Trump assina ordem executiva que exige suspensão de dividendos e recompra de ações por empresas de defesa

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US Defense Industry

O presidente Donald Trump emitiu nesta quarta-feira uma ordem executiva que proíbe temporariamente empresas contratadas pelo Pentágono de pagar dividendos ou realizar recompra de ações, parte de uma iniciativa mais ampla para pressionar a indústria de defesa a acelerar a produção de equipamentos militares e priorizar investimentos em capacidade produtiva.

A determinação, intitulada Prioritizing the Warfighter in Defense Contracting, estabelece que, enquanto as empresas de defesa estiverem em situação de “desempenho inferior” em contratos com o governo, não poderão distribuir lucros aos acionistas nem comprar de volta suas próprias ações. A ordem também vincula o pagamento de executivos à entrega pontual de equipamentos e ao aumento da produção, em vez de métricas financeiras tradicionais, como o lucro por ação.

Segundo o texto, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, terá 30 dias para revisar o desempenho de empresas que recebem contratos governamentais e identificar aquelas que não estão cumprindo prazos, não investem em capacidade produtiva ou não priorizam contratos do governo dos EUA. Essas empresas poderão ser convidadas a apresentar planos de remediação — com prazo de 15 dias — sob risco de sanções ou medidas de cumprimento, incluindo o uso da Defense Production Act.

Mudanças em contratos futuros e remuneração de executivos

A ordem também estabelece que, em até 60 dias, todos os contratos futuros com empresas de defesa deverão incluir cláusulas que impeçam dividendos e a recompra de ações enquanto houver “desempenho inferior” no cumprimento das obrigações contratuais. Da mesma forma, a remuneração de executivos deverá ser atrelada a indicadores operacionais, como a entrega no prazo, o aumento da produção e as melhorias operacionais.

Trump também criticou pessoalmente as práticas financeiras do setor, chamando de “exorbitantes e injustificáveis” os pacotes de remuneração de executivos e propondo um teto de US$ 5 milhões para os salários de dirigentes de empresas de defesa, até que os problemas sejam corrigidos.

Reações e impacto imediato

A notícia teve repercussão imediata nos mercados. As ações de grandes contratantes de defesa, como Lockheed Martin, Northrop Grumman e RTX, caíram entre 4% e 5% após a divulgação das medidas, refletindo a preocupação dos investidores com as mudanças na política de remuneração e de pagamento de dividendos.

A ordem segue uma série de críticas de Trump à indústria de defesa por supostamente priorizar pagamentos aos acionistas em detrimento de investimentos em produção e manutenção de equipamentos militares, que ele considera lentos e insuficientes diante das necessidades de segurança nacional.

Contexto mais amplo

A medida ocorre em meio a uma agenda mais ampla de Trump voltada ao fortalecimento da indústria de defesa e aumento do financiamento militar, incluindo proposta de elevar o orçamento para US$ 1,5 trilhão em 2027 como forma de responder a desafios geopolíticos globais. Especialistas apontam que a ordem executiva representa um esforço sem precedentes para vincular diretamente o desempenho produtivo das empresas contratadas à sua capacidade de recompensar acionistas e remunerar executivos — uma abordagem que deverá enfrentar debates legais e discussões tanto nos corredores governamentais quanto no mercado financeiro.■


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Nilo
Nilo
10 dias atrás

A leitura da Rússia e China, mas principalmente da Dinamarca e Europa, EUA está escalando.

Rodrigo
Rodrigo
Responder para  Nilo
10 dias atrás

Na verdade o gigante acordou

JuggerBR
JuggerBR
10 dias atrás

Trump agora arranjou um inimigo de verdade, o bolso dos executivos de armas… Duvido que essa medida permaneça mais que uns meses ativas, antes dele falar que o objetivo foi cumprido e que as coisas podem voltar ao normal…

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  JuggerBR
8 dias atrás

Grandes contribuintes de campanhas. Será que os custos de campanhas e o lobby também não poderão ser pagos?

Heinz
Heinz
10 dias atrás

Os americanos já sabem de algo que está por vir, caminhamos a passos largos para um conflito direto entre potências.

José Joaquim Da Silva Santos
José Joaquim Da Silva Santos
Responder para  Heinz
10 dias atrás

Nunca concordo em nada com vc, mas isso parece indicar que estão esperando guerra de grandes proporções., ou várias menores.. não quer dizer que acontecerá, mas que acreditam.

BraZil
BraZil
Responder para  Heinz
10 dias atrás

Não sei se sabem Rainz, mas é óbvio que a atual administração tenta preparar o país para um eventual confronto com outras potências, que sabemos, hoje produzem armamentos e insumos militares com mais rapidez, produtividade e competência do que os EEUU. Creio que se tenta diminuir o gap produtivo que existe em relação a Rússia e China e claro, aumentar estoques caseiros, já que boa parte do que havia (mísseis, foguetes, munições de artilharia e infantaria), já foi gasto contra Houthis, doado para Israel, a Ucrânia e será também para Formosa. E sabe-se mais o que os neocons tem em mente em relação a Groenlandia, Colômbia etc. Particularmente, acho que no futuro o tio SAM aumentará sua presença militar em dois teatros: Australia e Paquistão…

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  BraZil
8 dias atrás

O objetivo é dividir o mundo em 2 e garantir que o mercado da sua parte seja sua. Caso contrário perderam os mercados do mundo todo. A disputa é por mercados, não por fronteiras.

BraZil
BraZil
Responder para  Palpiteiro
8 dias atrás

Acho que em mais de dois, mas a ideia é essa mesmo. Um retorno a chamada “áreas de influência”

Marcelo
Marcelo
Responder para  Heinz
9 dias atrás

Já sabe mesmo,35 trilhões de dólares de dívida, a conta chegou.
Agora para pagar essa conta resolveram roubar petróleo,terras raras venezuelana e tomar na mão grande a Groelândia.
A conta de ser polícia do mundo chegou.

José Joaquim Da Silva Santos
José Joaquim Da Silva Santos
10 dias atrás

É a China e Rússia fazendo escola… Capitalismo gerido pelo braço forte do Estado.

Última edição 10 dias atrás por José Joaquim Da Silva Santos
Cassini
Cassini
Responder para  José Joaquim Da Silva Santos
9 dias atrás

Quê???

BVR
BVR
Responder para  Cassini
8 dias atrás

Cassini, não dá nem pra duvidar. É exatamente isso que Trump está sinalizando.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  José Joaquim Da Silva Santos
8 dias atrás

China e Rússia são países bem diferentes

Delfim
Delfim
10 dias atrás

Creio que Trump, além de colocar ordem na namata de grandes empresas bélicos, também evita aquisições acionárias por “laranjas” estrangeiros, em especial chineses.

Última edição 10 dias atrás por Delfim
Macgarem
Macgarem
10 dias atrás

Certo ele pressionar as empresas a dariam prioridade a defesa nacional.

Empresa estratégica é isso não só mandar fatura no final do mês e ligar o taximetro

Última edição 10 dias atrás por Macgarem
Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Macgarem
8 dias atrás

O que diz o TCU?

Lucena
10 dias atrás

(…)Especialistas apontam que a ordem executiva representa um esforço sem precedentes para vincular diretamente o desempenho produtivo das empresas contratadas à sua capacidade de recompensar acionistas e remunerar executivos — uma abordagem que deverá enfrentar debates legais e discussões tanto nos corredores governamentais quanto no mercado financeiro. (…)
.
.

Como é que fica aquela história do neoliberalismo, o estado mínimo ? …rsrsr …só serve para os trouxas e a malandragem do sistema financeiro internacional pelo que estou vendo.
.
E depois criticam o comunismo e o socialismo …que coisa né ?….logo a meca do neoliberalismo econômico….a vaca sagrada da extrema direita.

Rodrigo
Rodrigo
Responder para  Lucena
10 dias atrás

Vai estuda sobre liberalismo antes de falar bobeira…liberalismo nao e a ausência do estado. No liberalismo o Estado atua como direcionado da capacidade e eficiência privada…

BVR
BVR
Responder para  Rodrigo
8 dias atrás

Rodrigo, vivemos a época do neoliberalismo – pra mim época do ultra, super, megaliberalismo. A época liberal foi até o crack da bolsa em 1929.

Josè
Josè
Responder para  Lucena
10 dias atrás

A ordem se refere a empresas que não estejam cumprindo os contratos, nada mais justo que sejam punidas, ou você acha correto as empresas não cumprirem o que foi acordado?

Última edição 10 dias atrás por Josè
Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Lucena
8 dias atrás

Sistema político é uma coisa, sistema econômico é outra coisa, vale dar uma pesquisada, ajuda a entender melhor.

Carlos Campos
Carlos Campos
10 dias atrás

Ele pisou no calo das empresas de defesa, isso não ser bom para ele. Essas empresas se tornaram sanguessugas, pagam muito para executivos e acionistas, cobram caro para equipamentos simples, por exemplo não vejo o KC Pegasus ser tão caro, e tão dificil de projetar, além de que tem gente que sai das forças armadas e vai trabalhar lá, e as forças armadas pedem equipamentos sem noção como o canhão do F35 ser uma versão nova do Vulcan com calibre diferente. tudo nos EUA na área de defesa parece superfaturado

Deadeye
Deadeye
10 dias atrás

Dou 2 dias para alguém (lobista de plantão), contestar essa ordem executiva na justiça americana. (Decisões semelhantes foram contestadas e derrubadas porque a Suprema Corte alegou afronta ao principio da livre iniciativa)

Hamom
Hamom
10 dias atrás

“…suspensão de dividendos e recompra de ações…”
Tinha que fazer isto no Brasil com estatais que dão lucro ao serem privatizadas.

Em São Paulo a estatal SABESP sempre prestou um serviço excelente a população e dando lucro ao estado. Pouco tempo após o Tarcísio vende-la a preço de banana, os preços da água subiram e a qualidade dos serviços/abastecimento caiu.

A italiana ENEL subiu os preços da energia elétrica e deixou a anteriormente boa infraestrutura elétrica pública do município de São Paulo deteriorar e os apagões ficaram frequentes.

Mas os lucros dos acionista estão indo muito bem…

Última edição 10 dias atrás por Hamom
Alex Barreto Cypriano
Alex Barreto Cypriano
10 dias atrás

De repente, todo mundo descobriu a pólvora da financeirização e rentismo. Mas quem acha que dá pra reverter a improdutividade do CIM na canetada proibindo remunerações de CEOs e recompras de ações? O quê vai aumentar a produção, as proibições temporárias e condicionadas ou o aumento brutal do orçamento militar a ser consumido? Esse também é um truque, trompe l’oeil, como ‘Tostines vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?’ ou o famoso comprimido pra matar a sede (tome um comprimido com dois copos d’água)… E sempre tem o truque dos pagamentos circulares, em que o dinheiro vai passando de uma mão pra outra de tal forma que dividas sejam quitadas sem criação de valor ou produção por nenhum dos envolvidos. Esse último muito usado pelo imperialismo ianque do dólar referencial sem lastro metálico.

Nei
Nei
9 dias atrás

Ele está se policiando em relação as empresas que não estejam cumprindo os contratos, nada mais normal.

BVR
BVR
8 dias atrás

“(…) enquanto as empresas de defesa estiverem em situação de “desempenho inferior” em contratos com o governo, não poderão distribuir lucros aos acionistas nem comprar de volta suas próprias ações. A ordem também vincula o pagamento de executivos à entrega pontual de equipamentos e ao aumento da produção, em vez de métricas financeiras tradicionais, como o lucro por ação…A medida ocorre em meio a uma agenda mais ampla de Trump voltada ao fortalecimento da indústria de defesa e aumento do financiamento militar, incluindo proposta de elevar o orçamento para US$ 1,5 trilhão em 2027”.

Quase US$40 trilhões em dívidas e o cara tá “tascando o pau no gato” dos gastos. Tipo como se não houvesse amanhã.

Até sugerindo teto salarial ele está, parece até que o states é uma parte da Trump Enterprises.

Tem gente que não vai gostar nadinha disso, ainda mais se foi doador da campanha dele.

Hegseth tem muita influência sobre Trump e, pior, é um falcão dos brabos.

Última edição 8 dias atrás por BVR