A estreia do Centauro II BR na Operação Punhos de Aço 2025
Um salto significativo de qualidade para as Forças Blindadas brasileiras
Gen Bda André Dias
1º Sgt Ruy Sales de Oliveira
A evolução dos meios blindados no Exército Brasileiro tem sido marcada por uma busca constante no incremento na ação de choque, mobilidade e proteção. Nesse contexto, a Operação Punhos de Aço 20251 representou um marco para a 6ª Brigada de Infantaria Blindada – Brigada Niederauer (6ª Bda Inf Bld), ao ser empregada, pela primeira vez em operação tática na Força Terrestre, a Viatura Blindada de Combate de Cavalaria Multipropósito Sobre Rodas 8×8 Centauro II BR (VBC Cav-MSR 8×8 Centauro II BR).
A Operação Punhos de Aço é um tradicional exercício de adestramento avançado, conduzido pela 6ª Bda Inf Bld, que coroa o esforço do preparo ao longo do ano de instrução. Na edição 2025, todas as organizações militares (OM) da Brigada Niederauer participaram da atividade. Foi concebida uma situação tática hipotética, na qual a grande unidade blindada realizou, no terreno, operações ofensivas. Primeiramente, foi ocupada a zona de reunião, para, em seguida, ser iniciada a marcha para o combate descoberta, cuja vanguarda foi uma força-tarefa valor unidade.
Estabelecido o contato com posições sumariamente organizadas inimigas, outras três forças-tarefas unidade ultrapassaram a vanguarda e realizam um ataque de oportunidade. Fruto desse ataque, foram criadas condições favoráveis para o início do aproveitamento do êxito, que ocorreu somente na carta, em planejamento prévio à ida para o campo de instrução, desenvolvido pelo estado-maior da Brigada, suas unidades e subunidades.
Durante todo o período da manobra (marcha para o combate e ataque de oportunidade), foi atribuída ao 6º Esquadrão de Cavalaria Mecanizado (6º Esqd C Mec)2 a importante missão de segurança de um flanco exposto da Brigada, por meio do qual era possível a interferência do inimigo, com o potencial para comprometer a progressão da tropa e o cumprimento de suas tarefas. Para tal, foram empregadas as duas VBC Cav-MSR 8×8 Centauro II BR (ou simplesmente Centauro II BR) recentemente recebidas3, em combinação com Viaturas Blindadas de Transporte de Pessoal Média Sobre Rodas Guarani, orgânicas dessa subunidade.
Com o objetivo de simular um cenário de guerra convencional de alta intensidade, a manobra da Operação Punhos de Aço envolveu a execução de operações com ênfase na integração de novas capacidades tecnológicas no campo de batalha. A participação dos Centauros II BR e a sua análise em atividade operacional possibilitaram traçar um comparativo com a já consagrada, porém obsoleta, Viatura Blindada de Reconhecimento EE-9 Cascavel (VBR EE-9 Cascavel). Como consequência, foram constatados diversos ganhos operativos em favor do Centauro II BR: seu maior poder de fogo (canhão 120 mm); a existência de sensores com capacidade de visão térmica e noturna de longo alcance; a disponibilidade de um sistema de Comando e Controle (C2) integrado em rede; melhor mobilidade tática; e blindagem superior, incluindo proteção contra minas e dispositivos explosivos improvisados.
Dentre essas várias vantagens, o maior ganho observado foi quanto aos meios de observação, aquisição de alvos e consciência situacional, os quais operam em qualquer condição de luminosidade ou clima. O Sistema Panorâmico ATTILA D (Long Range Commander Panoramic Sight), instalado para o comandante da viatura, permite a observação com amplitude de 360º, de forma independente da torre, com imagem estabilizada, câmeras diurnas e térmicas de alta resolução e telemetria a laser.
Assim, a capacidade de escaneamento do campo de batalha e aquisição de alvos aumenta exponencialmente, com reflexos positivos para a rapidez nos engajamentos, que passam a ocorrer de forma otimizada, priorizada e coordenada, aumentando tanto a efetividade do emprego da plataforma de tiro, quanto a sobrevivência da guarnição em combate. O Sistema de Controle de Tiro LOTHAR SD (Land Optronic Thermal Aiming Resource – Second Generation), sob a responsabilidade do atirador, proporciona visão térmica de segunda geração, telêmetro laser, rastreamento automático de alvos e cálculo balístico digital, garantindo altíssima precisão no primeiro disparo, mesmo em movimento, contra alvos estáticos ou dinâmicos, de dia ou à noite.
Durante a ocupação de diferentes posições de bloqueio, no transcurso da missão de segurança de flanco, o Centauro II BR colocou à prova a plenitude das possibilidades dos sensores ATTILA D e LOTHAR SD, detectando com comprovada efetividade os blindados e as tropas da força oponente, antes mesmo de entrarem na zona de engajamento, possibilitando a realização de disparos simulados certeiros à distância de segurança. Em razão disso, foi percebido um aumento significativo na capacidade de observar o campo de batalha, monitorando ameaças de forma mais acurada, reduzindo significativamente o risco para a guarnição, algo não conseguido nessa medida pela VBR Cascavel.
Dessa maneira, nas missões de reconhecimento, em geral, o sistema de observação do Centauro II BR foi decisivo. As guarnições conseguiram identificar alvos camuflados, tropas desembarcadas e viaturas em movimento por terrenos complexos, contribuindo, igualmente, para o esforço de busca da seção de inteligência da Brigada e do escalão superior, aumentando a velocidade do processo decisório em todos os níveis. O Cascavel, ao contrário, por não possuir semelhante capacidade ótica e eletrônica, depende de artifícios externos de iluminação, que fatalmente comprometem a eficiência da missão. Com o uso do Centauro II BR, obteve-se maior alcance nas atividades de reconhecimento, vigilância e segurança, com elevada discrição e proficiência na identificação de alvos táticos de alto valor para a operação.
Ressalta-se que a capacidade de observação contínua e independente entre o comandante e o atirador do Centauro II BR permitiu a identificação de possíveis rotas de aproximação inimiga advindas de diferentes direções. Nessa dinâmica, graças à existência do sistema ATTILA D, enquanto o atirador engajava um alvo, o comandante já iniciava a designação de outra ameaça. Além disso, a visão noturna e os sensores térmicos possibilitaram vigilância constante, mesmo em deslocamentos, em terreno arborizado e sem linha de visada clara, situação na qual o Cascavel apresenta severas limitações. Como resultado, o 6º Esqd C Mec se tornou uma barreira ativa e letal na flancoguarda, dissuadindo e impedindo as tentativas de infiltração inimiga no dispositivo da Brigada.
Foi possível atestar, desta feita e de maneira contundente, a superioridade tecnológica e operativa do Centauro II BR sobre o Cascavel, especialmente no que concerne aos seus avançados sistemas optrônicos e alto poder de fogo. Sua capacidade de ver e atirar primeiro representa uma mudança de paradigma. Assim, a experiência colhida na Operação Punhos de Aço pode ser um primeiro passo para novas discussões doutrinárias e elaboração de técnicas, táticas e procedimentos mais ajustadas às possibilidades da viatura recém-adquirida.
A história do Centauro II BR no Exército Brasileiro está apenas começando. O seu uso pioneiro na Operação Punhos de Aço 2025 foi promissor, gerando motivação, orgulho e forte sentimento de pertencimento. A proximidade geográfica da 6ª Bda Inf Bld com o Centro de Instrução de Blindados e o Centro de Adestramento Sul reforça o acerto da decisão de distribuir, prioritariamente, os dois primeiros Centauros II BR ao 6º Esqd C Mec. Isso tem proporcionado, em muito boas condições, a atuação sinérgica da tríade ensino-simulação-adestramento, que permite o desenvolvimento e a ampla difusão de uma mentalidade totalmente voltada para o emprego de meios modernos nas forças blindadas do Brasil. O mesmo se espera da incorporação de duas Viaturas Blindadas de Reconhecimento Média Sobre Rodas EE-9 Cascavel (New Generation) ao inventário da Brigada Niederauer, a ocorrer no ano de 2026.
FONTE: EBlog – Blog do Exército Brasileiro




Já li que foi uma escolha ruim para o EB.
Já li que foi uma escolha boa para o EB.
Foi uma escolha do EB que coloca a força em outro patamar. Poderia ser pior. No nosso país, tudo relacionado às forças armadas pode ser algo pior. Que venha mais e mais desse veículo ou qualquer outro que modernize a força.
O que não podia era continuar como estava. Seja boa ou má escolha, algo foi feito. Agora é lidar com isso, e tornar o EB mais preparado para o seu propósito.
Exatamente. Como estava é que não podia ficar.
Quem reclama são os sucateiros.
kkkkkkkk
Tenho muita curiosidade em saber o nível das FA brasileiras nesse campo mais teórico, planejamento de operações etc. Mas é algo difícil de mensurar, aparentemente
Pela atual infraestutura e terreno no Brasil, acho que o EB deveria substituir os batalhoes de tanque sobre largata pelo Centauro e deixar no maximo uns 60 Leo 1 modernizados
“…Em razão disso, foi percebido um aumento significativo na capacidade de observar o campo de batalha, monitorando ameaças de forma mais acurada, reduzindo significativamente o risco para a guarnição…”
Sabem o que é Irônico?
A cavalaria mecanizada responsável por estreitar contato com inimigo era cega, muda e surda há décadas e muita gente se contentava com isso, afinal militar não pode reclamar e era obrigado se contentar com tão pouco e infelizmente isso sempre nos colocou em zonas de conforto preocupantes em toda história desse país….varias narrativas que começavam com tipo “no cenário sulamericano ainda é atual….”, “temos centenas de viaturas que ainda impõem respeito” “o Cascavel fez um bom papel no oriente médio” só fizeram corroborar para piorar o conformismo das forças armadas.
Quando eu e alguns falávamos éramos criticados por não fazer parte do meio, agora admitem que que quando sentaram na viatura entenderam o que é uma guerra moderna o quanto estavamos atrasados?…espera aí chega a ser piada…bato na mesma tecla que não é feio apontar os erros desde que sejam algo construtivo e com respeito acima de tudo, isso tudo faz parte do processo de encarar a realidade almejando algo melhor….
O publico no geral não sabem dessas coisas acreditam no que voces falam para eles e o que vai para imprensa, quem questionava as doutrinas das forças armadas era hostilizado e não é raro ver que ainda tem muito civil achando que os Engesa eram os melhores blindados do mundo por culpa de vocês mesmo…espero que isso jamais se repita em nosso país…abraço
Na verdade, vc está confundindo….
As tropas de Cav Mec utilizam o Grupos de Exploradores com drones, e material ótico. E há as Sec de Radar de a vigilância Terrestre. Além dos recursos do Guarani.
A Vtr Cascavel q não tinha bons recursos, e dependia desses outros.
Agora, além do Grupo de Exploradores, dos Guarani e dos radares, há também a Sec CC dos Pel CMec com material bom.
Caro João….o grupo de exploradores está recebendo LMV agora e da para contar nos dedos quem recebeu….usou e ainda usa Agrale versão rec (am-11) nos mesmos moldes do que a US army empregava na 2 grande guerra com Willys ou os britânicos com os land rover (pathfinders) sem nenhuma proteção contra artilharia, armas leves ou minas.
Qual o drone que as cavalaria mecanizada está usando? Pegou um punhado de DJI para criar doutrina que ainda está a passos de tartaruga.
Radar de Vig Terrestre ficou nas unidades do Sisfrom, e o resto do esquadrões das brigadas espalhadas pelo país?
Eu não estou confundindo….isso é o que tenho acompanhado na imprensa especializada ou o EB não tem divulgado informações suficiente…abraço
Quantos destes teremos?
Se não me engano míseros 2 operacionais, de um lote de 4 iniciais para teste de contrato 98 podendo no melhor dos cenários chegar às 222 unidades
98 estão garantidos , problema que para 15 anos é um número ridículo parece até brincadeira, deveria ser no mínimo o dobro . Resta torcer para aumentaria a cadência anual já que a intenção são de 221 viaturas .
Não está não, o contrato ainda não foi assinado, dizem que até maio
Bom dia.
Segundo o google está sim assinado. Erro de IA será?
depende da verba que ser liberada, se liberarem uma quantidade significativa tem chances até do Guarani 8×8 ir para frente e muitos mais centauros 2 que o planejado, e talvez até a fabrica de sete lagoas ser expandida ou pelo menos ficar com todas as linhas de produção trabalhando por mais tempo
Garantidos, só esses 2. Com imensa sorte, os 98 q são pretendidos. Provavelmente alguma coisa no meio como 24 ou 36
Pois é.. nem o autor suporta a sigla.
Seria simples batizar as viaturas do EB e de todas as forças armadas brasileiras de “A1”, “A2” e assim por diante. ou qualquer outra letras. Os EUA usam “M” .. aqui poderia ser “V” ou outra letra que tenha um bom som no alfabeto fonético.., dai todas as viaturas das forças armadas terima um padrao simples.. uma letra e um número
Aproveita e padroniza os códigos das aeronaves, adotando uma letra e o número sequencial em função da entrada em serviço…
e dá uma limpada nos códigos da MB.
Os códigos não são pra vc entender… são para os militares….
De acordo com cada letra, ou número, há um significado diferente.
O melhor da sua categoria, porém precisa encurtar esse tempo de entregas. Era para ser no mínimo 15/20 por ano
O Centauros fornecem poder de fogo e mobilidade, importante sem dúvida… mas EB precisa com urgência aumentar seu número de ‘Viaturas Blindadas de Combate Antiaéreo’.
É muito pouco os 34 Gepard que o EB possui (iguais aos que estão em combate na Ucrânia e aprovados com elogios pelos ucranianos…).
Servem tanto como escolta móvel antiaérea para outros blindados e tropas, como estacionados para defesa de pontos importantes e estratégicos.
Defesa, mais além de recursos é também uma questão de mentalidade,
exemplo comparativo entre dois extremos em defesa aérea de ponto:
-A Casa Branca em Washington é fortemente protegida por sistemas de defesa antiaérea avançados, incluindo lançadores em constante alerta desde 2005. A área é uma zona de exclusão aérea de 15 milhas, com monitoramento contínuo para abater drones ou aeronaves não autorizadas, contando com tecnologia de energia direcionada e radares sofisticados.
-O Palácio da Alvorada, residência oficial da presidência em Brasília, só foram adquiridos alguns sistemas jammer anti-drones em 2020, para o Alvorada e outros palácios, mas a instalação enfrentou impeditivos devido ao impacto visual no patrimônio histórico.
———-
Até mesmo meros sistemas de jammer foram impedidos de serem instalados no Alvorada, por uma questão de estética da arquitetura!
Fica evidente a diferença de mentalidades e prioridades, por lá é defesa, por aqui é cosmética e estética…
Estão previstas 49 viaturas blindadas antiaereas baseadas no Guarani , voltadas para acompanhar colunas de blindados mas também podem ser usadas para defesa de ponto , deverão utilizar mísseis RBS70. Os 34 Guepard 1A2 espero que sejam modernizados e aproveitados pois este tipo de arma se mostrou bem efetiva contra drones na Ucrânia. Já defesa de médio alcance deverá ser adquirido um grupo com 2 baterias do sistema EMADS (45km, 19.000m) totalizando 6 veículos lançadores, e o planejado são 3 grupos no total. Tudo depende de recursos e continuidade .
Ótimo, uma boa noticia.
Se vier depois um segundo lote com mais 49, melhor ainda.
Que absurdo esta última parte! Mas tratando-se de Brasil, nenhum absurdo é novidade… Prioridades.
O Contrato com a IVECO ainda não foi assinado. Segundo o Caiafa será ainda nesse semestre. Por enquanto só estes 2 para doutrinação estão disponíveis.
Off-Topic:
Vocês viram o relato do Mané que foi lutar como mercenário na Ucrânia?!
O Fantástico localizou quatro ex-combatentes baianos que foram atraídos com promessas falsas para lutar na guerra da Ucrânia contra a Rússia.
“Falaram que o salário era 50 mil por mês. A gente entende isso como em reais. Mas eram 50 mil grívnias, o que dava cerca de R$ 5.800”, contou Marcos, que usava o codinome “Corvo”.
Questionado sobre o motivo de ter entendido que o valor seria em reais, ele respondeu:
“Porque é o que vem na cabeça.”…
Chapéu de otário é marreta! Certamente ele deve ter gastado esse valor para ir para a Ucrânia brincar de salvador…
Fonte:
https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2026/02/10/aprendi-na-ucrania-tudo-que-sei-de-guerrilha-brasileiro-foi-a-guerra-sem-experiencia-militar-e-diz-que-quem-tentava-fugir-era-torturado.ghtml
Eles têm mais é que se ferrar! Imagine só: um baiano, provavelmente mestiço (como a vasta maioria dos brasileiros), lutando por um país com uma população altamente racista. É muita burrice!!!
Mandou uma enorme quantidade de um, meu Deus, pessoal comentando sobre UM centauro.
A gaiola pra drones só será treinada quando a guerra chegar? Dizem que dias atrás um pelotão da Ucrânia foi treinar com dois batalhões da Otan e que em algumas horas esses batalhões foram derrotados de maneira humilhante, não tinham se preparado para os drones nem tinham reconhecimento eficiente com estes, seus blindados eram localizados e destruídos como moscas, resultado de uma doutrina e experiência muito superior.