Europa lança Euro-Office, alternativa soberana ao Microsoft Office, em resposta à dependência tecnológica dos EUA

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Uma coalizão de mais de uma dezena de empresas europeias de tecnologia lançou em Berlim o Euro-Office, uma suíte de produtividade de código aberto projetada para oferecer ao setor público, às universidades e às empresas europeias uma alternativa soberana ao Microsoft Office. A iniciativa, organizada pela IONOS e pela Nextcloud, é apresentada como a resposta mais concreta e bem articulada que a Europa já produziu à sua profunda dependência de plataformas digitais americanas — e chega em um momento de máxima tensão geopolítica entre Bruxelas e Washington.

O que é o Euro-Office e o que ele oferece

O Euro-Office consiste em quatro aplicativos centrais: um editor de documentos, um programa de planilhas, uma ferramenta de apresentações e um editor de PDF. É construído sobre a suíte de código aberto OnlyOffice e suporta os formatos de arquivo do Microsoft Office — DOCX, PPTX e XLSX — além dos formatos Open Document como ODS, ODT e ODP.

Todo o código-base é lançado sob licenciamento totalmente aberto, livre de restrições de marcas registradas, e desenvolvido em um processo transparente aberto ao escrutínio e à contribuição pública. Uma pré-visualização técnica já está disponível no GitHub, com o primeiro lançamento estável previsto para o verão de 2026.

Quem está por trás da iniciativa

O Euro-Office é uma iniciativa europeia coordenada que reúne empresas comerciais de código aberto, desenvolvedores independentes e atores da sociedade civil sob uma estrutura de governança compartilhada. A iniciativa é atualmente liderada pela IONOS, Nextcloud, Eurostack, XWiki, OpenProject, Soverin, Abilian e BTactic.

O anuncio foi feito no evento de imprensa em Berlim com declarações diretas dos líderes das empresas envolvidas. Achim Weiss, CEO da IONOS, foi enfático: “Com os desenvolvimentos geopolíticos que vimos no último ano, há uma necessidade clara de uma solução soberana de escritório confiável, totalmente compatível com o Microsoft e fácil de usar na Europa.”

Frank Karlitschek, CEO da Nextcloud, enquadrou o projeto em termos ainda mais ambiciosos: “A Europa tinha os blocos de construção técnica há anos. O que faltava até agora era uma iniciativa para reuni-los em uma solução significativa e abrangente. Com o Euro-Office, não estamos começando do zero; estamos assumindo responsabilidade por uma parte vital da infraestrutura digital.”

O contexto: dependência crescente e demanda em alta

Organizações europeias, particularmente no setor público e em indústrias regulamentadas, estão “avaliando uma estratégia de saída das suítes de produtividade de propriedade americana como o Microsoft Office”, segundo Dario Maisto, analista sênior da Forrester. “As organizações são movidas principalmente pelo desejo de melhorar sua postura de soberania digital, escapar do aprisionamento de fornecedores e ter uma alternativa pronta para evitar aumentos de preços onerosos de uma renovação de contrato corporativo para outra.”

A Nextcloud afirma que as demandas por sua plataforma triplicaram no ano passado em comparação com 2024, com demanda especialmente forte na Alemanha, França, Países Baixos, Dinamarca e até no Brasil. Implantações notáveis no setor público incluem o Ministério da Educação Nacional da França, com 400.000 funcionários usando Nextcloud e meta de atingir 1,2 milhão, e o SURF nos Países Baixos, com 100.000 usuários.

A controvérsia: acusações de violação de licença

O lançamento não foi isento de turbulências. Em 31 de março, a OnlyOffice acusou a iniciativa Euro-Office de violações de termos de licenciamento e roubo de propriedade intelectual, e disse que suspenderá sua parceria com a Nextcloud. A disputa expõe as complexidades jurídicas e políticas de construir soberania digital sobre fundações de código aberto cujos direitos de propriedade intelectual permanecem contestados.

O alvo: setor público, educação e empresas reguladas

Em vez de mirar consumidores, o Euro-Office é comercializado como uma opção segura e soberana para o setor público, a educação e algumas empresas. A coalizão convida explicitamente outras empresas, órgãos do setor público, contribuidores comunitários e organizações da sociedade civil que defendem padrões abertos e direitos digitais a se juntarem à colaboração.■


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Guacamole
Guacamole
1 mês atrás

Era mais fácil terem baixado o Libre Office.
A única coisa que falta em uma Whiteboard nele. De resto é muito bom.

amarante
amarante
Responder para  Guacamole
1 mês atrás

Pois então

MMerlin
MMerlin
Responder para  Guacamole
1 mês atrás

Existem diferenças aí.
O OnlyOffice já nasceu voltado para para a web e nuvem.
Como o EuroOffice teve ele como base, ambos utilizam HTML e Javascript para renderização.
Não possuem as mesmas limitações de performance do Drive e Office Online. Seu conteúdo de execução é carregado integralmente.

Para uso pessoal, um LibreOffice supre praticamente todas as demandas.

deadeye
deadeye
Responder para  MMerlin
1 mês atrás

Eu só uso o Microsoft Office por causa do trabalho, porque o LibreOffice para as demandas pessoais é mais do que suficientes.

Por que não compensa uma pessoa comum pagar 700 reais na licença do Office para um dispositivo (agora é praticamente impossivel crakear o Office por causa da atualização automatica do Windows que detecta o código falso).

Última edição 1 mês atrás por deadeye
Camargoer.
Camargoer.
Responder para  Guacamole
1 mês atrás

Pois é… estava pensando nisso

Uso o LibreOffice há anos e LinuxMint e salvo meus arquivos de texto em formato aberto. Além disso, tem o editor do Google que pode ser usado desde que a pessoa tenha um email gmail

Ainda sobre software aberto, há anos defendo que o Minist[erio da Defesa desenvolva um software livre para fazer projetos 3D e que desenvolva um laboraŕoio de ambiente virtual que possa ser usado tanto para a MB projetar seus navios quanto qualquer um que precise deste ambiente virtual possal usar.

Nem a MB nem ninuguém no setor público deve ficar dependente de softeare comercial

Mais ainda, é preciso que todo os serviço público migre para plataformas abertas

amarante
amarante
Responder para  Camargoer.
1 mês atrás

LibreCAD está aí
(Me precipitei, o librecad é só 2D)

Última edição 1 mês atrás por amarante
carcara_br
carcara_br
Responder para  amarante
1 mês atrás

Tem o freecad, apesar de não conhecer bem o programa, sei que é voltado para desenhos mecânicos 3D, tem um setor de arquitetura é muito completo…

GuiBeck
GuiBeck
Responder para  Camargoer.
1 mês atrás

Uso o LibreOffice há anos e Linux Mint e salvo meus arquivos de texto em formato aberto”. Parabéns, eu também sou dessa turma. Abraço. Quanto a “é preciso que todo os serviço público migre para plataformas abertas”, também concordo, mas ainda vai um tempo. Aqui não temos mais o MS Office, mas ainda estamos presos no Windows.

Fernandão
Fernandão
1 mês atrás

Quem sabe um dia, quando o debate sobre soberania começar a ficar sério e mais maduro por aqui…

gordo
gordo
Responder para  Fernandão
1 mês atrás

A quantidade de dinheiro que se enfia nessas plataformas de ensino, todas hospedadas lá nos EUA e alimentando IA com tudo que os alunos e professores fazem. Além disso temos banco de dados bancários e tudo mais, tudo hospedado nos EUA. Tudo recebe amplo apoio, principalmente na esfera do judiciário. Num click os EUA provocam hecatombe digital. Esperar o que de um País que descobriu que a máquina de criptografia que as FA usavam era grampeada de fábrica, e ainda assim contínuaram usando. Soberania aqui é prestar bons serviços ao dito aliado, e ter sua família acolhida em Miami.

JuggerBR
JuggerBR
1 mês atrás

Quem lembra da época que havia concorrência neste mercado de ‘Offices’? Lotus 123 por exemplo…

deadeye
deadeye
Responder para  JuggerBR
1 mês atrás

Existia nos anos 2000 o Office, o Corel Draw Word Perfect, uma versão da Adobe de editor de texto, já havia algumas versões do Livre Office. O mundo era bem melhor….

amarante
amarante
Responder para  deadeye
1 mês atrás

Tinha o Star Office da Sun

Última edição 1 mês atrás por amarante
Marcio
Marcio
Responder para  JuggerBR
1 mês atrás

Lotus 1-2-3 era melhor que o Excel. Tinha o VisiCalc também.
Mas o Windows alavancou o Excel, e o resto virou passado.

GuiBeck
GuiBeck
Responder para  JuggerBR
1 mês atrás

Com aquela agenda que folheava, como se fosse de papel, e ainda fazia um barulhinho do folha.. kkkk bons tempos.

Alexandre Galante
Admin
1 mês atrás

Sabia que os Nerds da Trilogia iriam das as caras neste post 🙂

Sou da época dos editores de texto nacionais como o Carta Certa para o IBM-PC XT.

Camargoer.
Camargoer.
Responder para  Alexandre Galante
1 mês atrás

Olá Galante.

IBM-PC, usando o Wordstar usando disquetes dede 5,2 polegadas e 500kB de capacidade. Um disquete de trabalho e outro disquete do sistema.

Tela verde de fósforo

Sistema operacional DOS por linha de comando

eita nós.

GuiBeck
GuiBeck
Responder para  Camargoer.
1 mês atrás

Prológica CP 500, rodando DOS, programando em basic, com diquete de papelão… eita!!

Celso
Celso
Responder para  Camargoer.
1 mês atrás

Ih, idem aqui (fósforo branco). HD RLL no pc xt

Jozueh Andrade
Jozueh Andrade
Responder para  Camargoer.
1 mês atrás

Aqueles disquetes eram de 360 Kb, não de 500 Kb.

MMerlin
MMerlin
Responder para  Alexandre Galante
1 mês atrás

Na década de 80, quando trabalhava no CPD da uma grande cervejaria da região, lembro quando chegou o mainframe 4300 da IBM. Uma revolução para a sede do Paraná.
Utilizávamos COBOL para construir programas de calculo de distância, combustível e custos das entregas.
Já Assembler para programas que exigiam máximo de performance. Mas era de perder cabelo.
Durante uma década esses programas foram sendo utilizados e melhorados.
Até a chegada do famoso Roadshow.

Apenas para curiosidade, o 4300 saia na faixa de US$ 150 mil, na época e apenas de início.
Era tão caro que a grande maioria das empresas optava pelo leasing, que ficava na faixa de US$ 5 mil por mês com manutenção garantida. Algo em torno de US$ 20 mil mensais atualmente.

A nova era dos processadores e a arquitetura cliente/servidor mudou toda essa história.

amarante
amarante
Responder para  MMerlin
1 mês atrás

Nos anos 80, por quê não usar C?

MMerlin
MMerlin
Responder para  amarante
1 mês atrás

Porque COBOL e Assemble eram otimizados para essas plataformas.
O C não era nativo e, além disso, o C trabalha bem quando se tem acesso direto à manipulação do hardware.
No z/VSE não permitia acesso facilitado de memória.
Ele não tinha a mesma performance dessas duas outras linguagens.
E como ele um mainframe responsável por diversos terminas burros, performance era requisito obrigatório.
Só mais tarde vieram SO’s que suportavam o C nativamente.

Celso
Celso
Responder para  MMerlin
1 mês atrás

Banco (extinto nacional) tinha vários desse daí.

Marcio
Marcio
Responder para  Alexandre Galante
1 mês atrás

Carta Certa funcionava direitinho. Tal e qual o ABC.

Quando eu comecei na computação, no “maravilhoso” TK-82c, bom…. deixa para lá…. Parce papo de velho… kkkk

GuiBeck
GuiBeck
Responder para  Marcio
1 mês atrás

Meu sonho era o TK85, pretinho com aquelas teclas emborrachadas…. top demais.

Celso
Celso
Responder para  Alexandre Galante
1 mês atrás

Já usei esse

Cassini
Cassini
1 mês atrás

Qual a melhor alternativa a plataforma Microsoft Office?

Camargoer.
Camargoer.
Responder para  Cassini
1 mês atrás

Eu uso o LibreOffice há muito tempo.

Ou se preferir, use os aplicativos do próprio Google. Lá tem um edito, tem planillha, tem um softares para apresentações e até um edito de imagem simples

Abymael
Abymael
Responder para  Cassini
1 mês atrás

Para mim é o Libre Office.

Calypso
Calypso
Responder para  Cassini
1 mês atrás

Uma alternativa a plataformas ocidentais é o WPS

Calypso
Calypso
1 mês atrás

Deixei de usar o Microsoft Office há uns dois anos, por causa das propagandas de assinatura do Office 365, apareciam praticamente toda vez que abria o programa.
Tenho usado desde então o WPS que pra uso pessoal dá e passa, inclusive no Android.

Marcos Bishop
Marcos Bishop
1 mês atrás

Tudo bem que estão buscando autonomia em relação aos EUA…
Mas um pacote office?
Nenhum demérito dos profissionais que o desenvolvem…
Mas um pacote office?
Isso fara alguma diferença para a soberania da Europa? Se for isso a dependência tecnológica da Europa em relação aos EUA pode deixar a dependência perdurar..
Posso estar enganado, mas parece a historia da pá carregadeira blindada com chapas de aço que uma organização de engenharia que custa os olhos da cara desenvolveu…
É uns trem bem meia boca…