Morre Robert Duvall, lenda de Hollywood e inesquecível coronel de ‘Apocalypse Now’
A icônica frase do coronel Kilgore — “Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã” — tornou-se uma das mais memoráveis do cinema
O ator norte-americano Robert Duvall, um dos grandes nomes do cinema mundial, morreu no domingo (15) aos 95 anos, em sua residência em Middleburg, na Virgínia. A informação foi confirmada por sua esposa, Luciana Duvall, que afirmou que o artista faleceu “pacificamente em casa, cercado de amor e conforto”.
Com uma carreira que abrangeu mais de sete décadas, Duvall construiu uma filmografia marcada por personagens intensos, realistas e profundamente humanos, tornando-se referência para gerações de atores.
O coronel Kilgore que entrou para a história
Entre seus inúmeros papéis memoráveis, um permanece indelével na cultura popular: o tenente-coronel Bill Kilgore, em Apocalypse Now (1979), de Francis Ford Coppola.
Na pele do comandante de cavalaria aérea obcecado por surfe em meio à Guerra do Vietnã, Duvall entregou uma das performances mais icônicas do cinema. A famosa frase — “I love the smell of napalm in the morning” — tornou-se uma das citações mais repetidas da história de Hollywood.
Embora sua participação no filme seja relativamente breve, o impacto do personagem foi tão grande que lhe rendeu uma indicação ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante e consolidou sua reputação como mestre dos papéis de autoridade militar.
Carreira consagrada
Nascido em 5 de janeiro de 1931, em San Diego, Duvall construiu uma trajetória singular, transitando com naturalidade entre papéis coadjuvantes e protagonistas. Ao longo da carreira, acumulou sete indicações ao Oscar e venceu a estatueta de Melhor Ator por Tender Mercies (1983).
- The Godfather e The Godfather Part II — como o advogado Tom Hagen
- Apocalypse Now — como o coronel Kilgore
- The Great Santini
- Lonesome Dove
- The Apostle (que também escreveu e dirigiu)
Reconhecido pela preparação meticulosa e pela busca obsessiva pela autenticidade, Duvall era frequentemente descrito como um “ator de atores”.
Um legado de intensidade e verdade
Filho de um oficial da Marinha dos EUA, Duvall levou muitos de seus papéis militares uma autenticidade rara. Sua habilidade de alternar entre figuras de autoridade implacável e personagens emocionalmente frágeis ajudou a redefinir o conceito de ator de caráter em Hollywood.
Até seus últimos anos, manteve uma forte ligação com o público e continuou aparecendo ocasionalmente no cinema, com seu último trabalho registrado em 2022.
Despedida
Robert Duvall deixa a esposa, Luciana Pedraza, e um legado artístico que atravessa gerações. Para milhões de cinéfilos — e especialmente para os admiradores de filmes militares — sua imagem de chapéu de cavalaria sob o céu do Vietnã continuará eterna.
Hollywood perde um gigante. O cinema, um de seus intérpretes mais verdadeiros.■


De todos os papéis de Mr. Duvall, em minha modesta opinião, o mais marcante foi o do advogado Tom Hagen nos dois primeiros filmes de “Poderoso Chefão “. Por sorte ele não participou daquelas fiasco que foi o “O Poderoso Chefão” 3.
A submissão do personagem foi muito bem interpretada por Duvall.
Submisso, mas tentava moderar os ímpetos destrutivos e selvagens dos Corleones. D. Corleone, sabendo de suas inclinações, o afastou da fase mais sangrenta da guerra entre as facções mafiosas, nomeando o filho mais novo, Mike Corleone, para assumir o posto de consegliere de guerra, e o despachou para Las Vegas. O que se seguiu foi um banho de sangue pouco visto em filmes hollywoodianos, promovido por Mike.
É difícil, impossível até nomear quem foi ” ruim” em o poderoso chefao.
E disse bem. Livrou-se daquele terceiro. Uma porcaria.
Duvall não achava justo receber 3 a 4 vezes menos que Al Pacino, nos filmes da trilogia. Coppola foi inflexível com ele. Bem, era o diretor, e tinha seu ator preferido. Todo diretor tem.
RIP
E levem a prancha dele pro tumulo… e com um perfume de napalm!
“Eu adoro o cheiro de napalm pela manhã. Cheira a… vitória”. Essa é uma das frases mais emblemáticas em filmes e altamente parodiada na internet.
A guerra do Vietnam foi travada no auge do soft power norte-americano, tendo sido intensamente utilizada como tema de filmes e séries de televisão, foi também o período auge da democracia nos EUA.
50 ou 60 anos depois, tanto seu soft power como sua democracia declinaram muito, agora sobrou o hard power para uso externo.
E internamente cresceu a cultura de mútuo cancelamento e balcanização online (e no Brasil idem, infelizmente..)
Um dos maiores de todos os tempos. Que descanse em paz 🙏.
Filmografia extensa. Sempre ou quase sempre como coadjuvante.
É só.
E apesar disso estamos falando nele. Convenhamos, bons filmes exigem bons atores coadjuvantes.
Todos somos.
as cenas dele são boas demais, bombas explodindo, todo mundo se protegendo e ele de pé como se nada tivesse acontecido. hahaha
Duvall era filho de militar. Tinha em quem se inspirar, de Custer a Patton. Patton, quando olhava um campo de guerra, com soldados destroçados e montanhas de escombros e tanques fumegantes, afirmava : Que Deus me perdoe, mas amo isto tudo.
Filmaço!!! Recomendo que se assista a versão diretor, The End do The Doors é fantástica.
Um ator completo num filme completo. Apocalipse Now não é um filme de guerra, mas sim uma parábola da amoralidade civilizatória que leva os bem intencionados á loucura.
Kurtz é o “civilizador” que inevitavelmente torna-se pior do que o que pretendia combater, tornando-se mais selvagem do que os selvagens.
Kurtz é o idealista que se transforma na fera que pretendia matar.
A guerra do Vietnã entra como pano de fundo da ausência de limites morais e do desespero dos que lutam para sobreviver.
O breve papel de Duvall retrata o louco que só pensa em vencer.
Vencer?
Não. Vencer não. O personagem assim como Duvall, quis ir fazer…Teve vontade…de fazer: jogar umas bombas, matar uns tantos e voltar pra casa,
Não pensou e não queria vencer. Matar, sim. Com alegria.
Bem…Esteves novo não era. Talvez um pouco quando na década de 1960 assistia o ótimo David Jansem no seriado O Fugitivo. Duvall apareceu em alguns episódios momentâneos como assim foi a história filmográfica desse elevado ator coadjuvante.
Anos mais…em 2015, Robert Duvall dirigiu e apareceu em Cavalos Selvagens talvez interpretando ele mesmo…duro, seco, interiorano.
Morreu um. Difícil será apreciar outro que segurava a própria barriga puxando as calças até esconder a fala.
Eu não sei o que passa nesse mundo. Pessoas de 70, 80 e até 90 anos estão morrendo.
Dylan vive? Ainda?
O Rev. Jesse Jackson também morreu dois dias depois de Duvall. Dylan vive mas perdeu a mágica faz tempo – o que não o impede de fazer turnês (fará uma esse ano a partir de Março). Gente representativa, como gente comum, morre eventualmente. Shelley Duvall, que morreu em meados de 2024, não era filha do ator Robert Duvall – era filha de outro Robert Duvall…
Eu li a morte do reverendo.
Que descanse em Paz.
Keith Richards vive… 82 e segue rolando a pedra por aí…
Interessante que o pai dele era Almirante na USN e fez tudo para o filho entrar para a Academia Naval.
Não deu certo, serviu por um ano no U.S. Army e detestou…..
Realmente não era um filme de guerra.
Baseado no “Coração das Trevas” do Conrad, o 1o dos livros que eu levaria para uma ilha deserta….junto com a Sharon Stone.
A Sharon Stone de hoje ou a de Instinto Selvagem, 34 anos atrás?
Pensando bem…com a Sharon…eu não ia levar livro nenhum !!
Hahahahah
Não ia tirar o olha daquela cruzada de pernas !!
Já dizia Charlie Harper: “Para cada mulher bonita no mundo, existe um cara cansado de ouvir o que ela fala em troca de sexo”.
Hehehehe…Charlie Harper era o alter ego de Charlie Sheen.
Hehehe… exatamente!
A cena mais icônica de Apocalipse now foi o ataque da “cavalaria aérea ” norte americana comandada por Kilgore ( Duvall), com seu icônico chapeu da velha cavalaria de Custer , tendo como alvo uma aldeia de camponeses vietnamitas , onde uma professorinha toda vestida de branco, tenta salvar seus pequenos alunos. Kilgore à vê do alto, em meio ao ataque de seus helicópteros, com a trilha sonora da “cavalgada das Valquirias” de Richard Wagner, para ” estimular” a índole guerreira de seus soldados, pensava Kilgore. De repente um dos helicópteros pousa no.páteo da escola, e a ” frágil ” professorinha de vestido branco esvoaçante, se revela uma ” guerreira” Valquiria, e joga uma granada pra dentro do Helicóptero, o destruindo, juntamente com toda tripulação . Kilgore, assistindo do alto de seu helicóptero, mal pôde acreditar. De onde ele jamais imaginava uma reação, é que veio o contra ataque mais letal.
A cena toda resumia uma guerra inacreditavelmente assimétrica. Helicópteros armados com foguetes e metralhadoras pesadas, contra camponeses munidos de fuzis, ou metralhadoras antigas. A diferença, foi a reação inesperada e letal da ” professorinha”, símbolo da resistência desesperada do povo vietnamita.
O icônico chapéu, um “Stetson”, ainda é usado até hoje pela First Cavalry Division, baseada no Fort Hood, Texas.
Baita cena mesmo.
Foi grande !
Já foram ele e gene hackmann.
95 anos e dormindo, em casa ao lado dos amores, no interior de um paraíso chamado Virgínia.
Não é pra qualquer um.
Dois excelentes atores. Difícil escolher um papel de cada um, mas de Duvall escolheria o de Tom Hagen (O Poderoso Chefão 1 e 2) e de Gene Hackman escolheria o de agente do FBI Rupert Anderson, em Mississipi em Chamas. Duas atuações primorosas de dois atores igualmente primorosos.
Hackman foi e sempre será o fabuloso Popeye de Operação França.
Espetacular.
Duvall não chegou a tanto.
Gosto do Hackman como o Gen. Sosabovski, olhando de perto o Gen Browning:
“Só estou me certificando de que lado vc está “
Essa cena é incrível.
Sim!! Fantástico também! Filmes da 2ª GM produzidos nos anos 60 e 70 tinham uma aura diferente.
Outro papel excelente de Hackman foi em Maré Vermelha, interpretando o Capitão Frank Ramsey.
As circunstancias da morte de Gene Hackman foram muito tristes. Ele sofria de demência, sua esposa teve um enfarto fulminante e ele e um dos cachorros da casa basicamente morreram desnutridos, pois ninguém da família nem dos vizinhos perceberam o que estava acontecendo.
Essa manezada que negativou a mim, sem merecer JAC sou bem paciente com tudo e com todos, devo dizer:
– Tô nem aí.
Se não tá nem aí…pq tá comentando os likes negativos sábio guru kkk
Eu…eu…esclareço. Esteves afasta as trevas.
– Esteves…Esteves…tende piedade. Aqui, poucos sabem do que escrevem. Festival.
Duvall não foi um grande ator. Duvall foi um ator dedicado e reservado, longe dos holofotes de Hollywood.
Se Duvall brasileiro Tivesse sido, viria do Contestado. Fronteira seca e estupida.
Personagens marcantes entregues a um ator sem filtro.
O que seria filtro, Esteves? São grandes atores fazendo grandes personagens. Imagina o Al Paccino fazendo o Michael Corleone com filtro.Como retratar a transformação de um cara tranquilo em um mafioso cruel e sanguinário com filtro? Ou o Marlon Brando com filtro fazendo o Dom Corleone, com a dualidade de uma personagem que ao mesmo tempo era um chefe mafioso violento mas também era afável e carinhoso com a família? Ou o Anthony Hopkins com filtro fazendo o Hannibal Lecter, um psicopata monstruoso, mas que ouvia ópera e adora pintura?
Vamos por partes.
Napalm não é um contaminante persistente como o Agente Laranja (dioxina). Ele é basicamente um gel incendiário (gasolina espessada) que causa morte imediata por queimadura, asfixia e trauma.
Tóquio e Dresdem. Tá ok?
O Agente Laranja mostrado nas cenas foi um herbicida usado pelo Exército dos EUA para desfolhar florestas e destruir plantações no Vietnã. Ele continha dioxina (TCDD), uma das substâncias mais tóxicas conhecidas, que se liga ao solo e ao tecido humano e causa câncer, defeitos de nascença e deformidades permanentes.
Expostos 3 milhões de norte-americanos e 5 milhões de vietnamitas. Mortes? Pode botar 1 milhão na conta. Veteranos recebendo tratamentos de compensações…outro milhão.
A outra parte.
Brando? O Selvagem da Motocicleta? A notoriedade de Brando veio da cena da manteiga com a Romy Schneider que depois arrependeu-se de ter permitido.
Pacino?
Al Pacino não foi ator coadjuvante. E não é. Pacino roubou as cenas e as atenções em todos os filmes que fez.
Filtro. O que é filtro?
Duvall foi Duvall em todos os filmes. Pacino foi o Diabo. Duvall não foi um Scarface. Ele tinha uma coisa rara: mesmo quando o personagem era pequeno, ele parecia um ser humano viciado: áspero.
Kilgore foi inspirado em um oficial real, o coronel David Hackworth, além de outros tipos malditos que circulavam no Vietnã.
Tu é do tempo do Continental Sem Filtro?
Nunca fumei, Esteves. Sou do tempo do filtro de barro.
Cuia. Tinha cuia na varanda da cozinha.
Quando à Robert Duvall, era um ator sui generes em Hollywood. Não apresentava personagens performáticas cínicas como Jack Nicholson, ou histriônicas como Al Pacino. Sua representação era revestida de humanidade, e isto as tornava críves, possíveis, contingentes. Talvez o filme ” O Apóstolo ” , que dirigiu, produziu e atuou, seja o ápice dessa construção peculiar, sincera e revestida de humanidade que Duvall cultivou.
Ele não é nada se comparado a um personagem da vida real, o Tenente Manoel Neto, feroz inimigo de Lampião. Pesquisem sobre quem foi Manoel Neto que esse personagem de Apocalipse Now vai parecer mocinha.
Ao que parece a mentaldiade militar da Guerra do Paraguay considerava o homem que foge do fogo inimigo como um covarde. Houve um episódio em que o Conde D’Eu estava em frente a uma fortificação inimiga e ficou de frente com um canhão inimigo que falhou. Ele não se abrigou, mas ficou ereto, de frente com a morte.
No início do século 20 no Brasil já se adotava a postura deitada para atirar contra os inimigos e dificultar ser atingido, mas enquanto os outros soldados lutavam deitados contra dezenas de cangaceiros altamente corajosos, Manoel Neto ficava em pé, e procurava se envolver em combate fosse com quem fosse.
Lampião e os cangaceiros deram dois apelidos para Manoel Neto: “cachorro azedo” e “Manoel Fumaça”.
Tanto os cangaceiros como os policiais da época diziam que Manoel Neto era “doido”. Em depoimento gravado, um dos cangaceiros já idoso chamava Manoel Neto de “demônio”.
Um documentário legal sobre Lampião é “Acordo com Lampião só na boca do fuzil”.
Aborda alguns inimigos de Lampião. Até o temido e cruel Lampião tinha inimigos declarados.
Grande ator.
Tem um filme menos conhecido mas que me fez me tornar fã do seu trabalho: THX 1138.
Uma ficção científica muito legal.