Soberania digital: Parlamento Europeu troca Google pelo Qwant
O Parlamento Europeu anunciou que passará a adotar o motor de busca francês Qwant como padrão, substituindo o Google nos navegadores utilizados pela instituição. A mudança entrou em vigor em 4 de junho de 2026 e será aplicada automaticamente nos navegadores Microsoft Edge e Mozilla Firefox utilizados por eurodeputados, assistentes e funcionários administrativos.
A decisão foi apresentada como parte de uma estratégia mais ampla para reduzir a dependência da União Europeia de ferramentas digitais de empresas estrangeiras, especialmente norte-americanas, e fortalecer alternativas tecnológicas desenvolvidas no próprio continente.
Segundo um porta-voz do Parlamento Europeu, citado pela Reuters, a adoção do Qwant integra um conjunto de ações voltadas a diminuir a dependência da instituição de ferramentas digitais não europeias e a promover serviços baseados na Europa, com foco em privacidade. A mudança afetará os 720 eurodeputados, além de milhares de assistentes parlamentares e funcionários administrativos.
O Qwant é um motor de busca criado na França e apresentado como uma alternativa europeia ao Google. A empresa afirma que seu diferencial é a proteção da privacidade dos usuários, sem rastreamento individualizado para fins publicitários e sem personalização excessiva dos resultados de busca. O buscador já vinha sendo utilizado em alguns setores da administração pública francesa e por organizações interessadas em reduzir a dependência das grandes plataformas norte-americanas.
A troca ocorre em um momento de intensificação do debate europeu sobre soberania digital, conceito que envolve a capacidade da União Europeia de controlar dados, infraestrutura, software, semicondutores, serviços de nuvem, inteligência artificial e tecnologias críticas sem depender excessivamente de fornecedores externos.
No mesmo contexto, a Comissão Europeia apresentou um pacote de medidas voltado a impulsionar empresas tecnológicas europeias e limitar a presença de grandes companhias norte-americanas em contratos sensíveis de nuvem, inteligência artificial e infraestrutura digital. Entre as iniciativas estão propostas relacionadas a um novo Cloud and AI Development Act e ao Chips Act 2.0, com o objetivo de ampliar a capacidade europeia em computação em nuvem, IA e semicondutores.
A Comissão Europeia também pretende estimular a contratação de soluções “made in Europe” em áreas críticas, especialmente em setores como a saúde, a energia, os bancos e a administração pública. Um dos argumentos centrais é que leis estrangeiras, como o Cloud Act dos Estados Unidos, poderiam permitir o acesso de autoridades norte-americanas a dados armazenados por empresas dos EUA, mesmo quando localizados fora do território americano.
Apesar do simbolismo da decisão, especialistas avaliam que a Europa ainda está distante de alcançar plena autonomia tecnológica. A Reuters observou que o pacote europeu representa um passo importante, mas inicial, pois o bloco continua atrás dos Estados Unidos e de países asiáticos em áreas como chips avançados, infraestrutura de nuvem, centros de dados e inteligência artificial.
A adoção do Qwant pelo Parlamento Europeu, portanto, tem peso político maior do que impacto técnico imediato. O Google segue dominante no mercado global de buscas, enquanto buscadores europeus ainda enfrentam desafios de escala, infraestrutura, qualidade de indexação e financiamento. Ainda assim, a escolha sinaliza que instituições europeias estão dispostas a usar seu próprio poder de compra e padronização interna para estimular alternativas locais.
A iniciativa também ocorre em meio à aplicação mais rigorosa de regulações europeias sobre grandes plataformas digitais, como o Digital Markets Act e o Digital Services Act, criadas para limitar práticas consideradas anticoncorrenciais, aumentar a transparência e reforçar a proteção dos usuários.
Para Bruxelas, reduzir a dependência das Big Techs tornou-se uma questão estratégica. A guerra na Ucrânia, as tensões comerciais com os Estados Unidos, a competição tecnológica com a China e o avanço da inteligência artificial reforçaram a percepção de que infraestrutura digital não é apenas uma questão econômica, mas também de segurança, autonomia política e defesa dos valores democráticos europeus.
Com a substituição do Google pelo Qwant, o Parlamento Europeu envia um sinal claro ao mercado e aos Estados-membros: a soberania digital europeia começa também por escolhas concretas no uso cotidiano de tecnologia dentro das próprias instituições da União Europeia.■

Prevejo tarifas.
Na medida em que a tecnologia cibernética avança e se torna cada vez mais onipresente na vida de todos, o espaço digital e virtual também se torna um “território”…E onde há territórios existem disputas para obter soberania e controle sobre ele.
A China deve estar adorando, essa picuinha EUA x EU.
Tem horas em que Trump e sua administração, são uns verdadeiros goiabas.
No mais o galinho francês, tá se achando.
Coitado.
Me recordo do Cadê lá nos anos 90, comprado pelo então todo poderoso Yahoo. Temos gente para desenvolver sites e aplicativos, tem muita coisa já no na área de software livre que precisa apenas de adaptação para nosso ecossistema. E não é pouco o dinheiro gasto nas esferas municipal, estadual e federal com serviços hospedados lá nos EUA. Esse dinheiro ficaria aqui.
Assistam o documentário na Netflix ” O Dilema das Redes” . É assustador o negócio delas!!!
Parece estar indisponível no Brasil. 😒