Exército Brasileiro – Força 40

O cenário global, marcado por rápidas transformações geopolíticas, tecnológicas e climáticas, impõe ao Exército Brasileiro (EB) a necessidade urgente de se preparar e se adaptar a esse complexo contexto e às suas ameaças inerentes.

Mais do que um simples processo de modernização de equipamentos, a Força 40 representa uma verdadeira transformação institucional. Ela materializa a visão de uma Força Terrestre robusta, resiliente e preparada para atuar no horizonte de 2040, alinhada aos desafios à soberania nacional, no século XXI.

A construção da Força 40 fundamenta-se na adaptação ao novo caráter da guerra contemporânea. O conflito moderno transcende o combate cinético convencional e manifesta-se, também, na chamada “zona cinzenta”, por meio de ameaças híbridas que combinam desinformação em larga escala, operações cibernéticas, guerra eletrônica, ações de influência e emprego de proxies.

Nesse ambiente complexo, as operações desenvolvem-se no multidomínio — terrestre, aéreo, marítimo, espacial e eletromagnético-cibernético-cognitivo —, em um contexto marcado pela aceleração tecnológica exponencial e pelo emprego massivo de sistemas não tripulados, como drones e veículos autônomos. O rápido avanço dos sistemas de sensoriamento, apoiados por inteligência artificial, tornou o campo de batalha mais transparente, letal e hiperconectado.

Diante desse cenário, a Força 40 será dotada de capacidades militares aptas a atuar de maneira conjunta, combinada e interagências contra as ameaças que se apresentarem, com destaque para a superioridade de informações, a proteção, a sustentação e o comando e controle, bem como para o emprego de sistemas de armas com maior alcance e precisão.

A Política de Transformação e seus Eixos Estruturantes

A espinha dorsal dessa evolução foi formalizada pela Política de Transformação do Exército Brasileiro (EB10-P-01.031), aprovada pela Portaria C Ex nº 2.662, de 9 de abril de 2026. O documento tem como finalidade direcionar e acelerar o processo de transformação da Instituição, definindo a visão estratégica e os quatro eixos fundamentais para a construção da Força 40:

  • Desenho Institucional: O Exército Brasileiro otimizará sua organização, articulação e estrutura, a fim de dispor de uma Força dotada de mobilidade estratégica, modularidade, elevado nível tecnológico e ampla interoperabilidade, integrada por sistemas de comando e controle, sensores e atuadores capazes de operar de forma sincronizada em todos os domínios. Para isso, a Instituição reorganiza suas tropas nos seguintes grupos de emprego:◦ Forças de emprego imediato (FEI): responsáveis pela resposta inicial e imediata, em razão de sua localização próxima às fronteiras ou a áreas de potencial crise.
    ◦ Forças de emprego de prontidão (FEP): aptas a atuar em qualquer parte do território nacional e em áreas de interesse, dispondo de poder de combate ofensivo para neutralizar ameaças.
    ◦ Forças de emprego continuado (FEC): fundamentais para a dissuasão e a presença estratégica, empregadas em conflitos prolongados e vocacionadas para a defesa territorial, a formação da reserva mobilizável e as ações de apoio ao Estado.
    ◦ Forças de emprego no multidomínio: dotadas de capacidades multidomínio, desdobradas em módulos para integrar a Força Terrestre Componente (FTC) ou o Comando Conjunto.
    ◦ Módulos de apoio ampliado: estruturas modulares destinadas a complementar e prover o apoio essencial à FTC.
  • Capacidades: Esse eixo determina a incorporação acelerada de tecnologias emergentes e disruptivas às capacidades militares terrestres, destinadas a compor as forças de emprego e os módulos de apoio. O objetivo é atender prontamente às demandas de segurança e defesa do País diante de ameaças potenciais ou manifestas.
  • Doutrina: A doutrina busca otimizar os processos de prospecção e experimentação, acelerando a incorporação de novas capacidades e o aperfeiçoamento das já existentes. De forma indissociável, a doutrina do Exército evoluirá continuamente em paralelo ao desenvolvimento da Força 40, potencializando os efeitos das capacidades militares terrestres.
  • Pessoal: O eixo de pessoal prioriza o fator humano no contexto das operações no multidomínio (Op M Domi), com foco no desenvolvimento de uma mentalidade voltada para a transformação, na capacitação tecnológica avançada, no fortalecimento da liderança militar e da ética profissional, bem como no reforço da autonomia decisória nos escalões menores, sob o conceito da missão pela finalidade.

Novas Capacidades e o Portfólio Estratégico

Para operar com superioridade diante dos novos desafios, o Conceito Operacional do Exército Brasileiro (COEB – 2ª edição) mapeou as exigências do combate moderno, permitindo ao Estado-Maior do Exército (EME) identificar e priorizar as capacidades militares terrestres na seguinte ordem: Superioridade de Informação, Proteção, Pronta Resposta, Comando e Controle, Enfrentamento, Sustentação, Projeção de Poder e Apoio às Ações do Estado.

Nesse contexto, os Programas Estratégicos do Portfólio do Exército Brasileiro constituem os principais instrumentos de transformação da Instituição. Eles viabilizam o desenvolvimento integrado das capacidades prioritárias, permitindo que o EB disponha de capacidades suficientes para se contrapor de forma eficaz às ameaças contemporâneas.

O pleno desenvolvimento dessas capacidades permitirá que a Força Terrestre transcenda a lógica do atrito linear, dominando as ações no campo informacional e assegurando superioridade decisória nas operações no multidomínio.

O Passaporte para o Futuro da Defesa Nacional

A viabilidade da obtenção dessas capacidades está intrinsecamente ligada à integração do Exército Brasileiro com a Base Industrial de Defesa (BID), atuando como indutor de tecnologias de uso dual, estimulando a economia nacional e fortalecendo a autonomia estratégica do País.

Para implementar essas diretrizes, o Estado-Maior do Exército trabalha atualmente na elaboração da Estratégia de Transformação do Exército Brasileiro, documento mandatório que estabelecerá as orientações detalhadas para a efetiva implantação da Força 40.

Em sua essência, a Política e a Estratégia de Transformação orientarão as ações estratégicas a serem implementadas pelo EB nas próximas décadas. Ao reconfigurar o desenho institucional, as capacidades, a doutrina e a formação do pessoal, a Força 40 busca garantir que o Brasil não apenas acompanhe a evolução dos conflitos modernos, mas também se antecipe a ela.

Sustentada pela inovação tecnológica e por tropas em permanente prontidão, a Força 40 representa o estado final desejado, no qual a Força Terrestre, por meio da dissuasão e da presença estratégica, estará apta a salvaguardar a soberania nacional, em face dos desafios do século XXI.■

FONTE:  Agência Verde-Oliva/CCOMSEx


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Rafael Gustavo de Oliveira
Rafael Gustavo de Oliveira
19 dias atrás

Estava assistindo um podcast de um brasileiro que voltou da Ucrânia e ele mencionou um reabastecimento da unidade por drone, e que esse drone era parecido com aqueles enormes drones agrícolas e que era necessário pois o ressuprimento via viatura dependia muito da garantia de segurança na zona de combate….resumindo, plano b se tornou plano a, enfim….assistir essas coisas percebe-se o quanto estamos atrasados e esse gap vem só aumentando….
O primeiro drone adquirido pelo exército foi lá em 2015 e já tem 11 anos e ninguém consegue explicar o motivo e/ou falta de interesse para as coisas acontecerem, em 11 anos mal conseguimos implementar drones de vigilância e não são algo absurdamente caro para se colocar em prática.

Bueno
Bueno
18 dias atrás

A Força 40 parece ser uma evolução natural do processo de transformação do Exército, mas espero que não se torne apenas mais uma reformulação administrativa.
O histórico recente mostra programas sendo reestruturados, renomeados e incorporados a novas iniciativas antes da conclusão de todas as metas originalmente previstas.
O desafio não é criar novas siglas ou conceitos estratégicos, mas entregar equipamentos, sistemas e capacidades reais dentro dos prazos anunciados.

A credibilidade desses programas depende da execução, não do nome que recebem.

Ceip
Ceip
18 dias atrás

Prezados,

Na minha humilde opinião, Portarias e Diex não muda real situação e necessidades do Exército.
Se 10% sair do papel é vitória para Força Terrestre.
O Exército precisa concentrar seus recursos e forças na obtenção de meios para as organizações militares.
Artilharia dos anos 40, Cavalaria dos anos 60 e 70, equipamentos de Infantaria fora da realidade da guerra moderna, que são armas pilares do Exército de combate para defesa nacional.
Sempre estive a favor da produção nacional de equipamentos militares para autonomia e independência do Brasil perante outras Nações, mas na atual realidade do Exército e cenário global de incertezas e guerras compras de oportunidades se faz necessário principalmente em grande quantidade, vide sistema de artilharia antiaérea de ponta Igla.
Outro ponto a ser destacado é estruturação de combate que é vital para o Brasil, precisa criar mais brigadas de Infantaria Completas nos Estados do Brasil, principalmente no Comando Militar do Nordeste e Comando Militar do Norte, até vim reforços do Sul e Sudeste o Nordeste e Norte já foi ocupado.(Quem vai atacar o Brasil será grande potência ou colisão Internacional para ocupar parte do território nacional)
Por fim é mais mais Portaria do Exército.

Desc
Desc
18 dias atrás

No papel tudo fica lindo

José Joaquim da Silva Santos
José Joaquim da Silva Santos
18 dias atrás

Que baita pastel-de-vento isso, quantas vezes já vimos esses ‘programas’ , sempre um nome pomposo, que se acaba em nada… Como se o EB por si só fosse capaz de implementar tudo isso, sem precisar do país como um todo.

José Luís
José Luís
17 dias atrás

Para “inglês ver”… Nada mais

Sandro Américo
Sandro Américo
17 dias atrás

Forcas esquece e vem é uma musicas dos anos 80 kkkkk

Ricardo Santos
Ricardo Santos
17 dias atrás

Um país de forças armadas para inglês ver!! Não temos condição de nada, talvez guerra de guerrilha!