A corrida chinesa dos chips de IA que o Ocidente ainda observa de longe
Enquanto o debate internacional continua concentrado nas restrições dos Estados Unidos à exportação de chips da Nvidia para a China, um movimento paralelo avança em alta velocidade dentro do mercado chinês: a construção de um ecossistema doméstico de aceleradores de inteligência artificial.
A pergunta que domina Washington, Wall Street e boa parte do setor de tecnologia ocidental tem sido se a Nvidia poderá ou não vender chips como H20 e H200 para clientes chineses. Mas, para Pequim, a pergunta estratégica parece ser outra: o que a China usará quando não puder mais contar com a Nvidia?
A resposta começa a aparecer em uma constelação de empresas chinesas que já fornecem GPUs, NPUs e aceleradores de IA para data centers, nuvens públicas, grandes laboratórios de modelos e aplicações de inferência. No jargão que vem ganhando espaço no setor, esse grupo tem sido descrito como formado por “três dragões e quatro cobras”: três gigantes de tecnologia com capacidade de desenvolver chips, servidores, clusters e software próprios; e quatro fabricantes especializados em semicondutores que recentemente acessaram o mercado de capitais.
Os “dragões” são Huawei, Alibaba e Baidu. As “cobras” incluem companhias como MetaX, Moore Threads, Biren Technology e Iluvatar CoreX. Ao redor delas orbitam ainda nomes como Cambricon, Hygon e outras empresas apoiadas por capital estatal, fundos industriais e grandes clientes locais.
O movimento não significa que a China tenha superado a Nvidia. A distância em software, eficiência, ecossistema CUDA, interconexão, maturidade de produção e acesso a memória HBM ainda é relevante. Mas os números indicam uma mudança de regime. Em 2025, fabricantes chineses passaram a responder por cerca de 41% do mercado de aceleradores de IA para servidores na China. A Nvidia permaneceu líder, mas sua participação caiu para cerca de 55%, bem abaixo da quase hegemonia que mantinha anos antes.
A Huawei é o caso mais visível. Sua linha Ascend tornou-se a principal alternativa doméstica aos aceleradores americanos. O Ascend 910C entrou em remessas em massa em 2025, e a empresa apresentou uma rota tecnológica que inclui os chips Ascend 950, 960 e 970, com ambição de ampliar desempenho, interconexão e uso de memória de alta largura de banda produzida dentro da própria cadeia chinesa.
O diferencial da Huawei não está apenas no chip. A empresa tenta construir uma pilha completa, com placas, servidores, supernós, interconexão, software CANN e nuvem. Essa escolha tem um custo: o ecossistema Ascend não é CUDA, o que exige adaptação de modelos, frameworks e ferramentas. Mas essa também é sua aposta estratégica. Em vez de emular integralmente a Nvidia, a Huawei tenta criar uma infraestrutura soberana.
A Alibaba segue caminho semelhante por meio da T-Head, sua divisão de semicondutores. O PPU da empresa, equipado com memória HBM2e de 96 GB em versões já divulgadas, foi apresentado como concorrente direto de chips exportáveis da Nvidia para o mercado chinês. Em uma demonstração apoiada por mídia estatal, aceleradores da Alibaba foram comparados a GPUs H20 e A800 da Nvidia, embora os detalhes metodológicos desses testes não tenham sido tornados públicos.
O que torna a Alibaba particularmente relevante é a integração com a Alibaba Cloud, uma das maiores provedoras de nuvem da China. A empresa não precisa apenas vender chips: pode incorporá-los a serviços, servidores, clusters e modelos próprios, como a família Qwen. Isso reduz a dependência de terceiros e permite otimizar hardware e software em conjunto.
A Baidu, por sua vez, avança com a Kunlunxin, unidade de chips de IA criada originalmente dentro da companhia. A empresa desenvolve aceleradores voltados sobretudo a inferência e treinamento de grandes modelos, além de supernós Tianchi para interconectar centenas de placas. A Kunlunxin prepara uma listagem em Hong Kong, em uma operação que pode transformá-la em uma das empresas chinesas de chips de IA mais valorizadas do mercado.
Fora dos gigantes, a corrida ganhou força com uma onda de IPOs. A Moore Threads, frequentemente chamada de “Nvidia chinesa”, estreou na bolsa de Xangai em dezembro de 2025 com forte valorização. A empresa combina GPUs para gráficos, jogos, data centers e IA, tentando criar uma arquitetura mais ampla do que a de fabricantes exclusivamente voltados a treinamento de modelos.
A MetaX, fundada por executivos com passagem por AMD e outros nomes da indústria, também teve uma estreia explosiva no mercado chinês. A empresa desenvolve GPUs para treinamento, inferência e renderização, com foco em placas de data center e servidores voltados a inteligência artificial.
A Biren Technology, que já havia chamado atenção ao anunciar aceleradores de alto desempenho em anos anteriores, recorreu ao mercado de Hong Kong para financiar sua expansão. A Iluvatar CoreX seguiu trajetória parecida, mirando tanto data centers quanto aplicações de borda, incluindo chips para robôs, varejo inteligente, transporte e IoT.
O pano de fundo é geopolítico. Desde 2022, os Estados Unidos vêm endurecendo controles sobre exportação de semicondutores avançados, máquinas de fabricação, componentes e acesso a tecnologias de empacotamento. A intenção era limitar a capacidade chinesa de treinar modelos de IA de ponta e desenvolver aplicações militares ou de inteligência. O efeito colateral foi acelerar a política chinesa de substituição tecnológica.
A China também passou a restringir o uso de chips estrangeiros em projetos de data centers financiados pelo Estado, empurrando compras para fornecedores nacionais. Grandes empresas chinesas, antes dependentes de Nvidia, passaram a testar Huawei, Cambricon, Kunlunxin, Iluvatar e outras alternativas, especialmente em inferência, onde o desempenho bruto do chip nem sempre é o único fator decisivo.
A mudança mais importante talvez esteja na convergência entre hardware e modelos. DeepSeek, Qwen, GLM e outras famílias de modelos chineses são cada vez mais relevantes no ecossistema global de IA aberta. À medida que esses modelos passam a ser otimizados para chips domésticos, a vantagem da Nvidia pode diminuir em determinados nichos, especialmente no mercado chinês e em países dispostos a comprar soluções completas de fornecedores locais.
Essa transição ainda enfrenta obstáculos sérios. A China continua atrás dos líderes globais em processos litográficos avançados, acesso a equipamentos de ponta, rendimento de fabricação, empacotamento sofisticado e produção de HBM em escala. Além disso, a Nvidia mantém uma vantagem decisiva em software. CUDA, bibliotecas maduras, ferramentas de desenvolvimento, suporte global e integração com frameworks continuam sendo barreiras difíceis de replicar.
Mas a velocidade do avanço chinês não pode ser ignorada. O que antes parecia um conjunto disperso de substitutos emergenciais começa a se organizar como um ecossistema próprio, com empresas listadas em bolsa, apoio estatal, grandes clientes domésticos, nuvens públicas, superclusters, chips de borda e modelos de IA adaptados ao hardware local.
A discussão no Ocidente ainda gira em torno de quais chips a Nvidia poderá vender para a China. Dentro da China, o debate parece avançar para uma etapa posterior: como construir uma pilha de IA que sobreviva sem a Nvidia.
Se essa estratégia funcionar, o impacto poderá ir além do mercado chinês. Países sob restrições tecnológicas, clientes sensíveis a custos ou governos interessados em infraestrutura soberana poderão avaliar alternativas chinesas, especialmente se vierem integradas a servidores, software, nuvem, modelos abertos e financiamento.
A China ainda não tem uma Nvidia. Mas talvez esteja tentando construir algo diferente: um ecossistema distribuído, protegido pelo tamanho de seu mercado interno, financiado por capital estatal e privado, e orientado por uma prioridade nacional clara. A pergunta, portanto, já não é apenas se os chips chineses alcançam os H100 ou H200 em benchmarks isolados. A questão central é se a China conseguirá transformar restrição externa em escala industrial interna.
Nos próximos dois anos, essa será uma das disputas mais importantes da corrida global de inteligência artificial.■





Enquanto aqui no Brasil tivemos um governo que quis fechar nossa fábrica de semicondutores pq “não dava lucro”, como se todo setor estratégico começasse com uma Shell, Nvidia ou etc na bandeja.
Atualmente a Ceitec está negociando uma parceria com a China que envolve inclusive transferência de tecnologia.
Infelizmente em países com capitalismo tardio é assim.
Não produz nada,atraso e abandona o país.
Mas o capitalismo chinês também é tardio. Começou só em 1979
Certa vez eu li que era uma economia capitalista planificada.
Exato, não dava lucro. Assim como a TSMC não deu por 15 anos e o estado subsidiou… assim como a Hyundai e a KIA não davam lucro, e o Estado subsidiou. Assim como a IBM praticamente foi salva da falência pelo DoD na decáda de 1950…..
Aqui no Brasil, tem um “liberalismo” miope no qual não existe em local nenhum do mundo, apenas aqui…
Estatal que dá prejuízo é uma coisa, subsídio é outra.
Taiwan teve uma participação de 40% na TSMC até 1997
Tivemos participação na Vale, Eletrobrás, Petrobrás. Eles não tem mineração, hidrelétrica, petróleo…..
O Liberalismo preconizado pelos países desenvolvidos para os países em desenvolvimento é uma ótima maneira dos primeiros colocarem as mãos nos recursos dos últimos e mantê-los no cabresto.
Para o desespero dos bilionários, a China representa uma inovação econômica que certamente será estudada por muitos centros de pesquisa. Certamente abrirá outras possibilidades de produção de bens e serviços. Talvez seja um novo caminho para o capitalismo. Uma evolução.
Mas, em terras de Pindorama, a manipulação do povo faz com que os interesses privados se sobreponham aos interesses coletivos. As estatais precisam dar lucro antes mesmo do amadurecimento de seus produtos de vanguarda. Há uma persistente adoração ao neoliberalismo. O mais grave é a ausência de um projeto nacional e, quando ele existe, o seu persistente descumprimento.
Estatais precisam de indicadores de sucesso. É possível desenvolver setores econômicos estratégicos por incentivos. Aqui vivemos o dilema déficit fiscal x incentivos. Outra coisa é incentivar o que não gera riqueza. O governo precisa incentivar mercados, não empresas.
Sempre que possível, sim: devem ser rentáveis. Porém, em determinados estágios de desenvolvimento ou em setores estratégicos, essa métrica não serve plenamente aos interesses nacionais.
Não esqueçamos que o setor privado norte-americano, por exemplo, é bancado com dinheiro público. No Brasil, vejamos o caso do agro: são cerca de R$ 800 bilhões de recursos do Estado.
Setor militar dos EUA
Não são 800 bilhões. O governo gasta da ordem de 20 bilhões para equalizar juros para o Agro. Também entendo que outros setores precisam de juros menores também, principalmente a indústria por gerar mais empregos.
Ver o Plano Safra que o atual governo colocou. Todo ele é subsidiado.
Via equalização de juros. Eu conheço plano safra.
A equalização de juros é o mecanismo pelo qual o governo paga parte dos juros. Mas isso é apenas parte da situação. A sociedade precisa compreender que dinheiro é um recurso escasso e que, ao destinar montantes elevados ao Plano Safra, com recursos subsidiados, na prática, esse dinheiro deixa de ir para outros setores. Esse é o ponto central.
O dinheiro o governo pode capitar de qualquer lugar, a diferença da taxa de juros que é o dinheiro que o governo realmente põe. Isso se chama equalização de juros e o valor gasto no plano safra é da ordem de 20 BI.
Exelente comentário.
Se estatal der prejuízo é sempre incompetência do governo. Apoio via incentivo fiscal tem mais chances de gerar resultado pois só tem benefícios quem tem receita tributáveis para abater.
Pela sua lógica é só fechar tudo e abrir filiais estrangeiras “lucrativas”, até porque todo setor estratégico em todos os países já nasceram lucrativos, né? A iniciativa privada vai querer entrar nessa por 15/20 anos desenvolvendo tecnologias sem buscar lucro inicialmente, mas buscando autonomia? Vai competir com empresas já consolidadas no ramo?
Sugiro reler meus comentários.
A iniciativa privada só vai entrar se tiver alguma segurança ou certeza de lucro, você está basicamente sugerindo que o Estado dê dinheiro pra empresas privadas enquanto não tem controle real sobre a direção que eles decidem tomar, pq “estatal é ruim”
É possível apoiar projetos estratégicos com subsídios ou com estatal. A diferença no Brasil é que em ambos os casos existem desvios e falta de finalidade. Os cenários e oportunidades mudam com o decorrer do tempo. Subsídio é mais fácil e rápido de se implementar do que estatal, Assim é mais fácil de se encerrar. Um empresa como os correios precisa concorrer com Amazon, mercado livre ao mesmo tempo que precisa manter operações deficitárias aonde essas empresas não atendem, burocracia pública, concursos, licitação e gestão política. Uma opção é subsidiar a operação em locais não rentáveis.
O empresariado brasileiro infelizmente é a pior espécie que existe no mundo, mentalidade colonial e mercantilista.
Adora privatizar os lucros e socializar os prejuízos a la Lojas Americanas como exemplo.
Toda área estratégica nesse planeta tem dedo estatal, quem acha que a iniciativa privada vai entrar numa empreitada sem o governo por trás, ou sofre de mal carácter ou pura inocência.
E onde o setor empresarial é diferente? Empresa privada visa lucro. Filantrópica é outro tipo de empresa. Empresa privada paga os impostos para bancar os serviços sociais do estado. Qual o problema disso? A opinião pública não está tolerando o constante e progressivo prejuízo dos correios. Entendo perfeitamente bancar Itaipu e todas as outras hidrelétricas, telefonicas, metro. Hoje já é um mercado consolidado. Depois de estabelecido o mercado privatiza e investe em outro setor.
Sem dúvida o fechamento da CEITEC foi um erro estratégico do Governo anterior.
Mas essa falta de visão, que resolveu fechar um empresa que deveria ser o carro chefe no que tange buscar certa independência no setor, está muito longe de ser corrigida pela atual gestão.
O único aporte que veio foram de apenas R$ 220 milhões, via FINEP, para modernização dos equipamentos devido a transição tecnológica.
É muito pouco para uma empresa que foi lançada à pilar da soberania tecnológica.
Infelizmente a palavra “soberania” está bastante prostituída na boca de políticos e influenciadores digitais deste país…
Voltando a CEITEC, conheço elguns engenheiros que saíram de lá e outros que continuam na empresa.
Mesmo com a migração de tecnologia para semicondutores de SiC (o que foi uma decisão mais do que correta) é consenso entre eles que o Estado ainda não enxerga nossa dependência tecnológica como uma das pontas a serem combatidas. O que é fato.
Consenso entre todos também é de que esse valor, para real desenvolvimento do setor, é pífio. O que concordo.
Basta ver a Coreia do Sul que recentemente anunciou um plano de US$ 900 bilhões (!) em um novo polo de desenvolvimento de semicondutores e infra para AI.
Existe ainda a questão de material humano.
Nosso país já tem poucos especialistas na área e, dos poucos que existem, a grande maioria não vê como atrativo a entrada na empresa e preferem tentar as vagas la fora.
Então repor depois do fechamento está sendo um complicador.
Referente a essa parceria com a China para um possível “ToT”, é preciso saber a produção de semicondutores é considerado conhecimento crítico.
Não é repassado.
A parceria com a China é bastante restrita e, como de costume, traz mais vantagens para o país oriental.
O que abrange:
* Fornecimento (importação) de equipamentos para produzir os novos semicondutores;
* Implementação de processos, protocolos e parâmetros para a produção;
* Matéria prima para produção dos semicondutores; e
* Especificações e design básicos para confecção desses chips.
É válido? Sem dúvida.
Mas é importante observar a palavra “design básico”.
Vai ser preciso investir muito mais e não apenas na empresa.
E, para este setor no qual estamos muito mais do que atrasados, não da para manter aquele pensamento “Calma. Um passo de cada vez.”
A necessidade é a mãe da invenção!
Ou seja, as sanções e tarifas dos EUA estão acelerando o desenvolvimento tecnológico chinês. A China, por outro lado, vende produtos tecnologicos para os EUA, fazendo com q os EUA financiem seu desenvolvimento.
Se os americanos liberassem os produtos da Nvidia para a China eles, ao mesmo tempo, fariam com q seu adversario financiasse sua superioridade tecnologica bem como inviabilizariam o desenvolvimento tecnologico desse adversário.
A China proibiu a compra da NVidia, o texto está errado. As empresas e não os governantes ocidentais aplicaram seu dinheiro nas etapas de maior margem – ver curva do sorriso. Manufatura é a etapa de maior investimento e menor margem, por isso foram todos em um primeiro momento todos espertos e faturaram alto. Porém manufatura gera mais empregos e agora que a China controla manufatura mundial, está produzindo suas próprias marcas com alta qualidade com o diferencial do custo.
É preciso atualizar. A China proibiu a compra de Chips NVidia e esta tem dificuldade em vender seus produtos na China. As empresas chinesas também não tem posto em risco seus planos de datacencer comprando NVidia com risco de embargo de ambos os lados. Sem dúvidas a expansão chinesa passa pelos Chips. Mas isso é só uma questão de pouco tempo até sua auto suficiência.
Não é bem uma proibição por parte da China.
Ocorre que existe, por parte dos EUA, restrições de exportação para a China dos chips de mais alto desempenho.
Chips com TPP acima de 4.800 pontos não podem ser exportados para o país.
Se a Interconexão de Banda ultrapassar 600 GB/s também é barrado.
Existe também o indicador de Densidade de Desmpenho que não pode ultrapassar 6 TFlops/mm2 senão é barrado.
Como a China tem investido pesado no desenvolvimento deste setor há tempos, seus semicondutores já conseguem alcançar a mesma performance dos chips importados ao qual tem acesso.
Dito isto, a China implementou a política de substituição nacional, conhecida como “XinChuang” que “recomenda” o uso, para empresas de tecnologia mas também as estratégias, o uso de alternativas nacionais, tanto de hardware wuanto software.
Mas importante observar que implementaram este modelo apenas a partir do momento que estava preparados. O que levou mais de década e muitas centenas de bilhões de US$.
E, antes de tudo isto, fizeram a lição de casa reformulando o principal setor do país, décadas antes.
O que mata desenvolvimento tecnológico no Brasil não é falta de investimento, mas imposto.
Não adianta você desenvolver um chip que não vai conseguir concorrer no mercado externo e ainda vai penar no interno porque os impostos aplicados são gigantes.
Ajuda. Mas tem apenas (e boa) parte da culpa.
O conjunto de complicadores são:
* Complexibilidade tributária onerosa;
* Atraso tecnológico industrial;
* Logística de transporte cara e deficiente (mesmo tendo melhorado);
* Infraestrutura elétrica e transmissão também caras;
* Escassez de mão de obra qualificada (esse é uma das maiores carências do país);
* Custos financeiros (juros altos para créditos redirecionados para inovação); e
* Concorrência com produtos importados.
Referente ao último complicador, de uma olhada no comentário que postei referente ao fomento do Estado chinês para que empresas priorizem a compra de produtos nacionais.
No Brasil, existem alguns recursos que podem ser utilizados pelas empresas apontados na Lei da Informática (que precisa ser revista uma vez que tem mais de 30 anos), a Lei do Bem (para empresas que investem em P&D) e outros modos para conseguir deduções em PIS, COFINS e IPI.
Infelizmente, e como quase tudo no país, grande parte desses benefícios são condicionados a exigências burocráticas rigorosas e complexas.
Mas, independente das complexibilidades, todas esse são benefícios insuficientes para concorrer com produtos importados devido ao gap de tecnologia entre os produtos nacionais e importados.
Não ajuda. Basta comparar com outros países. A diferença é gritante.
Apostar em bet é um risco menor do que se investir em deeptech no Brasil. Pesquisa aí benefícios de empresas HNTE na China e o que esse instrumento está gerando de impacto em termos de desenvolvimento tecnológico no país. Esse é somente um dos vários instrumentos lá.
Sim. A lei do bem não é isonomica. Admite somente empresas do regime de lucro real. Qualquer outro país, além de super dedução, é possível compensar prejuízos por longos períodos o que viabiliza as empresas deep tech e intensivas em tecnologia. O valuealuation fora daqui é maior para uma mesma empresa.
“Para que reinventar a roda? Todas as tecnologias (carros, aviões, máquinas, navios, motores, etc.) já existem e podemos importar empresas estrangeiras para produzir aqui, pois somos incapazes de desenvolvê-las. Vamos focar naquilo em que somos bons e sabemos fazer – soja, boi e minérios”.
– A mentalidade do capitalista e do liberal brasileiros.
Brasil deveria estar desenvolvendo novos materiais para chips, este é o futuro, silício já bateu no teto de evolução.
Precisa de ter incentivos compatível com os praticados no resto do mundo