Histórico de intervenções dos EUA na América Latina inclui casos de presidentes capturados e derrubados

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Noriega em 3 de janeiro de 1990, após sua prisão

Noriega em 3 de janeiro de 1990, após sua prisão. Ele foi levado em um avião para os Estados Unidos a fim de ser julgado. Fonte: Força Aérea dos EUA

Desde o início do século XX, os Estados Unidos protagonizaram várias intervenções políticas e militares na América Latina, frequentemente com impacto direto ou indireto sobre chefes de Estado e governos da região. A mais recente delas — o ataque dos EUA à Venezuela em 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro durante uma operação militar norte-americana — reacendeu o debate sobre esse histórico de ações intervencionistas.

Manuel Noriega, Panamá (1989–1990)

Um dos casos mais emblemáticos de captura de um líder latino-americano por forças norte-americanas ocorreu durante a invasão do Panamá, em 1989, com a Operação Just Cause, liderada pelo presidente dos EUA, George H. W. Bush. O objetivo declarado era derrubar o então líder panamenho Manuel Noriega, acusado de tráfico de drogas e de ameaçar a segurança americana. Noriega acabou sendo deposto e, posteriormente, levado para os Estados Unidos para enfrentar acusações criminais.

Golpes de Estado apoiados pelos EUA

Embora nem sempre tenham resultado em capturas formais de presidentes no sentido físico, outras ações dos EUA tiveram impacto direto sobre líderes eleitos na região:

Guatemala (1954) — O governo do presidente Jacobo Árbenz Guzmán foi derrubado com o apoio da CIA, por meio da Operação PBSUCCESS. Árbenz, que buscava implementar reformas de terra que afetavam interesses econômicos norte-americanos, foi forçado a renunciar após um golpe liderado por forças treinadas e financiadas pelos EUA.

Brasil (1964) — A CIA apoiou grupos contrários ao presidente João Goulart, contribuindo para o golpe militar que o depôs e instaurou um regime autoritário que duraria duas décadas.

Chile (1973) — O presidente Salvador Allende foi derrubado em um golpe militar financiado e pressionado pelos EUA, abrindo caminho para a ditadura de Augusto Pinochet.

Outros casos de intervenção

Além dessas ações com impacto sobre chefes de Estado, os EUA também apoiaram movimentos contra governos percebidos como hostis durante a Guerra Fria, como na República Dominicana (1965), Nicarágua (décadas de 1910–1930) e Haiti (1994), entre outros, muitas vezes com motivação geopolítica ou para conter influências consideradas indesejadas por Washington.

O caso Maduro em contexto histórico

A captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos representa, segundo analistas, a primeira ação direta de captura de um presidente latino-americano por forças americanas desde o caso Noriega — um episódio que já gerou debates sobre legalidade, soberania nacional e direito internacional.

Tais intervenções refletem uma longa tradição de política externa norte-americana influenciada pela Doutrina Monroe e seus desdobramentos, nos quais o hemisfério ocidental é visto como uma área de especial interesse estratégico para os EUA.

Este pano de fundo histórico ajuda a contextualizar reações políticas e diplomáticas atuais, diante de um evento que, embora invulgar na era pós-Guerra Fria, é percebido por muitos como uma continuação de práticas intervencionistas do passado.■

VEJA TAMBÉM:

Operação Just Cause – a Invasão do Panamá pelos EUA em 1989

Operação Urgent Fury – a Invasão de Granada pelos EUA em 1983

Os Planos de Invasão dos EUA para a América Latina, 1919-1945


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Guacamole
Guacamole
18 dias atrás

Acho que o negócio é deixar de se meter com drogas.

Comenteiro
Comenteiro
Responder para  Guacamole
18 dias atrás

Ou se for se meter, seja amigo dos americanos.

BVR
BVR
Responder para  Comenteiro
18 dias atrás

Melhor é nunca entrar em associação com os EUA (ou qualquer outro país) na operação desse ferramental; por mais que saibamos de “n” casos em que drogas foram introduzidas visando vantagem geopolítica.

Última edição 18 dias atrás por BVR
BVR
BVR
Responder para  Guacamole
18 dias atrás

Concordo plenamente. Mas só acrescento que se os EUA iniciassem uma campanha contra o feijão venezuelano, Maduro teria a cabeça sob recompensa e a Venezuela seria atacada da mesma forma.

Sulamericano
Sulamericano
Responder para  Guacamole
18 dias atrás

Tem gente que realmente acredita em história da carochinha, coelhinho da páscoa, papai Noel e no que os EUA falam.

Alessandro Carvalho
Alessandro Carvalho
Responder para  Guacamole
17 dias atrás

O negocio é ser capaz de derrotar os Estados Unidos se eles te atacarem. Você não ser obrigado a entregar seu país, seu petroleo e todas as outras riquezas do país ou deixar o presidente dos Estados Unidos estuprar sua esposa e sua filha pra não ser derrubado do governo, preso ou morto por eles.

Heli
Heli
Responder para  Guacamole
17 dias atrás

Prêmio Ingênuo do Ano. CIA e drogas tem relação forte. Leia sobre o que houve no Afeganistão com o plantio de papoula. Fica a dica do livro The Fort Bragg Cartel, o ex CIA John Kiriakou fala disso numa entrevista. Há muito material em inglês sobre isso

Caravaggio
Caravaggio
Responder para  Guacamole
16 dias atrás
Hamom
Hamom
Responder para  Guacamole
16 dias atrás

O problema que Maduro e a Venezuela arrumaram com os EUA foi justamente NÃO se meterem com drogas… atrapalhando assim os negócios multibilionários que as drogas geram nos EUA.

Só pra ter uma noção: 1 kg de cocaína pode ser comprado por mil dólares na Colômbia, mas quando levado pra NY,
pode render 250 mil dólares! Dinheiro este que vai fluir pro sistema financeiro…

Mil dólares ficam com os produtores de cocaína colombianos e 249 mil são ganhos pelos mega traficantes americanos.

Este mercado de drogas tem ligações com o sistema financeiro e grandes empresários dos EUA, que lavam e legalizam anualmente cerca de US$ 600 bilhões gerados por drogas produzidas (sob demanda dos narcotraficantes dos EUA) na América Latina.

Gustavão
Gustavão
18 dias atrás

Tinha um frase que meu avô falava, e melhor 97 hectares de pé de café do que 10 mil pé.
Você tem que lutar pela unificação,pessoas tem quer ter orgulho da nação, ocupar mais espaços, e assim garantir sobrevivência do governo e das instituições.

Dagor Dagorath
Dagor Dagorath
18 dias atrás

O mais interessante no caso do Noriega é que ele era aliado dos EUA e servia de intermediário entre a CIA e grupos anticomunistas na América Latina. Mas com a redemocratização da região e o início da queda da Cortina de Ferro na Europa ele deixou de ser útil à Washington e virou inimigo.

BVR
BVR
Responder para  Dagor Dagorath
18 dias atrás

Exatamente !
Acreditou que os EUA eram seu amigo,…levou na cabeça bonito.

Rodolfo
Rodolfo
Responder para  Dagor Dagorath
17 dias atrás

Um tal de Saddan Hussein também foi aliado de Washington contra o Iran, e quando disse que iria invadir o Kuwait a embaixadora americana em Bagdad, tinha recebido a mensagem que os americanos nao iriam responder…

Carvalho
Carvalho
18 dias atrás

A questão é:

Países com um quadro institucional debilitado, como é o caso da Venezuela, caem.

A Venezuela não caiu por causa do petróleo, drogas, ditaduras, ou o que quer que seja.
Caiu porque se esfacelou institucionalmente, pela corrupção, pelo aparelhamento do judicário, pelo controle da população com base em medidas assistencialistas, pela formação de milicias, pela associação com o crime organizado…

Não lamento….mas temo que não exista um compromisso mínimo dos EUA com a volta da normalidade democrática.

Anos de populismo destroem a dinâmica social e produtiva de um país.

O chile é um bom exemplo, possui riquezas minerais e um histórico invejável de alternância de poder, sem ser ameaçado por quem quer que seja.

Iran
Iran
Responder para  Carvalho
18 dias atrás

O Chile foi ameaçado no final dos anos 70 com a derrubada do Allende, mas sinceramente, por mais que eu critique a política externa americana, especialmente na América Latina, o caso chileno foi positivo pro país.

Alecs
Alecs
Responder para  Carvalho
17 dias atrás

Mestre Carvalho, seu comentário foi impecável!

sub urbano
sub urbano
18 dias atrás

Sim, existem precedentes, notadamente o do caso Noriega. Mas este envolveu uma invasão full scale.

Contra Maduro foi uma operação cirúrgica, com certeza houve colaboração interna, claro q sim, mas não tira o mérito dos americanos de uma operação limpa, com poucos mortos, cirúrgica.

O governo não vai cair, pode ate ficar mais popular devido a humilhação dos cidadaos venezuelanos q amam seu país e sua história. Mas no fim das contas foi bom pra todo mundo. Trump tem sua vitoria fantástica e o socialismo chavista continua no poder. E pessoas nao morreram em uma guerra terrível.

No Brasil só nao aconteceu algo do tipo nos ultimos tempos pq o Xandao teve a coragem de limpar a sujeira a tempo, prendendo os radicais q ameaçavam destruir a Republica.

Última edição 18 dias atrás por sub urbano
CRISTÃO
CRISTÃO
Responder para  sub urbano
18 dias atrás

Então, na minha opinião, no Brasil um bando de bocos reuniram se para planejar um “golpe”.nada além disso… enfim, poderia dizer que o tempo é o senhor da razão, mas no país da amnesia onde o chefe do maior esquema de corrupção da humanidade é o presidente o tempo é só fortalecedor da ignorância.

Rafa
Rafa
Responder para  sub urbano
17 dias atrás

Radicais com bíblias e bandeiras do Brasil nas mãos cantando o hino nacional. Baita radicais julgados num tribunal “imparcial”. Se é essa a democracia republicana que vc quer, espero que vc nunca seja eleito nem para síndico do seu prédio.

CRISTÃO
CRISTÃO
18 dias atrás

Se é algo contra o STF ou o Lule: “Inimigos da democracia ”

Agora, como foi contra o ditador Maduro: “Inimigos da soberania.”

Petista é igual a bom ar, para cada m3rda tem o perfume.

Alecs
Alecs
Responder para  CRISTÃO
17 dias atrás

Faço minhas sua palavras. Impecável! A mais pura verdade.

Vagner
Vagner
18 dias atrás

Foi uma acao de sucesso, um ditador a menos. O problema e que se formos esperar esses despotas sairem por conta propria, melhor esperar sentados. Agora o problema vai ser se o Maduro resolver falar mal do homem mais honesto do mundo, que so nao esta na cadeia por causa de um erro processual.
Ps: o senhor Amorim deve estar chorando cabisbaixo hoje….

Última edição 18 dias atrás por Vagner
Sergio
Sergio
18 dias atrás

Alguém citou o Chile como modelo de estabilidade e acertou!

Alternância de poder, democracia vigorosa.

O mesmo povo que elegeu o garoto bonitão comunista rejeitou a constituição proposta por ele e curiosamente- pouco citado na mídia podre- referendou indiretamente a constituição deixada pelo pinochet como condição para deixar o poder. O que nossos generais deveriam ter feito em 1985.

Veja se alguém ameaça o Chile?

Pelo contrário é visto quase como uma nova Zelândia de lingua espanhola.

E não se iludam. Aprofundando-se a anarquia institucional aqui e não havendo recuo nas perseguições a escalada vai aumentar e seremos os próximos.

Eu subestimei o laranjinha mas depois do Irã e essa agora eu fosse uma certa turminha começava a refletir e muito…

Carvalho
Carvalho
Responder para  Sergio
18 dias atrás

Estamos escorregando institucionalmente…

Alguns aqui acharam normal os governadores do PT nomearem suas esposas para o TCE.
Acharam normal o Lula nomear advogado pessoal para o STF…
A VNZ foi aos poucos escorregando para o lugar em que está….

Última edição 18 dias atrás por Carvalho
Carvalho
Carvalho
18 dias atrás

Um exemplo de como a Venezuela está degradada.
Praticamente não há reporteres na Venezuela. Não temos imagens. Não temos vídeos….não temos depoimentos…
Até no Iraque havia cobertura de imprensa.

Caravaggio
Caravaggio
Responder para  Carvalho
16 dias atrás

Tbém não temos em Gaza pq Israel não deixa. Q horas vc começa a reclamar?

Gilson
Gilson
18 dias atrás

Defesa antiaérea para o EB, seria pra ontem, mais submarinos e fragatas Tamandaré, seria pra ontem, mais GRIPEN F39, seria pra ontem. Os 30 bilhões para as forças armadas agora já é pouco. Seu não em?. Novos armamentos em outros países seria melhor negociações?

Thiago
Thiago
Responder para  Gilson
18 dias atrás

Vai comprar armamentos ocidentais pra se defender dos EUA?
Rapaz, isso não dá certo. Eles vão cortar o acesso a peças e munições. Seu material inteiro vai se tornar inútil. É melhor comprar de outro lugar e, ao mesmo tempo, começar logo a construir a nossa capacidade de fabricar nosso próprio material. Não podemos depender de ninguém.

paulof
paulof
18 dias atrás

O mais estranho que se dizia que a guarda particular do Maduro e principalmente da Cilia eram cubanos e russos; apesar de todos os méritos para os americanos alguém vendeu o Maduro. Quem conhece os wagner sabe que não é tirinho que vai afugentar os mercenários russos.

Bruno Vinícius
Bruno Vinícius
Responder para  paulof
18 dias atrás

O histórico dos Wagner em combate contra forças americanas não é bom para os russos…

Iran
Iran
Responder para  Bruno Vinícius
18 dias atrás

Histórico do Wagner só é bom contra o ISIS, tiveram 40 mil mortos em Bakhmut tava tão feio que se revoltaram contra o governo federal russo, tomaram um coro no Zawad pros tuaregs, não conseguiram impedir o avanço do HTS na Síria (nesse caso pq foi um acordão do Putin com Israel e Turquia), estão tomando um coro contra o jihadistas em Burkina e outros países do Sahel.
E ai temos claro, o surra que tomaram dos americanos tbm na Síria

Última edição 18 dias atrás por Iran
O Chato
O Chato
Responder para  paulof
17 dias atrás

Você tocou em um ponto que tenho achado estranho desde que vi os primeiros vídeos durante a madrugada: onde estava a resistência das forças armadas venezuelanas? Aparentemente, a resistência foi mínima, o que me leva a considerar que quem vendeu o Maduro foram as próprias forças armadas, talvez pressionadas pela perspectiva de terem de se engajar em um conflito com os EUA.

Última edição 17 dias atrás por O Chato
Wilson França
Wilson França
Responder para  O Chato
16 dias atrás

Maduro foi rifado pelos generais, os quais irão entrar em acordo com os EUA, permitir a entrada da Chevron e permanecer no poder.
Note que Trump em momento algum falou em restabelecer a democracia na Venezuela. Falou em governar provisoriamente e retomar o petróleo “roubado”. Nada de democracia, mudança de regime etc.

Última edição 16 dias atrás por Wilson França
Colombelli
Colombelli
18 dias atrás

E a USAID/Biden em 22?

Glaucus Lima
Glaucus Lima
18 dias atrás

Engraçado é alguém ainda achar que o problema com a Venezuela são as drogas. São as maiores reservas de petróleo do mundo que estão na Venezuela, bem pertinho dos Estados Unidos, sem aqueles monte de problemas do Oriente Médio ou o arsenal Nuclear da Rússia como impecilho para domínio do petróleo daquela região. As drogas são apenas desculpas, como foram as armas de destruição em massa no Iraque, que no fundo tinha o mesmo propósito: o petroleo iraquiano. E para concluir: 1° os maiores produtores de drogas não estão na Venezuela; 2º O mercado consumidor de drogas nos Estados Unidos é o maior do mundo. Então, menos inocência.

CRISTÃO
CRISTÃO
18 dias atrás

Esse amigue do no c0rrupto a fab não foi buscar!!

Gabriel BR
Gabriel BR
Responder para  CRISTÃO
17 dias atrás

O Brasil não é respeitado nem pela Bolívia kkkkkkk

Gabriel BR
Gabriel BR
17 dias atrás

E que venham mais intervenções! Latino americano só faz besteira.

Alessandro Carvalho
Alessandro Carvalho
17 dias atrás

O que ocorreu hoje na Venezuela e com Maduro precisa ser uma lição ao Brasil 🇧🇷.

O Brasil 🇧🇷 precisa urgentemente ter sua própria Bomba Atômica ☢️ pra sermos temidos pelos Estados Unidos 🇺🇸 e com isso garantirmos que os Estados Unidos 🇺🇸 nunca possa fazer aqui o que fez na Venezuela.

O Brasil 🇧🇷 precisa ou superar ou no mínimo se igualar aos Estados Unidos 🇺🇸 pra garantir que eles nunca possam nos fazer nem causar nenhum mal. Pra garantir que se um dia eles nos atacarem, mesmo se usarem todo o poder que tiverem, nós vençamos eles e eles sejam derrotados por nós e não o contrário.

Eles 🇺🇸 só não irão nos fazer nem causar mal se souberem e tiverem certeza que guerra contra nós, ou terminará com a nossa vitória e a derrota deles e não o contrário ou se souberem que uma guerra contra nós significa destruição mútua assegurada.

Heli
Heli
17 dias atrás

Sempre que os USA intervém é apenas para preservar e garantir a democracia, a liberdade, os direitos humanos e nos lovrar do mosntro do comunismo. Pelo menos é assim que Hollywood ensina.

Caravaggio
Caravaggio
16 dias atrás
Rodrigo
Rodrigo
16 dias atrás

A galerinha do DCE vendo na prática como funciona o mundo, mostrando que narrativa midiatica não passam de populismo barato…

comenteiro
comenteiro
Responder para  Rodrigo
16 dias atrás

Mas e a narrativa das drogas?