20 anos do Projeto Guarani: ARES apresenta avanços em integração de sistemas de armas
Em seminário, empresa detalhou domínio tecnológico, capacidade industrial e parcerias estratégicas que sustentam o projeto do Exército Brasileiro
A ARES, principal fornecedora de sistemas de armas e torres para os blindados do Exército Brasileiro, teve participação de destaque no Seminário de 20 Anos do Projeto Guarani, realizado em Brasília (DF), nesta quinta-feira (13). A empresa, que possui mais de cinco décadas de atuação na área de defesa, reforçou seu status como parceira estratégica da Força Terrestre e como referência nacional na Base Industrial de Defesa (BID).
A palestra “Integração dos Sistemas de Armas no Guarani: Desafios, Experiências e Parcerias” foi conduzida pelo Diretor de Engenharia e P&D, Jaime Vela, e pelo Diretor de Operações, Frederico Fróes. A apresentação forneceu um panorama técnico da expertise da ARES no desenvolvimento, fabricação, integração e suporte logístico de sistemas de controle de tiro e suas partes.
O Projeto Guarani é um Projeto Estratégico concebido para equipar o Exército com uma moderna família de viaturas blindadas sobre rodas. Ele tem um alto índice de nacionalização, com cerca de 90% dos componentes de origem nacional, e já gerou 2.890 empregos diretos e indiretos.
Integração de Sistemas e Tecnologia de Ponta
Os diretores detalharam o histórico e a evolução das soluções que garantem a efetividade bélica do Guarani. Abordaram, ainda, o portfólio de produtos, que inclui 20 projetos de Desenvolvimento de Produtos (PED/PRODE) catalogados no Ministério da Defesa, entre eles:
SARC REMAX: Sistema de Armas Remotamente Controlado, estabilizado em dois eixos, controlado remotamente e hoje em sua 4ª versão, o REMAX 4. Mais de 300 sistemas estão em uso na tropa.
Torre UT30BR: Torre não-tripulada de 30 mm (Bushmaster MK44) , equipada com sistema de controle de disparo giro-estabilizado e módulos optrônicos de última geração, incluindo câmera diurna, termal e telêmetro laser.
Torre REMAN: A primeira estação manual 100% brasileira, projetada com blindagem modular para proteção do combatente.
Capacidade Anti-SARP: A ARES é a primeira empresa no Brasil a iniciar o desenvolvimento de um sistema de armas Anti-SARP (contra drones), além de desenvolver o simulador Anti-SARP para treinamento.
“A integração dos sistemas de armas em plataformas complexas como o Guarani é um desafio constante que exige domínio tecnológico e um ciclo robusto de P&D,” explicou Jaime Vela. “Nosso trabalho é garantir que as viaturas não só atendam, mas superem as exigências doutrinárias do Exército, oferecendo capacidade e flexibilidade necessária para o amplo espectro de conflitos.”
Excelência Operacional e Indústria 4.0
Frederico Fróes, Diretor de Operações, demonstrou a capacidade fabril da ARES para suportar o projeto em um cenário de peças de alta complexidade e baixa demanda. O investimento na Transformação Digital e na Indústria 4.0 visa transformar o “trabalho artesanal” em “artesanato em série”.
A estrutura industrial da ARES conta com um Centro de Usinagem de última geração, Laboratório de Manufatura Aditiva, e uma linha de montagem para até 250 sistemas de armas REMAX por ano. A empresa também mantém um Suporte Logístico Integrado há mais de 10 anos, vital para garantir a prontidão operacional em todo o território nacional.
Parceria para o futuro da defesa
“Para ser parceira do Exército em um projeto de longo prazo como o Guarani, não bastou desenvolver: foi preciso ter uma linha de produção seriada, eficiente e flexível,” afirmou Frederico Fróes. O diretor ressaltou que o investimento em tecnologia e na transformação digital dos processos visou “a efetividade e a melhor experiência do cliente final: a tropa brasileira.”
A ARES reforça seu papel de parceira estratégica do Exército Brasileiro no desenvolvimento e modernização das Forças Blindadas, fornecendo soluções de ponta que contribuem para o fortalecimento da Base Industrial de Defesa e a segurança da sociedade brasileira. É uma empresa com mais de 50 anos prestando serviços às Forças Armadas. Sempre foi referência em produção, fornecimento e suporte logístico, desenvolvendo produtos que promovem as capacidades operacionais do Brasil.■


Embora o Guaraní e a torre UT seja um veículo excelente pra realidade BR, eu comemoraria mais se as últimas décadas não tivessem sido gastar em cortar o n° de Guaranís todo ano, e que a maiotia das versões previstas pra ele ainda não sairam do papel.
Bananil…
O número inicial era 2044 viaturas, de todos as versões. Depois foi reduzidos para 1580. Passado um tempo, foram “trocadas” 150 unidades encomendadas do Guarani por 420 unidades do LMV/Guaicurus. Sobram, deste modo, 1430 unidades do Guarani. Dentre estas, incluem-se as versões especializadas, que o EB tem a seguinte projeção de aquisição:
– 80 ambulâncias;
– 74 postos de comando;
– 62 antiaéreas, sendo 13 radar e 49 lançadoras;
– 28 viaturas de Comunicações;
– 25 unidades de Central diretora de tiro de Artilharia;
– 104 porta-morteiro de 120mm.
Total de versões especializadas: 373
Então:
1430 – 373 = 1.057 da versão VBTP. Já foram recebidas quase 800 dessa versão. Acredito que as versões Engenharia e Oficina vão sair desse total de 1.057. A versão Socorro acredito que foi suprimida em troca dos 20 caminhões Navistar MaxxPro MRV, recebidos novos desde 2023.
Não vejo como prejuízo à Força a redução de 2.044 para 1.420, visto que também devemos incluir aí mais os 420 Guaicurus.
Esse quantitativo de viaturas é muito mais do que qualquer outra coisa que o EB tenha operado em matéria de viatura blindada de combate.
A algum tempo atrás, lí uma matéria, acho que no T&D, de que a versão Engenharia e Comunicação começaria a ser homologadas, e versões Comando e Porta-Morteiro começariam testes em breve, não sei a “quantas anda” esses exemplos.
Do resto que você citou, nunca nem ví notícia, e duvido muito que a versão AA e radar vejam a luz do dia.
Sobre a troca de Guaranís por Linces, pelo menos foi uma boa troca, nisso eu concordo.
Queria MESMO é saber a “quantas anda” a nacionalização daquela cx. de câmbio, que foi embargada pela Alemanha…
A SAAB apresentou sua proposta de Guarani AA na última LAAD.
Se o EB irá comprar diretamente dela, se fará uma licitação ou se não fará nada, eu não sei responder.
Aquele Guaraní com 3 lançadores de RBS? Só isso? Não é “muito pouco” poder de fogo ora uma AA não?
Esse mesmo!
Penso que o ideal seria ter um canhão junto aos mísseis.
Ou talvez opere com outras unidades com canhões associados ao mesmo radar.
Algo como o sul coreano K-30 Biho, que combina armamento de tubo, com manpads.
Depende
O que será esse Guarani?
Uma peça?
Uma seção?
Depende da função dela.
A versão antiaérea, com seus dois tipos de viaturas, já está em andamento, só precisamos aguardar a velocidade em que irá andar o progresso das mesmas.
https://tecnodefesa.com.br/exercito-aprova-os-requisitos-do-guarani-antiaereo/
A nacionalização da caixa de câmbio é algo que tem um impasse, digamos assim. Queremos algo fabricado no Brasil? Algo fabricado por uma empresa brasileira? Fabricada por uma empresa de capital nacional? Empresas brasileiras temos algumas, mas que são filiais de multinacionais norte-americanas e européias. Empresas que fabriquem caixas de câmbio e sejam de origem e capital nacional, eu não conheço nenhuma. O que sei é que o imbróglio com os alemães foi solucionado e o fornecimento das caixas de câmbio está normal.
Santamariense.
Não existe uma 100% nacional que fabrique transmissões.
Todas as que existem fazem parte de um grupo multinacional.
O que existem, são empresas na remanufatura. O que, em teoria, poderiam ser empregadas para produzir uma cópia de um equipamento.
Mas entre a teoria e a prática, existe um longo caminho. Principalmente no que tange projetar e melhorar os produtos finais.
Pois é, caro MMerlin. É bem isso.
Verdade, se não me engano entre cascavéis e Urutus o exército tinha no total 900 blindados de todas as versões!
Nem chegava a isso. Eram 400 e poucos EE-9 e menos de 300 EE-11.
409 cascavel 216 urutus
Perfeito.
Ótimo comentário.
Também acho que os cortes foram muito bem vindos, já que o EB não pode ter somente o Guarani.
A troca de 150 guarani por 420 Guaicurus também foi uma boa jogada do EB, pois não tinha dinheiro para fazer uma boa aquisição de Guaicurus e usou uma troca para resolver o problema.
Esse é o tipo de quantidade que não é a maior do mundo, mas é adequada para o Exército Brasileiro, bem diferente dos novos programas onde o EB visa apenas 65 MMBT e 78 IFV e míseros 36 Obuseiros.
Exato, Luis. É bem por aí.
E tem essa versão de transporte de morteiros:
https://www.forte.jor.br/2023/04/16/novas-versoes-do-guarani-transporte-de-morteiros/
S, essa versão é na realidade um kit, fabricado pelo AGR e pela DF do EB. Esse kit pode ser instalado em qualquer viatura básica Guarani, não sendo uma versão dedicada. O kit pode ser instalado e retirado conforme demanda, ao contrário da versão porta-morteiro, que leva o morteiro já instalado e pronto para uso, realizando o tiro de dentro da viatura.
Só falta um número decente de Centauro 2
Amigo, Santamariense td beleza?
Em todos os documentos que eu já li do EB e do MD, informa 1.580 unidades , sendo formulado um programa de Família de viaturas blindadas sobre rodas, que contempla :
Subfamília Leve (4×4) Suas versões : de reconhecimento, anticarro, morteiro leve, radar, posto de comando e observação avançada
Subfamília Média (6×6 e 8×8) Suas versões : reconhecimento, transporte de pessoal (APC), morteiro (porta-morteiro), socorro/ambulância, posto de comando, central/centralizadora de tiro (direção de tiro), oficina/veículo de manutenção
Guarani (entregues) 800 + Gaicurus (1º lote entregue): 32. +Centauro II (contratado, coloquei na soma): 98. + Gaicurus (contratado): 420. + 20 caminhões Navistar (entregues)
+ versões especializadas pretendidas: 373 que vc listou
Total: 1743 do Projeto Guarani.
Parte de texto retirado de um dos documentos MO6228 :
“No caso do Guarani, a sua concepção foi iniciada antes mesmo da criação do EPEx, a partir das Condicionantes Doutrinárias Operacionais (CONDOP) nº 03/1998 e dos Requisitos Operacionais Básicos (ROB) no 09/1999 VBTP-MSR, que descreveram o “desempenho operacional exigido para uma nova família de carros blindados sobre rodas”. (AMARANTE, 2013, p. 47). A partir desses documentos, foram estabelecidas as subfamílias Leve – 4×4 e Média – 6×6 ou 8×8”
https://bdex.eb.mil.br/jspui/bitstream/123456789/7040/1/MO%206228%20-%20GOULART.pdf?utm_source=chatgpt.com
https://www.gov.br/defesa/pt-br/assuntos/industria-de-defesa/cartilha_laad_final_digital_port.pdf?utm_source=chatgpt.com
Além do Guaicurus, tem o Centauro II, que salvo engano substituiu a versão 8×8 do Guarani. Somando os dois modelos ao Guarani, chegamos bem próximo do número original de 2044 viaturas do projeto.
Aliás, o EB, a despeito de suas inúmeras lacunas e projetos em andamento, das três Forças, talvez seja a única a conseguir levar um processo de modernização mais factível.
A Modernização do EB não me parece mais factível que a da FAB.
O Centauro não substituiu o Guarani 8×8.
Ele é o Guarani 8×8.
Guarani é uma família, onde a Viatura Blindada Sobre Rodas Guarani 6×6 é o Guarani 6×6 da IVECO.
O Guaicurus é o Guarani 4×4.
O ATMOS foi selecionado para ser o Obuseiro 155 mm AP SR da família Guarani.
Por aí vai…
Off Topic mas nem tanto, saiu em outro.veiculo de defesa, que a fabricante do Guarani vai propor uma família de veículos sobre lagarta como solução para o EB, baseado numa família de viaturas italiana. Alta comunalidade com o Centauro II, torre hitfact e versões IFV, e outras. Fabricação no Brasil. Algo versátil como a família do CV 90 sueco.
…
isso seria muito interessante, tendo em vista que já temos uma fábrica aqui da Iveco
O lado positivo de desenvolverem um carro de combate para o Brasil é que poderão chegar no limite das exigências, como por exemplo a de peso. Com 50 toneladas dá pra capricharem na blindagem em relação aos veículos que ficam na faixa das 38~40.
O lado negativo é a possível demora durante o processo, já que será um veículo inédito, mesmo que baseado em algum projeto consagrado já em uso no exército italiano.
Aguardemos os próximos capítulos!
Que o EB foque nisto e não caia no canto da sereia alemã.
Duas propostas são melhores que somente uma, basta o MD fazer um edital de concorrência honesto, decente, transparente e por que não, sustentável, focado em obter a melhor solução, pelo montante investido.
E não edital camarada pra “selecionar” Guaicurus.
No mais boa sorte pra Iveco, puxar briga com o CV-90 é pra poucos, especialmente qndo em casa compraram o KF-51 e o KF-41.
Salve senhores camaradas do Forte e Trilogia,
A ARES Aeroespacial e Defesa, principal fornecedora de sistemas de armas e torres para os blindados do Exército Brasileiro (EB), está apresentando REMAX Anti-SARP para o Guarani e também o sistema de morteiro com torre Crossbow, da Elbit Systems, tem a capacidade de disparar o primeiro projétil de 120mm em menos de 30 segundos, possui uma cadência máxima de dez disparos por minuto e uma cadência sustentada de seis disparos por minuto, além de um curto raio de alcance entre o sensor e o atirador.
Sgtº Moreno
Não é por nada, mas existem vida inteligente, tecnologia e produtos, além do catálogo da Elbit.
A ARES apresentou uma torre morteiro. E Tem uma proposta da Iveco para uma família de carros de combate a serem construidas aqui. Mexeram com o EB. Muito interessante a propostas, inclusive alto grau de comunalidade com o Guarani e Centauro.
Vejam:
https://tecnodefesa.com.br/idv-propoem-novos-blindados-sobre-lagartas-nacionais-para-o-exercito-brasileiro/
Mais de 700 Guarani produzidos para o Brasil, lembrando que eram só 223 Urutu, ou seja, ampliamos a mecanização da tropa.
Curioso com a versão antiaerea , 49 unidades estão previstas.