Khamenei

Ali Khamenei, Líder supremo do Irã

Por que as contradições internas favorecem ações inimigas de intervenção externa

Por Rodolfo Queiroz Laterza [1]

Introdução

Em geral, os protestos no Irã são bastante frequentes e decorrem das contradições internas do regime, das ineficiências na gestão governamental, da corrupção sistêmica nas estruturas institucionais e de problemas econômicos que afetam negócios, empresas e o poder de compra da população. Exemplos de turbulências sociais, com protestos que geram risco de instabilidade e de implosão do regime, são fartos e bem registrados. Por exemplo: em 2018, houve grandes distúrbios após as eleições presidenciais; em 2022-2023, houve meses de protestos contra o regime atual no Irã e todos estes protestos foram acompanhados por uma grande quantidade de sangue derramado. Só em 2022-2023 morreram mais de 500 pessoas durante os protestos nas ruas.

O Irã vivenciou no mês de janeiro dias de protestos em larga escala, desencadeados por fatores socioeconômicos. Eles começaram com um tumulto entre comerciantes e lojistas, provocado pela recente queda do rial. Estudantes se juntaram aos protestos, e então todo o país começou a se revoltar sob slogans políticos contra o regime dos aiatolás e pela propaganda insuflada do estrangeiro de restauração da dinastia Pahlavi no trono.

A razão destes protestos é quase sempre o desejo dos manifestantes de derrubar o atual regime iraniano e o Líder Supremo Khamenei (o líder supremo do Irã) diante de crises econômicas contínuas e problemas sociais diversos, além de descrença nas instituições diante da corrupção ampla. Muitos iranianos mais jovens não gostam da política religiosa rígida do regime e também estão descontentes com a situação econômica difícil no país, que se agravou desde a pandemia e persiste desde então, ainda mais agravada por crise energética severa, escassez hídrica, aumento dos preços dos alimentos e ineficiência na gestão. Agora, a situação foi agravada pelos danos severos sofridos pelo Irã na Guerra dos Doze Dias contra Israel e os EUA. Este quadro de prejuízos foi muito embaraçoso para o regime de Khamenei, mesmo entre os seus apoiantes mais fervorosos, incluindo o IRGC (Corpo de Guardas da Revolução Islâmica).

No entanto, os protestos atuais, embora não tenham sido totalmente organizados pelos EUA, são apoiados entusiasticamente pelos norte-americanos contra o seu inimigo de longa data. É difícil dizer como vão terminar os protestos ao longo deste ano e nos próximos – no entanto, o regime iraniano está envolto em temerários contextos de desgaste, porque quaisquer concessões aos manifestantes serão muito mal recebidas pelo IRGC e por toda a base de apoio do governo iraniano, além de fortalecer grupos opositores cuja essência comum é a derrubada do sistema político e institucional do país.

A repressão violenta e sangrenta dos manifestantes foi instrumentalizada pelos EUA e poderá desencadear uma nova guerra do Irã contra os EUA e Israel, que será difícil para o Irã resolver em decorrência da sobrecarga das capacidades econômicas e orçamentárias depreciadas.

Causas profundas dos protestos

Os protestos no Irã são, formalmente e de acordo com matérias da mídia corporativa mainstream, o resultado de uma nova queda do valor da moeda nacional. Ou seja, a narrativa causal padrão cinge-se ao fato de que as pessoas saíram às ruas por causa da inflação crescente pela desvalorização da moeda, mas as razões são mais complexas.

https://www.courrierinternational.com/article/colere-la-repression-se-durcit-en-iran-mais-ceux-qui-sont-dans-les-rues-n-ont-plus-rien-a-perdre_238912

O Irã é um país muçulmano xiita, em que as leis da sharia são a base da legislação e do sistema social. O poder dos líderes religiosos é uma estrutura paralela ao poder secular. A dupla presidente – rahbar (líder espiritual com amplos poderes, a quem muitas vezes chamam no imaginário ocidental erradamente de “aiatolá”) é uma dupla muito específica, que surpreende todos os observadores externos pela complexidade da interação governamental.

O rahbar, o Líder Supremo, é considerado o representante ou delegado do décimo segundo imã, Muhammad ibn al-Hasan, que, segundo a tradição, desapareceu pouco depois da morte do seu pai, o imã Hasan al-Askari, em 874. Acredita-se que o imã regressará no Dia do Juízo como salvador. Por isso, o Líder Supremo aprova as decisões do presidente e do governo, controla a nomeação de vários ministros, é o comandante supremo das Forças Armadas, nomeia juízes, imames de sexta-feira, governadores de províncias e o alto comando militar, incluindo o Chefe do Estado-Maior Conjunto e o Comandante do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica.

O presidente, por sua vez, desempenha essencialmente a função de primeiro-ministro. E o IRGC, controlado pelo rahbar, é, obviamente, uma força militar muito mais importante do que o exército iraniano. Não é como se verifica no Paquistão ou o Egito, onde o exército é um grupo de elite institucional separado e, de fato, um ramo do poder.

O regime tem essência teocrática, o que agrava as contradições sociais, pois, num país islâmico onde o álcool é proibido, pode-se comprá-lo sem problemas em qualquer mercado, seja ele clandestino ou oficioso.  A pena de morte é prevista para o adultério, mas a prostituição e os “casamentos temporários” são fenômenos generalizados, sem repressão adequada. A taxa de câmbio da moeda nacional difere significativamente daquela praticada no mercado paralelo. Tais contextos geram uma enorme discrepância entre a ideologia declarada e a realidade social e econômica percebida por milhões de iranianos.

Ao contrário do senso comum vigente no Ocidente, o Irã não é um país tão fechado como a Arábia Saudita ou o Afeganistão, de modo que as pessoas percebem perfeitamente a diferença entre o estilo de vida dos seus vizinhos muçulmanos (como os Emirados Árabes Unidos, por exemplo) e o seu próprio país. Mesmo no Iraque, que os diplomatas britânicos inventaram e traçaram com uma régua, tendo emergido de guerras fratricidas, conflitos étnicos, rebeliões armadas, a situação atual é muito diferente da iraniana, com maior estabilidade social e econômica. Além disso, países muçulmanos com forte equilíbrio entre religião e secularismo, como a Turquia e a Indonésia, acabam por criar uma percepção no iraniano médio no sentido de que o estilo de vida secular dá às pessoas mais liberdade interna e externa, permitindo a formação de uma juventude altamente crítica e permeável a influências projetadas externamente.

https://www.bbc.co.uk/news/articles/cre28d2j2zxo

Além desses detalhes, a diferença de nível de vida entre a elite governante e o cidadão comum é enorme, e a classe média é muito fraca como estrato economicamente consolidado. Não que não exista. Mas devido às sanções e à situação econômica, a classe média vive apenas um pouco acima da camada social inferior. A classe média no Irã distingue-se, antes, pelo modo de ganhar dinheiro de forma condicional: são pequenos e médios empresários e uma enorme quantidade de jovens que não conseguem encontrar emprego. Esta juventude, que vive nas redes sociais, percebe a situação no país de forma particularmente aguda e compõe o ambiente de desestabilização, insuflado por problemas internos e por um processo de guerra cognitiva, advindo de estruturas estrangeiras que geram conteúdo insurgente contra o regime iraniano. No contexto dos ataques cognitivos de operações psicológicas desencadeadas contra a estrutura governamental e teocrática do país, a juventude (e a classe média também) não entende por que deve viver num arcaísmo principiológico e jurídico, que, além disso, ninguém leva a sério no dia a dia das elites do país.

A teocracia, como paradigma fundamental das relações pessoais, culturais e das estruturas sociais, não satisfaz as pessoas na era da internet e da liberdade de escolha religiosa. A tradição, as raízes, a fé dos antepassados, o respeito pela dogmática religiosa (como instituição social) — não é o mesmo que o arcaísmo como forma de organização política. A Arábia Saudita, aliás, compreendeu isso muito bem, e as reformas de Bin Salman não começaram por acaso, mostrando-se uma vacina preventiva contra revoluções coloridas e guerras híbridas fundadas na exploração das contradições internas.

Outro fator explorado na condução de uma guerra híbrida contra o Irã é também o fato de o país ser multinacional. E não há uma ideia universal, uma imagem do amanhã, que agrade aos persas, aos caucasianos, aos árabes e aos azeris. Bem, a que existe atualmente, baseada nos fundamentos teocráticos acima descritos — como se vê — já não funciona como fator de coesão e integração nacional.

Duas décadas de sanções agravaram seriamente a economia do país. O Irã, que possui a segunda maior reserva de gás natural do mundo, praticamente não exporta o hidrocarboneto, produzindo apenas para consumo interno. O país tem a terceira maior reserva de petróleo do mundo, mas ocupa apenas a 25ª posição em termos de exportações, vendendo seu petróleo não a preços de mercado, mas apenas à China, com desconto. Como resultado, o país poderia ser um dos mais ricos da região — mais rico do que os Emirados Árabes Unidos, a Arábia Saudita e o Catar —, mas tem um padrão de vida muito baixo e uma inflação recente que atingiu 40%.

É preciso entender que o regime teocrático dos aiatolás já há muito deixou de entusiasmar os iranianos, assim como cada geração subsequente se torna menos religiosa. Além disso, os aiatolás não representam apelo ideológico algum como em 1979; a guerra com Israel foi bastante sentida e Teerã é forçado a continuar sua política de “paciência estratégica” na expectativa de uma segunda guerra, algo que Netanyahu, que precisa de uma guerra sem fim para se manter no poder, implora a Trump que o faça. E nenhuma sociedade gosta de fraquezas estratégicas em regimes pautados pela força que se vangloriam da grandeza de seu próprio exército, mas que depois falham em resistir ao teste da guerra. Portanto, não há sentimento de força inabalável quanto à existência do regime, que se mostrou enormemente vulnerável a ataques cinéticos e híbridos de diversas modalidades.

Vale frisar que os protestos do fim de 2025 e de janeiro de 2026 estão longe de ser os primeiros protestos no país em tempos recentes:

  • Em 2022, houve um motim em massa depois que uma mulher curda foi morta por uma patrulha da Sharia por usar o hijab incorretamente.
  • Em 2021, houve protestos devido à falta de água e de eletricidade.
  • Em 2019, protestos em massa eclodiram devido a um aumento acentuado nos preços dos combustíveis.
  • Em 2018, o mesmo ocorreu devido à escassez de água.

Os contínuos distúrbios na República Islâmica e o seu aumento significativo de 8-9 devem, naturalmente, levantar questões: como tudo começou? A resposta é um pouco mais complexa do que “o povo quer trazer de volta o amado xá” ou “tudo é culpa dos EUA e do Mossad”.

O gatilho específico não foi tanto a política, mas a economia. Em 2025, o rial perdeu várias dezenas de por cento do seu valor, passando a exigir uma quantidade muito maior de riais para cada dólar. Isto afetou fortemente os preços de todos os produtos.

Outro problema é a inflação extremamente alta. Segundo dados oficiais, é de cerca de 50%, mas o número real pode ser muito maior.

A economia afetou a base social tradicional do governo iraniano — pequenos negócios e comerciantes. Foram eles que saíram para as ruas, aos quais se juntaram mais tarde os estudantes.

Se nos lembrarmos, os protestos anteriores, em 2024, também foram causados por dificuldades econômicas — pensões baixas e salários desproporcionais em relação à inflação. Por cima de tudo, os EUA intensificam regularmente as sanções.

Com tantos protestos em massa quase anuais, o regime iraniano dificilmente pode ser considerado estável. Além disso, os problemas não estão sendo resolvidos. A economia do país continuará a declinar enquanto as sanções permanecerem em vigor; os problemas hídricos não desapareceram; pelo contrário, pioraram, e agora se fala até em transferir a capital de Teerã para reduzir o consumo.

O contexto dos protestos como ação preparatória de ataque ao regime iraniano

Durante o curso dos eventos relacionados aos violentos distúrbios recentes no Irã, foram encontrados vídeos nos telefones dos manifestantes detidos, nos quais uma mulher os instruiu sobre como se comportar durante a detenção.

A instrução continha a seguinte mensagem:

Se forem detidos, não pensem que tudo acabou. Ainda têm tempo para se defenderem, especialmente agora.

É importante dar depoimentos como ‘confissões’, por exemplo: ‘Vim protestar contra os preços elevados, para que o governo ouça a nossa voz’.

Se tentarem relacionar-vos com pessoas no estrangeiro ou afirmarem que as vossas confissões foram sugeridas ou ensaiadas, neguem imediatamente.

Diga que odeia os emigrantes traiçoeiros que revelaram a sua verdadeira natureza durante a guerra de 12 dias.

Diga: ‘Temos uma Pátria, estamos apenas a protestar contra o custo de vida elevado’ e insultem os emigrantes de forma agressiva.

Se mencionarem quaisquer nomes, digam que nunca ouviram falar deles. Certifiquem-se também de que a imagem de fundo em todos os vossos telemóveis é uma foto de Qassem Soleimani ou de Khamenei. Sei que é difícil e que não gostam, mas têm de o fazer.

Temos de jogar pelas regras deles. Tal como nós não conseguimos determinar quem, entre os manifestantes, é um agente ou infiltrado, eles [a polícia iraniana] também não devem perceber. Joguem pelas regras deles.

Assim, no pior dos casos, enfrentarão 10 dias de detenção e é tudo.

Lembrem-se: os chamados heróis no estrangeiro ou os que estão na prisão não podem fazer nada pelo Irã. Preservar a vossa vida e segurança é o mais importante”.

A escala dos protestos na República Islâmica aumentou significativamente em meados de janeiro. Em grande parte, isso foi facilitado por um recente apelo do príncipe herdeiro Reza Pahlavi a uma desobediência em massa às autoridades e bots com conteúdo insurgente propagado por forças de oposição e estrangeiras como o Mossad israelense.

Em 8 de janeiro, Qerej (com aproximadamente 1,5 milhão de habitantes) passou para o controle dos manifestantes. Foram ocupados e incendiados postos de polícia e outros edifícios administrativos.

https://penntoday.upenn.edu/news/iran-protests-explained

No mesmo dia, ocorreram manifestações em massa em Teerã, Ardebil, Hamadan, Shahriar e pelo menos 15 outras grandes cidades.

Em Teerã, na praça central, queimaram-se pneus e gritou-se: “Morte ao ditador.

Em 9 de janeiro, foram mortos o procurador-geral da província de Khorasan do Norte, bem como seis oficiais de segurança em Hamadan, além de policiais em Teerã. Em Dezful (Khuzestan), foi danificado o mausoléu do religioso Sayyed Mahmoud e, na noite de 10 de janeiro, foi incendiada a mesquita de Al-Rasul em Teerã. Os protestos abrangeram várias cidades: de Tabriz, no noroeste, a Bandar Abbas, na costa do Golfo Pérsico.

Em 11 de janeiro, ocorreram pelo menos 60 ações de protesto em 15 províncias ao longo do dia. A maioria dos protestos ocorreu nas grandes cidades. Nas ruas, participaram também os residentes de locais sagrados para os xiitas e relativamente conservadores, como Mashhad e Qom.

Não faltou violência: os manifestantes entraram em confrontos com as forças de segurança, queimaram carros e destruíram propriedades públicas, configurando-se uma atividade predominantemente de caráter insurgente voltada a ataques ao sistema estatal e institucional do país.

Entrou em cena a oposição tradicional — dos poucos apoiantes do príncipe herdeiro Reza Pahlavi aos igualmente amigos dos EUA na forma da “Organização dos Mujahidin do Povo do Irã” (conhecida pelo acrônimo OMPI).

Os separatistas também aproveitaram a situação. A rede subversiva azeri exige a separação do norte do Irã, e os grupos insurgentes curdos locais intensificaram os ataques contra as forças de segurança do país. Não faltaram separatistas e outras formações paramilitares, que há muito também lutam contra o Irã. Assim, o “Partido da Vida Livre do Curdistão” passou a cometer ações terroristas.

Naturalmente, a situação foi amplificada midiaticamente pelos americanos, bem como pelas autoridades israelenses. As ameaças de ataques de Trump não são isoladas do contexto de guerra irregular contra o país.

https://mei.edu/publication/economic-backdrop-irans-protests/

No entanto, é errado afirmar que não existem razões políticas: o atual regime governante parecia orgânico no Irã dos anos 80, mas agora as contradições tornam o sistema político arcaico para setores da população passíveis de arregimentação por forças insurgentes e estrangeiras, especialmente em comparação com os países mais prósperos da região.

Como medida reativa para impedir o uso massivo das redes sociais na organização e mobilização dos protestos, as autoridades do Irã até desligaram o acesso à Internet. No entanto, setores da oposição dispunham de terminais ilegais do Starlink, o que exigiu uma sofisticada operação de contramedidas eletrônicas por parte da IRGC.

Por ordem do Comando de Segurança Cibernética do IRGC (Corpo de Guardas da Revolução Islâmica, que inclui as forças internas e os serviços secretos), a internet no Irã não foi apenas desligada, mas completamente desativada. Até mesmo os sites governamentais iranianos ficaram indisponíveis durante o mês de janeiro.

https://www.nytimes.com/2026/01/07/world/middleeast/iran-protest-crackdown.html

Na verdade, o corte de internet é necessário não só para que os manifestantes tenham dificuldade em coordenar-se, mas também para que a carnificina que os agentes iranianos vão ter de fazer não saia demasiado para fora do Iran, pois transmitir para todo o mundo uma limpeza total com tiroteios e medidas repressivas seria uma má ideia, tendo em conta as ameaças de Trump de atacar o Irã a partir do pretexto de proteção dos manifestantes contra abusos do regime.

Isso foi feito no contexto de protestos contínuos que se transformaram em motins e quase em uma revolta.

Vale a pena notar que muitas imagens na internet não se referiam aos acontecimentos em curso. E no momento do início dos protestos, algumas das gravações publicadas eram de outras partes da região, o que evidencia a forte operação de guerra psicológica deflagrada contra o regime iraniano.

De qualquer forma, a tentativa de desestabilizar a situação no Irã ainda está em pleno andamento, embora os protestos tenham sido controlados por ações eficazes do regime. Não foi sem razão que, em Teerã, decidiram desligar a Internet, e o recurso institucional empregado para reprimir os distúrbios foi considerável.

Para a liderança iraniana, a situação de tensão interna é temerária diante da constante pressão do governo Trump e de Netanyahu. No entanto, ainda não se vê a transição do exército e das forças de segurança para o lado dos insurgentes e terroristas e, sem isso, é muito difícil derrubar o poder em Teerã nas realidades atuais.

https://foreignpolicy.com/2026/01/12/iran-protests-currency-economy-us-military-intervention-trump/

Portanto, não é surpreendente que os EUA e Israel mantenham a possibilidade de novos ataques maciços ao Irã para enfraquecer precisamente o seu aparelho de segurança e de defesa, além de criar novas circunstâncias para ações de desestabilização contra o regime.

No entanto, o IRGC ainda é leal ao regime, embora com efetivo limitado (apenas cerca de 190 mil, e nem todos são combatentes armados). Portanto, para parar os distúrbios recorrentes, os membros do IRGC são forçados a, literalmente, eliminar os manifestantes violentos (como fizeram da última vez em 2023 para reprimir os protestos).

Se inicialmente as autoridades iranianas tentaram evitar uma repressão agressiva aos protestos, agora, quando os protestos começaram a ficar fora de controle, inclusive devido aos esforços estrangeiros, foram enviados reforços às zonas mais perigosas. E isso teve o seu efeito, embora, claro, a onda de protestos esteja longe de terminar.

O cenário de ataques dos EUA ao Irã

Donald Trump, segundo rumores, está entusiasmado com o sucesso da operação especial na Venezuela — o presidente gostou de resolver problemas pela força, por isso está à procura de uma oportunidade para acertar as contas com o Irã, a pretexto de agora forçar o país a abdicar de seu programa nuclear e restringir as capacidades e o uso de seu programa de mísseis balísticos.

Não faltam também pressões internas e a atividade dos lobbies — uma nova confusão no Médio Oriente é aguardada não só pelos falcões no Congresso, mas também pelos lobbies pró-Israel e pelo complexo industrial-militar.

Por enquanto, toda atividade militar norte-americana está ao nível do planejamento e da preparação — a administração Trump realiza discussões sobre opções de ataque. Propõe-se, primordialmente, um ataque maciço de mísseis e bombas contra vários objetivos militares iranianos, bem como uma opção mais agressiva, com o ataque a objetivos de infraestrutura civil.

Segundo estimativas, os EUA visam estruturas fundamentais do Corpo de Guardas da Revolução Islâmica: quartéis, armazéns e centros de treino “envolvidos na repressão dos protestos”.  Além disso, Washington provavelmente não permitirá que o Irã recupere as bases de mísseis balísticos, por isso, a probabilidade de serem atingidas é muito elevada.

A imprensa mainstream, no entanto, publica informações sobre a falta de consenso nesta fase – dentro da administração ainda não há acordo relativamente a ações concretas.

O principal beneficiário desta conjuntura é o primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu: durante a reunião com Trump em 29 de dezembro do ano passado, ele pediu ao presidente americano que organizasse uma segunda operação de ataques ao Irã. Netanyahu considera que os EUA não podem permitir a reconstrução do programa de mísseis balísticos iraniano, que infligiu a Israel danos significativos durante o conflito de 12 dias em junho de 2025.

Trump, por sua vez, apoiou Netanyahu, embora não tenha feito quaisquer promessas concretas sobre o início de uma nova operação.

O secretário de Estado, Marco Rubio, também está a incentivar Trump a uma escalada — Rubio sempre defendeu uma linha dura em relação ao Irã e apoiou plenamente a retórica belicista de Netanyahu.

Assim, a conjugação de todos estes fatores, as declarações regulares de Trump de caráter belicista nas redes sociais, assim como a atual debilidade do Irã devido aos protestos em massa, tornam a perspectiva de uma nova “campanha iraniana” por parte dos EUA extremamente provável.

No entanto, embora a probabilidade de um ataque ao Irão seja bastante elevada, é pouco provável que haja uma invasão em grande escala pelas forças americanas no Irã.

E devemos compreender que o Irã tem cerca de 500-550 mil soldados prontos para o combate perante as forças terrestres e no IRGC, e com a mobilização, pode aumentar o exército para 1,5-2 milhões de pessoas. Os EUA, embora tenham cerca de 500-600 mil no terreno, tais forças estão espalhadas por todo o mundo, e têm de ser transportadas para o Irã e suficientemente abastecidas. Por isso, caso haja uma invasão terrestre ao Irã, os EUA não conseguiriam envolver mais de 100-120 mil homens, o que não seria suficiente contra o exército iraniano. E os 100-120 mil homens ativos são o teto máximo, que nem sequer foi atingido contra o Iraque em 2003, com a mobilização de todos os aliados e uma longa preparação logística.

Portanto, pensamos que os EUA provavelmente se limitarão a ataques pontuais a instalações nucleares, armazéns militares e instituições governamentais. Uma invasão em grande escala é pouco provável.

Eis como uma operação progressiva de ataque dos EUA pode desenrolar-se:

  • As possibilidades de ataques apenas pela força aérea são limitadas pelo arsenal a bordo;
  • A tarefa dos caças será acompanhar os bombardeiros;
  • Um dos alvos pode ser o líder iraniano, o Aiatolá Khamenei;
  • Os alvos dos ataques também podem incluir os quartéis-generais das forças de segurança, o IRGC e a polícia;
  • Os ataques podem desencadear o reacender de protestos.
https://www.bbc.com/news/world-us-canada-68171280.amp

No entanto, não devemos desprezar o regime iraniano, pois ele se mantém há 46 anos e ainda não caiu, apesar de uma quantidade simplesmente enorme de guerras, crises e agitações internas.

Considerações finais

Os protestos em massa contra os problemas econômicos e o poder de Khamenei terminaram efetivamente no final de janeiro: o governo reprimiu-os com particular violência e conseguiu estabilizar a situação.

Segundo a organização HRANA, foram confirmadas as mortes de mais de 5 mil manifestantes e de mais de 200 agentes da polícia. Outras organizações e publicações referem que o número de mortos pode exceder 30 mil. Foram detidas mais de 40 mil pessoas e 7,4 mil ficaram gravemente feridas.

A polícia iraniana começou a realizar buscas em casas, locais de trabalho, escolas e universidades, com o objetivo de prender manifestantes e insurgentes. No total, foram detidos 325 menores. Além disso, o apagão total da Internet continuou pela terceira semana consecutiva em janeiro.

O pico da repressão ocorreu entre 8 e 10 de janeiro — depois do país ter desligado a internet e o Aiatolá Khamenei ter ordenado a repressão dos protestos com contundência.

O protesto não evoluiu para uma nova fase de guerra irregular e a intervenção estrangeira não ocorreu até o momento.  Os protestos supracitados foram reprimidos e a população está atualmente impossibilitada de derrubar os aiatolás. Esta é uma situação bastante típica de regimes de sanções, que levam apenas a uma queda no padrão de vida, e a derrubada do governo só é possível com ajuda externa.

Iraque, Iugoslávia, Venezuela, Cuba, Coreia do Norte, Irã, Rússia — em todos os casos, as sanções são ineficazes e não atingem o objetivo. Enquanto a ameaça de sanções força os governos desses países a buscar um acordo com a comunidade internacional, o regime de sanções vigente torna qualquer concessão e pretensão de democracia ao estilo ocidental sem sentido. Em última análise, isso leva à virtual inevitabilidade da guerra, como foi o caso de Saddam Hussein ou de Milosevic.

Trump já está ameaçando o Irã com ações militares caso os protestos sejam violentamente reprimidos.

Para a Rússia, a queda do Irã seria muito desvantajosa. Além do fato de Teerã fornecer atualmente certos bens e tecnologias, o país também é um potencial concorrente nos mercados de petróleo e gás. O levantamento das sanções contra Teerã enfraqueceria significativamente a posição da Rússia no mercado de petróleo.

Uma nova onda de desestabilização interna no Irã não é algo novo e desenrola-se segundo os padrões habituais — já houve muitos protestos deste tipo. A ameaça ao Irã reside na hipotética tentativa de combinar distúrbios instigados com uma série de ataques terroristas, ciberataques à infraestrutura crítica e novas tentativas de atingir a liderança político-militar do país.

É claro que o Irã não ficará inativo. Por isso, o Irã deve preparar-se não só para reprimir novos distúrbios com força, mas também para uma nova campanha de ataques com mísseis contra Israel (que provavelmente participará no novo ataque ao Irã, se isso acontecer) e contra os ativos americanos na região.

Vale também notar que a Rússia e a China continuam a fornecer ativamente armas ao Irã: aviões, helicópteros, radares, sistemas de defesa antiaérea, entre outros.

A tensão em torno do Irã está a atingir um ponto crítico. A preparação das autoridades dos EUA para uma operação está a decorrer a todo o vapor, os americanos estão a concentrar centenas de aviões no Médio Oriente, e um grupo de porta-aviões liderado pelo “Abraham Lincoln” está no Mar da Arábia.

O Irã é visto em Israel e no Ocidente como um mal tradicional que precisa ser punido periodicamente, inclusive para desviar a atenção dos problemas internos. Os ataques dos EUA, neste contexto de crise política doméstica, parecem iminentes.


[1] Delegado de Polícia, Mestre em Segurança Pública, escritor, pesquisador e analista em geopolítica e conflitos militares.


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Gustavão
Gustavão
13 dias atrás

O que me chocou, adultério leva pena de morte.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
Responder para  Gustavão
12 dias atrás

Deve ser no caso do adultério feminino, pois no masculino eu duvido…

Tem algumas leis do Irã que eu até concordo, alguns anos atrás,uma jovem iraniana que ficou cega e teve o rosto desfigurado ao ser atacada por um homem que se vingou jogando ácido por ela ter dito não a seu pedido de casamento.

Apesar de ter direito a Lei de retaliação, ela perdoou o agressor e solicitou que não fosse aplicada a chamada Lei de Talião, que faria com que o agressor perdesse a visão.

Muita inocência dela, mas foi seu direito…

Houvesse uma lei dessas no Brasil, um país onde se mata pessoa em briga de trânsito e homicídio seria uma beleza.

Pedro Rabelo
Pedro Rabelo
Responder para  Adriano Madureira
11 dias atrás

Não foi inocência,foi amor e muita força interior demonstrada por ela

Sequim
Sequim
13 dias atrás

O Irã é uma teocracia medieval inimiga dos EUA. Estou curioso para saber o que iria acontecer se tais protestos começassem em outra teocracia medieval, mas aliada do Tio Sam: A Arábia Saudita.

George A.
George A.
Responder para  Sequim
12 dias atrás

Washington fornece todo o aparato de vigilância a Riad pra evitar algo do tipo e as prisões e execuções de dissidentes raramente têm repercussão aqui ou no Ocidente, ou seja, o regime consegue um grau de repressão maior e quase sem pressão externa.
Fora isso tem a questão do iraniano ser historicamente mais politizado e contestador (sim, mesmo com uma teocracia de decadas lá) e obviamente os efeitos das sanções, desafios que as demais ditaduras do Golfo não enfrentam.

Pedro Rabelo
Pedro Rabelo
Responder para  Sequim
12 dias atrás

Corrigindo…são os EUA que são inimigos do Irã

Leandro Costa
Leandro Costa
Responder para  Pedro Rabelo
12 dias atrás

Sim, foram Americanos que invadiram a Embaixada Iraniana e tomaram seus funcionários como reféns.

Faz total sentido.

Pedro Rabelo
Pedro Rabelo
Responder para  Leandro Costa
11 dias atrás

E,claro!Foram os iranianos que invadiram o Iraque sem nenhum motivo,e iniciaram uma guerra sanguinolenta que ceifou a vida de mais de 800.000 mil de ambos os lados na década de 80,americanos NADA tinham a ver com isso, assim como AMARAM a queda do xá Reza Phalevi e a instauração da Teocracia pelo Aiatolá Khomeini…

Leandro Costa
Leandro Costa
Responder para  Pedro Rabelo
11 dias atrás

Americanos tiveram muito a ver com isso. Mas tiveram motivos, né? “Morte ao grande satã…”

Pedro Rabelo
Pedro Rabelo
Responder para  Leandro Costa
10 dias atrás

Então o “Grande Satã” vai ter muito trabalho bombardeando o mundo todo,não somente o Irã,já que países e povos que “amam” esta entidade geopolítica e de direito internacional existem em todos os continentes

Última edição 10 dias atrás por Pedro Rabelo
marcelo
marcelo
Responder para  Sequim
12 dias atrás

O problema do iran é ter a segunda maior reserva de gás do mundo e a terceira maior reserva de petróleo do mundo.
O resto e desculpa inventada pelos americanos para fazer o iran vender seu gás e petróleo em dólares e os americanos poder continuar imprimindo dinheiro.
Americano não se incomoda com ditador se o ditador seguir as ordens de Washington igual o ditador da Arábia saudita.

Matheus
Matheus
13 dias atrás

O Irã deveria parar de antagonizar Israel e EUA e se concentrar na economia. A China fez isso e agora eles colhem os frutos dessa escolha. Os iranianos escolheram o caminho da beligerância e agora está sob a corda no pescoço por causa de suas escolhas errôneas.

Iran
Iran
Responder para  Matheus
13 dias atrás

Não tem o que fazer, Israel se coloca como inimiga mortal e vice-versa, são dois modelos civilizacionais que não conseguem coexistir, um precisa necessariamente vencer pra ter “paz”.

Matheus
Matheus
Responder para  Iran
13 dias atrás

Israel se coloca, porque o Irã dá argumentos convincentes disso. Se fosse mais contido e se preocupasse em desenvolver-se, não estaria passando por isso hoje.

George A.
George A.
Responder para  Matheus
12 dias atrás

Israel vai sempre fabricar um inimigo na região, pois o modelo atual de Estado étnico (e as ajudas externas pra sua defesa e economia) é dependente disso pra se manter intacto.
Não atoa, com a perspectiva de queda dos Aiatolás, a direita israelense já está fabricando uma nova ameaça existencial, a Turquia, Estado que nunca chegou perto de negar o direito à existência de Israel.

https://www.aljazeera.com/news/2026/2/23/turkish-threat-talked-up-israel-netanyahu-focuses-new-alliances

Última edição 12 dias atrás por George A.
umcara
umcara
Responder para  George A.
12 dias atrás

Israel é na verdade o grande problema da região , ele desestabilisa a região .

George A.
George A.
Responder para  umcara
12 dias atrás

Hoje é mesmo, tá cada vez mais fora de controle ameaçando até interesses americanos.

João
João
Responder para  Iran
12 dias atrás

Quando que Israel se colocou em postura de atacar o Irã?

Se o Irã fizesse o q a a China fez, estaria bem pra burro.
Fica lá comprando briga q não precisa.

wilhelm
wilhelm
Responder para  João
12 dias atrás

“Quando que Israel se colocou em postura de atacar o Irã?”

O ataque contra a embaixada iraniana e as usinas nucleares contam?

Em ambos os casos, quem deu o primeiro tiro foi Israel.

André Macedo
André Macedo
Responder para  Matheus
13 dias atrás

O Irã contribui muito mais pra transparência nuclear internacional que Israel, a própria usina de Fordow havia sido inspecionada pouco antes do ataque. Pergunta se Israel recebe algum inspetor internacional nas suas instalações kkkkk

Matheus
Matheus
Responder para  André Macedo
13 dias atrás

Outra burrice do Irã – ou melhor dizendo, uma burrice do Khamenei.

Ele declarando uma fawta contra armas nucleares é um atestado dessa burrice, ainda mais quando ele próprio como governante máximo do Irã tem como objetivo antagonizar um estado nuclear, a construção da bomba é essencial para se contrapor, porque é uma dissuasão estabelecida assim que o Irã testasse a primeira bomba.

Sem isso, você fica a mercê do estado que está tentando antagonizar. Ou seja, o Irã perdeu toda a dissuasão que detinha, agora está altamente vulnerável e será atacado.

João
João
Responder para  André Macedo
12 dias atrás

Kkkk
E Israel está na dele…. Crescendo e fazendo crescer…

Kkkk e Irã colaborou… e tá lá fazendo lambança kkk

Hamom
Hamom
13 dias atrás

“O regime tem essência teocrática, o que agrava as contradições sociais, pois, num país islâmico onde o álcool é proibido, pode-se comprá-lo sem problemas em qualquer mercado, seja ele clandestino ou oficioso.

 A pena de morte é prevista para o adultério, mas a prostituição e os “casamentos temporários” são fenômenos generalizados, sem repressão adequada.”
…..
ou seja: Na prática é uma sociedade e regime comparativamente mais aberto e tolerante do que a teocracia dos “brimos” da Arábia Saudita, cuja vertente do Islã, o Wahabismo fundamentalista, é a raiz ideológica/doutrinária de grupos extremistas terroristas como Al-Qaeda e ISIS.

Última edição 13 dias atrás por Hamom
Iran
Iran
Responder para  Hamom
13 dias atrás

Sim, na realidade a vida civil no Irã é bem mais “livre” do que nos países árabes do Golfo, o Irã lembra uma espécie de Turquia.

Iran
Iran
13 dias atrás

O levantamento das sanções contra Teerã enfraqueceria significativamente a posição da Rússia no mercado de petróleo.”

É justo o oposto, já vi vários analistas e até um diplomata iraniano na Armênia dizendo que a Rússia é um aliado bemmm ambíguo, que pros russos a posição de ostracismo que o Irã sofre é super vantajosa, primeiro pq enfraquece Tehran, um rival histórico da Rússia no Cáucaso, e força o governo iraniano a ser quase um estado cliente russo, e segundo, pq isso impossibilitava o Irã de vender energia barata pra Europa, mantendo até 2022 esse monopólio com a Rússia, e nem vou citar a ótima relação que Moscou tem com Tel Aviv.

Felipe Mendes
Felipe Mendes
13 dias atrás

Os EUA, Israel e os sunitas estão de mãos dadas nessa empresa de destruir o islamismo xiita, o único que cristãos conseguem viver em paz. Qual é o objetivo dessa aliança? petróleo, expansão territorial de Israel e potencializar o jihadismo sunita.

Hamom
Hamom
Responder para  Felipe Mendes
12 dias atrás

Sim, Israel, EUA e os Xeiques árabes das monarquias sunitas são unha e carne.

E são estas monarquias sunitas que financiam a construção de mesquitas e expansão do Islã munda afora, especial atenção e recursos são dedicados à Europa, EUA e inclusive Brasil.

É comum em cidades europeias com grande populações de migrantes árabes, multidões muçulmanas se reunirem e fazerem juntas sua orações diárias obrigatórias em algum espaço público urbano.

“Enquanto na Arábia Saudita a prática religiosa não-islâmica é expressamente proibida no país. Nenhuma forma de culto público cristão é permitida, e qualquer tentativa de orar em grupo ou realizar celebrações religiosas fora de um contexto privado pode resultar em detenção, tortura ou deportação

 Os cristãos, principalmente os estrangeiros, só podem praticar sua fé em segredo, em reuniões clandestinas em residências.

A Arábia Saudita é oficialmente 100% islâmica, e a sharia (lei islâmica) proíbe a manifestação pública de qualquer religião além do islamismo. 

 Igrejas, cruzes e símbolos cristãos são totalmente proibidos, mesmo em territórios soberanos como embaixadas estrangeiras.”

Última edição 12 dias atrás por Hamom
wilhelm
wilhelm
Responder para  Hamom
11 dias atrás

Curiosamente, o Irã, que na mídia ocidental é vendido como o maior bicho de sete de cabeças do mundo muçulmano, inaugurou algum tempo atrás uma estação de metrô em Teerã honrando a Virgem Maria. Para um regime que é supostamente tão teocrático, é estranho ver a pessoa mais importante depois de Deus sendo honrada em público.

https://aleteia.org/2025/10/29/new-metro-station-in-tehran-honors-virgin-mary/

Provavelmente as pessoas que vendem essa imagem de bicho-papão também não tem muito a dizer sobre a perseguição que os cristãos sofrem por parte dos sionistas e da destruição de igrejas e símbolos religiosos cometidos pelo braço armado deles.

Ten Murphy
Ten Murphy
Responder para  wilhelm
10 dias atrás

“Para um regime que é supostamente tão teocrático, é estranho ver a pessoa mais importante depois de Deus sendo honrada em público.”

Não tem nada de estranho. Jesus e Maria são altamente reverenciados no Islã xiita. Mas a concepção deles sobre os dois, assim como sobre Abraão, Ismael, Isaque e Israel (a pessoa, Jacó, não o país) é baseada na tradição islâmica. Não confunda a Maria da teologia cristã com a Maria da teologia islâmica. É a mesma, mas não é a mesma.

“Provavelmente as pessoas que vendem essa imagem de bicho-papão também não tem muito a dizer sobre a perseguição que os cristãos sofrem por parte dos sionistas e da destruição de igrejas e símbolos religiosos cometidos pelo braço armado deles.”

Nem se compara. Compare a legislação iraniana e Saudita com a israelense sobre liberdade religiosa, depois compare os costumes sociais na prática e por fim, se tiver condições, viaje para os três e tente praticar sua fé em público. Vai ver que na prática a teoria é outra.

Trabalho com cristãos e refugiados turcos e já trabalhei com cristãos iranianos. Até falar isso aqui ou em redes sociais é perigoso para quem está lá, com consequências reais. A inteligência deles não é a ABIN. É uma das melhores do mundo. E já tivemos deportados e presos por causa disso.

Ten Murphy
Ten Murphy
Responder para  Felipe Mendes
10 dias atrás

“o único que cristãos conseguem viver em paz.”

Não é bem assim. Trabalhei 12 anos com cristãos no Irã e trabalho até hoje com os da Turquia. A perseguição existe, em maior ou menor grau, dependendo da região, e o proselitismo é proibido e/ou “desaconselhado”. Mas uma coisa é certa: os cristãos não vivem em paz e nem tem liberdade religiosa como os muçulmanos tem no Brasil nem no Irã, nem na Turquia, nem em qualquer outro país do Oriente Médio, em maior ou menor graus, seja pela legislação ou pelos costumes sociais. Mas no Irã e na Arábia Saudita é muitas vezes pior que na Turquia ou Israel.

Dr. Mundico
Dr. Mundico
13 dias atrás

O Irã é um país desmontado social, política e economicamente. O regime não oferece mais soluções e tornou-se o maior problema.
Mas a História ensina que ao tirar uma oligarquia do poder (no caso a teocracia dos aiatolás), fatalmente abre-se espaço para outra oligarquia assumir, no caso a famigerada Guarda Revolucionária, ávida por poder e dinheiro.
Militares costumam ser mais corrompíveis que eclesiásticos e burocratas, por se verem como elites e reais representantes da “vontade popular”.
Alguém já disse que no Islã o poder ou está no quartel ou na mesquita. Com o Irã não é diferente.
Sem saída, é apenas trocar uma máfia por outra.

Francsico
Francsico
12 dias atrás

Em 2021 fui em uma festa de musica eletrônica próximo de Londres e lá tinha muito jovens de Israel e para minha supressa do Irã. e eles interagiram, conversavam e entre si numa alegria…conversando com alguns, principalmente as mulheres Iraniana ela não tem nada haver com a imagem que é passada pela grande mídia e até pelos filmes ocidentais. e todos falaram que o grande problema do oriente e a religião no poder e não o povo.

Sergio Machado
Sergio Machado
12 dias atrás

Nada acontece do nada. O Irã era uma democracia, até o golpe de Estado em 1953 promovido por EUA e GB por – novidade – petróleo. Instauraram uma ditadura sanguinária liderada por um “Xá” e polícia política SAVAK, a fim de controlar os recursos naturais iranianos. A população de maioria xiita conservadora se radicalizou, culminando na revolução de 1979.
Desde então, como agora, o Irã está sob ataque dos EUA, GB, AS e afins. Fica difícil afirmar se Israel entrou no jogo como proxy dos EUA ou por iniciativa própria, a fim de evitar um paralelo de poder ao seu no OM. Mas hoje são quase inimigos mortais.
Muito longe de defender uma teocracia, mas o fato concreto é que desde de meados do século passado o Irã está sob ataque não provocado, tudo por conta de seus recursos naturais.
E com esse pessoal não há como defender-se sem atacar também, visto que só entendem o linguajar da força, vide o estrago que Teerã fez em Israel nos 12 dias em resposta a um ataque surpresa Israelense. Apesar de da máquina militar israelense ser um mero operador de equipamentos fornecidos pelos EUA, o que há de melhor foi repassado a Tel Aviv. E ainda assim Washington teve que intervir para salvar maior aliado de um estrago ainda maior.
Não há qualquer mocinho nesta história, mas é evidente que quem procura se mostrar como tal são os maiores responsáveis.

umcara
umcara
Responder para  Sergio Machado
12 dias atrás

” Israel entrou no jogo como proxy dos EUA “, ou é isso ou ainda “EUA e Israel são proxys do sionismo”

Sergio Machado
Sergio Machado
Responder para  umcara
11 dias atrás

Muito boa colocação.

Emmanuel
Emmanuel
12 dias atrás

Risco de acabar se Trump levar a sério seus ataques.

“aaaiiinnnnn….mas o Irã…”. O Irã foi macetado sem dó por Israel, que é minúsculo. Nem a força aérea iraniana conseguiu sair do chão. Agora, imagina o que vai acontecer se os Estados Unidos resolverem fazer o mesmo. A realidade é bem diferente dos devaneios dos defensores do aiatolá.