Primeiro-ministro canadense diz que há uma ‘ruptura’ na ordem mundial em discurso no Fórum de Davos
Davos, Suíça — O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, afirmou nesta terça-feira (20) que a atual ordem mundial, liderada pelos Estados Unidos e baseada em normas internacionais, está passando por uma “ruptura” profunda, e não apenas por uma simples transição, durante discurso proferido no Fórum Econômico Mundial 2026, em Davos.
Em endereço a líderes políticos, empresariais e representantes diplomáticos, Carney declarou que o sistema global de regras, instituições e cooperação que prevaleceu desde o fim da Segunda Guerra Mundial está “desmoronando” diante de uma nova realidade de rivalidade entre grandes potências, do uso de ferramentas econômicas como arma e do unilateralismo. “A ficção de uma ordem baseada em regras foi útil, mas nós estamos no meio de uma ruptura, não de uma transição”, disse o primeiro-ministro canadense.
O premiê canadense argumentou que o antigo modelo internacional — que dava ênfase à estabilidade proporcionada por hegemonias, padrões comerciais e instituições multilaterais — já não protege as nações pequenas e médias. “Não se pode mais esperar que o cumprimento das regras garanta segurança. Isso não acontecerá”, afirmou, referindo-se à crescente prática de grandes países de utilizar integração e acordos econômicos como instrumentos de pressão política.
Carney ressaltou que países de porte médio, como o próprio Canadá, devem coordenar políticas e estratégias entre si para preservar valores como soberania, direitos humanos e integridade territorial, em vez de depender de alianças tradicionais que já não oferecem garantias completas. “Se não estivermos à mesa, estaremos no cardápio”, disse, enfatizando a necessidade de uma ação conjunta entre nações que compartilham princípios semelhantes.
O discurso do primeiro-ministro canadense ocorreu em um momento de intensificação das tensões geopolíticas, especialmente com os Estados Unidos e sua retórica sobre temas como a Groenlândia e as tarifas comerciais, que têm gerado divergências profundas entre Ottawa, os aliados europeus e Washington.
A fala de Carney foi recebida com aplausos no fórum, sendo interpretada por analistas como um sinal de que o Canadá busca diversificar sua política externa, aliançando-se a mais países e reduzindo a dependência de mecanismos tradicionais de segurança global.
Embora Carney não tenha citado diretamente o presidente Donald Trump em seu discurso, suas referências a práticas de hegemonia e ao uso da integração econômica como forma de coerção foram amplamente interpretadas como críticas implícitas às políticas externas dos EUA sob a atual administração.
Especialistas dizem que o discurso de Davos pode marcar uma nova fase na postura internacional do Canadá, que, nos últimos meses, tem buscado reforçar laços com outras potências, incluindo a assinatura de parcerias estratégicas com a União Europeia e a China.
A abordagem de Carney destaca que, na visão de Ottawa, a ordem internacional precisa se adaptar a um mundo de rivalidades acentuadas, em que países de médio porte devem construir coalizões pragmáticas e defensivas para assegurar seus interesses e contribuir para um novo padrão de cooperação global.■

Não deixa de ser engraçada a situação canadense, se é que pode se dizer que seja engraçado é claro, a pouco tempo e por diversas vezes os chineses fizeram graves ameaças aos canadenses, assim como russos também os ameaçaram, e agora partindo para um rompimento com os EUA, literalmente no mato sem cachorro.
Caro José, consigo responder à sua questão com uma palavra apenas: Pragmatismo
Essa costuma ser a melhor opção principalmente para líderes que usam o bom senso, e especialmente para quem não tem um big stick, mas quem opta pelo pragmatismo não costuma falar demais.
Ele está em se equilibrando em cima da navalha… Muito passivo, Trump passa por cima, muito agressivo, Trump aumenta as ameaças e sanções. Precisa estar num meio termo, e perder o mínimo no processo. A maior ameaça ao Canadá desde muito tempo. E não está sozinho, a maioria dos países vive dilema parecido, só que no caso é o maior vizinho, e sua convivência é obrigatória. Fechar as fronteiras e virar as costas não é opção.
Eu gostei bastante do discurso do Mark Carney por dois motivos:
Primeiro porque ele foi extremamente lúcido e pragmático em afirmar que a ordem mundial, como a conhecemos, acabou. Segundo porque ele tentou chamar a atenção das outras “middle powers” – como ele mesmo classificou – na tentativa de se unir em torno de um objetivo comum, o de manter a sua soberania.
Quando nenhuma nação do G7 e dos outros principais países da EU condenou o sequestro do Maduro, eles passaram o último cheque em branco que o Trump precisava para lançar mão da força bruta sempre que ele julgar necessário.
E não tô aqui defendendo o verme do Maduro, que não passa de um fantoche do regime chavista na Venezuela, estou falando de soberania.
EDITADO:
COMENTARISTA BLOQUEADO.
Chegou mais cedo e encontrou um camarada né?
A internet deixou seu cérebro podre?
Vou como brasileiro, um país que já foi sede do império português, lembra da ” história “: Macau, entreposto português, principal ponto comercial entre o Ocidente e a China, resistindo a concorrência de outras potências coloniais por quatro séculos, durou até 1999. Da para ver quem é que vai virar mulher rsrsrsrs
Veremos, se o que diz, ” há uma ruptura”, porque se não é uma transição, uma ruptura pode ser reparada lá no futuro em outro governo americano, e o melhor indicador da mudança de entendimento da postura canadense será a decisão sobre a compra dos Gripen E. Estão costurando um acordo comercial com o Brasil, previsão de aumento de 20% de aumento no comércio entre os dois países, Canada acabou de fazer acordo com a China, abre seu mercado para carros elétricos e a China para seu Agro, poderia o Brasil ganhar, sendo a única onde a China tem o maior foco em desenvolvimento de plataforma industrial de carros elétricos e híbridos, com seus gigantes navios especializados na logística, esses acordos Brasil Canadá – Canadá China pode ser proveitoso para nós.
Caro Nilo, certa vez li uma matéria explicando como as economias brasileira e canadense são complementares e não competidoras, em grande parte.
Exportam muito petróleo e minerais como o Brasil. Mas tem espaço para sinergia.
Pessoalmente, acredito que esse acordo com a China sobre carros eletricos complica um pouco da imagem dele especialmente em Ontario, onde estão as montadoras. Por outro lado, esse acordo com a China repercutiu mais no EUA que uma futura compra de gripens.
“A ficção de uma ordem baseada em regras foi útil, mas nós estamos no meio de uma ruptura, não de uma transição”,
Até ontem não era ficção.
“Quando a água bate na bunda, a gente aprende a nadar!”
Mark Carney trata abertamente de um fato consolidado. Outros líderes,independentemente de quão reprováveis são, já expõe essa ruptura de forma direta.
As alianças serão rearranjadas sem o verniz hipócrita de valores e interesses mútuos além de dinheiro e força bélica.
Narrativas criativas que justifiquem invasões e incorporações territoriais serão cada vez menos necessárias, falácias como: armas químicas do Iraque, reatores de enriquecimento nuclear do Irã, defesa de populações russas na Ucrânia, fronteiras históricas, presidente chefe de cartel levado a julgamento, plebiscitos e eleições fraudulentas.. .tudo se torna tão supérfluo..
Pra que fingir que a China tem algo a aprender com democracia do Ocidente? Ou que a Europa se importa com questões ambientais e indios? Ou que autosobrevivência nacional justifica as ações do governo Bibi? Ou que imigração de povos da Africa e Oriente Médio é de refugiados?
Soft power foi pro vinagre, na nova ordem mundial meio fio bem pintado não servirá nem pra aquecer coração dos fãs de generais defensores do establishment.
O meio ambiente está em pauta, só não esta para Trump, até mesmo a China teve uma presença proeminente apesar de não ter assumido liderança.O Trump, são espasmos, soluços. A China o que fez nestas últimas décadas foi aprender e muito com o Ocidente rsrsrs
Infelizmente a questão climática não é uma falácia, mas talvez o alarmismo exagerado na questão seja.
A questão climática não é uma falácia, se em 2026 a pessoa não consegue entender que o capitalismo funciona sob a lógica de crescimento infinito em um planeta de recursos finitos, fica difícil.
Em Davos mita gente ficou de olhos abertos e de boca caída quando o imperador Trump começo o seu discurso ditatorial….quem diria um dia um presidente dos USA chegar a esse ponto …como caiu o império ..começa assim que nem todos os impérios do passado.
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Trump esqueceu da historia…. ou melhor…foi péssimo aluno em historia…não entendeu nada…sobre a segunda guerra mundial, em que o exército vermelho soviético absorveu para mais de 50% da carga bélica nazista …..Os americanos não aguentaria 100% …caso fosse somente eles e os nazistas.
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Na primeira batalha entre o exercito americano no oriente médio ….quando eles entram em combate pela primeira vez contra o Afrika korp, foi triste …rsrs..e quem os tirou daquele atoleiro …foram os britânicos que aliviaram as coisas para eles.
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Trump só falo mentiras e lorotas…humilhou os europeus e esqueceu que foi justamente na Europa que começou e terminou duas grandes guerras mundiais…e se tem uma coisa que pessoas arrogantes…prepotentes..presunçosa não admite é ser humilhada e o cara fez isso lá dentro na casa deles…..que coisa!…rsrsr
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Será que o Trump não tem medo que …quem já vez duas guerras mundiais…DUAS! …para fazer uma terceira e colocar os USA bem no centro ….. não custa nada.
“Na primeira batalha entre o exercito americano no oriente médio ….quando eles entram em combate pela primeira vez contra o Afrika korp, foi triste …rsrs..e quem os tirou daquele atoleiro …foram os britânicos que aliviaram as coisas para eles.”
Isso não tira o mérito americano, Moscou sofreu a maior derrota militar da história na primeira batalha de Kiev, quando 700 mil soldados soviéticos se renderam para 300 mil alemães. E derrotas colossais nessas proporções ocorreram a rodo no começo da Barbarosa.
Mas concordo que a resiliência europeia, de Portugal á Moscou, é maior. Europeus, muito menos uma união deles, não é um adversário fácil pra se enfrentar.
Sr.Iran
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Tenho uma duvida..caso o senhor possa resolver ?
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A questão da Inglaterra com a Rússia se tem uma ideia que seja questão por dominação geopolítica continental …a França também..acredito que a Alemanha seja pois, por questões históricas foram por isso que estes países entraram em Guerra .
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Lembrando que a Alemanha é mais perto da Rússia do que a França e ela já foi invadida e ocupada pelos soviéticos(russos).
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A Inglaterra já é mais longe das guarras do urso…tem uma canal da mancha para ser superado.
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Já o Portugal ???? ..o que de perigo a Rússia reprenda para geopolítica.. portuguesa…o quê Portugal ganha ou perde com o império russo.
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No Brasil tem uma expressão popular que diz: ” Maria vai com as outras”…será que é o caso de Portugal?
Lucena, creio que o caso de Portugal seja o da dependência do euro e do mercado europeu, digamos que hipoteticamente a Rússia comece a desmantelar a União Europeia, e entre num enfretamento direto vitorioso contra a Alemanha ou França, países esses que funcionam como o motore econômico do bloco, a economia portuguesa também ruiria como consequência, mesmo que a Rússia não invadisse ou atacasse Portugal diretamente, a economia de outras nações menores do continente tbm ruiriam nesse cenário, por exemplo, a Bélgica simplesmente deixaria de ter qualquer importância global mínima num mundo onde a União Europeia fosse dissolvida, por isso que países que por mais que nunca tenham historicamente sofrido ameaça da Rússia, como por exemplo a Holanda, Portugal, Grécia, Bélgica, etc apoiam a UE e OTAN incondicionalmente. A Europa, principalmente seus países pequenos e médios, dependem exclusivamente da união do continente para terem relevância e manterem o padrão de vida alto, pq fora de uma união, eles não teriam relevância alguma, o que seria o caso de Portugal tbm ao meu ver. Sem colônias de extração, a economia europeia só se mantém com o status de superpotência se estiverem muito bem unidos.
A explicação anterior é mais pragmática, mas tbm acho que há uma resposta ideológica; os fundamentos políticos e filosóficos-humanitários da União Europeia são baseados no liberalismo clássico do século XVIII (revolução francesa, americana e Kant) que foi evoluindo conforme o tempo, esse liberalismo clássico institucionalista (ideológico, não econômico) é o responsável pela criação de diversos Estados modernos e instituições multilaterais, incluindo Portugal, e todos os outros estados ocidentais (o que incluí também o Brasil, sempre muito inspirado na França) e a própria União Europeia, então os valores compartilhados tornam naturalmente Portugal alinhado com o resto da Europa na forma de ver o mundo, já a Rússia tem uma forma muito própria e oriental de enxergar as coisas, uma forma que por mais que seja moderna, portanto inspirada em partes pela revolução francesa, ela não tem nada de liberal-humanitária, portanto é uma visão alienígena pro ocidental, o que torna naturalmente o russo algo muito exótico pro portuguê, e diferente do espanhol, francês, italiano, alemão, inglês etc já que eles todos tem a mesma base política fazem séculos. A relação entre os europeus ocidentais modernos seria parecida com a relação que os gregos tinham com os romanos pela sua filosofia, mitologia, política etc em comum, eram similares se viam quase como iguais, mas eles veem os russos como o romanos e gregos viam os germânicos: bárbaros.
Curioso mencionar que até 70 anos atrás os ocidentais viam os alemães como esse bárbaro não diferente dos russos, justamente pq os alemães, apesar de influenciados pela revolução francesa, não aderiram ao liberalismo, por fatores históricos diversos preferiram um imperador e um estado militarista prussiano, por isso Churchill chamava os alemães de “hunos”, essa dicotomia se encaixa perfeitamente na competição entre Atenas, democrática, talassocrática (poder economico-naval), cosmopolita e mais libertina, contra Esparta, fechados, quase proto-socialistas, militaristas, rígidos e extremamente Tradicionais e telúricos (poder terrestre), ou seja, é coisa antiga na Europa, é apenas uma repetição de um ciclo histórico milenar, até parei para pensar nisso agora escrevendo essa resposta, mas Platão menciona a batalha da libertina, comercial e baseada no mar Atlântida, lutando contra a marcial, terrestre e tradicional Atenas… Enfim, acho que Platão percebeu que existem ciclos onde civilizações mais fechadas e abertas se matam entre si, e criou/adptou um mito para ilustrar o fenômeno, que é como mitos funcionavam no mundo antigo.
Todos os países sofrem derrotas colossais para a Alemanha nazista nos primeiros anos, a máquina de guerra nazista foi parada pela primeira vez nas batalhas do ártico.
O exército vermelho de 1941 é um, o de 1943 em diante é outro completamente diferente.
Sim, concordo, o mesmo vale pro americanos, por isso que acho que não tem como desmerecer nenhum dos mencionados EUA e URSS, na segunda guerra humilhados pelo eixo quase todos foram em algum momento, Reino Unido, França, URSS, Polônia, Dinamarca, Holanda, Bélgica e por ai vai, mas o que saiu menos feio na foto foi os EUA, tiveram alguns problemas no começo da campanha da África e Pearl Harbor, que foi mais uma covardia japonesa do que uma humilhação pros EUA na minha opinião
A máquina de Guerra Nazista foi parada pela primeira vez na Batalha da Inglaterra.
Esse assunto “quem foi que derrotou os nazistas na II GM” já virou tipo a Lei de Godwin da Trilogia: à medida que as argumentações sobre geopolítica se prolongam, a probabilidade de alguém dizer que foi os EUA ou a URSS que derrotaram a Alemanha tende a 100%.
Infelizmente. É um debate ridículo e altamente improdutivo.
Isso mostra o quão a abordagem à História neste país é bizarra. Culpa nossa, e isso vbem de gerações e gerações atrás. Parece que temos uma mania feia de vestir uma camisa e escolher um lado qualquer e defendê-lo e enaltecê-lo com unhas e dentes, inclusive modificando a História para deixá-lo mais bonitinho aos olhos de quem quer que seja. Somos personalistas demais em tudo.
Bizarro demais.
O exército vermelho derrotou 75% das forças nazistas, os outros 25% ou foram para a corda no lado oriental ou foram ocupar grandes cargos públicos do lado ocidental.
Isso é inverdade, por mais que o ocidente tenha passado mais pano pra ex-nazistas, a URSS tbm fez isso em algum grau, milhares foram reintegrados na máquina estatal da Alemanha Oriental pq eram competentes militarmente e na administração, o mesmo motivo que fez o ocidente tbm manter gente assim no Estado alemão ocidental.
Vários entraram pro exército e polícia secreta oriental. Vicenz Muller é um exemplo, e até irônico pq ele participou ativamente da operação barbarossa no grupo de exército norte, era nazista, e Moscou deixou ele se tornar general da DDR.
Cara, repetir essa narrativa absurda, não vai mudar a História.
A segunda guerra terminou no Japão e os americanos lutaram no pacífico