Avibras avança em reestruturação e encerra greve após aprovação de acordo trabalhista
A Avibras Indústria Aeroespacial registrou avanços importantes em seu processo de reestruturação nesta semana, após duas decisões consideradas fundamentais para viabilizar a retomada gradual das operações da empresa brasileira do setor de defesa.
O primeiro marco ocorreu na terça-feira (10 de março), quando o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo analisou recursos contra a homologação do Plano de Recuperação Judicial da companhia. Por decisão unânime, os desembargadores rejeitaram os recursos interpostos e mantiveram a homologação integral do plano.
O plano havia sido aprovado anteriormente por 99,2% dos credores presentes na Assembleia Geral, consolidando o apoio majoritário à proposta de reestruturação financeira da empresa.
Com a decisão judicial, o plano permanece plenamente válido, permitindo que a companhia continue a implementar as medidas previstas para reorganizar suas finanças e retomar suas atividades industriais.
Trabalhadores aprovam acordo e encerram greve
Outro avanço significativo ocorreu na quarta-feira (11 de março), quando trabalhadores da empresa aprovaram uma proposta para quitação das dívidas trabalhistas durante assembleia realizada na sede do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos.
Com a aprovação do acordo, foi encerrada a greve iniciada em setembro de 2022, que havia paralisado parte das atividades da empresa durante a crise financeira.
Caminho para retomada das operações
Segundo a companhia, as duas decisões representam condições precedentes essenciais para viabilizar o processo de recuperação e permitir a retomada gradual das operações.
A empresa informou que permanece em uma fase de transição, concentrada nos preparativos necessários para restabelecer suas atividades industriais e comerciais.
Fundada em 1961, a Avibras é uma das principais empresas brasileiras do setor de defesa e aeroespacial, conhecida internacionalmente pelo desenvolvimento do sistema de artilharia de foguetes ASTROS II, utilizado por forças armadas de diversos países.
Com a continuidade do processo de recuperação judicial, a companhia busca iniciar um novo ciclo operacional, voltado à manutenção de suas atividades e ao fortalecimento de sua presença nos mercados de defesa e aeroespacial.■

Agora é retomar as entregas e investir profundamente na atualização do portfólio. Isso tudo demanda muito dinheiro, veremos se os novos donos conseguirão fazer tal movimento.
Portfólio? Só o MTC -300 possui relevância por causa de sua condição única , nas mãos da Embraer defesa ele terá um futuro garantido , principalmente com versões lançadas por navios , mas se insistirem com Avibras… ele morre junto !
Caro. Existe uma longa lista de produtos que a Avibras teria condições de desenvolver empregando tecnologia dual.
Neste momento, a mais óbvia são drones. A Xmobot encontrou o seu nicho em agricultura. Fazendo um bom trabalho de consultoria, seria possível buscar aplicações para outros problemas. Vou citar um exemplo que suponho já exista solução, mas é o tipo de coisa.. um drone para contagem e acompanhamento de gado que tenha chip de rastreamento.
Há algum tempo, minha universidade é monitorada a noite com um drone de vigilência, algo que se tornou muito mais efetivo e seguro para quem faz o trabalho do que a antiga vigilância por ronda em moto, mas temo que este setor já esteja ocupado por várias empresas.
Outro exemplo seriam viaturas de Socorro para o “SAMU” construídas sobre chassis reforçado para operar em ruas ou estradas de pavimentação ruim. È fácil perceber que a maioria das ambulências são construídas usando furgões adaptados para operar em rodovias ou duas bem pavimentadas. Sinceramente, não sei se existe mercado, maś é uma das ideias de tecnologia dua que torna uma empreas de defesa viável
O setor de segurança pública provavelmente tem enormes carências de equipamentos. Ai deixo para os colegas PM ou ex-PM comentarem.
Há principalmente a áreas de software que pode usar tecnologia dual, por exemplo empregando soluções usadas no setor militar de mercado mais restruto para aplicações civis.
Transporte escolar rural é outra área que o uso de ônibus e micro ônibus de uso urbano se mostra um erro, eles quebram e atolam com facilidade…
Pois é.
O ponto é buscar oportunidades de mercado que possam ser aproveitadas pela empresa combinando tecnologias de uso dual, inclusive para exportação para países da América do Sul e da África.
Sò o Astros é insuficiente
E então ao invés de investir em infraestrutura de qualidade, vamos investir num “tanque de guerra” para levar nossas crianças pra escola!
Infraestrutura, estradas de qualidade, asfalto, tem ideia do quanto isso reduz custos e aumenta a competitividade de todos?
Um ônibus “tanque de guerra” traz que benefício?
Ora,
sem exageros.
O país tem todo tipo de demanda., tem regiões nas quais o transporte escolar é por barcos.
Existem estradas rurais no país interio que tẽm problemas em determinados periodos do ano de maior intensidade de chuva, isso sem falar nos acessos que ligam as fazendas ás estradas vicinais.
Aqui entremos em uma discussão interessante. Um Gripen custa R$ 1 bilhão de reais, suficiente para pavimentar uma rodovia de 100 km com pista simples e acostamento, mais ou menos o custo de 1 km de uma linha de metrõ subterrãnea.
O transporte público nas grandes cidades é uma demanda mais urgente para a população que perde uma ou duas horas por dia indo e voltando do trabalho do que uma frota de Gripens.
Um Scorpente custa em torno de R$ 3 bilhões, o que seria suficiente para 200 novas undaides de UPA de médio tamanho.
O problem é vocẽ ter escapado do contexto da discussão. Ninguém estava aqui afirmando que o poder público deve emitir um edital para adquirir ônibus escolares militarizados (ainda que tenha gente que defenda escolas civivo-militares ou que o MinDef mantenha colégios militares, mas isso é outra discussão, mas a provocação é pertinente).
O que se discute são tecnolgias de caráter dual, que podem atender tanto o setor militar quanto o setor civil.
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Produção de um drone kamikaze tipo o Lucas ou Shahed. São baratos, tecnologicamente “simples” e em grande demanda.
Cuidado ai, o LUCAS pode ter a forma, a geometria, semelhante ao Shahed mas internamente, é um animal totalmente diferente.
É uma arma inteligente, terminalmente guiada, para ataques de precisão.
O Shahed não passa de uma “modern day V-1”.
Concordo que a Avibrás deve diversificar o portfólio se quiser renascer. A questão é se ela terá dinheiro para criar novos produtos, principalmente em áreas que ela não tem conhecimento, como drones.
Sobre o SAMU “off-road” existem ambulâncias baseadas na Hilux 4×4 para essa função. A Agrale tem um Marruá ambulância, mas acredito que só tenha sido vendido para Forças Armadas.
É um mercado difícil, ainda mais que a Avibrás não fabrica nem os chassis do Astros então não tem expertise para desenvolver um chassi para ambulância.
Tem o mercado de carros-fortes mas ele anda em queda em razão dos pagamentos digitais.
Enfim, não será fácil.
O exemplo das ambulâncias para o Samu foi apenas um exercício de imaginação.
Pode ser qualquer coisa… o pessoal critica a Helibras, mas a quantidade produz entre 30 ~40 aeroanves por ano lá que demandam peças e equipamentos.
Os Guarani demandam peças que poderiam ser fornecidas pela Avibras. Sistemas automatizados em armazens de logística. Estou aqui pensando em coisas no setor civil que usem tecnologia militar… caminhões de bombeiro.. trens de média velocidade.. sistemas de controle de posionamento global de ônibus urbano. Sistemas inteligentes de controle de transporte público que ajusta a quantidade de carros em função da demanda… e prestação de serviços.
Desde o Século XIX, o capitalismo mudou muito. No início eram inústrias de produção em massa e depois indústrias pesadas.. depois passou por outra fazes, inclusive pela indústria de serviços. O avançao da TI (esqueça esta tolice de iA) permite a prestação de serviços neste setor.
Sobre a Avibrás se tornar fornecedora da IDV e da Embraer passa pela questão delas já terem fornecedores e, em princípio, não terem necessidade de trocá-los, ainda mais por uma empresa em recuperação judicial.
No capitalismo uma empresa seleciona seus fornecedores de forma racional. Escolher a Avibrás como fornecedor, nesse momento, parece bastante irracional.
Acho que será menos difícil ela fabricar produtos próprios, que não demandem pesados investimentos, para venda.
A Agrale sobrevive assim.
Se fosse no governo passado, poderia se tornar fabricante de armas de fogo (fabricando sob licença de alguma empresa estrangeira), um produto de uso dual. Mas hoje teria uma demanda no mercado civil bastante pequena, além de diversos entraves burocráticos para homologar o produto e colocá-lo à venda.
Ola. A indústria automobilística tem o hábito de evitar fornecedores exclusivos. Qualquer um que tenha uma nova tecnologia precisa disponibiliza-la para outras empresa, exceto em casos muito particulares.
Contudo, o capitalismo é um meio de produção que não tem regras escritas em pedra. Tem gente dogmática ao ponto de comprometer até mesmo a estabildaide do país para seguir regras que não existem na prática.
Recentemente, em uma boa entrevista para o Breno Altman, o Haddad comentou sobre o modelo chinês, que para ele deveria ser considerado como variação do capitalismo ao invés de socialismo. È um ponto de vista que precisa ser considerado para entendermos o sucesso econômico da China e do colapso da ex-URSS, que na visão do Haddad também estava muito longe de um modelo socialista.
Provocado, ele disse que é difícil considerar um sistema econõmico socialista enquanto a classe trabalhadora for assalariada.
Voltando. O ponto nem é discutor o capitalismo ou as vantagens relativas da Embraer tê-la como fornecedora, A TAM tem uma enorme oficima para manutenção de aeronaves que deptende do fornecimento de muito material homologado, deste tapetes anti-chama, poltronas novas, etc.
A Iveco ainda tem um contrato para 1000 Guaranis ou sei lá quantos que demandarão equipamentos, inclusive para as viatturas especializadas, que poderiam ser concluídas na Avibrás.
No caso da Industra de Defesa, o contexto estratégico supera outras coisas.
Aliás, a ideia de um capitalismo puro foi completamente superada após a crise de 2008
Difícil achar alguém que acredite que a economia chinesa seja socialista. O mais comum é falarem que pratica um capitalismo de Estado.
Sobre a relação entre empresas e seus fornecedores é comum que existam contratos relacionais que durem muitos anos, com fornecedores assumindo os custos de desenvolvimento e produção em troca de contratos de longo prazo. Romper um contrato relacional é muito caro.
Acho que não faltam nem 600 Guaranis. Mas tem uns 400 Guaicurus.
Que draga, hein! ToT de massa quase falida, em recuperação judicial…
“…nas mãos da Embraer defesa ele terá um futuro garantido…”
Quem garante?
Se nem drone tiveram competência pra desenvolver, fazer funcionar e vender, a Harpia Sistemas, aquela jv entre Embraer, Elbit e Avibrás que se desfez antes mesmo de colocar algum produto no mercado.
É igual aquele outra empresa muito celebrada da BID, a MacJee.
Não é pq compraram o acervo técnico dos mísseis Piranha A & B e do MAR-1, é que aprenderam a fazer mísseis.
Foram 3 artefatos que ao longo de 40 anos, nunca funcionaram de maneira consistente.
Não há garantia alguma que mesmo com rios de dinheiro, da União diga-se de passagem, que algo saia disso tudo ai.
Que tudo dê certo. Vai ser difícil, mas se bem direcionada e com apoio do governo e militares, dá para retomar a empresa e fazê-la crescer novamente.
Creio que a empresa vai precisar de apoio em outros setores porque será preciso buscar o mercado civil. São poucoas as empresas que são unicamente para o setor militar.
Uma possibildiade importante é a Avibras se tornar fornecedora para a Embraer, que tem parcerias com empresas em vários países. Pelo que lembro, a porta traseisa do Kc390 é feita na Argentina ou em Portugal… um dos modos da Embraer aumentar a sua produção sem a necessidade de construir novos prédios é por meio das terceirização.
O setor de saúed tem uma enorme demada de equipamentos.
Alguns anos atrás, a Embraer chegou até mesmo a fazer proposta para aquisição da Avibras, principalmente devido ao interesse de usar parte da área construída no complexo principal da Avibras em Jacareí, para expandir sua produção sem precisar construir uma nova fábrica. Porém, essa proposta não avançou, infelizmente.
Realmente seria interessante uma parceria nesse sentido. Por outro lado, executivos da Avibras estão mantendo vários contatos no exterior visando novas vendas.
Torço pela Avibrar e por muitas outras, inclusive pela padaria aqui perto de casa que faz um pão de queijo delicioso.
Há o plano da MB de construir um grande número de NPa500 que demandarão uma grande quantidade de tecnologia militar que poderá ser fornecida pela Avibrás.
O André Araujo, alguém que sinto falta, comentava que durante o regime militar tinha o hábito de chamar todo mundo para uma reunião (empresas e sindicatos) e expor as demandas das forças armadas… e ai todo mundo ia conversando e de lá saia quem iria fazer o quê.
Por exemplo, quando os Tupis foram contratados, a MB chamou até as universidades.. foi grande empresa produtora de cabos elétricos se associou a uma universidade brasileira para produzir cabos elétricos com o isolamento tratado com radiação para torna-los antichama. A MB homolou os cabos para uso militar e a empresa passou a vende-los para todos os setores que demandavam este tipo de tecnologica.
Defendo retomar este tipo de ação dendo do MinDef.