Putin visita a China e reforça alinhamento estratégico com Xi após cúpula sino-americana

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Xi e Putin

Presidente russo afirma que relações com Pequim estão em nível “sem precedentes”; encontro ocorre poucos dias depois da visita de Donald Trump à China e em meio à disputa por uma nova ordem global

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, realizou uma visita de Estado à China nesta semana para conversar com o presidente Xi Jinping, em um gesto que reforça o alinhamento estratégico entre Moscou e Pequim em meio à crescente competição com os Estados Unidos. O encontro ocorreu em Pequim poucos dias depois de Xi receber o presidente norte-americano Donald Trump, tornando a capital chinesa o centro de uma intensa sequência diplomática entre as principais potências globais.

Durante a reunião, Putin afirmou que as relações entre a Rússia e a China atingiram um nível “sem precedentes” e convidou Xi a visitar a Rússia no próximo ano. Segundo a Reuters, o líder russo destacou a profundidade da parceria bilateral e a importância de manter a coordenação política, econômica e estratégica em um cenário internacional marcado por tensões e instabilidade.

A visita teve forte carga simbólica e geopolítica. De acordo com o Kremlin, Moscou tinha “expectativas muito sérias” para a viagem, vista como uma oportunidade de desenvolver ainda mais a chamada parceria privilegiada entre os dois países. O encontro foi programado para os dias 19 e 20 de maio, menos de uma semana após a passagem de Trump por Pequim.

No centro da mensagem política esteve a crítica conjunta à ordem internacional dominada pelo Ocidente. Putin e Xi advertiram contra o que chamaram de “lei da selva” nas relações internacionais, expressão usada para denunciar, na visão de Moscou e Pequim, o uso seletivo de regras, sanções, pressão militar e instrumentos econômicos por parte dos Estados Unidos e seus aliados.

A aproximação sino-russa ganhou ainda mais relevância após a guerra na Ucrânia e a imposição de sanções ocidentais contra Moscou. Desde então, a Rússia ampliou sua dependência econômica da China, especialmente em energia, comércio, tecnologia dual e canais financeiros alternativos ao dólar. Pequim, por sua vez, evita romper abertamente com o Ocidente, mas mantém a Rússia como parceira estratégica em sua disputa mais ampla com Washington.

O pano de fundo imediato da viagem foi a recente cúpula entre Xi e Trump, marcada por divergências sobre Taiwan, comércio, Irã e tecnologia. Segundo a Reuters, a reunião sino-americana não produziu grandes avanços, embora os dois lados tenham buscado preservar canais de diálogo e evitar uma ruptura mais ampla.

A presença de Putin em Pequim logo depois da visita de Trump foi interpretada como uma demonstração de que a China pretende manter equilíbrio entre diálogo com Washington e aprofundamento da parceria com Moscou. Para a Rússia, a viagem serve para mostrar que, apesar do isolamento imposto pelo Ocidente, o país continua a contar com o apoio político e econômico de uma potência global de primeira grandeza.

A agenda também incluiu temas econômicos. Segundo a Reuters, autoridades russas indicaram que Moscou avalia projetos conjuntos envolvendo Rússia, China e até os Estados Unidos, em áreas que poderiam ser conduzidas por meio do fundo soberano russo. A declaração sugere uma tentativa de Moscou de preservar o espaço diplomático e econômico, mesmo em meio à rivalidade entre Washington e Pequim.

Apesar da retórica de unidade, a parceria sino-russa também apresenta assimetrias. A China tornou-se o parceiro mais forte da relação, com maior peso econômico, industrial e tecnológico. Reportagem do Washington Post destacou que, por trás da frente comum contra os EUA, há desconfianças e desequilíbrios crescentes, com Moscou cada vez mais dependente de Pequim, especialmente após as sanções ocidentais e o desgaste prolongado da guerra na Ucrânia.

Para Xi, receber Putin logo após a visita de Trump reforça a imagem da China como potência capaz de dialogar simultaneamente com rivais e parceiros. Pequim busca apresentar-se como eixo de uma ordem multipolar, capaz de contrabalançar a influência norte-americana e, ao mesmo tempo, preservar acesso a mercados, tecnologia e investimentos globais.

Para Putin, a visita é uma oportunidade de reafirmar que a Rússia não está isolada. Ao lado de Xi, o presidente russo procura mostrar que Moscou permanece integrada a uma arquitetura alternativa de poder, apoiada no comércio energético, na cooperação militar, na coordenação diplomática e na contestação à hegemonia ocidental.

O encontro também deverá ser acompanhado de perto por Washington, Bruxelas, Tóquio e Nova Délhi. A profundidade da cooperação entre China e Rússia afeta diretamente a guerra na Ucrânia, o equilíbrio de poder no Indo-Pacífico, a segurança energética global e o futuro das sanções ocidentais.■


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JuggerBr
JuggerBr
26 dias atrás

Trump olha essa foto e deve ficar puto… Vivemos um momento em que a China mostra ao mundo que passa a ter o poder de influenciar, se quiser, os rumos do planeta. Passa por eles e não pelos EUA resolver a crise do Irã.

Angus
Angus
26 dias atrás

E pensar que os mais velhos/experientes/antigos já observaram o contrário: “Presidente da China visita Moscou buscando alinhamento com a União Soviética”.

O tempo passou, a URSS acabou e a grande maioria das nações que estava sob a “cortina de ferro” se aliou ao Ocidente (a resposta para a pergunta: “para onde os alemães da Alemanha Oriental correram quando caiu o Muro de Berlin?” é emblemática).

A China se afastou da ideologia Soviética, reformou o país e a economia e se inseriu no mercado global.

Hoje é a Rússia que procura a China em busca de alinhamento.

Os fan boy da extinta URSS, que ficaram tanto tempo atordoados, já tem um novo ídolo para chamar de “seu”.

E o Brasil nesse tempo todo? continua um bêbado no meio do tiroteio, correndo de um lado para o outro, atrás de migalhas, movido e governado por fan boys de alguma ideologia ou de alguém. Nenhum projeto de Estado, muito menos melhorias como nação.

JuggerBr
JuggerBr
Responder para  Angus
26 dias atrás

Acho que o ultimo estadista de verdade foi JK. Depois ainda teve o FHC, que ensaiou algumas medidas neste sentido, mas insuficientes.
No mais é só gente atrás da boquinha, uma perigosa mistura de corrupção e incompetência.

Sulamericano
Sulamericano
Responder para  JuggerBr
25 dias atrás

O último grande estadista do Brasil foi o Geisel. Ele sim teve um projeto de desenvolvimento do país e da indústria nacional. Também foi ele que entendeu que os dias da ditadura militar estavam contados e começou a abertura.

Pena que depois dele veio aquele cidadão que gostava mais do cheiro de cavalo do que do próprio povo.

Já o FHC teve um ponto positivo que foi o da estabilização da moeda e da economia. No mais, foi um outro entreguista como muitos outros que passaram pela presidência.

Angus
Angus
Responder para  Sulamericano
25 dias atrás

Concordo com tudo.

Só acrescento que Getúlio Vargas também foi importante com a visão “além do alcance” ao fomentar o desenvolvimento da industria de base.

Jagderband#44
Jagderband#44
Responder para  Angus
25 dias atrás

Meu avô foi tort#rad@ pela polícia do Getúlio, pois falava italiano.

Dr. Mundico
Dr. Mundico
Responder para  Jagderband#44
25 dias atrás

Tá, e daí?

Sulamericano
Sulamericano
Responder para  Dr. Mundico
24 dias atrás

E daí? A falta de empatia é só porque não foi um parente seu.

Sulamericano
Sulamericano
Responder para  Jagderband#44
24 dias atrás

Nos anos 40, o governo do Getúlio proibiu os imigrantes de falarem italiano e alemão sob pena de irem presos.

Ter sido um grande estadista não significa o mesmo que ter sido um grande humanista (infelizmente).

Sulamericano
Sulamericano
Responder para  Angus
24 dias atrás

Olá Angus, sim o Getúlio também foi um grande estadista. O JK também. Foi por isso que disse que o Geisel foi o último.

Manus Ferrum
Manus Ferrum
26 dias atrás

O equilíbrio de poder do mundo sendo reformulado.

Dr. Mundico
Dr. Mundico
25 dias atrás

Depois de 4 anos de uma guerra de rapina que já deixou mais de 200 mil soldados russos de adubo na Ucrânia, parece que o czar Putin o Grande colocou a Rússia de joelhos diante do império chinês….quem diria…