EUA concluem retirada militar da Síria e encerram presença de mais de uma década no país
A retirada das tropas dos Estados Unidos da Síria entrou em sua fase decisiva com a desocupação da base aérea de Qasrak, na província de Hasakah, movimento que consolidou o fim da presença militar americana em bases próprias no território sírio após mais de dez anos de operações ligadas sobretudo ao combate ao Estado Islâmico. A saída ocorreu depois de uma retirada anterior da base de al-Tanf, no sudeste do país, em fevereiro, no âmbito de um processo descrito por autoridades americanas como “deliberado” e “baseado em condições”.
A presença militar dos EUA na Síria começou em meados da década passada, no contexto da campanha contra o ISIS, e chegou a incluir cerca de 2.000 militares, número que depois foi reduzido gradualmente. Em 2025, Washington já havia anunciado cortes de pessoal para menos de 1.000 soldados e a consolidação de bases no nordeste sírio, sinalizando uma mudança de postura que se aprofundou após a queda do regime de Bashar al-Assad e a reorganização do quadro político em Damasco.
Segundo a Associated Press, a retirada de Qasrak devolveu ao governo sírio o controle dos antigos locais de presença americana, num momento em que Damasco tenta reafirmar sua autoridade nacional e avançar na integração das forças curdas aliadas dos EUA ao aparato estatal sírio. Já o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS) avaliou o movimento como um marco que encerra uma etapa central da política militar americana no país, embora Washington tenha indicado que pretende manter atenção ao risco de ressurgimento do Estado Islâmico e seguir apoiando, de outras formas, operações de antiterrorismo.
O recuo americano também tem implicações estratégicas mais amplas. Além de reduzir a presença militar dos EUA no Levante, ele altera o equilíbrio entre o governo sírio, as forças curdas, a Turquia e atores regionais que acompanharam de perto a presença de Washington no nordeste do país. Com a retirada, encerra-se um capítulo importante da intervenção americana na guerra síria, mas permanece em aberto a questão de como o vazio deixado pelos EUA influenciará a estabilidade do país e a contenção de ameaças jihadistas nos próximos meses.■

Pelo andar da carruagem os EUA vai ser obrigado a sair de todo o Oriente Médio.
Qual seria sua ideia? Os OpEsp americanos deveriam ficar ali pra sempre? Já cumpriram o q deveriam.
Bela análise… Belo português…
Nos tempos atuais não significa muito não.
Outra, não existe vácuo, né ?
Os Otomanos estão com uma bela vontade de pegar de volta o que lhes foi tirado, e ao sul Israel avança com anuência dos EUA. Vai ser interessante ver o dois pesos e duas medidas dos EUA com esses dois atores. Vejo a Turquia no radar de sanções muito em breve.
Sim. Pensei nos turcos também.
Aliás, desde que vi uma entrevista de um almirante turco da reserva, onde ele falava em oportunidades que surgiam num cenário de fragmentação do poder e influência iraniana.
O vácuo foi preenchido pela Turquia
Sim, concordo que eles irão buscar um bom pedaço desse bolo.
Um outro ponto que acho interessante ser observado – partindo princípio que conforme vc observou os turcos já estejam ocupando esse vácuo – é como ficará a relação entre eles (turcos) e a Otan-UE (meu foco é a questão migratória).
Irão compor com os turcos para a criação de um período de paz regional e posterior retomada de investimentos e incentivo ao regresso de refugiados/imigrantes; ou olharão com receio para o crescimento da influência turca na região, podendo até ter consequências como apontou o comentário do “gordo” acima ?
Mas a Al-Qaeda virou novo governo atual, controla boa parte do País e já se mostrou receptivel ao ocidente, tem uma parte que Israel ocupou e não quer sair de lá, tem o norte ocupado pelos Turcos que não querem sair e já fizeram limpexa etnica, e são aopiadores do sobrou do EI, não tem um vácuo muito grande.
“Mas a Al-Qaeda virou novo governo atual, controla boa parte do País e já se mostrou receptivel ao ocidente”
Quem diria né? Nesse mundo tudo e possivel, em 2001 jamais iriamos imaginar um “ex” membro da Al-Qaeda sendo recebido como chefe de estado na casa Branca.
Entraram para produzir o caos a fim de conter a influência chinesa, transformaram a Síria em terra de ninguém e agora vão embora. Sempre mais do mesmo.
Na realidade acho que foi pra suprimir a influência iraniana, lembro em 2018 quando a Rússia entrou na Síria e o Netanyahu elogiou muito o Putin dizendo que ele estava tomando o espaço de Tehran na Síria, e que as relações com a Rússia nunca haviam sido tão boas.
Também.
Bem vindo ao mundo real.
Sempre mais do mesmo esse “realismo” mais real que o rei.
Quem adivinhar qual país aliado dos EUA ainda está ocupando território sírio ganha um balão, dica: Ajudaram os rebeldes a derrubar o governo anterior e quando estes tomaram o poder invadiram alegando “razões de segurança”.
Não precisa mais se preocupar com o ISIS pq ele virou o governo kk
Deviam ter saído a muito tempo, Clinton e Obama tem um lugar especial no inferno para eles tenho certeza, no final conseguiram colocar um governante amigável para comandar o país, mas a um preço imoral.
E ainda o “cara” ganhou um Nobel da paz.
Devem ter concluído a meta de roubo de petróleo deles na região…
E agora que tem a Venezuela, não há por que de continuar no país…
Onde estão os defensores do dito Direito Internacional e do “mundo baseado em regras” para justificar os EUA ocupando parte do território sírio por mais de uma década?
Não estavam ocupando.
Estavam operando.
Sim, estavam operando…
No Afeganistão, ficaram vinte anos e deixaram o país na mão do Taliban.
Na Síria, ficaram dez anos e entregaram para o Estado Islâmico.
Sucesso total.