Coreia do Norte inaugura memorial para militares mortos em operação no exterior ao lado da Rússia
Cerimônia em Pyongyang, com presença de Kim Jong Un e autoridades russas, homenageou soldados norte-coreanos apresentados pelo regime como veteranos da campanha de Kursk
A Coreia do Norte inaugurou em 26 de abril, em Pyongyang, um memorial dedicado aos militares do Exército Popular Coreano mortos em uma operação militar no exterior, apresentada pelo regime como parte da campanha para a “libertação” da região russa de Kursk. A informação foi publicada na edição de 27 de abril do jornal oficial Rodong Sinmun, que tratou a cerimônia como um marco político e simbólico na aproximação entre Pyongyang e Moscou.
Segundo o texto, o novo Museu dos Feitos de Guerra em Operações Militares no Exterior foi construído em um local de destaque da capital para exaltar o que o regime descreveu como o “heroísmo” e a “lealdade patriótica” dos soldados norte-coreanos que participaram da operação ao lado das forças russas. A cerimônia ocorreu na véspera do primeiro aniversário do fim da operação de Kursk e contou com a presença de Kim Jong Un, de altos dirigentes do Partido do Trabalho, de comandantes militares, de familiares dos mortos e de uma delegação oficial russa.
Entre os representantes de Moscou presentes, o Rodong Sinmun citou o presidente da Duma, Vyacheslav Volodin, e o ministro da Defesa da Rússia, Andrei Belousov. Ainda de acordo com o jornal, uma mensagem do presidente russo Vladimir Putin foi lida durante a cerimônia. Nela, Putin teria elogiado os soldados norte-coreanos por lutarem “ombro a ombro” com as forças russas e teria afirmado que seus feitos permanecerão na memória do povo russo.
O evento teve forte carga ritual e política. O jornal afirma que Kim Jong Un fez um discurso para marcar a inauguração, reuniu-se com comandantes das unidades enviadas ao exterior e exaltou a participação dos militares como expressão de lealdade ao partido e ao Estado. Também houve uma cerimônia de sepultamento dos restos mortais de combatentes, com honras militares, disparos cerimoniais, deposição de coroas de flores e momentos de silêncio em homenagem aos soldados.
A publicação também destacou que Kim visitou salas memoriais, assinou o livro de honra do local e percorreu uma exposição de armas capturadas, apresentada como parte do acervo do novo memorial. Na narrativa oficial, o complexo deverá funcionar como espaço de culto patriótico, de glorificação dos mortos e de consolidação da aliança entre Coreia do Norte e Rússia.
A reportagem do Rodong Sinmun trata a participação norte-coreana em Kursk como um feito histórico e um exemplo de fraternidade de armas entre os dois países. A inauguração do memorial reforça o uso político interno dessa cooperação militar por Pyongyang e sinaliza que o regime pretende transformar a atuação de seus soldados ao lado da Rússia em elemento permanente de propaganda estatal.■











Deixando de lado a ideologia, nossos heróis da FEB mereciam um monumento semelhante
Mas ele existe, o Monumento Nacional aos Mortos da Segunda Guerra Mundial, no Rio de Janeiro.
Pois é, podiam se informar antes de comentar.
Chegou 70 anos tarde demais e lha diferença do nosso para os deles….
Sim, mas deveria ser melhor cuidado, e ter mais ritualística por trás, uma comemoração para honrar a memória deles e tudo mais. Um discurso anual do presidente (ou outro representante) com militares etc. Não adianta fazer o monumento e manter ele lá extático e esquecido, tanto que muitos nem devem saber que existe, a memória precisa ser sempre evocada, os líderes nacionais tem o dever de fazer o passado mítico da nação “retornar” em datas específicas, é isso que cria uma cultura nacional forte e causa uma “hipertrofia” folclórica e simbólica na psique coletiva do povo, não existe nação que exista e se mantenha firme sem isso, e não sou eu que falo isso, esse tema é muito explorado pelo Eliade, Jung, Spengler, e até autores da antiguidade romana, grega e até védica e chinesa. Se o Brasil pretende se tornar um projeto real de civilização própria esse tipo de coisa precisa existir aqui, é justamente o que conecta o “homem ordinário” com a metafísica nacional, com seus ancestrais, heróis fundacionais, etc; além de elevar as mais altas virtudes na consciência do povo.
Eles sabem fazer propaganda! A beleza, estética e grandiosidade. O gordinho se deu bem com essa Guerra. Dinheiro entrando a rodo.
É um país digno!
Digno de escoria
Teve ser tenso usar equipamentos dos anos 60, doutrina antiquada e ser triturados em campo de batalha pelas forças ocidentais.
Russos ainda tem equipamentos atuais, mas eles são completamente defasados.
Morreram aos baldes…..
Negativo.
O Exército da Coreia Popular tem muitos unidades com equipamentos modernos e as que combateram em Kursk eram unidade de elite e bem equipadas.
Enfrentaram as melhores e mais bem equipadas tropas da Ucrânia na época; aliás, foi uma das operações mas estúpidas de Kiev/EUIA/OTAN dessa guerra; perderam dezenas de milhares de soldados e US$ bilhões em equipamentos ocidentais.
Fiquei impressionado com a beleza do local.
Coréia do Norte entrando firme no mercado de aluguel de soldados para nações amigas.
Não aceita troca nem devolução mas pelo menos garante funeral de gala e propaganda para o regime.
Até aonde eu sei o Brasil tá exportando a rodo mão de obra pra Ucrânia, e o pior, ninguém ta recebendo nada por isso, nem a família do morto nem o próprio cadáver, nisso a Coreia ta muito melhor.
Aqui, no nosso caso, os brasileiros estão indo por vontade própria. Não é governo brasileiro que está enviando. Lá na CN, o gordinho cara de porco está obrigando eles irem. Simples assim.
Morre gente que nem vivia. (João Cabral de Mello Neto, “Morte e Vida Severina”)
Ficou realmente bonito, essa semiótica e ritualismo é o que constrói as bases culturais de uma nação, como Confucio, Oswald Spengler, Cícero, e muitos outros já apontaram. Gostaria que houvesse mais disso no Brasil, a glorificação dos heróis e da história nacional, uma pena que aqui provavelmente custaria bilhões, e no fim do dia mal temos saneamento básico.