Rússia reorganiza cadeia de exportação para manter fluxo de petróleo barato à Índia, apesar das novas sanções dos EUA
Modi e Putin
A Rússia iniciou um processo acelerado para contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos e garantir que a Índia — hoje o segundo maior comprador global de petróleo russo — continue recebendo volumes elevados de petróleo bruto a preços fortemente descontados, segundo analistas do setor energético.
Desde o início da guerra na Ucrânia, a Índia tornou-se um dos pilares da demanda por petróleo russo, que passou a ser vendido com grandes descontos devido às restrições ocidentais. Em dezembro, Nova Déli importou cerca de 1,2 milhão de barris por dia, uma queda em relação aos 1,7 milhão de barris observados nos meses anteriores, o que reflete o impacto inicial das novas sanções dos EUA.
Conflito diplomático entre Washington e Nova Déli se aprofunda
As relações entre os EUA e a Índia deterioraram-se visivelmente nos últimos meses. O presidente Donald Trump aumentou a pressão sobre o governo indiano, acusando-o de “financiar a guerra de Vladimir Putin” ao comprar petróleo barato da Rússia.
Em agosto, Washington impôs uma tarifa punitiva de 25% sobre produtos indianos exportados para os EUA. Mais recentemente, Trump elevou o tom, ameaçando tarifas de 500% e possível retirada de iniciativas internacionais lideradas pela Índia caso o país não reduza suas compras de petróleo russo. As negociações comerciais entre os dois países estão paralisadas.
Ainda assim, o governo indiano insiste que suas decisões energéticas são assunto soberano e que não aceitará imposições de terceiros.
Moscou cria novos intermediários para driblar sanções
As sanções americanas visam especificamente refinarias que compram petróleo das gigantes russas Rosneft e Lukoil, principais fornecedoras da Índia. Isso criou um incentivo para que a Rússia reestruture sua cadeia de exportação.
Dados de exportação já indicam o surgimento de novos intermediários russos, empresas que atuariam como “sombra” entre as grandes petroleiras e clientes internacionais — uma tática comum entre países sancionados.
Segundo Homayoun Falakshahi, analista-chefe de petróleo da Kpler:
“Novos atores estão surgindo. É um sinal claro de que a Rússia já começou a reorganizar a cadeia de fornecimento. Em dois ou três meses, a maioria dos barris vendidos deve vir de empresas que não são Rosneft ou Lukoil.”
Atualmente, quatro das sete maiores refinarias indianas seguem processando majoritariamente petróleo russo, mesmo após o impacto inicial das sanções.
Preço baixo continua decisivo para a Índia
Com cerca de 90% de dependência externa para suprir sua demanda de petróleo, a Índia dificilmente abriria mão de um insumo tão barato — especialmente porque, após as novas sanções, o desconto do petróleo russo aumentou ainda mais, chegando a US$ 9 a US$ 10 abaixo do preço do petróleo do Oriente Médio.
De acordo com analistas, essa diferença pode gerar economia anual de até US$ 4 bilhões para as refinarias indianas.
June Goh, analista da Sparta Commodities, afirma:
“O desconto é simplesmente bom demais para que as refinarias indianas ignorem.”
O mercado petrolífero global parece concordar: após uma alta inicial, os preços voltaram a cair, o que indica ceticismo quanto à capacidade dos EUA de impor as sanções de forma abrangente.
Reliance é exceção — e mira petróleo venezuelano
A única grande exceção é a Reliance Industries, maior refinaria privada da Índia, que, desde novembro, interrompeu a importação de petróleo russo para sua unidade de Jamnagar, citando respeito às sanções dos EUA e da União Europeia.
A mudança também se explica pelo fato de que a UE — um grande mercado consumidor dos produtos da Reliance — já proibiu a entrada de derivados de petróleo de origem russa, ainda que refinados em um terceiro país.
Contudo, analistas acreditam que a recente captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças dos EUA e o consequente redesenho da política energética americana podem abrir espaço para que a Reliance volte a importar petróleo venezuelano, algo que já fez antes das sanções.
A empresa confirmou que está em negociações com Washington:
“Consideraremos comprar o petróleo de maneira plenamente compatível com as regras”, afirmou um porta-voz.
Dependência indiana deve retornar aos níveis anteriores
Mesmo com o choque inicial provocado pelas novas restrições dos EUA, analistas concordam que a reorganização russa permitirá que a Índia retome níveis próximos do recorde de importações já no início de 2026.
A combinação de preços baixos e novas brechas exploradas por Moscou torna improvável que as sanções atuais alterem, a longo prazo, o fluxo crescente de petróleo russo rumo ao mercado indiano.■
FONTE: The Guardian

Trump descobrindo da pior forma que o mundo mudou.
Na verdade não muito. A maior refinaria na Índia é privada e faz negócios dentro do quadrado.
Uso recorrente e dependente de intermediários aumentam os custos.
Existe também o risco de aumento do custo total de importação caso operadores indianos tenham que pagar mais por frete, seguro ou assimilar penalidades decorrentes de sanções.
A Índia deverá bancar também custos creditícios para compra de petróleo de intermediários e talvez, a vantagem competitiva de comprar petróleo russo com desconto de 10 dólares por barril, acabe diluída ou retorne ao desconto histórico de 2 dólares por barril.
Custos da paz.
A Rússia está sabendo usara bem a geopolítica do petróleo….. Isso é fato
Bem mal. PIB caindo e moeda que vale hoje 0,009 frente ao dollar.
Eles nem podem fazer negócios usando moedas fortes, importam mais nada do Ocidente devido às sanções. Produzem por lá ou importam um pouco de outros países com moeda fraca. O impacto do cambio deixou de ser importante por lá. Ficou ruim pro russo que viajava pra Paris, vivia em Londres, tinha iate em Monaco…
Pro russo médio, pouco mudou.
O PIB russo comparado com muitos países da Europa na zona economia europeia (UE) …tá mau?
Esses russos são petulantes viu, se recusam a obedecer as sanções impostas pela OTAN através dos USA. Já pensou se o Tarcínico MAGA ou EnfiZema fossem presidente da Rússia.
Petróleo e gás barato significa custo de vida mais baixo e aumento da competitividade da sua indústria nacional com produtos com preço (custo de produção baixo $$) para competir em novos mercados.
Mostra como a Russia está nas mãos da China e India.
Russia é um Posto de combustivel e mais nada.
Talvez não seja uma boa hora para os indianos arrumarem desavenças com os EUA, ainda que comerciais, hoje mesmo os chineses tiraram uma com os indianos sobre o conflito com o Paquistão e a derrubada de aeronaves indianas, é óbvio que o envolvimento dos chineses e paquistaneses vai muito além do fornecimento de equipamentos, a situação dos indianos estando no meio de dois inimigos é bem complicada, o único que tem força para estender a mão de fato são os EUA, ou alguém acredita que essa rivalidade histórica de indianos e chineses vai ser esquecida só por conta do brics+-*yghw.
Oxe, mas quem está criando desavenças são os americanos kkkkkk a rivalidade existe, mas a postura histórica da India sempre foi de “não alinhamento”.
Vamos partir do principio que a culpa é dos EUA, sem esquecer que as sanções foram aplicadas pela Europa também, a questão é qual ou quais aliados de peso os indianos tem que a China respeita, chineses e paquistaneses não estão para brincadeira e já deixaram isso bem claro para os indianos várias vezes, mas é lógico que os indianos colocaram tudo na balança e chegaram a conclusão que vale a pena se distanciar dos EUA.
Com sanção ou sem sanção os EUA nunca foram aliados dos indianos da forma que você está falando, apenas vendem armas e um ou outro exercício naval, eles não “chegaram à conclusão” que vale a pena se distanciar dos EUA, os americanos tentaram forçar os indianos a algo e eles reafirmaram sua soberania, totalmente condizente com a postura indiana pelo mundo.
Estão a ponto de fechar um acordo para 114 novos Rafale, negociando os SU-57 e por aí vai, a tentativa dos americanos de forçar a India a algo falhou miseravelmente.
“os americanos tentaram forçar os indianos a algo e eles reafirmaram sua soberania, totalmente condizente com a postura indiana pelo mundo” qual parte da censura não ser só dos EUA você não entendeu, a tá, mas os malvadões do norte são os culpados de tudo, isso porque a origem dessas sanções é um problema Europeu que os malvadões do norte tiveram que socorrer como sempre.
Eu não disse que foram só os EUA, seu comentário inicial foi sobre eles, não sobre os europeus, e meu comentário persiste sendo os EUA, a Europa, os Klingon…
É os americanos(mais especificamente o modo TRUMP de governar, ou dá ou desce) estão com uma metodologia de governança diferente, agora eles estão mais ostensivos querendo forçar via fator econômico decisão dos países, ou como estamos vendo no caso do canal do Panamá, Venezuela, possivelmente o Irã, ameaçando ou tomar na mão grande ou criar atrito interno para desestabilizar, quem não tiver de acordo com seus interesses. É um antigo estilo em um novo player.
A participação dos Estados Unidos no Produto Interno Bruto (PIB) mundial diminuiu cerca de 50% desde a década de 1970, embora o país continue sendo a maior economia do mundo em termos nominais
.
Na década de 1980, a participação dos EUA no PIB mundial atingiu um pico de aproximadamente 35,3% (em 1985).
Em 2023, essa participação era de cerca de 26,3%. Outros dados recentes, de abril de 2025, indicam uma participação de 14,7% (valor que pode se referir ao PIB por Paridade do Poder de Compra, onde a China ocupa a primeira posição).
A queda reflete o crescimento mais rápido de outras economias, principalmente a ascensão notável da China a partir de 1979, após sua abertura ao mercado global.
Apesar dessa redução relativa na participação global, a economia americana demonstrou notável estabilidade ao longo das décadas, mantendo-se como uma força dominante impulsionada pelo setor de serviços, inovação e um grande mercado interno.
Essa queda na participação americana no PIB global reflete na perda de efetividade que essas medidas econômicas vem apresentando.