A História Militar e o Cinema: MacArthur, o General Rebelde (1977)
Sérgio Vieira Reale
Capitão-de-Fragata (RM1)
“Velhos soldados nunca morrem, eles apenas desaparecem”.
General Douglas MacArthur
MacArthur, o General Rebelde, é um filme de guerra biográfico, que aborda parte da trajetória pessoal, profissional e política desse famoso líder militar do século XX. O longa foi dirigido pelo cineasta norte-americano Joseph Sargent e lançado em 1977. A produção retrata, em especial, a marcante participação do General norte-americano Douglas MacArthur, no Teatro de Operações do Pacífico, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). MacArthur foi interpretado no cinema com brilhantismo pelo grande ator Gregory Peck.
O filme começa, em 12 de maio de 1962, quando o General Douglas MacArthur, já na reserva, foi convidado para ser homenageado numa cerimônia na Academia Militar dos Estados Unidos da América (EUA) – “West Point”. Naquele dia, ele fez o seu famoso discurso ao Corpo de Cadetes intitulado “Dever, Honra, Pátria”.
Na sequência, três meses após o ataque japonês a Pearl Harbor, o longa faz um corte e nos leva de volta a 1942.
Naquele momento, Macarthur se desloca num abrigo antiaéreo em Corregidor, nas Filipinas, e presencia a situação dos soldados norte-americanos feridos. Ao mesmo tempo aviões japoneses fazem um ataque aéreo sobre o local.
O General Douglas MacArthur, que possuía características de um estadista e um temperamento impetuoso se destacava por sua grande liderança. Ainda nas Filipinas ele recebe uma ordem do Presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt para se retirar da região e se dirigir para Austrália. Mesmo não concordando, pois não queria abandonar suas tropas, cumpre a ordem e se desloca para Austrália. Ao chegar em Melbourne foi ovacionado por populares com muita admiração na estação de trem.
Antes de desembarcar do trem toma conhecimento de ter sido condecorado pelo Presidente Roosevelt com a “Medalha de Honra do Cogresso”, maior condecoração militar dos EUA.
Nomeado comandante das Forças Aliadas, no Sudoeste do Pacífico, MacArthur fica indignado com a rendição das tropas filipinas e norte-americanas pelo seu sucessor, o Brigadeiro Waiwright, ao exército japonês. Na Austrália, MacArthur planeja seu retorno às Filipinas para realizar uma ofensiva contra o Japão.

Após o falecimento do Presidente Roosevelt, em abril de 1945, Harry Truman assume a presidência dos EUA. Durante o governo Truman, ocorrem muitas divergências entre ambos. MacArthur e o Presidente não tinham uma boa relação. Após o término da Segunda Guerra Mundial, MacArthur realiza a tarefa de coordenar a democratização do Japão, que havia sido derrotado ao final da Guerra.
Nas cenas finais desse clássico do cinema, MacArthur volta a participar mais intensamente da política. Porém, foi destituído, do comando supremo das Forças da ONU, pelo Presidente Harry Truman.
Ele havia criticado publicamente pela imprensa o governo norte-americano por não querer se envolver numa guerra contra a China comunista, que era aliada da Coréia do Norte na Guerra da Coréia (1950 – 1953). Desse modo, foi considerado um ato de insubordinação pelo Presidente.
- Filme: MacArthur, o General Rebelde (1977)
- Diretor: Joseph Sargent
- Atores Principais: Gregory Peck, Ed Flanders e Dan O’Herlihy
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS E SITES CONSULTADOS
- https://en.wikipedia.org/wiki/DouglasMacArthur
- https://www.britannica.com/biography/Douglas-MacArthur
- https://www.academia.edu/37139542/O_GENERAL_ESTADISTA_Douglas_MacArthur_e_o_S%C3%A9culo_Americano_Sao_Paulo_Intermeios_2018_


“General Rebelde” é um título que doura a pílula…ele estava mais pra “general psicopata com tendências genocidas”…
MacArthur sugeriu o lançamento de 30 a 50 “bombas atômicas” na Manchúria (China) e ao longo da fronteira com a Coreia do Norte.
Uma de suas ideias mais radicais era espalhar resíduos de cobalto radioativo ao longo do Rio Yalu para criar uma barreira permanente, impedindo que tropas chinesas cruzassem para a península coreana.
Felizmente o presidente Harry Truman e o Estado-Maior Conjunto rejeitaram essas propostas.
Sim, e não. Isso foi falado por ele em uma entrevista após a guerra e publicada postumamente. Oficialmente, diversas idéias para uso de armas nucleares foram entretidas por ele e por todo o comando militar Americano na época. Idéias essas que foram diminuindo bruscamente conforme mais testes atômicos foram sendo feitos e os efeitos reais da coisa começaram à ser mais difundidos.
Felizmente Truman nunca autorizaria tais empreitadas. Nem o uso de armamento nuclear e nem o uso de dejetos radiativos. Não é à toa que eu considero Truman um dos melhores Presidentes que os EUA já tiveram.
Mas uma coisa interessante, e que ‘casa’ com a data daquela entrevista com MacA, é que Eisenhower, já presidente eleito, vazou para diplomatas Indianos que iria usar armamento nuclear na Coréia para forçar um acordo. Essa conversa vazou de propósito para chegar aos ouvidos Soviéticos e Chineses e acabou resultando no acordo de paz. Ike não tinha a menor intenção de usar armamento nuclear, mas só queria ameaçar mesmo.
Por tudo que foi falado por MacArthur ‘na íntima’ eu também não acredito que ele usaria armas nucleares na Coréia/China ou onde quer que fosse. Mas ele não queria sair por baixo de jeito nenhum, e isso fala mais da vaidade dele do que qualquer outra coisa. Principalmente não queria aparecer como fraco. Quando era comandante do US Army, houve uma manifestação de veteranos da Primeira Guerra Mundial em Washington que se tornou controversa. Estavam reclamando que haviam sido esquecidos, pediam bônus e outros benefícios (era a Grande Depressão). MacArthur ordenou que a Cavalaria os atacasse. E assim foi feito. Inclusive com apoio de tanques com um tal de Major George S. Patton comandando. Ele literalmente estava atacando homens que haviam servido sob ele na Primeira Guerra Mundial. E ele estava lá pessoalmente. O Presidente Hoover ficou chocado e ordenou que o ataque parasse e MacA, já exibindo tendências ruins, ordenou novo ataque. Mesmo que o resultado fosse colocar ele como um crápula (E Eisenhower, na época também Major e ajudante de ordens de MacA, havia recomendado que MacA não estivesse nem lá perto), ele sempre tinha que parecer forte.
Aquela cena dele desembarcando nas Filipinas foi filmada um monte de vezes até ele ficar satisfeito. O cara era uma estrelinha.
Era vaidade demais. Acho que qualquer General competente teria feito o mesmo, e provavelmente até melhor que ele em suas campanhas (exceto, talvez em Inchon), mas não temos como saber.
Bem, obrigado pelas informações, em se tratando de MacArthur você fez bem o dever de casa 🙂
Tem uma boa biografia dele chamada “American Caesar” de William Manchester, que vale à pena dar uma lida quando se estiver de saco cheio heheehhe
Rota do declínio: tinham MacArthur mas tomaram o rumo Kissinger pra hoje, erráticos, colherem o caos interno e externo.
Indivíduo muito controverso. Muito antes da Segunda Guerra Mundial, diga-se de passagem. A maioria dos historiadores “modernos” Americanos odeia MacArthur, muito por causa de sua moralidade ‘questionável’ em certos aspectos, inclusive pessoais.
MacA era uma primadona de marca maior que podia deixar Patton e Billy Mitchell no chinelo, até porque foi mais longevo. Tinha seus toques de genialidade (Inchon, por exemplo), mas deu muita mancada que ele se desdobrou para varrer para debaixo dos panos, como a resistência atabalhoada nas Filipinas e ser pego de calças curtas com a invasão Norte-Coreana, área de responsabilidade dele.
Mas ainda tem algumas coisas que contam à favor dele, como ter aconselhado Kennedy à fazer um bloqueio naval ao invés de bombardear e invadir Cuba, que era a sugestão dos militares da época (alô LeMay) e ainda, no final da vida, por fazer lobby contra o uso de armas nucleares como um todo. Ainda é considerado um herói nas Filipinas.
MacA no final foi dispensado, corretamente, porque suas declarações públicas iam de encontro com as declarações e políticas nacionais estabelecidas pelo governo Truman. Simples assim.
O filme mostra MacA sob uma luz super positiva. Diria que positiva demais.
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