US Israel Flag

Uma proposta incluída no projeto de autorização de defesa dos Estados Unidos reacendeu o debate em Washington sobre o grau de integração militar, tecnológica e industrial entre os EUA e Israel, em meio à crescente pressão política sobre o apoio norte-americano às ações israelenses em Gaza, no Líbano, na Cisjordânia e contra o Irã.

O ponto central da controvérsia é a Seção 224 do National Defense Authorization Act, o NDAA, legislação anual que define prioridades, programas e autorizações de gastos para o Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Segundo críticos da medida, o dispositivo abriria caminho para uma cooperação muito mais profunda entre os dois países em pesquisa e desenvolvimento militar, coprodução de armas, joint ventures, acordos de licenciamento e integração entre indústrias de defesa.

A proposta foi descrita por seus defensores como uma iniciativa para acelerar o desenvolvimento conjunto de tecnologias avançadas, fortalecer a segurança de Israel e ampliar capacidades úteis também às Forças Armadas norte-americanas. Entre as áreas citadas em análises sobre o projeto estão inteligência artificial, computação quântica, lasers de alta potência, defesa cibernética, sistemas contra drones e outras tecnologias emergentes de uso militar.

Para seus apoiadores, a medida reforçaria uma parceria estratégica de décadas entre Washington e Tel Aviv e permitiria que os dois países desenvolvessem mais rapidamente soluções para ameaças comuns, incluindo grupos armados apoiados pelo Irã, mísseis, drones e ataques cibernéticos.

A proposta, porém, provocou reação de parlamentares e analistas críticos da política dos EUA para Israel. Segundo essa visão, a Seção 224 poderia tornar a estrutura militar e industrial norte-americana ainda mais dependente da cooperação com Israel, reduzindo a margem de manobra de futuros governos dos EUA para rever apoio militar, condicionar ajuda ou responder a denúncias de violações de direitos humanos.

A controvérsia ocorre em um momento de queda do apoio público norte-americano às políticas do governo israelense, especialmente entre eleitores democratas e jovens. A guerra em Gaza, a expansão da violência na Cisjordânia, as operações no Líbano e a tensão com o Irã têm ampliado divisões dentro do Partido Democrata e transformado a influência de grupos pró-Israel em tema central de disputas eleitorais.

Nos últimos meses, a AIPAC, uma das organizações de lobby mais influentes de Washington, tornou-se alvo de críticas de candidatos progressistas, que acusam o grupo de usar recursos eleitorais para derrotar políticos que questionam o apoio militar incondicional a Israel. A AIPAC, por sua vez, afirma defender uma relação forte entre Estados Unidos e Israel e rejeita acusações de que atue de forma incompatível com os interesses norte-americanos.

De acordo com reportagens recentes, grupos anti-AIPAC passaram a apoiar mais de uma centena de candidatos democratas que prometem rejeitar recursos de organizações pró-Israel e contestar a ajuda militar dos EUA a Israel. Esse movimento indica que o tema deixou de ser apenas uma questão de política externa e passou a ocupar posição de destaque nas disputas internas do Partido Democrata.

A Seção 224 também é vista por críticos como uma tentativa de deslocar o debate sobre Israel do campo político e moral para o campo burocrático e industrial. Em vez de discutir diretamente a conduta israelense em Gaza, no Líbano ou na Cisjordânia, a proposta criaria novos mecanismos institucionais de cooperação militar que, uma vez estabelecidos, seriam mais difíceis de reverter.

Do ponto de vista legislativo, a inclusão de uma medida desse tipo no NDAA é relevante porque o projeto de defesa costuma reunir amplo apoio bipartidário e contém centenas de dispositivos técnicos sobre programas militares, contratos, compras, pesquisa, pessoal e estratégia. Isso permite que propostas controversas avancem dentro de um pacote maior, sem necessariamente receber o mesmo grau de debate público que teriam como projeto autônomo.

Segundo críticos citados pelo Guardian, a linguagem da Seção 224 teria origem em uma proposta anterior conhecida como United States-Israel FUTURES Act, apresentada por parlamentares democratas e republicanos, mas que não avançou isoladamente em comissão. A incorporação de elementos da proposta ao NDAA seria, para esses críticos, uma forma de preservar a agenda por meio de uma legislação de defesa mais ampla.

O debate expõe uma tensão crescente na política externa norte-americana. De um lado, defensores da parceria com Israel argumentam que o país é um aliado essencial no Oriente Médio, detentor de capacidades tecnológicas avançadas e parceiro estratégico em defesa antimíssil, inteligência, cibersegurança e combate ao terrorismo. De outro, críticos afirmam que a relação se tornou assimétrica, politicamente custosa e cada vez mais difícil de justificar diante das ações militares israelenses e da deterioração humanitária nos territórios palestinos.

O NDAA é o principal projeto anual de política de defesa dos EUA e costuma autorizar programas, prioridades e níveis de financiamento militar, embora a liberação efetiva dos recursos dependa das leis de apropriação.■


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lucena
1 mês atrás

O sionismo nos USA …..é muito forte e atuante na politicagem americana…o que é interessante …é justamente a forma como a AIPAC atua na politicagem americana …o seu Modus operandi …. não é muito diferente dos outros Modus operandi que conceituadamente se poderia dizer em uma operação de corrupção ….no caso ai, na politicagem americana …é realmente uma associação externa corrompendo a politica interna americana.
.
Como se pode verificar …a politicagem americana, no que se refere a corrupção …rsrs…eles não devem a ninguém…. principalmente a politicagem brasileira que eles adoram…. hipocritamente …. apontar com o seu dedo sujo.
.
E por falar em sionista , o açougueiro bibi … é um forte candidato a vê o sol quadrado por crime de corrupção.

Hamom
Hamom
1 mês atrás

Se fossem casos de chineses ou russos fazendo 10% disto, seria um escândalo apocalíptico nos EUA…

“A Agência de Inteligência de Defesa (DIA) do Pentágono elevou a ameaça representada pela espionagem israelense ao mais alto nível, crítico, à medida que as tensões sobre o Irã e Líbano crescer, relataram a NBC News e o New York Times no sábado.

A avaliação, que foi divulgada internamente nas últimas semanas, inclui um documento de sete páginas e um gráfico que classifica as capacidades de recolha de informações humanas e técnicas de Israel como “crítico,” de acordo com a NBC.

Entre as autoridades visadas estavam o principal negociador do presidente Donald Trump em negociações com o Irã, Steve Witkoff, a principal autoridade política do Pentágono, Elbridge Colby, e um de seus principais representantes, Michael DiMino, de acordo com o NYT.

Autoridades de contrainteligência dos EUA estão cada vez mais preocupadas com as atividades de espionagem israelenses contra os EUA, incluindo esforços para obter informações sobre as deliberações do governo Trump sobre o Irã e o Líbano, escreveram a NBC e o NYT, citando fontes. A avaliação também cita vários incidentes específicos, embora as fontes tenham se recusado a identificá-los.

A agressividade com que os serviços de espionagem israelitas têm vigiado altos funcionários dos EUA desde o início do segundo mandato de Trump tem sido “desequilibrado,” o NYT citou um alto funcionário dizendo.”

Iran
Iran
Responder para  Hamom
1 mês atrás

Vi uma entrevista com um agente da CIA que serviu em Tel Aviv, e ele disse que agentes americanos eram diariamente assediados, vigiados e recebiam ameaças veladas. Ele mencionou até que o cachorro dele ou de um colega foi morto, e que agentes do Shin Bet entravam nas casas deles e mudavam a disposição dos móveis (a KGB fazia isso) pra prejudicar a sanidade e mandar uma mensagem de quem é que manda. Tem essa entrevista no YouTube.
Já vi também israelenses dizendo que não confiam em nenhum país, nem nos EUA, e que tudo que fazem é apenas realpolitik, e que os americanos que são trouxas de achar que existe amizade.

Augusto Cesar
Augusto Cesar
Responder para  Hamom
1 mês atrás

Existem boatos que muitos políticos americanos tem o rabo preso devido a atos ilícitos e ultrajantes que eles praticam (ou praticaram) e que é de conhecimento do Mossad e que o serviço de inteligência de Israel usa essas informações para chantagear o alto escalão de poder dos EUA e do Ocidente. Existem teorias da conspiração que até mesmo dizem que o Epstein enviava dossiês para o Mossad sobre o que essas autoridades aprontavam na sua ilha.

Teorias da conspiração a parte, não consigo intender o porque de uma integração militar tão profunda com Israel seria tão benéfico assim para os EUA. Se o foco americano e no Pacifico, por que não fazem um integração desse nível com seus aliados regionais como Japão e Coreia do Sul?

Iran
Iran
1 mês atrás

Israel é incapaz de sozinho produzir resultados nessas áreas de tecnologia de vanguarda, portanto precisam parasitar ainda mais seu hospedeiro mais poderoso, os EUA, pra que ele, como seu bom golem, lhes garanta segurança, tecnologia e financiamento nessas áreas.

JuggerBR
JuggerBR
Responder para  Iran
1 mês atrás

Acho que até são capazes, desde que tenha dinheiro americano a rodo envolvido.

Alex Barreto Cypriano
Alex Barreto Cypriano
Responder para  Iran
1 mês atrás

Tava pensando nisso mesmo que você escreveu: os EUA reduzidos a um Golem pra Israel. Se bem me lembro, na lenda arcaica, o argiloso Golem era ‘ativado’ e ‘desativado’ por palavras mágicas (‘emet’ e ‘met’, respectivamente) inscritas em sua fronte e não parava até destruir seus alvos, os perseguidores de judeus. No Golem dirigido e interpretado por Wegener (1915) o processo de ativação era mais complexo, demandava invocar Asteroth, pronunciar a palavra mágica Shem, increve-la num pergaminho, alojar este num amuleto em forma de estrela e o depositar sobre o tórax do monstro. Acho que o Golem ianque é ‘ativado’ por uns papéis verdes (onde se lê, de ambos os lados, ‘in god we trust’) enfiados em seus bolsos. Os americanos sempre mais pragmáticos…
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Matheus
Matheus
1 mês atrás

Israel percebeu que a próxima geração de Americanos não são que nem a atual geração que seguem cegamente Israel e levam tudo que eles falam como góspel.

Agora é se integrar ao sistema Americano o mais profundo possível, até o Pentagono agora acenou um alerta pra espionagem do MOSSAD em Washington.

Augusto Cesar
Augusto Cesar
Responder para  Matheus
1 mês atrás

Eles provavelmente já fazem isso anos. Creio que o alto escalão americano já está bem integrado com o projeto de poder de Israel.

Adriano Madureira
Adriano Madureira
1 mês atrás

Off-Topic:

Brasil prepara primeira emissão de títulos públicos em yuan na China, diz agência.A operação inédita com os chamados Panda Bonds visa diversificar as fontes de financiamento do país e reduzir a dependência histórica do dólar; anúncio ocorrerá durante viagem oficial a Xangai e Pequim.

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O governo brasileiro planeja anunciar ainda neste mês uma captação de recursos no mercado financeiro da China por meio da emissão de títulos públicos em yuan, a moeda chinesa.
A informação foi divulgada pela agência Reuters com base em duas fontes que acompanham o assunto.

Com isso, o Brasil pretende vender a investidores chineses os chamados Panda Bonds, títulos de dívida emitidos por governos ou empresas estrangeiras no mercado financeiro da China e negociados em yuan.

A iniciativa ocorre poucos meses após o país realizar sua primeira emissão de títulos em euros desde 2014.
Em abril, o governo captou 5 bilhões de euros (cerca de R$ 29 bilhões) junto a investidores internacionais.

Segundo a Reuters, a emissão dos Panda Bonds faz parte da estratégia do Ministério da Fazenda de diversificar as fontes de financiamento do país e ampliar sua presença nos mercados internacionais.

Alex Barreto Cypriano
Alex Barreto Cypriano
Responder para  Adriano Madureira
1 mês atrás

A moeda oficial chinesa é chamada Renminbi (RMB ou CNY) e o yuan é a unidade básica do Renminbi.

Marcelo
Marcelo
1 mês atrás

Mossad aparelhou tudo no estados unidos,de militares aos políticos e cientista.
Quem não colabora aparece morto.

Hamom
Hamom
Responder para  Marcelo
1 mês atrás

Charlie Kirk que o diga…

Brunox
Brunox
1 mês atrás

Israel é realmente um país inteligente. Usam essa ufania distorcida dos fundamentalistas que acham que o cristianismo é a mesma coisa que o judaismo, principalmente quando estão lidando com lideranças incapazes de discernir o mínimo sobre a realidade e ainda governam por redes sociais, em proveito próprio, ganhando não apenas o apoio incondicional de pessoas imaturas politicamente, como, também, usando esse apoio no cenário geopolítico.

Eles, igualmente ao que vemos com os japoneses, conhecem e respeitam sua própria cultura, seus hábitos e religião. Tanto que, quando algum desses bobos vão lá ficar causando e querer mostrar para eles como “ser judeu”, principalmente os evanjegues, eles já logo escurraçam de lá. O negócio é usar a estupidez desses caras à seu favor. E isto demonstra que, pelo menos eles, sabem lidar bem com tabuleiro da geopolítica mundial.

Luís Henrique
Luís Henrique
Responder para  Brunox
1 mês atrás

Cuidado, ofender a classe evangélica chamando de jegue é crime no Brasil, crime equiparado ao racismo, portanto inafiançável e imprescritível.

Existem muitos evangélicos que dão mau exemplo mas existem muitos que fazem o bem e contribuem muito para a sociedade ser melhor. O sr. provavelmente tem outra religião ou é ateu e por causa dos maus exemplos desenvolveu um preconceito e talvez ate um ódio. Saiba que existem muitas igrejas evangélicas e muitos evangélicos que não concordam com o que algumas igrejas e líderes fazem.

E existe muita lógica e inteligência na fé cristã. Existem milhares de exemplos de cientistas famosos e pessoas “brilhantes” que foram ou são cristãs.

Brunox
Brunox
Responder para  Luís Henrique
1 mês atrás

Sinceramente? Se tem ou segue alguma religião em pleno século 21, não tem como debater que a pessoa se diferencia muito. Pode até deixar certos “estimulos” controlados, mas no fundo é igual e concorda. Só evita expressar essa concordância, pois não é tão bem aceito na moral da sociedade moderna, tais tipos de extremismo, entretando, no fundo, não discorda realmente.