A História Militar e o Cinema: Platoon (1986)
Sérgio Vieira Reale
Capitão-de-Fragata (RM1)
“A primeira baixa da guerra é a inocência.
Platoon, lançado em 1986, foi ambientado na Guerra do Vietnã. O longa conquistou quatro Oscars (melhor filme, melhor diretor, fotografia e roteiro) na Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood.
Filmado nas Filipinas, é considerado por muitos críticos um dos melhores filmes de guerra da história. Dirigido pelo cineasta Oliver Stone, o filme retrata as experiências e transformações vividas pelo soldado Chris Taylor (Charlie Sheen), em 1967, naquele teatro de operações. Taylor é um jovem idealista de classe média que se alistou voluntariamente para servir no Vietnã. O filme tem a capacidade de manter a atenção do espectador.
O filme é violento, dramático e realista nas ações. Aborda, mais especificamente, como a natureza humana pode se manifestar num ambiente de guerra. Outro aspecto importante é as relações de Taylor com os demais soldados e com os dois sargentos que compartilham a liderança do pelotão. O idealista Elias Grodin (Willem Dafoe) e o violento Bob Barnes (Tom Berenger). O diretor Oliver Stone, assim como Taylor, alistou-se voluntariamente para servir no Vietnã entre 1967 e 1968. Ao se apresentar na 25ª Divisão de Infantaria, a mesma em que Oliver Stone serviu na vida real, Taylor percebe que o grupo é liderado por um tenente inexperiente e, assim, a tropa segue, praticamente, as ordens dos sargentos Barnes e Elias.
Os seguintes comportamentos e sentimentos foram praticados e observados nos soldados norte-americanos: violência fora de controle em alguns momentos; o uso de drogas nos breves momentos de relaxamento; o medo da morte, a tensão durante as patrulhas nas florestas e a permanente luta pela sobrevivência.
Esse clássico inesquecível é envolvente e imprevisível, mantendo o espectador como se estivesse vivenciando cada situação de combate. O foco do filme está no pelotão e não nos inimigos. A humanização de cada soldado é outro fator marcante.
- Filme: Platoon (1986)
- Diretor: Oliver Stone
- Atores Principais: Charlie Sheen, Willem Dafoe e Tom Berenger
- Disponível em: Netflix / Prime Video
Referências Bibliográficas e Sites Consultados
- LIDDELL, H. As grandes guerras da história. São Paulo, Ibrasa. 1982
- https://www.gazetadopovo.com.br/cultura/platoon-permanece-como-um-dos-melhores-filmes-de-guerra-ao-expor-seus-horrores/
- Canal do Youtube: a primeira vítima da guerra é a verdade – resenha do Platoon https://www.youtube.com/watch?v=AaX1urwz7FM


O melhor filme sobre a Guerra do Vietnã, na minha opinião!
Muitas tomadas baseadas em fatos verídicos, excelentes atores, música, cenas de fundo….
Interessante que o Oliver Stone levou anos para achar algum estúdio e investidores.
Não teve nenhum apoio das Forças Armadas dos EUA.
Muitos dos uniformes foram comprados em lojas de roupas usadas!
Percebe-se em algumas cenas, alguns soldados usando uniformes com o brasão da 25th. Infantry Division e outros com o da 1st. Cavalry Division.
Filme épico! Simplesmente excelente!
Seguramente um Top 10 dos melhores filmes de guerra de todos os tempos.
Os 3 melhores filmes de guerra na minha opinião foram :
Gloria feita de sangue e Nascido para matar, ambos do diretor Stanley Kubrick.
E o terceiro, é uma pancada monumental na idéia de guerra como ideal de honra e heroismo :
Johnny vai à guerra, de Dalton Trumbo.
Um soldado norte americano é gravemente ferido no último dia da 1° GM, e perde braços, pernas e a face. No hospital, só se comunica através do tato, e fica irremediavelmente preso às suas memórias e os seus sentinentos.
“….Darkness imprisoning me
All that I see, absolute horror
I cannot live, I cannot die
Trapped in myself
Body, my holding cell
Landmine has taken my sight
Taken my speech, taken my hearing
Taken my arms, taken my legs, taken my soul
Left me with life in hell.”
Sendo que a música ONE do Metallica tem cenas desse filme e o refrão fantástico fala sobre a mina que arrancou os braços,as pernas,a visão e alma e o deixou no inferno.
Quanto a Platoon nenhum filme foi tão profundo na vida de um soldado no inferno verde do Vietnã.
“A primeira baixa da guerra é a inocência. “
Discordo.
A primeira baixa da guerra é a verdade.
A primeira baixa é mesmo a inocência, verdade é uma coisa transitória e especulativa.
A perda da inocência na guerra gera feras que acreditam defender a verdade.
Verdade está na categoria de palavras absolutamente subjetivas, como família, pátria, moral, Deus. Por isto são as que mais sofrem alterações de sentido e empregabilidade.
Platoon não fala apenas da guerra: a perda da inocência, a fragmentação moral, o conflito entre brutalidade e consciência e o medo da morte representado pela selva.
Criamos e estratificamos a sociedade para que ela proteja todos nós da morte. Olha só no que deu…
Várias aulas de spinning Esteves fez com Tiesto.
https://youtu.be/2EaE0_gQLw0?si=sHaMpR3l3HntjDoO
O filme também aborda outras questões: as contradições da sociedade norte americana que afloraram na guerra. As diferenças de classe, o racismo estrutural, a desigualdade. O soldado Taylor era ” bem nascido”. Combater para ele era uma opção. Mas não era para a maioria dos soldados, notadamente os negros, que eram obrigados à ir à guerra, servir como ” bucha de canhão”. Foi questionado por um deles, que se tornou seu amigo :
” Você é branco, rico, afinal o que vc está fazendo aqui nesse inferno ?
O filme, é um pouco autobigrafico em relação à Oliver Stone, o diretor, que serviu no Vietnã como voluntário, pois vinha de uma família ” de posses”. Deixou a faculdade para lutar pelos EUA. Lá, se defrontou com o outro lado da sociedade norte americana, a dos pobres e negros que não tinham opção, como ele.
Stone afirma que foi a realidade da guerra, que o fez entender que a sociedade americana, é uma usina de produção de desigualdade, e a riqueza do país foi e é construida sobre os ombros dos pobres.
Disse um famoso pastor, considerado ” progressista “pelos seus pares, que a Igreja não é lugar para livres pensadores”. Nem a Igreja, e nem a guerra.
Aqueles anos psicodélicos…
Transformação mental. Um mergulho no mundo absurdo. A guerra como um “buraco de coelho” sem lógica moral.
https://youtu.be/Vl89g2SwMh4?si=BtXq9sXEM_3VLje7
Ainda é meu filme de guerra preferido. O roteiro é excelente, o diretor não viaja na maionese tentando fazer um final diferente (olhando para você Kubrick), tem cenas chocantes mas não gratuitas e não tenta romantizar a guerra. O elenco também é excelente, embora fosse cheio de atores desconhecidos na época.
E tem uma das cenas mais emblemáticas do cinema de todos os tempos, com o personagem de Dafoe.
Também foi o filme que popularizou “Adagio for Strings”, de Samuel Barber, no imaginário popular.
PS: Dale Dye, que era consultor no filme, foi escalado de última hora para o papel de capitão Harris (ele pede o bombardeio no final do filme). Sem experiencia como ator, se saiu muito bem na sua cena final. Ele foi pioneiro em fazer atores passarem por treinamento severo antes das filmagens, e teve uma grande carreira em Hollywood como consultor e ator.
PS2: Um dos atores disse que Stone e Dye (que foram veteranos) se comportavam como se tivessem tendo flashbacks, nas cenas mais tensas na aldeia vietnamita no meio do filme.
Na realidade o Dale Dye participou de outras cenas tb…..como por exemplo quando ameaça o Barnes e o Elias com corte marcial.
Quem faz uma ponta bem discreta é o próprio Oliver Stone…..era o oficial que estava num bunker que é destruído num ataque suicida.
Agora vc abriu minha mente naquela cena: eu sempre ficava me perguntando,eu conheço esse cara mais não sabia que era o diretor Oliver Stone.
Por acaso revi Platoon e Full Metal Jacket nessas duas últimas semanas. Já fazia muitos anos que eu não assistia Platoon, e foi muito bacana perceber a participação do Dale Dye e do próprio Oliver Stone no filme.
O Dale Dye também faz uma ponta no Band of Brothers, nos dois primeiros episódios, se não me engano.
Já em Full Metal Jacket, a atuação impagável do R. Lee Ermey, do qual eu sou um fã de carteirinha.
Gostei mais do R. Lee Ermey em “Mississippi Burning”…..em “Full Metal Jacket” ele acabou interpretando ele mesmo…..já que ele foi sargento no USMC….mas foi mesmo uma grande atuação.
Em “Full Metal Jacket” ele havia sido contratado para ser apenas consultor; mas o Kubrik gostou tanto dele que acabou colocando-o como autor.
O autor originalmente escalado para fazer o papel de sargento, acabou ganhando como prêmio de consolação um outro pequeno papel….
Era aquele que atirava de dentro do helicóptero e se gabava ter matados vários búfalos, esquecí agora o nome dele….um sujeito bem forte…..
Era o Tom Colceri.
Exato…..ele mesmo…..veterano do USMC que serviu na Guerra do Vietnã…
Mas creio que seria Tim e não Tom Colceri.
Ta Té Ti Tó… talvez hehehehe
Eu realmente não tenho certeza Franz. Eu fiquei surpreso de ter lembrado algo parecido com o nome 😛
Platoon, Cruz de Ferro, O Barco, O Resgate do Soldado Ryan, Além da Linha Vermelha, Stalingrado, Nada de novo no Front. Grandes filmes de guerra
Acho esse filme perfeito, atores excelentes, cenas muito bem feitas e trilha sonora muito boa, é o meu filme preferido. E por coincidência, o assisti há pouco tempo, já perdi a conta de quantas vezes assisti, desde quando era criança rs. Um verdadeiro clássico.
Eu gostava muito de Platoon quando era pequeno. Depois que cresci, não gostei mais tanto. Ele distorce a percepção do conflito de maneira subjetiva mas absolutamente real quando levamos em consideração que a maioria das pessoas aprende História via Hollywood.
O filme é muito bem feito, muito bem atuado, filmado e com um roteiro incrível. Mas peca pelo seu impacto no imaginário popular ao invés de ser em prol do conhecimento popular. Nada que qualquer outro filme que se passe em um evento Histórico não arrisque fazer, mas para mim, azedou.
De lá para cá azedou ainda mais após outros trabalhos do próprio Stone, JFK e Ao Sul da Fronteira. Em relação à JFK, eu realmente não sei como ele não foi processado pela obra criminosa, ou escrachado por ser uma obra extremamente fantasiosa, mas foi muito bem executado. Já o Ao Sul da Fronteira, é um panfleto político disfarçado de documentário (à lá Michael Moore), que tem um objetivo ideológico e propagandístico claro.
Quando assisto Platoon eu tenho que estar de muito bom humor para não fazer esse tipo de associação instintivamente, mesmo achando o filme muito bom.
Tb detestei JFK…..aliás, o própio Oliver Stone reconheceu anos depois que cometeu vários erros no filme…..
Depois do sucesso de “Platoon”, creio que o Oliver Stone, se radicalizou…..virou uma espécie de “guerrilheiro da esquerda contra o sistema”.
Vou somente discordar desta parte do seu comentário:
“Mas peca pelo seu impacto no imaginário popular ao invés de ser em prol do conhecimento popular.”
Não sou da opinião que filmes tenham a função de formar conhecimento popular…..se infelizmente a maioria das pessoas apredem história através de Hollywood, então estamos mesmo lascados….. 🙁
É mais ou menos isso o que eu quis dizer, Franz. Infelizmente, as pessoas acabam usando Hollywood como forma de aprendizado. Concordo que não é o intuito de uma produção cinematográfica, claro. Mas como eu disse, todo filme com pano de fundo histórico corre esse ‘risco.’ O último foi ‘Napoleão’ do Ridley Scott. O filme consegue ser pior que Pearl Harbor hehehehe
Stone recentemente deu uma entrevista falando sobre JFK. Aparentemente os erros que ele achou que fez no filme foram erros artísticos ao invés de simplesmente ter escolhido um livro fantasioso de um corrupto que se colocou como protagonista na própria teoria da conspiração e que conseguiu acabar com a vida de dois homens inocentes enquanto isso. Quer dizer, fora aquela cena em que eles estão na janela contando em quantos segundos ele consegue ciclar o rifle e a própria cena
Parece mesmo que ele pirou na batatinha. E o mais interessante é que tanto Platoon quanto Nascido em 4 de Julho e JFK são filmes, que na minha opinião de leigo, são tecnicamente excelentes. Atuação, coesão de roteiro, filmagem em si, etc. Não tem como negar que foram feitos de forma muito competente.
JFK é um thriller politico.
Algumas conexões são apresentadas de forma convincente no roteiro, mas historicamente não são comprovadas. O filme transmite forte convicção de conspiração, algo que permanece debatido até hoje.
Stone inventou? Não. Ele usou depoimentos autênticos e reais, documentos públicos e teorias existentes na época e que mantém certa dose de dúvida e/ou incerteza.
Platoon
Não é documental, mas também não é fantasioso.
É dramaticamente condensado, não historicamente falso. Acho que ele pegou leve com as drogas, mostradas em Air América de forma mais…
Se Esteves fosse Tarantino (no caso de Tarantino ter feito Platoon), teria colocado Lee Harvey Oswald. Não combina nada com o filme e aumentaria a polêmica.
O que um sniper está fazendo nesse filme?
Não Esteves. O JFK foi um trabalho de fantasia, mais próximo de “O Senhor dos Anéis” em termos de realidade do que de alguma coisa Histórica.
Não existe qualquer dúvida ou falta de comprovação factual, com inúmeras evidências, sobre o caso JFK.
Stone não inventou porque usou um livro de fantasiaso de Jim Garrison no qual ele descreve uma versão paladina de si mesmo, quando usa, e cria, diversas teorias da conspiração para efetivamente elevar sua posição política dentro de New Orleans, Lousiana e dos EUA em si. O que ele obtivesse de projeção política, ele aproveitaria. Felizmente no final das contas não deu muito certo porque ele torceu os narizes errados. Garrison não apenas exagerou o que fosse possível, mas quando não era possível ele simplesmente inventava.
O HSCA chegaria à mesma conclusão da Comissão Warren (que os conspiracionistas e pessoas suscetíveis às teorias normalmente nunca leram), não fosse por uma dúvida lançada em última hora sobre o projétil. Essa dúvida teria sido sanada (e posteriormente foi) com a tecnologia atual.
As únicas controvérsias sobre o caso são aquelas criadas por lunáticos teóricos da conspiração, sendo que muitos deles inventam essas coisas apenas para ganharem uma grana à custas dos incautos, que não fazem a devida pesquisa.
Então algumas sugestões de leitura:
Para qualquer um que leia apenas um desses livros que seja, o filme “JFK” torna-se absolutamente ridículo e uma obra total de fantasia. E isso torna tudo ainda mais triste porque o circo armado por Garrison na Lousiana acabou com a vida de duas pessoas absolutamente inocentes, que jamais foram condenadas à nada apesar de Garrison ter inventado testemunhas (que foram subornadas e dopadas), inventado provas, ignorado provas contrárias, ter coagido pessoas, etc. Nada disso o filme mostra. Não mostra como ele acabou causando a morte de David Ferrie e arruinou Clay Shaw. E nesse último caso há um toque de preconceito porque Clay Shaw era gay.
Falando em Guerra do Vietnâ, além dos filmes eu gostava de uma HQ “O Conflito do Vietnã (The ‘Nam)” e também de um seriado que passava no SBT “Combate no Vietnã (Tour of Duty)”. Sempre esqueço de procurar para baixar.