Yuan

Pequim — O presidente Xi Jinping defendeu explicitamente que o renminbi — a moeda chinesa, também conhecida como yuan — alcance o status de moeda de reserva global, ampliando seu uso no comércio internacional, nos investimentos e nos mercados cambiais e reduzindo a dependência mundial do dólar americano, segundo declaração publicada recentemente pela revista oficial Qiushi.

Em comentários que refletem metas de política econômica e financeira de longo prazo de Pequim, Xi argumentou que a China precisa construir uma “moeda poderosa” apoiada por um banco central forte, instituições financeiras competitivas e centros financeiros internacionais capazes de atrair capital global e influenciar precificação global.

A iniciativa integra uma estratégia mais ampla de internacionalização do renminbi e de fortalecimento do sistema financeiro chinês, que, segundo autoridades do governo, teria o objetivo de reduzir vulnerabilidades associadas à hegemonia do dólar e de responder às transformações na ordem econômica global.

O movimento ocorre em um contexto em que outras nações buscam diversificar suas reservas e reduzir os riscos associados à moeda americana, ampliando o espaço para moedas alternativas nas negociações de reservas e nas transações internacionais.

Analistas destacam, porém, que o renminbi ainda representa uma fração pequena das reservas oficiais globais, apesar de ter avançado em certos segmentos de financiamento de comércio, e que alcançar o status pleno de moeda de reserva dependerá de reformas profundas no sistema cambial e financeiro da China.■


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Macgarem
Macgarem
5 dias atrás

É tão global qu eu nunca tinha ouvido falar desse nome oficial kkk

Como diz os jovis hoje:”A china está agressivando”

Pedro Rabelo
Pedro Rabelo
Responder para  Macgarem
5 dias atrás

E precisava você ouvir falar pra moeda ser validada como “global”??Quer dizer que agora se tornou global depois de Macgarem,tipo Renminbi B. M(before Macgarem) e Renminbi A. M(after Macgarem)?

André Macedo
André Macedo
5 dias atrás

Estava pensando sobre isso esses dias, nada impede tecnicamente os EUA de imprimirem dólares artificialmente, visto que a moeda deixou de ser lastreada em algo físico (ouro) e passou a ser um “sinal de confiança” na economia e estabilidade americanas.

Com isso, todos os líderes mundiais ficaram confortáveis na situação, até pq ninguém acreditiaria que os EUA fariam algo absurdo assim com a economia global, mas com Trump começando a testar os limites do absurdo é mais que certo buscar alternativas ao dólar, mesmo que comecem em um nível bem menor como é o caso da moeda chinesa.

JuggerBR
JuggerBR
Responder para  André Macedo
5 dias atrás

Veremos quem é o nome do novo presidente do FED, indicado pelo Trump. Dependendo de quem for, veremos coisas assim e ainda piores.

Comenteiro
Comenteiro
Responder para  JuggerBR
5 dias atrás

Ele quer um homem chaamdo Kevin Warsh, que aperce ser citado nos arquivos do falecido Epstein.

JuggerBR
JuggerBR
Responder para  Comenteiro
5 dias atrás

Porque não me gera nenhuma surpresa… esses caras andam sempre juntos…

Cerberosph
Cerberosph
Responder para  André Macedo
5 dias atrás

Eles já fazem isso a tempos, por isso conseguiam manter 800 bases pelo mundo, pois os outros países entesouravam o dólar, agora os países estão comprando ouro e outras moedas e se livrando do dólar, por isso o dólar em queda

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  André Macedo
5 dias atrás

O mundo está trocando de agiota. A China é o país com mais capacidade de investimento no mundo hoje. Estão tentando comprar a dívida em dólares da maioria dos países, oferecendo Yuan com um valor de transação equivalente menor. A entrada de bancos chineses no mercado doméstico tem o potencial de reduzir as taxas de juros. Se China falar para o Agro que só compra se for em Yuan, a única opção é aceitar.

ln(0)
ln(0)
Responder para  Palpiteiro
4 dias atrás

O poder de barganha está com o agro, porque a China precisa dele, é quase uma questão existencial. Os outros países com capacidade equivalente ao Brasil no agro são os EUA e Argentina e com esses não sei se eles teria sucesso. O Yuan só “pega” no Brasil se o agro quiser receber em Yuan.

Jacinto Fernandes
Jacinto Fernandes
Responder para  André Macedo
5 dias atrás

A Nasdaq – que não é exatamente um antro do comunismo internacional – estima que em 2021, na esteira a pandemia, os EUA imprimiram US$ 13 trilhões – (cerca de 60% do PIB deles na época) o que causou a alta na inflação nos EUA e que ainda persiste..

Carlos Campos
Carlos Campos
5 dias atrás

Seria ruim para China, acredito que ainda é muito cedo para isso

Alexandre Costa
Alexandre Costa
Responder para  Carlos Campos
5 dias atrás

Por que seria ruim para a China?

Josè
Josè
Responder para  Alexandre Costa
5 dias atrás

Na “modalidade” econômica da China moeda forte é um péssimo negócio, alias até os do norte estão achando ruim ter moeda forte.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  Josè
5 dias atrás

me falaram que os EUA iam baixar o valor do dolár, eu desacreditei, e estou vendo isso, vai entender o que a Elite americana tá pensando.

Jacinto Fernandes
Jacinto Fernandes
Responder para  Alexandre Costa
5 dias atrás

Porque a economia chinesa – exportadora – funciona melhor com uma moeda enfraquecida.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  Alexandre Costa
5 dias atrás

Por que ia deixar os produtos caros, como são um país exportador, é melhor manter uma moeda mais fraca, barateia os produtos frente a EUA, Suíça, Alemanha, Vietnã e outros mega exportadores ou industrias de ponta.

Eromaster
Eromaster
Responder para  Carlos Campos
5 dias atrás

Você sabe mais que o governo Chinês, “gênio”.

Tá cheio de especialistas de sofá por ai.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  Eromaster
5 dias atrás

Eu sabo, me diz aí como que isso beneficia a industria chinesa? deixa os produtos menos competitivos, a não ser que vc sabe o que se passa pela cabela das autoridades Chinesas, qual é o xadrez 4d que eles estão jogando, diz aí? já que tá defendendo tão agressivamente essa estratégia.

Alexandre Costa
Alexandre Costa
Responder para  Carlos Campos
5 dias atrás

Talvez, e poe talvez nisso, eles estejam se prevenindo de uma eventual concorrência industrial mais forte, como a Índia. E se isso ocorrer, eles têm bala na agulha para tentar tomar a posição dos EUA nessa área.

Puro chute meu, mas é o que me parece mais plausível.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  Alexandre Costa
3 dias atrás

pra manter a India atrá é necessário ser mais competitivo, ter uma moeda mais forte então seria um tiro no pé.

deadeye
deadeye
Responder para  Carlos Campos
4 dias atrás

Você esqueceu de considerar no seu calculo, a vantagem comparativa que a China tem pela escala de produção.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  deadeye
3 dias atrás

Vantagem comparativa é boa e levei em consideração, a não ser que em nenhum outro lugar do mundo exista a capacidade de se fazer estradas portos e treinar mão de obra, a China hj tem a melhor vantagem comparativa do mundo, vai ser assim pra sempre? hj em termos de roupas já é mais barato fazer em Bangladesh, índia Vietnã, utensílios plásticos já mais vantagem também, e por aí vai, a China em questão de roupas tá criando marcas próprias, e fazendo copia das melhores marcas do mundo, simplesmente fazer o mais barato possível não é mais competitivo para eles.

deadeye
deadeye
Responder para  Carlos Campos
3 dias atrás

O simples “tamanho” do mercado chines já garante essa vantagem comparativa.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  deadeye
2 dias atrás

por enquanto é, não sabemos o futuro, moeda forte pode abrir espaço para outros competirem.

JuggerBR
JuggerBR
5 dias atrás

A China ‘joga parada’ enquanto o dólar derrete pelas decisões alucinadas do Trump. O Euro tem a chance de se consolidar como moeda segura, embora tenha lá algumas questões de estabilidade, por conta de divergência entre os membros da união europeia.

Jacinto Fernandes
Jacinto Fernandes
Responder para  JuggerBR
5 dias atrás

Eu tenho a impressão de que os países vão começar a diversificar as suas reservas. O Dolar permanecerá importante, mas vai dividir esta condição de ativo de reserva com outras moedas, como o Euro, o Yuan e ativos como ouro.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  JuggerBR
5 dias atrás

os EUAestão deliberadamente enfraquecendo o dolár, já era visto isso desde o ano passado, não é um erro, é uma ação conciente, o que eu acho errado.

Paulo
Paulo
Responder para  JuggerBR
4 dias atrás

Esta é a leitura da mídia ocidental. A China joga parada. Só que não. Ela só não é imediatista. Seus planos são sempre de longo prazo, e meticulosa e rigorosamente cumpridos, passo à passo.Veja o plano de exploração espacial da China. Ela jamais vai entrar numa corrida com quem quer seja, muito menos com os EUA. Os EUA acham que estão nessa corrida, só eles. A China não.
Eles irão pra Lua. Sem dúvida, no ritmo planejado por eles, passo à passo. Na NASA, só reina ansiedsde e confusão, com pressão constante de Trump por resultados. Elon Musk, ao que parece, perdeu interesse em entrar nessa corrida, já que se afastou de Trump. A NASA precisa de Musk para descer na Lua, com aquele monstro da Starship, que pelo ritmo da coisa, não vai cumprir com os prazos da NASA. E ele está pouco se lixando com isto. Enquanto isto, a China toca o barco, no ritmo dela, observando, mas não parada.

Esteves
Esteves
5 dias atrás

Chi…a hora da zona morta está chegando. Demora. Mas chega.

Xi está dizendo que a China quer que o yuan seja mais usado no mundo — não só em comércio, mas também guardado pelos bancos centrais como reserva de valor. Isso não vai acontecer da noite para o dia, porque o yuan ainda não tem liquidez, confiança e liberdade X dólar e euro.

Incrivelmente, depende da própria China iniciar esse movimento permitindo a entrada e saída (com liberdade) de dinheiro.

O Banco Central da China não é independente. O nosso é e isso tem impedido aventuras e desvalorizações, vide Banco Master. Certo?

Quem solta o ferro? O estado ou o mercado?

Paulo
Paulo
Responder para  Esteves
5 dias atrás

Boa pergunta. O pessoal da China deve estar pensando o seguinte: O que se ganha e o que se perde com a moeda se transformando em reserva global e meio de pagamento mundiai no meio dessa confusão trumpista ?
Creio que agora, nesse período de transição, com um império em lenta agonia, e estrebuchando no chão, espalhando desordem, incertezas e perigos geopolíticos pra todos os lados, é uma temeridade pra China. Eles, creio, vão esperar algum tempo, até o imperio agonizar de vez. Depois, com tranquilidade, vão negociar com o que restar disso tudo um modus vivendi financeiro.

JuggerBR
JuggerBR
Responder para  Paulo
5 dias atrás

O que eles teriam a perder? Eua virou o que virou sendo entre outras coisas, a referencia mundial monetária…

Paulo
Paulo
Responder para  JuggerBR
5 dias atrás

Sim, foram a referência mundial. Hoje, viraram referência da patacoada mundial.
Há algumas semanas, Trump se reuniu com as petroleiras americanas para drill,drill na Venezuela.
Trump : A Venezuela é nossa ! Agora voltem lá e façam a sua parte.
CEOs : Não vamos voltar. O equipamento está todo sucateado, o investimento é altíssimo, e o retorno incerto.
Trump : Como assim ? A China está lá tirando petróleo.
CEOs : Gênio ! encontrou a solução! Convide a China pra explorar o petróleo de lá.

Semana passada, Trump numa entrevista durante um vôo :
“A China é bem-vinda para explorar petróleo na Venezuela ”

Comentário meu : Mandou um carrier strike para tomar a Venezuela, e depois…. deixar a China entrar . Gênio!

JuggerBR
JuggerBR
Responder para  Paulo
5 dias atrás

Desde que o dele seja pago na lavanderia preferida, não importa se quem paga é um chinês ou um texano de chapéu…

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Paulo
5 dias atrás

Eles já devem ter pensado isso a pelo menos 40 anos. Eles se propõe a comprar o dólar. Considerado que o dólar está se desvalorizando, quem tem está de cabeça quente. No mundo dos investimentos diversificar é a forma mais comum ré reduzir o risco.

Carlos Campos
Carlos Campos
Responder para  Esteves
5 dias atrás

Duvido o PCC deixar o BC Chines agir sozinho, o Imperador Xi manda sumir com quem falar isso, sem autonomia a moeda deles nunca será reserva de valor, sem livre entrada e saída dos valores nunca será, quem vai confiar no Xi e no PCC? eu não vejo ninguém

EduardoSP
EduardoSP
5 dias atrás

Tudo é uma questão de confiabilidade e segurança.
Se você confia no governo chinês, compre renminbi.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  EduardoSP
5 dias atrás

Exatamente, somasse a isso o fator diversificar para reduzir o risco.

sub urbano
sub urbano
5 dias atrás

Existem ainda 4 fatores q impedem a China de virar a mesa em relação ao dólar, são eles:

1 China não quer. O status quo esta mto favoravel a China com uma moeda desvalorizada. É o país q mais cresce no mundo em valores brutos, maiores exportadores do mundo, etc.

2 EUA ainda possuem as maiores reservas bancarias de ouro, uma boa parte das reservas mundiais. Veja bem, bancárias, as maiores reservas minerais de ouro pertencem a Russia.

3 EUA são os maiores importadores de petróleo, td esse valor negociado em dólar.

4 EUA são os maiores importadores de bens de consumo do mundo, td esse valor negociado em dólar.

Todos esses fatores dão ao Dólar, mesmo q nao tenha lastro em ouro, seja a moeda mais segura q existe. Por enquanto.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  sub urbano
5 dias atrás

Está análise está bem furada. O item 1 a matéria está justamente falando que a China quer. No item 3 os maiores compradores de petróleo do mundo hoje é a China. Com relação ao 2 tem que ver em quanto a moeda está alavancada, não o valor absoluto do lastro. Item 4, são responsáveis por 14% das compras globais, mas nunca existirá somente uma moeda de lastro no mundo.

Jacinto Fernandes
Jacinto Fernandes
Responder para  sub urbano
5 dias atrás

Segundo a CIA, os EUA não são mais os maiores importadores de petróleo há alguns anos, este posto é hoje da China.

Farewell
Farewell
5 dias atrás

…..bom, só falta eles, chineses, combinarem com os americanos, europeus, japoneses, sul coreanos, sauditas, israelenses, sul africanos, argentinos e outros tantos espalhados por esse planeta, inclusive brazucas……

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Farewell
5 dias atrás

Já é a segunda principal moeda das reservas brasileiras. A África está se convertendo maciçamente ao Yuan como reserva e dívida. Muitos países contraindo dividas em Pandabonds. Nos Brics e sul global eles tem avançado.

Jacinto Fernandes
Jacinto Fernandes
5 dias atrás

No ano passado, pela primeira vez em mais de 3 décadas, há mais ouro do que dolar nas reservas internacionais dos Bancos Centrais.

Este é um cenário que vem se apresentando já faz um tempo, mas a questão é: faz sentido abandonar o dolar para abraçar o yuan? A resposta não é tão simples, e o mais provável é que salvo, os países muito alinhados aos EUA, a maioria dos países vai começar a fazer um mix de reservas, com ouro, dolar e yuan.

Carlos I
Carlos I
5 dias atrás

Alguns países aos poucos vão aumentar às reservas, principalmente os que negociam bastante com a China, muitos aqui confundiram com virar moeda de comércio ou para turismo, para comércio está um pouco mais distante, já para turismo muito muito longe.

A primeira vez que comprei um pouco em papel moeda foi em 2023 que planejava parar 2 dias em um stopover, foi difícil achar e manter a foto do Mao na carteira já me dava um sentimento ruim, vou agora mês que vem de novo, agora para passear uns bons dias e nem pretendo pegar o papel moeda.

Palpiteiro
Palpiteiro
Responder para  Carlos I
5 dias atrás

Agora é praticamente tudo digital. Já tem que levar instalado WeChat e alipay.

Sequim
Sequim
5 dias atrás

O que mantém uma moeda como referência mundial de valor é o soft power do país emissor, mais até do que o poder militar.Soft power no sentido de capacidade de influência e sedução. No século 19 era o soft power do Império Britânico que tornava a libra esterlina a moeda de referência do comércio mundial. No século 20, foi o soft power americano com sua influência política no mundo todo. A China terá essa influência? Alguém imagina a Índia, o Japão e os países do Sudeste Asiático,países com os quais a China tem rusgas históricas e atuais tendo o yuan como moeda de reserva?

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Sequim
2 dias atrás

“A China terá essa influência?
Alguém imagina a Índia, o Japão e os países do Sudeste Asiático,países com os quais a China tem rusgas históricas e atuais tendo o yuan como moeda de reserva?”

E qual o problema amigo?! Então quer dizer que só porque países tem pendências entre eles, irão deixar de adquirir reservas em dinheiro ou commodities?!

Ou você acha que caso o Peso argentino começasse a valorizar em valores excepcionais e atraentes, o banco central da Inglaterra não iria adquirir?!

Ninguém rasga dinheiro não, se a moeda chinesa está valorizando ou aumentando seu uso no comércio, você acha que nações deixarão de adquirir tal moeda só por causa de algumas rusgas mal resolvidas?!

Os países do Sudeste Asiático estão aumentando suas reservas em yuan chinês (RMB) e promovendo seu uso no comércio para diversificar sua base econômica, reduzir a dependência do dólar americano, diminuir os choques cambiais e se alinhar à integração econômica da China.
Os principais fatores incluem o crescente status internacional do RMB, as redes regionais de swap e o crescimento da liquidação comercial.

Entre os países que aumentaram significativamente suas reservas e uso do yuan chinês (RMB) estão a Rússia, o Brasil e a Argentina, impulsionados pela desdolarização, evasão de sanções, necessidades comerciais e gestão da dívida.
Outros países importantes que expandiram a liquidação comercial em yuan incluem o Paquistão, o Irã e a Nigéria, visando diversificar suas reservas em relação ao dólar americano e gerenciar a escassez de dólares.

Principais conclusões sobre as reservas de yuan (2024-2025)

Crescimento lento, porém constante: Embora o dólar continue dominante, a participação do yuan nas reservas globais cresceu, impulsionada pelos esforços de Pequim para aumentar sua usabilidade internacional.
Mais de 80 bancos centrais: Mais de 80 bancos centrais e autoridades monetárias estrangeiras já incluíram o yuan em suas reservas cambiais.
Tendência de diversificação: A valorização do yuan faz parte de uma tendência mais ampla de bancos centrais diversificando suas reservas em ouro, euros e ienes, buscando um sistema financeiro global mais equilibrado.
Impulsionado pela liquidação de transações comerciais:
O aumento está fortemente ligado ao crescimento das liquidações comerciais em yuan, especialmente após 2022, o que naturalmente leva à sua manutenção em reservas.

Atualmente o yuan é a moeda usada em 30% dos 6,2 trilhões de dólares (R$ 33 trilhões) em comércio global de bens da China, segundo o vice-governador do BPC, Zhu Hexin.

Se consideradas todas as transações internacionais com a China, inclusive compras de títulos e investimentos estrangeiros, a participação do yuan salta para 53%, superando pela primeira vez o comércio em dólar do país em 2023.

Em outro marco importante, o yuan superou brevemente o euro em 2024 como a segunda moeda mais usada no financiamento do comércio global, embora com apenas 5,8% do mercado, contra 82% do dólar, segundo a Swift, a rede global de mensagens usada pelos bancos para liquidar pagamentos internacionais.

A participação do yuan nas reservas cambiais globais também foi recorde no segundo trimestre do ano, chegando a 2,4%, informou o Fundo Monetário Internacional (FMI) em outubro.

A importância do yuan no crédito externo
Um segundo pilar dos esforços de Pequim para impulsionar o uso do yuan é o crédito externo, que incorpora a moeda chinesa nas estruturas de dívida de países em desenvolvimento.

As participações externas dos bancos chineses em yuanempréstimos, depósitos e títulos – quadruplicaram para 480 bilhões de dólares em cinco anos (R$ 2,5 trilhões), segundo o Financial Times, representando uma fatia crescente dos cerca de 1 trilhão de dólares (R$ 5,33 trilhões) em crédito externo da China por meio da Nova Rota da Seda.

Com as taxas de juros do yuan entre 200 e 300 pontos-base abaixo das do dólar, o FT aponta que Quênia, Angola e Etiópia converteram dívidas antigas em dólar para yuan este ano, enquanto Indonésia, Eslovênia e Cazaquistão estão agora emitindo títulos na moeda chinesa.

A fatia da moeda americana nas reservas internacionais do planeta caiu 20% em 10 anos
O patamar de moeda americana nos bancos centrais já é o menor em três décadas. 
Desde 2015, a fatia dela caiu 23%.
Em termos absolutos, o dólar segue líder, claro. 46% das reservas globais estão na moeda americana. Mas há 10 anos eram 60%.
E o nível atual é o menor desde 1995. 

o dólar está perdendo o protagonismo nas reservas internacionais dos países. A maior perda, amplamente noticiada, é para o ouro. A fatia do metal amarelo nas reservas dos bancos centrais já era grande lá atrás, perto de 10%. Agora dobrou, para 20% – tanto pelo fato de os BCs estarem comprando mais ouro como pela valorização do metal. Uma coisa alimenta a outra. 

Mas não é só o ouro que tem atrapalhado o dólar. São as outras moedas também. O gráfico aqui embaixo deixa claro. Se você tira o ouro da jogada, e deixa a comparação só entre moedas mesmo, a perda de terreno da moeda americana segue evidente. Veja:   

Atualmente para quem o dólar mais está perdendo terreno não é para o Yuan, e sim para o iene.
A fatia da moeda japonesa foi a que mais subiu em pontos percentuais: de 3,75% do total há uma década para 5,81% agora.
Já o maior crescimento relativo é do yuan.
Não faz nem 10 anos que bancos centrais começaram a usar a moeda chinesa na composição de suas reservas.
As primeiras compras aconteceram em 2016.
De lá para cá, a fatia do yuan dobrou, de 1,1% para 2,2%. 

Destacam-se também duas moedas de economias menores, mas estáveis: dólar canadense e dólar australiano.

E voltando a Ásia central:

A Ásia está a diversificar suas economias, deixando para trás o dólar americano, com o yuan chinês,mas com o ouro e o bitcoin impulsionando a mudança.

Um número crescente de economias asiáticas está se afastando cautelosamente do dólar americano, criando acordos comerciais alternativos e aumentando seus investimentos em ativos como ouro e moedas digitais – uma tendência que, segundo analistas, sinaliza uma mudança de longo prazo em direção a um sistema monetário mais multipolar.

Apesar que a rede regional de swap cambial dos 10 países da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN), juntamente com a China, o Japão e a Coreia do Sul, aprovou a inclusão do yuan chinês como moeda de financiamento.

A decisão permite que todos os países participantes — incluindo Tailândia, Vietnã e Singapura — façam contribuições em yuan. Anteriormente, a principal moeda de financiamento era o dólar americano.
Criado em 2010, o CMIM( Chiang Mai Multilateralizada)oferece uma estrutura coordenada com uma reserva comum, permitindo que os membros acessem fundos em até um múltiplo de sua contribuição para atender às necessidades de liquidez de curto prazo.

Principais países da ASEAN que aumentam o uso e as reservas de yuan

  • Singapura: Continua sendo o principal centro de liquidez do RMB fora da China.

Os depósitos em RMB em Singapura dobraram entre 2020 e 2024, ultrapassando RMB 276 bilhões (USD 38,7 bilhões) em 2024.

  • Tailândia: Registrou um aumento notável na participação em negociações de títulos em RMB e mantém conversas ativas com o Banco Popular da China para expandir a liquidação em yuan-baht.
  • Malásia: Apresenta grande atividade no aumento das reservas de yuan e na participação nos mercados de títulos em RMB.

É também um dos principais parceiros comerciais da China que utilizam o yuan.

  • Indonésia: Está em processo ativo de diversificação, com um marco importante em 2025 sendo a emissão de seus primeiros títulos denominados em yuan (títulos Dim Sum) no valor de cerca de 6 bilhões de yuan.
  • Filipinas: Reconhecida como uma participante crescente no financiamento em RMB, com emissões de “títulos Panda” em nível governamental e bancário.

Principais Tendências que Impulsionam o Aumento (2024–2025)

  • Rede Regional de Swap de Moedas: Em abril de 2025, a ASEAN+3 (incluindo China, Japão e Coreia) adicionou formalmente o yuan como moeda de financiamento na estrutura da Iniciativa de Chiang Mai para a Multilateralização (CMIM), permitindo que os membros utilizem RMB para suas necessidades de liquidez.
  • Liquidação Comercial: Os volumes de liquidação transfronteiriça em RMB entre a China e a ASEAN cresceram 35% em 2024, com pagamentos em RMB representando 28% do comércio bilateral total.
  • Desdolarização: As reservas em yuan da ASEAN saltaram de apenas 2% em 2020 para cerca de 12% em 2024, impulsionadas por tensões geopolíticas e diversificação econômica.
  • Acesso ao Mercado Financeiro: Aumento do interesse em dívida chinesa negociável (títulos em RMB) e emissões de “títulos Panda”.