Proposta do governo Trump mira proteções históricas de veteranos em cortes no funcionalismo federal
Uma proposta do governo Donald Trump para reformar as regras de demissão no funcionalismo federal dos Estados Unidos reacendeu o debate sobre a proteção histórica concedida a veteranos de guerra empregados pelo Estado. A medida, apresentada pelo Office of Personnel Management (OPM), altera os critérios adotados em processos de redução de força de trabalho (Reduction in Force, ou RIF) e pode enfraquecer a vantagem tradicional que muitos veteranos têm em cortes de pessoal.
Hoje, o sistema federal de RIF considera principalmente fatores como tempo de serviço, vínculo funcional e preferência legal para veteranos, o que, historicamente, ajuda ex-militares a manter seus cargos em momentos de enxugamento da máquina pública. O próprio OPM afirma, em sua orientação oficial sobre preferência de veteranos, que certos ex-integrantes das Forças Armadas têm vantagens específicas em processos de demissão coletiva no serviço federal.
A proposta publicada pelo OPM em março altera esse equilíbrio ao priorizar mais fortemente o desempenho recente do servidor, com base nas três avaliações mais recentes, reduzindo o peso da antiguidade e de outros fatores tradicionais. Segundo o texto do Federal Register, a intenção é tornar o sistema “mais eficiente” e “mais baseado no mérito”, mas especialistas em gestão pública alertam que, na prática, a mudança pode diminuir a proteção de categorias que historicamente dependem dessas regras, entre elas os veteranos.
A controvérsia ganhou visibilidade após reportagens apontarem que centenas de milhares de veteranos empregados pelo governo federal podem ser afetados, uma vez que representam uma parcela expressiva da força de trabalho civil americana. Em um ambiente de cortes, reestruturações e pressões por redução de pessoal em várias agências, a alteração dos critérios de retenção pode ter impacto político sensível, especialmente sobre um grupo tradicionalmente valorizado no sistema federal.
A proposta insere-se em um movimento mais amplo de reforma da burocracia federal, promovido pelo governo Trump. Nos últimos meses, o OPM também avançou com regras para facilitar a dispensa de certos funcionários de carreira por meio da nova categoria “Schedule Policy/Career”, além de outras mudanças nos procedimentos de apelação e na reorganização da força de trabalho. O governo argumenta que essas medidas aumentam a responsabilização e a eficiência administrativa.
Críticos, porém, veem risco de erosão das garantias históricas do serviço público e de enfraquecimento das proteções estabelecidas desde o pós-guerra. Para eles, a combinação de maior discricionariedade gerencial, reclassificação de cargos e novas regras de demissão pode alterar profundamente o equilíbrio entre mérito, estabilidade e reconhecimento ao serviço militar.
Do ponto de vista político, a medida tem potencial para gerar atrito com uma base eleitoral tradicionalmente próxima ao Partido Republicano. Veteranos sempre ocuparam posição simbólica relevante no debate público americano, e qualquer percepção de perda de direitos no emprego federal tende a provocar reação de associações da categoria, de sindicatos e de parlamentares. Embora a proposta ainda esteja em fase regulatória, seu avanço já é visto como um teste importante para o relacionamento entre a Casa Branca e a comunidade de ex-militares.■


Esses cortes que o Trump vêm fazendo, são tão retardados e ilegais, que precisaram diversas vezes recontratar o pessoal demitido. Um exemplo foi na crise de gripe aviária, onde o departamento de agricultura demitiu todos os técnicos trabalhando no setor, e precisaram urgentemente recontratar.
Tudo está sendo feito sem planejamento.
Me lembrei do início do governo passado, quando o ministro da casa civil, a pretexto de eliminar a esquerda do governo, exonerou todos os servidores com cargos comissionados do órgão, inclusive os que trabalhavam na nomeação de novos servidores.
Aí deu aquele branco, exonerou quem fazia as nomeações e depois não conseguia nomear.
Em 2023, o governo Lula promoveu uma série de exonerações focadas na desbolsonarização da administração pública, especialmente após os atos de 8 de janeiro.
As principais ações incluíram:
Se foram exonerados, eram cargos comissionados, de confiança, de livre exoneração. Se eram concursados,não poderiam ser exonerados sem prévio processo disciplinar, o que pressupõe o cometimento de alguma infração administrativa grave
Exato
Tem os casos que servidores de carreira estejam ocupando cargos de confiança. Quando sao exonerados voltam ao cargo iniciial
Sim, é a clássica “reversão”
Franciscso…
Existem 2 tipo de cargos no governo. 1) por concurso e 2) por nomeação.
Por exemplo, o agente ou escrivão da PF, o professor de uma universidade pũblica, o auditor da receita federa etc, sõ todos cargos ocupados por concuso. Possuem estabildade funconal e só podem ser demitidos por justa causa apór processo administrativo
Os cargos por nomeação são divididos em dois tipos. Tem aqueles que que só podem ser ocupados por servidores de carreira e os de livre nomeação.
Por exemplo, reitores de universidades, chefes de departamento, superintendentes, etc, só podem ser ocupados por servidores de carreira. Apens professores da universidade podem ser reitores, apenas agentes da PF podem ser superintendentes…
No caso da livre nomeação, como ministros, são cargos de confiança. Todo presidente, governador ou prefeito que assume um mandatado faz uma ampla mudança nos cargos de confiança.
É muito doido você criar problemas com uma enorme massa de pessoal altamente qualificado em operar armamentos de alta letalidade, e que sem seus benefícios, podem ficar muito motivados a atacar quem tirou estes benefícios.
Tem brigas que você não compra, o Trump faltou nessa aula de lógica elementar…
Atualmente, antes mesmo de se tornarem “veteranos abandonados”,
os marujos servindo no USS Abraham Lincoln, USS Tripoli… estão passando fome a bordo.
Sailors on the USS Abraham Lincoln are reportedly going hungry.
A fonte deste post no X, do lik acima, é esta matéria :
“Cookies, deodorant, socks. Iran war puts military packages in limbo”
( USA Today )
Ps. Só agora vi que este assunto já foi noticiado lá no Naval.
tiro no pé, os veteranos são eleitores dele
EUA está entrando em uma era de queda “pré Romanov”
Governo oligárquico não liga pra bem estar social. Prefere enriquecer a si e a seus associados doadores enquanto demole toda responsabilidade social do aparelho estatal jogando a todos sob o ônibus neoliberal. Já está decido assim pelas elites do dinheiro e da política (de ambos os partidos) e a civilidade ianque vai se adaptar ou perecer (lembram das ofensas da Hillary aos ‘deplorables’? Então… Trump é apenas mais dissimulado embora pretenda, igualmente, punir a todos os seus compatrícios precarizados). E esqueçam essa estória de que veterano vai pegar em arma por revolta; se pegar, as forças militares ativas farão picadinho deles – não existe mais nenhuma consideração humana ou solidariedade sob um regime de desmoralização e exploração ilimitadas.