anos no poder com uma gestão marcada pela corrupção entre seus “mais próximos aliados”, com uma “praga” de compra de votos no PT e sem ter dado uma resposta ao crime no Brasil. Essa é a avaliação da diplomacia americana sobre a gestão de Lula e os principais elementos de seu governo, escancarando a avaliação do governo americano em relação a Lula.
Em um telegrama secreto revelado pela organização Wikileaks, a crítica é feita pelo próprio embaixador americano em Brasília, Clifford Sobel.
“A principal preocupação popular – crime e segurança pública – não melhoraram durante sua administração (de Lula)”, afirmou o telegrama enviado entre a embaixada americana em Brasília e o Departamento de Estado norte-americano.
O documento ainda cita os vários escândalos de corrupção durante a gestão de Lula. “A Administração Lula tem sido afetada por uma grave crise política”, afirma o documento, indicando que “escândalos de compra de votos e tráfico de influência” se transformaram em “pragas para certos elementos do partido de Lula, o PT”.
Sobel, porém, deixa claro que a “popularidade pessoal do presidente não sofreu, mesmo depois que muitos de seus associados mais próximos foram pegos em práticas de corrupção”.
O telegrama faz parte de um relatório que a embaixada americana em Brasília enviou para Washington, com vistas a preparar uma visita do ministro da Defesa, Nelson Jobim. A meta dos americanos no início de 2009 era o de se aproximar ao Brasil, propondo acordos de cooperação no setor militar e uma colaboração para garantir certa estabilidade na América Latina.
O documento ainda insinua que teria sido o Bolsa Família que o teria ajudado a se reeleger em 2006. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito em 2002 em grande parte diante da promessa de promover um agenda social ambiciosa, incluindo generosos pagamentos aos pobres. Diante da força da popularidade desses medidas, ele foi reeleito em 2006, ainda que um apoio diminuído da classe média”, completou. – Jamil Chade.
Lula: conteúdo vazado por Wikileaks é ‘insignificante’
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva minimizou a divulgação de telegramas da diplomacia norte-americana pelo site Wikileaks, que aponta corrupção no governo brasileiro. “Eu acho que as coisas que vi são insignificantes que não merecem ser levadas a sério. Na verdade não sou obrigado a acreditar num telegrama do embaixador americano”, disse Lula, em entrevista realizada depois de visitar as obras da usina hidrelétrica de Estreito, no Maranhão.
Em um telegrama secreto revelado pela organização Wikileaks, o embaixador norte-americano em Brasília, Clifford Sobel, teria avaliado que o presidente Lula concluirá seus oito anos de governo uma gestão marcada pela corrupção entre seus “mais próximos aliados”, com uma “praga” de compra de votos no PT e sem ter dado uma resposta ao crime no Brasil.
Lula minimizou também a informação de que o ministro da Defesa, Nelson Jobim, segundo a organização, teria dito ao embaixador que o ministro de Assuntos Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, odeia os Estados Unidos. “Eu tenho certeza do comportamento do Jobim e tenho certeza do comportamento do Samuel. Eles são amigos e um não falaria mal do outro”, afirmou Lula. – Leonêncio Nossa.
FONTE: Estadão On-Line
Site divulga crise na relação entre China e Coreia do Norte
FONTE: Globo.com
Conforme documentos revelados pelo site WikiLeaks, país questiona sua própria influência sobre Pyongyang – e admite que programa nuclear de Kim é ameaça
A China, aliada da Coreia do Norte, duvida cada vez mais de sua própria influência sobre Pyongyang – e está disposta até a aceitar a reunificação da península coreana se o regime do Norte entrar em colapso. As revelações estão na série de documentos diplomáticos secretos dos Estados Unidos divulgados pelo site WikiLeaks. Num dos trechos mais interessantes dos documentos, Pequim descreve a Coreia do Norte como uma “criança mimada”.
Os papéis revelam, por exemplo, que, durante um jantar em 2009, o embaixador chinês no Cazaquistão admitiu a um diplomata americano que Pequim considera o programa nuclear da Coreia do Norte uma “uma ameaça à segurança de todo o mundo”. Funcionários chineses também teriam dito a uma autoridade sul-coreana que a China dá pouco valor à Coreia do Norte como um estado-tampão entre o território chinês e a Coreia do Sul, aliada dos Estados Unidos.
Em um almoço em fevereiro de 2010, entre a embaixadora dos Estados Unidos em Seul, Kathleen Stephens, e o ex-vice-ministro das Relações Exteriores da Coreia do Sul, Chun Yung-woo, o diplomata de Seul declarou que a nova geração de líderes chineses não considera mais a Coreia do Norte como um aliado útil ou confiável, e não arriscaria um novo conflito armado na península.
Chun afirmou à embaixadora americana que a Coreia do Norte “já entrou em colapso econômico e entraria também em colapso político dois ou três anos após a morte de Kim Jong-il”, apesar de seus esforços para obter ajuda chinesa e para assegurar a sucessão para seu filho. “Ao descrever uma diferença de geração nas atitudes chinesas em relação à Coreia do Norte, Chun alegou que [nome apagado] acreditava que a Coreia deveria ser unificada sob o controle da República da Coreia”, diz o texto, em referência a Seul.
Em outro documento que manifesta a frustração de Pequim com a Coreia do Norte, o vice-ministro das Relações Exteriores da China, He Yafei, teria afirmado que o governo norte-coreano estaria se comportando como uma “criança mimada” para chamar a atenção americana ao realizar testes nucleares em abril de 2009.
He disse que o governo norte-coreano queria “negociar diretamente com os Estados Unidos, e por isso estava agindo como dessa forma”, escreveu o diplomata americano. “A China por isso incentivou os Estados Unidos, ‘depois de algum tempo’, a começar a retomar os contatos com a Coreia do Norte”, afirmou.
Vazamento – Os documentos são parte do pacote de mais de 250.000 comunicações entre embaixadas e outros canais diplomáticos americanos aos quais o site WikiLeaks teve acesso e que começou a vazar no domingo. A divulgação ocorre em meio às polêmicas envolvendo o programa nuclear norte-coreano e o recente ataque a uma ilha sul-coreana próxima à fronteira, que deixou quatro mortos na semana passada.
Nesta segunda-feira, a Coreia do Norte disse que tem milhares de centrífugas operando em uma usina de enriquecimento de urânio revelada pelo país no início do mês. Os norte-coreanos dizem que a usina é para a produção de energia nuclear para uso civil. Não se sabe se as centrífugas poderiam produzir também material para a fabricação de armas nucleares.
WikiLeaks - O WikiLeaks é um site que se dedica a revelar documentos militares secretos dos EUA e de outros países. Neste ano, o site divulgou cerca de 400.000 documentos secretos sobre a guerra do Iraque. Antes disso, o WikiLeaks já havia divulgado 90.000 relatórios confidenciais sobre abusos cometidos no Afeganistão.
Fonte: Veja












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